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Hoje em dia a literatura e o cinema andam
de mãos dadas. Se não for um filme inspirado
em livro, pode esperar que sai livro inspirado
no filme. Fazendo mais uma analogia com
futebol, conforme foi feito no primeiro
parágrafo da crítica do filme Gol!, Gol!
Romance Oficial do Filme seria aquele time
de bons jogadores, mas simples, que não
dá show, mas joga bem, e no final das contas
vence e satisfaz a torcida.
Robert
Rigby, um dos novos escritores populares
ingleses que espera em breve ter a prolificidade
de um John Grisham ou uma Nora Roberts,
consegue pegar todos os clichês que o filme
joga e os colocar no papel de forma discreta,
simples, fazendo com que o leitor ignore
as situações óbvias e pouco verossímeis.
A
riqueza que Rigby descreve as cenas - como
no segundo capítulo, quando Santiago usa
pedaços de papelão como caneleira - as torna
bem mais interessante que o filme em si.
Os primeiros capítulos mostram um Santiago
Muñez com uma vida bem mais difícil, uma
Califórnia latina bem mais decadente e imigrantes
bem mais sofridos. Tudo isso dá um toque
a mais de realidade à obra, o que o filme
não consegue em momento algum.
O
livro também apresenta mais detalhes e explicações
na vida de Santiago. Enquanto a película
dá saltos enormes em sua trajetória e, quando
vemos, um menino das favelas latinas já
é estrela na Califórnia, a obra de Rigby
mostra que o rapaz mexicano penou um pouco
mais até chegar onde chegou - nem tudo são
flores na carreira de um jogador de futebol.
E Rigby disserta de forma que o leitor consegue
visualizar cada cena com perfeição, além
de nos brindar com toda uma gama de metáforas
e analogias que o filme não foi capaz de
reproduzir. Só no livro, por exemplo, sabemos
qual foi a primeira imagem marcante que
Santiago teve ao chegar em Newcastle - um
fato que está diretamente ligado ao final
do livro/filme, mas que o filme simplesmente
ignorou; como Santiago penou até ser escalado
titular no Newcastle também é exclusividade
da mídia impressa; e mesmo cenas que o filme
mostrou com grande ênfase ficam melhores
escritas: a festa que Santiago vai acompanhado
do inglês Gavin Harris; o jogo contra o
Liverpool; seu pai assistindo a um jogo
pela TV em Los Angeles.
A vida de
jogador de futebol também recebe mais cuidado
no livro. Treinar duro, debaixo de chuva,
passar pela reserva do time reserva, falhar
em jogos importantes, levar dura do assistente
técnico, desentender-se com os colegas de
time, fazer amizade com outros, sair pela
noite nas cidades inglesas, encontrar mulheres
interessantes, lidar com a imprensa marrom
dos tablóides britânicos... Tudo isso, mostrado
com seriedade ao longo das 223 páginas de
Gol! Romance Oficial do Filme, convence
o leitor de que Santiago é um bom jogador,
mas, ainda limitado, sofre para adaptar-se
a um novo estilo de vida.
Méritos
para Rigby também por ter conhecimento de
que se tratava de uma obra popular e apenas
uma adaptação de um filme - por isso, usou
uma linguagem simples e direta, sem preciosismos
ou prolixidade, tornando a leitura fácil
e rápida.
No final das contas, Gol!
Romance Oficial do Filme consegue tudo o
que a sua "matriz" não conseguiu.
Uma obra simples e ao mesmo tempo emocionante
onde o leitor acaba por sentir empatia por
Santiago Muñez em sua busca por um lugar
ao sol no futebol inglês. Sem dúvida, uma
leitura popular que vale à pena, além de
poder ser feita de forma descompromissada
num final de semana qualquer.
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