STEFAN LORAX

O descobrimento da América do Sul
04/12

Aconteceu! E foi surpreendentemente emocionante! Mas agora o Brasil, através do Internacional de Porto Alegre, descobriu a Copa Sul-Americana. Não podemos afirmar que esse título vai, realmente, fazer com que os clubes brasileiros passem a valorizar esse torneio - como desejamos que acontecesse na coluna "Agora, o Brasil faz parte da América do Sul", publicada em 18/11. Mas pelo menos temos nosso primeiro campeão do torneio. E ele o conquistou tomando a inédita atitude de abdicar do Campeonato Brasileiro, colocando até mesmo o time reserva em campo no torneio nacional - um privilégio que, até então, era exclusividade da Libertadores.

Parabéns ao Internacional!

Poderíamos discutir aqui como o Inter chegou ao resultado, após uma brilhante vitória na Argentina por 1x0 e um emocionante empate em casa por 1x1, derrotando os Estudiantes apenas na prorrogação, ao final do segundo tempo extra. Poderíamos comentar a campanha do clube, que passou por Grêmio, pela Universidad, pelo Boca Juniors e pelo Chivas Guadalajara até chegar à decisão contra o Estudiantes.

Mas, ao invés disso, vamos tratar da importância e dos méritos da conquista. Como afirmei em coluna(s) antetior(es), a Copa Sul-Americana só é valorizada por aqueles clubes que estão na zona intermediária da tabela do Campeonato Brasileiro, que sabem que não vão disputar nada no torneio - e que, no ano seguinte, já na Sul-Americana, desdenham e reclamam do torneio. O Internacional inverteu a história.

Se pensarmos num exemplo de torneio sub-valorizado, temos a Copa Conmebol, disputada entre 1992 e 1999 e, em suas últimas edições, chegou a ter clubes como Sampaio Corrêa, São Raimundo e CSA disputando. De qualquer forma, o Brasil chegou a valorizar a Copa, tanto que Atlético Mineiro, Botafogo, São Paulo e Santos chegaram a vencê-la. Também tivemos a Copa Mercosul, que chegou a ser mais valorizada que a atual Copa Sul-Americana. Em quatro edições, três delas tiveram a final disputada apenas por clubes brasileiros. Na quarta e última, um brasileiro e um argentino. Palmeiras, Flamengo e Vasco conquistaram esse título. E o Flamengo perdeu a última edição para o San Lorenzo.

Não dá para entender porque o Brasil valorizava esta Copa Mercosul e desvaloriza a Copa Sul-Americana. E é por isso que o título colorado tem mais valor do que um torneio menor realmente agrega. Como dissemos na coluna do dia 18, o Internacional foi o único clube brasileiro a admitir abertamente que não estava brigando por uma vaga na Libertadores, como havia declarado, e resolveu priorizar a Copa Sul-Americana. Por acaso não paramos para pensar que esse título também é um título continental? Que, o vencendo, o Internacional disputará a Recopa com a LDU e que pode entrar para o seleto clube de times com mais de um título da Recopa - que inclui apenas Boca Juniors, São Paulo e Olímpia?

Agora vamos estender a comparação e colocar a Libertadores no pacote. Achou forçado? Mas a Libertadores, nos anos 60, não tinha muita importância para clube brasileiro. Em 1966 o Santos, bi-campeão do torneio, simplesmente o boicotou. Quem consegue imaginar hoje em dia um time boicotar a Libertadores? Em 1969 os clubes brasileiros tornaram a boicotar a mais importante competição sul-americana, atitude que se repetiu em 1970. Para uma confederação e seus clubes abrir mão de um torneio, tem de considerá-lo de pouquíssima importância. E olha que no campeonato em questão já havíamos tido campeões (Santos em 1962 e 1963) e vice-campeões (Palmeiras em 1961 e 1968).

Os motivos para o boicote geralmente eram desorganização da competição e choques com o calendário. Percebe que o filme é velho?

Mas sempre foi do brasileiro olhar para o próprio umbigo. Afinal de contas, de que vale ganhar um torneiozinho sul-americano se para isso você abre mão do glorioso campeonato estadual - principal competição da época, pelo menos na cabeça dos dirigentes brasileiros?

Logo, o Internacional conquistou um troféu que pode, e com certeza deve, ser valorizado no futuro. O boicote e a desvalorização acontece hoje - e é engraçado que essa desvalorização é feita até por clubes como o Corinthians, que nunca conquistou nenhum torneio continental, nem mesmo Taça Conmebol ou Copa Mercosul. Então, futuramente, teremos uma Copa Sul-Americana valorizada e prestigiada - só depende da organização e marketing da CONMEBOL. E aí clube brasileiro vai olhar para trás e lembrar o quanto a desvalorizou?

Mais uma vez, parabéns ao Internacional!.

Meu pedido de aposentadoria
26/11

Eu sei que não conseguirei fazer isso. Mas bem que gostaria. Bem queria me "aposentar" do futebol nacional e acompanhar só o futebol sério, o internacional, onde posso acompanhar um clube menor, como o Tottenham Hotspur, e mesmo assim ter ídolos e jogadores "fiéis" ao time. E, o melhor, acompanhar futebol sendo apenas futebol. Bons jogadores, nível de jogo melhor que o nosso e, acima de tudo, futebol livre de especulações.

O motivo disso tudo? O ponto que chegamos: o Flamengo protestar até na FIFA contra o Carlos Eugênio Simon. E a CBF simplesmente banir o árbitro. A primeira coisa que penso é... logo o Flamengo? Aquele cujo maior título veio justamente através da arbitragem mais trágica da história do futebol, por parte de José Roberto Wright - que, por sinal, na transmissão de televisão, desceu a lenha em Simon. Contradição?

Não que o Flamengo não tenha direito de protestar. Muito pelo contrário! Tem, e como tem! Se o Flamengo se acha prejudicado, está no direito dele de reclamar. Pra mim o problema é a CBF acatar. A imprensa toda armar um complô para apoiar o clube carioca - claro, a imprensa menos parcial e mais interesseira, uma vez que a imprensa mais séria e imparcial, entenda-se ESPN Brasil, através de gente como Paulo Calçade e Mauro Cézar Pereira, criticou a atitude do Flamengo e da CBF como incoerentes.

Comparo com o caso de Corinthians e Portuguesa, cujo árbitro Javier Castrilli cometeu o maior erro da história do futebol de São Paulo? Nesse caso do Castrilli, o árbitro foi denunciado à FIFA. Mas pela FPF, e não pela Portuguesa. E houve pouquíssima divulgação da imprensa sobre o caso, uma vez que não era do interesse da mesma fazer nada pela Portuguesa, muito menos para "prejudicar" o Corinthians, outro clube queridinho e protegido.

Mas não houve por parte da Portuguesa nenhum escândalo em cima do acontecimento - e olha que motivos tinha, bem mais que o Flamengo, até.

Os erros de arbitragem antes aconteciam, assim como acontecem hoje em dia... Mas a dimensão dada a esses erros era bem menor. Ora, na Copa de 82, Gentile rasgou a camisa de Zico na área. Por acaso a CBF enviou um protesto à FIFA contra o árbitro Abraham Klein? E a Seleção Inglesa? A FA tomou alguma atitude do tipo contra o juiz Ali Bin Nasser? E aqui é Copa do Mundo...

Recentemente, cada vez mais o Brasil separa o futebol do jogo. É cada vez menos sobre futebol. É sempre arbitragem, STJD, torcida, Maracanã, estádio onde pode jogar, onde não pode jogar, pontos perdidos, tapetão, briga no aeroporto, renovação de contrato... e é isso que enche o saco, definitivamente.

Olho para o futebol europeu e vejo um patamar bem diferente. E não é por questões financeiras ou pelos jogadores que nele atuam. Mas por uma simples questão de postura - dos clubes, jogadores, federações e imprensa.

Por gostar muito de futebol, realmente não posso deixar de acompanhar o futebol brasileiro, até por torcer também por um clube do mesmo. Também não posso deixar de comentar sobre tal. Mas realmente é algo que me irrita. E vou tentar, ao máximo, me concentrar no lugar onde o futebol é realmente futebol.

Não é um pênalti não marcado, um das dezenas que acontece num final de semana em um único campeonato, que vai mudar a história do jogo.

Agora, o Brasil faz parte da América do Sul
18/11

Só agora um clube brasileiro acorda para a Copa Sul-Americana. A competição começou a ser disputada em 2002 e estava tão desorganizada que os clubes brasileiros, pela demora de aprensentação do calendário do torneio, a boicotaram. Mas toda a América do Sul estava lá, a prestigiá-la. O San Lorenzo foi campeão em cima do Atlético Nacional da Colômbia. Em 2003, o São Paulo avançou até a semi-final, quando o Cienciano o eliminou e venceu o torneio em cima do River Plate; nas duas edições seguintes, dois títulos argentinos, ambos do Boca Juniors, respectivamente em cima de Bolívar e Pumas - os clubes da CONCACAF começaram a ser convidados a participar do torneio, tendo inclusive uma inédita participação estadunidense, o DC United. O Internacional chegou às semi-finais em 2004.

Em 2006, voltamos a ter um brasileiro entre os semi-finalistas, o Atlético Paranaense. Mas na final, o Pachuca do México venceu o Colo Colo, num inédito título sul-americano a um time norte-americano. Na útlima edição, mais um mexicano na final - o América, derrotado pelo Arsenal da Argentina.

São seis edições com quatro títulos argentinos e um peruano. Sempre reclamamos aqui no Fanático da forma que o Brasil se porta para com a Copa Sul-Americana. A última vez foi em setembro, no dia 16, quando reclamamos que, quando não estão disputando nada no Brasileirão, os clubes brasileiros alegam que brigam por uma vaga na Copa Sul-Americana, e até chegam a comemorá-la quando conseguem. E, depois, na hora de jogar a Sul-Americana, reclama-se porque tem que jogar dois torneios. E fica corriqueiro colocar o time reserva para jogar a Sul-Americana, uma vez que a prioridade é mesmo o Campeonato Brasileiro.

Pela primeira vez a história mudou. O Internacional de Porto Alegre chega e resolve priorizar... a Copa Sul-Americana! Colocando o time reserva para jogar... o Campeonato Brasileiro! E aqui é muito simples: o Inter parou de tentar enganar-se. Passou muito tempo com aquela história de que sonhava com Libertadores e com título - um dos objetivos claros do Internacional era jogar a Libertadores para comemorar seu centenário. Mas a verdade é que o time não engrenava no Brasileirão e a vaga para a Libertadores foi ficando cada vez mais distante.

Logo, um time brasileiro finalmente teve colhões para abrir mão do Brasileiro e pensar apenas na Sul-Americana. O Inter começou eliminando o Grêmio, velho rival, na ridícula fase mata-mata entre clubes brasileiros. Passou de fase e eliminou a chilena Universidad, pelas Oitavas de Final. E avançou à semi-final onde encarou o Boca Juniors, clube com quem criou uma rivalidade justamente por causa da eliminação na Copa Sul-Americana 2005.

Passou pelo Boca e chegou no Chivas do México - mais um mexicano entre os finalistas -, a quem derrotou lá em Guadalajara, jogando muito bem e ganhando destaque até aqui, na capa do Fanático Esporte Clube.

É importante que o Internacional avance à final e ganhe a Copa. É importante para a Copa Sul-Americana e importante também para o futebol brasileiro. Os nossos clubes verão o exemplo do Inter. A Copa Sul-Americana passará a ser uma competição interessante também para os clubes brasileiros. E com isso, ganha a Copa, que será mais competitiva.

Claro, estamos partindo do princípio que os clubes brasileiros entenderão o quão valioso esse torneio é. A Copa Sul-Americana é, de fato, uma competição continental. É um título tão valioso quanto a Libertadores. Boca Juniors e River Plate disputam, e o próprio Boca já a venceu nada menos que duas vezes.

Talvez a CONMEBOL falhe com o marketing do torneio. Mas é a seqüência, os títulos, as equipes fortes que disputam e os jogos memoráveis que a Sul-Americana precisa para fazer sua história e ganhar prestígio.

E só agora um clube brasileiro resolve fazer parte da história. É como se apenas agora o Brasil passasse a fazer parte da América do Sul.

Já não era sem tempo.

O herói usa máscara?
11/11

No futebol brasileiro temos dois opostos. Marcos e Rogério Ceni, respectivamente primeiro e segundo goleiros do pentacampeonato na Copa do Mundo do Japão. Marcos, do Palmeiras, sempre foi visto pela torcida como um grande exemplo: sincero, apaixonado pelo clube, a ponto de colocá-lo à frente de qualquer prioridade - após a Copa do Mundo, dizem, Marcos iria para o Arsenal, que tinha o goleiro Seaman prestes a se aposentar. Teria desistido porque acharia injusto largar o Palmeiras na pior fase que o clube já enfrentou. As atitudes de Marcos não lhe deram apenas o respeito da torcida do Palmeiras, mas de diversas torcidas do Brasil. Marcos é visto como, talvez, o maior ídolo da história do clube.

Rogério Ceni é quase um oposto. É adorado pela torcida do São Paulo, mas contestado por parte da própria torcida. Se Marcos é sincero, Ceni é visto por muita gente como um atleta mascarado - e muitas atitudes dele acabam fazendo parecer isso mesmo. Se Marcos recusou transferência para o Arsenal, Ceni, segundo alguns, teria forjado uma transferência para o Arsenal para conseguir aumento salarial. E assim, Rogéio ganhou o ódio das demais torcidas do país. Incontestavelmente, é o maior ídolo da torcida do São Paulo. O atleta que mais defendeu o time. E tem uma vantagem: sai bem do gol com os pés, cobra falta... para uns, isso é desvantagem - para ver o quanto torcem o nariz para Rogério.

Fato é que temos os exemplos de goleiro sincero e goleiro mascarado.

Mas até onde vai a sinceridade de Marcos? Ou até onde deveria ir? Aliás... o que é sinceridade, nesse caso? E o que é inconveniência?

Recentemente, o goleiro tem sido alvo de polêmica, devido aos "problemas" que o Palmeiras vem enfrentando no Brasileirão - se é que estar entre os quatro classificados para a Taça Libertadores é um problema. Inúmeras vezes Marcos criticou, publicamente, o elenco do clube. O ataque é um dos alvos de Marcos - que parece não perceber que, dentre os cinco primeiros colocados do Brasileirão, a sua é a pior defesa. Quando o capitão do time sai criticando a equipe dessa forma, se expõe e cria a possibilidade de gerar inimizades dentro do elenco. Para um time que está na briga por um título, isso não é nada bom, e Marcos, experiente e capitão da equipe, deveria saber disso.

Mas até então, tudo bem. Não é a primeira vez que alguém, especialmente um goleiro, vem a público tomar esse tipo de atitude.

O problema é quando Marcos decide, aos 30 minutos do segundo tempo, sair jogando com os pés. O que ele acha que iria resolver dessa forma? Bancando goleiro linha do futebol? Como um goleiro campeão do mundo pela Seleção Brasileira toma uma atitude tão impensada e imprudente quanto essa? Marcos expõe o gol, expõe o time, o resultado do jogo - era apenas 1x0 com, pelo menos, 15 minutos pela frente. E ainda sai criticando a equipe, afirmando que a atitude é tomada devido à ineficiência ofensiva.

Marcos precisa entender que esse tipo de atitude é ruim para o time, não boa, como ele pensa. Obviamente, Vanderlei Luxemburgo não aprova a atitude e critica o goleiro Marcos. Chama sua atenção. Se queixa. E com toda razão! E o pior é que, como a crítica costuma ser contra o Vanderlei Luxemburgo, trata Luxe como o vilão da história, o que é absurdo. Para muita gente, Luxemburgo quer ser a estrela e acha ruim essas atitudes de Marcos porque tira a atenção que, originalmente, deveria ir para ele, Luxemburgo! Absurdo! Luxemburgo tem toda razão em criticar o Marcos.

E por que Marcos age dessa forma? A mim, fica parecendo que, com o time cada vez mais distante do título, o que enfurece a torcida pela expectativa e investimentos feitos para o Campeonato, Marcos está mais preocupado em tirar o dele da reta. Em bancar o "torcedor apaixonado em campo" para, assim, inflamar a torcida a seu favor. Uma atitude que, em nada, condiz com um capitão, um jogador experiente como ele.

E eu, que sou tão fã do Marcos...

Na data marcada
04/11

O artigo desta semana é um entre muitos que já destacaram acertos da CBF. Mas são acertos que vêm tardios, ao que parece, a CBF só aprende quando quer aprender. E foi desta forma com a Data FIFA.

A relação seleções x clubes sempre foi um problema. Juan Laporta, presidente do Barcelona, certa vez declarou que um clube ter um jogador e mandá-lo para disputar jogos com a sua seleção nacional seria o mesmo que você ter um carro, emprestá-lo a um amigo e este amigo devolver seu carro quebrado, numa alusão às possíveis lesões que um jogador pode adquirir jogando com a seleção.

Para tentar diminuir esse atrito, a FIFA criou a chamada Data FIFA, que são datas específicas no calendário da temporada para que as seleções nacionais disputem amistosos. Os campeonatos europeus costumam parar em época de Data FIFA e apenas os amistosos são disputados. Claro que ainda existe o risco do jogador lesionar-se. Mas pelo menos um clube não será desfalcado por causa de amistosos que não valem nada.

Até aí tudo bem. Mas Dunga, o treinador da seleção brasileira que não é nem um pouco bem-quisto por imprensa, torcida e clubes, anuncia sua lista de convocados para amistoso contra a seleção de Portugal. E, na lista, temos Kléber do Santos, Miranda do São Paulo, Thiago Silva do Fluminense e Alex do Internacional. Até aí tudo bem. Mas logo surgem aqueles questionamentos... o Santos ainda briga para não cair e quer uma vaga na Sul-Americana; o São Paulo, que acaba de virar líder, briga pelo título; o Fluminense briga para não cair; e o Internacional tenta subir na tabela e está valorizando e tentando avançar na Copa Sul-Americana. Obviamente, os clubes, treinadores e torcedores vão reclamar de ter os seus times desfalcados e...

Opa! Desfalcados? Mas não é Data FIFA? Bom, é... para qualquer lugar no mundo, MENOS no Brasil!

Qualquer campeonato nacional ao redor do mundo parava em Data FIFA. Menos o Brasileirão. E não é apenas em Data FIFA para amistosos não... o Campeonato Brasileiro não costumava parar durante rodada de eliminatórias, por exemplo - até parava, mas apenas NO DIA do jogo, enquanto o correto seria parar na semana de treino da seleção brasileira. E o pior de tudo é que a seleção brasileira é de óbvio interesse da CBF, assim como o Campeonato Brasileiro. E a entidade não se organizava nem para facilitar o calendário para que ambas as partes se entendam.

Pelo menos desta vez a CBF conseguiu arrumar a situação e parou o campeonato nacional para a Data FIFA. Não estou dizendo que não aconteceu antes... apenas não lembro do feito. Costumávamos ter jogos amistosos do Brasil no mesmo dia das chamadas Data FIFA, o que era absurdo.

O amistoso entre a seleção brasileira e Portugal acontecerá no dia 19 de novembro, entre as rodadas 35 e 36 do Campeonato Brasileiro. Ele precede os confrontos entre São Paulo e Figueirense; Fluminense e Portuguesa; Santos e Internacional; e antecedem Coritiba e Santos; Internacional e Fluminense; e Vasco e São Paulo. Os clubes, com exceção dos atletas convocados, terão uma semana de descanso.

E a CBF finalmente aprende o que é Data FIFA! Mas é intrigante que certas coisas sejam assim, tão simples. E não dá para entender porque a CBF demora tanto tempo para se organizar.

A volta à elite
28/10

Um seqüestro. Ou um tempo em detenção num presídio de segurança máxima. A temporada de um grande clube na segunda divisão pode ter essas comparações. É um tempo perdido que determinado clube "grande" tem em sua trajetória - e esse tempo pode virar tanto a seu favor quanto contra.

Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Atlético Mineiro e Corinthians viveram essa experiência recentemente. E todos tiveram em comum o ponto de que a volta à primeira divisão foi comemorada como um título. A rigor, no caso de Palmeiras, Grêmio (o que menos comemorou) e Atlético houve um título, que certamente deverá haver também para o Corinthians. Mas na segunda divisão o que realmente importa é o acesso. E eu questiono se esse acesso é algo assim para realmente ser comemorado.

Em geral, a Segunda Divisão vem - ou melhor, a ela se chega - em decorrência de incompetência e trabalho ma-feito por parte de quem o executa, ou seja, a gestão do clube. Transições na diretoria, a saída de dirigentes conturbados, como foi o caso de Palmeiras, Botafogo, Atlético e Corinthians costumam ser causa de queda para a segundona. Esse é um dos fatores que preocupam o Vasco da Gama e sua torcida, uma vez que a saída de Eurico Miranda se assemelha com a saída de Alberto Dualib do Corinthians e de todos os demais casos citados. Mas isso não vem ao caso, pelo menos agora.

Falemos da tal volta à elite. Não do Corinthians. Nem do Atlético, do Grêmio, do Botafogo ou do Palmeiras. Mas sim da situação "volta à elite".

Quando você joga a Segunda Divisão, você está se submetendo a um processo parecido com uma prova final, uma recuperação em colégio ou em faculdade. Não era nem para você estar ali. Então você tem obrigação total de reverter essa situação. Não é algo para se comemorar. Sentir-se aliviado, talvez. Mas você não pode comemorar o resultado de um erro que você acaba de consertar.

Não que a torcida não deva comemorar. Torcedor é festa, é para fazer farra mesmo. Mas essa iniciativa não pode partir da diretoria. O posicionamento correto não é "Olha só, ganhamos a Segunda Divisão, voltamos à Primeira! Estamos de parabéns!", mas sim "Trabalhamos duro e consertamos a besteira que fizemos".

Ou alguém aqui acha que o Corinthians não perdeu nada mais, nada menos que de sua história na tal da Série B? E assim não foi com Palmeiras, Botafogo, Atlético Mineiro, Grêmio...

A Série B, evidentemente, traz pontos positivos. Clubes como Palmeiras e Grêmio realmente mudaram sua administração com a Série B e voltaram a ser clubes vencedores e organizados na medida do possível. Mas aprender com um erro, em decorrência dele não é das atitudes mais dignas de receber parabéns.

Um clube que cai e sobe não está fazendo mais que sua obrigação. E um clune que se reorganiza está tirando o atraso. E aí é que entra o, talvez, ponto principal: o que se faz na Série B. Como já mencionei que jogar para subir não é nada mais que a obrigação e que um clube que joga Série B está perdendo uma temporada em sua história. Então o que fazer dela? Aproveitar para ganhar tempo.

A Série B não tem que ser jogada apenas para subir. Tem que ser jogada para pensar na Série A da temporada seguinte e na recuperação do tempo perdido. É um trabalho de montagem de elenco e de definição de metas. Grêmio e Palmeiras fizeram esse trabalho. Em sua volta à Série A, ambos chegaram, de cara, ganhando vaga na Libertadores.

E quem não o fez? Como Botafogo e Atlético? Chegaram brigando para não cair.

Mas voltar à elite é voltar à Primeira Divisão? Melhor é voltar à elite de fato - o grupo dos melhores times do país, que briga por Libertadores, por título... foi o que fizeram Grêmio e Palmeiras. E é o exemplo para Corinthians ou qualquer grande que cair essa temporada, seja Vasco, Fluminense...

Futchato
15/10

Eu acho que, na minha coluna sobre showbol, cheguei a mencionar que o futsal é um esporte legal. E estou aqui para retirar esse absurdo. Não sei de onde tirei que esse balé é legal. Futsal?

A ficha só caiu agora, que acompanhei alguma coisa da Copa do Mundo - e que me recusei a pôr imagens na capa do Fanático Esporte Clube, quando até mesmo o Mundial de Moto GP já ganhou sua capinha. Não tem coisa mais idiota que futsal. E olha que essa afirmação vem de um fã de golfe. DE GOLFE!

Primeiro, a porcaria do "esporte" mais parece um daqueles jogos de streetball, aquela modalidade de basquete onde o que conta é fazer jogadas misturadas com passos de dança do hip hop. Falcão & cia. limitada parecem mais interessados em tornar passos de samba em jogadas de que em jogar com seriedade. Não que o atleta da Itália que alegou que os dribles do jogador o "humilhavam" e por isso quis brigar tenha razão, pelo menos neste sentido. Mas que esses dribles são chatos mesmo, são, ora bolas! Parecem um bando de Ronaldinhos Gaúchos ainda mais dançarinos.

Depois, não existe competição. O futebol de campo é legal porque temos Brasil, Itália, Alemanha, França, Argentina, Holanda, Uruguai, Portugal, Inglaterra, Espanha, México, Rússia... e um monte de seleções que, aparentemente, não jogam nada, mas podem surpreender. É Honduras que vence o Brasil, a Argentina toma goleada da Venezuela... é um esporte surpreendente onde o favoritismo quase não significa nada.

E esse futsal? Temos Brasil, Espanha (que tem dois brasileiros), Itália (que só tem brasileiros, 14, o time inteiro) e... e? Incrível! Não tem competição. O Brasil entra em campo contra a Argentina, e a gente sá sabe que o Brasil vai vencer. DE GOLEADA! A questão é apenas por quanto - e aí o bolão se forma não em torno do vencedor, mas em torno da goleada que o Brasil vai dar.

O jogo não tem emoção. Não tem suspense. Até parece uma demonstração. Ora! Se é para ser assim, façam como boxe. Peguem o campeão mundial (a Espanha) e, para disputar o título, coloquem um desafiante - o Brasil. Sempre que o Brasil quisesse retomar o título mundial, desafiaria a Espanha. Se perdesse, a Espanha continuaria campeã. Se vencesse, o Brasil passaria a ser o país a ser desafiado.

Mas no geral, futsal é um saco. O jogo é fácil e simples. As regras parecem favorecer ao máximo a marcação de gols - comparem com o futebol de campo, onde as regras protegem ao máximo o goleiro. E a marcação de gols torna-se tão absurda, mas tão absurda que o placar se dilata a ponto do jogo perder a graça e os próprios atletas passam a se divertir mais levando a bola para a linha de fundo e rebolando de um lado para o outro com a pelota ao invés de tentar marcar mais um gol.

Qual o objetivo desse jogo então? Mostrar que brasileiro sabe sambar? Então eu tenho a solução! Montem um espetáculo tipo os Globetrotters - aquele time de basquete que rodava o mundo fazendo exibições circenses do esporte. Bem melhor que a FIFA perder seu tempo (coisa que a FIFA simplesmente ADORA) organizando calendário para um campeonato simplesmente sem sentido.

Alguém sabe me dizer quando acaba essa porcaria de Copa do Mundo?

Sul-Americana... de novo...
16/09

Já perdi a conta de quantas vezes escrevi sobre a porcaria da Copa Nissan Sul-Americana. Coluna mesmo, foi apenas uma. Mas o torneio foi citado inúmeras vezes em inúmeras colunas aqui no FEC. Citei o desinteresse dos clubes brasileiros, a desorganização da CONMEBOL, a forma patética como o torneio é montado, seu calendário infeliz, etc.

E agora, me pego em outro ponto. O Campeonato Brasileiro oferece uma "vaga a mais" na Copa Sul-Americana. Na verdade, o número de vagas ainda é o mesmo: oito. Mas o que muda é que os classificados para a competição agora vão até o 12º lugar, não até o 11º. Isso porque o campeão brasileiro não tem mais vaga na Sul-Americana - antes classificavam-se o campeão brasileiro, que também ia à Libertadores, e do 5º ao 11º lugar. Agora vamos direto do 5º ao 12º. Bom, finalmente uma boa idéia, o que ainda é, diga-se de passagem, pouco, MUITO pouco.

Como o Sport, vencedor da Copa do Brasil, tem vaga direta na Libertadores, caso ele fique entre os 12 primeiros, o 13º vai ao torneio menor sul-americano. Primeiro, questiono por que fazer a "fase brasileira" da competição. Qual o fundamento? Por que ao invés de dar oito vagas, não dar apenas quatro e por os times direto na fase internacional?

Seria para dar mais interesse ao Campeonato Brasileiro? Mas aí é que está. De que adianta? Porque a princípio, o time brasileiro se anima. Equipes que ficam na zona periférica da tabela costumam valorizar a vaga na Sul-Americana ao final da competição. Argumentam que conseguiram vaga na Copa Sul-Americana, coisas do tipo.

E um ano depois, quando estão disputando a Sul-Americana, reclamam que é impossível disputar dois torneios simultâneos - o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana. Então por que um ano antes valoriza-se a porcaria da vaga na Sul-Americana?

O que acontece, então, é que os times passam a escalar equipes reservas ou mesmo equipes juvenis na Sul-Americana e o torneio perde completamente o interesse. Entra o São Paulo com o Sub-21 para ser eliminado logo na primeira fase - a fase nacional da competição. E quando um treinador como Ney Franco, do Botafogo, decide escalar o time titular é criticado pela imprensa - a mesma imprensa que critica eventual desinteresse no torneio.

Vai entender! Me pergunto o que tem demais jogar a Sul-Americana e o Brasileirão - sendo um na quarta-feira, outro no domingo. O que tem de errado, uma vez que muitas vezes o próprio Brasileirão tem rodada dulpa.

E se o Campeonato Brasileiro fosse disputado todo em rodadas dulpas, nas quartas e nos domingos? Iria poupar atletas na rodada de meio de semana alegando que não dá, os jogadores cansam, etc.?

Por que valorizar a vaga na Sul-Americana então? Para depois reclamar desta mesma vaga? Então por que não propor um boicote ao torneio, já que foi o próprio Brasil que tratou de boicotar a Copa CONMEBOL, quando a CBF parou de enviar clubes nacionais de nível relevante e passou a enviar o CSA e o Sampaio Corrêa para disputá-la? Com todo respeito ao CSA e ao Sampaio Corrêa, mas...

Também nem sei por que me dou ao trabalho de escrever um artigo sobre este caso. É sempre exatamente a mesma coisa... fala-se, fala-se, fala-se... e nada muda.

Showmebol
10/09

A América do Sul em muito tenta copiar a Europa. E a CONMEBOL em muito tenta copiar a UEFA - a Copa Sul-Americana (que já foi Copa CONMEBOL) é uma tentativa frustrada de ser uma Copa da UEFA, enquanto a exclusão do Pré-Olímpico para utilizar o Campeonato Sub20 como forma classificatória para o Torneio Olímpico são apenas dois exemplos disso.

Por isso fica minha sugestão: Por que não realizar a final da Copa Libertadores em jogo único, como acontece com a Liga dos Campeões da UEFA? E também em sede intinerante, como o torneio europeu, a maior competição de clubes do mundo?

Quais benefícios isso traria?

Primeiro, tornaria a decisão da Libertadores mais emocionante. O jogo único não se compara com finais ida e volta, onde o clube pode recuperar o prejuízo de um jogo na partida seguinte. Depois, a sede intinerante daria um caráter de campo neutro à partida. Teríamos uma decisão entre Fluminense e LDU, por exemplo, em La Bombonera. Ou um Boca Juniors e Olímpia no Morumbi ou no Maracanã. E o fator campo neutro aumentaria as impossibilidades do jogo.

A oportunidade financeira e econômica do jogo único também seria boa. A cidade-sede em questão poderia fazer grande promoção em cima do evento - por exemplo, uma final em Lima, ou em Caracas... toda a Libertadores, durante todo o período de realização do torneio, teria uma campanha voltada para a grande final na cidade em questão.

E isso também ajudaria o evento a repercurtir internacionalmente e a dar fama ao estádio. Uma final histórica sempre agrega valores ao local que recebeu o jogo. A cobertura de TV também seria maior em cima do próprio jogo - uma final no Maracanã, certamente teria total cobertura da Rede Globo, detentora dos direitos da CBF que geralmente só exibe a final da Libertadores quando há um clube brasileiro na disputa.

Finalmente, isso seria um grande lucro para os dois finalistas, para a cidade, para o clube (ou a prefeitura/governo) detendor(a) do estádio e para a CONMEBOL.

E a mesma atitude poderia ser tomada em relação à final da Copa Sul-Americana.

Um evento que faz a mesma divulgação e que é um sucesso mundial é o Super Bowl, a final da Liga de Futebol Americano dos Estados Unidos. Ao lado da final da Liga dos Campeões da UEFA, é o evento clubístico de maior audiência na TV mundial.

Essa é uma sugestão que só faria benefício à CONMEBOL, à Libertadores e ao futebol sul-americano.

Mas boas idéias geralmente não costumam ser cogitadas na CONMEBOL.

Feito Criança
04/09

Um menino chorão. Que faz beicinho. Birra. Reclama. Bate o pé. E no final das contas só quer fazer o que quer. Pela segunda vez, Robinho age exatamente dessa maneira. E quando estamos falando de um assunto sério, que é o futebol, envolvendo milhões de cifras, essa nunca é uma boa atitude para carreira de um jogador. E é a segunda vez que Robinho a toma.

A princípio, jogando pelo Santos, tudo estava bem com Robinho, bi-campeão brasileiro pelo clube e herói de ambas as conquistas. Só que de repente, Robinho cismou em mudar de clube. Queria porque queria ir jogar em time europeu - e com ajuda de Wagner Ribeiro, empresário, e interesse do Real Madrid, sua cabeça estava toda na Europa. De fato, Robinho já estava há um bom tempo em terras brasileiras. Defendia o clube profissional há três anos, o que, pasmem, chega a ser muito hoje em dia (!). Jogadores muito mais fracos que Robinho, como seu companheiro William (à época no Porto) conseguem transferência muito mais rápido. E, para estourar para o futebol mundial, Robinho realmente precisaria jogar na Europa - coisa que até a Placar defendeu, lançando a campanha "Vai, Robinho!" em contraste com a "Fica, Robinho!", que os torcedores lançaram.

O clube não queria liberar de jeito nenhum. O presidente Marcelo Teixeira tentava de toda forma segurar Robinho. E qual foi a atitude que Robinho tomou? Birra. Se recusou a jogar. E até mesmo a treinar. Declarava publicamente que queria jogar no Real Madrid e que o Santos não o liberava, que isso era errado, etc.

Tanto que insistiu que Robinho ganhou a queda de braço. Entrou em acordo com o Santos e jogou até o final de agosto, para depois transferir-se para o Real Madrid, onde chegou mais que badalado - recebeu a camisa #10 de Alfredo Di Stéfano, só para se ter idéia do tamanho do alarde, e até status de gênio ganhou da revista Placar. A presença de Luxemburgo em Madrid sem dúvida ajudou.

Com o passar do tempo se viu que Robinho era supervalorizado. O jogador vez por outra produzia bem, dando eventualmente passes a gol e até mesmo marcando o seu golzinho. Mas tava claro que Robinho rendia bem menos do que se esperava dele, e a reserva passou a ser fato constante. Nunca se firmou no time titular, nunca convenceu. E aí passou a declarar publicamente que o treinador, fosse ele Fabio Capello ou Bernd Schuster, não confiava nele, e por isso se sentia infeliz em Madrid - queria ser titular, queria ser o homem de confiança, queria ter seu lugar no time, etc. Isso tudo se somava aos problemas com as convocações para Seleção Brasileira onde, diga-se de passagem, Robinho não chegava a contrariar o clube.

Mas parece que Robinho encarou como a gota d'água ser "moeda de troca" por C.Ronaldo junto ao Manchester United. O jogador declarou, novamente publicamente, que se sentia infeliz com essa situação. Ramón Calderón, presidente do clube, declarou que Robinho chegava a chorar e ameaçar encerrar a carreira.

Eu gostaria de saber por que tanto orgulho da parte de Robinho? Por que se ofender em ser moeda de troca por alguém que é, simplesmente, o melhor jogador do mundo? Se um clube deseja contratar um jogador grande junto a outro clube, é natural que ofereça alguém que seduza o clube vendedor - ou seja, alguém que seja considerado um bom jogador. Era nesses termos que o Real Madrid colocava Robinho. Se estivessem oferecendo-no em troca de John Arne Riise eu até entenderia. Mas não! Robinho estava, de certo modo, valorizando seu passe. Como o negócio não foi concluído, naturalmente o Real Madrid tentou continuar com Robinho. Mas aí o brasileiro tornou-se um chorão, disse que queria sair do clube, insistiu, declarou que o Chelsea queria contratá-lo, tentou forçar a transferência... igual a sua época de Santos. Revemos o mesmo filme.

As coisas não saíram como Robinho queria e ele acabou indo parar no Manchester City, um novo rico que acha que isso irá torná-lo o maior clube do mundo - fosse assim, teria funcionado com Tottenham, West Ham e mais uma porrada de clubes ingleses. Um retrocesso na carreira de Robinho, sem dúvidas. E também algo que suja sua ficha, o colocando como um jogador chorão que sempre que esquenta o banco se sente insatisfeito e demanda troca - atletas do Chelsea chegaram a declarar que não queriam ter um companheiro de clube como ele.

Fernando Morientes, jogador MELHOR que Robinho, sempre foi uma grande moeda de troca para o Real Madrid e nunca se posicionou dessa forma. Então por que tomar esse tipo de atitude agora? Demandar sair do melhor clube do mundo, o maior vencedor da história do futebol? Orgulho. Fosse orgulho, Robinho ficaria em Madrid e se esforçaria para melhorar e mostrar que ele era um investimento válido, não uma moeda de troca.

Robinho foi um jogador que custou caro para tomar esse tipo de atitude. Acabou indo parar "no outro" clube de Manchester. Tudo porque não queria ser moeda de troca para jogar no... Manchester United.

Chorar demais dá nisso.

Sempre sobra para o futebol masculino...
27/08

A medalha de bronze da Seleção Brasileira de Futebol é um resultado vergonhoso. Da Seleção Brasileira de futebol esperava-se medalha de ouro, e se a preparação ruim é uma justificativa, pouco importa. Era obrigação da CBF fazer uma boa preparação para a Seleção Olímpica, uma vez que este é "o único título que falta" e é algo que o Brasil sonha há anos, "batendo na trave" em 1984 e 1988, anos em que a Seleção voltou com a prata.  Mas por que cobra-se desta maneira apenas do futebol masculino?

A Seleção Feminina tem sido tratada como heroína pela prata. Tudo bem que com a preparação e estrutura que o futebol feminino tem na atualidade, a prata é um bom resultado. Mas essa é uma prata que se repete há dois eventos — nos Jogos Olímpicos de Atenas e na Copa do Mundo da China. Na Copa do Mundo a Seleção Feminina goleou a suposta favorita, os Estados Unidos, por 4x0. Aqui em Pequim, goleou a suposta favorita, a Alemanha por 4x1. Então não é por falta de estrutura ou preparação que o ouro não vem. A Seleção Feminina pipoca na hora H. É fato. Então está na hora de começar a se cobrar desta Seleção Feminina. Não apenas parabenizar quase-sucessos.

O vôlei masculino é um esporte que vem acumulando títulos há um bom tempo. Somos gratos. Mas esta prata não veio por um vacilo ou porque a Seleção Estadunidense, que é muito boa, seja infinitamente melhor. Há um problema de comando e de relacionamento na Seleção, coisa que atrapalhou o trabalho na Liga Mundial e nas Olimpíadas — e teve seu expoente na estranha saída de Ricardinho, até hoje mal-explicada. Por que não cobrar da seleção de vôlei agora?

E também, claro, Diego Hypólito, que rejeita o título de amarelão por ter caído na hora H. Em Atenas quem falhou foi Daiane. Passou-se a mão em sua cabeça. Não podemos fazer o mesmo por Diego. O atleta merece reconhecimento, sim, claro. Mas não pode ser tratado como herói por ter errado. Não podemos dizer "Parabéns Diego, o importante é que você tentou". Mais útil, até para o desenvolvimento do atleta, é dizer "Diego, você é bom, mas não pode cometer esses erros em momentos decisivos. Precisamos trabalhá-los".

O que não podemos ter de maneira alguma é uma seleção de futebol masculino supercobrada e atletas que, quando erram, ainda são heróis.

O peso do favoritismo
20/08

Ninguém da CBD, precursora da CBF, disse, em 1958, ao desembarcar na Suécia, que estava trazendo na sua delegação o futuro melhor jogador de futebol do mundo. Em 1978, a AFA, Associação Argentina de Futebol, não convocou o menino Maradona para a Copa do Mundo - muito menos afirmou que estava ali o futuro melhor jogador do mundo. O Chicago Bulls, quando recrutou um jovem chamado Michael Jordan em 1984, também não anunciou à imprensa que estava recrutando o futuro melhor jogador de basquete do mundo. E Cassius Clay não chegou em Roma, para as Olimpíadas de 1960, dizendo que seria um dia o maior boxeador de todos os tempos sob a alcunha de Muhammad Ali.

Nada disso foi informado. Mas tudo isso se sucedeu. Assim como uns certos rapazes de Liverpool que não paravam de tocar na rádio nos anos 60 queriam apenas imitar Elvis Presley e não se esperavam virar a banda de rock mais popular do planeta, ou o ator que de maquiagem branca no rosto, bigodinho, chapéu-coco e bengala, ilustre ateu britânico, sequer imaginava que sua figura se tornaria sinônimo de cinema - e se você não sabe que eu me referi aos Beatles e a Charles Chaplin, tome vergonha na cara.

O fato é que as lendas aconteceram de forma inesperada. Vieram, encantaram com seu sucesso, surpreenderam e tornaram-se os maiores do mundo. Daí surgiu a pressão com qual elas tiveram de lidar. Pelé fracassou na Copa da Inglaterra em 1966. Michael Jordan parou "por baixo", jogando nos fracos Washington Wizards. Os Beatles acabaram em 1969. E Charles Chaplin nunca veio a ganhar um Oscar - só pelo conjunto de sua obra, já depois de aposentado. Toda lenda sofre seu momento de pressão.

Mas como seria você afirmar desde anônimo que seria uma lenda? Você chegar num lugar dizendo "Sou o melhor do mundo. Serei o maior que vocês já viram. Podem me cobrar"? Automaticamente, a pressão vai ser muito maior.

Assim Michael Phelps aconteceu. Chegou em Atenas falando em superar os números de Mark Spitz, sete ouros em Munique 1972. Foi secado por muita gente, que riu quando ele terminou os Jogos "apenas" com seis ouros. Mas o Phelps manteve o objetivo para Pequim. Chegou em Pequim já como lenda, já como o maior nadador de todos os tempos, por tudo que fez em campeonatos mundiais neste intervalo de quatro anos entre Atenas e os jogos atuais. E com uma pressão gigantesca sobre seus largos ombros.

E foi divertido como Phelps lidava com essa pressão com, ao mesmo tempo, segurança, auto-confiança, mas sem ser esnobe ou metido. Chegava a ser quase humilde. Baseava-se na certeza de que é um bom nadador e que estava dedicando-se para atingir este feito memorável. Sua simpatia e espontaneidade era tamanha que o número de secadores diminuiu e, automaticamente, Phelps conquistou uma gigantesca torcida que queria ver a marca de Spitz ser quebrada.

Um por um, Phelps tratou de conquistar os ouros que prometeu. E explicou que, para chegar a tanto, teve de abrir mão de muita coisa. Em outras palavras, seu discurso trazia implícito a mensagem "Eu trabalho duro para atingir minhas metas". Mas, durante todo o tempo, Phelps assumiu seu favoritismo, o que é o mais importante aqui.

Me pergundo então por que tantos têm medo. Por que tantos, como a Seleção Brasileira de futebol não se assumem favoritos. Por que sempre existe um receio de quebrar a cara depois. Por isso o favoritismo pesa para muita gente.

Mas aí vem Michael Phelps e muda toda a história. O favoritismo pode ser um grande rival de um atleta. Phelps o trabalhou a seu favor e fez dele um aliado. Isso deve valer mais que oito medalhas de ouro.

Favoritos que caem
12/08

Dois campeões mundiais de suas categorias. Tiago Henrique de Oliveira Camilo venceu o Campeonato Mundial na categoria meio-médio (81kg) em 2007. João Derly de Oliveira Nunes Júnior, o primeiro brasileiro a conquistar um título mundial no esporte, conquistou os Mundiais de 2005 e 2007 na categoria meio-leve (66kg). Em outras palavras, tínhamos a disposição os dois melhores do mundo em suas respectivas categorias - o atual campeão mundial meio-médio e o bi-campeão mundial meio-leve.

Mais que isso, Tiago Camilo foi apontado como o melhor judoca do mundo em 2007.

Logo em sua segunda luta, Derly, que disputava sua primeira Olimpíada, caiu. Na luta seguinte, seu algoz, Pedro Dias, também foi derrotado, e as chances de Derly em lutar pelo menos pelo bronze terminaram. Fim de papo. Não tem mais Olimpíada para Derly - que chegou até mesmo a reclamar da arbitragem após sua derrota.

Já Tiago Camilo, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney, chegou a se prolongar um pouco mais: depois de passar pelo iraniano Hamed Mohammadi com ippon, Camilo foi à sua terceira luta, onde enfrentou o alemão Ole Bischof. Perdeu com dois wazari, que somando completam um ippon, e foi eliminado. Mas, como havia chegado à terceira rodada, tinha ainda a repescagem por lutar. E na primeira rodada da repescagem, bateu o estadunidense Travis Stevens e avançou à segunda rodada, estando a duas lutas de mais uma medalha de bronze. A final da repescagem seria contra Euan Burton. Contra Burton, medalha de bronze no mundial de 2007, Tiago parecia ter dificuldades para encaixar golpes ou mesmo para segurar as mangas de seu kimono. Mas encaixou um belíssimo wazari e, mesmo tomando duas penalizações Shido I (que equivalem a dois kokas contra) venceu e classificou-se para a disputa da medalha de bronze, que conquistou sobre o holandês Guillaume Elmont, também com um wazari.

Mas o ponto para mim não é esse. O bronze é uma medalha válida, mas me pergunto o que acontece com dois campeões mundiais que ao chegarem nos Jogos Olímpicos simplesmente perdem suas lutas. Tudo bem que Camilo estava com a mão machucada, mas se venceu três adversários em seqüência pare chegar ao bronze, o que faltou para derrubar Bischof?

E quanto a Derly, bi-campeão mundial? Onde estava toda sua técnica que o levou ao ouro mundial - sendo o primeiro brasileiro a atingir o feito, depois repetido justamente por Camilo?

Também podemos juntar ao time de decepções o Thiago Pereira, que vem sendo um grande fracasso na natação olímpica. Mas esse aí só era favorito na cabeça dos brasileiros.

O que acontece com Derly e com Camilo é um filme que se passa em nossas cabeças nos Jogos Olímpicos, e aí podemos tomar como exemplo Daiane, que em 2004 era campeã mundial e fracassou nos Jogos Olímpicos, de favorita ao ouro a medalha nenhuma. O vôlei de quadra feminino, de campeãs do Grand Prix e favoritas ao ouro em Atenas a medalha nenhuma no final das contas. Também em Atenas a ex-esgrimista Élora Pattaro, campeã mundial juvenil, caiu logo na primeira luta, o que não foi nada de absurdo, uma vez que ela pegou de cara Elena Jemayeva, bicampeã mundial. Mas e quanto a Sydney quando Adriana Behar e Shelda falharam no seu favoritismo em ganhar o ouro?

Ao que me parece, supervalorizamos como um todo a delegação brasileira. Colocamos chances de medalha em cada atleta, em cada modalidade brasileira, sem parar para pensar que do outro lado estarão adversários fortes e preparados.

Então questiono onde está a preparação para os Jogos Olímpicos? Porque um atleta lida naturalmente com um Campeonato Mundial, mas quando chega numa Olimpíada, simplesmente cai de produção?

O Comitê Olímpíco Brasileiro tem mais com o que se preocupar e ainda não percebeu. Se vangloriar do número de atletas inscritos que aumenta a cada edição não adianta de nada se não podemos compensar com resultados.

Quase hein
06/08

A Seleção Brasileira Feminina de Futebol vive um momento parecido à Seleção Brasileira Masculina entre 1930 e 1954, quando o Brasil contemplava um status de "semi-potência" do futebol mundial. Aquela Seleção Brasileira participou das Copas de 1930, 1934, 1938, 1950 e 1954. Não fez grande coisa nas duas primeiras, fez uma campanha surpreendente em 1938 conquistando o bronze, em 1950 foi vice-campeã e em 1954 foi eliminada pela favorita Hungria. E nesse tempo, houve a conquista do Campeonato Sul-Americano de 1949, a atual Copa América.

Falta para essa Seleção Feminina um 1958. Um campeonato para a consagração completa.

A Seleção Feminina até aqui participou de todas as Copas do Mundo realizadas, como a masculina. Em 1991 e em 1995 eliminação na primeira fase. Em 1999, terceiro lugar. Em 2003, foi eliminada de supetão nas quartas-de-final em 2003, depois de ter goleado a favorita Noruega na primeira fase por 4x1. E em 2007, vice-campeonato.

Diferentemente do futebol masculino, no feminino o Torneio Olímpico importa. Em 1996 e em 2000, quarto lugar. Em 2004, vice-campeonato, após derrota para os Estados Unidos, a antiga potência mundial, na final. Da mesma forma que nas Copas do Mundo de 1991 e 1999, havia os Estados Unidos no meio do caminho.

Durante esse período, a Seleção Brasileira feminina só atingiu a excelência em torneios continentais. Ganhou todos os Sul-Americanos de 1991 a 2003, ficando em segundo em 2006. E foi Campeã Pan-Americana em 2003 e em 2007 — nesta última ocasião, as meninas golearam a Seleção dos Estados Unidos (formada por universitárias) por 5x0 na final.

A algoz da Seleção na final da Copa de 2007 foi a Alemanha. A nova potência mundial.

O problema parece ser o fato de que esta Seleção Brasileira feminina está sempre quase lá enquanto existem outras que JÁ estão lá. Ou seja... esta Seleção nunca chega a ser a potência. E, existindo outra ocupando este patamar, deixa a Seleção Brasileira por baixo quando o bicho pega.

Hoje, para a Seleção Brasileira, vencer a Alemanha é um tabu. Se olharmos para o histórico, nem é um tabu assim tão recente. Desde 1991 em competições oficiais, Brasil e Alemanha tinham se enfrentado seis vezes. Foram quatro derrotas e dois empates.

O sétimo confronto abriu os Jogos Olímpicos de Pequim, esta manhã. E mais um empate, em 0x0.

O Brasil nunca venceu a Alemanha. Este é um fato que pode incomodar, principalmente se ambos se pegarem na semifinal ou final. O tabu pode pesar. E aí não interessa se temos Marta duas vezes eleita melhor jogadora do mundo, porque futebol é esporte coletivo e a responsabilidade de um time todo pra um jogador só funcionou apenas com um tal de Maradona.

Está mais que na hora desta Seleção crescer. Do contrário vai ficar sempre no quase.

(Des)Preparo
29/07

Pergunto-me porque é desse jeito. Porque não há um preparo decente. Porque não enfrenta-se rivais a altura.

Para a Copa do Mundo da Alemanha, os adversários na preparação foram Rússia... que ainda não era essa Rússia bem-armada por Guus Hiddink, OK, mas ainda era um adversário forte. Mas em seguida vieram os patéticos Seleção de Lucerna seguido da Nova Zelândia.

Em 2002, quando Scolari tinha o comando da equipe, a preparação foi um pouco melhor. Envolveu amistosos com a Bolívia, a Arábia Saudita, a Iugoslávia, a Catalunha e Portugal. As seleções mais fracas, como Islândia e Malásia estavam no programa, também. Mas foram sete amistosos contra apenas três de preparação para a Copa passada.

Para a Copa do Mundo da França, mais um preparo bem-feito. Participação na Copa de Ouro, da CONCACAF, onde enfrenta-se Jamaica duas vezes, país classificado para aquela Copa e Estados Unidos. Ainda houve um amistoso contra a Alemanha, um contra a Argentina o outro contra o Athletic Bilbao. Os sacos-de-pancada Guatemala, El Salvador (ambos pela Copa de Ouro) e Andorra estavam lá, claro. Mas foram oito jogos. E uma Copa bem-feita, com o vice-campeonato.

Antes do tetra, na Copa dos Estados Unidos, tivemos Argentina e um combinado entre Paris St. Germain e Bordeaux. Depois vieram os sacos-de-pancada Islândia, Canadá, Honduras e El Salvador. Mas pelo menos foi um bom volume de adversários: seis. E um deles forte, a Argentina. Seleção Brasileira campeã.

Para os Jogos Olímpícos de Sidney, a preparação para o Pré-Olímpico foi feita contra Trinidad & Tobago e Costa Rica. E pós-Pré-Olímpico tivemos dois amistosos com o Chile, um contra o Brisbane Strikers e outro contra Marconi-Farfield, ambos da Austrália. E naquela época disputava-se ainda o torneio Pré-Olímpico, que servia de preparação. A campanha nos Jogos resultou em fracasso. Para os Jogos Olímpicos de Atlanta, a preparação para o Pré-Olímpico foi feita contra Bulgária e Ucrânia. Pós-pré-Olímpico, contra a Dinamarca e a Seleção da FIFA. No final, o Brasil ainda voltou com o bronze.

Apesar do fracasso de 2000, a história massa que uma Seleção Brasileira bem preparada tem mais chances de obter sucesso na competição que disputa - seja Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos.

Então por que repetir a preparação da fracassada Copa do Mundo da Alemanha? Por que este Brasil de Dunga se assemelha tanto ao de Parreira nos adversários que enfrenta?

Repetindo os mesmos erros... me pergunto onde isso vai chegar. Já não tivemos Pré-Olímpico - não que isso seja ruim, mas significa menos preparação. E agora, quando tem de haver a preparação... realiza-se uns jogos-treino contra equipes juvenis de clubes cariocas. Enfrenta-se Cingapura e o Vietnã.

Não que o ouro não possa vir sob circunstâncias nenhuma. Mas, caso a Seleção Brasileira perca na China... Dunga será questionado sobre a preparação. E certamente vai se irritar. Então por que não poupar esse argumento dos críticos, elaborando uma praparação melhor?

Impasse Olímpico
22/07

O futebol não é olímpico. Nunca foi. E cada vez o é menos. Até quando FIFA e COI (Comitê Olímpico Internacional) vão manter as aparências e deixar o esporte no programa dos jogos - ocupando vaga de esportes que seriam muito mais interessantes para o evento, como futsal, hóquei em patins, patinação, decatlo... são esportes que mantém a ideologia amadora, algo que faz parte dos Jogos Olímpicos.

Na verdade, esse é o problema. O futebol é um mundo à parte dos Jogos Olímpicos - assim como o tênis. Tudo bem que os demais esportes, como a NBA, a natação, o atletismo ou o ciclismo têm suas grandes e milionárias estrelas profissionais. Mas no geral, esses esportes, ao redor do mundo, mantém um pouco de seu amadorismo original, o mesmo amadorismo que faz parte da ideologia dos Jogos Olímpicos. De qualquer forma, quando se pensa em Jogos Olímpicos, não se pensa em futebol. Se pensa num atleta correndo numa pista. Se pensa nisso - no esporte individual, na natação, atletismo, lançamento de disco, de dardo, de martelo, marcha atlética, maratona, 100m com barreira, salto de plataforma, tiro com arco, luta livre... tudo isso é mais olímpico que futebol.

Há muito que o futebol não é amador. Lá nos anos 30 o esporte que viria a ser conhecido como o "mais popular do mundo" já estava tomando forma profissional - e, naquela época, já havia a briga entre amadores e profissionais, com os profissionais levando larga vantagem. Mas os Jogos Olímpicos insistiram em manter o futebol como amador dentro dos jogos. Não poderia dar certo.

O quadro de medalhas futebolísticas nos Jogos Olímpicos é estranho. A primeira medalha de ouro foi para o Reino Unido da Grã-Bretanha, uma vez que Inglaterra, País de Gales, Irlanda do Norte e Escócia competem unificado em todo programa dos Jogos Olímpicos. O segundo ouro vai para o Canadá (!), o terceiro e quarto para a Grã-Bretanha de novo e o ouro seguinte para a Bélgica. Os dois ouros do Uruguai já marcam a guinada do futebol para o profissionalismo, precedendo a primeira Copa do Mundo. Acontece que para o resto do mundo, ali, o futebol virou profissional. Para os Jogos Olímpicos, não.

Enquanto nas Copas do Mundo Brasil, Alemanha, Itália, Holanda, França ou Argentina dominavam o cenário, para os Jogos Olímpicos a Hungria, a União Soviética, a Iugoslávia, a Tchecoslováquia, a Polônia e a Bulgária eram forças dominantes - pois jogavam com o mesmo time que disputava a Copa do Mundo. Sob regimes comunistas, os jogadores da União Soviética ou Hungria poderiam ser profissionais em termos de estrutura, mas em termos legais eram atletas amadores. Portanto as mesma seleções que em Copas do Mundo iam longe, mas não venciam forças profissionais como Brasil e Alemanha, nos Jogos Olímpicos massacravam essas mesmas seleções, formadas basicamente por jogadores jovens, inexperientes amadores.

Com o tempo, os Jogos Olímpicos se profissionalizaram. Até as estrelas milionárias da NBA, como Magic Johnson, chegaram a disputar o torneio de basquete. Mas o futebol não se profissionalizou totalmente. Tudo bem que hoje em dia, jogador profissional pode jogar - mas existe a restrição de 23 anos, com exceção para três jogadores. O que é estranho. Por que três? Por que não quatro? Ou um? Em que se baseia este número?

E por que jogadores de até 23 anos - quando campeonato nenhum no mundo usa esta idade, mas sim o limite de 19, 20 ou 21 anos? De onde vem este padrão olímpico? E se abriu completamente pro basquete, por que não abrir pro futebol?

Aí me lembro que o futebol tem interesses econômicos mundiais maior que o basquete. Que a NBA pode ser uma megaliga, mas ela é apenas norte-americana. As ligas de basquete na Europa ou na América do Sul não são TÃO profissionais assim. Já o futebol é um negócio de milhões, de muitos interesses econômicos em qualquer parte do mundo.

Não adianta chorar para liberar Robinho ou qualquer outro agora. E não adianta a FIFA querer interceder. A melhor forma da FIFA interceder seria tirando definitivamente o futebol dos Jogos Olímpicos.

Até onde vai o Flamengo
15/07

Título? Libertadores? Ou é apenas um cavalo paraguaio e o máximo que pode almejar é uma vaga na Copa Sul-Americana?

Certamente, não acredito na última opção. Hoje, diria que o Flamengo ficaria entre o título e a briga por uma vaga na Copa Libertadores - a continuidade de um belo trabalho do clube, iniciado em 2006, mas que teve sua consistência definitiva em 2007, com uma surpreendente reação no Campeonato Brasileiro, onde terminou em terceiro lugar.

Mas esse time do Flamengo realmente pode conquistar o título - que o clube já não conquista a 14 anos? Eu realmente tenho minhas dúvidas da capacidade do time, com uma ressalva.

Primeiro, ao analisar o elenco do Flamengo, não encontro nada de extraordinário - com exceção, talvez, do grande zagueiro Fábio Luciano. Não vejo nada demais em Juan, muito menos em Leonardo Moura, que muita gente vem exaltando. Não diria que sejam dois bons laterais, mas sim que são dois jogadores esforçados - uma vez que meu exemplo de lateral é mais centrado em gente como Gary Neville ou Franco Baresi e Paolo Maldini, no desempenho desta função. Mas os dois têm o seu papel, só não são jogadores de Seleção Brasileira como muita gente quer pintar. Ibson é uma peça importante, ao meu ver, no esquema da equipe, assim como Kléberson. E pára por aí.

Para o ataque, Marcinho vem fazendo um grande trabalho, mas está longe de ser um nome matador. De qualquer forma, Marcinho vem sendo jogador decisivo, o que é importante para o sucesso da equipe. Obina não é jogador de futebol, mas é igualmente esforçado e acaba, muitas vezes, sendo capaz de decidir um jogo. Souza é um atacante horrível. Bruno é um goleiro irregular. Então o clube não difere muito de São Paulo, Palmeiras ou Cruzeiro.

Realmente, com o Cruzeiro o Flamengo guarda algumas semelhanças. Mas destaca-se do clube mineiro enquanto sua regularidade em campo - fator que coloca o Flamengo em primeiro e o Cruzeiro em segundo na tabela. Para Palmeiras e São Paulo, a diferença é uma só: o Flamengo é um time organizado, que joga. Tem esquema de jogo.

Não que São Paulo e Palmeiras não tenham esquema de jogo... e aqui talvez entre um fator que incomoda muito os dois clubes paulistas e não tem afetado o Flamengo: a janela de transferências européia. Palmeiras e São Paulo são duas equipes desorganizadas e displicentes, parecem desconcentradas em campo. Muito atribui-se à cabeça de Hernanes ou de Valdívia, que estariam voltadas para transferências ao mercado europeu. O Flamengo não aparente ser um time que vá se prejudicar com esse tipo de coisa, até porque não tem jogadores que saltem aos olhos - ou alguém consegue imaginar o Manchester City ou o Villareal interessados em Obina?

Não sei o quanto isso tem afetado realmente o desempenho do clube. Mas o fato é que os dois têm atuado mal, jogam com um meio-campo totalmente sem organização. O Tricolor Paulista parece ter recuperado um pouco o foco no Campeonato, o que, definitivamente, não é o caso do Palmeiras - ainda.

O Flamengo aproveita este momento irregular dos clubes paulistas, e a irregularidade constante do Cruzeiro para acumular pontos e seguir na liderança do Brasileirão.

Esse pode ser o momento de abrir a vantagem necessária para brigar, definitivamente, pelo título. Algumas rodadas na frente, podemos dizer onde, exatamente, o Flamengo estará - e acredito que não seja nada menos que a briga pela vaga na Libertadores.

Coluna dupla - Fluminense na Libertadores
08/07

Se o engraçadinho que faz os artigos de Fórmula 1 se coloca no direito de fazer uma "coluna dupla", lançando moda aqui na redação... me coloco no direito de fazer exatamente o mesmo. Mas, no caso, são colunas que abordam duas visões diferentes a respeito de um mesmo tema: o Fluminense e a Libertadores.

A derrota e a perda do título
O Fluminense fez uma belíssima campanha na Libertadores. Liderou a competição de ponta a ponta e, se levarmos em consideração a soma de pontos na competição, o Fluminense fez 29 pontos, líder isolado - a campeã LDU fez apenas 17. Numa classificação por pontos, a LDU dividiria o sexto lugar com o América do México. E para ver como a campanha do Fluminense foi sensacional, o segundo colocado teria 21 pontos e o terceiro 19.

Em sua campanha, perdeu apenas dois jogos: contra o Arsenal na primeira fase, por 2x0, quando já estava classificado; e a primeira partida das oitavas-de-final contra o São Paulo, por 1x0. No total foram oito vitórias, dois empates e duas derrotas.

Uma campanha mais modesta foi feita pela LDU, que tinha apenas quatro vitórias, CINCO empates e três derrotas. Nas quartas e nas semi-finais, a LDU passou apenas empatando e garantindo-se no critério "gol fora de casa", critério do qual o Fluminense em momento algum dependeu para classificar-se.

Então chegam os dois às finais.

A LDU envolve completamente o Fluminense. Massacrou o clube brasileiro no Equador, fez 4x1 no primeiro tempo, saiu de casa com uma vantagem por 4x2 e poderia ter sido um placar mais elástico - e mais mortal.

E engana-se quem acha que o Fluminense devolveu o massacre no Maracanã. O Fluminense jogou bem, sim. Mas o time não possuía nenhuma organização em campo, nem ofensiva nem defensiva. Basicamente, o clube dependeu de uma atuação inspirada de Thiago Neves - o que não é de costume - e da marcação incansável de Thiago Silva e Arouca na defesa, sempre correndo para tirar bolas que teriam aniquilado completamente o Fluminense no jogo. Isso porque a LDU era um clube completamente organizado. Ao contrário de Conca, de Washington, de Dodô & cia. limitada, perdidos em campo, Urrutia, Salas, Guerrón e Bieler sabiam exatamente o que estavam fazendo em campo. Foi assim que a LDU fez o gol a cinco minutos de jogo e dominou o restante do segundo tempo e toda prorrogação - diferentemente do Fluminense, que fez seus gols mais na base da garra que da técnica.

E isso que foi fatal ao Fluminense. Jogou com garra demais, técnica de menos. Fisicamente, o time estava morto - e isso afeta na hora de cobrar pênalti. A LDU era um time mais organizado, por isso foi melhor, por isso conquistou o título nos pênaltis.

Um grande time não comete excessos, mas joga o que sabe jogar.

O que impede o Fluminense de alcançar outra final de Libertadores?
O Fluminense investiu muito para chegar até aqui. Fez as contratações que precisava, reforçou o time em todos os setores. Tudo estava nos conformes. Não é um investimento que costuma-se fazer todos os anos. O Fluminense mobilizou-se inteiro para ganhar a Libertadores. Todo o investimento, toda concentração era focada aqui, na competição sul-americana. E o Fluminense falhou.

Não é fácil fazer outra final de Libertadores porque não é fácil mesmo CHEGAR à Libertadores. O Fluminense é um clube que só a disputou em antes em 1985 e em 1971. Ou seja, não é um clube que, historicamente, reforça-se para ganhar competições nacionais, que são o acesso à Libertadores.

No Brasil, para chegar a uma Libertadores você disputa, primeiramente com 12 clubes grandes - os quatro de São Paulo, os quatro do Rio de Janeiro, os dois de Minas e os dois do Rio Grande do Sul. E aí ainda temos os paranaenses, os times do sul, os nordestinos, os clubes do centro-oeste... ou seja, é difícil. Não é como uma Liga dos Campeões que você tem poucos concorrentes para atingir uma vaga.

O caminho para chegar à Libertadores é longo. O Fluminense o fez ano passado, antes disso só havia conseguido fazer há 13 anos e antes disso há 14 anos. Se historicamente o Fluminense tem essa dificuldade, me arrisco a afirmar que dificilmente o clube aparece por aqui novamente, fazendo a final.

Claro, existem chances disso acontecer. Mas desperdiçar essa oportunidade em pleno Maracanã foi um grande vacilo.

Fúria fatal
01/07

Este título do Euro 2008, conquistado com maestria pela Espanha, é mais que o primeiro (e único) campeonato importante (na verdade, campeonato, seja ele importante ou não) da seleção rubra em 44 anos - intervalo desde sua conquista anterior, o também Euro de 64. Ele marca a entrada definitiva da Seleção Espanhola entre as grandes forças do futebol mundial. O que é estranho: há anos que os espanhóis circulam por ali... praticamente dominam o futebol de clubes, e com a seleção, embora não haja um histórico de conquistas, sempre vem de resultados que permitem a Espanha a se manter entre as cinco primeiras posições do ranking da FIFA. Mas os resultados não vinham.

Veio agora, com um time com as características necessárias para ser campeão: um bom goleiro, o Iker Casillas; um zagueiro que pode não ser um Beckenbauer, mas cumpre seu papel, o caso de Sérgio Ramos; um bom volante, como Xavi; um meia sensacional, que é o caso de David Villa; um camisa 10 com toda classe que lhe é necessária, o Cesc Fabregas, que pode não ter jogado a campanha inteira, mas foi importantíssimo na semi-final e na final; e um centroavante goleador, o Fernando Torres.

Curiosamente, estas características "quase" estiveram presentes nas campanhas anteriores, com Andoni Zubizarreta, Fernando Hierro, Rubén Baraja, Fernando Morientes, Diego Tristán e Raúl. Ficou devendo. Os resultados não vieram e uma geração que sempre era apontada como promissora, no final das contas, decepcionava.

Em Copas do Mundo, em 1990, ficou nas oitavas-de-final; em 1994 nas quartas; em 1998 caiu na primeira fase; em 2002 foi às quartas; e em 2006 voltou a cair nas oitavas. No Euro, chegou à final de 1984 e perdeu para a França. Em 1988 caiu nas oitavas; em 1992 sequer se classificou para o torneio; em 1996 e em 2000 caiu nas quartas e em 2004 saiu na primeira fase.

A Espanha vivia a realidade de ter seu único título importante conquistado em casa há quatro décadas. E, se a geração atual mantivesse a decepção da turma de Zubizarreta, Hierro e Raúl, seria uma grande tristeza, uma vez que esses jogadores realmente são diferenciados. Pelo menos quatro deles merecem vaga numa possível "Seleção do Mundo" atualmente: Fabregas, Villa (ambos titulares), Casillas (que poderia ser titular ou reserva, dependendo do momento), Torres (na reserva, mas ainda assim entre os 23 melhores). Não lembro de uma ocasião em que a Espanha esteve tão bem-servida.

O gol de Fernando Torres em cima de Jens Lehmann foi uma amostra da facilidade com que "Il Niño" chega bem no gol e marca tento com frieza e tranqüilidade. Às vezes faz até melhor que nomes mais reconhecidos como Eto'o e Drogba. A jogada surgiu num lançamento sensacional de Xavi que tivesse sido feito por Ballack ou por Schweinsteiger sem dúvida estaria sendo muito mais badalado. E Fabregas é aquele jogador que pode fazer função de volante e de meia ofensivo com a mesma facilidade que Steven Gerrard, que nem ao Euro veio.

Sem falar que a Espanha jogou num esquema com quarto meias que emperrou o time na final. Mas tal atitude fosse. tomada aqui no Brasil, como aconteceu em 1970 (embora o meia Tostão tenha ganho vaga de atacante), ou na Argentina, seria reconhecida como um esquema corajoso e atrevido por parte do treinador. No caso do Aragonés e sua escolha, talvez na tentativa de suprir a falta de Villa, nem acho que foi a melhor opção. O jogo espanhol ficou mais vagaroso - um esquema com três meias e mais um atacante, para servir Torres, talvez impulsionasse o ataque com mais facilidade e levasse a Espanha a uma vitória mais sossegada.

Por sinal, Villa, ausente... Enquanto para 2006 muita gente insistia em fazer de Raúl a estrela espanhola da Copa, Villa já era o melhor jogador do time. Mas estava no Valencia, aí não teria vez mesmo... houve até quem visse em Reyes um jogador para o "futuro" da seleção espanhola - afinal de contas, o cara passou pelo Arsenal, Real Madrid...

Se esta Espanha vai conseguir confirmar seu favoritismo para a Copa do Mundo, pouco pode-se analisar. A Seleção Espanhola viveu um momento muito bom e teve pela frente uma Alemanha que, embora seja uma geração muito forte, não tem jogadores decisivos.

Por hora, apenas observemos a Fúria em toda sua raiva.

Como um leão
19/06

Desta vez, por alguns meses, o Sport Club do Recife foi o melhor time do Brasil. E o foi de forma incontestável - ao contrário do muito contestado título de 1987. Em breve, tudo voltará ao normal. O Sport voltará a ser um time de médio porte. Não deve ir muito longe na Libertadores. No máximo oitavas-de-final. Mas isso pouco importa. Hoje, o Brasil é do Sport. De um modo muito mais forte que, nos últimos anos, fora de Flamengo e de Fluminense.

É a terceira conquista nacional do clube recifense. A primeira, bem, o contestado título de 87. A Copa União. O Módulo Amarelo... não é bem hora de se comentar isso aqui. Basta resumir da seguinte forma: para os flamenguistas, o Sport não é campeão. Para os torcedores do Sport, para os torcedores dos demais clubes do Brasil, para a CBF, o Sport é campeão. E para a mídia consciente, para a revista Placar, para os torcedores mais centrados... é uma questão complexa que pode ser muito mal-resumida com um título dividido, um asterisco e uma longa explicação.

Independentemente disso, o Sport disputou a Copa Libertadores de 1988. A segunda foi em 1990, a conquista da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Nenhum dos dois, no entanto, compara-se a esta Copa do Brasil. Não porque o título de 1987 é contestado e envolve um asterisco. Não porque o de 1990 é uma "reles" segunda divisão. Mas porque, desta vez, nesta ocasião, o Sport foi, definitivamente, o melhor time do Brasil.

O Sport anulou completamente Valdívia. Goleou o forte Palmeiras, melhor time do Brasil pra muitos, inclusive pra mim, por 4x1 em casa. Isso depois de segurá-lo e garantir 0x0