RAÇA E AMOR - POR THIAGO LEAL (26/03)
Mídia Abordada: Livro
Título: Raça & Amor
Autor: Ricardo Galuppo
Lançado em: 2005, 208 páginas
No Brasil: Ediouro, São Paulo/Rio de Janeiro

O autor e a obra: Raça & Amor é mais que um livro. É uma descrição apaixonada da história do Clube Atlético Mineiro ao melhor estilo Nelson Rodrigues. O autor Ricardo Galuppo deixa bem claro desde o princípio que Raça e Amor não é um livro em prol do Atlético Mineiro, mas sim uma obra descaradamente e parcialmente a favor do clube. Todos os fatos da história alvinegra, desde suas origens até os anos recentes de sua história (excluindo a Série B, pois o livro foi lançado antes do descenso do Galo), são contatos a partir da ótica fanática de um torcedor do time, ao ponto de não escrever o nome do seu maior rival ao longo do livro. O livro faz parte da excelente coleção Camisa 13.

 
  DE UM ATLETICANO PARA TODOS OS ATLETICANOS

É impossível, impossível, que um torcedor do Clube Atlético Mineiro não se emocione com Raça & Amor desde seu primeiro capítulo, quando Galuppo evoca Roberto Drummond e a famosa frase da "camisa no varal" - que diz que quando o manto do seu clube está estendido e o vento sopra, o atleticano torce contra o vento. Esse primeiro capítulo, esta frase, este ponto de vista permeia todas as linhas deste livro sensacional.

A linguagem e a narrativa utilizadas por Galuppo são toadas pela emoção, coisa que não combinaria melhor com clube algum no mundo que não o Atlético. Desde os pequenos acontecimentos, como um campo de várzea ou jogadores expatriados, à grandes glórias, como uma seqüência mortal de Campeonatos Mineiros, passando pelos momentos mais tristes, como a perda de dois títulos nacionais pelo desfavorecimento de arbitragem... tudo tem o mesmo peso para Galuppo, no que parece ser uma mensagem de que, se é do Atlético Mineiro, tem o peso máximo, indepententemente da relevância do fato.

Claro que a obra é ilustrada com fotos preciosas, especialmente as que capturaram os personagens principais desta peça: Telê Santana, Dario Maravilha, Éder Aleixo, João Leite e, ele, Reinaldo. Os capítulos se passam e os fatos vêm, sem uma ordem cronológica definida. Parece que Galuppo está nos contando uma história pessoalmente... ele vai falando e, à medida que um momento lembra outro, o autor joga no papel. Daí temos a fundação do clube, os sócios-fundadores, os primeiros campos, os primeiros craques, os campeonatos... puxa para um campeonato mais na frente, volta para uma derrota aqui atrás... compara um vice-campeonato glorioso, que só aconteceu porque o adversário era superior, com os vice-campeonatos ocasionados por circunstâncias estranhas. E, mesmo neste momento, mesmo sendo "descaradamente a favor do galo", como ele próprio declarou, Galuppo consegue ser um escritor consciente e analisar o por que da situação de forma justa e honesta - nem que para isso precise ser imparcial, o que parece ser um "defeito" para um atleticano apaixonado.

É uma pena que não tenhamos uma edição atualizada, com a Série B de 2006, porque sem dúvida Galuppo daria mais um show, explicando porque o Atlético se rebaixaria àquele nível em 2005 e porque ele retornaria, gloriosamente, como manda sua história marcada pela raça.

Galuppo agiganta o Atlético, não tenham dúvidas, e torna seu livro uma aula de esporte. Mais que uma aula de futebol, mais que uma cronologia de um grande campeão. O escritor deixa implícito que, em sua epopéia marcada pela garra, o Atlético refinou o princípio básico do esporte enquanto instituição. Os 100 anos do clube, uma marca sem precedentes, merecia pelo menos mais um punhado de linhas de Galuppo, numa edição remasterizada deste livro fantástico - carregado de raça e de amor.