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É impossível, impossível, que um torcedor
do Clube Atlético Mineiro não se emocione
com Raça & Amor desde seu primeiro capítulo,
quando Galuppo evoca Roberto Drummond e
a famosa frase da "camisa no varal"
- que diz que quando o manto do seu clube
está estendido e o vento sopra, o atleticano
torce contra o vento. Esse primeiro capítulo,
esta frase, este ponto de vista permeia
todas as linhas deste livro sensacional.
A
linguagem e a narrativa utilizadas por Galuppo
são toadas pela emoção, coisa que não combinaria
melhor com clube algum no mundo que não
o Atlético. Desde os pequenos acontecimentos,
como um campo de várzea ou jogadores expatriados,
à grandes glórias, como uma seqüência mortal
de Campeonatos Mineiros, passando pelos
momentos mais tristes, como a perda de dois
títulos nacionais pelo desfavorecimento
de arbitragem... tudo tem o mesmo peso para
Galuppo, no que parece ser uma mensagem
de que, se é do Atlético Mineiro, tem o
peso máximo, indepententemente da relevância
do fato.
Claro que a obra é ilustrada
com fotos preciosas, especialmente as que
capturaram os personagens principais desta
peça: Telê Santana, Dario Maravilha, Éder
Aleixo, João Leite e, ele, Reinaldo. Os
capítulos se passam e os fatos vêm, sem
uma ordem cronológica definida. Parece que
Galuppo está nos contando uma história pessoalmente...
ele vai falando e, à medida que um momento
lembra outro, o autor joga no papel. Daí
temos a fundação do clube, os sócios-fundadores,
os primeiros campos, os primeiros craques,
os campeonatos... puxa para um campeonato
mais na frente, volta para uma derrota aqui
atrás... compara um vice-campeonato glorioso,
que só aconteceu porque o adversário era
superior, com os vice-campeonatos ocasionados
por circunstâncias estranhas. E, mesmo neste
momento, mesmo sendo "descaradamente
a favor do galo", como ele próprio
declarou, Galuppo consegue ser um escritor
consciente e analisar o por que da situação
de forma justa e honesta - nem que para
isso precise ser imparcial, o que parece
ser um "defeito" para um atleticano
apaixonado.
É uma pena que não tenhamos
uma edição atualizada, com a Série B de
2006, porque sem dúvida Galuppo daria mais
um show, explicando porque o Atlético se
rebaixaria àquele nível em 2005 e porque
ele retornaria, gloriosamente, como manda
sua história marcada pela raça.
Galuppo
agiganta o Atlético, não tenham dúvidas,
e torna seu livro uma aula de esporte. Mais
que uma aula de futebol, mais que uma cronologia
de um grande campeão. O escritor deixa implícito
que, em sua epopéia marcada pela garra,
o Atlético refinou o princípio básico do
esporte enquanto instituição. Os 100 anos
do clube, uma marca sem precedentes, merecia
pelo menos mais um punhado de linhas de
Galuppo, numa edição remasterizada deste
livro fantástico - carregado de raça e de
amor.
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