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Mesmo jogando em casa, o Corinthians
perdeu para o Porto de Pernambuco por 2x0
e foi eliminado logo na primeira rodada
da Série C, ainda em fase de grupos locais.
O clube fez uma campanha irregular, venceu
apenas uma partida, empatou duas e perdeu
três, terminando em último lugar no Grupo
8, com cinco pontos, mesmo número do Coruripe,
que ficou em 3º pelo saldo de gols. Os líderes
da chave e classificados para a segunda
fase foram o Porto com 13 pontos e o Itacuruba
com 10. Além do mais, a pífia campanha coloca
o Corinthians em 49º na classificação geral
da Série C.
Isso que relatei acima
não é nenhuma previsão pessimista para o
Sport Club Corinthians Paulista, nem mesmo
uma brincadeira insinuando que o Timão disputaria
a Série C em 2009, como ocorreu com o Fluminense
em 1999. O primeiro parágrafo desta coluna
relata a participação do Corinthians na
Série C 2004, última vez que o clube disputou
esse torneio. E, claro, quando digo "Corinthians",
me refiro ao glorioso Tricolor! Corinthians
Tricolor? Ora! O Sport Club Corinthians...
Alagoano!
Um Celeiro de Jovens
Craques Foi com essa proposta que
surgiu o Corinthians de Alagoas, sediado
em Maceió, capital do estado. Diferentemente
dos diversos clubes pelo Brasil a fora que
emergem com o intuito de ganhar títulos
e acumular torcida, atenção, prêmios, história...
o equivalente alagoano do Timão tinha desde
sua fundação, mais de 80 anos depois do
primeiro Corinthians brasileiro, aspirações
meramente comerciais. Tanto que o próprio
clube endossa seu sucesso nas categorias
de base, detendo a hegemonia nas categorias
juvenil e júnior em Alagoas. O foco do Corinthians
Alagoano se voltava para a revelação de
atletas para serem comercializados com grandes
clubes nacionais e internacionais.
E
o Timão das Alagoas exerce tão bem essa
função que na sua imensa lista de revelações
temos Lima do Atlético Mineiro, Narciso,
ex-Santos, Marcelinho Paraíba do Wolfsburg
e, sem dúvida, os dois maiores nomes da
casa: Deco do Barcelona e Pepe do Real Madrid.
Portugal,
aliás, é o principal ponto de emigração
dos atletas surgidos no Corinthians de Alagoas.
No geral, o Corinthians consegue negociar
suas jovens revelações com centros periféricos
e ricos do futebol mundial, como a Rússia
e a Coréia do Sul. Ou seja, o clube certamente
tira um grande lucro dos meninos que são
formados no CT Eurico Beltrão.
Vale
salientar... diferentemente do Corinthians
Paulista, o Alagoano não é alvinegro, mas
sim tricolor: preto, branco e vermelho -
ironicamente as cores do São Paulo, rival
de sua fonte paulistana de inspiração.
O
Futebol Profissional A preferência
pelos jovens talentos e pelo status de celeiro
é tão grande por parte do Corinthians Alagoano
que só em 1995, quatro anos depois de seu
surgimento, o clube entrou numa competição
profissional oficial, o Campeonato Alagoano
da 2ª Divisão. Como o clube detinha uma
boa posse financeira pelas cifras arrecadadas
com exportação, montar um bom elenco a nível
estadual não foi difícil, e o Timão das
Alagoas venceu a divisão de acesso de forma
invicta. E aqui fica claro o desinteresse
em ter um time profissional: o Corinthians
abriu mão da Primeira Divisão em 1996. Um
time profissional é caro e sua manutenção,
idem. Os dirigentes do Corinthians tinham
mais interesse em manter-se como celeiro,
gastando menos e lucrando mais.
Em
1997, nova conquista invicta e daí o clube
firmou o profissionalismo e à partir de
1998 passou a disputar a Primeira Divisão
do Campeonato Alagoano, de onde jamais saiu
- diferentemente do Corinthians e da Primeira
Divisão do Campeonato Brasileiro (RISOS!)
O
passo seguinte na história do Corinthians
foi dado em 2001, com sua primeira participação
na Série C do Campeonato Brasileiro. O clube
conseguiu um honroso 11º lugar com nove
vitórias e cinco derrotas em 14 jogos, dividindo
o primeiro lugar do Grupo 2 da Segunda Fase
com o Atlético Goianiense e perdendo a vaga
no saldo de gols.
As participações
seguintes, no entanto, tenderam ao trágico.
Em 2002 o clube se despediu no 41º lugar
com seis pontos em seis jogos - uma vitória,
três empates e duas derrotas, cinco gols
marcados e cinco gols sofridos, terminando
em 3º lugar no Grupo 6. E, em 2003, bem...
o Corinthians perdeu os quatro jogos que
disputou pelo Grupo 9 da Primeira Fase e
ficou com o 92º lugar entre 93 clubes. Além
da penúltima colocação, o Timão marcou apenas
um gol.
A última participação do
Corinthians na Série C abriu esta coluna
e, mais uma vez, foi um fracasso.
Dérbi? Em
2002 o Corinthians venceu seu terceiro título
profissional, o Torneio Seletivo para a
Liga do Nordeste 2003. Curioso é o adversário
na decisão deste torneio de acesso: o Palmeiras
de Feira de Santana na Bahia - o (nem tão)
famoso Palmeiras do Nordeste, que hoje atende
pelo nome de Feirense Esporte Clube.
Com
o acesso garantido, o Corinthians Alagoano
foi um dos 12 clubes que disputou o torneio,
que acontecia sem o aval da CBF. Jogando
apenas uma partida, o Timão das Alagoas
perdeu por 1x0 para o Ceará e foi eliminado.
O
Grande Título A mais importante conquista
do Corinthians até agora foi o Campeonato
Alagoano de 2004. O título foi conquistado
em cima do rival Coruripe de uma forma,
digamos, injusta. No decorrer do Campeonato,
somando as fases de participação, primeiro
turno, segundo turno e jogos eliminatórios...
o Coruripe deteve uma campanha impecável
com 52 pontos e apenas quatro derrotas.
Uma delas foi justamente quando não podia
- para o Corinthians, por 2x0 no segundo
jogo da final após vencer o primeiro em
casa por 3x2. Mas, se o tema desta coluna
é o Corinthians, então azar o do Coruripe!
O Timão comemorou seu primeiro e até agora
único campeonato estadual, depois de ter
ficado em 3º lugar em 2002 e em 2003.
O
ano de 2007 O Corinthians sagrou-se
vice-campeão da Copa Maceió, o primeiro
turno do Campeonato Alagoano, e da Copa
Alagoas, referente ao Segundo Turno. Nas
duas etapas o rival Coruripe tomou o primeiro
lugar e encerrou a campanha com 64 pontos
contra 47 do Corinthians, que ficou também
com o vice-campeonato geral.
O Timão
também viu um de seus rivais maceioenses,
o CSA, fazer uma campanha desesperadora,
terminando em penúltimo lugar, livrando-se
por dois pontos da Segunda Divisão Alagoana.
Pelo
menos, diferentemente de seu homônimo com
expressão nacional, o Timão Alagoano segue
firme e forte na sua primeira divisão de
referência.
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