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Pode um pequeno clube galês reunir a
atenção da Federação Inglesa, UEFA, FIFA
e todos os admiradores de futebol ao redor
do planeta? E quando fala-se em chamar atenção,
não se trata de nenhum escandâlo ou violência,
mas de um grande sucesso. Acredite, o pequenino
Cardiff City é o responsável por estas perguntas
e sucesso na atual temporada.
A
Fundação O Cardiff City foi fundado
em 1899 como Riverside AFC por Bartley Wilson
como uma forma de manter os atletas do Riverside
Crick Club unidos e em forma durante os
meses de inverno. Em 1900, o clube uniu-se
à Liga Distrital de Cardiff para disputar
sua primeira temporada competitiva.
Em
1905, Cardiff ganhou o reconhecimento como
uma cidade oficial no País de Gales e o
clube solicitou permissão para alterar seu
nome para Cardiff City, mas foi recusada
pelo clube não disputar uma competição de
nível maior. Em 1907, o clube foi aceito
na Liga Amadora do Sul de Gales e, no ano
seguinte, obteve permissão para alterar
seu nome para Cardiff City.
O interesse
no clube passou a aumentar, mas o Cardiff
foi forçado a não aceitar convite para disputar
a recém formada Segunda Divisão da Liga
do Sul da Inglaterra, devido as limitações
de seu estádio, o Sophia Gardens Ground.
Com isto, o clube buscou uma nova opção
com a construção de um novo estádio. Em
1910, foi inaugurado o Ninian Park, onde
o clube manda suas partidas até hoje.
Com
o novo estádio, o Cardiff passou a disputar
a competição no país vizinho e conseguiu
um bom resultado, classificando em quarto
lugar na tabela final. Além do Cardiff,
muitos outros clubes do país preferiam participar
de competições na Inglaterra, como o Swansea,
Wrexham, Newport County, Merthyr Tydfil
e Colwyn Bay.
A Glória O
Cardiff conseguiu a promoção para a Football
League em 1921, primeira divisão do futebol
inglês, depois da interrupção para a Primeira
Guerra Mundial. Em 1924, o clube desempenhou
ótimo papel na competição e acabou com o
vice-campeonato apenas pelo saldo de gols,
atrás apenas do Huddersfield Town, grande
força na época que cosquistou o troféu nos
dois anos seguintes também.
Na temporada
seguinte, o Cardiff chegou à decisão da
FA Cup diante do Sheffield United, e acabou
derrotado por 1x0. Em 1927, nova decisão
na FA Cup, desta vez frente ao Arsenal.
Em Wembley, diante de 91 mil pessoa, Cardiff
e Arsenal empatavam em zero a zero, e os
Gunners eram considerados favoritos por
serem comandados pelo lendário Herbert Chapman.
Aos 74 minutos, Hughie Ferguson chutou após
uma cobrança de lateral e o arqueiro do
Arsenal, Dan Lewis, levou um frango histórico.
Na
primeira decisão de FA Cup transmitida por
rádio pela BBC, o Cardiff sagrou-se o primeiro,
e até hoje único, clube não-inglês a conquistar
a mais antiga competição do planeta. Na
mesma temporada, o Cardiff conquistou a
Copa do País de Gales e venceu também o
Charity Shield derrotando o Corinthian,
clube que deu origem ao Corinthian-Casuals
e era uma das forças do futebol inglês no
perído, com um placar de 2x1 em Stamford
Bridge.
Longe, muito longe da
elite Depois de boas temporadas,
o Cardiff inicou uma peregrinação com o
rebaixamento para a Segunda Divisão em 1930
e para a Terceira Divisão Sul em 1931. Em
1933, o técnico Fred Stewart pediu demissão
após 22 anos no comando. Com uma seqüência
de troca de treinadores, os Bluebirds, como
é conhecido o Cardiff, acabou em último
lugar na Terceira Divisão Sul em 1934, então
a última divisão da Liga.
Para completar,
em Janeiro de 1937 a arquibancada central
do Ninian Park foi destruída por um incêncio.
O que parecia o fim do Cardiff causou uma
união de seus torcedores, com a intenção
de salvar o clube, que passou a apoiar efusivamente
e comparecer em grande número nos dias de
jogos. Porém, a Segunda Guerra Mundial suspendeu
todas as divisões da Football League de
1939 até 1947.
Com o retorno das
atividades futebolísticas, o Cardiff seguiu
sua rota nas divisões inferiores do futebol
inglês por longos anos, longe do destaque
do pré-guerra. Em 1990, os Bluebirds foram
rebaixados para a Quarta Divisão, ponto
mais baixo de sua história. Em 1999, o Cardiff
conseguiu retornar para a Segunda Divisão
e iniciava uma reação para se firmar na
Primeira Divisão, conhecida como Championship
e degrau imediatamente inferior a cobiçada
Premier League.
O início da retomada Em
Agosto de 2000, Sam Hammam adquiriu o controle
do clube por 11,5 milhões de libras. A intenção
de Hammam seria tornar o Cardiff um clube
oficial do País de Gales, trocando seu nome
para The Cardiff Celts e alterando suas
cores para verde, vermelho e branco. Como
a possível medida desagradou torcedores
e jogadores, Hammam preferiu revitalizar
o símbolo do clube, inserindo o mascote
e o apelido Bluebirds no topo do escudo.
A
chegada de Sam Hammam trouxe uma maior tranquilidade
financeira e foi fundamental para o Cardiff
obter a promoção para a Primeira Divisão,
ao final da temporada 2002/03. Desde então,
os Bluebirds mantiveram-se sem grandes sustos
em posições intermediárias. Em Dezembro
de 2006, Hammam vendeu o clube em uma transação
duvidosa para Peter Risdale por 27 milhões
de libras, além de 500 mil libras extras
para uma empresa de Hammam e 90 mil para
seu irmão. A nova administração trouxe estabilidade
ao Cardiff e as dívidas do clube, que giravam
em torno de 40 milhões de libras foram quitadas.
Nova
Glória A temporada 2007/08 alçou
novamente o Cardiff para o centro das atenções
do futebol inglês com sua brilhante campanha
na FA Cup. O clube iniciou sua campenha
na Terceira Eliminatória, superando o Chasetown
por 3x1 fora de casa. Na rodada seguinte,
novamente fora de casa, o Cardiff passou
pelo Hereford United por 2x1. Com sorteios
que lhe favoreceram, o Cardiff enfrentou
o Wolverhampton no Ninian Park e venceu
por 2x0, avançando para as quartas, quando
derrotou o Middlesbrough por 2x0 no Riverside.
Em
uma edição mágica da FA Cup, apenas o Portsmouth
sobreviveu entre os clubes da Pemier League,
unindo-se a West Brom, Barnsley e Cardiff.
O Barnsley, que havia eliminado Liverpool
e Chelsea, caiu diante do Cardiff por 1x0
em Wembley diante de 82 mil pessoas. O Portsmouth,
também por 1x0, avançou a decisão superando
o West Brom.
A presença do Cardiff
na decisão levantou uma polêmica: poderia
um clube galês representar a Inglaterra
em uma competiçã européia? A FA declarou
ser contrária a este tipo de situação, mas
a UEFA mostrou-se a favor e pressionou os
ingleses para aprovar uma eventual classificação
do Cardiff. Michel Platini, presidente da
UEFA, considerou o fato de convidar o Cardiff
para a Copa da Uefa, mas a FA recuou, alegando
que suas regras foram revistas de acordo
com a modernização do futebol.
A
decisão da FA Cup, marcada para o próximo
domingo, 17 de maio, é a esperança de um
novo sucesso depois de 81 anos de fila.
Porém, os torcedores esperam que não se
trate de apenas outro momento esporádico,
com o sonho de ver o Cardiff tornando-se
o primeiro clube galês a disputar a Premier
League.
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