OS ANOS DO TRI - POR THIAGO LEAL (17/09)
Mídia Abordada: Cinema
Título: FIA Campeonato Mundial de Fórmula 1 - 88-90-91 - Documentário Oficial - Os Anos do Tri
Autor: Revista Quatro Rodas
Lançado em: 2004
Estrelando: Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell, Luís Alberto Volpe (narração).

O autor e a obra: A revista Quatro Rodas é um dos veículos de comunicação mais famosos e lidos no Brasil. Em circulação desde 1960, a Quatro Rodas tem seção voltada para o Automobilismo onde a Fórmula 1, competição mais famosa mundialmente no esporte, ganha o destaque principal. O DVD em questão fora produzido junto a imagens oficiais da Federação Internacional de Automobilismo, a FIA, e traz na produção muita gente competente, como a diretora brasileira Stella Rizzo e a bela voz de Luís Alberto Volpe na narração. O trabalho tem outros lançamentos a serem comentados futuramente na coluna Cultura do Fanático Esporte Clube.

 
  ANOS INCRÍVEIS - E VELOZES

Agora que a Fórmula 1 volta oficialmente ao programa oficial do Fanático Esporte Clube, o tema passa a ser abordado também nesta coluna. E nada melhor que estrear com os três anos mais felizes que o brasileiro apaixonado por velocidade viveu: 1988, 1990 e 1991, o tri-campeonato de Ayrton Senna da Silva.

O documentário é sensacional ao tratar a Fórmula 1 apenas como um esporte, explorando para isso todas as características que um bom esporte deve ter: a briga incansável por uma vitória, o fator regulamento, as rivalidades, a decepção de uma derrota - e, é uma pena que, o produto em questão, contenha apenas o Ayrton Senna vencedor, porque uma das melhores facetas de Senna era sua forma de encarar a derrota.

Ao longo do filme assistimos ao Ayrton Senna, o atleta, em ação por três temporadas que lhe valeram a glória máxima, tendo, em questão, dois antagonistas: o francês Alain Prost para as temporadas 1988 e 1990 e o inglês Nigel Mansell para a temporada 1991.

A primeira das três temporadas é, sem dúvida, a mais divertida. Ayrton e Prost dividiam a equipe McLaren numa era onde não havia o Piloto 1 e o Piloto 2 - isso fazia com que, mais que pilotos, os homens de macacão dentro do cockpit fossem atletas. Rizzo, a diretora do documentário, foi precisa ao coletar da FIA as imagens que deixam implícita essa relação. Tudo selecionado dentro do ano de 1988 teve o intuito de mostrar a briga particular de Senna e Prost pelo Campeonato. Em cada intrevista fica sério como Prost e Senna não se sentiam confortáveis em dividir a equipe. Era uma relação de rivalidade digna de um Corinthians e Palmeiras, Milan e Internazionale ou Real Madrid e Barcelona. A temporada 1988 terminou com o Campeonato de Ayrton Senna e, ao constatar isso, próximo do fim da temporada, Prost desabafou um amargo "agora acabou". Cada corrida enumera um divertido Placar Particular para o brasileiro e o francês. Ayrton conquistou seu primeiro campeonato no Japão, onde ele viraria ídolo e ganharia mais dois títulos. Vale salientar que 1988 só teve GPs vencidos por Senna, Prost e Gerhard Berger.

Já 1990 veio logo depois do polêmico título de Alain Prost em 1989. Tecnicamente, o Campeonato passado havia sido vencido por Ayrton Senna. Sua desqualificação no GP do Japão devido a conduta antidesportiva - Senna teria cortado por fora uma chincane e, o que significa não cumprir o percurso completo da corrida. O piloto e a McLaren guardaram tanta mágoa da decisão da FIA que chegou a se falar em conspiração. E aí vemos o prestígio que Ayrton Senna detinha - coisa que Prost, já tri-campeão mundial, não despertava na escuderia. A McLaren brigou para tirar o título de um piloto SEU para entregá-lo a outra.

Apelação vetada, 1990 viveu a mágoa de Senna e da McLaren contra Prost, disputando o Campeonato pela Ferrari. Num ano um pouco mais heterogêneo que 1988, a Temporada 90 viu ainda no lugar mais alto do pódio Riccardo Patrese, Thierry Boutsen, Nigel Mansell e Nelson Piquet. Mais uma vez, no entanto, o título foi disputado cabeça a cabeça por Ayrton Senna e Alain Porst. Um outro grande momento do documentário foi a entrevista fictícia que Ron Dennis, diretor da Ferrari, fez com Ayrton após o GP do Japão onde o brasileiro venceu o bi-campeonato. Mesmo em se tratando de uma brincadeira, Senna e Dennis mostraram pela última vez na temporada o rancor com a FIA: Ayrton mandou um recado para os cartolas informando que o acidente que tirou ele e Prost da corrida e garantiu seu título foi casual, e não culpa dele, e que esperava que o título que era seu por direito não fosse tomado mais uma vez.

Pulamos para o ano seguinte onde o documentário enfoca "A" Temporada Ayrton Senna. Nela o ídolo teve de tudo - desde uma dramática vitória no GP do Brasil, passando por uma briga com um novo rival, Nigel Mansell, vendo seu velho rival Alain Prost fazer uma temporada ruim e ser demitido e substituído por Jean Alesi e, finalmente, vencendo o Campeonato dando, de presente, uma vitória a seu companheiro de time Gerhard Berger.

O trabalho do documentário em 1991 põe a temporada no mesmo patamar do que foi a Copa do Mundo de 1974 para Cruyff, a de 86 para Maradona e a de 94 para Romário. Aquela foi uma Temporada Ayrton Senna onde o ídolo chegou à apoteose. E um belo trabalho de resgate da Revista Quatro Rodas que louva a um dos maiores ídolos e, por que não, mártires do esporte mundial.

FIA Campeonato Mundial de Fórmula 1 - 88-90-91 - Documentário Oficial - Os Anos do Tri é um filme recomendado tanto aos fãs do automobilismo 1 quanto aos ainda não-iniciados - a oportunidade única de, em um DVD, conhecer uma das melhores e mais divertidas histórias de rivalidade que o esporte já conheceu.