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No último fim de semana, o Liverpool
recebeu em Anfield o pequeno Barnsley, da
Segunda Divisão, pelas oitavas-de-final
da FA Cup, competição mais antiga do Mundo
e torneio mais charmoso da Inglaterra. O
resultado foi uma surpreendente vitória
de virada por 2x1 que colocou o pequeno
clube no mapa do futebol inglês.
Fundação O
Barnsley St. Peters foi fundado em 1887,
nomeado assim pelo Reverendo Tiverton Preedy,
em uma região onde o rugby dominava o cenário
esportivo. Pouco depois de um ano, o clube
já disputava suas partidas no Oakwell, competindo
pelas Sheffield League e District League
a partir de 1890 e a Midland League em 1985.
Em
1897, o clube adotou o nome atual, Barnsley
FC, uma vez que o Reverendo Preedy havia
deixado o clube e a base de torcedores do
clube havia ampliado-se além das cercanias
originais. Em 1898, com boas participações
nas ligas regionais, o Barnsley requisitou
sua entrada na Football League e foi aprovado.
O clube lutou na Segunda Divisão pelos primeiros
dez anos, muito em parte devido a problemas
financeiros.
A Glória A
temporada 1909-10 iniciaria uma nova fase
na história do Barsnley com uma campanha
primorosa na FA Cup, superando Blakcpool,
Bristol Rovers, West Brom e Everton para
alcançar a final frente ao Newcastle, quando
vencia por 1x0 até o último minuto, quando
um gol controverso gol de empate forçou
a partida extra, vencida pelo Newcastle
por 2x1.
A sensação de que era apenas
sorte de clube pequeno dissipou-se em 1911-12.
Com vitórias sobre Birmingham, Leicester,
Bolton, Bradford e Swindow Town, o Barnsley
alcançou novamente a final da FA Cup, desta
vez frente ao West Brom. Após um primeiro
confronto sem gols, foi disputado o replay
no Bramall Lane, quando Harry Tufnell marcou
a dois minutos do fim e garantiu o primeiro
e único título da FA Cup em sua história.
Além disso, terminaram a Segunda Divisão
em sexto lugar, a posição mais alta já alcançada
até então pelo Barnsley.
Guerra
e Pós-Guerra Nas duas temporadas
seguintes, antes da interrupção devido a
Primeira Guerra Mundial, o Barnsley obteve
o quarto e o quinto lugar na Segunda Divisão,
estabelecendo-se como um dos clubes que
lutavam pelo acesso. Quando a Liga retornou,
em 1919, a decisão de expandir o número
de participantes para vinte e dois times
quase garantia a promoção do Barnsley, mas
uma manobra até hoje questionada promoveu
o Arsenal ao invés do Barnsley.
Em
1921-22, o Barnsley perdeu a oportunidade
de ser promovido por apenas um gol de diferença
no saldo. O Bradford precisava vencer seu
último jogo por 3x0 para garantir a vaga,
e foi exatamente o que ocorreu. Foi o momento
mais próximo da elite que o Barnsley chegou,
mantendo campanhas discretas no restante
dos anos 20. Na década seguinte, oscilou
entre Segunda e Terceira divisão, até que
o calendário da Football League mais uma
vez foi interrompido, desta vez pela Segunda
Guerra Mundial. Após o término da Guerra,
pouco mudou nos arredores de Oakwell.
A
grande novidade foi a transferência do goleador
Tommy Taylor, grande artilheiro do clube
na década de 50, transferido para o Manchester
United por 30 mil libras, um recorde na
época. No United, Taylor conquistou duas
Ligas, além de marcar 16 gols em 19 partidas
com a Seleção Inglesa. Tommy Taylor foi
uma das vítimas do desastre aéreo de Munique,
abordado nesta semana pelas colunas Memória
e Uniforme.
Do ostracismo à Elite As
décadas de 60 e 70 foram as mais negras
da história do Barnsley, perambulando entre
a Terceira e Quarta divisão, sempre com
campanhas decepcionantes. O clube começou
a ressurgir no final dos anos 70, quando
teve em suas fileiras Neil Warnock, Norman
Hunter, Allan Clarke e Mick McCarthy, técnico
da Irlanda na Copa de 2002. Estes jogadores
proporcionaram ao Barnsley duas promoções
consecutivas, alcançando novamente a Segunda
Divisão. Nos anos 80 e início dos 90, o
clube reestabeleceu-se entre aqueles que
disputavam uma vaga na Primeira Divisão.
Devido
a problemas financeiros, muitos jogadores
deixaram o clube antes do início da temporada
1996/97. Apesar de todas as perspectivas
ruins, o Barnsley conseguiu uma inédita
promoção para a Premier League. A ascensão
deu-se graças a uma equipe liderada pelo
atacante Clint Marcelle, integrante da Seleção
de Trinidad & Tobago, que marcou gols
decisivos ao longo da temporada. A festa
para a consagração foi longa, com desfile
em carro aberto dos jogadores pela cidade.
Apesar
de toda festa, sabia-se que apenas uma carga
intensa de trabalho não resultaria em um
retorno à Segunda Divisão. Para disputar
a Premiership, a diretoria contratou jogadores
com relativa experiência, mas sem a esperada
capacidade técnica. A montagem equivocada
do plantel resultou em sonoras goleadas
frente ao Manchester United por 7x0, 6x0
perante ao Chelsea e 5x0 diante do Arsenal.
Porém, houveram momentos de alegria, como
eliminar o mesmo Manchester Unietd na FA
Cup e uma vitória por 1x0 sobre o Liverpool
em Anfield. A partida em Oakwell conta o
Liverpool, porém, é que ficou marcada na
mente dos torcedores.
Com o placar
em 1x1, o árbitro Garry Willard expulsou
Darren Barnard e Chris Morgan, ambos do
Barnsley, permitindo que o Liverpool ficasse
em vantagem no placar por 2x1. Subitamente,
o árbitro abandonou o campo sem informar
seus assistentes, retornando pouco depois.
O Barnsley conseguiu empatar, mas Willard
expulsou outro jogador da equipe da casa,
e o Liverpool conseguiu marcar o gol da
vitória através desta falta contestada.
Com essa derrota, o ânimo no clube decaiu
permanentemente, fato este que resultou
no rebaixamento do Barnsley.
De
volta ao ostracismo Após uma temporada
sem grande brilho na Segunda Divisão, o
Barnsley alcançou os playoffs na temporada
1999/2000, mas acabou derrotado pelo Ipswich,
em Wembley, na última partida do mata-mata.
Sem a promoção, os principais jogadores
acabaram negociados, fato este que culminou
com o rebaixamento para a Terceira Divisão,
na temporada 2001/02.
Com problemas
financeiros, o clube entrou em processo
de falência, procurando um novo comprador
para não fechar as portas. Então, o prefeito
da cidade, Peter Doyle, comprou o clube,
mesmo diante de todos os protestos da torcida,
que fundou um clube paralelo, o AFC Barnsley.
Doyle manteve o clube por pouco tempo, procurando
um novo comprador que quitasse suas dívidas.
Após negociações frustradas, Doyle vendeu
a Barnsley para Peter Risdale, ex-dono do
Leeds. Em Dezembro de 2004, mediante inúmeros
conflitos de Risdale com a diretoria, o
clube passou para as mãos de Patrick Cryne.
As
seguidas mudanças no topo resultaram em
temporadas desperdiçadas na Terceira Divisão.
Quando os duelos pelo poder cessaram, o
clube retornou para a Segunda Divisão, ao
final da temporada 2005/06, onde permanece
até a temporada atual, ocupando apenas a
décima sétima colocação. Sua constante permanência
na Segundona vale ao Barnsley um recorde,
já que foram 66 temporadas neste nível,
contra 20 na Terceira, 10 na Quarta e apenas
um 1 ano na Primeira.
De volta
à magia da FA Cup em 2008 Em mais
uma temporada insossa na Segunda Divisão,
pouco se esperava do Barnsley na FA Cup.
A equipe estreou na terceira fase do torneio,
vencendo o Blackpool de virada por 2x1.
Na fase seguinte, uma apertada vitória por
1x0 sobre o Southend garantiu ao clube a
vaga nas oitavas-de-final, onde enfrentaria
o poderoso Liverpool en Anfield. Dirk Kuty
abriu o placar, mas gols de Stephen Foster
e Brian Howard, além de diversas defesas
de Luke Steele, garantiram a milagrosa classificação
para as quartas-de-final.
Depois
de superar o Liverpool, o Barnsley terá
outro adversário de força superior: enfrentará
o Chelsea nas quartas-de-final da FA Cup.
Desta vez a partida será em sua casa, o
Oakwell, e a lotação máxima de 23 mil pessoas
deve ocorrer. Imaginar uma nova vitória
é uma tarefa quase literária de ficção.
Porém, não deve-se subestimar o charme e
magia da FA Cup, bem como a tradição copeira
do Barnsley.
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