| Ao contrário do que muitos podem pensar,
não é o Corinthians. Mas também é alvinegro
e disputará a Série B em 2008. Dentre todos
os clubes brasileiros que contam com uma
extensa lista de títulos, seja Fluminense,
Flamengo, Grêmio ou Palmeiras, nenhum se
compara ao "modesto" ABC Futebol
Clube de Natal e seus 49 títulos norte-riograndenses,
sendo 10 deles de forma consecutiva - façanha
só alcançada por mais um clube brasileiro,
o América Futebol Clube de Minas Gerais.
O ABC vislumbra uma grande temporada para
2008.
Aprendendo o ABC... O
ABC foi fundado em 1915 por jovens da elite
potiguar. O nome ABC, ao contrário do que
muitos podem pensar, não é nenhuma sigla
clubística ou homenagem ao nosso alfabeto,
mas sim uma referência a um acordo diplomático
da época entre Argentina, Brasil e Chile
- uma espécie de embrião do Mercosul. As
cores escolhidas para a agremiação foram
o preto e o branco, e João Emílio Freire
foi seu primeiro presidente. Pouco menos
de um mês depois surgiu o América Futebol
Clube, que viria a se tornar o grande rival
do ABC. Em 26 de setembro daquele ano, os
dois se enfrentariam pela primeira vez,
e o ABC venceu por 4x1. Seria uma pista
de quem iria dominar o cenário do estado
no futuro.
A luta pela hegemonia Quatro
anos depois da fundação dos dois rivais,
ABC e América disputavam o primeiro Campeonato
Potiguar da história. O América acabou se
sagrando o primeiro campeão estadual. O
ABC conquistou seu primeiro título apenas
em 1920, na segunda edição do torneio, com
o elenco principal formado por Carqueija,
Pequeno e Jaime Wanderley, Pinheiro, Uruguai
e Zé Barreto; Cabral, Vicente Farache, Aníbal,
Avelino e Lourival. No ano seguinte, seu
primeiro bicampeonato. O feito se repetiria
mais duas vezes. O ABC foi bicampeão também
em 25/26 e em 28/29. Por alguma razão, o
ABC não conseguia enfileirar mais que dois
títulos. Até que...
Os 10 títulos Xixico.
Mário. Nesinho. Adalberto. Esses são alguns
dos nomes que contribuíram com a impressionante
seqüência de títulos do ABC entre 1932 e
1941, um decacampeonato. Esse feito já havia
sido alcançado antes, pelo América Futebol
Clube - o de Minas, não o rival potiguar
-, que enfilerou de 1916 a 1925. Se o América
abriu esse feito, o ABC fechou. A façanha
jamais se repetiu em solo brasileiro. E
se tornou, obviamente, o maior da história
do clube.
O ABC manteve sua regularidade
de títulos nas décadas de 40, 50 e 60, mesmo
não repetindo o sensacional decacampeonato.
O máximo que conseguiu foi um pentacampeonato
de 1958 a 1962. Mas a hegemonia estadual
já estava devidamente conquistada. Em 1962,
ano da última grande seqüência, que foi
o pentacampeonato, o ABC já abria 15 títulos
de vantagem sobre o rival América - 29 contra
14.
O ABC e os craques de 1970 Antes
de cantar "ABC, ABC, toda criança vai
ler e aprender", o craque Pelé teve
um outro ABC pela frente. Em 1972 o ABC
participava pela primeira vez do Campeonato
Brasileiro da Primeira Divisão, e teve pela
frente em casa o temido Santos, com nada
mais nada menos que Pelé liderando a equipe.
O Santos, óbvio, venceu, por 2x0. E o ABC
terminou a competição com um grande castigo:
o lateral-esquerdo Rildo foi escalado de
forma irregular. A punição foi a suspensão
do ABC em competições nacionais oficiais
por dois anos.
Mesmo com a irregularidade,
o ABC conseguiu a proeza de pôr um jogador
na Seleção da Bola de Prata da Placar naquele
ano: Alberi, considerado por muitos o maior
craque da história do clube.
Em 1979,
mais uma curiosidade envolvendo o ABC e
um tricampeão mundial: Rivelino! O ex-corintiano
vestiu a camisa do ABC num amistoso contra
o Vasco. Não marcou gols, mas seu substituto
no segundo tempo, Macunaíma, marcou o gol
do empate em 1x1 com o alvinegro carioca.
O
algoz do Fluminense Nas década 90,
o ABC voltou a chamar atenção por uma campanha
curiosa na Segunda Divisão do Campeonato
Brasileiro de 1998. O clube Potiguar abriu
a campanha do Fluminense, em pleno Maracanã,
vencendo por 3x2, com direito a um frangaço
do goleiro Ronaldo, ex-Corinthians. O ABC
também fechou a campanha do Fluminense em
Natal, empatando em 1x1. Este resultado
rebaixou o Fluminense para a Terceira Divisão
do Campeonato Brasileiro.
O ano
de 2007 O ABC sempre foi um clube
regular e nunca se permitiu grandes jejuns
- o máximo foi de cinco anos, entre
1978 e 1983. Os anos 90 e 2000 viveram essa
regularidade. A década atual viu o ABC conquistar
o estadual em 2000 e 2005, ano em que venceu
também a Copa RN. O terceiro Campeonato
Potiguar do ABC e 49º de sua carreira veio
em 2007, com um adicional: a classificação
para a Série B.
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