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um clube de futebol é considerado "simpático",
parece nunca ir para frente, mesmo que desfrute
de tradição. O clube em questão torna-se
o "segundo time" de muita gente,
e suas eventuais aparições em finais de
campeonato causam um fenômeno chamado "torcida
arco-íris", que é a união dos torcedores
de diversos times grandes para apoiar o
"simpático". A Associação Ferroviária
de Esportes é um belo exemplo deste caso.
O
trem dá partida... Fundada há quase
58 anos por engenheiros e operários da Estrada
de Ferro Araraquara, o clube tinha por princípio
servir aos trabalhadores da EFA. O nome
foi dado por Antonio Tavares Pereira Lima,
mesmo fundador do América Futebol Clube,
de São José do Rio Preto. E a alcunha foi
proposital: Associação Ferroviária de Esportes
formaria a sigla AFE, justamente o contrário
da sigla da entidade. O distintivo de ambas
era igual, apenas invertendo as letras.
Pereira Lima também queria que as cores
do clube fossem o "azul guanabara",
que tingia o uniforme da Seleção do Rio
de Janeiro - o mesmo azul que está nas cores
de sua bandeira. Como a maioria se opôs
às matizes desejadas por Pereira Lima, a
Ferroviária acabou adotando grená e branco,
cores de um outro clube paulista muito simpático:
o Juventus da Rua Javari.
Um ano
depois, Pereira Lima se empenhou na construção
de um estádio para a agremiação. Em 100
o Estádio Dr. Adhemar Pereira de Barros
foi erguido, campo que até hoje serve de
casa para a Ferroviária e é conhecido por
Fonte Luminosa. Quando a Fonte foi erguida,
a Ferroviária já estava devidamente filiada
à Federação Paulista de Futebol e também
já havia feito seu primeiro jogo oficial,
contra o Mogiana de Campinas, também um
clube de ferroviários. A Ferroviária venceu
seu primeiro duelo oficial por 3x1. A inauguração
da futura Fonte Luminosa no entanto foi
desastrosa: uma goleada de 5x0 para o Vasco,
com um show do cracaço Friaça. Mas valeu
pela experiência e honra de enfrentar um
dos clubes mais tradicionais do país.
A
primeira estação de embarque Em 1955
veio o primeiro título conquistado pela
Ferroviária, onde o clube começaria a ganhar
seu status de lenda no futebol do interior
de São Paulo: a Segunda Divisão do Campeonato
Paulista. A Ferrinha já havia disputado
este título uma vez contra a Linense em
1952, mas perdeu por 3x0. Três anos depois
a história foi diferente e o clube de Araraquara
bateu o Botafogo de Ribeirão Preto por 6x3,
conquistando também vaga na Primeira Divisão
do Campeonato Paulista. Bazzani e Gomes,
com dois gols cada, foram os destaques do
primeiro momento inesquecível na história
da Locomotiva. A partida não foi uma final
em si, já que o campeonato estava sendo
disputado por pontos corridos, mas selou
o título e a vaga na elite paulista. Depois,
a Ferrinha ainda foi a Santos cumprir tabela,
e bateu a Portuguesa Santista por 5x4.
Rebaixada
para a Segunda Divisão novamente em 1965,
a Ferroviária repetiu o título da Segundona
um ano depois. Seria o segundo grande título
da Ferrinha, e garantiu sua permanência
na Série A do Paulistão por 29 anos, até
o ano de 1996.
A Locomotiva perde
o gás Nesse período glorioso, após
os dois títulos da Segunda Divisão - hoje
Série A2 - a Ferroviária experimentou o
apogeu de seu futebol. Venceu três vezes
o Campeonato Paulista do Interior, em 1967,
1968 e 1969. Esse último título da Ferrinha
no torneio foi também a última edição do
mesmo, sendo reativado apenas em 2006. A
Ferroviária também conquistou a Taça dos
Invictos em 1972.
O grande feito
da Ferrinha foi jogar a Primeira Divisão
do Campeonato Brasileiro em 1983, encerrando
com um heróico 12º lugar. No torneio a Ferroviária
obteve feitos como derrotar o Botafogo no
Rio e o Internacional em Araraquara e liderar
o grupo com os dois "gigantes";
caindo apenas na terceira fase do campeonato
numa chave com São Paulo e Grêmio.
Em
1994, a Ferroviária vivenciou o último capítulo
antes de sua decadência, sendo vice-campeão
do Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão,
jogando a Segunda Divisão em 1995. De lá
para cá, seguiu despencando. Em 1996 foi
rebaixado da Primeira Divisão do Paulistão,
para onde jamais voltou. E apenas seguiu
descendo de divisão por divisão.
O
ano de 2007: Uma nova estação Em
2003 a Ferroviária tornou-se clube-empresa.
Edinho Silva, prefeito de Araraquara, foi
um dos incentivadores do projeto. A idéia
era dar o gás à velha locomotiva para que
voltasse a vingar. Já em 2004 a Ferroviária
foi vice-campeã da Segunda Divisão do Campeonato
Paulista (que atualmente engloba da Série
B1 abaixo) e em 2006 quase conseguiu vaga
na Série A2. No mesmo ano, venceu a Copa
Federação Paulista de Futebol batendo o
Bragantino na final.
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| Em
2007, depois de ter batido na trave no ano
anterior, a Ferroviária conseguiu acesso
à Série A2, depois de liderar a 1ª Fase
do Campeonato Paulista da Série A3, e ficar
em 2º lugar no Grupo 02 da segunda fase,
saindo da briga pelo título, mas conquistando
a vaga na divisão de cima.
Agora
a luta é para voltar à Série A1 depois de
12 anos.
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