SEGUNDA DIVISÃO - POR THIAGO LEAL (25/04)
Mídia Abordada: Livro
Título: Segunda Divisão
Autor: Clara Arreguy
Lançado em: 2005, 144 páginas
Editora: Lamparina, Rio de Janeiro

O autor e a obra: Clara Arreguy é uma das principais jornalistas especializadas em cultura no Brasil. Formada em jornalismo pela Fafich/UFMG. Traz no seu currículo o editorial de cultura do jornal O Estado de Minas, e atualmente trabalha na mesma área, no Correio Braziliense. Mineira, em 2003 Arreguy lançou o texto "O Futebol do Futuro", emplacado na coletânea de crônicas A Bola que Rola. Em 2005 lançou seu primeiro livro, Fafich, e em seguida atacou com Segunda Divisão - um golaço que mereceu elogios até do craque Tostão. Segunda Divisão é uma obra de ficção, talvez a melhor sobre futebol no mercado brasileiro, que trata da decisão da Série B entre os times (igualmente fictícios) Arapiara de São Paulo e o Santa Fé de Minas.

 
  SEGUNDA DIVISÃO COM MAIS CLASSE QUE A PRIMEIRONA

O ano é 2003. Série B do Campeonato Brasileiro. Palmeiras e Botafogo, rebaixados da Série A em 2002, já foram devidamente eliminados e terão de amargar mais um ano na Série B. Os times qualificados para a Primeira Divisão estão definidos: o Arapiara, do ABC Paulista, e o Santa Fé, de um bairro popular de Belo Horizonte. Mas a vaga para a Primeirona era só um aperitivo. O que os dois times querem é o título da Segundona - para chegar junto da turma de cima como campeões.

E é isso o que se passa na cabeça de todos os envolvidos com a grande decisão da Série B na noite anterior à finalíssima. Os relatos futebolísticos vêm na memória daqueles que sofrem com a ansiedade da véspera de um grande jogo. Vadão, o aspirante a craque que, aos 25 anos de idade, precisa provar seu valor e conseguir vaga num time grande antes que seu tempo passe; Marconi, treinador que se rói com dúvidas sobre a escalação; do goleiro Paulo César que foge da concentração para tentar sexo casual com alguma maria-chuteira; Renato, ex-jogador em atividade, Campeão do Mundo em 1994 com a Seleção Brasileira, que assiste ao acaso de sua carreira e espera por uma despedida decente; ou mesmo Magda Shoe, repórter esportiva que sonha em ser promovida a uma grande emissora.

Os capítulos são curtos e de fácil leitura, quase sempre narrados em primeira pessoa, revelando pensamentos do personagem em questão - mas com capítulos também em terceira pessoa, onde o narrador onisciente nos põe a par de todos os fatos envolvidos na trama. E os personagens seguem, desde juiz e assistente, vulgo bandeirinha, escalados para a grande final, à mãe de um atleta com idade adulterada aflita com o medo de que o "gato" seja descoberto.

A obra acaba se tornando muito interessante porque ela nos põe a par sobre pensamentos e medos comum daqueles que esperam uma grande decisão de futebol, revelando que o atleta, por mais que pareça um herói dentro de campo, não passa de um ser humano normal com tantas divagações como qualquer outro. Arreguy torna-se quase uma psicóloga ao explorar o problema de cada personagem, cada um em particular, com suas peculiaridades. A trama entra na cobertura da mídia em torno de uma decisão de Série B, alfineta os horários impostos pela rede de televisão responsável pela trasmissão e os repórteres de beira de campo que mal permitem que os atletas respirem no momento que tocam o gramado. Quando você menos percebe, chega ao clímax do livro, a decisão entre Arapiara e Santa Fé.

O jogo final é descrito em apenas um capítulo, com um capítulo seguinte narra um epílogo, contando o que aconteceu com cada personagem no decorrer do ano seguinte.

Arreguy fez de um joguinho de segunda divisão uma verdadeira disputa de Copa do Mundo. Sem dúvida, um golaço.

O livro pode ser encomendado no site oficial da jornalista, clicando aqui.

Recomendado para os fãs de futebol e para quem aprecia uma boa leitura.