FEBRE DE BOLA - POR THIAGO LEAL (20/07)
Mídia Abordada: Livro
Título: Febre de Bola
Autor: Nick Hornby (Inglaterra)
Lançado em: 1992 - 245 páginas
No Brasil: Editora Rocco, Rio de Janeiro

O autor e a obra: "Febre de Bola" foi o primeiro livro de Nick Hornby. Depois de "Febre" , Hornby se tornou um autor vendidíssimo, em especial na Inglaterra, tendo seu livro "Alta Fidelidade" virado filme com John Cusack. "Febre" também foi para as telas, embora a adaptação não tenha sido tão feliz quanto a versão escrita.

 
  NOTAS SOBRE UMA PAIXÃO
Há quem diga que quando um time joga bem, dá uma "aula de futebol". Neste caso, o autor inglês Nick Hornby dá uma "aula de como torcer" no futebol.

Um dos melhores escritores de literatura popular do final do Século XX, o inglês Hornby já escreveu grandes sucessos como "Alta Fidelidade" e "Um Grande Garoto" – livros que não tardaram a ser adaptados para o cinema. Mas é em "Febre de Bola" (que também ganhou versões cinematográficas) que o escritor consegue melhor cativar qualquer leitor.

Torcedor do Arsenal desde os nove anos de idade, Hornby detalha nos capítulos de sua obra como se tornou um apaixonado por futebol, construindo um paralelo entre sua relação com o clube londrino e uma verdadeira relação amorosa.

Hornby foi “apresentado” ao Arsenal por seu pai – que, coincidentemente, estava em processo de divórcio com a mãe do jovem Nick, com apenas nove anos de idade – indo a jogos no antigo estádio Highbury. Sem a presença paterna em casa, Hornby passou a aproveitar o tempo que teria para brincar com o pai indo ais jogos dos Gunners. Pouco tempo depois, Hornby tornou-se figura carimbada em Highbury, vivendo de perto o sofrimento e as alegrias de torcer por um clube marcado como “freguês” de grandes equipes como Manchester United e Liverpool.

O mais interessante é que Hornby não trata diretamente do futebol em si – o jogo fica mascarado por seus sentimentos, fazendo com que leitores apaixonados por futebol e também não-apaixonados pelo esporte inclinem-se com empolgação sobre a obra. Os altos e baixos de uma relação, a emoção que se sente em determinado momento, quando nos faz sentir a pessoa mais feliz do mundo... as tristezas de uma grande decepção ou mesmo o desleixo de uma fase ruim que não dá sinais de que vai melhorar.

Tudo isso está em "Febre de Bola". Ao longo das páginas, entre uma partida e outra de futebol, Hornby conta como tentava modificar seu sotaque não-londrino, como era visitar as arquibancadas norte de Highbury, como lidava com o preconceito de ser um torcedor de fora de Londres – e paralelamente fala de seus primeiros relacionamentos amorosos, das namoradas que odiavam futebol, das que gostavam, da vida difícil na escola, da passagem frustrante pela universidade, do começo de sua carreira como professor, de seu casamento...

O paralelo é traçado de forma tão bem-feita que o leitor liga diretamente às fases boas e ruins na vida de Hornby ao clube inglês. No final das contas, o livro se encerra com um sorriso satisfatório no rosto de quem o lê. A forma como é escrito, em primeira pessoa, nos causa uma empatia direta com Hornby e com sua causa.

E sinto pena de quem não gosta de futebol e lê tal obra. Certamente começa a mudar seus sentimentos e embarcar num novo vício. E me pergunto o que será dos torcedores do Tottenham que experimentaram o livro.