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A Copa Libertadores da América faz parte
do cotidiano futebolístico brasileiro e
sua conquista tornou-se uma obsessão generalizada.
Para um clube argentino em particular, voltar
a disputar com regularidade um torneio do
qual é o maior campeão já seria um grande
triunfo.
A Fundação No
início do século passado, funcionários de
uma loja de departamentos em Buenos Aires
chamada "A la Ciudad de Londres"
fundaram o "Maipú Banfield". Porém,
os jovens funcionários eram proibidos de
jogar pelo Maipú.
Desta forma, escondidos
de seus chefes, os jovens uniram-se para
formar uma equipe independente ao Maipú
em Agosto de 1904. Assim foi oficialmente
fundado, em 1º de Janeiro de 1905, o Independiente
Football Club, com sede em Avellaneda.
O
Início Inicialmente, o clube disputava
suas partidas entre a segunda e terceira
divisão amadora da Argentina. Em 9 de Junho
de 1907, pela primeira vez o Independiente
encarou aquele que viria a ser seu maior
rival, o Racing, e venceu por 3x2.
Inicialmente,
o Independiente usava uma camisa azul e
branca, com calções azuis. Em 1907, o Presidente
do clube, Arístides Langone, assistiu a
uma partida do Nottinhgam Forrest e decidiu
adotar a cor vermelha do clube inglês. A
mudança nas cores originou o primeiro dos
apelidos do clube: Diabos Vermelhos. Em
1908, o clube estreou o novo uniforme e
alterou seu nome para Club Atlético Independiente.
A camisa original é utilizada como segundo
uniforme até hoje, mantendo inclusive o
emblema azul e branco.
Em 1912, a
Federação Argentina convidou o Independiente
para participar da primeira divisão da liga,
que mais tarde viria a se tornar a competição
profissional oficial do país.
Em
seus primeiros anos, o clube atuava no estádio
de La Crucetita, que foi destruído em um
incêndio em 1923. Com isso, o clube construiu
o primeiro estádio de cimento da América
do Sul, o La Doble Visera. Durante a década
de 20, o Independiente sagrou-se campeão
da primeira divisão amadora em 1922 e 1926.
Raimundo Orsi era um dos grandes nomes desta
equipe, que transferiu-se para a Juventus
de Turim em 1928 e tornou-se uma lenda ao
participar da Seleção Italiana campeã do
Mundo em 1934.
Em 1938, o Independiente
conquistou seu primeiro título da era profissional,
que havia começado em 1931, e revalidou
a soberania em 1939. Arsenio Erico era o
grande nome da época, artilheiro em 37 e
39, que tornaria-se o maior artilheiro da
primeira divisão argentina de todos os tempos.
Erico fazia parte de um ataque impressionante:
foram 115 em 1938 e 103 no ano seguinte.
Em 1948, o Independiente sagrou-se novamente
campeão. Era o início de uma espera por
títulos que seria amplamente satisfeita.
Anos
dourados A década de 60 começou com
o Independiente campeão nacional em 60 e
63. Naquela época, o clube tinha mais de
45 mil membros, um estádio remodelado e
um crescimento institucional ininterrupto.
A conquista da liga em 1963 proporcionou
uma vaga na Copa Libertadores da América
de 1964. Na competição continental, o Independiente
venceu suas sete partidas, incluindo duas
vitórias sobre o Santos de Pelé nas semis,
e sagrou-se campeão da Libertadores ao derrotar
o Nacional na decisão.
Como atual
campeão, o clube tinha o direito de entrar
apenas nas semifinais da próxima temporada,
regra comum à época. Nas semis, três confrontos
com o Boca, com uma vitória por 2x0, uma
derrota por 1x0 e um empate sem gols que
garantiu o Independiente na decisão pelo
saldo de gols. O adversário na final seria
o forte Peñarol, que havia eliminado o Santos
nas semis com um espetacular placar agregado
de 9x8. Na primeira partida, vitória argentina
por 1x0, seguida de um triunfo uruguaio
por 3x1 no confronto seguinte. A terceira
partida marcou uma goleada de 4x1 e o bicampeonato
da Libertadores para o Independiente.
Os
dois triunfos continentais levaram os Diabo
Vermelhos para a disputa da Copa Intercontinental,
na época disputada em partidas de ida e
volta. Nas duas temporadas, o adversário
seria o mesmo: a Internazionale, também
bicampeã da Copa dos Campeões. A superioridade
italiana persistiu nos dois anos, adiando
o sonho argentino de conquistar o Mundo.
A
década de 70, no entanto, seria responsável
por outro apelido concedido ao Independiente:
Rei de Copas. Foram 12 Metropolitanos, 2
Nacionais, 3 Copa Interamericanas, 4 Libertadores
e a Intercontinental em 1973. Esse domínio
foi possível graças a Ricardo Bochini, atacante
que marcou época no clube e foi uma das
inspirações de um tal Maradona. As conquistas
continentais tiveram Universitário (Peru),
Colo-Colo, São Paulo e Unión Española como
vítimas nas decisões.
As quatro conquistas
continentais seguidas são até hoje um recorde.
Na Copa Intercontinental, porém, não houve
a mesma superioridade. Em 1972, o adversário
era o Ajax de Cruyff, que acabou campeão.
Em 1973, a Juventus de Turim foi derrotada,
consagrando o primeiro título do Independiente.
Em 1974, o Atlético de Madrid superou os
argentinos e ficou com a taça. Em 1975,
não houve acordo com o Bayern Munique sobre
as datas, e não houve disputa.
Em
1984, o Independiente conquistou a Libertadores
pela sétima vez, desta vez sobre o Grêmio,
e foi ao Japão enfrentar o Liverpool na
decisão da Intercontinental. Com uma vitória
por 1x0, o clube sagrou-se campeão da Mundo
pela segunda vez e encerrava assim seu ciclo
de conquistas.
O declínio A
trajetória de sucessos do clube diminuiu
de acordo com a aproximação da aposentadoria
de Bochini. Em 1990, depois de 20 anos no
clube, o atacante de passes memoráveis aposentou-se
com 740 partidas disputadas pelo clube,
tendo marcado 107 gols.
Nos anos
seguintes, o Independiente conquistou títulos
esporádicos, como o Clausura de 1994 e o
Apertura de 2002. Estes dois títulos proporcionaram
as últimas participações do clube na Libertadores,
em 1995 e 2004. Porém, as campanhas terminaram
precocemente e longe de honrar a tradição
copeira dos Diabos Vermelhos.
Com
grandes problemas financeiros, o clube passou
por sérias dificuldades nos últimos dez
anos. Em fevereiro de 2006, a justiça argentina
declarou que a dívida do Independiente rondava
a casa dos 26 milhões de euros. A solução
encontrada para sanar as dívidas foi negociar
os dois maiores talentos surgidos no clube
recentemente: o arqueiro Oscar Ustari e
o atacante Sergio Agüero.
O Independiente
ainda é o recordista de títulos da Libertadores,
mas a recente hegemonia do Boca Juniors
demonstra que logo outro argentino será
o detentor desta marca. Diante da atual
situação de ambos, isso não demorará a acontecer.
Porém, o Independiente tem seu lugar reservado
na história do futebol sul-americano como
o grande campeão de um período estrelado
no continente.
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