STEFAN LORAX

O descobrimento da América do Sul
04/12

Aconteceu! E foi surpreendentemente emocionante! Mas agora o Brasil, através do Internacional de Porto Alegre, descobriu a Copa Sul-Americana. Não podemos afirmar que esse título vai, realmente, fazer com que os clubes brasileiros passem a valorizar esse torneio - como desejamos que acontecesse na coluna "Agora, o Brasil faz parte da América do Sul", publicada em 18/11. Mas pelo menos temos nosso primeiro campeão do torneio. E ele o conquistou tomando a inédita atitude de abdicar do Campeonato Brasileiro, colocando até mesmo o time reserva em campo no torneio nacional - um privilégio que, até então, era exclusividade da Libertadores.Parabéns ao Internacional!

Poderíamos discutir aqui como o Inter chegou ao resultado, após uma brilhante vitória na Argentina por 1x0 e um emocionante empate em casa por 1x1, derrotando os Estudiantes apenas na prorrogação, ao final do segundo tempo extra. Poderíamos comentar a campanha do clube, que passou por Grêmio, pela Universidad, pelo Boca Juniors e pelo Chivas Guadalajara até chegar à decisão contra o Estudiantes.

Mas, ao invés disso, vamos tratar da importância e dos méritos da conquista. Como afirmei em coluna(s) antetior(es), a Copa Sul-Americana só é valorizada por aqueles clubes que estão na zona intermediária da tabela do Campeonato Brasileiro, que sabem que não vão disputar nada no torneio - e que, no ano seguinte, já na Sul-Americana, desdenham e reclamam do torneio. O Internacional inverteu a história.

Se pensarmos num exemplo de torneio sub-valorizado, temos a Copa Conmebol, disputada entre 1992 e 1999 e, em suas últimas edições, chegou a ter clubes como Sampaio Corrêa, São Raimundo e CSA disputando. De qualquer forma, o Brasil chegou a valorizar a Copa, tanto que Atlético Mineiro, Botafogo, São Paulo e Santos chegaram a vencê-la. Também tivemos a Copa Mercosul, que chegou a ser mais valorizada que a atual Copa Sul-Americana. Em quatro edições, três delas tiveram a final disputada apenas por clubes brasileiros. Na quarta e última, um brasileiro e um argentino. Palmeiras, Flamengo e Vasco conquistaram esse título. E o Flamengo perdeu a última edição para o San Lorenzo.

Não dá para entender porque o Brasil valorizava esta Copa Mercosul e desvaloriza a Copa Sul-Americana. E é por isso que o título colorado tem mais valor do que um torneio menor realmente agrega. Como dissemos na coluna do dia 18, o Internacional foi o único clube brasileiro a admitir abertamente que não estava brigando por uma vaga na Libertadores, como havia declarado, e resolveu priorizar a Copa Sul-Americana. Por acaso não paramos para pensar que esse título também é um título continental? Que, o vencendo, o Internacional disputará a Recopa com a LDU e que pode entrar para o seleto clube de times com mais de um título da Recopa - que inclui apenas Boca Juniors, São Paulo e Olímpia?

Agora vamos estender a comparação e colocar a Libertadores no pacote. Achou forçado? Mas a Libertadores, nos anos 60, não tinha muita importância para clube brasileiro. Em 1966 o Santos, bi-campeão do torneio, simplesmente o boicotou. Quem consegue imaginar hoje em dia um time boicotar a Libertadores? Em 1969 os clubes brasileiros tornaram a boicotar a mais importante competição sul-americana, atitude que se repetiu em 1970. Para uma confederação e seus clubes abrir mão de um torneio, tem de considerá-lo de pouquíssima importância. E olha que no campeonato em questão já havíamos tido campeões (Santos em 1962 e 1963) e vice-campeões (Palmeiras em 1961 e 1968).

Os motivos para o boicote geralmente eram desorganização da competição e choques com o calendário. Percebe que o filme é velho?

Mas sempre foi do brasileiro olhar para o próprio umbigo. Afinal de contas, de que vale ganhar um torneiozinho sul-americano se para isso você abre mão do glorioso campeonato estadual - principal competição da época, pelo menos na cabeça dos dirigentes brasileiros?

Logo, o Internacional conquistou um troféu que pode, e com certeza deve, ser valorizado no futuro. O boicote e a desvalorização acontece hoje - e é engraçado que essa desvalorização é feita até por clubes como o Corinthians, que nunca conquistou nenhum torneio continental, nem mesmo Taça Conmebol ou Copa Mercosul. Então, futuramente, teremos uma Copa Sul-Americana valorizada e prestigiada - só depende da organização e marketing da CONMEBOL. E aí clube brasileiro vai olhar para trás e lembrar o quanto a desvalorizou?

Mais uma vez, parabéns ao Internacional!.

Parabéns ao Internacional!

Poderíamos discutir aqui como o Inter chegou ao resultado, após uma brilhante vitória na Argentina por 1x0 e um emocionante empate em casa por 1x1, derrotando os Estudiantes apenas na prorrogação, ao final do segundo tempo extra. Poderíamos comentar a campanha do clube, que passou por Grêmio, pela Universidad, pelo Boca Juniors e pelo Chivas Guadalajara até chegar à decisão contra o Estudiantes.

Mas, ao invés disso, vamos tratar da importância e dos méritos da conquista. Como afirmei em coluna(s) antetior(es), a Copa Sul-Americana só é valorizada por aqueles clubes que estão na zona intermediária da tabela do Campeonato Brasileiro, que sabem que não vão disputar nada no torneio - e que, no ano seguinte, já na Sul-Americana, desdenham e reclamam do torneio. O Internacional inverteu a história.

Se pensarmos num exemplo de torneio sub-valorizado, temos a Copa Conmebol, disputada entre 1992 e 1999 e, em suas últimas edições, chegou a ter clubes como Sampaio Corrêa, São Raimundo e CSA disputando. De qualquer forma, o Brasil chegou a valorizar a Copa, tanto que Atlético Mineiro, Botafogo, São Paulo e Santos chegaram a vencê-la. Também tivemos a Copa Mercosul, que chegou a ser mais valorizada que a atual Copa Sul-Americana. Em quatro edições, três delas tiveram a final disputada apenas por clubes brasileiros. Na quarta e última, um brasileiro e um argentino. Palmeiras, Flamengo e Vasco conquistaram esse título. E o Flamengo perdeu a última edição para o San Lorenzo.

Não dá para entender porque o Brasil valorizava esta Copa Mercosul e desvaloriza a Copa Sul-Americana. E é por isso que o título colorado tem mais valor do que um torneio menor realmente agrega. Como dissemos na coluna do dia 18, o Internacional foi o único clube brasileiro a admitir abertamente que não estava brigando por uma vaga na Libertadores, como havia declarado, e resolveu priorizar a Copa Sul-Americana. Por acaso não paramos para pensar que esse título também é um título continental? Que, o vencendo, o Internacional disputará a Recopa com a LDU e que pode entrar para o seleto clube de times com mais de um título da Recopa - que inclui apenas Boca Juniors, São Paulo e Olímpia?

Agora vamos estender a comparação e colocar a Libertadores no pacote. Achou forçado? Mas a Libertadores, nos anos 60, não tinha muita importância para clube brasileiro. Em 1966 o Santos, bi-campeão do torneio, simplesmente o boicotou. Quem consegue imaginar hoje em dia um time boicotar a Libertadores? Em 1969 os clubes brasileiros tornaram a boicotar a mais importante competição sul-americana, atitude que se repetiu em 1970. Para uma confederação e seus clubes abrir mão de um torneio, tem de considerá-lo de pouquíssima importância. E olha que no campeonato em questão já havíamos tido campeões (Santos em 1962 e 1963) e vice-campeões (Palmeiras em 1961 e 1968).

Os motivos para o boicote geralmente eram desorganização da competição e choques com o calendário. Percebe que o filme é velho?

Mas sempre foi do brasileiro olhar para o próprio umbigo. Afinal de contas, de que vale ganhar um torneiozinho sul-americano se para isso você abre mão do glorioso campeonato estadual - principal competição da época, pelo menos na cabeça dos dirigentes brasileiros?

Logo, o Internacional conquistou um troféu que pode, e com certeza deve, ser valorizado no futuro. O boicote e a desvalorização acontece hoje - e é engraçado que essa desvalorização é feita até por clubes como o Corinthians, que nunca conquistou nenhum torneio continental, nem mesmo Taça Conmebol ou Copa Mercosul. Então, futuramente, teremos uma Copa Sul-Americana valorizada e prestigiada - só depende da organização e marketing da CONMEBOL. E aí clube brasileiro vai olhar para trás e lembrar o quanto a desvalorizou?

Mais uma vez, parabéns ao Internacional!.

 
  O COLUNISTA
Stefan Lorax: Canadense na Paraíba, ainda tenta, em vão, juntar hóquei no gelo com futebol. Escreve às segundas-feiras.
Para contatá-lo: lorax@fanaticoec.com
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