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O descobrimento da América do Sul 04/12
Aconteceu! E foi surpreendentemente emocionante! Mas agora o Brasil, através do Internacional de Porto Alegre, descobriu a Copa Sul-Americana. Não podemos afirmar que esse título vai, realmente, fazer com que os clubes brasileiros passem a valorizar esse torneio - como desejamos que acontecesse na coluna "Agora, o Brasil faz parte da América do Sul", publicada em 18/11. Mas pelo menos temos nosso primeiro campeão do torneio. E ele o conquistou tomando a inédita atitude de abdicar do Campeonato Brasileiro, colocando até mesmo o time reserva em campo no torneio nacional - um privilégio que, até então, era exclusividade da Libertadores.
Parabéns ao Internacional!
Poderíamos discutir aqui como o Inter chegou ao resultado, após uma brilhante vitória na Argentina por 1x0 e um emocionante empate em casa por 1x1, derrotando os Estudiantes apenas na prorrogação, ao final do segundo tempo extra. Poderíamos comentar a campanha do clube, que passou por Grêmio, pela Universidad, pelo Boca Juniors e pelo Chivas Guadalajara até chegar à decisão contra o Estudiantes.
Mas, ao invés disso, vamos tratar da importância e dos méritos da conquista. Como afirmei em coluna(s) antetior(es), a Copa Sul-Americana só é valorizada por aqueles clubes que estão na zona intermediária da tabela do Campeonato Brasileiro, que sabem que não vão disputar nada no torneio - e que, no ano seguinte, já na Sul-Americana, desdenham e reclamam do torneio. O Internacional inverteu a história.
Se pensarmos num exemplo de torneio sub-valorizado, temos a Copa Conmebol, disputada entre 1992 e 1999 e, em suas últimas edições, chegou a ter clubes como Sampaio Corrêa, São Raimundo e CSA disputando. De qualquer forma, o Brasil chegou a valorizar a Copa, tanto que Atlético Mineiro, Botafogo, São Paulo e Santos chegaram a vencê-la. Também tivemos a Copa Mercosul, que chegou a ser mais valorizada que a atual Copa Sul-Americana. Em quatro edições, três delas tiveram a final disputada apenas por clubes brasileiros. Na quarta e última, um brasileiro e um argentino. Palmeiras, Flamengo e Vasco conquistaram esse título. E o Flamengo perdeu a última edição para o San Lorenzo.
Não dá para entender porque o Brasil valorizava esta Copa Mercosul e desvaloriza a Copa Sul-Americana. E é por isso que o título colorado tem mais valor do que um torneio menor realmente agrega. Como dissemos na coluna do dia 18, o Internacional foi o único clube brasileiro a admitir abertamente que não estava brigando por uma vaga na Libertadores, como havia declarado, e resolveu priorizar a Copa Sul-Americana. Por acaso não paramos para pensar que esse título também é um título continental? Que, o vencendo, o Internacional disputará a Recopa com a LDU e que pode entrar para o seleto clube de times com mais de um título da Recopa - que inclui apenas Boca Juniors, São Paulo e Olímpia?
Agora vamos estender a comparação e colocar a Libertadores no pacote. Achou forçado? Mas a Libertadores, nos anos 60, não tinha muita importância para clube brasileiro. Em 1966 o Santos, bi-campeão do torneio, simplesmente o boicotou. Quem consegue imaginar hoje em dia um time boicotar a Libertadores? Em 1969 os clubes brasileiros tornaram a boicotar a mais importante competição sul-americana, atitude que se repetiu em 1970. Para uma confederação e seus clubes abrir mão de um torneio, tem de considerá-lo de pouquíssima importância. E olha que no campeonato em questão já havíamos tido campeões (Santos em 1962 e 1963) e vice-campeões (Palmeiras em 1961 e 1968).
Os motivos para o boicote geralmente eram desorganização da competição e choques com o calendário. Percebe que o filme é velho?
Mas sempre foi do brasileiro olhar para o próprio umbigo. Afinal de contas, de que vale ganhar um torneiozinho sul-americano se para isso você abre mão do glorioso campeonato estadual - principal competição da época, pelo menos na cabeça dos dirigentes brasileiros?
Logo, o Internacional conquistou um troféu que pode, e com certeza deve, ser valorizado no futuro. O boicote e a desvalorização acontece hoje - e é engraçado que essa desvalorização é feita até por clubes como o Corinthians, que nunca conquistou nenhum torneio continental, nem mesmo Taça Conmebol ou Copa Mercosul. Então, futuramente, teremos uma Copa Sul-Americana valorizada e prestigiada - só depende da organização e marketing da CONMEBOL. E aí clube brasileiro vai olhar para trás e lembrar o quanto a desvalorizou?
Mais uma vez, parabéns ao Internacional!.
Meu pedido de aposentadoria 26/11
Eu sei que não conseguirei fazer isso. Mas bem que gostaria. Bem queria me "aposentar" do futebol nacional e acompanhar só o futebol sério, o internacional, onde posso acompanhar um clube menor, como o Tottenham Hotspur, e mesmo assim ter ídolos e jogadores "fiéis" ao time. E, o melhor, acompanhar futebol sendo apenas futebol. Bons jogadores, nível de jogo melhor que o nosso e, acima de tudo, futebol livre de especulações.
O motivo disso tudo? O ponto que chegamos: o Flamengo protestar até na FIFA contra o Carlos Eugênio Simon. E a CBF simplesmente banir o árbitro. A primeira coisa que penso é... logo o Flamengo? Aquele cujo maior título veio justamente através da arbitragem mais trágica da história do futebol, por parte de José Roberto Wright - que, por sinal, na transmissão de televisão, desceu a lenha em Simon. Contradição?
Não que o Flamengo não tenha direito de protestar. Muito pelo contrário! Tem, e como tem! Se o Flamengo se acha prejudicado, está no direito dele de reclamar. Pra mim o problema é a CBF acatar. A imprensa toda armar um complô para apoiar o clube carioca - claro, a imprensa menos parcial e mais interesseira, uma vez que a imprensa mais séria e imparcial, entenda-se ESPN Brasil, através de gente como Paulo Calçade e Mauro Cézar Pereira, criticou a atitude do Flamengo e da CBF como incoerentes.
Comparo com o caso de Corinthians e Portuguesa, cujo árbitro Javier Castrilli cometeu o maior erro da história do futebol de São Paulo? Nesse caso do Castrilli, o árbitro foi denunciado à FIFA. Mas pela FPF, e não pela Portuguesa. E houve pouquíssima divulgação da imprensa sobre o caso, uma vez que não era do interesse da mesma fazer nada pela Portuguesa, muito menos para "prejudicar" o Corinthians, outro clube queridinho e protegido.
Mas não houve por parte da Portuguesa nenhum escândalo em cima do acontecimento - e olha que motivos tinha, bem mais que o Flamengo, até.
Os erros de arbitragem antes aconteciam, assim como acontecem hoje em dia... Mas a dimensão dada a esses erros era bem menor. Ora, na Copa de 82, Gentile rasgou a camisa de Zico na área. Por acaso a CBF enviou um protesto à FIFA contra o árbitro Abraham Klein? E a Seleção Inglesa? A FA tomou alguma atitude do tipo contra o juiz Ali Bin Nasser? E aqui é Copa do Mundo...
Recentemente, cada vez mais o Brasil separa o futebol do jogo. É cada vez menos sobre futebol. É sempre arbitragem, STJD, torcida, Maracanã, estádio onde pode jogar, onde não pode jogar, pontos perdidos, tapetão, briga no aeroporto, renovação de contrato... e é isso que enche o saco, definitivamente.
Olho para o futebol europeu e vejo um patamar bem diferente. E não é por questões financeiras ou pelos jogadores que nele atuam. Mas por uma simples questão de postura - dos clubes, jogadores, federações e imprensa.
Por gostar muito de futebol, realmente não posso deixar de acompanhar o futebol brasileiro, até por torcer também por um clube do mesmo. Também não posso deixar de comentar sobre tal. Mas realmente é algo que me irrita. E vou tentar, ao máximo, me concentrar no lugar onde o futebol é realmente futebol.
Não é um pênalti não marcado, um das dezenas que acontece num final de semana em um único campeonato, que vai mudar a história do jogo.
Agora, o Brasil faz parte da América do Sul 18/11
Só agora um clube brasileiro acorda para
a Copa Sul-Americana. A competição começou
a ser disputada em 2002 e estava tão desorganizada
que os clubes brasileiros, pela demora de
aprensentação do calendário do torneio,
a boicotaram. Mas toda a América do Sul
estava lá, a prestigiá-la. O San Lorenzo
foi campeão em cima do Atlético Nacional
da Colômbia. Em 2003, o São Paulo avançou
até a semi-final, quando o Cienciano o eliminou
e venceu o torneio em cima do River Plate;
nas duas edições seguintes, dois títulos
argentinos, ambos do Boca Juniors, respectivamente
em cima de Bolívar e Pumas - os clubes da
CONCACAF começaram a ser convidados a participar
do torneio, tendo inclusive uma inédita
participação estadunidense, o DC United.
O Internacional chegou às semi-finais em
2004.
Em 2006, voltamos a ter um
brasileiro entre os semi-finalistas, o Atlético
Paranaense. Mas na final, o Pachuca do México
venceu o Colo Colo, num inédito título sul-americano
a um time norte-americano. Na útlima edição,
mais um mexicano na final - o América, derrotado
pelo Arsenal da Argentina.
São seis
edições com quatro títulos argentinos e
um peruano. Sempre reclamamos aqui no Fanático
da forma que o Brasil se porta para com
a Copa Sul-Americana. A última vez foi em
setembro, no dia 16, quando reclamamos que,
quando não estão disputando nada no Brasileirão,
os clubes brasileiros alegam que brigam
por uma vaga na Copa Sul-Americana, e até
chegam a comemorá-la quando conseguem. E,
depois, na hora de jogar a Sul-Americana,
reclama-se porque tem que jogar dois torneios.
E fica corriqueiro colocar o time reserva
para jogar a Sul-Americana, uma vez que
a prioridade é mesmo o Campeonato Brasileiro.
Pela
primeira vez a história mudou. O Internacional
de Porto Alegre chega e resolve priorizar...
a Copa Sul-Americana! Colocando o time reserva
para jogar... o Campeonato Brasileiro! E
aqui é muito simples: o Inter parou de tentar
enganar-se. Passou muito tempo com aquela
história de que sonhava com Libertadores
e com título - um dos objetivos claros do
Internacional era jogar a Libertadores para
comemorar seu centenário. Mas a verdade
é que o time não engrenava no Brasileirão
e a vaga para a Libertadores foi ficando
cada vez mais distante.
Logo, um
time brasileiro finalmente teve colhões
para abrir mão do Brasileiro e pensar apenas
na Sul-Americana. O Inter começou eliminando
o Grêmio, velho rival, na ridícula fase
mata-mata entre clubes brasileiros. Passou
de fase e eliminou a chilena Universidad,
pelas Oitavas de Final. E avançou à semi-final
onde encarou o Boca Juniors, clube com quem
criou uma rivalidade justamente por causa
da eliminação na Copa Sul-Americana 2005.
Passou
pelo Boca e chegou no Chivas do México -
mais um mexicano entre os finalistas -,
a quem derrotou lá em Guadalajara, jogando
muito bem e ganhando destaque até aqui,
na capa do Fanático Esporte Clube.
É
importante que o Internacional avance à
final e ganhe a Copa. É importante para
a Copa Sul-Americana e importante também
para o futebol brasileiro. Os nossos clubes
verão o exemplo do Inter. A Copa Sul-Americana
passará a ser uma competição interessante
também para os clubes brasileiros. E com
isso, ganha a Copa, que será mais competitiva.
Claro,
estamos partindo do princípio que os clubes
brasileiros entenderão o quão valioso esse
torneio é. A Copa Sul-Americana é, de fato,
uma competição continental. É um título
tão valioso quanto a Libertadores. Boca
Juniors e River Plate disputam, e o próprio
Boca já a venceu nada menos que duas vezes.
Talvez
a CONMEBOL falhe com o marketing do torneio.
Mas é a seqüência, os títulos, as equipes
fortes que disputam e os jogos memoráveis
que a Sul-Americana precisa para fazer sua
história e ganhar prestígio.
E só
agora um clube brasileiro resolve fazer
parte da história. É como se apenas agora
o Brasil passasse a fazer parte da América
do Sul.
Já não era sem tempo.
O herói usa máscara? 11/11
No futebol brasileiro temos dois opostos.
Marcos e Rogério Ceni, respectivamente primeiro
e segundo goleiros do pentacampeonato na
Copa do Mundo do Japão. Marcos, do Palmeiras,
sempre foi visto pela torcida como um grande
exemplo: sincero, apaixonado pelo clube,
a ponto de colocá-lo à frente de qualquer
prioridade - após a Copa do Mundo, dizem,
Marcos iria para o Arsenal, que tinha o
goleiro Seaman prestes a se aposentar. Teria
desistido porque acharia injusto largar
o Palmeiras na pior fase que o clube já
enfrentou. As atitudes de Marcos não lhe
deram apenas o respeito da torcida do Palmeiras,
mas de diversas torcidas do Brasil. Marcos
é visto como, talvez, o maior ídolo da história
do clube.
Rogério Ceni é quase um
oposto. É adorado pela torcida do São Paulo,
mas contestado por parte da própria torcida.
Se Marcos é sincero, Ceni é visto por muita
gente como um atleta mascarado - e muitas
atitudes dele acabam fazendo parecer isso
mesmo. Se Marcos recusou transferência para
o Arsenal, Ceni, segundo alguns, teria forjado
uma transferência para o Arsenal para conseguir
aumento salarial. E assim, Rogéio ganhou
o ódio das demais torcidas do país. Incontestavelmente,
é o maior ídolo da torcida do São Paulo.
O atleta que mais defendeu o time. E tem
uma vantagem: sai bem do gol com os pés,
cobra falta... para uns, isso é desvantagem
- para ver o quanto torcem o nariz para
Rogério.
Fato é que temos os exemplos
de goleiro sincero e goleiro mascarado.
Mas
até onde vai a sinceridade de Marcos? Ou
até onde deveria ir? Aliás... o que é sinceridade,
nesse caso? E o que é inconveniência?
Recentemente,
o goleiro tem sido alvo de polêmica, devido
aos "problemas" que o Palmeiras
vem enfrentando no Brasileirão - se é que
estar entre os quatro classificados para
a Taça Libertadores é um problema. Inúmeras
vezes Marcos criticou, publicamente, o elenco
do clube. O ataque é um dos alvos de Marcos
- que parece não perceber que, dentre os
cinco primeiros colocados do Brasileirão,
a sua é a pior defesa. Quando o capitão
do time sai criticando a equipe dessa forma,
se expõe e cria a possibilidade de gerar
inimizades dentro do elenco. Para um time
que está na briga por um título, isso não
é nada bom, e Marcos, experiente e capitão
da equipe, deveria saber disso.
Mas
até então, tudo bem. Não é a primeira vez
que alguém, especialmente um goleiro, vem
a público tomar esse tipo de atitude.
O
problema é quando Marcos decide, aos 30
minutos do segundo tempo, sair jogando com
os pés. O que ele acha que iria resolver
dessa forma? Bancando goleiro linha do futebol?
Como um goleiro campeão do mundo pela Seleção
Brasileira toma uma atitude tão impensada
e imprudente quanto essa? Marcos expõe o
gol, expõe o time, o resultado do jogo -
era apenas 1x0 com, pelo menos, 15 minutos
pela frente. E ainda sai criticando a equipe,
afirmando que a atitude é tomada devido
à ineficiência ofensiva.
Marcos precisa
entender que esse tipo de atitude é ruim
para o time, não boa, como ele pensa. Obviamente,
Vanderlei Luxemburgo não aprova a atitude
e critica o goleiro Marcos. Chama sua atenção.
Se queixa. E com toda razão! E o pior é
que, como a crítica costuma ser contra o
Vanderlei Luxemburgo, trata Luxe como o
vilão da história, o que é absurdo. Para
muita gente, Luxemburgo quer ser a estrela
e acha ruim essas atitudes de Marcos porque
tira a atenção que, originalmente, deveria
ir para ele, Luxemburgo! Absurdo! Luxemburgo
tem toda razão em criticar o Marcos.
E
por que Marcos age dessa forma? A mim, fica
parecendo que, com o time cada vez mais
distante do título, o que enfurece a torcida
pela expectativa e investimentos feitos
para o Campeonato, Marcos está mais preocupado
em tirar o dele da reta. Em bancar o "torcedor
apaixonado em campo" para, assim, inflamar
a torcida a seu favor. Uma atitude que,
em nada, condiz com um capitão, um jogador
experiente como ele.
E eu, que sou
tão fã do Marcos...
Na data marcada 04/11
O artigo desta semana é um entre muitos
que já destacaram acertos da CBF. Mas são
acertos que vêm tardios, ao que parece,
a CBF só aprende quando quer aprender. E
foi desta forma com a Data FIFA.
A
relação seleções x clubes sempre foi um
problema. Juan Laporta, presidente do Barcelona,
certa vez declarou que um clube ter um jogador
e mandá-lo para disputar jogos com a sua
seleção nacional seria o mesmo que você
ter um carro, emprestá-lo a um amigo e este
amigo devolver seu carro quebrado, numa
alusão às possíveis lesões que um jogador
pode adquirir jogando com a seleção.
Para
tentar diminuir esse atrito, a FIFA criou
a chamada Data FIFA, que são datas específicas
no calendário da temporada para que as seleções
nacionais disputem amistosos. Os campeonatos
europeus costumam parar em época de Data
FIFA e apenas os amistosos são disputados.
Claro que ainda existe o risco do jogador
lesionar-se. Mas pelo menos um clube não
será desfalcado por causa de amistosos que
não valem nada.
Até aí tudo bem.
Mas Dunga, o treinador da seleção brasileira
que não é nem um pouco bem-quisto por imprensa,
torcida e clubes, anuncia sua lista de convocados
para amistoso contra a seleção de Portugal.
E, na lista, temos Kléber do Santos, Miranda
do São Paulo, Thiago Silva do Fluminense
e Alex do Internacional. Até aí tudo bem.
Mas logo surgem aqueles questionamentos...
o Santos ainda briga para não cair e quer
uma vaga na Sul-Americana; o São Paulo,
que acaba de virar líder, briga pelo título;
o Fluminense briga para não cair; e o Internacional
tenta subir na tabela e está valorizando
e tentando avançar na Copa Sul-Americana.
Obviamente, os clubes, treinadores e torcedores
vão reclamar de ter os seus times desfalcados
e...
Opa! Desfalcados? Mas não é
Data FIFA? Bom, é... para qualquer lugar
no mundo, MENOS no Brasil!
Qualquer
campeonato nacional ao redor do mundo parava
em Data FIFA. Menos o Brasileirão. E não
é apenas em Data FIFA para amistosos não...
o Campeonato Brasileiro não costumava parar
durante rodada de eliminatórias, por exemplo
- até parava, mas apenas NO DIA do jogo,
enquanto o correto seria parar na semana
de treino da seleção brasileira. E o pior
de tudo é que a seleção brasileira é de
óbvio interesse da CBF, assim como o Campeonato
Brasileiro. E a entidade não se organizava
nem para facilitar o calendário para que
ambas as partes se entendam.
Pelo
menos desta vez a CBF conseguiu arrumar
a situação e parou o campeonato nacional
para a Data FIFA. Não estou dizendo que
não aconteceu antes... apenas não lembro
do feito. Costumávamos ter jogos amistosos
do Brasil no mesmo dia das chamadas Data
FIFA, o que era absurdo.
O amistoso
entre a seleção brasileira e Portugal acontecerá
no dia 19 de novembro, entre as rodadas
35 e 36 do Campeonato Brasileiro. Ele precede
os confrontos entre São Paulo e Figueirense;
Fluminense e Portuguesa; Santos e Internacional;
e antecedem Coritiba e Santos; Internacional
e Fluminense; e Vasco e São Paulo. Os clubes,
com exceção dos atletas convocados, terão
uma semana de descanso.
E a CBF finalmente
aprende o que é Data FIFA! Mas é intrigante
que certas coisas sejam assim, tão simples.
E não dá para entender porque a CBF demora
tanto tempo para se organizar.
A volta à elite 28/10
Um seqüestro. Ou um tempo em detenção
num presídio de segurança máxima. A temporada
de um grande clube na segunda divisão pode
ter essas comparações. É um tempo perdido
que determinado clube "grande"
tem em sua trajetória - e esse tempo pode
virar tanto a seu favor quanto contra.
Palmeiras,
Botafogo, Grêmio, Atlético Mineiro e Corinthians
viveram essa experiência recentemente. E
todos tiveram em comum o ponto de que a
volta à primeira divisão foi comemorada
como um título. A rigor, no caso de Palmeiras,
Grêmio (o que menos comemorou) e Atlético
houve um título, que certamente deverá haver
também para o Corinthians. Mas na segunda
divisão o que realmente importa é o acesso.
E eu questiono se esse acesso é algo assim
para realmente ser comemorado.
Em
geral, a Segunda Divisão vem - ou melhor,
a ela se chega - em decorrência de incompetência
e trabalho ma-feito por parte de quem o
executa, ou seja, a gestão do clube. Transições
na diretoria, a saída de dirigentes conturbados,
como foi o caso de Palmeiras, Botafogo,
Atlético e Corinthians costumam ser causa
de queda para a segundona. Esse é um dos
fatores que preocupam o Vasco da Gama e
sua torcida, uma vez que a saída de Eurico
Miranda se assemelha com a saída de Alberto
Dualib do Corinthians e de todos os demais
casos citados. Mas isso não vem ao caso,
pelo menos agora.
Falemos da tal
volta à elite. Não do Corinthians. Nem do
Atlético, do Grêmio, do Botafogo ou do Palmeiras.
Mas sim da situação "volta à elite".
Quando
você joga a Segunda Divisão, você está se
submetendo a um processo parecido com uma
prova final, uma recuperação em colégio
ou em faculdade. Não era nem para você estar
ali. Então você tem obrigação total de reverter essa situação. Não é algo para
se comemorar. Sentir-se aliviado, talvez.
Mas você não pode comemorar o resultado
de um erro que você acaba de consertar.
Não
que a torcida não deva comemorar. Torcedor
é festa, é para fazer farra mesmo. Mas essa
iniciativa não pode partir da diretoria.
O posicionamento correto não é "Olha
só, ganhamos a Segunda Divisão, voltamos
à Primeira! Estamos de parabéns!",
mas sim "Trabalhamos duro e consertamos
a besteira que fizemos".
Ou
alguém aqui acha que o Corinthians não perdeu
nada mais, nada menos que de sua história
na tal da Série B? E assim não foi com Palmeiras,
Botafogo, Atlético Mineiro, Grêmio...
A
Série B, evidentemente, traz pontos positivos.
Clubes como Palmeiras e Grêmio realmente
mudaram sua administração com a Série B
e voltaram a ser clubes vencedores e organizados
na medida do possível. Mas aprender com
um erro, em decorrência dele não é das atitudes
mais dignas de receber parabéns.
Um
clube que cai e sobe não está fazendo mais
que sua obrigação. E um clune que se reorganiza
está tirando o atraso. E aí é que entra
o, talvez, ponto principal: o que se faz
na Série B. Como já mencionei que jogar
para subir não é nada mais que a obrigação
e que um clube que joga Série B está perdendo
uma temporada em sua história. Então o que
fazer dela? Aproveitar para ganhar tempo.
A
Série B não tem que ser jogada apenas para
subir. Tem que ser jogada para pensar na
Série A da temporada seguinte e na recuperação
do tempo perdido. É um trabalho de montagem
de elenco e de definição de metas. Grêmio
e Palmeiras fizeram esse trabalho. Em sua
volta à Série A, ambos chegaram, de cara,
ganhando vaga na Libertadores.
E
quem não o fez? Como Botafogo e Atlético?
Chegaram brigando para não cair.
Mas
voltar à elite é voltar à Primeira Divisão?
Melhor é voltar à elite de fato - o grupo
dos melhores times do país, que briga por
Libertadores, por título... foi o que fizeram
Grêmio e Palmeiras. E é o exemplo para Corinthians
ou qualquer grande que cair essa temporada,
seja Vasco, Fluminense...
Futchato 15/10
Eu acho que, na minha coluna sobre showbol,
cheguei a mencionar que o futsal é um esporte
legal. E estou aqui para retirar esse absurdo.
Não sei de onde tirei que esse balé é legal.
Futsal?
A ficha só caiu agora, que
acompanhei alguma coisa da Copa do Mundo
- e que me recusei a pôr imagens na capa
do Fanático Esporte Clube, quando até mesmo
o Mundial de Moto GP já ganhou sua capinha.
Não tem coisa mais idiota que futsal. E
olha que essa afirmação vem de um fã de
golfe. DE GOLFE!
Primeiro, a porcaria
do "esporte" mais parece um daqueles
jogos de streetball, aquela modalidade de
basquete onde o que conta é fazer jogadas
misturadas com passos de dança do hip hop.
Falcão & cia. limitada parecem mais
interessados em tornar passos de samba em
jogadas de que em jogar com seriedade. Não
que o atleta da Itália que alegou que os
dribles do jogador o "humilhavam"
e por isso quis brigar tenha razão, pelo
menos neste sentido. Mas que esses dribles
são chatos mesmo, são, ora bolas! Parecem
um bando de Ronaldinhos Gaúchos ainda mais
dançarinos.
Depois, não existe competição.
O futebol de campo é legal porque temos
Brasil, Itália, Alemanha, França, Argentina,
Holanda, Uruguai, Portugal, Inglaterra,
Espanha, México, Rússia... e um monte de
seleções que, aparentemente, não jogam nada,
mas podem surpreender. É Honduras que vence
o Brasil, a Argentina toma goleada da Venezuela...
é um esporte surpreendente onde o favoritismo
quase não significa nada.
E esse
futsal? Temos Brasil, Espanha (que tem dois
brasileiros), Itália (que só tem brasileiros,
14, o time inteiro) e... e? Incrível! Não
tem competição. O Brasil entra em campo
contra a Argentina, e a gente sá sabe que
o Brasil vai vencer. DE GOLEADA! A questão
é apenas por quanto - e aí o bolão se forma
não em torno do vencedor, mas em torno da
goleada que o Brasil vai dar.
O jogo
não tem emoção. Não tem suspense. Até parece
uma demonstração. Ora! Se é para ser assim,
façam como boxe. Peguem o campeão mundial
(a Espanha) e, para disputar o título, coloquem
um desafiante - o Brasil. Sempre que o Brasil
quisesse retomar o título mundial, desafiaria
a Espanha. Se perdesse, a Espanha continuaria
campeã. Se vencesse, o Brasil passaria a
ser o país a ser desafiado.
Mas no
geral, futsal é um saco. O jogo é fácil
e simples. As regras parecem favorecer ao
máximo a marcação de gols - comparem com
o futebol de campo, onde as regras protegem
ao máximo o goleiro. E a marcação de gols
torna-se tão absurda, mas tão absurda que
o placar se dilata a ponto do jogo perder
a graça e os próprios atletas passam a se
divertir mais levando a bola para a linha
de fundo e rebolando de um lado para o outro
com a pelota ao invés de tentar marcar mais
um gol.
Qual o objetivo desse jogo
então? Mostrar que brasileiro sabe sambar?
Então eu tenho a solução! Montem um espetáculo
tipo os Globetrotters - aquele time de basquete
que rodava o mundo fazendo exibições circenses
do esporte. Bem melhor que a FIFA perder
seu tempo (coisa que a FIFA simplesmente
ADORA) organizando calendário para um campeonato
simplesmente sem sentido.
Alguém
sabe me dizer quando acaba essa porcaria
de Copa do Mundo?
Sul-Americana... de
novo... 16/09
Já perdi a conta de quantas vezes escrevi
sobre a porcaria da Copa Nissan Sul-Americana.
Coluna mesmo, foi apenas uma. Mas o torneio
foi citado inúmeras vezes em inúmeras colunas
aqui no FEC. Citei o desinteresse dos clubes
brasileiros, a desorganização da CONMEBOL,
a forma patética como o torneio é montado,
seu calendário infeliz, etc.
E agora,
me pego em outro ponto. O Campeonato Brasileiro
oferece uma "vaga a mais" na Copa
Sul-Americana. Na verdade, o número de vagas
ainda é o mesmo: oito. Mas o que muda é
que os classificados para a competição agora
vão até o 12º lugar, não até o 11º. Isso
porque o campeão brasileiro não tem mais
vaga na Sul-Americana - antes classificavam-se
o campeão brasileiro, que também ia à Libertadores,
e do 5º ao 11º lugar. Agora vamos direto
do 5º ao 12º. Bom, finalmente uma boa idéia,
o que ainda é, diga-se de passagem, pouco,
MUITO pouco.
Como o Sport, vencedor
da Copa do Brasil, tem vaga direta na Libertadores,
caso ele fique entre os 12 primeiros, o
13º vai ao torneio menor sul-americano.
Primeiro, questiono por que fazer a "fase
brasileira" da competição. Qual o fundamento?
Por que ao invés de dar oito vagas, não
dar apenas quatro e por os times direto
na fase internacional?
Seria para
dar mais interesse ao Campeonato Brasileiro?
Mas aí é que está. De que adianta? Porque
a princípio, o time brasileiro se anima.
Equipes que ficam na zona periférica da
tabela costumam valorizar a vaga na Sul-Americana
ao final da competição. Argumentam que conseguiram
vaga na Copa Sul-Americana, coisas do tipo.
E
um ano depois, quando estão disputando a
Sul-Americana, reclamam que é impossível
disputar dois torneios simultâneos - o Campeonato
Brasileiro e a Copa Sul-Americana. Então
por que um ano antes valoriza-se a porcaria
da vaga na Sul-Americana?
O que acontece,
então, é que os times passam a escalar equipes
reservas ou mesmo equipes juvenis na Sul-Americana
e o torneio perde completamente o interesse.
Entra o São Paulo com o Sub-21 para ser
eliminado logo na primeira fase - a fase
nacional da competição. E quando um treinador
como Ney Franco, do Botafogo, decide escalar
o time titular é criticado pela imprensa
- a mesma imprensa que critica eventual
desinteresse no torneio.
Vai entender!
Me pergunto o que tem demais jogar a Sul-Americana
e o Brasileirão - sendo um na quarta-feira,
outro no domingo. O que tem de errado, uma
vez que muitas vezes o próprio Brasileirão
tem rodada dulpa.
E se o Campeonato
Brasileiro fosse disputado todo em rodadas
dulpas, nas quartas e nos domingos? Iria
poupar atletas na rodada de meio de semana
alegando que não dá, os jogadores cansam,
etc.?
Por que valorizar a vaga na
Sul-Americana então? Para depois reclamar
desta mesma vaga? Então por que não propor
um boicote ao torneio, já que foi o próprio
Brasil que tratou de boicotar a Copa CONMEBOL,
quando a CBF parou de enviar clubes nacionais
de nível relevante e passou a enviar o CSA
e o Sampaio Corrêa para disputá-la? Com
todo respeito ao CSA e ao Sampaio Corrêa,
mas...
Também nem sei por que me
dou ao trabalho de escrever um artigo sobre
este caso. É sempre exatamente a mesma coisa...
fala-se, fala-se, fala-se... e nada muda.
Showmebol 10/09
A América do Sul em muito tenta copiar
a Europa. E a CONMEBOL em muito tenta copiar
a UEFA - a Copa Sul-Americana (que já foi
Copa CONMEBOL) é uma tentativa frustrada
de ser uma Copa da UEFA, enquanto a exclusão
do Pré-Olímpico para utilizar o Campeonato
Sub20 como forma classificatória para o
Torneio Olímpico são apenas dois exemplos
disso.
Por isso fica minha sugestão:
Por que não realizar a final da Copa Libertadores
em jogo único, como acontece com a Liga
dos Campeões da UEFA? E também em sede intinerante,
como o torneio europeu, a maior competição
de clubes do mundo?
Quais benefícios
isso traria?
Primeiro, tornaria a
decisão da Libertadores mais emocionante.
O jogo único não se compara com finais ida
e volta, onde o clube pode recuperar o prejuízo
de um jogo na partida seguinte. Depois,
a sede intinerante daria um caráter de campo
neutro à partida. Teríamos uma decisão entre
Fluminense e LDU, por exemplo, em La Bombonera.
Ou um Boca Juniors e Olímpia no Morumbi
ou no Maracanã. E o fator campo neutro aumentaria
as impossibilidades do jogo.
A oportunidade
financeira e econômica do jogo único também
seria boa. A cidade-sede em questão poderia
fazer grande promoção em cima do evento
- por exemplo, uma final em Lima, ou em
Caracas... toda a Libertadores, durante
todo o período de realização do torneio,
teria uma campanha voltada para a grande
final na cidade em questão.
E isso
também ajudaria o evento a repercurtir internacionalmente
e a dar fama ao estádio. Uma final histórica
sempre agrega valores ao local que recebeu
o jogo. A cobertura de TV também seria maior
em cima do próprio jogo - uma final no Maracanã,
certamente teria total cobertura da Rede
Globo, detentora dos direitos da CBF que
geralmente só exibe a final da Libertadores
quando há um clube brasileiro na disputa.
Finalmente,
isso seria um grande lucro para os dois
finalistas, para a cidade, para o clube
(ou a prefeitura/governo) detendor(a) do
estádio e para a CONMEBOL.
E a mesma
atitude poderia ser tomada em relação à
final da Copa Sul-Americana.
Um evento
que faz a mesma divulgação e que é um sucesso
mundial é o Super Bowl, a final da Liga
de Futebol Americano dos Estados Unidos.
Ao lado da final da Liga dos Campeões da
UEFA, é o evento clubístico de maior audiência
na TV mundial.
Essa é uma sugestão
que só faria benefício à CONMEBOL, à Libertadores
e ao futebol sul-americano.
Mas boas
idéias geralmente não costumam ser cogitadas
na CONMEBOL.
Feito Criança 04/09
Um menino chorão. Que faz beicinho. Birra.
Reclama. Bate o pé. E no final das contas
só quer fazer o que quer. Pela segunda vez,
Robinho age exatamente dessa maneira. E
quando estamos falando de um assunto sério,
que é o futebol, envolvendo milhões de cifras,
essa nunca é uma boa atitude para carreira
de um jogador. E é a segunda vez que Robinho
a toma.
A princípio, jogando pelo
Santos, tudo estava bem com Robinho, bi-campeão
brasileiro pelo clube e herói de ambas as
conquistas. Só que de repente, Robinho cismou
em mudar de clube. Queria porque queria
ir jogar em time europeu - e com ajuda de
Wagner Ribeiro, empresário, e interesse
do Real Madrid, sua cabeça estava toda na
Europa. De fato, Robinho já estava há um
bom tempo em terras brasileiras. Defendia
o clube profissional há três anos, o que,
pasmem, chega a ser muito hoje em dia (!).
Jogadores muito mais fracos que Robinho,
como seu companheiro William (à época no
Porto) conseguem transferência muito mais
rápido. E, para estourar para o futebol
mundial, Robinho realmente precisaria jogar
na Europa - coisa que até a Placar defendeu,
lançando a campanha "Vai, Robinho!"
em contraste com a "Fica, Robinho!",
que os torcedores lançaram.
O clube
não queria liberar de jeito nenhum. O presidente
Marcelo Teixeira tentava de toda forma segurar
Robinho. E qual foi a atitude que Robinho
tomou? Birra. Se recusou a jogar. E até
mesmo a treinar. Declarava publicamente
que queria jogar no Real Madrid e que o
Santos não o liberava, que isso era errado,
etc.
Tanto que insistiu que Robinho
ganhou a queda de braço. Entrou em acordo
com o Santos e jogou até o final de agosto,
para depois transferir-se para o Real Madrid,
onde chegou mais que badalado - recebeu
a camisa #10 de Alfredo Di Stéfano, só para
se ter idéia do tamanho do alarde, e até
status de gênio ganhou da revista Placar.
A presença de Luxemburgo em Madrid sem dúvida
ajudou.
Com o passar do tempo se
viu que Robinho era supervalorizado. O jogador
vez por outra produzia bem, dando eventualmente
passes a gol e até mesmo marcando o seu
golzinho. Mas tava claro que Robinho rendia
bem menos do que se esperava dele, e a reserva
passou a ser fato constante. Nunca se firmou
no time titular, nunca convenceu. E aí passou
a declarar publicamente que o treinador,
fosse ele Fabio Capello ou Bernd Schuster,
não confiava nele, e por isso se sentia
infeliz em Madrid - queria ser titular,
queria ser o homem de confiança, queria
ter seu lugar no time, etc. Isso tudo se
somava aos problemas com as convocações
para Seleção Brasileira onde, diga-se de
passagem, Robinho não chegava a contrariar
o clube.
Mas parece que Robinho encarou
como a gota d'água ser "moeda de troca"
por C.Ronaldo junto ao Manchester United.
O jogador declarou, novamente publicamente,
que se sentia infeliz com essa situação.
Ramón Calderón, presidente do clube, declarou
que Robinho chegava a chorar e ameaçar encerrar
a carreira.
Eu gostaria de saber
por que tanto orgulho da parte de Robinho?
Por que se ofender em ser moeda de troca
por alguém que é, simplesmente, o melhor
jogador do mundo? Se um clube deseja contratar
um jogador grande junto a outro clube, é
natural que ofereça alguém que seduza o
clube vendedor - ou seja, alguém que seja
considerado um bom jogador. Era nesses termos
que o Real Madrid colocava Robinho. Se estivessem
oferecendo-no em troca de John Arne Riise
eu até entenderia. Mas não! Robinho estava,
de certo modo, valorizando seu passe. Como
o negócio não foi concluído, naturalmente
o Real Madrid tentou continuar com Robinho.
Mas aí o brasileiro tornou-se um chorão,
disse que queria sair do clube, insistiu,
declarou que o Chelsea queria contratá-lo,
tentou forçar a transferência... igual a
sua época de Santos. Revemos o mesmo filme.
As
coisas não saíram como Robinho queria e
ele acabou indo parar no Manchester City,
um novo rico que acha que isso irá torná-lo
o maior clube do mundo - fosse assim, teria
funcionado com Tottenham, West Ham e mais
uma porrada de clubes ingleses. Um retrocesso
na carreira de Robinho, sem dúvidas. E também
algo que suja sua ficha, o colocando como
um jogador chorão que sempre que esquenta
o banco se sente insatisfeito e demanda
troca - atletas do Chelsea chegaram a declarar
que não queriam ter um companheiro de clube
como ele.
Fernando Morientes, jogador
MELHOR que Robinho, sempre foi uma grande
moeda de troca para o Real Madrid e nunca
se posicionou dessa forma. Então por que
tomar esse tipo de atitude agora? Demandar
sair do melhor clube do mundo, o maior vencedor
da história do futebol? Orgulho. Fosse orgulho,
Robinho ficaria em Madrid e se esforçaria
para melhorar e mostrar que ele era um investimento
válido, não uma moeda de troca.
Robinho
foi um jogador que custou caro para tomar
esse tipo de atitude. Acabou indo parar
"no outro" clube de Manchester.
Tudo porque não queria ser moeda de troca
para jogar no... Manchester United.
Chorar
demais dá nisso.
Sempre sobra para o
futebol masculino... 27/08
A medalha de bronze da Seleção Brasileira
de Futebol é um resultado vergonhoso. Da
Seleção Brasileira de futebol esperava-se
medalha de ouro, e se a preparação ruim
é uma justificativa, pouco importa. Era
obrigação da CBF fazer uma boa preparação
para a Seleção Olímpica, uma vez que este
é "o único título que falta" e
é algo que o Brasil sonha há anos, "batendo
na trave" em 1984 e 1988, anos em que
a Seleção voltou com a prata. Mas
por que cobra-se desta maneira apenas do
futebol masculino?
A Seleção Feminina
tem sido tratada como heroína pela prata.
Tudo bem que com a preparação e estrutura
que o futebol feminino tem na atualidade,
a prata é um bom resultado. Mas essa é uma
prata que se repete há dois eventos — nos
Jogos Olímpicos de Atenas e na Copa do Mundo
da China. Na Copa do Mundo a Seleção Feminina
goleou a suposta favorita, os Estados Unidos,
por 4x0. Aqui em Pequim, goleou a suposta
favorita, a Alemanha por 4x1. Então não
é por falta de estrutura ou preparação que
o ouro não vem. A Seleção Feminina pipoca
na hora H. É fato. Então está na hora de
começar a se cobrar desta Seleção Feminina.
Não apenas parabenizar quase-sucessos.
O
vôlei masculino é um esporte que vem acumulando
títulos há um bom tempo. Somos gratos. Mas
esta prata não veio por um vacilo ou porque
a Seleção Estadunidense, que é muito boa,
seja infinitamente melhor. Há um problema
de comando e de relacionamento na Seleção,
coisa que atrapalhou o trabalho na Liga
Mundial e nas Olimpíadas — e teve seu expoente
na estranha saída de Ricardinho, até hoje
mal-explicada. Por que não cobrar da seleção
de vôlei agora?
E também, claro,
Diego Hypólito, que rejeita o título de
amarelão por ter caído na hora H. Em Atenas
quem falhou foi Daiane. Passou-se a mão
em sua cabeça. Não podemos fazer o mesmo
por Diego. O atleta merece reconhecimento,
sim, claro. Mas não pode ser tratado como
herói por ter errado. Não podemos dizer
"Parabéns Diego, o importante é que
você tentou". Mais útil, até para o
desenvolvimento do atleta, é dizer "Diego,
você é bom, mas não pode cometer esses erros
em momentos decisivos. Precisamos trabalhá-los".
O
que não podemos ter de maneira alguma é
uma seleção de futebol masculino supercobrada
e atletas que, quando erram, ainda são heróis.
O
peso do favoritismo 20/08
Ninguém da CBD, precursora da CBF, disse,
em 1958, ao desembarcar na Suécia, que estava
trazendo na sua delegação o futuro melhor
jogador de futebol do mundo. Em 1978, a
AFA, Associação Argentina de Futebol, não
convocou o menino Maradona para a Copa do
Mundo - muito menos afirmou que estava ali
o futuro melhor jogador do mundo. O Chicago
Bulls, quando recrutou um jovem chamado
Michael Jordan em 1984, também não anunciou
à imprensa que estava recrutando o futuro
melhor jogador de basquete do mundo. E Cassius
Clay não chegou em Roma, para as Olimpíadas
de 1960, dizendo que seria um dia o maior
boxeador de todos os tempos sob a alcunha
de Muhammad Ali.
Nada disso foi informado.
Mas tudo isso se sucedeu. Assim como uns
certos rapazes de Liverpool que não paravam
de tocar na rádio nos anos 60 queriam apenas
imitar Elvis Presley e não se esperavam
virar a banda de rock mais popular do planeta,
ou o ator que de maquiagem branca no rosto,
bigodinho, chapéu-coco e bengala, ilustre
ateu britânico, sequer imaginava que sua
figura se tornaria sinônimo de cinema -
e se você não sabe que eu me referi aos
Beatles e a Charles Chaplin, tome vergonha
na cara.
O fato é que as lendas aconteceram
de forma inesperada. Vieram, encantaram
com seu sucesso, surpreenderam e tornaram-se
os maiores do mundo. Daí surgiu a pressão
com qual elas tiveram de lidar. Pelé fracassou
na Copa da Inglaterra em 1966. Michael Jordan
parou "por baixo", jogando nos
fracos Washington Wizards. Os Beatles acabaram
em 1969. E Charles Chaplin nunca veio a
ganhar um Oscar - só pelo conjunto de sua
obra, já depois de aposentado. Toda lenda
sofre seu momento de pressão.
Mas
como seria você afirmar desde anônimo que
seria uma lenda? Você chegar num lugar dizendo
"Sou o melhor do mundo. Serei o maior
que vocês já viram. Podem me cobrar"?
Automaticamente, a pressão vai ser muito
maior.
Assim Michael Phelps aconteceu.
Chegou em Atenas falando em superar os números
de Mark Spitz, sete ouros em Munique 1972.
Foi secado por muita gente, que riu quando
ele terminou os Jogos "apenas"
com seis ouros. Mas o Phelps manteve o objetivo
para Pequim. Chegou em Pequim já como lenda,
já como o maior nadador de todos os tempos,
por tudo que fez em campeonatos mundiais
neste intervalo de quatro anos entre Atenas
e os jogos atuais. E com uma pressão gigantesca
sobre seus largos ombros.
E foi divertido
como Phelps lidava com essa pressão com,
ao mesmo tempo, segurança, auto-confiança,
mas sem ser esnobe ou metido. Chegava a
ser quase humilde. Baseava-se na certeza
de que é um bom nadador e que estava dedicando-se
para atingir este feito memorável. Sua simpatia
e espontaneidade era tamanha que o número
de secadores diminuiu e, automaticamente,
Phelps conquistou uma gigantesca torcida
que queria ver a marca de Spitz ser quebrada.
Um
por um, Phelps tratou de conquistar os ouros
que prometeu. E explicou que, para chegar
a tanto, teve de abrir mão de muita coisa.
Em outras palavras, seu discurso trazia
implícito a mensagem "Eu trabalho duro
para atingir minhas metas". Mas, durante
todo o tempo, Phelps assumiu seu favoritismo,
o que é o mais importante aqui.
Me
pergundo então por que tantos têm medo.
Por que tantos, como a Seleção Brasileira
de futebol não se assumem favoritos. Por
que sempre existe um receio de quebrar a
cara depois. Por isso o favoritismo pesa
para muita gente.
Mas aí vem Michael
Phelps e muda toda a história. O favoritismo
pode ser um grande rival de um atleta. Phelps
o trabalhou a seu favor e fez dele um aliado.
Isso deve valer mais que oito medalhas de
ouro.
Favoritos
que caem 12/08
Dois campeões mundiais de suas categorias.
Tiago Henrique de Oliveira Camilo venceu
o Campeonato Mundial na categoria meio-médio
(81kg) em 2007. João Derly de Oliveira Nunes
Júnior, o primeiro brasileiro a conquistar
um título mundial no esporte, conquistou
os Mundiais de 2005 e 2007 na categoria
meio-leve (66kg). Em outras palavras, tínhamos
a disposição os dois melhores do mundo em
suas respectivas categorias - o atual campeão
mundial meio-médio e o bi-campeão mundial
meio-leve.
Mais que isso, Tiago Camilo
foi apontado como o melhor judoca do mundo
em 2007.
Logo em sua segunda luta,
Derly, que disputava sua primeira Olimpíada,
caiu. Na luta seguinte, seu algoz, Pedro
Dias, também foi derrotado, e as chances
de Derly em lutar pelo menos pelo bronze
terminaram. Fim de papo. Não tem mais Olimpíada
para Derly - que chegou até mesmo a reclamar
da arbitragem após sua derrota.
Já
Tiago Camilo, medalha de prata nos Jogos
Olímpicos de Sydney, chegou a se prolongar
um pouco mais: depois de passar pelo iraniano
Hamed Mohammadi com ippon, Camilo foi à
sua terceira luta, onde enfrentou o alemão
Ole Bischof. Perdeu com dois wazari, que
somando completam um ippon, e foi eliminado.
Mas, como havia chegado à terceira rodada,
tinha ainda a repescagem por lutar. E na
primeira rodada da repescagem, bateu o estadunidense
Travis Stevens e avançou à segunda rodada,
estando a duas lutas de mais uma medalha
de bronze. A final da repescagem seria contra
Euan Burton. Contra Burton, medalha de bronze
no mundial de 2007, Tiago parecia ter dificuldades
para encaixar golpes ou mesmo para segurar
as mangas de seu kimono. Mas encaixou um
belíssimo wazari e, mesmo tomando duas penalizações
Shido I (que equivalem a dois kokas contra)
venceu e classificou-se para a disputa da
medalha de bronze, que conquistou sobre
o holandês Guillaume Elmont, também com
um wazari.
Mas o ponto para mim não
é esse. O bronze é uma medalha válida, mas
me pergunto o que acontece com dois campeões
mundiais que ao chegarem nos Jogos Olímpicos
simplesmente perdem suas lutas. Tudo bem
que Camilo estava com a mão machucada, mas
se venceu três adversários em seqüência
pare chegar ao bronze, o que faltou para
derrubar Bischof?
E quanto a Derly,
bi-campeão mundial? Onde estava toda sua
técnica que o levou ao ouro mundial - sendo
o primeiro brasileiro a atingir o feito,
depois repetido justamente por Camilo?
Também
podemos juntar ao time de decepções o Thiago
Pereira, que vem sendo um grande fracasso
na natação olímpica. Mas esse aí só era
favorito na cabeça dos brasileiros.
O
que acontece com Derly e com Camilo é um
filme que se passa em nossas cabeças nos
Jogos Olímpicos, e aí podemos tomar como
exemplo Daiane, que em 2004 era campeã mundial
e fracassou nos Jogos Olímpicos, de favorita
ao ouro a medalha nenhuma. O vôlei de quadra
feminino, de campeãs do Grand Prix e favoritas
ao ouro em Atenas a medalha nenhuma no final
das contas. Também em Atenas a ex-esgrimista
Élora Pattaro, campeã mundial juvenil, caiu
logo na primeira luta, o que não foi nada
de absurdo, uma vez que ela pegou de cara
Elena Jemayeva, bicampeã mundial. Mas e
quanto a Sydney quando Adriana Behar e Shelda
falharam no seu favoritismo em ganhar o
ouro?
Ao que me parece, supervalorizamos
como um todo a delegação brasileira. Colocamos
chances de medalha em cada atleta, em cada
modalidade brasileira, sem parar para pensar
que do outro lado estarão adversários fortes
e preparados.
Então questiono onde
está a preparação para os Jogos Olímpicos?
Porque um atleta lida naturalmente com um
Campeonato Mundial, mas quando chega numa
Olimpíada, simplesmente cai de produção?
O
Comitê Olímpíco Brasileiro tem mais com
o que se preocupar e ainda não percebeu.
Se vangloriar do número de atletas inscritos
que aumenta a cada edição não adianta de
nada se não podemos compensar com resultados.
Quase
hein 06/08
A Seleção Brasileira Feminina de Futebol
vive um momento parecido à Seleção Brasileira
Masculina entre 1930 e 1954, quando o Brasil
contemplava um status de "semi-potência"
do futebol mundial. Aquela Seleção Brasileira
participou das Copas de 1930, 1934, 1938,
1950 e 1954. Não fez grande coisa nas duas
primeiras, fez uma campanha surpreendente
em 1938 conquistando o bronze, em 1950 foi
vice-campeã e em 1954 foi eliminada pela
favorita Hungria. E nesse tempo, houve a
conquista do Campeonato Sul-Americano de
1949, a atual Copa América.
Falta
para essa Seleção Feminina um 1958. Um campeonato
para a consagração completa.
A Seleção
Feminina até aqui participou de todas as
Copas do Mundo realizadas, como a masculina.
Em 1991 e em 1995 eliminação na primeira
fase. Em 1999, terceiro lugar. Em 2003,
foi eliminada de supetão nas quartas-de-final
em 2003, depois de ter goleado a favorita
Noruega na primeira fase por 4x1. E em 2007,
vice-campeonato.
Diferentemente do
futebol masculino, no feminino o Torneio
Olímpico importa. Em 1996 e em 2000, quarto
lugar. Em 2004, vice-campeonato, após derrota
para os Estados Unidos, a antiga potência
mundial, na final. Da mesma forma que nas
Copas do Mundo de 1991 e 1999, havia os
Estados Unidos no meio do caminho.
Durante
esse período, a Seleção Brasileira feminina
só atingiu a excelência em torneios continentais.
Ganhou todos os Sul-Americanos de 1991 a
2003, ficando em segundo em 2006. E foi
Campeã Pan-Americana em 2003 e em 2007 —
nesta última ocasião, as meninas golearam
a Seleção dos Estados Unidos (formada por
universitárias) por 5x0 na final.
A
algoz da Seleção na final da Copa de 2007
foi a Alemanha. A nova potência mundial.
O
problema parece ser o fato de que esta Seleção
Brasileira feminina está sempre quase lá
enquanto existem outras que JÁ estão lá.
Ou seja... esta Seleção nunca chega a ser
a potência. E, existindo outra ocupando
este patamar, deixa a Seleção Brasileira
por baixo quando o bicho pega.
Hoje,
para a Seleção Brasileira, vencer a Alemanha
é um tabu. Se olharmos para o histórico,
nem é um tabu assim tão recente. Desde 1991
em competições oficiais, Brasil e Alemanha
tinham se enfrentado seis vezes. Foram quatro
derrotas e dois empates.
O sétimo
confronto abriu os Jogos Olímpicos de Pequim,
esta manhã. E mais um empate, em 0x0.
O
Brasil nunca venceu a Alemanha. Este é um
fato que pode incomodar, principalmente
se ambos se pegarem na semifinal ou final.
O tabu pode pesar. E aí não interessa se
temos Marta duas vezes eleita melhor jogadora
do mundo, porque futebol é esporte coletivo
e a responsabilidade de um time todo pra
um jogador só funcionou apenas com um tal
de Maradona.
Está mais que na hora
desta Seleção crescer. Do contrário vai
ficar sempre no quase.
(Des)Preparo 29/07
Pergunto-me porque é desse jeito. Porque
não há um preparo decente. Porque não enfrenta-se
rivais a altura.
Para a Copa do Mundo
da Alemanha, os adversários na preparação
foram Rússia... que ainda não era essa Rússia
bem-armada por Guus Hiddink, OK, mas ainda
era um adversário forte. Mas em seguida
vieram os patéticos Seleção de Lucerna seguido
da Nova Zelândia.
Em 2002, quando
Scolari tinha o comando da equipe, a preparação
foi um pouco melhor. Envolveu amistosos
com a Bolívia, a Arábia Saudita, a Iugoslávia,
a Catalunha e Portugal. As seleções mais
fracas, como Islândia e Malásia estavam
no programa, também. Mas foram sete amistosos
contra apenas três de preparação para a
Copa passada.
Para a Copa do Mundo
da França, mais um preparo bem-feito. Participação
na Copa de Ouro, da CONCACAF, onde enfrenta-se
Jamaica duas vezes, país classificado para
aquela Copa e Estados Unidos. Ainda houve
um amistoso contra a Alemanha, um contra
a Argentina o outro contra o Athletic Bilbao.
Os sacos-de-pancada Guatemala, El Salvador
(ambos pela Copa de Ouro) e Andorra estavam
lá, claro. Mas foram oito jogos. E uma Copa
bem-feita, com o vice-campeonato.
Antes
do tetra, na Copa dos Estados Unidos, tivemos
Argentina e um combinado entre Paris St.
Germain e Bordeaux. Depois vieram os sacos-de-pancada
Islândia, Canadá, Honduras e El Salvador.
Mas pelo menos foi um bom volume de adversários:
seis. E um deles forte, a Argentina. Seleção
Brasileira campeã.
Para os Jogos
Olímpícos de Sidney, a preparação para o
Pré-Olímpico foi feita contra Trinidad &
Tobago e Costa Rica. E pós-Pré-Olímpico
tivemos dois amistosos com o Chile, um contra
o Brisbane Strikers e outro contra Marconi-Farfield,
ambos da Austrália. E naquela época disputava-se
ainda o torneio Pré-Olímpico, que servia
de preparação. A campanha nos Jogos resultou
em fracasso. Para os Jogos Olímpicos de
Atlanta, a preparação para o Pré-Olímpico
foi feita contra Bulgária e Ucrânia. Pós-pré-Olímpico,
contra a Dinamarca e a Seleção da FIFA.
No final, o Brasil ainda voltou com o bronze.
Apesar
do fracasso de 2000, a história massa que
uma Seleção Brasileira bem preparada tem
mais chances de obter sucesso na competição
que disputa - seja Copa do Mundo ou Jogos
Olímpicos.
Então por que repetir
a preparação da fracassada Copa do Mundo
da Alemanha? Por que este Brasil de Dunga
se assemelha tanto ao de Parreira nos adversários
que enfrenta?
Repetindo os mesmos
erros... me pergunto onde isso vai chegar.
Já não tivemos Pré-Olímpico - não que isso
seja ruim, mas significa menos preparação.
E agora, quando tem de haver a preparação...
realiza-se uns jogos-treino contra equipes
juvenis de clubes cariocas. Enfrenta-se
Cingapura e o Vietnã.
Não que o ouro
não possa vir sob circunstâncias nenhuma.
Mas, caso a Seleção Brasileira perca na
China... Dunga será questionado sobre a
preparação. E certamente vai se irritar.
Então por que não poupar esse argumento
dos críticos, elaborando uma praparação
melhor?
Impasse
Olímpico 22/07
O futebol não é olímpico. Nunca foi.
E cada vez o é menos. Até quando FIFA e
COI (Comitê Olímpico Internacional) vão
manter as aparências e deixar o esporte
no programa dos jogos - ocupando vaga de
esportes que seriam muito mais interessantes
para o evento, como futsal, hóquei em patins,
patinação, decatlo... são esportes que mantém
a ideologia amadora, algo que faz parte
dos Jogos Olímpicos.
Na verdade,
esse é o problema. O futebol é um mundo
à parte dos Jogos Olímpicos - assim como
o tênis. Tudo bem que os demais esportes,
como a NBA, a natação, o atletismo ou o
ciclismo têm suas grandes e milionárias
estrelas profissionais. Mas no geral, esses
esportes, ao redor do mundo, mantém um pouco
de seu amadorismo original, o mesmo amadorismo
que faz parte da ideologia dos Jogos Olímpicos.
De qualquer forma, quando se pensa em Jogos
Olímpicos, não se pensa em futebol. Se pensa
num atleta correndo numa pista. Se pensa
nisso - no esporte individual, na natação,
atletismo, lançamento de disco, de dardo,
de martelo, marcha atlética, maratona, 100m
com barreira, salto de plataforma, tiro
com arco, luta livre... tudo isso é mais
olímpico que futebol.
Há muito que
o futebol não é amador. Lá nos anos 30 o
esporte que viria a ser conhecido como o
"mais popular do mundo" já estava
tomando forma profissional - e, naquela
época, já havia a briga entre amadores e
profissionais, com os profissionais levando
larga vantagem. Mas os Jogos Olímpicos insistiram
em manter o futebol como amador dentro dos
jogos. Não poderia dar certo.
O quadro
de medalhas futebolísticas nos Jogos Olímpicos
é estranho. A primeira medalha de ouro foi
para o Reino Unido da Grã-Bretanha, uma
vez que Inglaterra, País de Gales, Irlanda
do Norte e Escócia competem unificado em
todo programa dos Jogos Olímpicos. O segundo
ouro vai para o Canadá (!), o terceiro e
quarto para a Grã-Bretanha de novo e o ouro
seguinte para a Bélgica. Os dois ouros do
Uruguai já marcam a guinada do futebol para
o profissionalismo, precedendo a primeira
Copa do Mundo. Acontece que para o resto
do mundo, ali, o futebol virou profissional.
Para os Jogos Olímpicos, não.
Enquanto
nas Copas do Mundo Brasil, Alemanha, Itália,
Holanda, França ou Argentina dominavam o
cenário, para os Jogos Olímpicos a Hungria,
a União Soviética, a Iugoslávia, a Tchecoslováquia,
a Polônia e a Bulgária eram forças dominantes
- pois jogavam com o mesmo time que disputava
a Copa do Mundo. Sob regimes comunistas,
os jogadores da União Soviética ou Hungria
poderiam ser profissionais em termos de
estrutura, mas em termos legais eram atletas
amadores. Portanto as mesma seleções que
em Copas do Mundo iam longe, mas não venciam
forças profissionais como Brasil e Alemanha,
nos Jogos Olímpicos massacravam essas mesmas
seleções, formadas basicamente por jogadores
jovens, inexperientes amadores.
Com
o tempo, os Jogos Olímpicos se profissionalizaram.
Até as estrelas milionárias da NBA, como
Magic Johnson, chegaram a disputar o torneio
de basquete. Mas o futebol não se profissionalizou
totalmente. Tudo bem que hoje em dia, jogador
profissional pode jogar - mas existe a restrição
de 23 anos, com exceção para três jogadores.
O que é estranho. Por que três? Por que
não quatro? Ou um? Em que se baseia este
número?
E por que jogadores de até
23 anos - quando campeonato nenhum no mundo
usa esta idade, mas sim o limite de 19,
20 ou 21 anos? De onde vem este padrão olímpico?
E se abriu completamente pro basquete, por
que não abrir pro futebol?
Aí me
lembro que o futebol tem interesses econômicos
mundiais maior que o basquete. Que a NBA
pode ser uma megaliga, mas ela é apenas
norte-americana. As ligas de basquete na
Europa ou na América do Sul não são TÃO
profissionais assim. Já o futebol é um negócio
de milhões, de muitos interesses econômicos
em qualquer parte do mundo.
Não adianta
chorar para liberar Robinho ou qualquer
outro agora. E não adianta a FIFA querer
interceder. A melhor forma da FIFA interceder
seria tirando definitivamente o futebol
dos Jogos Olímpicos.
Até
onde vai o Flamengo 15/07
Título? Libertadores? Ou é apenas um
cavalo paraguaio e o máximo que pode almejar
é uma vaga na Copa Sul-Americana?
Certamente,
não acredito na última opção. Hoje, diria
que o Flamengo ficaria entre o título e
a briga por uma vaga na Copa Libertadores
- a continuidade de um belo trabalho do
clube, iniciado em 2006, mas que teve sua
consistência definitiva em 2007, com uma
surpreendente reação no Campeonato Brasileiro,
onde terminou em terceiro lugar.
Mas
esse time do Flamengo realmente pode conquistar
o título - que o clube já não conquista
a 14 anos? Eu realmente tenho minhas dúvidas
da capacidade do time, com uma ressalva.
Primeiro,
ao analisar o elenco do Flamengo, não encontro
nada de extraordinário - com exceção, talvez,
do grande zagueiro Fábio Luciano. Não vejo
nada demais em Juan, muito menos em Leonardo
Moura, que muita gente vem exaltando. Não
diria que sejam dois bons laterais, mas
sim que são dois jogadores esforçados -
uma vez que meu exemplo de lateral é mais
centrado em gente como Gary Neville ou Franco
Baresi e Paolo Maldini, no desempenho desta
função. Mas os dois têm o seu papel, só
não são jogadores de Seleção Brasileira
como muita gente quer pintar. Ibson é uma
peça importante, ao meu ver, no esquema
da equipe, assim como Kléberson. E pára
por aí.
Para o ataque, Marcinho vem
fazendo um grande trabalho, mas está longe
de ser um nome matador. De qualquer forma,
Marcinho vem sendo jogador decisivo, o que
é importante para o sucesso da equipe. Obina
não é jogador de futebol, mas é igualmente
esforçado e acaba, muitas vezes, sendo capaz
de decidir um jogo. Souza é um atacante
horrível. Bruno é um goleiro irregular.
Então o clube não difere muito de São Paulo,
Palmeiras ou Cruzeiro.
Realmente,
com o Cruzeiro o Flamengo guarda algumas
semelhanças. Mas destaca-se do clube mineiro
enquanto sua regularidade em campo - fator
que coloca o Flamengo em primeiro e o Cruzeiro
em segundo na tabela. Para Palmeiras e São
Paulo, a diferença é uma só: o Flamengo
é um time organizado, que joga. Tem esquema
de jogo.
Não que São Paulo e Palmeiras
não tenham esquema de jogo... e aqui talvez
entre um fator que incomoda muito os dois
clubes paulistas e não tem afetado o Flamengo:
a janela de transferências européia. Palmeiras
e São Paulo são duas equipes desorganizadas
e displicentes, parecem desconcentradas
em campo. Muito atribui-se à cabeça de Hernanes
ou de Valdívia, que estariam voltadas para
transferências ao mercado europeu. O Flamengo
não aparente ser um time que vá se prejudicar
com esse tipo de coisa, até porque não tem
jogadores que saltem aos olhos - ou alguém
consegue imaginar o Manchester City ou o
Villareal interessados em Obina?
Não
sei o quanto isso tem afetado realmente
o desempenho do clube. Mas o fato é que
os dois têm atuado mal, jogam com um meio-campo
totalmente sem organização. O Tricolor Paulista
parece ter recuperado um pouco o foco no
Campeonato, o que, definitivamente, não
é o caso do Palmeiras - ainda.
O
Flamengo aproveita este momento irregular
dos clubes paulistas, e a irregularidade
constante do Cruzeiro para acumular pontos
e seguir na liderança do Brasileirão.
Esse
pode ser o momento de abrir a vantagem necessária
para brigar, definitivamente, pelo título.
Algumas rodadas na frente, podemos dizer
onde, exatamente, o Flamengo estará - e
acredito que não seja nada menos que a briga
pela vaga na Libertadores.
Coluna
dupla - Fluminense na Libertadores 08/07
Se o engraçadinho que faz os artigos
de Fórmula 1 se coloca no direito de fazer
uma "coluna dupla", lançando moda
aqui na redação... me coloco no direito
de fazer exatamente o mesmo. Mas, no caso,
são colunas que abordam duas visões diferentes
a respeito de um mesmo tema: o Fluminense
e a Libertadores.
A derrota e
a perda do título O Fluminense fez
uma belíssima campanha na Libertadores.
Liderou a competição de ponta a ponta e,
se levarmos em consideração a soma de pontos
na competição, o Fluminense fez 29 pontos,
líder isolado - a campeã LDU fez apenas
17. Numa classificação por pontos, a LDU
dividiria o sexto lugar com o América do
México. E para ver como a campanha do Fluminense
foi sensacional, o segundo colocado teria
21 pontos e o terceiro 19.
Em sua
campanha, perdeu apenas dois jogos: contra
o Arsenal na primeira fase, por 2x0, quando
já estava classificado; e a primeira partida
das oitavas-de-final contra o São Paulo,
por 1x0. No total foram oito vitórias, dois
empates e duas derrotas.
Uma campanha
mais modesta foi feita pela LDU, que tinha
apenas quatro vitórias, CINCO empates e
três derrotas. Nas quartas e nas semi-finais,
a LDU passou apenas empatando e garantindo-se
no critério "gol fora de casa",
critério do qual o Fluminense em momento
algum dependeu para classificar-se.
Então
chegam os dois às finais.
A LDU envolve
completamente o Fluminense. Massacrou o
clube brasileiro no Equador, fez 4x1 no
primeiro tempo, saiu de casa com uma vantagem
por 4x2 e poderia ter sido um placar mais
elástico - e mais mortal.
E engana-se
quem acha que o Fluminense devolveu o massacre
no Maracanã. O Fluminense jogou bem, sim.
Mas o time não possuía nenhuma organização
em campo, nem ofensiva nem defensiva. Basicamente,
o clube dependeu de uma atuação inspirada
de Thiago Neves - o que não é de costume
- e da marcação incansável de Thiago Silva
e Arouca na defesa, sempre correndo para
tirar bolas que teriam aniquilado completamente
o Fluminense no jogo. Isso porque a LDU
era um clube completamente organizado. Ao
contrário de Conca, de Washington, de Dodô
& cia. limitada, perdidos em campo,
Urrutia, Salas, Guerrón e Bieler sabiam
exatamente o que estavam fazendo em campo.
Foi assim que a LDU fez o gol a cinco minutos
de jogo e dominou o restante do segundo
tempo e toda prorrogação - diferentemente
do Fluminense, que fez seus gols mais na
base da garra que da técnica.
E isso
que foi fatal ao Fluminense. Jogou com garra
demais, técnica de menos. Fisicamente, o
time estava morto - e isso afeta na hora
de cobrar pênalti. A LDU era um time mais
organizado, por isso foi melhor, por isso
conquistou o título nos pênaltis.
Um
grande time não comete excessos, mas joga
o que sabe jogar.
O que impede
o Fluminense de alcançar outra final de
Libertadores? O Fluminense investiu
muito para chegar até aqui. Fez as contratações
que precisava, reforçou o time em todos
os setores. Tudo estava nos conformes. Não
é um investimento que costuma-se fazer todos
os anos. O Fluminense mobilizou-se inteiro
para ganhar a Libertadores. Todo o investimento,
toda concentração era focada aqui, na competição
sul-americana. E o Fluminense falhou.
Não
é fácil fazer outra final de Libertadores
porque não é fácil mesmo CHEGAR à Libertadores.
O Fluminense é um clube que só a disputou
em antes em 1985 e em 1971. Ou seja, não
é um clube que, historicamente, reforça-se
para ganhar competições nacionais, que são
o acesso à Libertadores.
No Brasil,
para chegar a uma Libertadores você disputa,
primeiramente com 12 clubes grandes - os
quatro de São Paulo, os quatro do Rio de
Janeiro, os dois de Minas e os dois do Rio
Grande do Sul. E aí ainda temos os paranaenses,
os times do sul, os nordestinos, os clubes
do centro-oeste... ou seja, é difícil. Não
é como uma Liga dos Campeões que você tem
poucos concorrentes para atingir uma vaga.
O
caminho para chegar à Libertadores é longo.
O Fluminense o fez ano passado, antes disso
só havia conseguido fazer há 13 anos e antes
disso há 14 anos. Se historicamente o Fluminense
tem essa dificuldade, me arrisco a afirmar
que dificilmente o clube aparece por aqui
novamente, fazendo a final.
Claro,
existem chances disso acontecer. Mas desperdiçar
essa oportunidade em pleno Maracanã foi
um grande vacilo.
Fúria
fatal 01/07
Este título do Euro 2008, conquistado
com maestria pela Espanha, é mais que o
primeiro (e único) campeonato importante
(na verdade, campeonato, seja ele importante
ou não) da seleção rubra em 44 anos - intervalo
desde sua conquista anterior, o também Euro
de 64. Ele marca a entrada definitiva da
Seleção Espanhola entre as grandes forças
do futebol mundial. O que é estranho: há
anos que os espanhóis circulam por ali...
praticamente dominam o futebol de clubes,
e com a seleção, embora não haja um histórico
de conquistas, sempre vem de resultados
que permitem a Espanha a se manter entre
as cinco primeiras posições do ranking da
FIFA. Mas os resultados não vinham.
Veio
agora, com um time com as características
necessárias para ser campeão: um bom goleiro,
o Iker Casillas; um zagueiro que pode não
ser um Beckenbauer, mas cumpre seu papel,
o caso de Sérgio Ramos; um bom volante,
como Xavi; um meia sensacional, que é o
caso de David Villa; um camisa 10 com toda
classe que lhe é necessária, o Cesc Fabregas,
que pode não ter jogado a campanha inteira,
mas foi importantíssimo na semi-final e
na final; e um centroavante goleador, o
Fernando Torres.
Curiosamente, estas
características "quase" estiveram
presentes nas campanhas anteriores, com
Andoni Zubizarreta, Fernando Hierro, Rubén
Baraja, Fernando Morientes, Diego Tristán
e Raúl. Ficou devendo. Os resultados não
vieram e uma geração que sempre era apontada
como promissora, no final das contas, decepcionava.
Em
Copas do Mundo, em 1990, ficou nas oitavas-de-final;
em 1994 nas quartas; em 1998 caiu na primeira
fase; em 2002 foi às quartas; e em 2006
voltou a cair nas oitavas. No Euro, chegou
à final de 1984 e perdeu para a França.
Em 1988 caiu nas oitavas; em 1992 sequer
se classificou para o torneio; em 1996 e
em 2000 caiu nas quartas e em 2004 saiu
na primeira fase.
A Espanha vivia
a realidade de ter seu único título importante
conquistado em casa há quatro décadas. E,
se a geração atual mantivesse a decepção
da turma de Zubizarreta, Hierro e Raúl,
seria uma grande tristeza, uma vez que esses
jogadores realmente são diferenciados. Pelo
menos quatro deles merecem vaga numa possível
"Seleção do Mundo" atualmente:
Fabregas, Villa (ambos titulares), Casillas
(que poderia ser titular ou reserva, dependendo
do momento), Torres (na reserva, mas ainda
assim entre os 23 melhores). Não lembro
de uma ocasião em que a Espanha esteve tão
bem-servida.
O gol de Fernando Torres
em cima de Jens Lehmann foi uma amostra
da facilidade com que "Il Niño"
chega bem no gol e marca tento com frieza
e tranqüilidade. Às vezes faz até melhor
que nomes mais reconhecidos como Eto'o e
Drogba. A jogada surgiu num lançamento sensacional
de Xavi que tivesse sido feito por Ballack
ou por Schweinsteiger sem dúvida estaria
sendo muito mais badalado. E Fabregas é
aquele jogador que pode fazer função de
volante e de meia ofensivo com a mesma facilidade
que Steven Gerrard, que nem ao Euro veio.
Sem
falar que a Espanha jogou num esquema com
quarto meias que emperrou o time na final.
Mas tal atitude fosse. tomada aqui no Brasil,
como aconteceu em 1970 (embora o meia Tostão
tenha ganho vaga de atacante), ou na Argentina,
seria reconhecida como um esquema corajoso
e atrevido por parte do treinador. No caso
do Aragonés e sua escolha, talvez na tentativa
de suprir a falta de Villa, nem acho que
foi a melhor opção. O jogo espanhol ficou
mais vagaroso - um esquema com três meias
e mais um atacante, para servir Torres,
talvez impulsionasse o ataque com mais facilidade
e levasse a Espanha a uma vitória mais sossegada.
Por
sinal, Villa, ausente... Enquanto para 2006
muita gente insistia em fazer de Raúl a
estrela espanhola da Copa, Villa já era
o melhor jogador do time. Mas estava no
Valencia, aí não teria vez mesmo... houve
até quem visse em Reyes um jogador para
o "futuro" da seleção espanhola
- afinal de contas, o cara passou pelo Arsenal,
Real Madrid...
Se esta Espanha vai
conseguir confirmar seu favoritismo para
a Copa do Mundo, pouco pode-se analisar.
A Seleção Espanhola viveu um momento muito
bom e teve pela frente uma Alemanha que,
embora seja uma geração muito forte, não
tem jogadores decisivos.
Por hora,
apenas observemos a Fúria em toda sua raiva.
Como
um leão 19/06
Desta vez, por alguns meses, o Sport
Club do Recife foi o melhor time do Brasil.
E o foi de forma incontestável - ao contrário
do muito contestado título de 1987. Em breve,
tudo voltará ao normal. O Sport voltará
a ser um time de médio porte. Não deve ir
muito longe na Libertadores. No máximo oitavas-de-final.
Mas isso pouco importa. Hoje, o Brasil é
do Sport. De um modo muito mais forte que,
nos últimos anos, fora de Flamengo e de
Fluminense.
É a terceira conquista
nacional do clube recifense. A primeira,
bem, o contestado título de 87. A Copa União.
O Módulo Amarelo... não é bem hora de se
comentar isso aqui. Basta resumir da seguinte
forma: para os flamenguistas, o Sport não
é campeão. Para os torcedores do Sport,
para os torcedores dos demais clubes do
Brasil, para a CBF, o Sport é campeão. E
para a mídia consciente, para a revista
Placar, para os torcedores mais centrados...
é uma questão complexa que pode ser muito
mal-resumida com um título dividido, um
asterisco e uma longa explicação.
Independentemente
disso, o Sport disputou a Copa Libertadores
de 1988. A segunda foi em 1990, a conquista
da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.
Nenhum dos dois, no entanto, compara-se
a esta Copa do Brasil. Não porque o título
de 1987 é contestado e envolve um asterisco.
Não porque o de 1990 é uma "reles"
segunda divisão. Mas porque, desta vez,
nesta ocasião, o Sport foi, definitivamente,
o melhor time do Brasil.
O Sport
anulou completamente Valdívia. Goleou o
forte Palmeiras, melhor time do Brasil pra
muitos, inclusive pra mim, por 4x1 em casa.
Isso depois de segurá-lo e garantir 0x0
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