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Agora que a Fórmula 1 volta oficialmente
ao programa oficial do Fanático Esporte
Clube, o tema passa a ser abordado também
nesta coluna. E nada melhor que estrear
com os três anos mais felizes que o brasileiro
apaixonado por velocidade viveu: 1988, 1990
e 1991, o tri-campeonato de Ayrton Senna
da Silva.
O documentário é sensacional
ao tratar a Fórmula 1 apenas como um esporte,
explorando para isso todas as características
que um bom esporte deve ter: a briga incansável
por uma vitória, o fator regulamento, as
rivalidades, a decepção de uma derrota -
e, é uma pena que, o produto em questão,
contenha apenas o Ayrton Senna vencedor,
porque uma das melhores facetas de Senna
era sua forma de encarar a derrota.
Ao
longo do filme assistimos ao Ayrton Senna,
o atleta, em ação por três temporadas que
lhe valeram a glória máxima, tendo, em questão,
dois antagonistas: o francês Alain Prost
para as temporadas 1988 e 1990 e o inglês
Nigel Mansell para a temporada 1991.
A
primeira das três temporadas é, sem dúvida,
a mais divertida. Ayrton e Prost dividiam
a equipe McLaren numa era onde não havia
o Piloto 1 e o Piloto 2 - isso fazia com
que, mais que pilotos, os homens de macacão
dentro do cockpit fossem atletas. Rizzo,
a diretora do documentário, foi precisa
ao coletar da FIA as imagens que deixam
implícita essa relação. Tudo selecionado
dentro do ano de 1988 teve o intuito de
mostrar a briga particular de Senna e Prost
pelo Campeonato. Em cada intrevista fica
sério como Prost e Senna não se sentiam
confortáveis em dividir a equipe. Era uma
relação de rivalidade digna de um Corinthians
e Palmeiras, Milan e Internazionale ou Real
Madrid e Barcelona. A temporada 1988 terminou
com o Campeonato de Ayrton Senna e, ao constatar
isso, próximo do fim da temporada, Prost
desabafou um amargo "agora acabou".
Cada corrida enumera um divertido Placar
Particular para o brasileiro e o francês.
Ayrton conquistou seu primeiro campeonato
no Japão, onde ele viraria ídolo e ganharia
mais dois títulos. Vale salientar que 1988
só teve GPs vencidos por Senna, Prost e
Gerhard Berger.
Já 1990 veio logo
depois do polêmico título de Alain Prost
em 1989. Tecnicamente, o Campeonato passado
havia sido vencido por Ayrton Senna. Sua
desqualificação no GP do Japão devido a
conduta antidesportiva - Senna teria cortado
por fora uma chincane e, o que significa
não cumprir o percurso completo da corrida.
O piloto e a McLaren guardaram tanta mágoa
da decisão da FIA que chegou a se falar
em conspiração. E aí vemos o prestígio que
Ayrton Senna detinha - coisa que Prost,
já tri-campeão mundial, não despertava na
escuderia. A McLaren brigou para tirar o
título de um piloto SEU para entregá-lo
a outra.
Apelação vetada, 1990 viveu
a mágoa de Senna e da McLaren contra Prost,
disputando o Campeonato pela Ferrari. Num
ano um pouco mais heterogêneo que 1988,
a Temporada 90 viu ainda no lugar mais alto
do pódio Riccardo Patrese, Thierry Boutsen,
Nigel Mansell e Nelson Piquet. Mais uma
vez, no entanto, o título foi disputado
cabeça a cabeça por Ayrton Senna e Alain
Porst. Um outro grande momento do documentário
foi a entrevista fictícia que Ron Dennis,
diretor da Ferrari, fez com Ayrton após
o GP do Japão onde o brasileiro venceu o
bi-campeonato. Mesmo em se tratando de uma
brincadeira, Senna e Dennis mostraram pela
última vez na temporada o rancor com a FIA:
Ayrton mandou um recado para os cartolas
informando que o acidente que tirou ele
e Prost da corrida e garantiu seu título
foi casual, e não culpa dele, e que esperava
que o título que era seu por direito não
fosse tomado mais uma vez.
Pulamos
para o ano seguinte onde o documentário
enfoca "A" Temporada Ayrton Senna.
Nela o ídolo teve de tudo - desde uma dramática
vitória no GP do Brasil, passando por uma
briga com um novo rival, Nigel Mansell,
vendo seu velho rival Alain Prost fazer
uma temporada ruim e ser demitido e substituído
por Jean Alesi e, finalmente, vencendo o
Campeonato dando, de presente, uma vitória
a seu companheiro de time Gerhard Berger.
O
trabalho do documentário em 1991 põe a temporada
no mesmo patamar do que foi a Copa do Mundo
de 1974 para Cruyff, a de 86 para Maradona
e a de 94 para Romário. Aquela foi uma Temporada
Ayrton Senna onde o ídolo chegou à apoteose.
E um belo trabalho de resgate da Revista
Quatro Rodas que louva a um dos maiores
ídolos e, por que não, mártires do esporte
mundial.
FIA Campeonato Mundial de
Fórmula 1 - 88-90-91 - Documentário Oficial
- Os Anos do Tri é um filme recomendado
tanto aos fãs do automobilismo 1 quanto
aos ainda não-iniciados - a oportunidade
única de, em um DVD, conhecer uma das melhores
e mais divertidas histórias de rivalidade
que o esporte já conheceu.
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