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O Norte do Brasil é famoso por dois clubes:
o Paysandu e o Remo, ambos do Pará. Os dois
monopolizam o estado e há 19 anos se revezam
na conquista do Campeonato Paraense de futebol,
além de serem responsáveis por lotarem o
estádio Mangueirão sempre que se apresentam
no principal palco do futebol paraense.
O Remo e o Paysandu, suas brigas para jogarem
na primeira divisão do Campeonato Brasileiro,
sua rivalidade, suas conquistas relevantes
acabam abafando "o outro time do Pará":
a Tuna Luso Brasileira.
A Tuna tem
a honra de abrir um espaço que, esporadicamente,
aparecerá nos Clubes do Brasil: Sempre que
a série "Os Lusíadas" ganhar essa
seção, falará sobre as agremiações nacionais
que trazem em sua origem heranças portugueses.
Os grandes representantes dos nossos patrícios
no Brasil são o Vasco da Gama e a Portuguesa.
Mas com a colonização portuguesa em massa
no território brasileiro, é natural que
o fenômeno tenha se espalhado pelo país.
E
é justamente a Tuna Luso uma das mais ilustres
representantes da colônia lusa no Brasil.
Caixieiros
viajantes Em 1902, Belém estava movimentada
pela visita do cruzador Dom Carlos à cidade.
O evento fez com que um grupo de 21 caixeiros
viajantes portugueses decidisse montar uma
agremiação para perpetuar a cultura lusitana
no Brasil. Assim, em 1º de janeiro de 1903,
durante as comemorações de ano novo, nascia
o clube Tuna Luso Caixeiral.
O primeiro
grande nome na história da Tuna Luso foi
Francisco Vasques. Foi mediante sua iniciativa
que o clube abriu o futebol, ainda amador
e não filiado à Liga Profissional de Futebol
de Belém, apenas como recreação. O caráter
só mudou quando, em 1915, em comemoração
à Independência e Proclamação da República
de Portugal, o Tuna Luso venceu por 1x0
o Grêmio Luzitano e conquistou a Taça 5
de Outubro. A primeira conquista do Tuna
Luso deu ânimos ao clube para montar um
departamento de futebol profissional. Novamente
Francisco Vasques assumiu a responsabilidade
da situação para viabilisar o futebol cruzmaltino.
As
décadas de ouro O segundo divisor
de águas para a Tuna Luso foram os anos
30, já sob o nome Tuna Luso Comercial, adotado
em 1926. Em 1935, sempre aos olhares de
Francisco Vasques, foi inaugurado o Estádio
Cruzmaltino, onde o clube passaria a mandar
seus jogos. A importâcia do fato se consumou
em 1937, quando a Tuna Luso conquistou seu
primeiro Campeonato Paraense, e, de quebra,
de forma invicta. Com o time base Licínio,
Setenta, Cinco, Aldomário, Pellado, Setenta
e Sete, Lulu, Conega, Jango, Pitota e Patesko,
a Tuna decidiu o título contra o poderoso
Paysandu, campeão em dez ocasiões anteriores,
e venceu a partida por 2x1. No embalo da
primeira conquista, com o mesmo time-base,
os lusitanos conquistaram o bi-campeonato
em 1938, jogando sete partidas e vencendo
seis delas, levantando o Campeonato por
antecipação. O título garantia a Tuna Luso
como uma das forças do futebol paraense.
E a década de 1940 serviu para ratificar
esse posto.
Em 1941, vindo de um
vice-campeonato no ano anterior, a Tuna
Luso venceu pela terceira vez o Campeonato
Paraense, sendo pela segunda vez de forma
invicta. Os anos 40 ainda viu mais um título
da comunidade portuguesa, em 1948, ano em
que conquistou também o título de regatas,
fazendo com que sua torcida pudesse comemorar
como "Campeã de Terra e Mar".
Dessa forma, a Tuna Luso entraria mais uma
vez forte para década seguinte. Os anos
1950 seriam novamente prolíficos para a
Tuna Luso.
O time de 1951, com a
mesma base de 1948 e o folclórico Miguel
Cecim como treinador, conquistou o Campeonato
Estadual marcando 40 gols em 12 jogos, sendo
nove vitórias, dois empates e uma derrota;
e em seguida veio o terceiro Campeonato
invicto, em 1955, com mais uma máquina ofensiva
poderosa, a ponto de marcar 55 gols em 16
jogos. O time, que mantinha jogadores de
1948 e 51, ainda teve gás o suficiente para
conquistar também o título de 1958. China
talvez tenha sido o principal jogador dessa
geração vencedora da Tuna Luso que, mesmo
abaixo de Remo e Paysandu, sempre tinha
forças para incomodar os rivais.
Tuna
Luso Brasileira Os anos 60 passaram
em branco - o título bateu na trave com
os vice-campeonatos de 1962, 63 e 64. Mas,
mesmo assim, não deixou de ser marcante
para o clube: em 1968 a agremiação mudou
novamente de nome, desta vez em definitivo,
para Tuna Luso Brasileira.
Com nova
alcunha, a Tuna Luso entrou a década de
1970 sendo campeã já no primeiro ano, após
um jejum de 12 anos. O título não podia
ter vindo de forma menos emocionante: aos
44 do segundo tempo numa vitória por 3x2
sobre o Paysandu após estar perdendo por
2x0. Mas bastou quebrar esse período de
seca que o clube entrou em novo e longo
jejum, passando mais 13 anos sem conquistar
o Campeonato Estadual.
A gloriosa
década de 80 Em 1983 a Tuna Luso
Brasileira quebrou novo tabu e conquistou
o Campeonato Paraense. A dupla responsável
pelo título foi o treinador Ary Grecco orientado
pelo lendário Miguel Cecim. Foi o primeiro
passo da última década de glórias da Tuna
Luso. Com o título estadual de 83, veio
a participação no Campeonato Brasileiro,
a Taça de Ouro, de 1984, num grupo com os
grandes São Paulo e Vasco da Gama. Os confrontos
com esses dois gigantes foram desiguais.
Em casa, a Tuna Luso conseguiu segurar empates
- respectivamente 0x0 e 1x1. Mas jogando
no Morumbi e em São Januário vieram duas
amargas derrotas, sendo 3x1 e 9x0.
O
episódio não parece ter desanimado o Tuna
Luso - mais valeu a participação na Taça
de Ouro. Tanto que em 1985 conquistou a
Taça de Prata, referente à segunda divisão.
Três anos depois, em 1988, veio o último
título estadual da Tuna Luso.
E a
última grande conquista do clube lulo-brasileiro
foi a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro
em 1992.
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