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Sonho fenomenal 10/12
Qualquer coluna normal sobre Ronaldo comentaria o que o atacante pode fazer em sua nova volta ao futebol. E falaria tudo aquilo que já sabemos - que Ronaldo não é mais o mesmo, que não deve render a temporada inteira, que tem que entrar nos jogos com moderação, que embora produza bem, não tem constância suficiente para jogar, etc.
Tudo isso é verdade. E concordo com cada palavra. Mas não vou abordar nenhum desses pontos nesta coluna. Até porque, até o fechamento deste artigo, Ronaldo nem clube tem - a contratação do Corinthians ainda não foi formalmente acertada nem oficializada. Tudo bem que o clube já está vendendo camisas do atacante... mas o Vagner Love também chegou a ter sua camisa lançada, e não chegou a ser contratado. Eu não me surpreenderia se o atacante, repentinamente, NÃO acertasse com o Corinthians - embora, pelo andar da carruagem, eu acredite que, sim, Ronaldo VAI jogar no Corinthians.
Mas analisemos o tempo em que o jogador se contundiu. Não teve seu contrato com o AC Milan, que nunca deveria ter acontecido, renovado. Fez a cirurgia e... passou a se tratar no Flamengo - coisa que já havia feito outras vezes, quando sofrera lesões. Tudo porque o Flamengo, que recusou Ronaldo quando era juvenil (assim como o São Paulo FC), é o time para o qual o jogador torce. Ronaldo nunca, NUNCA cansou de afirmar sua paixão pelo Flamengo e declarar publicamente que seu sonho seria jogar pelo rubro-negro. Então víamos Ronaldo indo ao Maracanã assistir à finais de campeonatos estaduais, acompanhado do filho, Ronald, que vestia camisa do Flamengo. Via-se Ronaldo vir a público dizer que pretende negociar com o clube.
E, nas atuais circunstâncias, realmente tudo apontava para que o centroavante assinasse com o clube da Gávea. O mercado na Europa não era assim tão promissor - surgiram propostas oficiais de Manchester City e PSG, mas Ronaldo sempre preferiu clubes grandes, como Internazionale, Real Madrid e Milan. O próprio jogador declarava que preferiria jogar por um clube grande recebendo menos que por um menor recebendo mais - e, sejamos justos, palmas para ele nesse aspecto, que mostra que está no esporte pelo prazer, pela possibilidade de se tornar um ídolo num clube de porte, e não pelo dinheiro, que poderia ganhar muito mais se mandando para Arábia.
Ao final da Série B, Ronaldo esteve em São Paulo para jogar um amistoso comemorativo, e surgiram rumores de conversa entre o jogador e o Corinthians. Mas o presidente Andrés Sanhcez disse que seria impossível que o Corinthians bancasse Ronaldo, a não ser que ele facilitasse financeiramente. E todos nós, claro, víamos como uma mera questão de tempo Ronaldo realizar seu grande sonho e vestir a camisa do Flamengo.
Quando jogador e clube, e este clube não é o Flamengo, mas sim o Corinthians, anunciam o "quase-acerto" da contratação do atacante, naturalmente todo mundo custaria a acreditar. E as camisas começam a ser vendidas, Ronaldo fala que "está chegando mais um louco", mostrando que a concretização está próxima.
Pensando bem, se não fosse para jogar pelo Flamengo, o clube que mais teria as características que agradam a Ronaldo seria justamente o Corinthians. Um clube de massa e tradicional - um clube que, guardadas as devidas proporções, guarda muitas semelhanças com o Flamengo. Sendo numa escala 100% menor, uma vez que o Flamengo tem o dobro de torcedores do Corinthians. Então, a contratação de Ronaldo não seria assim tão surpreendente.
Mas por que o atacante simplesmente preferiu não defender o Flamengo? Porque o rubro-negro realmente tinha interesses em contratar o atacante. Era um sonho recíproco, tanto por parte de Ronaldo quanto por parte do Flamengo. E o Flamengo não havia desistido desse sonho - e, ao que parece, a notícia do acerto entre Ronaldo e Corinthians também foi surpreendente na Gávea.
Pergunto então o que houve? Quais os motivos para que Ronaldo abrisse mão do grande sonho do qual tanto falou para jogar num outro clube aqui mesmo no Brasil?
Razões financeiras? No Corinthians o jogador vai receber por produção + quotas de patrocinadores. Então, não acredito que seja nada financeiro. Atual fase do clube? A do Flamengo é BEM MELHOR que a do Corinthians, que disputou a Série B e só voltou à elite agora.
Será que é o Flamengo, mesmo numa fase melhor, que não inspira tanta confiança assim? A ponto daquele que é um dos mais ilustres torcedores do clube abrir mão de jogar por ele no momento em que surge uma grande oportunidade?
E sabe o que é o pior de tudo? Nem acredito que a Gávea tenha fechado as portas para Ronaldo. O que é uma pena. O Flamengo, que tem Zico como maior ídolo, merecia mais respeito - de Ronaldo, que tinha liberdade para escolher outro clube, mas que deveria negociar também com o Flamengo e explicar a situação, caso resolvesse jogar em outra equipe, afinal, o Flamengo apostou em Ronaldo e o ajudou em sua recuperação; e também dos próprios dirigentes do clube, que lhe faltam com respeito em todos os aspectos.
O descobrimento da América do Sul 04/12
Aconteceu! E foi surpreendentemente emocionante! Mas agora o Brasil, através do Internacional de Porto Alegre, descobriu a Copa Sul-Americana. Não podemos afirmar que esse título vai, realmente, fazer com que os clubes brasileiros passem a valorizar esse torneio - como desejamos que acontecesse na coluna "Agora, o Brasil faz parte da América do Sul", publicada em 18/11. Mas pelo menos temos nosso primeiro campeão do torneio. E ele o conquistou tomando a inédita atitude de abdicar do Campeonato Brasileiro, colocando até mesmo o time reserva em campo no torneio nacional - um privilégio que, até então, era exclusividade da Libertadores.
Parabéns ao Internacional!
Poderíamos discutir aqui como o Inter chegou ao resultado, após uma brilhante vitória na Argentina por 1x0 e um emocionante empate em casa por 1x1, derrotando os Estudiantes apenas na prorrogação, ao final do segundo tempo extra. Poderíamos comentar a campanha do clube, que passou por Grêmio, pela Universidad, pelo Boca Juniors e pelo Chivas Guadalajara até chegar à decisão contra o Estudiantes.
Mas, ao invés disso, vamos tratar da importância e dos méritos da conquista. Como afirmei em coluna(s) antetior(es), a Copa Sul-Americana só é valorizada por aqueles clubes que estão na zona intermediária da tabela do Campeonato Brasileiro, que sabem que não vão disputar nada no torneio - e que, no ano seguinte, já na Sul-Americana, desdenham e reclamam do torneio. O Internacional inverteu a história.
Se pensarmos num exemplo de torneio sub-valorizado, temos a Copa Conmebol, disputada entre 1992 e 1999 e, em suas últimas edições, chegou a ter clubes como Sampaio Corrêa, São Raimundo e CSA disputando. De qualquer forma, o Brasil chegou a valorizar a Copa, tanto que Atlético Mineiro, Botafogo, São Paulo e Santos chegaram a vencê-la. Também tivemos a Copa Mercosul, que chegou a ser mais valorizada que a atual Copa Sul-Americana. Em quatro edições, três delas tiveram a final disputada apenas por clubes brasileiros. Na quarta e última, um brasileiro e um argentino. Palmeiras, Flamengo e Vasco conquistaram esse título. E o Flamengo perdeu a última edição para o San Lorenzo.
Não dá para entender porque o Brasil valorizava esta Copa Mercosul e desvaloriza a Copa Sul-Americana. E é por isso que o título colorado tem mais valor do que um torneio menor realmente agrega. Como dissemos na coluna do dia 18, o Internacional foi o único clube brasileiro a admitir abertamente que não estava brigando por uma vaga na Libertadores, como havia declarado, e resolveu priorizar a Copa Sul-Americana. Por acaso não paramos para pensar que esse título também é um título continental? Que, o vencendo, o Internacional disputará a Recopa com a LDU e que pode entrar para o seleto clube de times com mais de um título da Recopa - que inclui apenas Boca Juniors, São Paulo e Olímpia?
Agora vamos estender a comparação e colocar a Libertadores no pacote. Achou forçado? Mas a Libertadores, nos anos 60, não tinha muita importância para clube brasileiro. Em 1966 o Santos, bi-campeão do torneio, simplesmente o boicotou. Quem consegue imaginar hoje em dia um time boicotar a Libertadores? Em 1969 os clubes brasileiros tornaram a boicotar a mais importante competição sul-americana, atitude que se repetiu em 1970. Para uma confederação e seus clubes abrir mão de um torneio, tem de considerá-lo de pouquíssima importância. E olha que no campeonato em questão já havíamos tido campeões (Santos em 1962 e 1963) e vice-campeões (Palmeiras em 1961 e 1968).
Os motivos para o boicote geralmente eram desorganização da competição e choques com o calendário. Percebe que o filme é velho?
Mas sempre foi do brasileiro olhar para o próprio umbigo. Afinal de contas, de que vale ganhar um torneiozinho sul-americano se para isso você abre mão do glorioso campeonato estadual - principal competição da época, pelo menos na cabeça dos dirigentes brasileiros?
Logo, o Internacional conquistou um troféu que pode, e com certeza deve, ser valorizado no futuro. O boicote e a desvalorização acontece hoje - e é engraçado que essa desvalorização é feita até por clubes como o Corinthians, que nunca conquistou nenhum torneio continental, nem mesmo Taça Conmebol ou Copa Mercosul. Então, futuramente, teremos uma Copa Sul-Americana valorizada e prestigiada - só depende da organização e marketing da CONMEBOL. E aí clube brasileiro vai olhar para trás e lembrar o quanto a desvalorizou?
Mais uma vez, parabéns ao Internacional!
Meu pedido de aposentadoria 26/11
Eu sei que não conseguirei fazer isso. Mas bem que gostaria. Bem queria me "aposentar" do futebol nacional e acompanhar só o futebol sério, o internacional, onde posso acompanhar um clube menor, como o Tottenham Hotspur, e mesmo assim ter ídolos e jogadores "fiéis" ao time. E, o melhor, acompanhar futebol sendo apenas futebol. Bons jogadores, nível de jogo melhor que o nosso e, acima de tudo, futebol livre de especulações.
O motivo disso tudo? O ponto que chegamos: o Flamengo protestar até na FIFA contra o Carlos Eugênio Simon. E a CBF simplesmente banir o árbitro. A primeira coisa que penso é... logo o Flamengo? Aquele cujo maior título veio justamente através da arbitragem mais trágica da história do futebol, por parte de José Roberto Wright - que, por sinal, na transmissão de televisão, desceu a lenha em Simon. Contradição?
Não que o Flamengo não tenha direito de protestar. Muito pelo contrário! Tem, e como tem! Se o Flamengo se acha prejudicado, está no direito dele de reclamar. Pra mim o problema é a CBF acatar. A imprensa toda armar um complô para apoiar o clube carioca - claro, a imprensa menos parcial e mais interesseira, uma vez que a imprensa mais séria e imparcial, entenda-se ESPN Brasil, através de gente como Paulo Calçade e Mauro Cézar Pereira, criticou a atitude do Flamengo e da CBF como incoerentes.
Comparo com o caso de Corinthians e Portuguesa, cujo árbitro Javier Castrilli cometeu o maior erro da história do futebol de São Paulo? Nesse caso do Castrilli, o árbitro foi denunciado à FIFA. Mas pela FPF, e não pela Portuguesa. E houve pouquíssima divulgação da imprensa sobre o caso, uma vez que não era do interesse da mesma fazer nada pela Portuguesa, muito menos para "prejudicar" o Corinthians, outro clube queridinho e protegido.
Mas não houve por parte da Portuguesa nenhum escândalo em cima do acontecimento - e olha que motivos tinha, bem mais que o Flamengo, até.
Os erros de arbitragem antes aconteciam, assim como acontecem hoje em dia... Mas a dimensão dada a esses erros era bem menor. Ora, na Copa de 82, Gentile rasgou a camisa de Zico na área. Por acaso a CBF enviou um protesto à FIFA contra o árbitro Abraham Klein? E a Seleção Inglesa? A FA tomou alguma atitude do tipo contra o juiz Ali Bin Nasser? E aqui é Copa do Mundo...
Recentemente, cada vez mais o Brasil separa o futebol do jogo. É cada vez menos sobre futebol. É sempre arbitragem, STJD, torcida, Maracanã, estádio onde pode jogar, onde não pode jogar, pontos perdidos, tapetão, briga no aeroporto, renovação de contrato... e é isso que enche o saco, definitivamente.
Olho para o futebol europeu e vejo um patamar bem diferente. E não é por questões financeiras ou pelos jogadores que nele atuam. Mas por uma simples questão de postura - dos clubes, jogadores, federações e imprensa.
Por gostar muito de futebol, realmente não posso deixar de acompanhar o futebol brasileiro, até por torcer também por um clube do mesmo. Também não posso deixar de comentar sobre tal. Mas realmente é algo que me irrita. E vou tentar, ao máximo, me concentrar no lugar onde o futebol é realmente futebol.
Não é um pênalti não marcado, um das dezenas que acontece num final de semana em um único campeonato, que vai mudar a história do jogo.
Agora, o Brasil faz parte da América do Sul 18/11
Só agora um clube brasileiro acorda para
a Copa Sul-Americana. A competição começou
a ser disputada em 2002 e estava tão desorganizada
que os clubes brasileiros, pela demora de
aprensentação do calendário do torneio,
a boicotaram. Mas toda a América do Sul
estava lá, a prestigiá-la. O San Lorenzo
foi campeão em cima do Atlético Nacional
da Colômbia. Em 2003, o São Paulo avançou
até a semi-final, quando o Cienciano o eliminou
e venceu o torneio em cima do River Plate;
nas duas edições seguintes, dois títulos
argentinos, ambos do Boca Juniors, respectivamente
em cima de Bolívar e Pumas - os clubes da
CONCACAF começaram a ser convidados a participar
do torneio, tendo inclusive uma inédita
participação estadunidense, o DC United.
O Internacional chegou às semi-finais em
2004.
Em 2006, voltamos a ter um
brasileiro entre os semi-finalistas, o Atlético
Paranaense. Mas na final, o Pachuca do México
venceu o Colo Colo, num inédito título sul-americano
a um time norte-americano. Na útlima edição,
mais um mexicano na final - o América, derrotado
pelo Arsenal da Argentina.
São seis
edições com quatro títulos argentinos e
um peruano. Sempre reclamamos aqui no Fanático
da forma que o Brasil se porta para com
a Copa Sul-Americana. A última vez foi em
setembro, no dia 16, quando reclamamos que,
quando não estão disputando nada no Brasileirão,
os clubes brasileiros alegam que brigam
por uma vaga na Copa Sul-Americana, e até
chegam a comemorá-la quando conseguem. E,
depois, na hora de jogar a Sul-Americana,
reclama-se porque tem que jogar dois torneios.
E fica corriqueiro colocar o time reserva
para jogar a Sul-Americana, uma vez que
a prioridade é mesmo o Campeonato Brasileiro.
Pela
primeira vez a história mudou. O Internacional
de Porto Alegre chega e resolve priorizar...
a Copa Sul-Americana! Colocando o time reserva
para jogar... o Campeonato Brasileiro! E
aqui é muito simples: o Inter parou de tentar
enganar-se. Passou muito tempo com aquela
história de que sonhava com Libertadores
e com título - um dos objetivos claros do
Internacional era jogar a Libertadores para
comemorar seu centenário. Mas a verdade
é que o time não engrenava no Brasileirão
e a vaga para a Libertadores foi ficando
cada vez mais distante.
Logo, um
time brasileiro finalmente teve colhões
para abrir mão do Brasileiro e pensar apenas
na Sul-Americana. O Inter começou eliminando
o Grêmio, velho rival, na ridícula fase
mata-mata entre clubes brasileiros. Passou
de fase e eliminou a chilena Universidad,
pelas Oitavas de Final. E avançou à semi-final
onde encarou o Boca Juniors, clube com quem
criou uma rivalidade justamente por causa
da eliminação na Copa Sul-Americana 2005.
Passou
pelo Boca e chegou no Chivas do México -
mais um mexicano entre os finalistas -,
a quem derrotou lá em Guadalajara, jogando
muito bem e ganhando destaque até aqui,
na capa do Fanático Esporte Clube.
É
importante que o Internacional avance à
final e ganhe a Copa. É importante para
a Copa Sul-Americana e importante também
para o futebol brasileiro. Os nossos clubes
verão o exemplo do Inter. A Copa Sul-Americana
passará a ser uma competição interessante
também para os clubes brasileiros. E com
isso, ganha a Copa, que será mais competitiva.
Claro,
estamos partindo do princípio que os clubes
brasileiros entenderão o quão valioso esse
torneio é. A Copa Sul-Americana é, de fato,
uma competição continental. É um título
tão valioso quanto a Libertadores. Boca
Juniors e River Plate disputam, e o próprio
Boca já a venceu nada menos que duas vezes.
Talvez
a CONMEBOL falhe com o marketing do torneio.
Mas é a seqüência, os títulos, as equipes
fortes que disputam e os jogos memoráveis
que a Sul-Americana precisa para fazer sua
história e ganhar prestígio.
E só
agora um clube brasileiro resolve fazer
parte da história. É como se apenas agora
o Brasil passasse a fazer parte da América
do Sul.
Já não era sem tempo.
O herói usa máscara? 11/11
No futebol brasileiro temos dois opostos.
Marcos e Rogério Ceni, respectivamente primeiro
e segundo goleiros do pentacampeonato na
Copa do Mundo do Japão. Marcos, do Palmeiras,
sempre foi visto pela torcida como um grande
exemplo: sincero, apaixonado pelo clube,
a ponto de colocá-lo à frente de qualquer
prioridade - após a Copa do Mundo, dizem,
Marcos iria para o Arsenal, que tinha o
goleiro Seaman prestes a se aposentar. Teria
desistido porque acharia injusto largar
o Palmeiras na pior fase que o clube já
enfrentou. As atitudes de Marcos não lhe
deram apenas o respeito da torcida do Palmeiras,
mas de diversas torcidas do Brasil. Marcos
é visto como, talvez, o maior ídolo da história
do clube.
Rogério Ceni é quase um
oposto. É adorado pela torcida do São Paulo,
mas contestado por parte da própria torcida.
Se Marcos é sincero, Ceni é visto por muita
gente como um atleta mascarado - e muitas
atitudes dele acabam fazendo parecer isso
mesmo. Se Marcos recusou transferência para
o Arsenal, Ceni, segundo alguns, teria forjado
uma transferência para o Arsenal para conseguir
aumento salarial. E assim, Rogéio ganhou
o ódio das demais torcidas do país. Incontestavelmente,
é o maior ídolo da torcida do São Paulo.
O atleta que mais defendeu o time. E tem
uma vantagem: sai bem do gol com os pés,
cobra falta... para uns, isso é desvantagem
- para ver o quanto torcem o nariz para
Rogério.
Fato é que temos os exemplos
de goleiro sincero e goleiro mascarado.
Mas
até onde vai a sinceridade de Marcos? Ou
até onde deveria ir? Aliás... o que é sinceridade,
nesse caso? E o que é inconveniência?
Recentemente,
o goleiro tem sido alvo de polêmica, devido
aos "problemas" que o Palmeiras
vem enfrentando no Brasileirão - se é que
estar entre os quatro classificados para
a Taça Libertadores é um problema. Inúmeras
vezes Marcos criticou, publicamente, o elenco
do clube. O ataque é um dos alvos de Marcos
- que parece não perceber que, dentre os
cinco primeiros colocados do Brasileirão,
a sua é a pior defesa. Quando o capitão
do time sai criticando a equipe dessa forma,
se expõe e cria a possibilidade de gerar
inimizades dentro do elenco. Para um time
que está na briga por um título, isso não
é nada bom, e Marcos, experiente e capitão
da equipe, deveria saber disso.
Mas
até então, tudo bem. Não é a primeira vez
que alguém, especialmente um goleiro, vem
a público tomar esse tipo de atitude.
O
problema é quando Marcos decide, aos 30
minutos do segundo tempo, sair jogando com
os pés. O que ele acha que iria resolver
dessa forma? Bancando goleiro linha do futebol?
Como um goleiro campeão do mundo pela Seleção
Brasileira toma uma atitude tão impensada
e imprudente quanto essa? Marcos expõe o
gol, expõe o time, o resultado do jogo -
era apenas 1x0 com, pelo menos, 15 minutos
pela frente. E ainda sai criticando a equipe,
afirmando que a atitude é tomada devido
à ineficiência ofensiva.
Marcos precisa
entender que esse tipo de atitude é ruim
para o time, não boa, como ele pensa. Obviamente,
Vanderlei Luxemburgo não aprova a atitude
e critica o goleiro Marcos. Chama sua atenção.
Se queixa. E com toda razão! E o pior é
que, como a crítica costuma ser contra o
Vanderlei Luxemburgo, trata Luxe como o
vilão da história, o que é absurdo. Para
muita gente, Luxemburgo quer ser a estrela
e acha ruim essas atitudes de Marcos porque
tira a atenção que, originalmente, deveria
ir para ele, Luxemburgo! Absurdo! Luxemburgo
tem toda razão em criticar o Marcos.
E
por que Marcos age dessa forma? A mim, fica
parecendo que, com o time cada vez mais
distante do título, o que enfurece a torcida
pela expectativa e investimentos feitos
para o Campeonato, Marcos está mais preocupado
em tirar o dele da reta. Em bancar o "torcedor
apaixonado em campo" para, assim, inflamar
a torcida a seu favor. Uma atitude que,
em nada, condiz com um capitão, um jogador
experiente como ele.
E eu, que sou
tão fã do Marcos...
Na data marcada 04/11
O artigo desta semana é um entre muitos
que já destacaram acertos da CBF. Mas são
acertos que vêm tardios, ao que parece,
a CBF só aprende quando quer aprender. E
foi desta forma com a Data FIFA.
A
relação seleções x clubes sempre foi um
problema. Juan Laporta, presidente do Barcelona,
certa vez declarou que um clube ter um jogador
e mandá-lo para disputar jogos com a sua
seleção nacional seria o mesmo que você
ter um carro, emprestá-lo a um amigo e este
amigo devolver seu carro quebrado, numa
alusão às possíveis lesões que um jogador
pode adquirir jogando com a seleção.
Para
tentar diminuir esse atrito, a FIFA criou
a chamada Data FIFA, que são datas específicas
no calendário da temporada para que as seleções
nacionais disputem amistosos. Os campeonatos
europeus costumam parar em época de Data
FIFA e apenas os amistosos são disputados.
Claro que ainda existe o risco do jogador
lesionar-se. Mas pelo menos um clube não
será desfalcado por causa de amistosos que
não valem nada.
Até aí tudo bem.
Mas Dunga, o treinador da seleção brasileira
que não é nem um pouco bem-quisto por imprensa,
torcida e clubes, anuncia sua lista de convocados
para amistoso contra a seleção de Portugal.
E, na lista, temos Kléber do Santos, Miranda
do São Paulo, Thiago Silva do Fluminense
e Alex do Internacional. Até aí tudo bem.
Mas logo surgem aqueles questionamentos...
o Santos ainda briga para não cair e quer
uma vaga na Sul-Americana; o São Paulo,
que acaba de virar líder, briga pelo título;
o Fluminense briga para não cair; e o Internacional
tenta subir na tabela e está valorizando
e tentando avançar na Copa Sul-Americana.
Obviamente, os clubes, treinadores e torcedores
vão reclamar de ter os seus times desfalcados
e...
Opa! Desfalcados? Mas não é
Data FIFA? Bom, é... para qualquer lugar
no mundo, MENOS no Brasil!
Qualquer
campeonato nacional ao redor do mundo parava
em Data FIFA. Menos o Brasileirão. E não
é apenas em Data FIFA para amistosos não...
o Campeonato Brasileiro não costumava parar
durante rodada de eliminatórias, por exemplo
- até parava, mas apenas NO DIA do jogo,
enquanto o correto seria parar na semana
de treino da seleção brasileira. E o pior
de tudo é que a seleção brasileira é de
óbvio interesse da CBF, assim como o Campeonato
Brasileiro. E a entidade não se organizava
nem para facilitar o calendário para que
ambas as partes se entendam.
Pelo
menos desta vez a CBF conseguiu arrumar
a situação e parou o campeonato nacional
para a Data FIFA. Não estou dizendo que
não aconteceu antes... apenas não lembro
do feito. Costumávamos ter jogos amistosos
do Brasil no mesmo dia das chamadas Data
FIFA, o que era absurdo.
O amistoso
entre a seleção brasileira e Portugal acontecerá
no dia 19 de novembro, entre as rodadas
35 e 36 do Campeonato Brasileiro. Ele precede
os confrontos entre São Paulo e Figueirense;
Fluminense e Portuguesa; Santos e Internacional;
e antecedem Coritiba e Santos; Internacional
e Fluminense; e Vasco e São Paulo. Os clubes,
com exceção dos atletas convocados, terão
uma semana de descanso.
E a CBF finalmente
aprende o que é Data FIFA! Mas é intrigante
que certas coisas sejam assim, tão simples.
E não dá para entender porque a CBF demora
tanto tempo para se organizar.
A volta à elite 28/10
Um seqüestro. Ou um tempo em detenção
num presídio de segurança máxima. A temporada
de um grande clube na segunda divisão pode
ter essas comparações. É um tempo perdido
que determinado clube "grande"
tem em sua trajetória - e esse tempo pode
virar tanto a seu favor quanto contra.
Palmeiras,
Botafogo, Grêmio, Atlético Mineiro e Corinthians
viveram essa experiência recentemente. E
todos tiveram em comum o ponto de que a
volta à primeira divisão foi comemorada
como um título. A rigor, no caso de Palmeiras,
Grêmio (o que menos comemorou) e Atlético
houve um título, que certamente deverá haver
também para o Corinthians. Mas na segunda
divisão o que realmente importa é o acesso.
E eu questiono se esse acesso é algo assim
para realmente ser comemorado.
Em
geral, a Segunda Divisão vem - ou melhor,
a ela se chega - em decorrência de incompetência
e trabalho ma-feito por parte de quem o
executa, ou seja, a gestão do clube. Transições
na diretoria, a saída de dirigentes conturbados,
como foi o caso de Palmeiras, Botafogo,
Atlético e Corinthians costumam ser causa
de queda para a segundona. Esse é um dos
fatores que preocupam o Vasco da Gama e
sua torcida, uma vez que a saída de Eurico
Miranda se assemelha com a saída de Alberto
Dualib do Corinthians e de todos os demais
casos citados. Mas isso não vem ao caso,
pelo menos agora.
Falemos da tal
volta à elite. Não do Corinthians. Nem do
Atlético, do Grêmio, do Botafogo ou do Palmeiras.
Mas sim da situação "volta à elite".
Quando
você joga a Segunda Divisão, você está se
submetendo a um processo parecido com uma
prova final, uma recuperação em colégio
ou em faculdade. Não era nem para você estar
ali. Então você tem obrigação total de reverter essa situação. Não é algo para
se comemorar. Sentir-se aliviado, talvez.
Mas você não pode comemorar o resultado
de um erro que você acaba de consertar.
Não
que a torcida não deva comemorar. Torcedor
é festa, é para fazer farra mesmo. Mas essa
iniciativa não pode partir da diretoria.
O posicionamento correto não é "Olha
só, ganhamos a Segunda Divisão, voltamos
à Primeira! Estamos de parabéns!",
mas sim "Trabalhamos duro e consertamos
a besteira que fizemos".
Ou
alguém aqui acha que o Corinthians não perdeu
nada mais, nada menos que de sua história
na tal da Série B? E assim não foi com Palmeiras,
Botafogo, Atlético Mineiro, Grêmio...
A
Série B, evidentemente, traz pontos positivos.
Clubes como Palmeiras e Grêmio realmente
mudaram sua administração com a Série B
e voltaram a ser clubes vencedores e organizados
na medida do possível. Mas aprender com
um erro, em decorrência dele não é das atitudes
mais dignas de receber parabéns.
Um
clube que cai e sobe não está fazendo mais
que sua obrigação. E um clune que se reorganiza
está tirando o atraso. E aí é que entra
o, talvez, ponto principal: o que se faz
na Série B. Como já mencionei que jogar
para subir não é nada mais que a obrigação
e que um clube que joga Série B está perdendo
uma temporada em sua história. Então o que
fazer dela? Aproveitar para ganhar tempo.
A
Série B não tem que ser jogada apenas para
subir. Tem que ser jogada para pensar na
Série A da temporada seguinte e na recuperação
do tempo perdido. É um trabalho de montagem
de elenco e de definição de metas. Grêmio
e Palmeiras fizeram esse trabalho. Em sua
volta à Série A, ambos chegaram, de cara,
ganhando vaga na Libertadores.
E
quem não o fez? Como Botafogo e Atlético?
Chegaram brigando para não cair.
Mas
voltar à elite é voltar à Primeira Divisão?
Melhor é voltar à elite de fato - o grupo
dos melhores times do país, que briga por
Libertadores, por título... foi o que fizeram
Grêmio e Palmeiras. E é o exemplo para Corinthians
ou qualquer grande que cair essa temporada,
seja Vasco, Fluminense...
Futchato 15/10
Eu acho que, na minha coluna sobre showbol,
cheguei a mencionar que o futsal é um esporte
legal. E estou aqui para retirar esse absurdo.
Não sei de onde tirei que esse balé é legal.
Futsal?
A ficha só caiu agora, que
acompanhei alguma coisa da Copa do Mundo
- e que me recusei a pôr imagens na capa
do Fanático Esporte Clube, quando até mesmo
o Mundial de Moto GP já ganhou sua capinha.
Não tem coisa mais idiota que futsal. E
olha que essa afirmação vem de um fã de
golfe. DE GOLFE!
Primeiro, a porcaria
do "esporte" mais parece um daqueles
jogos de streetball, aquela modalidade de
basquete onde o que conta é fazer jogadas
misturadas com passos de dança do hip hop.
Falcão & cia. limitada parecem mais
interessados em tornar passos de samba em
jogadas de que em jogar com seriedade. Não
que o atleta da Itália que alegou que os
dribles do jogador o "humilhavam"
e por isso quis brigar tenha razão, pelo
menos neste sentido. Mas que esses dribles
são chatos mesmo, são, ora bolas! Parecem
um bando de Ronaldinhos Gaúchos ainda mais
dançarinos.
Depois, não existe competição.
O futebol de campo é legal porque temos
Brasil, Itália, Alemanha, França, Argentina,
Holanda, Uruguai, Portugal, Inglaterra,
Espanha, México, Rússia... e um monte de
seleções que, aparentemente, não jogam nada,
mas podem surpreender. É Honduras que vence
o Brasil, a Argentina toma goleada da Venezuela...
é um esporte surpreendente onde o favoritismo
quase não significa nada.
E esse
futsal? Temos Brasil, Espanha (que tem dois
brasileiros), Itália (que só tem brasileiros,
14, o time inteiro) e... e? Incrível! Não
tem competição. O Brasil entra em campo
contra a Argentina, e a gente sá sabe que
o Brasil vai vencer. DE GOLEADA! A questão
é apenas por quanto - e aí o bolão se forma
não em torno do vencedor, mas em torno da
goleada que o Brasil vai dar.
O jogo
não tem emoção. Não tem suspense. Até parece
uma demonstração. Ora! Se é para ser assim,
façam como boxe. Peguem o campeão mundial
(a Espanha) e, para disputar o título, coloquem
um desafiante - o Brasil. Sempre que o Brasil
quisesse retomar o título mundial, desafiaria
a Espanha. Se perdesse, a Espanha continuaria
campeã. Se vencesse, o Brasil passaria a
ser o país a ser desafiado.
Mas no
geral, futsal é um saco. O jogo é fácil
e simples. As regras parecem favorecer ao
máximo a marcação de gols - comparem com
o futebol de campo, onde as regras protegem
ao máximo o goleiro. E a marcação de gols
torna-se tão absurda, mas tão absurda que
o placar se dilata a ponto do jogo perder
a graça e os próprios atletas passam a se
divertir mais levando a bola para a linha
de fundo e rebolando de um lado para o outro
com a pelota ao invés de tentar marcar mais
um gol.
Qual o objetivo desse jogo
então? Mostrar que brasileiro sabe sambar?
Então eu tenho a solução! Montem um espetáculo
tipo os Globetrotters - aquele time de basquete
que rodava o mundo fazendo exibições circenses
do esporte. Bem melhor que a FIFA perder
seu tempo (coisa que a FIFA simplesmente
ADORA) organizando calendário para um campeonato
simplesmente sem sentido.
Alguém
sabe me dizer quando acaba essa porcaria
de Copa do Mundo?
Sul-Americana... de
novo... 16/09
Já perdi a conta de quantas vezes escrevi
sobre a porcaria da Copa Nissan Sul-Americana.
Coluna mesmo, foi apenas uma. Mas o torneio
foi citado inúmeras vezes em inúmeras colunas
aqui no FEC. Citei o desinteresse dos clubes
brasileiros, a desorganização da CONMEBOL,
a forma patética como o torneio é montado,
seu calendário infeliz, etc.
E agora,
me pego em outro ponto. O Campeonato Brasileiro
oferece uma "vaga a mais" na Copa
Sul-Americana. Na verdade, o número de vagas
ainda é o mesmo: oito. Mas o que muda é
que os classificados para a competição agora
vão até o 12º lugar, não até o 11º. Isso
porque o campeão brasileiro não tem mais
vaga na Sul-Americana - antes classificavam-se
o campeão brasileiro, que também ia à Libertadores,
e do 5º ao 11º lugar. Agora vamos direto
do 5º ao 12º. Bom, finalmente uma boa idéia,
o que ainda é, diga-se de passagem, pouco,
MUITO pouco.
Como o Sport, vencedor
da Copa do Brasil, tem vaga direta na Libertadores,
caso ele fique entre os 12 primeiros, o
13º vai ao torneio menor sul-americano.
Primeiro, questiono por que fazer a "fase
brasileira" da competição. Qual o fundamento?
Por que ao invés de dar oito vagas, não
dar apenas quatro e por os times direto
na fase internacional?
Seria para
dar mais interesse ao Campeonato Brasileiro?
Mas aí é que está. De que adianta? Porque
a princípio, o time brasileiro se anima.
Equipes que ficam na zona periférica da
tabela costumam valorizar a vaga na Sul-Americana
ao final da competição. Argumentam que conseguiram
vaga na Copa Sul-Americana, coisas do tipo.
E
um ano depois, quando estão disputando a
Sul-Americana, reclamam que é impossível
disputar dois torneios simultâneos - o Campeonato
Brasileiro e a Copa Sul-Americana. Então
por que um ano antes valoriza-se a porcaria
da vaga na Sul-Americana?
O que acontece,
então, é que os times passam a escalar equipes
reservas ou mesmo equipes juvenis na Sul-Americana
e o torneio perde completamente o interesse.
Entra o São Paulo com o Sub-21 para ser
eliminado logo na primeira fase - a fase
nacional da competição. E quando um treinador
como Ney Franco, do Botafogo, decide escalar
o time titular é criticado pela imprensa
- a mesma imprensa que critica eventual
desinteresse no torneio.
Vai entender!
Me pergunto o que tem demais jogar a Sul-Americana
e o Brasileirão - sendo um na quarta-feira,
outro no domingo. O que tem de errado, uma
vez que muitas vezes o próprio Brasileirão
tem rodada dulpa.
E se o Campeonato
Brasileiro fosse disputado todo em rodadas
dulpas, nas quartas e nos domingos? Iria
poupar atletas na rodada de meio de semana
alegando que não dá, os jogadores cansam,
etc.?
Por que valorizar a vaga na
Sul-Americana então? Para depois reclamar
desta mesma vaga? Então por que não propor
um boicote ao torneio, já que foi o próprio
Brasil que tratou de boicotar a Copa CONMEBOL,
quando a CBF parou de enviar clubes nacionais
de nível relevante e passou a enviar o CSA
e o Sampaio Corrêa para disputá-la? Com
todo respeito ao CSA e ao Sampaio Corrêa,
mas...
Também nem sei por que me
dou ao trabalho de escrever um artigo sobre
este caso. É sempre exatamente a mesma coisa...
fala-se, fala-se, fala-se... e nada muda.
Showmebol 10/09
A América do Sul em muito tenta copiar
a Europa. E a CONMEBOL em muito tenta copiar
a UEFA - a Copa Sul-Americana (que já foi
Copa CONMEBOL) é uma tentativa frustrada
de ser uma Copa da UEFA, enquanto a exclusão
do Pré-Olímpico para utilizar o Campeonato
Sub20 como forma classificatória para o
Torneio Olímpico são apenas dois exemplos
disso.
Por isso fica minha sugestão:
Por que não realizar a final da Copa Libertadores
em jogo único, como acontece com a Liga
dos Campeões da UEFA? E também em sede intinerante,
como o torneio europeu, a maior competição
de clubes do mundo?
Quais benefícios
isso traria?
Primeiro, tornaria a
decisão da Libertadores mais emocionante.
O jogo único não se compara com finais ida
e volta, onde o clube pode recuperar o prejuízo
de um jogo na partida seguinte. Depois,
a sede intinerante daria um caráter de campo
neutro à partida. Teríamos uma decisão entre
Fluminense e LDU, por exemplo, em La Bombonera.
Ou um Boca Juniors e Olímpia no Morumbi
ou no Maracanã. E o fator campo neutro aumentaria
as impossibilidades do jogo.
A oportunidade
financeira e econômica do jogo único também
seria boa. A cidade-sede em questão poderia
fazer grande promoção em cima do evento
- por exemplo, uma final em Lima, ou em
Caracas... toda a Libertadores, durante
todo o período de realização do torneio,
teria uma campanha voltada para a grande
final na cidade em questão.
E isso
também ajudaria o evento a repercurtir internacionalmente
e a dar fama ao estádio. Uma final histórica
sempre agrega valores ao local que recebeu
o jogo. A cobertura de TV também seria maior
em cima do próprio jogo - uma final no Maracanã,
certamente teria total cobertura da Rede
Globo, detentora dos direitos da CBF que
geralmente só exibe a final da Libertadores
quando há um clube brasileiro na disputa.
Finalmente,
isso seria um grande lucro para os dois
finalistas, para a cidade, para o clube
(ou a prefeitura/governo) detendor(a) do
estádio e para a CONMEBOL.
E a mesma
atitude poderia ser tomada em relação à
final da Copa Sul-Americana.
Um evento
que faz a mesma divulgação e que é um sucesso
mundial é o Super Bowl, a final da Liga
de Futebol Americano dos Estados Unidos.
Ao lado da final da Liga dos Campeões da
UEFA, é o evento clubístico de maior audiência
na TV mundial.
Essa é uma sugestão
que só faria benefício à CONMEBOL, à Libertadores
e ao futebol sul-americano.
Mas boas
idéias geralmente não costumam ser cogitadas
na CONMEBOL.
Feito Criança 04/09
Um menino chorão. Que faz beicinho. Birra.
Reclama. Bate o pé. E no final das contas
só quer fazer o que quer. Pela segunda vez,
Robinho age exatamente dessa maneira. E
quando estamos falando de um assunto sério,
que é o futebol, envolvendo milhões de cifras,
essa nunca é uma boa atitude para carreira
de um jogador. E é a segunda vez que Robinho
a toma.
A princípio, jogando pelo
Santos, tudo estava bem com Robinho, bi-campeão
brasileiro pelo clube e herói de ambas as
conquistas. Só que de repente, Robinho cismou
em mudar de clube. Queria porque queria
ir jogar em time europeu - e com ajuda de
Wagner Ribeiro, empresário, e interesse
do Real Madrid, sua cabeça estava toda na
Europa. De fato, Robinho já estava há um
bom tempo em terras brasileiras. Defendia
o clube profissional há três anos, o que,
pasmem, chega a ser muito hoje em dia (!).
Jogadores muito mais fracos que Robinho,
como seu companheiro William (à época no
Porto) conseguem transferência muito mais
rápido. E, para estourar para o futebol
mundial, Robinho realmente precisaria jogar
na Europa - coisa que até a Placar defendeu,
lançando a campanha "Vai, Robinho!"
em contraste com a "Fica, Robinho!",
que os torcedores lançaram.
O clube
não queria liberar de jeito nenhum. O presidente
Marcelo Teixeira tentava de toda forma segurar
Robinho. E qual foi a atitude que Robinho
tomou? Birra. Se recusou a jogar. E até
mesmo a treinar. Declarava publicamente
que queria jogar no Real Madrid e que o
Santos não o liberava, que isso era errado,
etc.
Tanto que insistiu que Robinho
ganhou a queda de braço. Entrou em acordo
com o Santos e jogou até o final de agosto,
para depois transferir-se para o Real Madrid,
onde chegou mais que badalado - recebeu
a camisa #10 de Alfredo Di Stéfano, só para
se ter idéia do tamanho do alarde, e até
status de gênio ganhou da revista Placar.
A presença de Luxemburgo em Madrid sem dúvida
ajudou.
Com o passar do tempo se
viu que Robinho era supervalorizado. O jogador
vez por outra produzia bem, dando eventualmente
passes a gol e até mesmo marcando o seu
golzinho. Mas tava claro que Robinho rendia
bem menos do que se esperava dele, e a reserva
passou a ser fato constante. Nunca se firmou
no time titular, nunca convenceu. E aí passou
a declarar publicamente que o treinador,
fosse ele Fabio Capello ou Bernd Schuster,
não confiava nele, e por isso se sentia
infeliz em Madrid - queria ser titular,
queria ser o homem de confiança, queria
ter seu lugar no time, etc. Isso tudo se
somava aos problemas com as convocações
para Seleção Brasileira onde, diga-se de
passagem, Robinho não chegava a contrariar
o clube.
Mas parece que Robinho encarou
como a gota d'água ser "moeda de troca"
por C.Ronaldo junto ao Manchester United.
O jogador declarou, novamente publicamente,
que se sentia infeliz com essa situação.
Ramón Calderón, presidente do clube, declarou
que Robinho chegava a chorar e ameaçar encerrar
a carreira.
Eu gostaria de saber
por que tanto orgulho da parte de Robinho?
Por que se ofender em ser moeda de troca
por alguém que é, simplesmente, o melhor
jogador do mundo? Se um clube deseja contratar
um jogador grande junto a outro clube, é
natural que ofereça alguém que seduza o
clube vendedor - ou seja, alguém que seja
considerado um bom jogador. Era nesses termos
que o Real Madrid colocava Robinho. Se estivessem
oferecendo-no em troca de John Arne Riise
eu até entenderia. Mas não! Robinho estava,
de certo modo, valorizando seu passe. Como
o negócio não foi concluído, naturalmente
o Real Madrid tentou continuar com Robinho.
Mas aí o brasileiro tornou-se um chorão,
disse que queria sair do clube, insistiu,
declarou que o Chelsea queria contratá-lo,
tentou forçar a transferência... igual a
sua época de Santos. Revemos o mesmo filme.
As
coisas não saíram como Robinho queria e
ele acabou indo parar no Manchester City,
um novo rico que acha que isso irá torná-lo
o maior clube do mundo - fosse assim, teria
funcionado com Tottenham, West Ham e mais
uma porrada de clubes ingleses. Um retrocesso
na carreira de Robinho, sem dúvidas. E também
algo que suja sua ficha, o colocando como
um jogador chorão que sempre que esquenta
o banco se sente insatisfeito e demanda
troca - atletas do Chelsea chegaram a declarar
que não queriam ter um companheiro de clube
como ele.
Fernando Morientes, jogador
MELHOR que Robinho, sempre foi uma grande
moeda de troca para o Real Madrid e nunca
se posicionou dessa forma. Então por que
tomar esse tipo de atitude agora? Demandar
sair do melhor clube do mundo, o maior vencedor
da história do futebol? Orgulho. Fosse orgulho,
Robinho ficaria em Madrid e se esforçaria
para melhorar e mostrar que ele era um investimento
válido, não uma moeda de troca.
Robinho
foi um jogador que custou caro para tomar
esse tipo de atitude. Acabou indo parar
"no outro" clube de Manchester.
Tudo porque não queria ser moeda de troca
para jogar no... Manchester United.
Chorar
demais dá nisso.
Sempre sobra para o
futebol masculino... 27/08
A medalha de bronze da Seleção Brasileira
de Futebol é um resultado vergonhoso. Da
Seleção Brasileira de futebol esperava-se
medalha de ouro, e se a preparação ruim
é uma justificativa, pouco importa. Era
obrigação da CBF fazer uma boa preparação
para a Seleção Olímpica, uma vez que este
é "o único título que falta" e
é algo que o Brasil sonha há anos, "batendo
na trave" em 1984 e 1988, anos em que
a Seleção voltou com a prata. Mas
por que cobra-se desta maneira apenas do
futebol masculino?
A Seleção Feminina
tem sido tratada como heroína pela prata.
Tudo bem que com a preparação e estrutura
que o futebol feminino tem na atualidade,
a prata é um bom resultado. Mas essa é uma
prata que se repete há dois eventos — nos
Jogos Olímpicos de Atenas e na Copa do Mundo
da China. Na Copa do Mundo a Seleção Feminina
goleou a suposta favorita, os Estados Unidos,
por 4x0. Aqui em Pequim, goleou a suposta
favorita, a Alemanha por 4x1. Então não
é por falta de estrutura ou preparação que
o ouro não vem. A Seleção Feminina pipoca
na hora H. É fato. Então está na hora de
começar a se cobrar desta Seleção Feminina.
Não apenas parabenizar quase-sucessos.
O
vôlei masculino é um esporte que vem acumulando
títulos há um bom tempo. Somos gratos. Mas
esta prata não veio por um vacilo ou porque
a Seleção Estadunidense, que é muito boa,
seja infinitamente melhor. Há um problema
de comando e de relacionamento na Seleção,
coisa que atrapalhou o trabalho na Liga
Mundial e nas Olimpíadas — e teve seu expoente
na estranha saída de Ricardinho, até hoje
mal-explicada. Por que não cobrar da seleção
de vôlei agora?
E também, claro,
Diego Hypólito, que rejeita o título de
amarelão por ter caído na hora H. Em Atenas
quem falhou foi Daiane. Passou-se a mão
em sua cabeça. Não podemos fazer o mesmo
por Diego. O atleta merece reconhecimento,
sim, claro. Mas não pode ser tratado como
herói por ter errado. Não podemos dizer
"Parabéns Diego, o importante é que
você tentou". Mais útil, até para o
desenvolvimento do atleta, é dizer "Diego,
você é bom, mas não pode cometer esses erros
em momentos decisivos. Precisamos trabalhá-los".
O
que não podemos ter de maneira alguma é
uma seleção de futebol masculino supercobrada
e atletas que, quando erram, ainda são heróis.
O
peso do favoritismo 20/08
Ninguém da CBD, precursora da CBF, disse,
em 1958, ao desembarcar na Suécia, que estava
trazendo na sua delegação o futuro melhor
jogador de futebol do mundo. Em 1978, a
AFA, Associação Argentina de Futebol, não
convocou o menino Maradona para a Copa do
Mundo - muito menos afirmou que estava ali
o futuro melhor jogador do mundo. O Chicago
Bulls, quando recrutou um jovem chamado
Michael Jordan em 1984, também não anunciou
à imprensa que estava recrutando o futuro
melhor jogador de basquete do mundo. E Cassius
Clay não chegou em Roma, para as Olimpíadas
de 1960, dizendo que seria um dia o maior
boxeador de todos os tempos sob a alcunha
de Muhammad Ali.
Nada disso foi informado.
Mas tudo isso se sucedeu. Assim como uns
certos rapazes de Liverpool que não paravam
de tocar na rádio nos anos 60 queriam apenas
imitar Elvis Presley e não se esperavam
virar a banda de rock mais popular do planeta,
ou o ator que de maquiagem branca no rosto,
bigodinho, chapéu-coco e bengala, ilustre
ateu britânico, sequer imaginava que sua
figura se tornaria sinônimo de cinema -
e se você não sabe que eu me referi aos
Beatles e a Charles Chaplin, tome vergonha
na cara.
O fato é que as lendas aconteceram
de forma inesperada. Vieram, encantaram
com seu sucesso, surpreenderam e tornaram-se
os maiores do mundo. Daí surgiu a pressão
com qual elas tiveram de lidar. Pelé fracassou
na Copa da Inglaterra em 1966. Michael Jordan
parou "por baixo", jogando nos
fracos Washington Wizards. Os Beatles acabaram
em 1969. E Charles Chaplin nunca veio a
ganhar um Oscar - só pelo conjunto de sua
obra, já depois de aposentado. Toda lenda
sofre seu momento de pressão.
Mas
como seria você afirmar desde anônimo que
seria uma lenda? Você chegar num lugar dizendo
"Sou o melhor do mundo. Serei o maior
que vocês já viram. Podem me cobrar"?
Automaticamente, a pressão vai ser muito
maior.
Assim Michael Phelps aconteceu.
Chegou em Atenas falando em superar os números
de Mark Spitz, sete ouros em Munique 1972.
Foi secado por muita gente, que riu quando
ele terminou os Jogos "apenas"
com seis ouros. Mas o Phelps manteve o objetivo
para Pequim. Chegou em Pequim já como lenda,
já como o maior nadador de todos os tempos,
por tudo que fez em campeonatos mundiais
neste intervalo de quatro anos entre Atenas
e os jogos atuais. E com uma pressão gigantesca
sobre seus largos ombros.
E foi divertido
como Phelps lidava com essa pressão com,
ao mesmo tempo, segurança, auto-confiança,
mas sem ser esnobe ou metido. Chegava a
ser quase humilde. Baseava-se na certeza
de que é um bom nadador e que estava dedicando-se
para atingir este feito memorável. Sua simpatia
e espontaneidade era tamanha que o número
de secadores diminuiu e, automaticamente,
Phelps conquistou uma gigantesca torcida
que queria ver a marca de Spitz ser quebrada.
Um
por um, Phelps tratou de conquistar os ouros
que prometeu. E explicou que, para chegar
a tanto, teve de abrir mão de muita coisa.
Em outras palavras, seu discurso trazia
implícito a mensagem "Eu trabalho duro
para atingir minhas metas". Mas, durante
todo o tempo, Phelps assumiu seu favoritismo,
o que é o mais importante aqui.
Me
pergundo então por que tantos têm medo.
Por que tantos, como a Seleção Brasileira
de futebol não se assumem favoritos. Por
que sempre existe um receio de quebrar a
cara depois. Por isso o favoritismo pesa
para muita gente.
Mas aí vem Michael
Phelps e muda toda a história. O favoritismo
pode ser um grande rival de um atleta. Phelps
o trabalhou a seu favor e fez dele um aliado.
Isso deve valer mais que oito medalhas de
ouro.
Favoritos
que caem 12/08
Dois campeões mundiais de suas categorias.
Tiago Henrique de Oliveira Camilo venceu
o Campeonato Mundial na categoria meio-médio
(81kg) em 2007. João Derly de Oliveira Nunes
Júnior, o primeiro brasileiro a conquistar
um título mundial no esporte, conquistou
os Mundiais de 2005 e 2007 na categoria
meio-leve (66kg). Em outras palavras, tínhamos
a disposição os dois melhores do mundo em
suas respectivas categorias - o atual campeão
mundial meio-médio e o bi-campeão mundial
meio-leve.
Mais que isso, Tiago Camilo
foi apontado como o melhor judoca do mundo
em 2007.
Logo em sua segunda luta,
Derly, que disputava sua primeira Olimpíada,
caiu. Na luta seguinte, seu algoz, Pedro
Dias, também foi derrotado, e as chances
de Derly em lutar pelo menos pelo bronze
terminaram. Fim de papo. Não tem mais Olimpíada
para Derly - que chegou até mesmo a reclamar
da arbitragem após sua derrota.
Já
Tiago Camilo, medalha de prata nos Jogos
Olímpicos de Sydney, chegou a se prolongar
um pouco mais: depois de passar pelo iraniano
Hamed Mohammadi com ippon, Camilo foi à
sua terceira luta, onde enfrentou o alemão
Ole Bischof. Perdeu com dois wazari, que
somando completam um ippon, e foi eliminado.
Mas, como havia chegado à terceira rodada,
tinha ainda a repescagem por lutar. E na
primeira rodada da repescagem, bateu o estadunidense
Travis Stevens e avançou à segunda rodada,
estando a duas lutas de mais uma medalha
de bronze. A final da repescagem seria contra
Euan Burton. Contra Burton, medalha de bronze
no mundial de 2007, Tiago parecia ter dificuldades
para encaixar golpes ou mesmo para segurar
as mangas de seu kimono. Mas encaixou um
belíssimo wazari e, mesmo tomando duas penalizações
Shido I (que equivalem a dois kokas contra)
venceu e classificou-se para a disputa da
medalha de bronze, que conquistou sobre
o holandês Guillaume Elmont, também com
um wazari.
Mas o ponto para mim não
é esse. O bronze é uma medalha válida, mas
me pergunto o que acontece com dois campeões
mundiais que ao chegarem nos Jogos Olímpicos
simplesmente perdem suas lutas. Tudo bem
que Camilo estava com a mão machucada, mas
se venceu três adversários em seqüência
pare chegar ao bronze, o que faltou para
derrubar Bischof?
E quanto a Derly,
bi-campeão mundial? Onde estava toda sua
técnica que o levou ao ouro mundial - sendo
o primeiro brasileiro a atingir o feito,
depois repetido justamente por Camilo?
Também
podemos juntar ao time de decepções o Thiago
Pereira, que vem sendo um grande fracasso
na natação olímpica. Mas esse aí só era
favorito na cabeça dos brasileiros.
O
que acontece com Derly e com Camilo é um
filme que se passa em nossas cabeças nos
Jogos Olímpicos, e aí podemos tomar como
exemplo Daiane, que em 2004 era campeã mundial
e fracassou nos Jogos Olímpicos, de favorita
ao ouro a medalha nenhuma. O vôlei de quadra
feminino, de campeãs do Grand Prix e favoritas
ao ouro em Atenas a medalha nenhuma no final
das contas. Também em Atenas a ex-esgrimista
Élora Pattaro, campeã mundial juvenil, caiu
logo na primeira luta, o que não foi nada
de absurdo, uma vez que ela pegou de cara
Elena Jemayeva, bicampeã mundial. Mas e
quanto a Sydney quando Adriana Behar e Shelda
falharam no seu favoritismo em ganhar o
ouro?
Ao que me parece, supervalorizamos
como um todo a delegação brasileira. Colocamos
chances de medalha em cada atleta, em cada
modalidade brasileira, sem parar para pensar
que do outro lado estarão adversários fortes
e preparados.
Então questiono onde
está a preparação para os Jogos Olímpicos?
Porque um atleta lida naturalmente com um
Campeonato Mundial, mas quando chega numa
Olimpíada, simplesmente cai de produção?
O
Comitê Olímpíco Brasileiro tem mais com
o que se preocupar e ainda não percebeu.
Se vangloriar do número de atletas inscritos
que aumenta a cada edição não adianta de
nada se não podemos compensar com resultados.
Quase
hein 06/08
A Seleção Brasileira Feminina de Futebol
vive um momento parecido à Seleção Brasileira
Masculina entre 1930 e 1954, quando o Brasil
contemplava um status de "semi-potência"
do futebol mundial. Aquela Seleção Brasileira
participou das Copas de 1930, 1934, 1938,
1950 e 1954. Não fez grande coisa nas duas
primeiras, fez uma campanha surpreendente
em 1938 conquistando o bronze, em 1950 foi
vice-campeã e em 1954 foi eliminada pela
favorita Hungria. E nesse tempo, houve a
conquista do Campeonato Sul-Americano de
1949, a atual Copa América.
Falta
para essa Seleção Feminina um 1958. Um campeonato
para a consagração completa.
A Seleção
Feminina até aqui participou de todas as
Copas do Mundo realizadas, como a masculina.
Em 1991 e em 1995 eliminação na primeira
fase. Em 1999, terceiro lugar. Em 2003,
foi eliminada de supetão nas quartas-de-final
em 2003, depois de ter goleado a favorita
Noruega na primeira fase por 4x1. E em 2007,
vice-campeonato.
Diferentemente do
futebol masculino, no feminino o Torneio
Olímpico importa. Em 1996 e em 2000, quarto
lugar. Em 2004, vice-campeonato, após derrota
para os Estados Unidos, a antiga potência
mundial, na final. Da mesma forma que nas
Copas do Mundo de 1991 e 1999, havia os
Estados Unidos no meio do caminho.
Durante
esse período, a Seleção Brasileira feminina
só atingiu a excelência em torneios continentais.
Ganhou todos os Sul-Americanos de 1991 a
2003, ficando em segundo em 2006. E foi
Campeã Pan-Americana em 2003 e em 2007 —
nesta última ocasião, as meninas golearam
a Seleção dos Estados Unidos (formada por
universitárias) por 5x0 na final.
A
algoz da Seleção na final da Copa de 2007
foi a Alemanha. A nova potência mundial.
O
problema parece ser o fato de que esta Seleção
Brasileira feminina está sempre quase lá
enquanto existem outras que JÁ estão lá.
Ou seja... esta Seleção nunca chega a ser
a potência. E, existindo outra ocupando
este patamar, deixa a Seleção Brasileira
por baixo quando o bicho pega.
Hoje,
para a Seleção Brasileira, vencer a Alemanha
é um tabu. Se olharmos para o histórico,
nem é um tabu assim tão recente. Desde 1991
em competições oficiais, Brasil e Alemanha
tinham se enfrentado seis vezes. Foram quatro
derrotas e dois empates.
O sétimo
confronto abriu os Jogos Olímpicos de Pequim,
esta manhã. E mais um empate, em 0x0.
O
Brasil nunca venceu a Alemanha. Este é um
fato que pode incomodar, principalmente
se ambos se pegarem na semifinal ou final.
O tabu pode pesar. E aí não interessa se
temos Marta duas vezes eleita melhor jogadora
do mundo, porque futebol é esporte coletivo
e a responsabilidade de um time todo pra
um jogador só funcionou apenas com um tal
de Maradona.
Está mais que na hora
desta Seleção crescer. Do contrário vai
ficar sempre no quase.
(Des)Preparo 29/07
Pergunto-me porque é desse jeito. Porque
não há um preparo decente. Porque não enfrenta-se
rivais a altura.
Para a Copa do Mundo
da Alemanha, os adversários na preparação
foram Rússia... que ainda não era essa Rússia
bem-armada por Guus Hiddink, OK, mas ainda
era um adversário forte. Mas em seguida
vieram os patéticos Seleção de Lucerna seguido
da Nova Zelândia.
Em 2002, quando
Scolari tinha o comando da equipe, a preparação
foi um pouco melhor. Envolveu amistosos
com a Bolívia, a Arábia Saudita, a Iugoslávia,
a Catalunha e Portugal. As seleções mais
fracas, como Islândia e Malásia estavam
no programa, também. Mas foram sete amistosos
contra apenas três de preparação para a
Copa passada.
Para a Copa do Mundo
da França, mais um preparo bem-feito. Participação
na Copa de Ouro, da CONCACAF, onde enfrenta-se
Jamaica duas vezes, país classificado para
aquela Copa e Estados Unidos. Ainda houve
um amistoso contra a Alemanha, um contra
a Argentina o outro contra o Athletic Bilbao.
Os sacos-de-pancada Guatemala, El Salvador
(ambos pela Copa de Ouro) e Andorra estavam
lá, claro. Mas foram oito jogos. E uma Copa
bem-feita, com o vice-campeonato.
Antes
do tetra, na Copa dos Estados Unidos, tivemos
Argentina e um combinado entre Paris St.
Germain e Bordeaux. Depois vieram os sacos-de-pancada
Islândia, Canadá, Honduras e El Salvador.
Mas pelo menos foi um bom volume de adversários:
seis. E um deles forte, a Argentina. Seleção
Brasileira campeã.
Para os Jogos
Olímpícos de Sidney, a preparação para o
Pré-Olímpico foi feita contra Trinidad &
Tobago e Costa Rica. E pós-Pré-Olímpico
tivemos dois amistosos com o Chile, um contra
o Brisbane Strikers e outro contra Marconi-Farfield,
ambos da Austrália. E naquela época disputava-se
ainda o torneio Pré-Olímpico, que servia
de preparação. A campanha nos Jogos resultou
em fracasso. Para os Jogos Olímpicos de
Atlanta, a preparação para o Pré-Olímpico
foi feita contra Bulgária e Ucrânia. Pós-pré-Olímpico,
contra a Dinamarca e a Seleção da FIFA.
No final, o Brasil ainda voltou com o bronze.
Apesar
do fracasso de 2000, a história massa que
uma Seleção Brasileira bem preparada tem
mais chances de obter sucesso na competição
que disputa - seja Copa do Mundo ou Jogos
Olímpicos.
Então por que repetir
a preparação da fracassada Copa do Mundo
da Alemanha? Por que este Brasil de Dunga
se assemelha tanto ao de Parreira nos adversários
que enfrenta?
Repetindo os mesmos
erros... me pergunto onde isso vai chegar.
Já não tivemos Pré-Olímpico - não que isso
seja ruim, mas significa menos preparação.
E agora, quando tem de haver a preparação...
realiza-se uns jogos-treino contra equipes
juvenis de clubes cariocas. Enfrenta-se
Cingapura e o Vietnã.
Não que o ouro
não possa vir sob circunstâncias nenhuma.
Mas, caso a Seleção Brasileira perca na
China... Dunga será questionado sobre a
preparação. E certamente vai se irritar.
Então por que não poupar esse argumento
dos críticos, elaborando uma praparação
melhor?
Impasse
Olímpico 22/07
O futebol não é olímpico. Nunca foi.
E cada vez o é menos. Até quando FIFA e
COI (Comitê Olímpico Internacional) vão
manter as aparências e deixar o esporte
no programa dos jogos - ocupando vaga de
esportes que seriam muito mais interessantes
para o evento, como futsal, hóquei em patins,
patinação, decatlo... são esportes que mantém
a ideologia amadora, algo que faz parte
dos Jogos Olímpicos.
Na verdade,
esse é o problema. O futebol é um mundo
à parte dos Jogos Olímpicos - assim como
o tênis. Tudo bem que os demais esportes,
como a NBA, a natação, o atletismo ou o
ciclismo têm suas grandes e milionárias
estrelas profissionais. Mas no geral, esses
esportes, ao redor do mundo, mantém um pouco
de seu amadorismo original, o mesmo amadorismo
que faz parte da ideologia dos Jogos Olímpicos.
De qualquer forma, quando se pensa em Jogos
Olímpicos, não se pensa em futebol. Se pensa
num atleta correndo numa pista. Se pensa
nisso - no esporte individual, na natação,
atletismo, lançamento de disco, de dardo,
de martelo, marcha atlética, maratona, 100m
com barreira, salto de plataforma, tiro
com arco, luta livre... tudo isso é mais
olímpico que futebol.
Há muito que
o futebol não é amador. Lá nos anos 30 o
esporte que viria a ser conhecido como o
"mais popular do mundo" já estava
tomando forma profissional - e, naquela
época, já havia a briga entre amadores e
profissionais, com os profissionais levando
larga vantagem. Mas os Jogos Olímpicos insistiram
em manter o futebol como amador dentro dos
jogos. Não poderia dar certo.
O quadro
de medalhas futebolísticas nos Jogos Olímpicos
é estranho. A primeira medalha de ouro foi
para o Reino Unido da Grã-Bretanha, uma
vez que Inglaterra, País de Gales, Irlanda
do Norte e Escócia competem unificado em
todo programa dos Jogos Olímpicos. O segundo
ouro vai para o Canadá (!), o terceiro e
quarto para a Grã-Bretanha de novo e o ouro
seguinte para a Bélgica. Os dois ouros do
Uruguai já marcam a guinada do futebol para
o profissionalismo, precedendo a primeira
Copa do Mundo. Acontece que para o resto
do mundo, ali, o futebol virou profissional.
Para os Jogos Olímpicos, não.
Enquanto
nas Copas do Mundo Brasil, Alemanha, Itália,
Holanda, França ou Argentina dominavam o
cenário, para os Jogos Olímpicos a Hungria,
a União Soviética, a Iugoslávia, a Tchecoslováquia,
a Polônia e a Bulgária eram forças dominantes
- pois jogavam com o mesmo time que disputava
a Copa do Mundo. Sob regimes comunistas,
os jogadores da União Soviética ou Hungria
poderiam ser profissionais em termos de
estrutura, mas em termos legais eram atletas
amadores. Portanto as mesma seleções que
em Copas do Mundo iam longe, mas não venciam
forças profissionais como Brasil e Alemanha,
nos Jogos Olímpicos massacravam essas mesmas
seleções, formadas basicamente por jogadores
jovens, inexperientes amadores.
Com
o tempo, os Jogos Olímpicos se profissionalizaram.
Até as estrelas milionárias da NBA, como
Magic Johnson, chegaram a disputar o torneio
de basquete. Mas o futebol não se profissionalizou
totalmente. Tudo bem que hoje em dia, jogador
profissional pode jogar - mas existe a restrição
de 23 anos, com exceção para três jogadores.
O que é estranho. Por que três? Por que
não quatro? Ou um? Em que se baseia este
número?
E por que jogadores de até
23 anos - quando campeonato nenhum no mundo
usa esta idade, mas sim o limite de 19,
20 ou 21 anos? De onde vem este padrão olímpico?
E se abriu completamente pro basquete, por
que não abrir pro futebol?
Aí me
lembro que o futebol tem interesses econômicos
mundiais maior que o basquete. Que a NBA
pode ser uma megaliga, mas ela é apenas
norte-americana. As ligas de basquete na
Europa ou na América do Sul não são TÃO
profissionais assim. Já o futebol é um negócio
de milhões, de muitos interesses econômicos
em qualquer parte do mundo.
Não adianta
chorar para liberar Robinho ou qualquer
outro agora. E não adianta a FIFA querer
interceder. A melhor forma da FIFA interceder
seria tirando definitivamente o futebol
dos Jogos Olímpicos.
Até
onde vai o Flamengo 15/07
Título? Libertadores? Ou é apenas um
cavalo paraguaio e o máximo que pode almejar
é uma vaga na Copa Sul-Americana?
Certamente,
não acredito na última opção. Hoje, diria
que o Flamengo ficaria entre o título e
a briga por uma vaga na Copa Libertadores
- a continuidade de um belo trabalho do
clube, iniciado em 2006, mas que teve sua
consistência definitiva em 2007, com uma
surpreendente reação no Campeonato Brasileiro,
onde terminou em terceiro lugar.
Mas
esse time do Flamengo realmente pode conquistar
o título - que o clube já não conquista
a 14 anos? Eu realmente tenho minhas dúvidas
da capacidade do time, com uma ressalva.
Primeiro,
ao analisar o elenco do Flamengo, não encontro
nada de extraordinário - com exceção, talvez,
do grande zagueiro Fábio Luciano. Não vejo
nada demais em Juan, muito menos em Leonardo
Moura, que muita gente vem exaltando. Não
diria que sejam dois bons laterais, mas
sim que são dois jogadores esforçados -
uma vez que meu exemplo de lateral é mais
centrado em gente como Gary Neville ou Franco
Baresi e Paolo Maldini, no desempenho desta
função. Mas os dois têm o seu papel, só
não são jogadores de Seleção Brasileira
como muita gente quer pintar. Ibson é uma
peça importante, ao meu ver, no esquema
da equipe, assim como Kléberson. E pára
por aí.
Para o ataque, Marcinho vem
fazendo um grande trabalho, mas está longe
de ser um nome matador. De qualquer forma,
Marcinho vem sendo jogador decisivo, o que
é importante para o sucesso da equipe. Obina
não é jogador de futebol, mas é igualmente
esforçado e acaba, muitas vezes, sendo capaz
de decidir um jogo. Souza é um atacante
horrível. Bruno é um goleiro irregular.
Então o clube não difere muito de São Paulo,
Palmeiras ou Cruzeiro.
Realmente,
com o Cruzeiro o Flamengo guarda algumas
semelhanças. Mas destaca-se do clube mineiro
enquanto sua regularidade em campo - fator
que coloca o Flamengo em primeiro e o Cruzeiro
em segundo na tabela. Para Palmeiras e São
Paulo, a diferença é uma só: o Flamengo
é um time organizado, que joga. Tem esquema
de jogo.
Não que São Paulo e Palmeiras
não tenham esquema de jogo... e aqui talvez
entre um fator que incomoda muito os dois
clubes paulistas e não tem afetado o Flamengo:
a janela de transferências européia. Palmeiras
e São Paulo são duas equipes desorganizadas
e displicentes, parecem desconcentradas
em campo. Muito atribui-se à cabeça de Hernanes
ou de Valdívia, que estariam voltadas para
transferências ao mercado europeu. O Flamengo
não aparente ser um time que vá se prejudicar
com esse tipo de coisa, até porque não tem
jogadores que saltem aos olhos - ou alguém
consegue imaginar o Manchester City ou o
Villareal interessados em Obina?
Não
sei o quanto isso tem afetado realmente
o desempenho do clube. Mas o fato é que
os dois têm atuado mal, jogam com um meio-campo
totalmente sem organização. O Tricolor Paulista
parece ter recuperado um pouco o foco no
Campeonato, o que, definitivamente, não
é o caso do Palmeiras - ainda.
O
Flamengo aproveita este momento irregular
dos clubes paulistas, e a irregularidade
constante do Cruzeiro para acumular pontos
e seguir na liderança do Brasileirão.
Esse
pode ser o momento de abrir a vantagem necessária
para brigar, definitivamente, pelo título.
Algumas rodadas na frente, podemos dizer
onde, exatamente, o Flamengo estará - e
acredito que não seja nada menos que a briga
pela vaga na Libertadores.
Coluna
dupla - Fluminense na Libertadores 08/07
Se o engraçadinho que faz os artigos
de Fórmula 1 se coloca no direito de fazer
uma "coluna dupla", lançando moda
aqui na redação... me coloco no direito
de fazer exatamente o mesmo. Mas, no caso,
são colunas que abordam duas visões diferentes
a respeito de um mesmo tema: o Fluminense
e a Libertadores.
A derrota e
a perda do título O Fluminense fez
uma belíssima campanha na Libertadores.
Liderou a competição de ponta a ponta e,
se levarmos em consideração a soma de pontos
na competição, o Fluminense fez 29 pontos,
líder isolado - a campeã LDU fez apenas
17. Numa classificação por pontos, a LDU
dividiria o sexto lugar com o América do
México. E para ver como a campanha do Fluminense
foi sensacional, o segundo colocado teria
21 pontos e o terceiro 19.
Em sua
campanha, perdeu apenas dois jogos: contra
o Arsenal na primeira fase, por 2x0, quando
já estava classificado; e a primeira partida
das oitavas-de-final contra o São Paulo,
por 1x0. No total foram oito vitórias, dois
empates e duas derrotas.
Uma campanha
mais modesta foi feita pela LDU, que tinha
apenas quatro vitórias, CINCO empates e
três derrotas. Nas quartas e nas semi-finais,
a LDU passou apenas empatando e garantindo-se
no critério "gol fora de casa",
critério do qual o Fluminense em momento
algum dependeu para classificar-se.
Então
chegam os dois às finais.
A LDU envolve
completamente o Fluminense. Massacrou o
clube brasileiro no Equador, fez 4x1 no
primeiro tempo, saiu de casa com uma vantagem
por 4x2 e poderia ter sido um placar mais
elástico - e mais mortal.
E engana-se
quem acha que o Fluminense devolveu o massacre
no Maracanã. O Fluminense jogou bem, sim.
Mas o time não possuía nenhuma organização
em campo, nem ofensiva nem defensiva. Basicamente,
o clube dependeu de uma atuação inspirada
de Thiago Neves - o que não é de costume
- e da marcação incansável de Thiago Silva
e Arouca na defesa, sempre correndo para
tirar bolas que teriam aniquilado completamente
o Fluminense no jogo. Isso porque a LDU
era um clube completamente organizado. Ao
contrário de Conca, de Washington, de Dodô
& cia. limitada, perdidos em campo,
Urrutia, Salas, Guerrón e Bieler sabiam
exatamente o que estavam fazendo em campo.
Foi assim que a LDU fez o gol a cinco minutos
de jogo e dominou o restante do segundo
tempo e toda prorrogação - diferentemente
do Fluminense, que fez seus gols mais na
base da garra que da técnica.
E isso
que foi fatal ao Fluminense. Jogou com garra
demais, técnica de menos. Fisicamente, o
time estava morto - e isso afeta na hora
de cobrar pênalti. A LDU era um time mais
organizado, por isso foi melhor, por isso
conquistou o título nos pênaltis.
Um
grande time não comete excessos, mas joga
o que sabe jogar.
O que impede
o Fluminense de alcançar outra final de
Libertadores? O Fluminense investiu
muito para chegar até aqui. Fez as contratações
que precisava, reforçou o time em todos
os setores. Tudo estava nos conformes. Não
é um investimento que costuma-se fazer todos
os anos. O Fluminense mobilizou-se inteiro
para ganhar a Libertadores. Todo o investimento,
toda concentração era focada aqui, na competição
sul-americana. E o Fluminense falhou.
Não
é fácil fazer outra final de Libertadores
porque não é fácil mesmo CHEGAR à Libertadores.
O Fluminense é um clube que só a disputou
em antes em 1985 e em 1971. Ou seja, não
é um clube que, historicamente, reforça-se
para ganhar competições nacionais, que são
o acesso à Libertadores.
No Brasil,
para chegar a uma Libertadores você disputa,
primeiramente com 12 clubes grandes - os
quatro de São Paulo, os quatro do Rio de
Janeiro, os dois de Minas e os dois do Rio
Grande do Sul. E aí ainda temos os paranaenses,
os times do sul, os nordestinos, os clubes
do centro-oeste... ou seja, é difícil. Não
é como uma Liga dos Campeões que você tem
poucos concorrentes para atingir uma vaga.
O
caminho para chegar à Libertadores é longo.
O Fluminense o fez ano passado, antes disso
só havia conseguido fazer há 13 anos e antes
disso há 14 anos. Se historicamente o Fluminense
tem essa dificuldade, me arrisco a afirmar
que dificilmente o clube aparece por aqui
novamente, fazendo a final.
Claro,
existem chances disso acontecer. Mas desperdiçar
essa oportunidade em pleno Maracanã foi
um grande vacilo.
Fúria
fatal 01/07
Este título do Euro 2008, conquistado
com maestria pela Espanha, é mais que o
primeiro (e único) campeonato importante
(na verdade, campeonato, seja ele importante
ou não) da seleção rubra em 44 anos - intervalo
desde sua conquista anterior, o também Euro
de 64. Ele marca a entrada definitiva da
Seleção Espanhola entre as grandes forças
do futebol mundial. O que é estranho: há
anos que os espanhóis circulam por ali...
praticamente dominam o futebol de clubes,
e com a seleção, embora não haja um histórico
de conquistas, sempre vem de resultados
que permitem a Espanha a se manter entre
as cinco primeiras posições do ranking da
FIFA. Mas os resultados não vinham.
Veio
agora, com um time com as características
necessárias para ser campeão: um bom goleiro,
o Iker Casillas; um zagueiro que pode não
ser um Beckenbauer, mas cumpre seu papel,
o caso de Sérgio Ramos; um bom volante,
como Xavi; um meia sensacional, que é o
caso de David Villa; um camisa 10 com toda
classe que lhe é necessária, o Cesc Fabregas,
que pode não ter jogado a campanha inteira,
mas foi importantíssimo na semi-final e
na final; e um centroavante goleador, o
Fernando Torres.
Curiosamente, estas
características "quase" estiveram
presentes nas campanhas anteriores, com
Andoni Zubizarreta, Fernando Hierro, Rubén
Baraja, Fernando Morientes, Diego Tristán
e Raúl. Ficou devendo. Os resultados não
vieram e uma geração que sempre era apontada
como promissora, no final das contas, decepcionava.
Em
Copas do Mundo, em 1990, ficou nas oitavas-de-final;
em 1994 nas quartas; em 1998 caiu na primeira
fase; em 2002 foi às quartas; e em 2006
voltou a cair nas oitavas. No Euro, chegou
à final de 1984 e perdeu para a França.
Em 1988 caiu nas oitavas; em 1992 sequer
se classificou para o torneio; em 1996 e
em 2000 caiu nas quartas e em 2004 saiu
na primeira fase.
A Espanha vivia
a realidade de ter seu único título importante
conquistado em casa há quatro décadas. E,
se a geração atual mantivesse a decepção
da turma de Zubizarreta, Hierro e Raúl,
seria uma grande tristeza, uma vez que esses
jogadores realmente são diferenciados. Pelo
menos quatro deles merecem vaga numa possível
"Seleção do Mundo" atualmente:
Fabregas, Villa (ambos titulares), Casillas
(que poderia ser titular ou reserva, dependendo
do momento), Torres (na reserva, mas ainda
assim entre os 23 melhores). Não lembro
de uma ocasião em que a Espanha esteve tão
bem-servida.
O gol de Fernando Torres
em cima de Jens Lehmann foi uma amostra
da facilidade com que "Il Niño"
chega bem no gol e marca tento com frieza
e tranqüilidade. Às vezes faz até melhor
que nomes mais reconhecidos como Eto'o e
Drogba. A jogada surgiu num lançamento sensacional
de Xavi que tivesse sido feito por Ballack
ou por Schweinsteiger sem dúvida estaria
sendo muito mais badalado. E Fabregas é
aquele jogador que pode fazer função de
volante e de meia ofensivo com a mesma facilidade
que Steven Gerrard, que nem ao Euro veio.
Sem
falar que a Espanha jogou num esquema com
quarto meias que emperrou o time na final.
Mas tal atitude fosse. tomada aqui no Brasil,
como aconteceu em 1970 (embora o meia Tostão
tenha ganho vaga de atacante), ou na Argentina,
seria reconhecida como um esquema corajoso
e atrevido por parte do treinador. No caso
do Aragonés e sua escolha, talvez na tentativa
de suprir a falta de Villa, nem acho que
foi a melhor opção. O jogo espanhol ficou
mais vagaroso - um esquema com três meias
e mais um atacante, para servir Torres,
talvez impulsionasse o ataque com mais facilidade
e levasse a Espanha a uma vitória mais sossegada.
Por
sinal, Villa, ausente... Enquanto para 2006
muita gente insistia em fazer de Raúl a
estrela espanhola da Copa, Villa já era
o melhor jogador do time. Mas estava no
Valencia, aí não teria vez mesmo... houve
até quem visse em Reyes um jogador para
o "futuro" da seleção espanhola
- afinal de contas, o cara passou pelo Arsenal,
Real Madrid...
Se esta Espanha vai
conseguir confirmar seu favoritismo para
a Copa do Mundo, pouco pode-se analisar.
A Seleção Espanhola viveu um momento muito
bom e teve pela frente uma Alemanha que,
embora seja uma geração muito forte, não
tem jogadores decisivos.
Por hora,
apenas observemos a Fúria em toda sua raiva.
Como
um leão 19/06
Desta vez, por alguns meses, o Sport
Club do Recife foi o melhor time do Brasil.
E o foi de forma incontestável - ao contrário
do muito contestado título de 1987. Em breve,
tudo voltará ao normal. O Sport voltará
a ser um time de médio porte. Não deve ir
muito longe na Libertadores. No máximo oitavas-de-final.
Mas isso pouco importa. Hoje, o Brasil é
do Sport. De um modo muito mais forte que,
nos últimos anos, fora de Flamengo e de
Fluminense.
É a terceira conquista
nacional do clube recifense. A primeira,
bem, o contestado título de 87. A Copa União.
O Módulo Amarelo... não é bem hora de se
comentar isso aqui. Basta resumir da seguinte
forma: para os flamenguistas, o Sport não
é campeão. Para os torcedores do Sport,
para os torcedores dos demais clubes do
Brasil, para a CBF, o Sport é campeão. E
para a mídia consciente, para a revista
Placar, para os torcedores mais centrados...
é uma questão complexa que pode ser muito
mal-resumida com um título dividido, um
asterisco e uma longa explicação.
Independentemente
disso, o Sport disputou a Copa Libertadores
de 1988. A segunda foi em 1990, a conquista
da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.
Nenhum dos dois, no entanto, compara-se
a esta Copa do Brasil. Não porque o título
de 1987 é contestado e envolve um asterisco.
Não porque o de 1990 é uma "reles"
segunda divisão. Mas porque, desta vez,
nesta ocasião, o Sport foi, definitivamente,
o melhor time do Brasil.
O Sport
anulou completamente Valdívia. Goleou o
forte Palmeiras, melhor time do Brasil pra
muitos, inclusive pra mim, por 4x1 em casa.
Isso depois de segurá-lo e garantir 0x0
no Parque Antarctica. O Sport anulou completamente
o poderoso Internacional, outro favorito
- embora este, cada vez mais, caia por água
abaixo. Isso depois de ter perdido por 1x0
no Beira Rio.
O Sport passou pelo
Vasco sem grandes problemas. Quase põe tudo
a perder quando o Vasco igualou no Rio de
Janeiro os 2x0 feitos pelo Sport em Recife.
Mas, nos pênaltis, o Sport, que dominou
os dois confrontos, garantiu a vaga na final.
Chegou a tomar 3x0 do Corinthians no Morumbi.
Diminuiu para 3x1 no final do jogo. O Corinthians
que vem invicto na Série B e que todos diziam
que vivia um melhor momento. Que era o favorito
só por causa disso (?).
O Sport massacrou
esse Corinthians na Ilha do Retiro, fez
2x0 e conquistou o título com excelência.
Comparem com a campanha do Flamengo em 2006,
que para chegar à final teve de enfrentar
o ASA de Arapiraca; o ABC do Rio Grande
do Norte; o Guarani, que estava fazendo
campanha patética na Série B em vias de
cair para a C, e caiu; um patético Atlético
Mineiro; o Ipatinga; e o Vasco, na final.
Apenas um time de primeira divisão. Dois
de segunda. O restante de terceira para
baixo.
Já o Fluminense, em 2007,
enfrentou a ADESG do Acre; o América de
Natal, aquele que fez a pior campanha da
história da Série A; o Bahia, na Série C;
o Atlético Paranaense; o Brasiliense; e
o Figueirense, para quem, por pouco, não
perdeu o título.
E vale lembrar que
o Flamengo em 2004 perdeu a Copa do Brasil
em casa para o Santo André. E em 2005 o
Fluminense fez o mesmo, para o Paulista
de Jundiaí. Finalmente um time vence a Copa
do Brasil enfrentando adversários fortes
e jogando como o melhor time do Brasil.
A Copa do Brasil é um clube exclusivo. E
o Sport agora faz parte dele.
Calando
o Boca 11/06
Final da Libertadores 2003. O Santos
de Diego, Robinho e, principalmente, de
Elano, iria pra cima do Boca Juniors sem
nenhum esquema ou jogada armada - como qualquer
time treinado por Leão. O resultado foi
o óbvio: apanhou feio. Tomou 2x0 em La Bombonera
e 3x1 no Morumbi, com show de Carlitos Tevez
e Marcelo Delgado.
Foi, basicamente,
o mesmo erro que o Palmeiras cometeu em
2000 e em 2001. Que o Vasco cometeu também
em 2001. E principalmente que o Grêmio cometeu
na final passada, o que foi comentado aqui
mesmo neste espaço.
Na ocasião de
2003, o comentarista Paulo César Vasconcellos,
então na ESPN Brasil, opinou que o time
certo para enfrentar o Boca Juniors seria
um time treinado por... Parreira! O técnico
tetracampeão Mundial havia trabalhado com
o Corinthians em 2002, quando desenvolveu
no clube paulista a política de "futebol
de resultados". Deixou o clube para
treinar, novamente a Seleção. Com Geninho
no comando, o Timão caiu nas oitavas-de-final.
E de Parreira na Seleção nem preciso falar.
Mas
a colocação de Paulo César Vasconcellos
faz todo sentido. Levando em conta o trabalho
de Parreira com o Corinthians, esquecendo,
obviamente, a final do Brasileirão 2002,
o time seria ideal para enfrentar-se o Boca
Juniors. Por um motivo simples: um time
baseado em resultado, como era aquele Corinthians,
não partiria para o desespero contra o Boca.
Não atacaria de forma imprudente e se defenderia
corretamente. E um futebol baseado na defesa
não tem que, necessariamente, ser retranqueiro
- taí a Itália, Campeã do Mundo.
Depois
que muita gente levou ferro do Boca Juniors,
aparece o Fluminense para pôr esse modo
de jogar em prática, mas de um modo ainda
melhor. Equilibrando muito mais o ataque
e a defesa de que faria o Corinthians de
Parreira em 2002.
Ouvi muita gente
dizer que o Boca Juniors foi melhor, tanto
em La Bombonera quanto no Maracanã. Não
foi. Houve quem dissesse que o Boca teria
ganho se Riquelme estivesse 100% em campo.
Não teria, porque não venceu em La Bombonera.
O
que aconteceu foi que o Fluminense, para
enfrentar o Boca, baseou o time na defesa
e no contra-ataque - mas fez isso de forma
correta, sem precisar usar a tal "retranca",
sem "ficar atrás e esperar o time abrir
para contra-atacar". O Fluminense e
Renato Gaúcho sabiam que, com um ataque
com Riquelme, Palermo e Palácio o Boca era
superior. Então de que adiantaria medir
forças ofensivas com esse Boca?
Com
dois excelentes zagueiros como Thiago Silva
e Roger, o Fluminense poderia ser um time
defensivo sem nenhum problema. Tinha segurança
para tal. Thiago Neves é quem não cumpria
com perfeição a ligação dos contra-ataques,
mas Darío Conca supriria esse problema.
Aquele ataque do Boca era um ataque nervoso
enfrentando uma defesa tranqüila e bem-preparada.
Engana-se quem acha que o Fluminense em
algum momento foi "envolvido"
pelo Boca. Tanto que, no momento que esteve
ameaçado, soube ir buscar o resultado com
prontidão. E isso porque, definitivamente,
o Fluminense controlava o Boca. Não o contrário.
Nunca
um time brasileiro atuou tão bem numa Libertadores.
E ainda acham que o Boca mete medo em alguém.
Perguntem pro Chico Buarque.
De
mar a mar 05/06
A coluna abre com o lema oficial do Canadá.
Meu país, como todos sabem. E que emoção
foi ver o meu Canadá botar a Seleção Brasileira
na roda - porque foi o que aconteceu. Mas
é de se entender que uma Seleção como a
Canadense não consiga vencer a Seleção Brasileira,
mesmo jogando melhor. Falta o costume, a
tradição. O hábito. Os atalhos do campo.
A experiência. Saber o que se pode fazer
e o que não se pode fazer num jogo de futebol,
principalmente quando enfrenta-se uma das
melhores seleções do mundo.
Poucos
foram os momentos de brilho do Brasil, enquanto
os canadenses se davam ao luxo de passar
de calcanhar, driblar, mesmo na defesa e
arriscar tiros de longa distância. Foi num
desses que Julian de Guzman marcou o gol
de empate pela segunda vez no jogo, emparelhando
o placar em 2x2. Infelizmente o mesmo Guzman
realizou um recuo de bola que nem eu entendi
e, praticamente do meio campo, pôs Robinho
na cara do gol, para marcar e decretar vitória
brasileira.
Mas foi jogo duro, não
tenha dúvida. O mesmo Robinho não conseguiu
pedalar e ainda levrou drible novamente
de Guzman em pleno campo de defesa canadense.
Rob Friend e Tomasz Radzinski deixaram os
experientes Lúcio e Juan tontos, em constantes
chances de gol da equipe norte-americana.
Júlio César foi obrigado a trabalhar duas
vezes, caso contrário o jogo teria sido
4x3 para o Canadá. Três lances que por pouco
não originaram gols, por sinal, não aconteceram
por pura falta de técnica canadense. Num
dos lances, Issey Nakajima recebeu livre
um lançamento e, de cara com o goleiro da
Internazionale, chutou para fora. Nos outros
dois, os citados chutes em que Júlio César
foi obrigado a se virar, Adrian Serioux
e Dwayne De Rosario, fossem jogadores mais
vivenciados - são dois dos poucos que atuam
na Liga Norte-Americana, a MLS - certamente
entenderiam que seus lances precisavam de
mais suavidade e técnica e menos agressividade.
Essa
Seleção Canadense é capitaneada por Paul
Stalteri, do Tottenham Hotspur da Inglaterra.
Tem Michael Klukowski do Club Bruge da Bélgica,
André Hainault do Sparta Praga, Josh Simpson
e Patrice Bernier do Kaiserslautern. Guzman
atua pelo Deportivo La Coruña. Tamandani
Nsaliwa pelo AEK da Grécia, Atiba Hutchinson
joga com o Copenhagen da Dinamarca, Jaime
Peters com o Ipswich Town e Friend é atacante
do alemão Borussia Mönchengladbach.
Nos
times americanos temos apenas seis representantes:
os já citados Serioux e De Rosario atuam,
respectivamente, pelo FC Dallas e Houston
Dynamo; pelo Dynamo também joga o goleiro
titular Pat Onstad; o goleiro reserva Greg
Sutton atua pelo Toronto FC; e Ante Jazic
defende o agora famoso Los Angeles Galaxy.
Um jogador representa a USL, liga norte-americana
inferior: Adrian Cann, do Vancouver Whitecaps.
Os
demais atuam em ligas européias, em clubes
de menor fama e expressão: Nakajima joga
no Nordsjælland da Dinamarca; mesmo país
onde está o terceiro goleiro Joshua Wagenaar,
com o Lyngby Boldklub. O quarto goleiro
Lars Hirschfeld agarra no CFR Cluj da Romênia;
Richard Hastings é defensor do Inverness
CT da Escócia e pelo Roda JC da Holanda
temos Marcel de Jong. Radzinski marca seus
gols no grego Skoda Xanthi. A convocação
encerra-se com o atacante do FC Ingolstadt
04 da Alemanha, Ali Gerba.
Por outros
clubes menores europeus estão espalhados
dezenas de canadenses em busca de descobrir
o futebol. O negócio do meu país é hóquei
no gelo. E este ano, no primeiro Campeonato
Mundial sediado em casa, perdemos para a
Rússia.
Bem
que eu disse 21/05
O Fanático Esporte Clube sempre foi categórico
nas críticas a Ronaldinho. Não que o malabarista
deva alguma coisa pra gente, ou pra nossas
críticas. Ela eram direcionadas não exatamente
ao jogador Ronaldinho. Ela eram SOBRE o
Ronaldinho, mas visavam atingir mais o público
do jogador. Aqueles que se derretiam todos
com suas jogadas. Começou a se falar que
Ronaldinho era o melhor do mundo. O cara
virou história em quadrinhos, virou até
sabor de picolé. E houve quem quisesse compará-lo
até mesmo a Maradona - quando o rapaz se
quer se compararia a Ronaldo, Fenômeno,
em seu auge.
A arrogância era tanta
que as pessoas temiam fugir do óbvio. Era
um ânimo exagerado para tal jogador na Copa
do Mundo - assim como para toda uma Seleção
valorizada demais que trabalhava de menos.
É fácil criticar agora? Pode ser. Mas não
é de hoje que dizemos isso. Quem nos acompanhou
na Copa do Mundo viu que sempre apostamos
em outras seleções: Itália, Alemanha, França
e Argentina. Os registros estão todos aí
para quem quiser confirmar.
Também
não estou chutando cachorro morto. Minhas
críticas não vêm de agora que o rapaz vai
mal das pernas - até literalmente. Dizemos
isso desde o tal "auge" do "melhor
do mundo". Nossas críticas, diferente
das demais, vêm dos dias "dourados"
de Ronaldinho.
Mas essa coluna, aí
em cima, também já foi feita. Confiram meu
registro do dia 9 de abril. Já fiz as críticas
que tinha de fazer ao Ronaldinho e aos seus
críticos (cegos)/fãs. Os parágrafos que
me restam serão para uma pergunta: o que
vai ser agora, Ronaldinho?
A página
24 da placar do último mês de abril, brilhantemente
escrita por André Rizek, dá o toque: Ronaldinho
desencanou da Seleção. Mas o Rizek devia
ter explicado que não desencanou só da Seleção.
Desencanou do Barcelona também. Parece ter
desencanado do futebol, inclusive.
Joan
Laporta, presidente do Barcelona, percebeu.
E aposto que não foi de agora, porque o
clube em muito tentou a recuperação de seu
atleta. Simplesmente não adiantava. E Laporta
cansou. Agora dá uma de Capitão Nascimento
e manda o Ronaldinho "pedir pra sair".
É claro que o clube não quer mais nada com
ele - porque há muito ele próprio não quer
com o clube.
O Ronaldinho vai sair?
Se sair, vai pra onde? AC Milan (para o
Fanático e o Lexotan: HAHAHAHAHAHAHA!)?
Isso me cheira há algum tempo no passado,
após uma Copa do Mundo, quando um outro
jogador que marcou época no Barcelona deixou
o clube, rumou para o Milan e de lá para
o ostracismo: Rivaldo. Com a diferença que
Rivaldo era um grande jogador. E não tinha
desencanado do Barça. Saiu contra sua vontade.
Declarou que não queria sair, inclusive.
E a partir do momento que saiu, aí sim,
desencanou do futebol. Permanentemente,
é o que aparenta. Hoje está no ostracismo
do futebol grego. Imagina o que seria de
um jogador já desencanado do futebol, como
o Ronaldinho.
E se Ronaldinho for
pro Milan? De que vai adiantar? Minha opinião?
De nada. Daí, o sujeito vai descer. Ou vai
ficar transitando entre clube grandes por
mais algum tempo até decair completamente
- como o Vieri, por exemplo. Não vou pagar
uma de "o Ronaldinho vai dar a volta
por cima" porque sei que isso não vai
acontecer. Nunca foi assim, não teria porque
ser agora.
E vá para a Internazionale
- clube que tem mais a cara de Ronaldinho
- ou qualquer um outro, não tem como requisitar
novo prognóstico. Pelo que faz em campo,
ainda mais no difícil futebol italiano,
Ronaldinho não pode ser mais que isso aí.
Só agora é que caiu a ficha?
Maior
que a América? 13/05
Não adianta tentar encontrar um fator
para explicar a derrota do Flamengo: um
conjunto de razões originou aquela derrota
humilhante diante do lanterna do campeonato
mexicano com 11 pontos - enquanto o antepenúltimo
soma 17. Um time sem técnico, pois havia
demitido o treinador quando tomou de 4x2
do Mengão em casa no jogo de ida.
Aí
surge aquele papo... "amarelou",
"jogou de salto-alto", esse tipo
de coisa. Nem vou por aí. Levanto outra
questão. O Flamengo era assim tão bom?
Eu
defendi o Flamengo há algumas semanas, numa
coluna em que eu tratei de um possível Fla-Flu
na Libertadores. Eu acreditava no Flamengo,
embora deixasse claro que passar pelo América
seria difícil. Não vou usar isso como argumento
para dizer que não queimei a língua. Queimei,
bonito! Mas chamei a atenção para o adversário
que ainda existia.
A mídia brasileira,
em geral, ignorou completamente esse fator.
Claro que depois dos 4x2, eu também ignorei
- e sou culpado dessa opinião, também. Mas
o tratamento quanto a Palmeiras e Ponte
Preta, por exemplo, foi BEM diferente. Mesmo
o Verdão tendo vencido de 1x0 em Campinas,
e, tendo o melhor time do Brasil (este sim,
o melhor time do Brasil), muita gente diria
que para o Palmeiras ser campeão ainda precisava
vencer a Ponte Preta. E venceu logo de cara,
por cinco.
Esse fator não se levou
em conta com o Flamengo. Dava-se o Flamengo
como classificado.
Não digo que isso
foi a razão pela eliminação do Mengão. De
forma alguma. Crítica não ganha - nem perde
- jogo. Mas supervalorizou-se o Flamengo.
Agora é fácil dizer isso, OK. Agora, olhando
direitinho...
Quem é Souza? O Palmeiras
tem Alex Mineiro, o São Paulo tem Adriano,
o Fluminense tem Dodô (vamos desconsiderar
o fator-lesão e a possível punição do jogador
em questão). Todos sempre foram famosos
por serem grandes artilheiros, incontestáveis.
O Souza tinha exatamente esse padrão? Tanto
que atualmente o artilheiro anda sendo vaiado
pela torcida flamenguista.
Diego
Tardelli? É um bom jogador, marcou gols
decisivos na Taça Guanabara, na decisão
do Campeonato Carioca... mas Diego Tardelli
deu certo em algum lugar por onde passou?
Basta perguntar aos são-paulinos se gostariam
de ter esse rapaz de volta no Morumbi, onde
muito se tentou e pouco se funcionou. Então
Diego Tardelli é jogador para se decidir
Libertadores?
Quanto a Renato Augusto?
O que ele fez até aqui? Eu nem sou grande
fã do Thiago Neves - ainda -, como mesmo
já deixei claro em coluna aqui. Mas o Thiago
Neves já se mostrou muito mais jogador que
o Renato Augusto. Tentou se pintar o Renato
Augusto como um novo camisa 10 para o Flamengo.
Renato, o ex-capitão, às vezes chamado Renato
Abreu, que vestia a 11 e hoje está exilado
na Arábia, tinha muito mais cara desse jogador.
Mas tudo foi investido em Renato Augusto
por ser "prata da casa". Por vir
com aquele papo de "Craque o Flamengo
faz em casa". Forçar a barra. Pergunto:
quem é Renato Augusto? Tem seu valor, mas
é jogador que decide? Onde?
Leonardo
Moura, coisa que sempre defendi, é o típico
jogador que muito corre e pouco faz - como
boa parte dos laterais brasileiros. Juan,
do outro lado, é quase a mesma coisa, só
que mais inexperiente.
Nem vou falar
de Obina, que marca gols no Estadual porque
é BEM mais fácil, mas geralmente pega uma
bola de frente para a trave e manda na torcida.
É jogador para se ganhar Libertadores?
E
o Bruno sempre foi um goleiro que adora
falhar. Sai mal do gol, o que é fatal, se
posiciona mal... e muita gente pintava o
cara como melhor goleiro do Brasil - quando
posso citar, melhor que ele, vejamos...
Marcos, Diego Cavallieri, Rogério Ceni,
Felipe, Aranha, Renan, Fábio... até Clêmer
e Fábio Costa conseguem ser melhor - ou
pelo menos se posicionar melhor, sair melhor
do gol, o que ajuda MUITO. E olha que o
Fábio Costa tem um belo histórico de frangos
bizarros.
Kléberson é ex-jogador
desde 2002. Gavilán entrou em campo? Toró?
O que é tudo isso? Jogador para se ganhar
Estadual do Rio, sim, sem dúvida. Mas e
numa Libertadores? Que o Flamengo passou
bem para a segunda fase porque pegou um
grupo absurdamente fácil.
O Flamengo
tem coisas boas? Não digo que isso tudo
aí acima não sejam coisas boas, mas coisas
que façam diferença numa Libertadores? Ou
seja, um time acima da média? Bom... Fábio
Luciano é um. Acredito que Jônatas e Ibson
(muito criticado, injustamente, ultimamente)
também. Mas isso resolve?
Até o Maxi
Biancucchi, quando foi contratado, foi muito
supervalorizado - e hoje nem ao menos joga.
Torno a perguntar: o Flamengo era assim
tão bom?
No geral, o Flamengo é um
time e um clube supervalorizado. De repente,
esse time virou o "melhor Flamengo
desde o Flamengo de Zico". Espera-se
muito quanto o clube pode bem menos. Ridículo.
Forçaram
a barra demais. Depois que a zebra acontece,
ficam perguntando os por quês....
Novamente
gigante esmeralda 07/05
Na verdade, Gigante Esmeralda é o apelido
do Hulk. Mas encaixa-se no Palmeiras - clube
que a Folha de São Paulo classificou como
Campeão do Século XX e a Federação Paulista
de Futebol endossou. Esse papo de Campeão
do Século é relativo, bem relativo... mas
ao longo de sua trajetória, o Palmeiras
cresceu até se tornar um gigante, um dos
maiores do Brasil, sem dúvida. Era estranho
que este Verdão estivesse renegado a posições
intermediárias de tabelas. Um clube que,
nos anos 1990, ganhou quase tudo - com exceção
de Copa Intercontinental ou Mundial Interclubes,
seja como for. Mas Paulistão, Brasileirão,
Rio-São Paulo, Copa do Brasil, Copa Mercosul
e, especialmente, Copa Libertadores. Tudo
isso foi depositado na conta do Palmeiras
nos anos 90.
E foi de forma incontestável,
com grandes times, grandes jogadores. Marcos,
Rogério, Edmundo, Alex, Evair, Edílson,
Cafu, Rivaldo, Müller, Antônio Carlos, Roberto
Carlos, Arce, Veloso, Djalminha, Cléber,
Galeano, Zinho... todos esses (no mínimo)
bons jogadores se destacaram pelo clube
nos anos 90 e ajudaram no turbilhão de títulos
que o clube venceu.
De repente, de
uma hora pra outra, este clube vencedor
cai no conceito. Ainda conquistou uma Copa
dos Campeões, em 2000 aquele torneio que
dava vaga na Libertadores que até hoje não
engoli. Ah, e chegou à semi-final da Libertadores.
E foi só. Em 2001, ficou de fora das finais
do Brasileirão nas últimas rodadas. Em 2002,
caiu para a Série B. Em 2003 foi campeão
da mesma - o que, para muita gente, não
é título. É "acesso". Besteira.
Mas
de fato, o último título, bem... relevante
que o Palmeiras venceu foi em 1999, quando
conquistou a Libertadores. Talvez 2000 tenha
sido o último grande ano do Palmeiras antes
da decadência de 2002. Mas, ao contrário
de Botafogo, de Atlético Mineiro... que
caíram recentemente, o rebaixamento do Palmeiras
pareceu muito mais com o caso de Corinthians
e Grêmio... mais um acidente de percurso
de um clube que não vivia essas ameaças
em anos anteriores. Seria muito menos estranho
se Flamengo ou Vasco, naquela altura, caíssem.
Tanto
que o Palmeiras caiu em 2002, voltou em
2003 e em 2004 já estava em quarto lugar,
com vaga na Libertadores. Hoje vemos um
Palmeiras temido, como nos anos 90. Novamente
sob tutela de Luxemburgo, o Palmeiras tem
Marcos no gol e um reserva sensacional,
Diego Cavalieri. E aí, pra frente, tem Valdívia,
Alex Mineiro, Gustavo, Elder Granja, Martínez,
Pierre, Diego Souza, Kléber... ainda não
é o elenco de 1993 ou de 1996. Mas é um
elenco de alto nível, para fazer qualquer
time brasileiro tremer.
Afirmar este
Palmeiras como favoritíssimo ao Brasileirão
2008 não é nenhuma capacidade de análise
extraordinária da minha parte. É apenas
oportunismo e lógica.
Mas, acima
de tudo, é bom ver este Palmeiras novamente
grande. Na prática. Porque grande, um clube
como o Palmeiras não deixa de ser. Mas na
prática isso não vinha se realizando.
Por
outro lado, esse cenário mostra o quão instável
o futebol brasileiro está - instabilidade
que aumenta. Há alguns anos, um Palmeiras
fracassado, um Flamengo brigando para não
cair, Fluminense idem, enquanto Corinthians
comemorava Campeonato Brasileiro e o São
Paulo brigava, brigava, mas não chegava
lá.
Vivemos um futebol de fases.
Poucos, na verdade, nenhum, é o clube com
estabilidade desde 2000. Por hora, fiquemos
feliz pela recuperação do Palmeiras. Não
sabemos a fase que está por vir.
O
Fla-Flu que você não vai ver 29/04
Desde 2007 que o Fluminense tem um projeto
chamado Copa Libertadores - torneio que
dois de seus grandes rivais, Flamengo e
Vasco, já conquistaram. O Tricolor me surpreendeu
quando confirmou toda a badalação em cima
de seu elenco e, com uma campanha impecável,
traçou a primeira fase da Libertadores com
muita facilidade. Quatro vitórias, um empate
e uma derrota e saldo de gol de 8. Resultado?
Primeiro colocado geral.
Desde 2006
que o Flamengo tem um projeto chamado Copa
Libertadores - torneio que não vence desde
1981 e que seu grande rival, o Vasco, conquistou
em 1998. O Mengão me surpreendeu quando
confirmou toda badalação em cima do time
armado por Joel Santana e, com uma campanha
impecável, traçou a primeira fase da Libertadores
com perfeição. Quatro vitórias, um empate
e uma derrota e saldo de gol de 5. Resultado?
Segundo colocado geral.
O que isso
significa? Vamos sonhar um pouco: existe
a possibilidade de Flamengo e Fluminense
se enfrentarem pela primeira vez na Taça
Libertadores, ou numa semi-final ou, no
que seria o sonho máximo, na final. Já são
dez anos que um time carioca não levanta
o troféu mais importante da América, e esse
ano chega com força em dobro para tentar
a proeza.
Para que Flamengo e Fluminense
enfrentem-se na finalíssima, seria necessário
que três brasileiros cheguem à semi-final.
Caso apenas dois brasileiros alcancem a
fase, ou seja, eles dois, enfrentam-se já
na semi-final.
Mas dá para acreditar
que Flamengo e Fluminense chegarão tão longe?
Dá.
Os dois times estão muito bem-montados.
O Fluminense, além de bem-armado, tem um
bom elenco. Thiago Silva, zagueiro, é o
destaque dessa equipe que só tem como desvantagem
o irregular goleiro Fernando Henrique e
o lateral ordinário Gabriel. Mas Thiago
Neves é um bom meio-campo, embora não seja
um craque decisivo ainda; e Conca é um jogador
com a cara da Libertadores. Arouca é um
volante regular e tem trabalhado bem no
torneio. O ataque depende de Washington
e Dodô, que recentemente passaram por problemas
físicos. Nada de outro mundo.
Seu
adversário também não assusta: o Atlético
Nacional, de Medellín, Colômbia. O problema
é se passar: pega Nacional ou São Paulo.
Se pegar o Nacional, acredito que o Fluminense
chega à semi-final. Se pegar o São Paulo,
infelizmente, acredito que o Paulista triunfa
no duelo de tricolores. Porque o São Paulo
têm ponto forte em cima de onde o Fluminense
pode fraquejar: o ataque, os cruzamentos,
as jogadas pelas laterais contra o setor
deficiente no clube carioca - quanto às
laterais.
O Flamengo vive um pouco
o lado oposto. Tem um adversário difícil
logo de cara: o América, do México. Acredito
que o Flamengo passe por aqui, apesar de
não ser um adversário fácil - os mexicanos
costumam complicar nessa fase da Libertadores,
eliminando até o Boca Juniors em certa ocasião.
Mas se passa, enfrenta Santos ou Cúcuta.
E aí, acredito totalmente no Flamengo.
Não
acredito ainda que ambos possam vencer a
Libertadores. Aliás, acredito um pouco mais
no Fluminense, que tem um treinador fora
de série. O Tricolor deve parte disso aqui
a Renato Gaúcho.
Mas o trabalho de
ambos até aqui tem sido impecável. Vale
salientar: o grupo da Libertadores dos dois
foi bem mais fácil que o grupo de Boca,
River ou Santos.
De qualquer forma,
esse Fla-Flu, que ainda não existe, é motivo
para se comemorar. Se vier a acontecer...
difícil, mas não impossível, é a redenção
completa do futebol carioca.
Tipicamente
Típico 23/04
Isso é o que se pode dizer desta semi-final
entre Palmeiras e São Paulo pelo Campeonato
Paulista.
Típico por parte do Palmeiras
em suas jogadas de bastidores, como de costume.
Como em 1974, quando o Palmeiras tirou o
segundo jogo da decisão do Pacaembu e o
colocou no Morumbi - onde, historicamente,
o Palmeiras não gosta de jogar. Mas, na
cabeça do alvi-verde e do técnico Oswaldo
Brandão, o gramado mais alto do Morumbi
atrapalharia o jogo rápido e o toque de
bola do Corinthians. Deu certo. O Verdão
bateu o Timão por 1x0 e deixou o rival em
mais um ano de fila. De quebra, causou a
saída de Rivelino do Corinthians.
Mas
esse sempre foi o estilo do Palmeiras e
de sua direção. Esse posicionamento... a
provocação ao rival, os desentendimentos
fora de campo, os interesses contrários...
Por que agora seria diferente?
Dessa
forma, o Palmeiras passou o jogo, que seria
no Morumbi, para seu estádio, o Palestra
Itália, ou Parque Antarctica. Normal, é
um direito do clube jogar em casa. Até aí
tudo bem. Mas não é normal permitir que
seja jogado um tal "gás comum"
no vestiário do São Paulo. Não que o Palmeiras
tenha feito isso de propósito - que é uma
hipótese, mas não vamos trabalhar com ela,
afinal, não existem provas. E eu, pessoalmente,
não acredito que o Palmeiras o tenha feito.
Mas falhou em fornecer segurança suficiente
para que o vestiário do São Paulo oferecesse
conforto aos seus jogadores, que tiveram
que ficar lá, plantados no gramado durante
o intervalo.
Falhou também ao permitir
que a energia de seu estádio caísse durante
o jogo. Foi culpa do clube? Claro. Devia
providenciar para que esse tipo de evento
não viesse a acontecer - ou, por acaso,
isso vive se repetindo Brasil afora? Para
esse tipo de situação existe a perícia e
a prevenção.
Agora... o Parque Antarctica
tem o direito de receber uma semi-final
de Paulistão dessa forma?
Mas foi
típico também por parte do Valdívia, provocar
os são-paulinos, pondo o dedo na boca, pedindo
silêncio aos rivais. Há quem acredite que
esse tipo de catimba não é legal e que o
Valdívia errou. Digo o contrário. O gol
foi dele, ele comemora como quiser. Não
agrediu ninguém, não falou da mãe de ninguém.
A catimba, a provocação, o sarro... tudo
isso faz parte do futebol e compõe a graça
do esporte. É divertido quando isso acontece.
Não seria legal da parte de Valdívia agredir
um colega de profissão - e isso ele não
fez. Provocação? Quem pode, provoca. Besta
é quem perde a cabeça.
Como o Rogério
Ceni. Aliás, típico também. Quantas vezes
o Rogério já não teve atitudes do tipo?
Partir para cima de juiz e peitá-lo? Pôr
a mão na cara de jogador? Apontar o dedo
e ameaçar? Fingir se machucar, jogar-se
no chão e, depois, na maior cara de pau,
afirmar que foi agredido - como fez com
o Paulo Baier, nas oitavas-de-final da Libertadores
de 2006? Tudo isso é muito Rogério Ceni...
é uma pena que um grande goleiro, um ídolo
de um dos clubes mais vencedores do país,
alguém com uma carreira invejável tenha
esse tipo de atitude mascarada.
E,
pra não perder o costume, típico do São
Paulo também supervalorizar um incidente.
Recusar-se a entrar no vestiário após o
jogo - quando até repórteres entravam e
saíam sem problema, mostrando que a situação
estava sob controle. Mandar DVD para a imprensa
com a confusão do time sem poder entrar
no vestiário. Entrar com ação na justiça.
Tudo isso é a cara do São Paulo.
Em
resumo, tipicamente futebol paulista. Tudo
que foi citado aqui.
E é por isso
que esse esporte é tão bom! Toda essa polêmica,
quando não há violência e ninguém se machuca,
é bonita de se ver. O esporte surgiu nas
rivalidades. E elas precisam manter-se vivas.
Parabéns
ao Palmeiras e ao São Paulo.
Azar...
do Zico, não? 16/04
Semana passada estava prevendo que alguém
soltasse a seguinte frase: "Se Zico
não vencer a Liga dos Campeões, azar da
Liga dos Campeões!" Talvez não tenha
sido dita, mas certamente, CERTAMENTE, houve
gente pensando dessa forma. Afinal de contas,
o mesmo se disse a respeito de Zico e da
Copa do Mundo!
Não me atrevo a questionar
Zico como jogador de futebol. De forma alguma!
O Galinho, que já figurou no Lendas aqui
do Fanático, é, sem dúvida, um dos melhores
e maiores jogadores brasileiros de todos
os tempos. Isso é inquestionável. Mas por
trás do culto a Zico existe um bairrismo
e um ufanismo exagerado. Entendo a cabeça
do flamenguista que disser que "se
Zico não ganhou a Copa do Mundo, azar da
Copa do Mundo". Mas isso nada mais
é que uma frase inconformada e compensatória
pelo fato de Zico jamais ter atingido o
título máximo no futebol.
Vamos levar
em consideração que, se Zico não venceu
a Copa do Mundo, ele não a venceu em 1978,
em 1982 e em 1986. O azar, sem dúvida, não
foi da Copa do Mundo, porque nessas ocasiões,
ela foi erguida por nomes como Mário Kempes,
Marco Tardelli e, principalmente, Diego
Armando Maradona. Aí o que vai me dizer
agora? Que Kempes, Tardelli e Maradona não
foram maiores, e melhores, que Zico? Aí
é que surge o bairrismo... porque certamente
a resposta será "Não. Eles não foram
maiores que Zico". Certamente, porque
Zico é brasileiro. E porque Zico foi flamenguista.
Daí surge aquela necessidade, aquela paixão,
aquele bairrismo que faz com que acredite-se
que Zico foi melhor que Kempes, Tardelli
e... putz! Maradona! Claro, tem o fato também
de Kempes e Maradona serem argentinos e
Tardelli italiano - rivais históricos do
Brasil.
A Copa do Mundo é, em si,
um torneio cruel. Ocorre apenas a cada quatro
anos e, em poucos jogos, define-se o campeão
entre um punhado de seleções com uma grande
quatidade de bons jogadores. Talvez o melhor
exemplo disso seja a final de 1974 que tinha
de um lado Johan Cruyff e Franz Beckenbauer.
Como dizer que não é injusto que Cruyff
jamais tenha conquistado o torneio máximo
no futebol mundial? Mas por outro lado...
Cruyff tivesse ganho aquela Copa... não
seria injusto Beckenbauer não ter uma Copa
do Mundo em seu currículo?
Agora
pense em quanta gente grande, quanta gente
maior que Zico não venceu a Copa do Mundo.
Michel Platini? Ferenc Puskas? Karl Heinz
Rumenigge? Nils Liedholm? Leônidas da Silva?
E isso em detrimento de quem? Antonio Cabrini,
Fritz Walter, Giuseppe Meazza, Garrincha
e Didi... então como dizer que tudo isso
foi injusto?
Um grande jogador disputa
em média três Copas do Mundo. Os que começam
mais novos ou jogam até idade relativamente
avançada podem jogar quatro ou mesmo cinco
edições do torneio. Mas vê-se que as chances
de vencê-lo são pequenas e você disputa
contra jogadores do mesmo calibre que você.
No final das contas, um vai perder e encerra
a carreira sem essa honra. Como o caso de
Baggio, em 1994. Por acaso, se Baggio não
venceu a Copa do Mundo, azar da Copa do
Mundo?
Acho que ninguém falaria isso.
Nem
de Platini, nem de Cruyff, nem de Rumenigge,
nem de Puskas, nem de Liedholm...
Às
vezes é difícil admitir que na frente tem
alguém melhor. Principalmente quando se
trata de um jogador de um time com a maior
torcida do Brasil - e do mundo, inclusive.
Daí pinta bairrismo, pinta ufanismo, pinta
a paixão de torcedor.
O que complica
é quando jornalista deixa se contaminar
por esse bairrismo e expressa sua opinião
a torto e a direito. Seria como se eu viesse
aqui dizer que se Paul Gasgoigne não venceu
a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo.
E, pelo menos, nas mãos desse cidadão, alguma
coisa de relevante aconteceria - como, em
vez de ser beijada e erguida, a Copa ser
lambida por inteiro e depois arremessada
para cima antes de passar para o próximo
da fila.
Zico não venceu a Copa do
Mundo? Azar... de Zico!
Desculpa
de amarelo 09/04
Bater em bêbado é muito fácil. Vejam
a situação de Ronaldinho. Mal entra em campo.
Com sorte, é relacionado para o banco de
reservas. Quando entra, não joga nada.
Eu
poderia desperdiçar essas linhas criticando
o Ronaldinho. Mas por que vou falar mal
de alguém que já está levando tanta porrada
da crítica? E, aliás, por que vou ser redundante?
Porque já falei, e todos nós aqui do Fanático
Esporte Clube, já falamos trocentas vezes
que o Ronaldinho era exatamente isso. Cansamos
de dissecar que e por que Ronaldinho era
um jogador pouco objetivo, um jogador que
só fazia firula, que só conseguia os malabarismos
dele na França e na Espanha, que ele nunca
foi o "melhor do mundo" como todos
afirmavam por aí. Dissemos também que a
Seleção Brasileira não tinha nada de favorita
à Copa do Mundo e prevemos que Ronaldinho
seria o nada que foi - afinal de contas,
contra o Haiti ele enfileirava defensores,
mas em jogo pra valer ele sempre era bem-marcado
e apagava.
Tudo isso está nos nossos
arquivos. Podem checar.
Esta coluna
de hoje deixa de lado o Ronaldinho. Esta
coluna vai para outras pessoas.
Esta
coluna vai para quem acredita que o tal
do jogador brasileiro é, por princípio,
o melhor, em qualquer situação; e que Ronaldinho
seria o melhor de todos os tempos depois
do Pelé e - talvez - do Maradona.
Onde
está o senso crítico de vocês?
O
jogador precisa estourar sua forma física
e suas jogadas ficarem manjadas e fáceis
de serem previstas e marcadas para, aí sim,
vocês verem que o cara não é o melhor do
mundo? Foi preciso que Ronaldinho passasse
a ser um jogador comum até mesmo na Espanha
- onde Luís Fabiano e Júlio Baptista fazem
sucesso fácil - para cair a ficha de que
o cara nunca foi o gigante que todo mundo
queria acreditar?
Será que nunca
ficou muito óbvio aos seus olhos que a mágica
que Ronaldinho fazia era diante de um jogador
e um grande espaço em sua volta? Que um
craque de verdade como Johann Cruyff, Michel
Platini, Karl-Heinz Rumenigge ou Roberto
Baggio enfileira adversários à sua frente
e passa por todos eles. E aqui nem quis
citar Pelé, Maradona, Di Stéfano ou Garrincha,
porque seria óbvio demais. E isso é algo
tão básico que dá para citar inúmeros jogadores
que conseguiram e conseguem isso sem problema
nos dias de hoje: Ronaldo, Romário, Carlos
Tévez, Juan Román Riquelme, Michael Owen,
Thiery Henry, Zlatan Ibrahimovic... e que
Ronaldinho nunca foi capaz disso quando
se enfrentava um páreo duro de verdade?
E
o que dizer da capacidade de decisão, que
o menino nunca teve? Posso dizer, Ronaldinho
já decidiu jogos, sim: contra Inglaterra
pela Copa do Mundo de 2002 e contra o Milan
pela Liga dos Campeões 2005/06. Só. Sempre
que se precisou, Ronaldinho sumiu e deixou
o "trabalho sujo" nas mãos de
outrem, seja Messi, Larsson, Rivaldo, Eto'o
ou Kaká.
O mais interessante é que
isso tudo parece vir à tona agora, quando
todos os seus truques são descobertos e
fáceis de se anular.
Me pergunto
agora o que pensam as pessoas que se onfendiam
quando o Ronaldinho era criticado. Ah, simples...
devem conseguir alguma desculpa, como condicionamento
físico, como humor, problemas extra-campo...
Desculpa
de amarelo é mesmo comer barro.
Uma
questão Geográfica, Histórica e Lingüística 01/04
Professor: Quem nasce no Rio de Janeiro
é o quê? Aluno: Carioca! Professor:
Tá errado! Seu burro! Aluno: Mas aqui
diz que quem nasce no Rio é carioca! Professor:
Isso é na CIDADE do Rio de Janeiro! Perguntei
quem nasce no ESTADO do Rio de Janeiro.
A
resposta é simples. "Fluminense". Indo
direto à fonte, o Dicionário Aurélio:
FLUMINENSE -
2. De, ou pertencente ou relativo
ao Estado do Rio de Janeiro.
Enquanto CARIOCA S.
2 g. 4. O natural ou habitante da cidade
do Rio de Janeiro.
O Campeonato
Carioca e seu por quê É inequívoco.
Mas existe um problema quando a TV responsável
pela transmissão dos jogos do Campeonato
Fluminense, ou Campeonato Estadual do Rio,
o chama de "Campeonato Carioca".
Parece não ter jeito. Pegou.
Mas
por trás disso tudo há um problema histórico.
Quando
o Campeonato começou, em 1906, o Rio de
Janeiro, a cidade, ainda era a capital do
Brasil. Portanto, ficava no Distrito Federal,
enquanto as demais cidades formavam o Estado
do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói.
Por isso o Campeonato era, de fato, o Campeonato
Carioca. No Estado do Rio de Janeiro era
disputado o Campeonato Fluminense.
Em
1960 o Distrito Federal mudou-se para Brasília.
O antigo Distrito Federal virou o Estado
da Guanabara, a Cidade do Rio de Janeiro
seguiu como capital. O Estado do Rio de
Janeiro seguiu o mesmo.
Em 1975 aconteceu
a fusão do Estado da Guanabara e do Estado
do Rio de Janeiro - afinal de contas, já
se tinha 15 anos que o Distrito Federal
tinha se mudado para o cerrado com a criação
de Brasília. A Cidade do Rio de Janeiro
passou a ser capital do Estado do Rio de
Janeiro. O Estado da Guanabara não existia
mais. Um ano depois, o Campeonato foi unificado.
Talvez
por uma questão de tradição, costume, ou
talvez simplesmente pela cidade do Rio de
Janeiro ser consideravelmente dominante
em relação ao restante do estado... manteve-se,
informalmente, a alcunha Campeonato Carioca
de Futebol. O termo, obviamente errado,
"pegou". E assim ficou. A TV,
como já comentei, e o site da Rede de Comunicação
responsável pela transmissão, insistem no
termo errante.
Tudo bem que "Campeonato
Fluminense de Futebol" soa estranho,
até pelo fato de que Fluminense é um dos
quatro principais times da cidade e do estado.
Mas é a forma correta de se chamar a competição.
Uma outra forma correta de chamar o torneio
seria Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.
A
Federação Estadual, por outro lado, mantém
o termo na sua alcunha - Federação de Futebol
do Estado do Rio de Janeiro. Mas em seu
sítio oficial, insiste em usar a expressão
errada para a competição: Campeonato Carioca.
Mas
e o Campeonato Fluminense original? A
nível de curiosidade, o Campeonato Fluminense
de Futebol foi disputado de 1925 a 1978.
O Serrado de Petroópolis foi o primeiro
campeão da competição. De 1928 a 1940 e
de 1946 a 1951 esse Campeonato foi disputado
por Seleções municipais. O primeiro campeão
deste formato foi a Seleção de Niterói.
Durante
o Campeonato Fluminense, de clubes, não
de Seleções, criou-se uma bela rivalidade
entre as cidades de Campos dos Goytacazes
(com os clubes Americano, Rio Branco e Goytacaz)
e Niterói (do Gragoatá, Icaraí, Manufaturadora
e Fonseca).
O Goytacaz e o Americano
foram justamente os maiores campeões da
história do torneio, ambos com cinco títulos.
Há
100 tentando cantar de Galo 25/03
Pense rápido... o que o São Paulo conquistou
em sua trajetória? Três Mundiais, três Libertadores,
cinco Brasileiros. O Corinthians? Quatro
Brasileiros, duas Copas do Brasil e um Mundial.
O Santos? Duas Libertadores, dois Mundiais,
dois Brasileiros. O Flamengo? Cinco Brasileiros,
duas Copas do Brasil, uma Libertadores e
um Mundial. O Palmeiras? Quatro Brasileiros,
uma Copa do Brasil e uma Libertadores. O
Grêmio? Duas Libertadores, um Mundial, quatro
Copas do Brasil e dois Brasileiros. E o
Cruzeiro? Duas Libertadores, um Brasileiro
e quatro Copas do Brasil.
Foi tudo
muito fácil. Vamos dificultar um pouco as
coisas. O que o Atlético Mineiro conquistou
em sua trajetória? Um Brasileiro e...
Cri,
cri, cri... Nessa hora, até o grilo canta
mais alto que o galo.
Percebam que,
na listagem de títulos acima, não temos
estaduais, porque são títulos menores. Títulos
de menor expressão. O que é um estadual
comparado a um Brasileiro ou a uma Libertadores?
Ou ainda a um Mundial?
Não venho
aqui dizer que o Atlético não é um grande
clube. Grandeza aqui no Brasil é uma coisa
bem relativa, mas o Atlético tem toda uma
mística em torno de sua história. E é uma
história belíssima, não tenho dúvidas disso.
Conhecido por sua "raça" e por
uma torcida apaixonada, o Atlético Mineiro
acumula anedotas deliciosas - mas que pegam
mais pelo sofrimento e por derrotas de que
por uma saga vencedora.
O atleticano
é conhecido por ser aquele que torce contra
o vento - aquele papo... se tem uma camisa
do Atlético no varal, o atleticano, fiel,
torce contra o vento. Poeticamente, isso
é uma beleza.
O Atlético Mineiro
é o time da raça. Seu mascote, galo, vem
justamente daí - um galo de briga, aquele
animal esganiçado, furioso, que ataca sem
parar. Essa é uma analogia brilhante. Mas
se desmistificarmos toda essa poesia, o
que tem pela frente?
Um Brasileiro
e 39 estaduais. Em termos de títulos relevantes,
é isso que o Atlético tem. Apenas isso.
Tudo bem que o Cruzeiro tem menos estaduais
(34), mas tem duas Libertadores, e ganhou
um Brasileiro muito mais recente, em 2003,
que ainda serviu para chacotear os atleticanos
mais novos com a frase "Eu vi, ninguém
me contou".
O que mais? Lembranças
gloriosas das derrotas de 1977 e 1980, respectivamente
para São Paulo e Flamengo na final de Campeonato
Brasileiro, queixando-se até hoje de arbitragem.
Mas alguém aí vê a Alemanha chorando a final
de 1966, com erros clamorosos a favor dos
ingleses? Além disso, o quê?
Bom,
os ídolos... Reinaldo, Éder Aleixo, Dario.
Desses não há o que comentar. Reinaldo venceu
oito estaduais pelo clube, Dario deu um
Brasileirão (o único). Talvez seja essa
a única página de fato gloriosa na história
do clube. Esses heróis do passado com tanta
identificação com o time.
E no presente?
Vindo de uma segunda divisão recente, o
Galo batalhou e ficou na Série A em 2007.
O ano do Centenário, 2008, seria um ano
de glórias para o Atlético?
Bem...
o time contrata dois veteranos que não teriam
vaga em nenhum time grande brasileiro: Souza
(rebaixado com o América) e Marques, quando
até o Corinthians que está na Série B contrata
melhor - Acosta, Herrera, Mano Menezes...
no Estadual, está em terceiro, atrás do
Tupi e três pontos abaixo do Cruzeiro, líder
com um jogo a menos! E o pior... o Cruzeiro
vem bem na Libertadores - lugar onde o atleticano
gostaria de estar.
Junte tudo isso
a uma série de dívidas que o clube tem.
Mas que belo centenário! Se o Atlético não
vence o Estadual, o que vai ser dos 100
anos? Alguém aí acredita que o Atlético
vencerá a Copa do Brasil? O Brasileiro então,
nem pergunto.
O que me pergunto,
é... onde encontram tanta glória num time
que, no circuito nacional, está abaixo de
tantos outros?
Acabou
chorare 18/03
É de se compreender o choro do Botafogo
na perda do título do Primeiro Turno do
Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Foi
uma cena lamentável, ridícula e, o pior
de tudo, sem ter nem pra quê - o Botafogo
reclamava sem razão de lances que foram
perfeitamente normais. Mas dá para entender
quando o choro e a indignação parte de um
time que não vem de grandes conquistas.
O Botafogo só conquistou UM título
nos anos 2000, que foi o Campeonato Estadual
de 2006. No mais, conquistou apenas turnos
- a Taça Guanabara em 2006, a Taça Rio em
2007. O Botafogo ainda tem como vencer o
Estadual esse ano, mas é um clube que luta
para se reestabelecer, por isso briga, de
forma inadequada até, por questões menores.
Então, se queixa de arbitragem na Copa do
Brasil, se queixa de arbitragem no Campeonato
Brasileiro, se queixa de arbitragem no Estadual...
Mas
não entendo isso vir de um clube que tem
conquistado tudo ultimamente. Que de 2005
pra cá venceu Libertadores (tendo também
um vice-campeonato), Mundial da FIFA e dois
Brasileirões, além de estar encaminhando
para mais uma bela campanha na Libertadores
e, quem sabe, um possível e inédito Tricampeonato
Brasileiro - assumindo de vez a posição
de maior vencedor da história da competição,
se levarmos em conta, e é justo que se leve,
o Brasileirão de 1987 pelo Flamengo.
O
problema é que o São Paulo aceita vencer
jogos com erro de arbitragem. Ora essa...
quem não aceitaria? Como sempre acontece
com qualquer equipe, o São Paulo tem erros
de arbitragem que o beneficiam, sim. É normal
do futebol (apesar de Corinthians e Flamengo,
estranhamente, ter muito mais que os demais).
Mas quando o Tricolor perde, sempre chora
e lamenta a arbitragem.
Não digo
que um clube tenha que ficar feliz ou ficar
calado quando perca um jogo, ou mesmo empate,
onde a arbitragem o prejudicou - embora
reclamação nenhuma dê jeito, o máximo que
pode conseguir-se é impedir o respectivo
árbitro de apitar jogos futuros do clube.
Mas o grande Q da questão é que o Tricolor
muitas vezes queixa-se sem motivo. É estranho
que Marco Aurélio Cunha e sua boca grande
atrevam-se a falar, aparentemente, antes
de analisar-se as imagens.
Marco
Aurélio é uma figura ímpar no futebol brasileiro.
E diria que é alguém que faz bem ao mesmo.
Como Superintendente de futebol do São Paulo,
o médico sempre exalta as conquistas do
seu clube e costuma sacanear e desdenhar
os rivais. Com certeza o torcedor que não
for são-paulino vai odiar ser isto, mas
é exatamente por isso que Marco Aurélio
é uma figura benéfica ao nosso futebol.
Ele traz a provocação, instiga a rivalidade
entre os clubes... e isso é uma das coisas
mais legais no nosso esporte.
O problema
todo, e defeito do Superintendente, é que
Marco Aurélio sempre se atreve a falar da
arbitragem assim que o jogo acaba. Da mesma
forma que o Marcão tem a boca frouxa para
provocar os rivais, o que é divertido, é
legal, faz parte do esporte, ele a tem para
criticar o apito sem muita razão.
O
jogo de ontem, contra o Palmeiras, ilustra
bem a situação. A partida empatava em 1x1
quando o Verdão teve três pênaltis legais
a seu favor. Analisem os lances. Primeiro,
um carrinho claro de Júnior em Valdívia
(que estava de costas para o gol, inclusive).
Vejam num replay aproximado que o pé de
Júnior engancha no de Valdívia e derruba
o chileno. O segundo lance, o Kléber recebeu
na área e Juninho o agarrou até derrubá-lo.
Finalizando a partida, Diego Souza entra
na área e Richarlyson o derruba com um carrinho
por trás - ainda saiu barato, porque carrinho
por trás é expulsão.
Os três lances
foram ou não pênalti? Resumindo, o São Paulo
chora de quê?
Grande
Anistia Internacional 11/03
Apesar de sua origem inglesa, a poderosa
Associazione Calcio Milan tinha uma política
quase facista de trabalho. Os italianos
tinham preferência no time. O clube mais
importante de Milão já tinha mais de oito
anos de fundação e contava com um grande
prestígio no país. Trazia três títulos italianos
no currículo - 1901, 1906 e 1907, um vice-campeonato
(1902) e era visto como o rival da Velha
Senhora Juventus Football Club e do US Milanese,
o outro clube de Milão. Mas a Itália era,
da mesma forma que hoje, um país aberto
a imigrantes, da mesma forma que contribui
com a emigração, mandando seus filhos para
os quatro cantos do mundo. A dominação de
italianos no AC Milan incomodava a grande
gama de estrangeiros que compunham Milão,
principalmente os suíços, da terra vizinha
da Itália.
E foi justamente o povo
da terra do queijo que, ao lado de alguns
italianos, decidiram criar um clube onde
o estrangeiro era visto como um ser humano
acima de tudo - e não como apenas um "estrangeiro".
A idéia era que o novo clube de Milão acolhesse
os forasteiros tão bem quanto acolhia os
filhos genuínos da pátria. Era uma espécie
de anistia internacional, mas voltada para
o futebol. Giorgio Muggiani, Bossard, Lana,
Bertoloni, De Olma, Enrico Hintermann, Arturo
Hintermann, Carlo Hintermann, Pietro Dell'Oro,
Voelkel, Maner, Wipf, Carlo Ardussi e os
irmãos Hugo and Hans Rietmann deixaram o
AC Milan sob a bandeira da anistia para
fundar a nova agremiação.
O nome
do clube não poderia ser mais sugestivo:
Football Club Internazionale (obviamente,
do italiano "Internacional").
Giorgio Muggiani era artista plástico e
desenhou o escudo do clube, com as cores
que os associados escolheram: azul por representar
o céu e negro por representar a noite. A
fundação aconteceu há 100 anos, em 9 de
março de 1908. Nascia oito anos depois daquele
que viria a se tornar o seu maior rival,
o AC Milan. Giovanni Paramithiotti foi o
primeiro presidente do clube. Já em 1909
a Internazionale ingressava a primeira divisão
do Campeonato Italiano, da qual nunca saiu.
O primeiro capitão da Internazionale foi
também treinador: Virgilio Fossati.
No
seu primeiro ano, a Internazionale disputou
o qualificatório da Lombardia, contra US
Milanese e o AC Milan. O qualificatório
valia vaga nas finais. Estreou oficialmente
contra seu rival, Milan, e perdeu por 3x2.
Perdeu também para o Milanese por 2x0 e
foi eliminado no próprio qualificatório.
A Milanese bateu o Milan por 3x1 e classificou-se
às finais, avançando até à partida final,
quando perdeu para o Pro Vercelli e perdeu
por 4x2.
A temporada seguinte começou
ainda em 1909 e adentrou 1910. Nove clubes
participaram do Campeonato, sendo quatro
de Milão: Internazionale, Milan, Milanese
e o Ausonia Milano. Era o primeiro ano que
a fórmula de pontos corridos com jogos de
ida e volta estava em vigor, sendo um total
de dezesseis rodadas. Em sua campanha, a
Internazionale goleou a Andrea Doria (time
que depois daria origem ao Sampdoria) por
5x0 em casa e 6x2 fora de casa, o rival
Milan por 5x1 em casa e 5x0 fora, o Milanese
por 7x2 em casa e 5x2 fora, contra o Torino
venceu por 7x2 em casa e 4x3 fora, bateu
a Juventus por 1x0 em casa e perdeu por
2x0 fora, em casa recebeu e venceu o Genoa
por 2x0, mas tomou de 4x0 fora, goleou o
Milano por 6x2 fora de casa mas em casa
empatou por 2x2 e, contra o Pro Vercelli,
perdeu em casa por 4x1, mas venceu por 2x1
fora.
No total, foram 12 vitórias
nos 16 jogos, sendo 55 gols marcados e 26
gols sofridos. O Pro Vercelli, defendendo
o título, teve as mesmas 12 vitórias, com
46 gols a favor e 15 contra. Ambos empataram
em 25 pontos, e o regulamento do Campeonato
previa um jogo-desempate. Vendo seus rivais
urbanos bem abaixo (Milan e Milanese empatados
em 6º, Milano em 9º lugar), a Internazionale
iria enfrentar o Pro Vercelli no dia 24
de abril de 1910 pela disputa do título.
O Pro Vercelli solicitou mudança de dara,
a Internazionale não aceitou e, em protesto,
o Pro Vercelli mandou uma equipe juvenil.
A Internazionale goleou impiedosamente por
11x3 e conquistou seu primeiro Campeonato
Italiano.
Era virada a primeira página
da história da Internazionale. Muita coisa
iria acontecer no seu tortuoso e rastejante
caminho. Seu capitão e treinador Fossati
foi morto na I Guerra Mundial; mudou de
nome para Ambrosiana ao fundir com o Milanese
em 1928 - voltando a se chamar Football
Club Internazionale após a II Guerra Mundial.
Conquistou duas Copas dos Campeões (1964
e 1965), viveu um longo jejum de 17 anos
sem título entre 1989 e 2006... e abrigou
grandes lendas do futebol italiano, como
Giuseppe Meazza, Sandro Mazzola, Giuseppe
Bergomi, Giuseppe Baresi, Giacinto Facchetti,
Walter Zenga, Roberto Baggio... e, claro,
sendo fiel às origens estrangeiras, lendas
do futebol mundial: Gabriel Batistuta, Daniel
Passarella, Javier Zanetti, Jair da Costa,
Iván Zamorano, Laurent Blanc, Andreas Brehme,
Jürgen Klinsmann, Lothar Matthäus, Karl-Heinz
Rummenigge, Dennis Bergkamp, Zlatan Ibrahimovic,
Luís Figo, Ronaldo...
Uma grande
lista de ídolos digno desta história de
um clube que não se conformava em ser restrito
a uma nacionalidade e, por princípio, nasceu
internacional.
Império
em Crepúsculo 04/03
Desde sua grande fase em 2004 que Adriano
não é o mesmo. Isso não é nenhuma novidade.
Os bons ventos sopraram ainda em 2005 e
em 2006, ano em que tanto se esperou do
jogador para a Copa do Mundo, as coisas
já não vinham mais tão bem. Daí tira-se
uma porção de problemas. Alguns, naturais.
O jogador passou a lidar com uma pressão
maior - por parte da imprensa italiana,
brasileira, torcida da Internazionale e
torcedores verde-amarelos. Seu futebol sempre
foi limitado fora de um esquema que não
o favorecesse - e isso desde os tempos de
Flamengo.
A marcação em cima de um
goleador, que era seu caso, obviamente aumentou,
e sua força física passou a ser combatida
na mesma moeda. Outros problemas já puxavam
pelo caráter pessoal. Morte do pai, problemas
com a namorada após o nascimento de seu
filho, a tristeza da situação de sua família
no Brasil, tentativas de reconciliação.
Tudo isso acarretava numa outra sucessão
de problemas, que era a sua vida noturna,
problemas com álcool, comportamento agressivo...
A
carreira do "Imperador", que em
2004 vinha de vento em polpa decaiu com
a mesma velocidade com que ascendeu e o
que era um grande goleador, valorizado,
elogiado por todos, com futuro promissor
passou a ser um atacante com um enjoado
jejum de gols, desvalorizado, criticado
em toda parte e com um futuro incerto. A
vida de Adriano inverteu completamente e
é óbvio que isso abate o jogador - sentimento
que só agrava uma crise.
A vinda
de Adriano para o Brasil consistiu numa
tentativa de dar uma reviravolta nessa crise.
No país, Adriano estaria perto de sua gente.
Mais perto de casa, de sua família, no Rio
de Janeiro - de quem Adriano sentia tanta
falta e cuja situação, emocionalmente abalada
após a perda do patriarca, estaria tirando
a concentração e o bem-estar de Adriano.
Sua vinda para o Brasil parecia ser perfeita
para uma recuperação, ainda mais no São
Paulo Futebol Clube, que levanta o astral
de diversos craques em situação ruim, que
foi o caso de Amoroso e Luizão.
Sua
chegada já foi conturbada, marcada por um
flagra com copo de bebida na mão na balada.
Tudo bem, o jogador ainda não tinha deveres
para com o São Paulo, ao qual já estava
devidamente emprestado. Tanto que a diretoria
do clube minimizou o acontecido e pôs voto
de confiança no jogador. E, a princípio,
Adriano correspondeu.
De cara, Adriano
estreou com dois gols pelo Tricolor, na
partida contra o Guaratinguetá. Consciente,
rejeitou as manchetes de "O Imperador
Voltou" e pediu calma, ciente que esse
é um processo lento e que requer mais cuidado
que entusiasmo. Ponto para Adriano por seguir
essa linha de raciocínio. É aquela história...
"Querer mudar e ter consciência"...
e nesse capítulo o jogador mostrou que está
consciente da situação. Fez mais um contra
o Rio Claro. Contra o Corinthians, em sua
segunda partida, teve um gol anulado, gerando
muita polêmica. Voltou a marcar contra o
São Caetano no dia 7 de fevereiro. E pronto.
Mais nada.
Dentro desse "jejum"
que já dura quase um mês, Adriano voltou
a ter problemas de relacionamento. Recentemente,
envolveu-se num pequeno desentendimento
que em muito lembrou seus tempos de Internazionale.
Chegou atrasado e mal-humorado a treino
do São Paulo. Pouco depois abandonou o treino
e, no estacionamento, ameaçou agredir um
fotógrafo. Conversou com Marco Aurélio Cunha
e, alegando problemas pessoais, retirou-se.
Pediu
desculpas durante o fim-de-semana. Mas o
jejum prossegue e a direção do clube lamenta
que Adriano tenha esse tipo de atitude,
mesmo com a equipe tentando ajudá-lo. "Estamos
ajudando o Adriano, até mais de que ele
tem nos ajudado", declarou Cunha. Foi
um evento isolado, mas Adriano é reincidente
em sua carreira e precisa cuidar para que
esse tipo de situação não se repita.
É
uma pena ver uma carreira tão promissora
encontrar tantas dificuldades pela frente.
Novo
amanhacer em Haringey 28/02
O galo não cantou na manhã de segunda-feira,
25 de fevereiro. As bandeiras brancas que
deveriam decorar varandas, janelas e sacadas
das casas do distrito e de todas as freguesias
vizinhas - Islington, Hackney, Waltham Forest,
Camden, Barnet e Enfield - foram recolhidas
no entardecer do dia anterior. Não havia
motivo para 1,4 milhões de ingleses comemorar.
O Tottenham Hotspur saiu atrás no placar,
e mesmo empatando logo em seguida, perdeu
a Copa da Liga. O Blackburn Rovers era o
grande campeão daquele domingo, 24 de fevereiro
de 2002.
A competição em questão,
sempre alcunhada por um patrocinador, ainda
sequer se chamava Carling Cup, mas sim Worthington
Cup, pelo menos pela última vez - na temporada
seguinte a Carling começaria a parceria.
O Tottenham a havia vencido em 1999, no
primeiro ano que havia adquirido o patrocínio
da Worthington. Quando conquistaram o título
em 99 vencendo o Leicester City por 1x0,
os Spurs quebraram um jejum de oito anos
sem conquistas, desde a FA Cup de 1991.
Em 2002, o jejum durava três anos. Era bem
menor, mas claro que incomodava. Quem gosta
de passar três temporadas sem levantar um
troféu?
O Tottenham pode não ser
dos maiores vencedores da história da Ilha
e ter lá seu histórico de jejuns, mas tem
seus feitos importantes. Foi o primeiro
clube inglês a conquistar uma dobradinha
que os locais tanto adoram - em 1961, vencendo
o Campeonato Inglês e a FA Cup. Foi o primeiro
inglês também a vencer um torneio europeu,
a Copa dos Vencedores de Copa, aqui chamada
ReCopa Européia, em 1963; e foi o primeiro
clube a vencer a Copa da UEFA, em 1972 -
até o ano anterior, havia a Taça das Cidades
com Feira, precursora da Copa da UEFA.
Naquele
domingo, 24 de fevereiro, os Spursm treinados
por Glenn Hoddle, entraram em campo com
Neil Sullivan no gol, Ben Thatcher, Chris
Perry, Ledley King e Mauricio Taricco fechando
a defesa, Tim Sherwood e Gustavo Poyet como
volantes, os meias eram Darren Anderton
e Christian Ziege e no ataque Les Ferdinand
e o veterano Teddy Sheringham. Os Rovers
abriram o placar com Matt Jansen ainda no
primeiro tempo, mas Ziege empatou poucos
minutos depois. Andy Cole acabou com o sonho
dos Spurs aos 69 minutos de jogo finalizando
o placar por 2x1.
A final foi disputada
no Millenium Stadium, de Cardiff, País de
Gales, enquanto Wembley, o Templo do Futebol,
passava por reformas. Esse jejum do Tottenham
duraria exatamente longos seis anos.
Em
24 de fevereiro de 2008 o Tottenham Hotspur
encontrou o rival londrino Chelsea para
a decisão da Copa da Liga, já chamada Carling
Cup. O bom e velho Chelsea, rival de longas
datas - na "lista negra" dos Spurs,
o Chelsea só está atrás de Arsenal e West
Ham United. A semi-final já havia sido gloriosa.
Não é sempre que se goleia "o"
rival Arsenal por 5x1 em White Hart Lane.
Naquela ocasião, o Arsenal poupou nomes
mais fortes para compromissos mais importantes,
como a Liga dos Campeões, e colocou. Mas
o Chelsea veio de cara com sua força total,
jogando no 4-3-3 (mais para um 4-3-2-1,
mas tudo bem) e estava, sim, disposto a
conquistar seu quinto campeonato da Copa
da Liga. Vale salientar que Avram Grand
ainda não ganhou títulos dirigindo o Chelsea,
e na condição de substituto de Mourinho,
clube e torcida não vão ter muita paciência
para que isso torne a acontecer.
Tanto
que os Blues abriram o placar ainda no primeiro
tempo, com Drogba cobrando falta. Foi um
golpe para Juande Ramos e para o Tottenham,
porque os Spurs vinham jogando melhor -
tendo a primeira oportunidade de gol, após
um passe errado monstruoso de Beletti que
quase resultou em gol de Keane; Chimbonda
também meteu uma bola na trave. E mesmo
com o gol do Chelsea, o Tottenham seguiu
melhor em campo, perdendo grandes oportunidades,
como um lance onde Didier Zokora largou
do campo de defesa até o ataque e chutou
em cima de Cech. Já no segundo tempo, aos
68 minutos, Wayne Bridge meteu a mão na
bola dentro da área. Berbatov cobrou e converteu
o pênalti. Com o empate, os dois times se
dirigiam a prorrogação. Pascal Chimbonda
e Steed Malbranque, franceses que foram
o que os Spurs tiveram de melhor em campo
nos tempo regulamentares, deixaram o gramado
antes mesmo dos 90 minutos devido a todo
esforço físico que protagonizaram, dando
lugar a Tom Huddlestone e ao finlandês louco
Teemu Tainio.
Aos 12 minutos do primeiro
tempo da prorrogação, a bola parou para
que o Tottenham cobrasse uma falta, e Robbie
Keane deixou o campo exausto. Younes Kaboul
entrou em seu lugar. Na seqüência, Jermaine
Jenas alçou na área e Jonathan Woodgate,
o grande reforço dos Spurs após a chegada
de Ramos, subiu para cabecear. Seu arremate
bateu nas mãos de Cech e ricocheteou novamente
na sua cabeça. Os Spurs viraram o placar
para 2x1. Começou a marcha de espera para
o apito final - e ainda tínhamos 27 minutos
de bola rolando. Paul Robinson, o questionado
goleiro ex-Seleção Inglesa, o "frangueiro",
que virou uma espécie de segunda opção de
Ramos, foi o titular da partida, fazendo
muitos se perguntarem porque Radek Cerny
não jogaria a partida mais importante do
ano. Robinson havia ficado do lado do ex-treinador
holandês Martin Jol, e há quem diga que
foi a própria diretoria do Tottenham que
havia deixado o goleiro de molho. Em campo,
na sua condição de camisa 1, Robinson agiu
como (não) se esperava e fechou o gol. Não
realizou nenhuma grande defesa, mas esteve
seguro durante todo o jogo, sem cometer
falhas óbvias que permitissem um novo gol
dos Blues. Woodgate e King estavam em noite
inspirada, com um belo trabalho de marcação
que fazia a diferença, anulando Joe Cole
e Drogba. O Tottentam ainda se deu ao luxo
de perder um gol claro, com nova arrancada
de Zokora, que demorou demais a abrir para
Aaron Lennon, e na hora H o fez de forma
errada.
O árbitro Mark Halsey apitou
o final do jogo quando a bola estava no
ar, num lançamento para um arremate que
Drogba quase converteu, acertando a trave.
De nada adiantaria. O jogo já estava encerrado
e os Spurs, depois de nove anos, voltaram
a ser campeões e encerraram a seca que,
em 2002, nem era tão grande, mas já dava
tanto desgosto. Ledley King, capitão da
equipe, era o único que esteve presente
em 2002, levantou o troféu junto com Keane,
o vice-capitão, como é costume na Inglaterra.
Esse
é um título que tem vital importância para
os Spurs, mas que cada um pode encará-lo
de uma maneira diferente. Para Robbie Keane
é formalizar seu nome na história do clube.
Não que "Keano" não fosse desde
já um nome importante no clube, mas quando
um atleta tem um título pela agremiação
faz toda diferença. Para Juande Ramos é
a confirmação de seu talento em treinar
equipes medianas e fazê-las render. O Tottenham
vinha mal das pernas até a saída de Jol
e a chegada de Ramos. Existe uma confiança
em White Hart Lane para a conquista da Copa
da UEFA, e com Ramos isso é possível. Mas
para a torcida que tanto canta "You
know I can't smile without you" (canção
famosa na voz de Barry Manilow que virou
uma espécie de hino do clube), essa foi
mais uma noite inesquecível, depois de nove
anos de insônia.
As ruas estavam
decoradas com as bandeiras brancas e azuis-naval
e os distritos ao redor de Tottenham estavam
em festa. Desta vez, era possível dormir.
Nesta manhã de segunda-feira, 25 de fevereiro,
finalmente o galo voltou a cantar.
Super
Pato 08/02
Há algumas semanas, no dia 15 de janeiro,
escrevi a coluna "Patológico"
questionando o que nosso querido Alexandre
Pato tem de extraordinário. E, no mesmo
artigo, afirmei que Pato, sim, tem alguma
coisa. Eu é que não sabia o que era, mas
estava claro que o #7 do Milan tinha algo
de diferente. Acho que agora já consigo
enxergar o que o Pato tem de extraordinário:
ele próprio é extraordinário.
Agora
percebo que, quando eu disse "O natural
é dar um tempo ao Pato. Não posso exigir
que Pato seja um Careca, um Romário ou um
Ronaldo. Talvez seja apenas o Pato.",
eu já via muito bem quem era esse tal Alexandre
Pato. Apenas não havia abstraído a informação
que tal jogador seria um diferencial do
nosso esporte. Cada década teve seu craque
em potencial. A década de 70 viu surgir,
entre outros craques, Zico, que explodiu
nos anos 80. A década de 80 viu surgir Romário,
que viveu seu auge nos anos 90. A década
de 90 teve o Ronaldo. Mas a década de 2000
estava vazia. Ronaldo, machucado, não pôde
cumprir seu papel de superjogador. Romário,
aos 42 anos, tá aí na atividade. E de 2000
para cá veio a ascensão de uma sucessão
de jogadores que empolgavam, que poderiam
ser nosso novo Zico, novo Romário.
Veio
o Ronaldinho, que chegou a ter um auge e
a grande interrogação de que seria melhor
que o Maradona. Hoje vemos que Ronaldinho
viveu uma fase. Veio o Alex, o Robinho,
o Diego, o Wagner, o Kerlon Foquinha, o
Dudu Cearense, o Dagoberto, o Adriano, o
Fred, o Nilmar... nenhum deles, nenhum,
conseguiu ser um jogador decisivo na hora
que o bicho pega, como foram Romário e Bebeto
em 1994, como foi Ronaldo e Rivaldo em 2002,
ou mesmo como foi, por exemplo, Élber no
Bayern de Munique (e APENAS no Bayern de
Munique). Talvez apenas Kaká tenha sido
uma revelação dos anos 2000 que sempre se
manteve por cima. Se tornou um líder no
Milan, o melhor jogador do mundo... mas
Kaká faz mais o tipo de fenômeno silencioso.
É um grande jogador, um jogador que encanta,
mas é aquele cara que joga para o time e
faz o time jogar. Que decide, quando precisa
(veja o caso da estréia contra a Croácia
na Copa do Mundo). Mas não está no mesmo
patamar de Zico, Ronaldo ou Romário.
À
sua maneira, acredito hoje que Alexandre
Pato tenha tudo que é necessário para ser
um ídolo da mesma categoria. Pato é matador,
marcador de gols, e algo que era pra acontecer
aos poucos - marcar quatro gols pelo Milan
- aconteceu logo de cara, com apenas seis
jogos. Isso pra mim é a grande prova do
diferencial de Pato. Tudo bem que é um jogador
talentoso, como muitos por aí. Talentoso
por talentoso, todos aqueles citados no
parágrafo anterior o são. Mas ele tem algo
mais. Pato parece ser talentoso sempre.
Rápido e com um chute afiado. Se posiciona
bem para marcar um gol. Não tem, ainda,
a mesma habilidade de Ronaldo, mas consegue
se virar muito bem ao seu estilo. Uma pena
que tenha se lesionado ao final de sua última
partida pelo clube e que vá passar umas
três semanas de molho. Queria muito ver
o Pato estrear na Seleção Brasileira, certamente
com um gol, como é de seu costume. E a pressão
nem parece assustar, porque qualquer camisa
que Pato vista, por mais pesada que seja
sua importância, em Pato tem o peso leve
de sua malha original.
Pato é precoce.
Começou no futsal aos três anos de idade.
Estreou no Internacional pouco depois de
fazer 17. Transferiu-se para o Milan com
a mesma idade, antes mesmo de completar
os 18 anos necessários. E antes de se consolidar,
já arrumou namorada famosa! Foi Campeão
Mundial de clubes, foi Campeão Sul-Americano
Sub20 e decepcionou no Mundial, mas é o
principal nome na aposta do ouro Olímpico.
Eu
acredito em Alexandre Pato. E, agora, apenas
espero que a promessa possa se cumprir.
Cores
que mudam 31/01
Pouco, mas mudam. Pouco, porque as bandeiras
basicamente têm cores parecidas. Ainda assim,
mudam com alguma freqüência, por menor que
seja a tonalidade. Mudam de forma, mudam
de listras, de desenhos, de língua e, principalmente,
de país. As camisas têm cores forte, principalmente
nas tonalidades de vermelho, amarelo e verde,
cores presentes na maioria das bandeiras.
Mas também temos azuis, pretas, brancas,
listradas... os jogadores fazem a maior
farra, dançam, sorriem, enquanto a torcida
dá um show de originalidade nas arquibancadas.
Assim é a Copa Africana de Nações: metamórfica
e muito, mas muito divertida.
Primeiro,
um pouco de geografia. A África possui um
total de 53 países num território de 30.221.532km².
O continente é tão grande, mas tão grande,
que se divide em cinco grandes regiões:
Leste (Burundi, Djibuti, Eritreia, Etiópia,
Quênia, Ruanda, Seychelles, Somália, Tanzânia
e Uganda); Oeste (Benin, Burkina Faso, Cabo
Verde, Camarões, Costa do Marfim, Gabão,
Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Guiné
Equatorial, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger,
Nigéria, Senegal, Serra Leoa, São Tomé &
Príncipe e Togo); Central (República Centro-Africana,
República Democrática do Congo, Chade e
Congo); Norte (Argélia, Egito, Líbia, Marrocos,
Saara Ocidental, Sudão e Tunísia); e Sul
(África do Sul, Angola, Botswana, Comores,
Lesoto, Madagáscar, Malawi, Maurícia, Moçambique,
Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe).
Cada
região já teve seu próprio torneio de futebol.
Já tivemos Copa da África do Oeste, Copa
do Norte da África... mas o bicho pega mesmo
é na Copa Africana, que está rolando no
momento, sediada este ano em Gana com transmissão
ao vivo dos canais ESPN.
O torneio
existe desde 1957, ano que teve apenas três
participantes Sudão, país sede, Etiópia
e Egito. Eram tempos difíceis, quando a
África ainda lidava com Apartheid e com
colonizações. De qualquer forma, o torneio
se seguiu sem ser interrompido. Entre 1957
e 1968, o torneio variou sua periodicidade
entre dois, três e até mesmo um ano de intervalo.
Desde a edição de 1968, na Etiópia, a Copa
vem se realizando a cada dois anos. E se
mantém assim nos anos atuais, mesmo com
a recomendação da FIFA de que os torneios
continentais devem ser realizados a cada
quatro anos.
Em sua 26ª edição, a
Copa Africana já teve 35 dos seus 53 países
jogando pelo menos uma edição do torneio.
Ninguém disputou todas e o Egito se mostra
a maior força do continente, com 21 participações
(líder), 5 títulos (líder) e 4 vezes país-sede
(líder, junto a Gana). O Egito, aliás, é
o atual campeão - venceu a edição 2006,
jogando em casa pela quarta vez. Mas a Copa
Africana de Nações também é democrática
em termos de títulos. Dos 35 países que
jogaram a Copa em sua história, 13 já foram
campeões e 19 finalistas - recorde esse
que pertence a Gana, com sete finais contra
seis de Egito e Nigéria.
A alternância
de campeões também é grande. Nunca houve
um tri-campeão. Tivemos bi-campeões apenas
em 1963 e 1965 (Gana) e em 2000 e 2002 (Camerões).
A possibilidade de haver uma seqüência maior
existiu duas vezes: em 1968 Gana chegou
a final, onde perdeu o tri-campeonato. E,
caso tivesse ganho, poderia ter sido tetra
em 1970, chegando à final mais uma vez,
mas perdendo para o Sudão. Já Camarões,
campeão em 1984 e 1988, perdeu uma chance
de tri por ter sido derrotado nos pênaltis
pelo Egito em 1986.
O interessante
da Copa Africana é que ela ocorre em janeiro,
diferentemente de Eurocopa, de Copa América,
de Copa da Ásia e de Copa do Mundo. Os jogadores
africanos costumam ser liberados para disputá-las,
mesmo a contra-gosto dos clubes, e chegam
ao torneio em forma, no auge, e não acabados
fisicamente como costuma acontecer no Euro
e em Copas do Mundo. A edição desse ano
mesmo está cheia de craque: Drogba, Eto'o,
Kanouté, Essien, Emana, Martins, Kanu, Appiah,
Job...
Eto'o, por sinal, acaba de
se tornar recordista de gols na história
do torneio, com 14 gols, mesmo número de
Laurent Pokou, ebúrneo que jogou nas décadas
de 1960 e 1970.
A Copa está no final
da fase de grupos, com as Chaves A (Gana
e Guiné) e B (Costa do Marfim e Nigéria)
definidas. A África do Sul, de Parreira,
joga sua sorte na quinta-feira, com grandes
chances de ser eliminada.
Sem dúvidas,
é um torneio com muito atleta bacana participando.
Pode até não ter o mesmo técnico do Euro,
mas bem melhor que uma chata Copa América,
por exemplo. Pelo menos sempre vemos um
país surpreendendo, uma Seleção diferente
vencendo, novos jogadores surgindo...
E,
principalmente, é a competição mais divertida
da história do futebol. Em que outro lugar
vemos pessoas lotando e colorindo estádios,
torcendo, vibrando, dançando, sorrindo,
mesmo com um continente pobre, à mercê da
exploração européia, pobreza e epidemias,
vivendo da caridade da ONU? As cores africanas
sempre estão bem-definidas. Basta querer
ver.
Dois
Milans, três nacionalidades, um Mundo 22/01
Chegou o esperado dia do ano de pleitear
aquele gordo aumento salarial anual. É aniversário
do Patrão e aqui vai mais uma coluna-presente
em homenagem ao maior time e clube de todos
os tempos: o glorioso Associazione Calcio
Milan! Engole essa, Real Madrid!
Para
tal, vamos comparar os dois principais elencos
do clube, que foi/é, sem dúvida, o maior
vencedor de títulos da década de 90/2000.
O
Milan, indubitavelmente, teve um timaço
em 1994, quando goleou o Barcelona de Stoichkov,
Koeman, Amor, Guardiola, Zubizarreta e Romário
na final da Liga dos Campeões por 4x0. Mesmo
assim, essa máquina rossonera não se compara
ao Milan campeão em 1990 e ao Milan campeão
em 2007, um "holandês" e outro
"brasileiro", não por ter um elenco
inferior a ambos, mas por ter falhado na
conquista do Mundial de Clubes, sendo derrotado
no Japão pelo Vélez Sarsfield de Chilavert,
Zandoná e Pompei.
Arancioneneri A
palavra acima é o italiano para "laranja-negros",
referência aos três holandeses que mandavam
no Milan em 1990: Frank Rijkaard, Ruud Gullit
e, ele, Marco van Basten. Os craques italianos
do time eram os jovens Alessandro Costacurta
e Paolo Maldini e um já experiente Franco
Baresi, capitão da equipe. Muito experiente
também era o "reserva de luxo"
Daniele Massaro, e o elenco era comandado
por Arrigo Sacchi. Com esse time, essa linha
de ataque holandesa Rijkaard-Gullit-van
Basten, o Milan tinha a missão de quebrar
o cadeado do Benfica, afinado por Aldair
e Ricardo Gomes, que seria a dupla do tetracampeonato
brasileiro em 1994, caso o segundo não tivesse
sido cortado por contusão.
A batalha
campal de Viena, cidade que sediou a final
da então Copa dos Campeões, foi o último
capítulo de um torneio onde o Milan teve
de passar por cima do Real Madrid por 2-1
na segunda rodada e do Bayern de Munique
numa semi-final emocionante, vencendo por
1-0 em casa e perdendo de 2-1 na Alemanha,
classificando-se pelo critério do "gol
fora de casa".
Culminando com
o título mundial no Japão por 3-0 sobre
o Olímpia de Portugal, o Milan foi também
foi campeão da Supercopa da Europa e vice-campeão
do Campeonato Italiano e da Copa da Itália
no mesmo 1990.
Verdegialloneri Italiano
para "verde-amarelo-negros", pelos
brasileiros que se destacam no Milan de
2007. O mais correto seria "o brasileiro",
Kaká. Tudo bem que tem o Dida titular no
gol, mas o gigante já não era/é mais nenhuma
unanimidade. Ele e Kaká foram os titulares
na final que tinha no banco Serginho e Cafu.
Ronaldo, parte do elenco, não jogou o torneio
e apenas assistiu à final. Já mais globalizado,
o Milan tinha holandês em campo, Seedorf,
e o tcheco Marek Jankulovski, além de ter
posto o georgino Kaladze ao fim da partida.
Ainda assim, um Milan primando pelos italianos,
diferentemente do rival Liverpool, com apenas
três ingleses em campo, derrotado por 2-0,
dois gols de Inzaghi.
Hoje em dia,
com uma Liga dos Campeões bem mais longa,
o Milan teve de recuperar na justiça seu
direito de disputar o torneio e tirar do
caminho Celtic num jogo dificílimo, Bayern
de Munique e Manchester United, com show
de Kaká, até chegar à final.
Vencendo
também a Supercopa da Europa, o Milan não
teve grandes desafios no Mundial de Clubes
e se impôs sobre o Boca por 4-2 onde Kaká
foi tido o destaque de um Milan que, de
mais brasileiro teve apenas a adição de
Emerson ao banco de reservas.
O Milan
laranja acabava fazendo mais o estilo máquina
que este Milan pseudo-verde-amarelo. Era
mais rápido, tinha mais imporviso, mérito
todo do trio holandês. O Milan de 1990 estava
mais para o futebol encantador que o Milan
atual, que pode se dizer primando mais pela
eficiência, e ainda assim não tão eficiente
quanto o Milan de 1990, ou mesmo o de 1994.
Não é à toa que van Basten, Gullit e Rijkaard
decepcionaram tanto na Copa de 90, fracassando
junto com a Holanda. Pelo Milan dava para
ter a idéia do que o futebol desses três
representava, e ter esse trio em 1990 era
semelhante a ter, por exemplo, um trio da
qualidade de Zico, Sócrates e Careca. Mas...
Rossoneri
per la verità "Rubro negro de
verdade". O curioso é poder perceber
outra coisa.
Nesses 17 anos que separam
o Milan dominante na Europa e no Mundo,
o que acaba ficando claro é que a verdadeira
força-motriz do clube é fiel à sua nacionalidade:
italiana. Seja um trio holandês em 1990
ou Kaká em 2007, o Milan tem o alicerce
formado por seus homens "fiéis",
especialmente os meias Carlo Ancelotti e
Alberigo Evani em 90 ou Andrea Pirlo, Gennaro
Gattuso e Massimo Ambrosini agora em 07.
Desse
ponto de vista, o Milan não se torna tão
diferente de 1990 para 2007, porque o futebol
característico italiano e rossonero estava
presente em ambos.
Esses fatores
também estavam presentes em 1994 quando
o Milan tinha Dejan Savicevic e o sensacional
Zvonimir Boban, mas tinha também Demetrio
Albertini e Roberto Donadoni.
Isso
é uma prova ao fator de quem critica o estrangeirismo
na Europa. Os Sul-Americanos podem invadir,
os estrangeiros abrigados pela Lei Bosman
podem completar elencos de Liverpool, Real
Madrid, Barcelona e Internazionale. Mas
quando um clube prima por seus jogadores
nacionais, como é o caso do Milan e já foi
o caso do Bayern de Munique, hoje muito
mais estrangeiro, nunca perde sua característica
principal de jogo e se mantém na rota dos
títulos. Alguém aí já se perguntou porque
o Milan se mantém campeão durante os anos
90 e 2000 enquanto a Internazionale fica
só nos títulos domésticos e o Real Madrid
decai cada vez mais?
E Feliz Aniversário,
Patrão!
Patológico 15/01
Alexandre Rodrigues da Silva sai na capa
da Revista Caras ao lado de uma atriz Global,
com maior pinta de ator de Novela das Oito
ou de vocalista de banda de pagode. É estranho
porque esse patamar de "superastro"
se imagina a nomes como Kaká e Ronaldinho.
Pato está desfrutando de um privilégio que
nem Robinho, um jogador, digamos, mais estabelecido
e com mais história, tem - não que eu acho
que mereça, uma vez que não gosto do Robinho.
Mas havemos de convir... Robinho tem seus
feitos. Dois Campeonatos Brasileiros, uma
Copa América, uma Copa das Confederações,
um Campeonato Espanhol, participação em
Copa do Mundo... mas e o tal Alexandre Rodrigues
da Silva? Não conhece? É o Pato!
Alexandre
Pato foi revelado pelo Internacional em
2006. Em toda sua carreira, disputou apenas
26 jogos pelo clube colorado, marcando 12
gols. Foi Campeão Mundial com o Gigante
da Beira Rio, tendo chegado ao Japão com
17 anos e apenas um jogo como profissional.
Marcou um gol contra o Al-Ahly, que acabou
fazendo diferença, uma vez que o Inter venceu
por 2x1. Mas não fez grande diferença na
final do Mundial, e Pato foi abafado pelo
grande nome daquele Campeonato, que foi
o Iarley. Pato também venceu a Re-Copa Sul-Americana
2007 com o Internacional. O que não apaga
a pífia campanha do time vermelho na Libertadores
do mesmo ano.
Talvez o que Pato tenha
feito de melhor até agora em sua carreira
foi o Campeonato Sul-Americano Sub20, onde
foi campeão junto com a Seleção Juvenil.
E, justiça seja feita, Pato foi razoável
num Mundial onde a Seleção fracassou feio,
mas teve sua responsabilidade, afinal de
contas, o que se espera de um craque é que
ele mude um jogo, um time, um campeonato.
Então...
por que o Milan pagaria 20 milhões de dólares
por um jogador que nem tinha 30 jogos como
profissional? Talvez seja a aposta de que
Pato é um fenômeno daqueles que só acontece
a cada dez anos em média. Daquele que aconteceu
com Careca... aconteceu com Romário... aconteceu
com Ronaldo. Não vejo em Pato a metade do
talento que via em Careca, em Romário e
em Ronaldo, a capacidade do improviso, de
tirar a bola entre três, quatro adversários
de uma vez só... mas também não deixaram
Pato acontecer, como deixaram que os três
citados acontecessem. Pato tem mais pressão
que Ronaldo, Romário e Careca tiveram. Pato
chega de cara no Milan campeão mundial e
recebe a camisa 7 - a que foi de Shevchenko,
de Carlo Ancelotti, de Roberto Donadoni.
E,
diga-se de passagem, Pato vem lidando muito
bem com essa pressão. Em sua estréia pelo
Internacional no Brasileirão 2006, marcou
um gol com um minuto de jogo. Em sua estréia
pelo Mundial, marcou um gol. No seu primeiro
jogo da Libertadores 2007, também marcou
um gol. Na sua estréia pelo Milan em amistoso,
marcou um gol e marcou agora na sua estréia
profissional, na vitória de 5x2 sobre o
Nápoli. Pressão nas asas desse Pato não
parece ser problema.
O natural é
dar um tempo ao Pato. Não posso exigir que
Pato seja um Careca, um Romário ou um Ronaldo.
Talvez seja apenas o Pato. Tenha um outro
estilo. Talvez supere os três. Talvez não.
É uma aposta. E, contrariando o meu olhar
clínico... essa aposta parece valer muito,
muito à pena. Não sei o que o Pato tem.
Não vejo. Mas o problema, nesse caso, é
meu. Porque sempre que entra em campo, Pato
mostra que, seja o que for, ele tem.
Ainda
me pergunto porque tão cedo Pato já é capa
de revista, já é tão badalado. Me pergunto
tentando entender por quê. Mas tenho certeza
que não é à toa.
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