STEFAN LORAX - ARQUIVOS 2008

Sonho fenomenal
10/12

Qualquer coluna normal sobre Ronaldo comentaria o que o atacante pode fazer em sua nova volta ao futebol. E falaria tudo aquilo que já sabemos - que Ronaldo não é mais o mesmo, que não deve render a temporada inteira, que tem que entrar nos jogos com moderação, que embora produza bem, não tem constância suficiente para jogar, etc.

Tudo isso é verdade. E concordo com cada palavra. Mas não vou abordar nenhum desses pontos nesta coluna. Até porque, até o fechamento deste artigo, Ronaldo nem clube tem - a contratação do Corinthians ainda não foi formalmente acertada nem oficializada. Tudo bem que o clube já está vendendo camisas do atacante... mas o Vagner Love também chegou a ter sua camisa lançada, e não chegou a ser contratado. Eu não me surpreenderia se o atacante, repentinamente, NÃO acertasse com o Corinthians - embora, pelo andar da carruagem, eu acredite que, sim, Ronaldo VAI jogar no Corinthians.

Mas analisemos o tempo em que o jogador se contundiu. Não teve seu contrato com o AC Milan, que nunca deveria ter acontecido, renovado. Fez a cirurgia e... passou a se tratar no Flamengo - coisa que já havia feito outras vezes, quando sofrera lesões. Tudo porque o Flamengo, que recusou Ronaldo quando era juvenil (assim como o São Paulo FC), é o time para o qual o jogador torce. Ronaldo nunca, NUNCA cansou de afirmar sua paixão pelo Flamengo e declarar publicamente que seu sonho seria jogar pelo rubro-negro. Então víamos Ronaldo indo ao Maracanã assistir à finais de campeonatos estaduais, acompanhado do filho, Ronald, que vestia camisa do Flamengo. Via-se Ronaldo vir a público dizer que pretende negociar com o clube.

E, nas atuais circunstâncias, realmente tudo apontava para que o centroavante assinasse com o clube da Gávea. O mercado na Europa não era assim tão promissor - surgiram propostas oficiais de Manchester City e PSG, mas Ronaldo sempre preferiu clubes grandes, como Internazionale, Real Madrid e Milan. O próprio jogador declarava que preferiria jogar por um clube grande recebendo menos que por um menor recebendo mais - e, sejamos justos, palmas para ele nesse aspecto, que mostra que está no esporte pelo prazer, pela possibilidade de se tornar um ídolo num clube de porte, e não pelo dinheiro, que poderia ganhar muito mais se mandando para Arábia.

Ao final da Série B, Ronaldo esteve em São Paulo para jogar um amistoso comemorativo, e surgiram rumores de conversa entre o jogador e o Corinthians. Mas o presidente Andrés Sanhcez disse que seria impossível que o Corinthians bancasse Ronaldo, a não ser que ele facilitasse financeiramente. E todos nós, claro, víamos como uma mera questão de tempo Ronaldo realizar seu grande sonho e vestir a camisa do Flamengo.

Quando jogador e clube, e este clube não é o Flamengo, mas sim o Corinthians, anunciam o "quase-acerto" da contratação do atacante, naturalmente todo mundo custaria a acreditar. E as camisas começam a ser vendidas, Ronaldo fala que "está chegando mais um louco", mostrando que a concretização está próxima.

Pensando bem, se não fosse para jogar pelo Flamengo, o clube que mais teria as características que agradam a Ronaldo seria justamente o Corinthians. Um clube de massa e tradicional - um clube que, guardadas as devidas proporções, guarda muitas semelhanças com o Flamengo. Sendo numa escala 100% menor, uma vez que o Flamengo tem o dobro de torcedores do Corinthians. Então, a contratação de Ronaldo não seria assim tão surpreendente.

Mas por que o atacante simplesmente preferiu não defender o Flamengo? Porque o rubro-negro realmente tinha interesses em contratar o atacante. Era um sonho recíproco, tanto por parte de Ronaldo quanto por parte do Flamengo. E o Flamengo não havia desistido desse sonho - e, ao que parece, a notícia do acerto entre Ronaldo e Corinthians também foi surpreendente na Gávea.

Pergunto então o que houve? Quais os motivos para que Ronaldo abrisse mão do grande sonho do qual tanto falou para jogar num outro clube aqui mesmo no Brasil?

Razões financeiras? No Corinthians o jogador vai receber por produção + quotas de patrocinadores. Então, não acredito que seja nada financeiro. Atual fase do clube? A do Flamengo é BEM MELHOR que a do Corinthians, que disputou a Série B e só voltou à elite agora.

Será que é o Flamengo, mesmo numa fase melhor, que não inspira tanta confiança assim? A ponto daquele que é um dos mais ilustres torcedores do clube abrir mão de jogar por ele no momento em que surge uma grande oportunidade?

E sabe o que é o pior de tudo? Nem acredito que a Gávea tenha fechado as portas para Ronaldo. O que é uma pena. O Flamengo, que tem Zico como maior ídolo, merecia mais respeito - de Ronaldo, que tinha liberdade para escolher outro clube, mas que deveria negociar também com o Flamengo e explicar a situação, caso resolvesse jogar em outra equipe, afinal, o Flamengo apostou em Ronaldo e o ajudou em sua recuperação; e também dos próprios dirigentes do clube, que lhe faltam com respeito em todos os aspectos.

O descobrimento da América do Sul
04/12

Aconteceu! E foi surpreendentemente emocionante! Mas agora o Brasil, através do Internacional de Porto Alegre, descobriu a Copa Sul-Americana. Não podemos afirmar que esse título vai, realmente, fazer com que os clubes brasileiros passem a valorizar esse torneio - como desejamos que acontecesse na coluna "Agora, o Brasil faz parte da América do Sul", publicada em 18/11. Mas pelo menos temos nosso primeiro campeão do torneio. E ele o conquistou tomando a inédita atitude de abdicar do Campeonato Brasileiro, colocando até mesmo o time reserva em campo no torneio nacional - um privilégio que, até então, era exclusividade da Libertadores.

Parabéns ao Internacional!

Poderíamos discutir aqui como o Inter chegou ao resultado, após uma brilhante vitória na Argentina por 1x0 e um emocionante empate em casa por 1x1, derrotando os Estudiantes apenas na prorrogação, ao final do segundo tempo extra. Poderíamos comentar a campanha do clube, que passou por Grêmio, pela Universidad, pelo Boca Juniors e pelo Chivas Guadalajara até chegar à decisão contra o Estudiantes.

Mas, ao invés disso, vamos tratar da importância e dos méritos da conquista. Como afirmei em coluna(s) antetior(es), a Copa Sul-Americana só é valorizada por aqueles clubes que estão na zona intermediária da tabela do Campeonato Brasileiro, que sabem que não vão disputar nada no torneio - e que, no ano seguinte, já na Sul-Americana, desdenham e reclamam do torneio. O Internacional inverteu a história.

Se pensarmos num exemplo de torneio sub-valorizado, temos a Copa Conmebol, disputada entre 1992 e 1999 e, em suas últimas edições, chegou a ter clubes como Sampaio Corrêa, São Raimundo e CSA disputando. De qualquer forma, o Brasil chegou a valorizar a Copa, tanto que Atlético Mineiro, Botafogo, São Paulo e Santos chegaram a vencê-la. Também tivemos a Copa Mercosul, que chegou a ser mais valorizada que a atual Copa Sul-Americana. Em quatro edições, três delas tiveram a final disputada apenas por clubes brasileiros. Na quarta e última, um brasileiro e um argentino. Palmeiras, Flamengo e Vasco conquistaram esse título. E o Flamengo perdeu a última edição para o San Lorenzo.

Não dá para entender porque o Brasil valorizava esta Copa Mercosul e desvaloriza a Copa Sul-Americana. E é por isso que o título colorado tem mais valor do que um torneio menor realmente agrega. Como dissemos na coluna do dia 18, o Internacional foi o único clube brasileiro a admitir abertamente que não estava brigando por uma vaga na Libertadores, como havia declarado, e resolveu priorizar a Copa Sul-Americana. Por acaso não paramos para pensar que esse título também é um título continental? Que, o vencendo, o Internacional disputará a Recopa com a LDU e que pode entrar para o seleto clube de times com mais de um título da Recopa - que inclui apenas Boca Juniors, São Paulo e Olímpia?

Agora vamos estender a comparação e colocar a Libertadores no pacote. Achou forçado? Mas a Libertadores, nos anos 60, não tinha muita importância para clube brasileiro. Em 1966 o Santos, bi-campeão do torneio, simplesmente o boicotou. Quem consegue imaginar hoje em dia um time boicotar a Libertadores? Em 1969 os clubes brasileiros tornaram a boicotar a mais importante competição sul-americana, atitude que se repetiu em 1970. Para uma confederação e seus clubes abrir mão de um torneio, tem de considerá-lo de pouquíssima importância. E olha que no campeonato em questão já havíamos tido campeões (Santos em 1962 e 1963) e vice-campeões (Palmeiras em 1961 e 1968).

Os motivos para o boicote geralmente eram desorganização da competição e choques com o calendário. Percebe que o filme é velho?

Mas sempre foi do brasileiro olhar para o próprio umbigo. Afinal de contas, de que vale ganhar um torneiozinho sul-americano se para isso você abre mão do glorioso campeonato estadual - principal competição da época, pelo menos na cabeça dos dirigentes brasileiros?

Logo, o Internacional conquistou um troféu que pode, e com certeza deve, ser valorizado no futuro. O boicote e a desvalorização acontece hoje - e é engraçado que essa desvalorização é feita até por clubes como o Corinthians, que nunca conquistou nenhum torneio continental, nem mesmo Taça Conmebol ou Copa Mercosul. Então, futuramente, teremos uma Copa Sul-Americana valorizada e prestigiada - só depende da organização e marketing da CONMEBOL. E aí clube brasileiro vai olhar para trás e lembrar o quanto a desvalorizou?

Mais uma vez, parabéns ao Internacional!

Meu pedido de aposentadoria
26/11

Eu sei que não conseguirei fazer isso. Mas bem que gostaria. Bem queria me "aposentar" do futebol nacional e acompanhar só o futebol sério, o internacional, onde posso acompanhar um clube menor, como o Tottenham Hotspur, e mesmo assim ter ídolos e jogadores "fiéis" ao time. E, o melhor, acompanhar futebol sendo apenas futebol. Bons jogadores, nível de jogo melhor que o nosso e, acima de tudo, futebol livre de especulações.

O motivo disso tudo? O ponto que chegamos: o Flamengo protestar até na FIFA contra o Carlos Eugênio Simon. E a CBF simplesmente banir o árbitro. A primeira coisa que penso é... logo o Flamengo? Aquele cujo maior título veio justamente através da arbitragem mais trágica da história do futebol, por parte de José Roberto Wright - que, por sinal, na transmissão de televisão, desceu a lenha em Simon. Contradição?

Não que o Flamengo não tenha direito de protestar. Muito pelo contrário! Tem, e como tem! Se o Flamengo se acha prejudicado, está no direito dele de reclamar. Pra mim o problema é a CBF acatar. A imprensa toda armar um complô para apoiar o clube carioca - claro, a imprensa menos parcial e mais interesseira, uma vez que a imprensa mais séria e imparcial, entenda-se ESPN Brasil, através de gente como Paulo Calçade e Mauro Cézar Pereira, criticou a atitude do Flamengo e da CBF como incoerentes.

Comparo com o caso de Corinthians e Portuguesa, cujo árbitro Javier Castrilli cometeu o maior erro da história do futebol de São Paulo? Nesse caso do Castrilli, o árbitro foi denunciado à FIFA. Mas pela FPF, e não pela Portuguesa. E houve pouquíssima divulgação da imprensa sobre o caso, uma vez que não era do interesse da mesma fazer nada pela Portuguesa, muito menos para "prejudicar" o Corinthians, outro clube queridinho e protegido.

Mas não houve por parte da Portuguesa nenhum escândalo em cima do acontecimento - e olha que motivos tinha, bem mais que o Flamengo, até.

Os erros de arbitragem antes aconteciam, assim como acontecem hoje em dia... Mas a dimensão dada a esses erros era bem menor. Ora, na Copa de 82, Gentile rasgou a camisa de Zico na área. Por acaso a CBF enviou um protesto à FIFA contra o árbitro Abraham Klein? E a Seleção Inglesa? A FA tomou alguma atitude do tipo contra o juiz Ali Bin Nasser? E aqui é Copa do Mundo...

Recentemente, cada vez mais o Brasil separa o futebol do jogo. É cada vez menos sobre futebol. É sempre arbitragem, STJD, torcida, Maracanã, estádio onde pode jogar, onde não pode jogar, pontos perdidos, tapetão, briga no aeroporto, renovação de contrato... e é isso que enche o saco, definitivamente.

Olho para o futebol europeu e vejo um patamar bem diferente. E não é por questões financeiras ou pelos jogadores que nele atuam. Mas por uma simples questão de postura - dos clubes, jogadores, federações e imprensa.

Por gostar muito de futebol, realmente não posso deixar de acompanhar o futebol brasileiro, até por torcer também por um clube do mesmo. Também não posso deixar de comentar sobre tal. Mas realmente é algo que me irrita. E vou tentar, ao máximo, me concentrar no lugar onde o futebol é realmente futebol.

Não é um pênalti não marcado, um das dezenas que acontece num final de semana em um único campeonato, que vai mudar a história do jogo.

Agora, o Brasil faz parte da América do Sul
18/11

Só agora um clube brasileiro acorda para a Copa Sul-Americana. A competição começou a ser disputada em 2002 e estava tão desorganizada que os clubes brasileiros, pela demora de aprensentação do calendário do torneio, a boicotaram. Mas toda a América do Sul estava lá, a prestigiá-la. O San Lorenzo foi campeão em cima do Atlético Nacional da Colômbia. Em 2003, o São Paulo avançou até a semi-final, quando o Cienciano o eliminou e venceu o torneio em cima do River Plate; nas duas edições seguintes, dois títulos argentinos, ambos do Boca Juniors, respectivamente em cima de Bolívar e Pumas - os clubes da CONCACAF começaram a ser convidados a participar do torneio, tendo inclusive uma inédita participação estadunidense, o DC United. O Internacional chegou às semi-finais em 2004.

Em 2006, voltamos a ter um brasileiro entre os semi-finalistas, o Atlético Paranaense. Mas na final, o Pachuca do México venceu o Colo Colo, num inédito título sul-americano a um time norte-americano. Na útlima edição, mais um mexicano na final - o América, derrotado pelo Arsenal da Argentina.

São seis edições com quatro títulos argentinos e um peruano. Sempre reclamamos aqui no Fanático da forma que o Brasil se porta para com a Copa Sul-Americana. A última vez foi em setembro, no dia 16, quando reclamamos que, quando não estão disputando nada no Brasileirão, os clubes brasileiros alegam que brigam por uma vaga na Copa Sul-Americana, e até chegam a comemorá-la quando conseguem. E, depois, na hora de jogar a Sul-Americana, reclama-se porque tem que jogar dois torneios. E fica corriqueiro colocar o time reserva para jogar a Sul-Americana, uma vez que a prioridade é mesmo o Campeonato Brasileiro.

Pela primeira vez a história mudou. O Internacional de Porto Alegre chega e resolve priorizar... a Copa Sul-Americana! Colocando o time reserva para jogar... o Campeonato Brasileiro! E aqui é muito simples: o Inter parou de tentar enganar-se. Passou muito tempo com aquela história de que sonhava com Libertadores e com título - um dos objetivos claros do Internacional era jogar a Libertadores para comemorar seu centenário. Mas a verdade é que o time não engrenava no Brasileirão e a vaga para a Libertadores foi ficando cada vez mais distante.

Logo, um time brasileiro finalmente teve colhões para abrir mão do Brasileiro e pensar apenas na Sul-Americana. O Inter começou eliminando o Grêmio, velho rival, na ridícula fase mata-mata entre clubes brasileiros. Passou de fase e eliminou a chilena Universidad, pelas Oitavas de Final. E avançou à semi-final onde encarou o Boca Juniors, clube com quem criou uma rivalidade justamente por causa da eliminação na Copa Sul-Americana 2005.

Passou pelo Boca e chegou no Chivas do México - mais um mexicano entre os finalistas -, a quem derrotou lá em Guadalajara, jogando muito bem e ganhando destaque até aqui, na capa do Fanático Esporte Clube.

É importante que o Internacional avance à final e ganhe a Copa. É importante para a Copa Sul-Americana e importante também para o futebol brasileiro. Os nossos clubes verão o exemplo do Inter. A Copa Sul-Americana passará a ser uma competição interessante também para os clubes brasileiros. E com isso, ganha a Copa, que será mais competitiva.

Claro, estamos partindo do princípio que os clubes brasileiros entenderão o quão valioso esse torneio é. A Copa Sul-Americana é, de fato, uma competição continental. É um título tão valioso quanto a Libertadores. Boca Juniors e River Plate disputam, e o próprio Boca já a venceu nada menos que duas vezes.

Talvez a CONMEBOL falhe com o marketing do torneio. Mas é a seqüência, os títulos, as equipes fortes que disputam e os jogos memoráveis que a Sul-Americana precisa para fazer sua história e ganhar prestígio.

E só agora um clube brasileiro resolve fazer parte da história. É como se apenas agora o Brasil passasse a fazer parte da América do Sul.

Já não era sem tempo.

O herói usa máscara?
11/11

No futebol brasileiro temos dois opostos. Marcos e Rogério Ceni, respectivamente primeiro e segundo goleiros do pentacampeonato na Copa do Mundo do Japão. Marcos, do Palmeiras, sempre foi visto pela torcida como um grande exemplo: sincero, apaixonado pelo clube, a ponto de colocá-lo à frente de qualquer prioridade - após a Copa do Mundo, dizem, Marcos iria para o Arsenal, que tinha o goleiro Seaman prestes a se aposentar. Teria desistido porque acharia injusto largar o Palmeiras na pior fase que o clube já enfrentou. As atitudes de Marcos não lhe deram apenas o respeito da torcida do Palmeiras, mas de diversas torcidas do Brasil. Marcos é visto como, talvez, o maior ídolo da história do clube.

Rogério Ceni é quase um oposto. É adorado pela torcida do São Paulo, mas contestado por parte da própria torcida. Se Marcos é sincero, Ceni é visto por muita gente como um atleta mascarado - e muitas atitudes dele acabam fazendo parecer isso mesmo. Se Marcos recusou transferência para o Arsenal, Ceni, segundo alguns, teria forjado uma transferência para o Arsenal para conseguir aumento salarial. E assim, Rogéio ganhou o ódio das demais torcidas do país. Incontestavelmente, é o maior ídolo da torcida do São Paulo. O atleta que mais defendeu o time. E tem uma vantagem: sai bem do gol com os pés, cobra falta... para uns, isso é desvantagem - para ver o quanto torcem o nariz para Rogério.

Fato é que temos os exemplos de goleiro sincero e goleiro mascarado.

Mas até onde vai a sinceridade de Marcos? Ou até onde deveria ir? Aliás... o que é sinceridade, nesse caso? E o que é inconveniência?

Recentemente, o goleiro tem sido alvo de polêmica, devido aos "problemas" que o Palmeiras vem enfrentando no Brasileirão - se é que estar entre os quatro classificados para a Taça Libertadores é um problema. Inúmeras vezes Marcos criticou, publicamente, o elenco do clube. O ataque é um dos alvos de Marcos - que parece não perceber que, dentre os cinco primeiros colocados do Brasileirão, a sua é a pior defesa. Quando o capitão do time sai criticando a equipe dessa forma, se expõe e cria a possibilidade de gerar inimizades dentro do elenco. Para um time que está na briga por um título, isso não é nada bom, e Marcos, experiente e capitão da equipe, deveria saber disso.

Mas até então, tudo bem. Não é a primeira vez que alguém, especialmente um goleiro, vem a público tomar esse tipo de atitude.

O problema é quando Marcos decide, aos 30 minutos do segundo tempo, sair jogando com os pés. O que ele acha que iria resolver dessa forma? Bancando goleiro linha do futebol? Como um goleiro campeão do mundo pela Seleção Brasileira toma uma atitude tão impensada e imprudente quanto essa? Marcos expõe o gol, expõe o time, o resultado do jogo - era apenas 1x0 com, pelo menos, 15 minutos pela frente. E ainda sai criticando a equipe, afirmando que a atitude é tomada devido à ineficiência ofensiva.

Marcos precisa entender que esse tipo de atitude é ruim para o time, não boa, como ele pensa. Obviamente, Vanderlei Luxemburgo não aprova a atitude e critica o goleiro Marcos. Chama sua atenção. Se queixa. E com toda razão! E o pior é que, como a crítica costuma ser contra o Vanderlei Luxemburgo, trata Luxe como o vilão da história, o que é absurdo. Para muita gente, Luxemburgo quer ser a estrela e acha ruim essas atitudes de Marcos porque tira a atenção que, originalmente, deveria ir para ele, Luxemburgo! Absurdo! Luxemburgo tem toda razão em criticar o Marcos.

E por que Marcos age dessa forma? A mim, fica parecendo que, com o time cada vez mais distante do título, o que enfurece a torcida pela expectativa e investimentos feitos para o Campeonato, Marcos está mais preocupado em tirar o dele da reta. Em bancar o "torcedor apaixonado em campo" para, assim, inflamar a torcida a seu favor. Uma atitude que, em nada, condiz com um capitão, um jogador experiente como ele.

E eu, que sou tão fã do Marcos...

Na data marcada
04/11

O artigo desta semana é um entre muitos que já destacaram acertos da CBF. Mas são acertos que vêm tardios, ao que parece, a CBF só aprende quando quer aprender. E foi desta forma com a Data FIFA.

A relação seleções x clubes sempre foi um problema. Juan Laporta, presidente do Barcelona, certa vez declarou que um clube ter um jogador e mandá-lo para disputar jogos com a sua seleção nacional seria o mesmo que você ter um carro, emprestá-lo a um amigo e este amigo devolver seu carro quebrado, numa alusão às possíveis lesões que um jogador pode adquirir jogando com a seleção.

Para tentar diminuir esse atrito, a FIFA criou a chamada Data FIFA, que são datas específicas no calendário da temporada para que as seleções nacionais disputem amistosos. Os campeonatos europeus costumam parar em época de Data FIFA e apenas os amistosos são disputados. Claro que ainda existe o risco do jogador lesionar-se. Mas pelo menos um clube não será desfalcado por causa de amistosos que não valem nada.

Até aí tudo bem. Mas Dunga, o treinador da seleção brasileira que não é nem um pouco bem-quisto por imprensa, torcida e clubes, anuncia sua lista de convocados para amistoso contra a seleção de Portugal. E, na lista, temos Kléber do Santos, Miranda do São Paulo, Thiago Silva do Fluminense e Alex do Internacional. Até aí tudo bem. Mas logo surgem aqueles questionamentos... o Santos ainda briga para não cair e quer uma vaga na Sul-Americana; o São Paulo, que acaba de virar líder, briga pelo título; o Fluminense briga para não cair; e o Internacional tenta subir na tabela e está valorizando e tentando avançar na Copa Sul-Americana. Obviamente, os clubes, treinadores e torcedores vão reclamar de ter os seus times desfalcados e...

Opa! Desfalcados? Mas não é Data FIFA? Bom, é... para qualquer lugar no mundo, MENOS no Brasil!

Qualquer campeonato nacional ao redor do mundo parava em Data FIFA. Menos o Brasileirão. E não é apenas em Data FIFA para amistosos não... o Campeonato Brasileiro não costumava parar durante rodada de eliminatórias, por exemplo - até parava, mas apenas NO DIA do jogo, enquanto o correto seria parar na semana de treino da seleção brasileira. E o pior de tudo é que a seleção brasileira é de óbvio interesse da CBF, assim como o Campeonato Brasileiro. E a entidade não se organizava nem para facilitar o calendário para que ambas as partes se entendam.

Pelo menos desta vez a CBF conseguiu arrumar a situação e parou o campeonato nacional para a Data FIFA. Não estou dizendo que não aconteceu antes... apenas não lembro do feito. Costumávamos ter jogos amistosos do Brasil no mesmo dia das chamadas Data FIFA, o que era absurdo.

O amistoso entre a seleção brasileira e Portugal acontecerá no dia 19 de novembro, entre as rodadas 35 e 36 do Campeonato Brasileiro. Ele precede os confrontos entre São Paulo e Figueirense; Fluminense e Portuguesa; Santos e Internacional; e antecedem Coritiba e Santos; Internacional e Fluminense; e Vasco e São Paulo. Os clubes, com exceção dos atletas convocados, terão uma semana de descanso.

E a CBF finalmente aprende o que é Data FIFA! Mas é intrigante que certas coisas sejam assim, tão simples. E não dá para entender porque a CBF demora tanto tempo para se organizar.

A volta à elite
28/10

Um seqüestro. Ou um tempo em detenção num presídio de segurança máxima. A temporada de um grande clube na segunda divisão pode ter essas comparações. É um tempo perdido que determinado clube "grande" tem em sua trajetória - e esse tempo pode virar tanto a seu favor quanto contra.

Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Atlético Mineiro e Corinthians viveram essa experiência recentemente. E todos tiveram em comum o ponto de que a volta à primeira divisão foi comemorada como um título. A rigor, no caso de Palmeiras, Grêmio (o que menos comemorou) e Atlético houve um título, que certamente deverá haver também para o Corinthians. Mas na segunda divisão o que realmente importa é o acesso. E eu questiono se esse acesso é algo assim para realmente ser comemorado.

Em geral, a Segunda Divisão vem - ou melhor, a ela se chega - em decorrência de incompetência e trabalho ma-feito por parte de quem o executa, ou seja, a gestão do clube. Transições na diretoria, a saída de dirigentes conturbados, como foi o caso de Palmeiras, Botafogo, Atlético e Corinthians costumam ser causa de queda para a segundona. Esse é um dos fatores que preocupam o Vasco da Gama e sua torcida, uma vez que a saída de Eurico Miranda se assemelha com a saída de Alberto Dualib do Corinthians e de todos os demais casos citados. Mas isso não vem ao caso, pelo menos agora.

Falemos da tal volta à elite. Não do Corinthians. Nem do Atlético, do Grêmio, do Botafogo ou do Palmeiras. Mas sim da situação "volta à elite".

Quando você joga a Segunda Divisão, você está se submetendo a um processo parecido com uma prova final, uma recuperação em colégio ou em faculdade. Não era nem para você estar ali. Então você tem obrigação total de reverter essa situação. Não é algo para se comemorar. Sentir-se aliviado, talvez. Mas você não pode comemorar o resultado de um erro que você acaba de consertar.

Não que a torcida não deva comemorar. Torcedor é festa, é para fazer farra mesmo. Mas essa iniciativa não pode partir da diretoria. O posicionamento correto não é "Olha só, ganhamos a Segunda Divisão, voltamos à Primeira! Estamos de parabéns!", mas sim "Trabalhamos duro e consertamos a besteira que fizemos".

Ou alguém aqui acha que o Corinthians não perdeu nada mais, nada menos que de sua história na tal da Série B? E assim não foi com Palmeiras, Botafogo, Atlético Mineiro, Grêmio...

A Série B, evidentemente, traz pontos positivos. Clubes como Palmeiras e Grêmio realmente mudaram sua administração com a Série B e voltaram a ser clubes vencedores e organizados na medida do possível. Mas aprender com um erro, em decorrência dele não é das atitudes mais dignas de receber parabéns.

Um clube que cai e sobe não está fazendo mais que sua obrigação. E um clune que se reorganiza está tirando o atraso. E aí é que entra o, talvez, ponto principal: o que se faz na Série B. Como já mencionei que jogar para subir não é nada mais que a obrigação e que um clube que joga Série B está perdendo uma temporada em sua história. Então o que fazer dela? Aproveitar para ganhar tempo.

A Série B não tem que ser jogada apenas para subir. Tem que ser jogada para pensar na Série A da temporada seguinte e na recuperação do tempo perdido. É um trabalho de montagem de elenco e de definição de metas. Grêmio e Palmeiras fizeram esse trabalho. Em sua volta à Série A, ambos chegaram, de cara, ganhando vaga na Libertadores.

E quem não o fez? Como Botafogo e Atlético? Chegaram brigando para não cair.

Mas voltar à elite é voltar à Primeira Divisão? Melhor é voltar à elite de fato - o grupo dos melhores times do país, que briga por Libertadores, por título... foi o que fizeram Grêmio e Palmeiras. E é o exemplo para Corinthians ou qualquer grande que cair essa temporada, seja Vasco, Fluminense...

Futchato
15/10

Eu acho que, na minha coluna sobre showbol, cheguei a mencionar que o futsal é um esporte legal. E estou aqui para retirar esse absurdo. Não sei de onde tirei que esse balé é legal. Futsal?

A ficha só caiu agora, que acompanhei alguma coisa da Copa do Mundo - e que me recusei a pôr imagens na capa do Fanático Esporte Clube, quando até mesmo o Mundial de Moto GP já ganhou sua capinha. Não tem coisa mais idiota que futsal. E olha que essa afirmação vem de um fã de golfe. DE GOLFE!

Primeiro, a porcaria do "esporte" mais parece um daqueles jogos de streetball, aquela modalidade de basquete onde o que conta é fazer jogadas misturadas com passos de dança do hip hop. Falcão & cia. limitada parecem mais interessados em tornar passos de samba em jogadas de que em jogar com seriedade. Não que o atleta da Itália que alegou que os dribles do jogador o "humilhavam" e por isso quis brigar tenha razão, pelo menos neste sentido. Mas que esses dribles são chatos mesmo, são, ora bolas! Parecem um bando de Ronaldinhos Gaúchos ainda mais dançarinos.

Depois, não existe competição. O futebol de campo é legal porque temos Brasil, Itália, Alemanha, França, Argentina, Holanda, Uruguai, Portugal, Inglaterra, Espanha, México, Rússia... e um monte de seleções que, aparentemente, não jogam nada, mas podem surpreender. É Honduras que vence o Brasil, a Argentina toma goleada da Venezuela... é um esporte surpreendente onde o favoritismo quase não significa nada.

E esse futsal? Temos Brasil, Espanha (que tem dois brasileiros), Itália (que só tem brasileiros, 14, o time inteiro) e... e? Incrível! Não tem competição. O Brasil entra em campo contra a Argentina, e a gente sá sabe que o Brasil vai vencer. DE GOLEADA! A questão é apenas por quanto - e aí o bolão se forma não em torno do vencedor, mas em torno da goleada que o Brasil vai dar.

O jogo não tem emoção. Não tem suspense. Até parece uma demonstração. Ora! Se é para ser assim, façam como boxe. Peguem o campeão mundial (a Espanha) e, para disputar o título, coloquem um desafiante - o Brasil. Sempre que o Brasil quisesse retomar o título mundial, desafiaria a Espanha. Se perdesse, a Espanha continuaria campeã. Se vencesse, o Brasil passaria a ser o país a ser desafiado.

Mas no geral, futsal é um saco. O jogo é fácil e simples. As regras parecem favorecer ao máximo a marcação de gols - comparem com o futebol de campo, onde as regras protegem ao máximo o goleiro. E a marcação de gols torna-se tão absurda, mas tão absurda que o placar se dilata a ponto do jogo perder a graça e os próprios atletas passam a se divertir mais levando a bola para a linha de fundo e rebolando de um lado para o outro com a pelota ao invés de tentar marcar mais um gol.

Qual o objetivo desse jogo então? Mostrar que brasileiro sabe sambar? Então eu tenho a solução! Montem um espetáculo tipo os Globetrotters - aquele time de basquete que rodava o mundo fazendo exibições circenses do esporte. Bem melhor que a FIFA perder seu tempo (coisa que a FIFA simplesmente ADORA) organizando calendário para um campeonato simplesmente sem sentido.

Alguém sabe me dizer quando acaba essa porcaria de Copa do Mundo?

Sul-Americana... de novo...
16/09

Já perdi a conta de quantas vezes escrevi sobre a porcaria da Copa Nissan Sul-Americana. Coluna mesmo, foi apenas uma. Mas o torneio foi citado inúmeras vezes em inúmeras colunas aqui no FEC. Citei o desinteresse dos clubes brasileiros, a desorganização da CONMEBOL, a forma patética como o torneio é montado, seu calendário infeliz, etc.

E agora, me pego em outro ponto. O Campeonato Brasileiro oferece uma "vaga a mais" na Copa Sul-Americana. Na verdade, o número de vagas ainda é o mesmo: oito. Mas o que muda é que os classificados para a competição agora vão até o 12º lugar, não até o 11º. Isso porque o campeão brasileiro não tem mais vaga na Sul-Americana - antes classificavam-se o campeão brasileiro, que também ia à Libertadores, e do 5º ao 11º lugar. Agora vamos direto do 5º ao 12º. Bom, finalmente uma boa idéia, o que ainda é, diga-se de passagem, pouco, MUITO pouco.

Como o Sport, vencedor da Copa do Brasil, tem vaga direta na Libertadores, caso ele fique entre os 12 primeiros, o 13º vai ao torneio menor sul-americano. Primeiro, questiono por que fazer a "fase brasileira" da competição. Qual o fundamento? Por que ao invés de dar oito vagas, não dar apenas quatro e por os times direto na fase internacional?

Seria para dar mais interesse ao Campeonato Brasileiro? Mas aí é que está. De que adianta? Porque a princípio, o time brasileiro se anima. Equipes que ficam na zona periférica da tabela costumam valorizar a vaga na Sul-Americana ao final da competição. Argumentam que conseguiram vaga na Copa Sul-Americana, coisas do tipo.

E um ano depois, quando estão disputando a Sul-Americana, reclamam que é impossível disputar dois torneios simultâneos - o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana. Então por que um ano antes valoriza-se a porcaria da vaga na Sul-Americana?

O que acontece, então, é que os times passam a escalar equipes reservas ou mesmo equipes juvenis na Sul-Americana e o torneio perde completamente o interesse. Entra o São Paulo com o Sub-21 para ser eliminado logo na primeira fase - a fase nacional da competição. E quando um treinador como Ney Franco, do Botafogo, decide escalar o time titular é criticado pela imprensa - a mesma imprensa que critica eventual desinteresse no torneio.

Vai entender! Me pergunto o que tem demais jogar a Sul-Americana e o Brasileirão - sendo um na quarta-feira, outro no domingo. O que tem de errado, uma vez que muitas vezes o próprio Brasileirão tem rodada dulpa.

E se o Campeonato Brasileiro fosse disputado todo em rodadas dulpas, nas quartas e nos domingos? Iria poupar atletas na rodada de meio de semana alegando que não dá, os jogadores cansam, etc.?

Por que valorizar a vaga na Sul-Americana então? Para depois reclamar desta mesma vaga? Então por que não propor um boicote ao torneio, já que foi o próprio Brasil que tratou de boicotar a Copa CONMEBOL, quando a CBF parou de enviar clubes nacionais de nível relevante e passou a enviar o CSA e o Sampaio Corrêa para disputá-la? Com todo respeito ao CSA e ao Sampaio Corrêa, mas...

Também nem sei por que me dou ao trabalho de escrever um artigo sobre este caso. É sempre exatamente a mesma coisa... fala-se, fala-se, fala-se... e nada muda.

Showmebol
10/09

A América do Sul em muito tenta copiar a Europa. E a CONMEBOL em muito tenta copiar a UEFA - a Copa Sul-Americana (que já foi Copa CONMEBOL) é uma tentativa frustrada de ser uma Copa da UEFA, enquanto a exclusão do Pré-Olímpico para utilizar o Campeonato Sub20 como forma classificatória para o Torneio Olímpico são apenas dois exemplos disso.

Por isso fica minha sugestão: Por que não realizar a final da Copa Libertadores em jogo único, como acontece com a Liga dos Campeões da UEFA? E também em sede intinerante, como o torneio europeu, a maior competição de clubes do mundo?

Quais benefícios isso traria?

Primeiro, tornaria a decisão da Libertadores mais emocionante. O jogo único não se compara com finais ida e volta, onde o clube pode recuperar o prejuízo de um jogo na partida seguinte. Depois, a sede intinerante daria um caráter de campo neutro à partida. Teríamos uma decisão entre Fluminense e LDU, por exemplo, em La Bombonera. Ou um Boca Juniors e Olímpia no Morumbi ou no Maracanã. E o fator campo neutro aumentaria as impossibilidades do jogo.

A oportunidade financeira e econômica do jogo único também seria boa. A cidade-sede em questão poderia fazer grande promoção em cima do evento - por exemplo, uma final em Lima, ou em Caracas... toda a Libertadores, durante todo o período de realização do torneio, teria uma campanha voltada para a grande final na cidade em questão.

E isso também ajudaria o evento a repercurtir internacionalmente e a dar fama ao estádio. Uma final histórica sempre agrega valores ao local que recebeu o jogo. A cobertura de TV também seria maior em cima do próprio jogo - uma final no Maracanã, certamente teria total cobertura da Rede Globo, detentora dos direitos da CBF que geralmente só exibe a final da Libertadores quando há um clube brasileiro na disputa.

Finalmente, isso seria um grande lucro para os dois finalistas, para a cidade, para o clube (ou a prefeitura/governo) detendor(a) do estádio e para a CONMEBOL.

E a mesma atitude poderia ser tomada em relação à final da Copa Sul-Americana.

Um evento que faz a mesma divulgação e que é um sucesso mundial é o Super Bowl, a final da Liga de Futebol Americano dos Estados Unidos. Ao lado da final da Liga dos Campeões da UEFA, é o evento clubístico de maior audiência na TV mundial.

Essa é uma sugestão que só faria benefício à CONMEBOL, à Libertadores e ao futebol sul-americano.

Mas boas idéias geralmente não costumam ser cogitadas na CONMEBOL.

Feito Criança
04/09

Um menino chorão. Que faz beicinho. Birra. Reclama. Bate o pé. E no final das contas só quer fazer o que quer. Pela segunda vez, Robinho age exatamente dessa maneira. E quando estamos falando de um assunto sério, que é o futebol, envolvendo milhões de cifras, essa nunca é uma boa atitude para carreira de um jogador. E é a segunda vez que Robinho a toma.

A princípio, jogando pelo Santos, tudo estava bem com Robinho, bi-campeão brasileiro pelo clube e herói de ambas as conquistas. Só que de repente, Robinho cismou em mudar de clube. Queria porque queria ir jogar em time europeu - e com ajuda de Wagner Ribeiro, empresário, e interesse do Real Madrid, sua cabeça estava toda na Europa. De fato, Robinho já estava há um bom tempo em terras brasileiras. Defendia o clube profissional há três anos, o que, pasmem, chega a ser muito hoje em dia (!). Jogadores muito mais fracos que Robinho, como seu companheiro William (à época no Porto) conseguem transferência muito mais rápido. E, para estourar para o futebol mundial, Robinho realmente precisaria jogar na Europa - coisa que até a Placar defendeu, lançando a campanha "Vai, Robinho!" em contraste com a "Fica, Robinho!", que os torcedores lançaram.

O clube não queria liberar de jeito nenhum. O presidente Marcelo Teixeira tentava de toda forma segurar Robinho. E qual foi a atitude que Robinho tomou? Birra. Se recusou a jogar. E até mesmo a treinar. Declarava publicamente que queria jogar no Real Madrid e que o Santos não o liberava, que isso era errado, etc.

Tanto que insistiu que Robinho ganhou a queda de braço. Entrou em acordo com o Santos e jogou até o final de agosto, para depois transferir-se para o Real Madrid, onde chegou mais que badalado - recebeu a camisa #10 de Alfredo Di Stéfano, só para se ter idéia do tamanho do alarde, e até status de gênio ganhou da revista Placar. A presença de Luxemburgo em Madrid sem dúvida ajudou.

Com o passar do tempo se viu que Robinho era supervalorizado. O jogador vez por outra produzia bem, dando eventualmente passes a gol e até mesmo marcando o seu golzinho. Mas tava claro que Robinho rendia bem menos do que se esperava dele, e a reserva passou a ser fato constante. Nunca se firmou no time titular, nunca convenceu. E aí passou a declarar publicamente que o treinador, fosse ele Fabio Capello ou Bernd Schuster, não confiava nele, e por isso se sentia infeliz em Madrid - queria ser titular, queria ser o homem de confiança, queria ter seu lugar no time, etc. Isso tudo se somava aos problemas com as convocações para Seleção Brasileira onde, diga-se de passagem, Robinho não chegava a contrariar o clube.

Mas parece que Robinho encarou como a gota d'água ser "moeda de troca" por C.Ronaldo junto ao Manchester United. O jogador declarou, novamente publicamente, que se sentia infeliz com essa situação. Ramón Calderón, presidente do clube, declarou que Robinho chegava a chorar e ameaçar encerrar a carreira.

Eu gostaria de saber por que tanto orgulho da parte de Robinho? Por que se ofender em ser moeda de troca por alguém que é, simplesmente, o melhor jogador do mundo? Se um clube deseja contratar um jogador grande junto a outro clube, é natural que ofereça alguém que seduza o clube vendedor - ou seja, alguém que seja considerado um bom jogador. Era nesses termos que o Real Madrid colocava Robinho. Se estivessem oferecendo-no em troca de John Arne Riise eu até entenderia. Mas não! Robinho estava, de certo modo, valorizando seu passe. Como o negócio não foi concluído, naturalmente o Real Madrid tentou continuar com Robinho. Mas aí o brasileiro tornou-se um chorão, disse que queria sair do clube, insistiu, declarou que o Chelsea queria contratá-lo, tentou forçar a transferência... igual a sua época de Santos. Revemos o mesmo filme.

As coisas não saíram como Robinho queria e ele acabou indo parar no Manchester City, um novo rico que acha que isso irá torná-lo o maior clube do mundo - fosse assim, teria funcionado com Tottenham, West Ham e mais uma porrada de clubes ingleses. Um retrocesso na carreira de Robinho, sem dúvidas. E também algo que suja sua ficha, o colocando como um jogador chorão que sempre que esquenta o banco se sente insatisfeito e demanda troca - atletas do Chelsea chegaram a declarar que não queriam ter um companheiro de clube como ele.

Fernando Morientes, jogador MELHOR que Robinho, sempre foi uma grande moeda de troca para o Real Madrid e nunca se posicionou dessa forma. Então por que tomar esse tipo de atitude agora? Demandar sair do melhor clube do mundo, o maior vencedor da história do futebol? Orgulho. Fosse orgulho, Robinho ficaria em Madrid e se esforçaria para melhorar e mostrar que ele era um investimento válido, não uma moeda de troca.

Robinho foi um jogador que custou caro para tomar esse tipo de atitude. Acabou indo parar "no outro" clube de Manchester. Tudo porque não queria ser moeda de troca para jogar no... Manchester United.

Chorar demais dá nisso.

Sempre sobra para o futebol masculino...
27/08

A medalha de bronze da Seleção Brasileira de Futebol é um resultado vergonhoso. Da Seleção Brasileira de futebol esperava-se medalha de ouro, e se a preparação ruim é uma justificativa, pouco importa. Era obrigação da CBF fazer uma boa preparação para a Seleção Olímpica, uma vez que este é "o único título que falta" e é algo que o Brasil sonha há anos, "batendo na trave" em 1984 e 1988, anos em que a Seleção voltou com a prata.  Mas por que cobra-se desta maneira apenas do futebol masculino?

A Seleção Feminina tem sido tratada como heroína pela prata. Tudo bem que com a preparação e estrutura que o futebol feminino tem na atualidade, a prata é um bom resultado. Mas essa é uma prata que se repete há dois eventos — nos Jogos Olímpicos de Atenas e na Copa do Mundo da China. Na Copa do Mundo a Seleção Feminina goleou a suposta favorita, os Estados Unidos, por 4x0. Aqui em Pequim, goleou a suposta favorita, a Alemanha por 4x1. Então não é por falta de estrutura ou preparação que o ouro não vem. A Seleção Feminina pipoca na hora H. É fato. Então está na hora de começar a se cobrar desta Seleção Feminina. Não apenas parabenizar quase-sucessos.

O vôlei masculino é um esporte que vem acumulando títulos há um bom tempo. Somos gratos. Mas esta prata não veio por um vacilo ou porque a Seleção Estadunidense, que é muito boa, seja infinitamente melhor. Há um problema de comando e de relacionamento na Seleção, coisa que atrapalhou o trabalho na Liga Mundial e nas Olimpíadas — e teve seu expoente na estranha saída de Ricardinho, até hoje mal-explicada. Por que não cobrar da seleção de vôlei agora?

E também, claro, Diego Hypólito, que rejeita o título de amarelão por ter caído na hora H. Em Atenas quem falhou foi Daiane. Passou-se a mão em sua cabeça. Não podemos fazer o mesmo por Diego. O atleta merece reconhecimento, sim, claro. Mas não pode ser tratado como herói por ter errado. Não podemos dizer "Parabéns Diego, o importante é que você tentou". Mais útil, até para o desenvolvimento do atleta, é dizer "Diego, você é bom, mas não pode cometer esses erros em momentos decisivos. Precisamos trabalhá-los".

O que não podemos ter de maneira alguma é uma seleção de futebol masculino supercobrada e atletas que, quando erram, ainda são heróis.

O peso do favoritismo
20/08

Ninguém da CBD, precursora da CBF, disse, em 1958, ao desembarcar na Suécia, que estava trazendo na sua delegação o futuro melhor jogador de futebol do mundo. Em 1978, a AFA, Associação Argentina de Futebol, não convocou o menino Maradona para a Copa do Mundo - muito menos afirmou que estava ali o futuro melhor jogador do mundo. O Chicago Bulls, quando recrutou um jovem chamado Michael Jordan em 1984, também não anunciou à imprensa que estava recrutando o futuro melhor jogador de basquete do mundo. E Cassius Clay não chegou em Roma, para as Olimpíadas de 1960, dizendo que seria um dia o maior boxeador de todos os tempos sob a alcunha de Muhammad Ali.

Nada disso foi informado. Mas tudo isso se sucedeu. Assim como uns certos rapazes de Liverpool que não paravam de tocar na rádio nos anos 60 queriam apenas imitar Elvis Presley e não se esperavam virar a banda de rock mais popular do planeta, ou o ator que de maquiagem branca no rosto, bigodinho, chapéu-coco e bengala, ilustre ateu britânico, sequer imaginava que sua figura se tornaria sinônimo de cinema - e se você não sabe que eu me referi aos Beatles e a Charles Chaplin, tome vergonha na cara.

O fato é que as lendas aconteceram de forma inesperada. Vieram, encantaram com seu sucesso, surpreenderam e tornaram-se os maiores do mundo. Daí surgiu a pressão com qual elas tiveram de lidar. Pelé fracassou na Copa da Inglaterra em 1966. Michael Jordan parou "por baixo", jogando nos fracos Washington Wizards. Os Beatles acabaram em 1969. E Charles Chaplin nunca veio a ganhar um Oscar - só pelo conjunto de sua obra, já depois de aposentado. Toda lenda sofre seu momento de pressão.

Mas como seria você afirmar desde anônimo que seria uma lenda? Você chegar num lugar dizendo "Sou o melhor do mundo. Serei o maior que vocês já viram. Podem me cobrar"? Automaticamente, a pressão vai ser muito maior.

Assim Michael Phelps aconteceu. Chegou em Atenas falando em superar os números de Mark Spitz, sete ouros em Munique 1972. Foi secado por muita gente, que riu quando ele terminou os Jogos "apenas" com seis ouros. Mas o Phelps manteve o objetivo para Pequim. Chegou em Pequim já como lenda, já como o maior nadador de todos os tempos, por tudo que fez em campeonatos mundiais neste intervalo de quatro anos entre Atenas e os jogos atuais. E com uma pressão gigantesca sobre seus largos ombros.

E foi divertido como Phelps lidava com essa pressão com, ao mesmo tempo, segurança, auto-confiança, mas sem ser esnobe ou metido. Chegava a ser quase humilde. Baseava-se na certeza de que é um bom nadador e que estava dedicando-se para atingir este feito memorável. Sua simpatia e espontaneidade era tamanha que o número de secadores diminuiu e, automaticamente, Phelps conquistou uma gigantesca torcida que queria ver a marca de Spitz ser quebrada.

Um por um, Phelps tratou de conquistar os ouros que prometeu. E explicou que, para chegar a tanto, teve de abrir mão de muita coisa. Em outras palavras, seu discurso trazia implícito a mensagem "Eu trabalho duro para atingir minhas metas". Mas, durante todo o tempo, Phelps assumiu seu favoritismo, o que é o mais importante aqui.

Me pergundo então por que tantos têm medo. Por que tantos, como a Seleção Brasileira de futebol não se assumem favoritos. Por que sempre existe um receio de quebrar a cara depois. Por isso o favoritismo pesa para muita gente.

Mas aí vem Michael Phelps e muda toda a história. O favoritismo pode ser um grande rival de um atleta. Phelps o trabalhou a seu favor e fez dele um aliado. Isso deve valer mais que oito medalhas de ouro.

Favoritos que caem
12/08

Dois campeões mundiais de suas categorias. Tiago Henrique de Oliveira Camilo venceu o Campeonato Mundial na categoria meio-médio (81kg) em 2007. João Derly de Oliveira Nunes Júnior, o primeiro brasileiro a conquistar um título mundial no esporte, conquistou os Mundiais de 2005 e 2007 na categoria meio-leve (66kg). Em outras palavras, tínhamos a disposição os dois melhores do mundo em suas respectivas categorias - o atual campeão mundial meio-médio e o bi-campeão mundial meio-leve.

Mais que isso, Tiago Camilo foi apontado como o melhor judoca do mundo em 2007.

Logo em sua segunda luta, Derly, que disputava sua primeira Olimpíada, caiu. Na luta seguinte, seu algoz, Pedro Dias, também foi derrotado, e as chances de Derly em lutar pelo menos pelo bronze terminaram. Fim de papo. Não tem mais Olimpíada para Derly - que chegou até mesmo a reclamar da arbitragem após sua derrota.

Já Tiago Camilo, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney, chegou a se prolongar um pouco mais: depois de passar pelo iraniano Hamed Mohammadi com ippon, Camilo foi à sua terceira luta, onde enfrentou o alemão Ole Bischof. Perdeu com dois wazari, que somando completam um ippon, e foi eliminado. Mas, como havia chegado à terceira rodada, tinha ainda a repescagem por lutar. E na primeira rodada da repescagem, bateu o estadunidense Travis Stevens e avançou à segunda rodada, estando a duas lutas de mais uma medalha de bronze. A final da repescagem seria contra Euan Burton. Contra Burton, medalha de bronze no mundial de 2007, Tiago parecia ter dificuldades para encaixar golpes ou mesmo para segurar as mangas de seu kimono. Mas encaixou um belíssimo wazari e, mesmo tomando duas penalizações Shido I (que equivalem a dois kokas contra) venceu e classificou-se para a disputa da medalha de bronze, que conquistou sobre o holandês Guillaume Elmont, também com um wazari.

Mas o ponto para mim não é esse. O bronze é uma medalha válida, mas me pergunto o que acontece com dois campeões mundiais que ao chegarem nos Jogos Olímpicos simplesmente perdem suas lutas. Tudo bem que Camilo estava com a mão machucada, mas se venceu três adversários em seqüência pare chegar ao bronze, o que faltou para derrubar Bischof?

E quanto a Derly, bi-campeão mundial? Onde estava toda sua técnica que o levou ao ouro mundial - sendo o primeiro brasileiro a atingir o feito, depois repetido justamente por Camilo?

Também podemos juntar ao time de decepções o Thiago Pereira, que vem sendo um grande fracasso na natação olímpica. Mas esse aí só era favorito na cabeça dos brasileiros.

O que acontece com Derly e com Camilo é um filme que se passa em nossas cabeças nos Jogos Olímpicos, e aí podemos tomar como exemplo Daiane, que em 2004 era campeã mundial e fracassou nos Jogos Olímpicos, de favorita ao ouro a medalha nenhuma. O vôlei de quadra feminino, de campeãs do Grand Prix e favoritas ao ouro em Atenas a medalha nenhuma no final das contas. Também em Atenas a ex-esgrimista Élora Pattaro, campeã mundial juvenil, caiu logo na primeira luta, o que não foi nada de absurdo, uma vez que ela pegou de cara Elena Jemayeva, bicampeã mundial. Mas e quanto a Sydney quando Adriana Behar e Shelda falharam no seu favoritismo em ganhar o ouro?

Ao que me parece, supervalorizamos como um todo a delegação brasileira. Colocamos chances de medalha em cada atleta, em cada modalidade brasileira, sem parar para pensar que do outro lado estarão adversários fortes e preparados.

Então questiono onde está a preparação para os Jogos Olímpicos? Porque um atleta lida naturalmente com um Campeonato Mundial, mas quando chega numa Olimpíada, simplesmente cai de produção?

O Comitê Olímpíco Brasileiro tem mais com o que se preocupar e ainda não percebeu. Se vangloriar do número de atletas inscritos que aumenta a cada edição não adianta de nada se não podemos compensar com resultados.

Quase hein
06/08

A Seleção Brasileira Feminina de Futebol vive um momento parecido à Seleção Brasileira Masculina entre 1930 e 1954, quando o Brasil contemplava um status de "semi-potência" do futebol mundial. Aquela Seleção Brasileira participou das Copas de 1930, 1934, 1938, 1950 e 1954. Não fez grande coisa nas duas primeiras, fez uma campanha surpreendente em 1938 conquistando o bronze, em 1950 foi vice-campeã e em 1954 foi eliminada pela favorita Hungria. E nesse tempo, houve a conquista do Campeonato Sul-Americano de 1949, a atual Copa América.

Falta para essa Seleção Feminina um 1958. Um campeonato para a consagração completa.

A Seleção Feminina até aqui participou de todas as Copas do Mundo realizadas, como a masculina. Em 1991 e em 1995 eliminação na primeira fase. Em 1999, terceiro lugar. Em 2003, foi eliminada de supetão nas quartas-de-final em 2003, depois de ter goleado a favorita Noruega na primeira fase por 4x1. E em 2007, vice-campeonato.

Diferentemente do futebol masculino, no feminino o Torneio Olímpico importa. Em 1996 e em 2000, quarto lugar. Em 2004, vice-campeonato, após derrota para os Estados Unidos, a antiga potência mundial, na final. Da mesma forma que nas Copas do Mundo de 1991 e 1999, havia os Estados Unidos no meio do caminho.

Durante esse período, a Seleção Brasileira feminina só atingiu a excelência em torneios continentais. Ganhou todos os Sul-Americanos de 1991 a 2003, ficando em segundo em 2006. E foi Campeã Pan-Americana em 2003 e em 2007 — nesta última ocasião, as meninas golearam a Seleção dos Estados Unidos (formada por universitárias) por 5x0 na final.

A algoz da Seleção na final da Copa de 2007 foi a Alemanha. A nova potência mundial.

O problema parece ser o fato de que esta Seleção Brasileira feminina está sempre quase lá enquanto existem outras que JÁ estão lá. Ou seja... esta Seleção nunca chega a ser a potência. E, existindo outra ocupando este patamar, deixa a Seleção Brasileira por baixo quando o bicho pega.

Hoje, para a Seleção Brasileira, vencer a Alemanha é um tabu. Se olharmos para o histórico, nem é um tabu assim tão recente. Desde 1991 em competições oficiais, Brasil e Alemanha tinham se enfrentado seis vezes. Foram quatro derrotas e dois empates.

O sétimo confronto abriu os Jogos Olímpicos de Pequim, esta manhã. E mais um empate, em 0x0.

O Brasil nunca venceu a Alemanha. Este é um fato que pode incomodar, principalmente se ambos se pegarem na semifinal ou final. O tabu pode pesar. E aí não interessa se temos Marta duas vezes eleita melhor jogadora do mundo, porque futebol é esporte coletivo e a responsabilidade de um time todo pra um jogador só funcionou apenas com um tal de Maradona.

Está mais que na hora desta Seleção crescer. Do contrário vai ficar sempre no quase.

(Des)Preparo
29/07

Pergunto-me porque é desse jeito. Porque não há um preparo decente. Porque não enfrenta-se rivais a altura.

Para a Copa do Mundo da Alemanha, os adversários na preparação foram Rússia... que ainda não era essa Rússia bem-armada por Guus Hiddink, OK, mas ainda era um adversário forte. Mas em seguida vieram os patéticos Seleção de Lucerna seguido da Nova Zelândia.

Em 2002, quando Scolari tinha o comando da equipe, a preparação foi um pouco melhor. Envolveu amistosos com a Bolívia, a Arábia Saudita, a Iugoslávia, a Catalunha e Portugal. As seleções mais fracas, como Islândia e Malásia estavam no programa, também. Mas foram sete amistosos contra apenas três de preparação para a Copa passada.

Para a Copa do Mundo da França, mais um preparo bem-feito. Participação na Copa de Ouro, da CONCACAF, onde enfrenta-se Jamaica duas vezes, país classificado para aquela Copa e Estados Unidos. Ainda houve um amistoso contra a Alemanha, um contra a Argentina o outro contra o Athletic Bilbao. Os sacos-de-pancada Guatemala, El Salvador (ambos pela Copa de Ouro) e Andorra estavam lá, claro. Mas foram oito jogos. E uma Copa bem-feita, com o vice-campeonato.

Antes do tetra, na Copa dos Estados Unidos, tivemos Argentina e um combinado entre Paris St. Germain e Bordeaux. Depois vieram os sacos-de-pancada Islândia, Canadá, Honduras e El Salvador. Mas pelo menos foi um bom volume de adversários: seis. E um deles forte, a Argentina. Seleção Brasileira campeã.

Para os Jogos Olímpícos de Sidney, a preparação para o Pré-Olímpico foi feita contra Trinidad & Tobago e Costa Rica. E pós-Pré-Olímpico tivemos dois amistosos com o Chile, um contra o Brisbane Strikers e outro contra Marconi-Farfield, ambos da Austrália. E naquela época disputava-se ainda o torneio Pré-Olímpico, que servia de preparação. A campanha nos Jogos resultou em fracasso. Para os Jogos Olímpicos de Atlanta, a preparação para o Pré-Olímpico foi feita contra Bulgária e Ucrânia. Pós-pré-Olímpico, contra a Dinamarca e a Seleção da FIFA. No final, o Brasil ainda voltou com o bronze.

Apesar do fracasso de 2000, a história massa que uma Seleção Brasileira bem preparada tem mais chances de obter sucesso na competição que disputa - seja Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos.

Então por que repetir a preparação da fracassada Copa do Mundo da Alemanha? Por que este Brasil de Dunga se assemelha tanto ao de Parreira nos adversários que enfrenta?

Repetindo os mesmos erros... me pergunto onde isso vai chegar. Já não tivemos Pré-Olímpico - não que isso seja ruim, mas significa menos preparação. E agora, quando tem de haver a preparação... realiza-se uns jogos-treino contra equipes juvenis de clubes cariocas. Enfrenta-se Cingapura e o Vietnã.

Não que o ouro não possa vir sob circunstâncias nenhuma. Mas, caso a Seleção Brasileira perca na China... Dunga será questionado sobre a preparação. E certamente vai se irritar. Então por que não poupar esse argumento dos críticos, elaborando uma praparação melhor?

Impasse Olímpico
22/07

O futebol não é olímpico. Nunca foi. E cada vez o é menos. Até quando FIFA e COI (Comitê Olímpico Internacional) vão manter as aparências e deixar o esporte no programa dos jogos - ocupando vaga de esportes que seriam muito mais interessantes para o evento, como futsal, hóquei em patins, patinação, decatlo... são esportes que mantém a ideologia amadora, algo que faz parte dos Jogos Olímpicos.

Na verdade, esse é o problema. O futebol é um mundo à parte dos Jogos Olímpicos - assim como o tênis. Tudo bem que os demais esportes, como a NBA, a natação, o atletismo ou o ciclismo têm suas grandes e milionárias estrelas profissionais. Mas no geral, esses esportes, ao redor do mundo, mantém um pouco de seu amadorismo original, o mesmo amadorismo que faz parte da ideologia dos Jogos Olímpicos. De qualquer forma, quando se pensa em Jogos Olímpicos, não se pensa em futebol. Se pensa num atleta correndo numa pista. Se pensa nisso - no esporte individual, na natação, atletismo, lançamento de disco, de dardo, de martelo, marcha atlética, maratona, 100m com barreira, salto de plataforma, tiro com arco, luta livre... tudo isso é mais olímpico que futebol.

Há muito que o futebol não é amador. Lá nos anos 30 o esporte que viria a ser conhecido como o "mais popular do mundo" já estava tomando forma profissional - e, naquela época, já havia a briga entre amadores e profissionais, com os profissionais levando larga vantagem. Mas os Jogos Olímpicos insistiram em manter o futebol como amador dentro dos jogos. Não poderia dar certo.

O quadro de medalhas futebolísticas nos Jogos Olímpicos é estranho. A primeira medalha de ouro foi para o Reino Unido da Grã-Bretanha, uma vez que Inglaterra, País de Gales, Irlanda do Norte e Escócia competem unificado em todo programa dos Jogos Olímpicos. O segundo ouro vai para o Canadá (!), o terceiro e quarto para a Grã-Bretanha de novo e o ouro seguinte para a Bélgica. Os dois ouros do Uruguai já marcam a guinada do futebol para o profissionalismo, precedendo a primeira Copa do Mundo. Acontece que para o resto do mundo, ali, o futebol virou profissional. Para os Jogos Olímpicos, não.

Enquanto nas Copas do Mundo Brasil, Alemanha, Itália, Holanda, França ou Argentina dominavam o cenário, para os Jogos Olímpicos a Hungria, a União Soviética, a Iugoslávia, a Tchecoslováquia, a Polônia e a Bulgária eram forças dominantes - pois jogavam com o mesmo time que disputava a Copa do Mundo. Sob regimes comunistas, os jogadores da União Soviética ou Hungria poderiam ser profissionais em termos de estrutura, mas em termos legais eram atletas amadores. Portanto as mesma seleções que em Copas do Mundo iam longe, mas não venciam forças profissionais como Brasil e Alemanha, nos Jogos Olímpicos massacravam essas mesmas seleções, formadas basicamente por jogadores jovens, inexperientes amadores.

Com o tempo, os Jogos Olímpicos se profissionalizaram. Até as estrelas milionárias da NBA, como Magic Johnson, chegaram a disputar o torneio de basquete. Mas o futebol não se profissionalizou totalmente. Tudo bem que hoje em dia, jogador profissional pode jogar - mas existe a restrição de 23 anos, com exceção para três jogadores. O que é estranho. Por que três? Por que não quatro? Ou um? Em que se baseia este número?

E por que jogadores de até 23 anos - quando campeonato nenhum no mundo usa esta idade, mas sim o limite de 19, 20 ou 21 anos? De onde vem este padrão olímpico? E se abriu completamente pro basquete, por que não abrir pro futebol?

Aí me lembro que o futebol tem interesses econômicos mundiais maior que o basquete. Que a NBA pode ser uma megaliga, mas ela é apenas norte-americana. As ligas de basquete na Europa ou na América do Sul não são TÃO profissionais assim. Já o futebol é um negócio de milhões, de muitos interesses econômicos em qualquer parte do mundo.

Não adianta chorar para liberar Robinho ou qualquer outro agora. E não adianta a FIFA querer interceder. A melhor forma da FIFA interceder seria tirando definitivamente o futebol dos Jogos Olímpicos.

Até onde vai o Flamengo
15/07

Título? Libertadores? Ou é apenas um cavalo paraguaio e o máximo que pode almejar é uma vaga na Copa Sul-Americana?

Certamente, não acredito na última opção. Hoje, diria que o Flamengo ficaria entre o título e a briga por uma vaga na Copa Libertadores - a continuidade de um belo trabalho do clube, iniciado em 2006, mas que teve sua consistência definitiva em 2007, com uma surpreendente reação no Campeonato Brasileiro, onde terminou em terceiro lugar.

Mas esse time do Flamengo realmente pode conquistar o título - que o clube já não conquista a 14 anos? Eu realmente tenho minhas dúvidas da capacidade do time, com uma ressalva.

Primeiro, ao analisar o elenco do Flamengo, não encontro nada de extraordinário - com exceção, talvez, do grande zagueiro Fábio Luciano. Não vejo nada demais em Juan, muito menos em Leonardo Moura, que muita gente vem exaltando. Não diria que sejam dois bons laterais, mas sim que são dois jogadores esforçados - uma vez que meu exemplo de lateral é mais centrado em gente como Gary Neville ou Franco Baresi e Paolo Maldini, no desempenho desta função. Mas os dois têm o seu papel, só não são jogadores de Seleção Brasileira como muita gente quer pintar. Ibson é uma peça importante, ao meu ver, no esquema da equipe, assim como Kléberson. E pára por aí.

Para o ataque, Marcinho vem fazendo um grande trabalho, mas está longe de ser um nome matador. De qualquer forma, Marcinho vem sendo jogador decisivo, o que é importante para o sucesso da equipe. Obina não é jogador de futebol, mas é igualmente esforçado e acaba, muitas vezes, sendo capaz de decidir um jogo. Souza é um atacante horrível. Bruno é um goleiro irregular. Então o clube não difere muito de São Paulo, Palmeiras ou Cruzeiro.

Realmente, com o Cruzeiro o Flamengo guarda algumas semelhanças. Mas destaca-se do clube mineiro enquanto sua regularidade em campo - fator que coloca o Flamengo em primeiro e o Cruzeiro em segundo na tabela. Para Palmeiras e São Paulo, a diferença é uma só: o Flamengo é um time organizado, que joga. Tem esquema de jogo.

Não que São Paulo e Palmeiras não tenham esquema de jogo... e aqui talvez entre um fator que incomoda muito os dois clubes paulistas e não tem afetado o Flamengo: a janela de transferências européia. Palmeiras e São Paulo são duas equipes desorganizadas e displicentes, parecem desconcentradas em campo. Muito atribui-se à cabeça de Hernanes ou de Valdívia, que estariam voltadas para transferências ao mercado europeu. O Flamengo não aparente ser um time que vá se prejudicar com esse tipo de coisa, até porque não tem jogadores que saltem aos olhos - ou alguém consegue imaginar o Manchester City ou o Villareal interessados em Obina?

Não sei o quanto isso tem afetado realmente o desempenho do clube. Mas o fato é que os dois têm atuado mal, jogam com um meio-campo totalmente sem organização. O Tricolor Paulista parece ter recuperado um pouco o foco no Campeonato, o que, definitivamente, não é o caso do Palmeiras - ainda.

O Flamengo aproveita este momento irregular dos clubes paulistas, e a irregularidade constante do Cruzeiro para acumular pontos e seguir na liderança do Brasileirão.

Esse pode ser o momento de abrir a vantagem necessária para brigar, definitivamente, pelo título. Algumas rodadas na frente, podemos dizer onde, exatamente, o Flamengo estará - e acredito que não seja nada menos que a briga pela vaga na Libertadores.

Coluna dupla - Fluminense na Libertadores
08/07

Se o engraçadinho que faz os artigos de Fórmula 1 se coloca no direito de fazer uma "coluna dupla", lançando moda aqui na redação... me coloco no direito de fazer exatamente o mesmo. Mas, no caso, são colunas que abordam duas visões diferentes a respeito de um mesmo tema: o Fluminense e a Libertadores.

A derrota e a perda do título
O Fluminense fez uma belíssima campanha na Libertadores. Liderou a competição de ponta a ponta e, se levarmos em consideração a soma de pontos na competição, o Fluminense fez 29 pontos, líder isolado - a campeã LDU fez apenas 17. Numa classificação por pontos, a LDU dividiria o sexto lugar com o América do México. E para ver como a campanha do Fluminense foi sensacional, o segundo colocado teria 21 pontos e o terceiro 19.

Em sua campanha, perdeu apenas dois jogos: contra o Arsenal na primeira fase, por 2x0, quando já estava classificado; e a primeira partida das oitavas-de-final contra o São Paulo, por 1x0. No total foram oito vitórias, dois empates e duas derrotas.

Uma campanha mais modesta foi feita pela LDU, que tinha apenas quatro vitórias, CINCO empates e três derrotas. Nas quartas e nas semi-finais, a LDU passou apenas empatando e garantindo-se no critério "gol fora de casa", critério do qual o Fluminense em momento algum dependeu para classificar-se.

Então chegam os dois às finais.

A LDU envolve completamente o Fluminense. Massacrou o clube brasileiro no Equador, fez 4x1 no primeiro tempo, saiu de casa com uma vantagem por 4x2 e poderia ter sido um placar mais elástico - e mais mortal.

E engana-se quem acha que o Fluminense devolveu o massacre no Maracanã. O Fluminense jogou bem, sim. Mas o time não possuía nenhuma organização em campo, nem ofensiva nem defensiva. Basicamente, o clube dependeu de uma atuação inspirada de Thiago Neves - o que não é de costume - e da marcação incansável de Thiago Silva e Arouca na defesa, sempre correndo para tirar bolas que teriam aniquilado completamente o Fluminense no jogo. Isso porque a LDU era um clube completamente organizado. Ao contrário de Conca, de Washington, de Dodô & cia. limitada, perdidos em campo, Urrutia, Salas, Guerrón e Bieler sabiam exatamente o que estavam fazendo em campo. Foi assim que a LDU fez o gol a cinco minutos de jogo e dominou o restante do segundo tempo e toda prorrogação - diferentemente do Fluminense, que fez seus gols mais na base da garra que da técnica.

E isso que foi fatal ao Fluminense. Jogou com garra demais, técnica de menos. Fisicamente, o time estava morto - e isso afeta na hora de cobrar pênalti. A LDU era um time mais organizado, por isso foi melhor, por isso conquistou o título nos pênaltis.

Um grande time não comete excessos, mas joga o que sabe jogar.

O que impede o Fluminense de alcançar outra final de Libertadores?
O Fluminense investiu muito para chegar até aqui. Fez as contratações que precisava, reforçou o time em todos os setores. Tudo estava nos conformes. Não é um investimento que costuma-se fazer todos os anos. O Fluminense mobilizou-se inteiro para ganhar a Libertadores. Todo o investimento, toda concentração era focada aqui, na competição sul-americana. E o Fluminense falhou.

Não é fácil fazer outra final de Libertadores porque não é fácil mesmo CHEGAR à Libertadores. O Fluminense é um clube que só a disputou em antes em 1985 e em 1971. Ou seja, não é um clube que, historicamente, reforça-se para ganhar competições nacionais, que são o acesso à Libertadores.

No Brasil, para chegar a uma Libertadores você disputa, primeiramente com 12 clubes grandes - os quatro de São Paulo, os quatro do Rio de Janeiro, os dois de Minas e os dois do Rio Grande do Sul. E aí ainda temos os paranaenses, os times do sul, os nordestinos, os clubes do centro-oeste... ou seja, é difícil. Não é como uma Liga dos Campeões que você tem poucos concorrentes para atingir uma vaga.

O caminho para chegar à Libertadores é longo. O Fluminense o fez ano passado, antes disso só havia conseguido fazer há 13 anos e antes disso há 14 anos. Se historicamente o Fluminense tem essa dificuldade, me arrisco a afirmar que dificilmente o clube aparece por aqui novamente, fazendo a final.

Claro, existem chances disso acontecer. Mas desperdiçar essa oportunidade em pleno Maracanã foi um grande vacilo.

Fúria fatal
01/07

Este título do Euro 2008, conquistado com maestria pela Espanha, é mais que o primeiro (e único) campeonato importante (na verdade, campeonato, seja ele importante ou não) da seleção rubra em 44 anos - intervalo desde sua conquista anterior, o também Euro de 64. Ele marca a entrada definitiva da Seleção Espanhola entre as grandes forças do futebol mundial. O que é estranho: há anos que os espanhóis circulam por ali... praticamente dominam o futebol de clubes, e com a seleção, embora não haja um histórico de conquistas, sempre vem de resultados que permitem a Espanha a se manter entre as cinco primeiras posições do ranking da FIFA. Mas os resultados não vinham.

Veio agora, com um time com as características necessárias para ser campeão: um bom goleiro, o Iker Casillas; um zagueiro que pode não ser um Beckenbauer, mas cumpre seu papel, o caso de Sérgio Ramos; um bom volante, como Xavi; um meia sensacional, que é o caso de David Villa; um camisa 10 com toda classe que lhe é necessária, o Cesc Fabregas, que pode não ter jogado a campanha inteira, mas foi importantíssimo na semi-final e na final; e um centroavante goleador, o Fernando Torres.

Curiosamente, estas características "quase" estiveram presentes nas campanhas anteriores, com Andoni Zubizarreta, Fernando Hierro, Rubén Baraja, Fernando Morientes, Diego Tristán e Raúl. Ficou devendo. Os resultados não vieram e uma geração que sempre era apontada como promissora, no final das contas, decepcionava.

Em Copas do Mundo, em 1990, ficou nas oitavas-de-final; em 1994 nas quartas; em 1998 caiu na primeira fase; em 2002 foi às quartas; e em 2006 voltou a cair nas oitavas. No Euro, chegou à final de 1984 e perdeu para a França. Em 1988 caiu nas oitavas; em 1992 sequer se classificou para o torneio; em 1996 e em 2000 caiu nas quartas e em 2004 saiu na primeira fase.

A Espanha vivia a realidade de ter seu único título importante conquistado em casa há quatro décadas. E, se a geração atual mantivesse a decepção da turma de Zubizarreta, Hierro e Raúl, seria uma grande tristeza, uma vez que esses jogadores realmente são diferenciados. Pelo menos quatro deles merecem vaga numa possível "Seleção do Mundo" atualmente: Fabregas, Villa (ambos titulares), Casillas (que poderia ser titular ou reserva, dependendo do momento), Torres (na reserva, mas ainda assim entre os 23 melhores). Não lembro de uma ocasião em que a Espanha esteve tão bem-servida.

O gol de Fernando Torres em cima de Jens Lehmann foi uma amostra da facilidade com que "Il Niño" chega bem no gol e marca tento com frieza e tranqüilidade. Às vezes faz até melhor que nomes mais reconhecidos como Eto'o e Drogba. A jogada surgiu num lançamento sensacional de Xavi que tivesse sido feito por Ballack ou por Schweinsteiger sem dúvida estaria sendo muito mais badalado. E Fabregas é aquele jogador que pode fazer função de volante e de meia ofensivo com a mesma facilidade que Steven Gerrard, que nem ao Euro veio.

Sem falar que a Espanha jogou num esquema com quarto meias que emperrou o time na final. Mas tal atitude fosse. tomada aqui no Brasil, como aconteceu em 1970 (embora o meia Tostão tenha ganho vaga de atacante), ou na Argentina, seria reconhecida como um esquema corajoso e atrevido por parte do treinador. No caso do Aragonés e sua escolha, talvez na tentativa de suprir a falta de Villa, nem acho que foi a melhor opção. O jogo espanhol ficou mais vagaroso - um esquema com três meias e mais um atacante, para servir Torres, talvez impulsionasse o ataque com mais facilidade e levasse a Espanha a uma vitória mais sossegada.

Por sinal, Villa, ausente... Enquanto para 2006 muita gente insistia em fazer de Raúl a estrela espanhola da Copa, Villa já era o melhor jogador do time. Mas estava no Valencia, aí não teria vez mesmo... houve até quem visse em Reyes um jogador para o "futuro" da seleção espanhola - afinal de contas, o cara passou pelo Arsenal, Real Madrid...

Se esta Espanha vai conseguir confirmar seu favoritismo para a Copa do Mundo, pouco pode-se analisar. A Seleção Espanhola viveu um momento muito bom e teve pela frente uma Alemanha que, embora seja uma geração muito forte, não tem jogadores decisivos.

Por hora, apenas observemos a Fúria em toda sua raiva.

Como um leão
19/06

Desta vez, por alguns meses, o Sport Club do Recife foi o melhor time do Brasil. E o foi de forma incontestável - ao contrário do muito contestado título de 1987. Em breve, tudo voltará ao normal. O Sport voltará a ser um time de médio porte. Não deve ir muito longe na Libertadores. No máximo oitavas-de-final. Mas isso pouco importa. Hoje, o Brasil é do Sport. De um modo muito mais forte que, nos últimos anos, fora de Flamengo e de Fluminense.

É a terceira conquista nacional do clube recifense. A primeira, bem, o contestado título de 87. A Copa União. O Módulo Amarelo... não é bem hora de se comentar isso aqui. Basta resumir da seguinte forma: para os flamenguistas, o Sport não é campeão. Para os torcedores do Sport, para os torcedores dos demais clubes do Brasil, para a CBF, o Sport é campeão. E para a mídia consciente, para a revista Placar, para os torcedores mais centrados... é uma questão complexa que pode ser muito mal-resumida com um título dividido, um asterisco e uma longa explicação.

Independentemente disso, o Sport disputou a Copa Libertadores de 1988. A segunda foi em 1990, a conquista da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Nenhum dos dois, no entanto, compara-se a esta Copa do Brasil. Não porque o título de 1987 é contestado e envolve um asterisco. Não porque o de 1990 é uma "reles" segunda divisão. Mas porque, desta vez, nesta ocasião, o Sport foi, definitivamente, o melhor time do Brasil.

O Sport anulou completamente Valdívia. Goleou o forte Palmeiras, melhor time do Brasil pra muitos, inclusive pra mim, por 4x1 em casa. Isso depois de segurá-lo e garantir 0x0 no Parque Antarctica. O Sport anulou completamente o poderoso Internacional, outro favorito - embora este, cada vez mais, caia por água abaixo. Isso depois de ter perdido por 1x0 no Beira Rio.

O Sport passou pelo Vasco sem grandes problemas. Quase põe tudo a perder quando o Vasco igualou no Rio de Janeiro os 2x0 feitos pelo Sport em Recife. Mas, nos pênaltis, o Sport, que dominou os dois confrontos, garantiu a vaga na final. Chegou a tomar 3x0 do Corinthians no Morumbi. Diminuiu para 3x1 no final do jogo. O Corinthians que vem invicto na Série B e que todos diziam que vivia um melhor momento. Que era o favorito só por causa disso (?).

O Sport massacrou esse Corinthians na Ilha do Retiro, fez 2x0 e conquistou o título com excelência. Comparem com a campanha do Flamengo em 2006, que para chegar à final teve de enfrentar o ASA de Arapiraca; o ABC do Rio Grande do Norte; o Guarani, que estava fazendo campanha patética na Série B em vias de cair para a C, e caiu; um patético Atlético Mineiro; o Ipatinga; e o Vasco, na final. Apenas um time de primeira divisão. Dois de segunda. O restante de terceira para baixo.

Já o Fluminense, em 2007, enfrentou a ADESG do Acre; o América de Natal, aquele que fez a pior campanha da história da Série A; o Bahia, na Série C; o Atlético Paranaense; o Brasiliense; e o Figueirense, para quem, por pouco, não perdeu o título.

E vale lembrar que o Flamengo em 2004 perdeu a Copa do Brasil em casa para o Santo André. E em 2005 o Fluminense fez o mesmo, para o Paulista de Jundiaí. Finalmente um time vence a Copa do Brasil enfrentando adversários fortes e jogando como o melhor time do Brasil. A Copa do Brasil é um clube exclusivo. E o Sport agora faz parte dele.

Calando o Boca
11/06

Final da Libertadores 2003. O Santos de Diego, Robinho e, principalmente, de Elano, iria pra cima do Boca Juniors sem nenhum esquema ou jogada armada - como qualquer time treinado por Leão. O resultado foi o óbvio: apanhou feio. Tomou 2x0 em La Bombonera e 3x1 no Morumbi, com show de Carlitos Tevez e Marcelo Delgado.

Foi, basicamente, o mesmo erro que o Palmeiras cometeu em 2000 e em 2001. Que o Vasco cometeu também em 2001. E principalmente que o Grêmio cometeu na final passada, o que foi comentado aqui mesmo neste espaço.

Na ocasião de 2003, o comentarista Paulo César Vasconcellos, então na ESPN Brasil, opinou que o time certo para enfrentar o Boca Juniors seria um time treinado por... Parreira! O técnico tetracampeão Mundial havia trabalhado com o Corinthians em 2002, quando desenvolveu no clube paulista a política de "futebol de resultados". Deixou o clube para treinar, novamente a Seleção. Com Geninho no comando, o Timão caiu nas oitavas-de-final. E de Parreira na Seleção nem preciso falar.

Mas a colocação de Paulo César Vasconcellos faz todo sentido. Levando em conta o trabalho de Parreira com o Corinthians, esquecendo, obviamente, a final do Brasileirão 2002, o time seria ideal para enfrentar-se o Boca Juniors. Por um motivo simples: um time baseado em resultado, como era aquele Corinthians, não partiria para o desespero contra o Boca. Não atacaria de forma imprudente e se defenderia corretamente. E um futebol baseado na defesa não tem que, necessariamente, ser retranqueiro - taí a Itália, Campeã do Mundo.

Depois que muita gente levou ferro do Boca Juniors, aparece o Fluminense para pôr esse modo de jogar em prática, mas de um modo ainda melhor. Equilibrando muito mais o ataque e a defesa de que faria o Corinthians de Parreira em 2002.

Ouvi muita gente dizer que o Boca Juniors foi melhor, tanto em La Bombonera quanto no Maracanã. Não foi. Houve quem dissesse que o Boca teria ganho se Riquelme estivesse 100% em campo. Não teria, porque não venceu em La Bombonera.

O que aconteceu foi que o Fluminense, para enfrentar o Boca, baseou o time na defesa e no contra-ataque - mas fez isso de forma correta, sem precisar usar a tal "retranca", sem "ficar atrás e esperar o time abrir para contra-atacar". O Fluminense e Renato Gaúcho sabiam que, com um ataque com Riquelme, Palermo e Palácio o Boca era superior. Então de que adiantaria medir forças ofensivas com esse Boca?

Com dois excelentes zagueiros como Thiago Silva e Roger, o Fluminense poderia ser um time defensivo sem nenhum problema. Tinha segurança para tal. Thiago Neves é quem não cumpria com perfeição a ligação dos contra-ataques, mas Darío Conca supriria esse problema. Aquele ataque do Boca era um ataque nervoso enfrentando uma defesa tranqüila e bem-preparada. Engana-se quem acha que o Fluminense em algum momento foi "envolvido" pelo Boca. Tanto que, no momento que esteve ameaçado, soube ir buscar o resultado com prontidão. E isso porque, definitivamente, o Fluminense controlava o Boca. Não o contrário.

Nunca um time brasileiro atuou tão bem numa Libertadores. E ainda acham que o Boca mete medo em alguém. Perguntem pro Chico Buarque.

De mar a mar
05/06

A coluna abre com o lema oficial do Canadá. Meu país, como todos sabem. E que emoção foi ver o meu Canadá botar a Seleção Brasileira na roda - porque foi o que aconteceu. Mas é de se entender que uma Seleção como a Canadense não consiga vencer a Seleção Brasileira, mesmo jogando melhor. Falta o costume, a tradição. O hábito. Os atalhos do campo. A experiência. Saber o que se pode fazer e o que não se pode fazer num jogo de futebol, principalmente quando enfrenta-se uma das melhores seleções do mundo.

Poucos foram os momentos de brilho do Brasil, enquanto os canadenses se davam ao luxo de passar de calcanhar, driblar, mesmo na defesa e arriscar tiros de longa distância. Foi num desses que Julian de Guzman marcou o gol de empate pela segunda vez no jogo, emparelhando o placar em 2x2. Infelizmente o mesmo Guzman realizou um recuo de bola que nem eu entendi e, praticamente do meio campo, pôs Robinho na cara do gol, para marcar e decretar vitória brasileira.

Mas foi jogo duro, não tenha dúvida. O mesmo Robinho não conseguiu pedalar e ainda levrou drible novamente de Guzman em pleno campo de defesa canadense. Rob Friend e Tomasz Radzinski deixaram os experientes Lúcio e Juan tontos, em constantes chances de gol da equipe norte-americana. Júlio César foi obrigado a trabalhar duas vezes, caso contrário o jogo teria sido 4x3 para o Canadá. Três lances que por pouco não originaram gols, por sinal, não aconteceram por pura falta de técnica canadense. Num dos lances, Issey Nakajima recebeu livre um lançamento e, de cara com o goleiro da Internazionale, chutou para fora. Nos outros dois, os citados chutes em que Júlio César foi obrigado a se virar, Adrian Serioux e Dwayne De Rosario, fossem jogadores mais vivenciados - são dois dos poucos que atuam na Liga Norte-Americana, a MLS - certamente entenderiam que seus lances precisavam de mais suavidade e técnica e menos agressividade.

Essa Seleção Canadense é capitaneada por Paul Stalteri, do Tottenham Hotspur da Inglaterra. Tem Michael Klukowski do Club Bruge da Bélgica, André Hainault do Sparta Praga, Josh Simpson e Patrice Bernier do Kaiserslautern. Guzman atua pelo Deportivo La Coruña. Tamandani Nsaliwa pelo AEK da Grécia, Atiba Hutchinson joga com o Copenhagen da Dinamarca, Jaime Peters com o Ipswich Town e Friend é atacante do alemão Borussia Mönchengladbach.

Nos times americanos temos apenas seis representantes: os já citados Serioux e De Rosario atuam, respectivamente, pelo FC Dallas e Houston Dynamo; pelo Dynamo também joga o goleiro titular Pat Onstad; o goleiro reserva Greg Sutton atua pelo Toronto FC; e Ante Jazic defende o agora famoso Los Angeles Galaxy. Um jogador representa a USL, liga norte-americana inferior: Adrian Cann, do Vancouver Whitecaps.

Os demais atuam em ligas européias, em clubes de menor fama e expressão: Nakajima joga no Nordsjælland da Dinamarca; mesmo país onde está o terceiro goleiro Joshua Wagenaar, com o Lyngby Boldklub. O quarto goleiro Lars Hirschfeld agarra no CFR Cluj da Romênia; Richard Hastings é defensor do Inverness CT da Escócia e pelo Roda JC da Holanda temos Marcel de Jong. Radzinski marca seus gols no grego Skoda Xanthi. A convocação encerra-se com o atacante do FC Ingolstadt 04 da Alemanha, Ali Gerba.

Por outros clubes menores europeus estão espalhados dezenas de canadenses em busca de descobrir o futebol. O negócio do meu país é hóquei no gelo. E este ano, no primeiro Campeonato Mundial sediado em casa, perdemos para a Rússia.

Bem que eu disse
21/05

O Fanático Esporte Clube sempre foi categórico nas críticas a Ronaldinho. Não que o malabarista deva alguma coisa pra gente, ou pra nossas críticas. Ela eram direcionadas não exatamente ao jogador Ronaldinho. Ela eram SOBRE o Ronaldinho, mas visavam atingir mais o público do jogador. Aqueles que se derretiam todos com suas jogadas. Começou a se falar que Ronaldinho era o melhor do mundo. O cara virou história em quadrinhos, virou até sabor de picolé. E houve quem quisesse compará-lo até mesmo a Maradona - quando o rapaz se quer se compararia a Ronaldo, Fenômeno, em seu auge.

A arrogância era tanta que as pessoas temiam fugir do óbvio. Era um ânimo exagerado para tal jogador na Copa do Mundo - assim como para toda uma Seleção valorizada demais que trabalhava de menos. É fácil criticar agora? Pode ser. Mas não é de hoje que dizemos isso. Quem nos acompanhou na Copa do Mundo viu que sempre apostamos em outras seleções: Itália, Alemanha, França e Argentina. Os registros estão todos aí para quem quiser confirmar.

Também não estou chutando cachorro morto. Minhas críticas não vêm de agora que o rapaz vai mal das pernas - até literalmente. Dizemos isso desde o tal "auge" do "melhor do mundo". Nossas críticas, diferente das demais, vêm dos dias "dourados" de Ronaldinho.

Mas essa coluna, aí em cima, também já foi feita. Confiram meu registro do dia 9 de abril. Já fiz as críticas que tinha de fazer ao Ronaldinho e aos seus críticos (cegos)/fãs. Os parágrafos que me restam serão para uma pergunta: o que vai ser agora, Ronaldinho?

A página 24 da placar do último mês de abril, brilhantemente escrita por André Rizek, dá o toque: Ronaldinho desencanou da Seleção. Mas o Rizek devia ter explicado que não desencanou só da Seleção. Desencanou do Barcelona também. Parece ter desencanado do futebol, inclusive.

Joan Laporta, presidente do Barcelona, percebeu. E aposto que não foi de agora, porque o clube em muito tentou a recuperação de seu atleta. Simplesmente não adiantava. E Laporta cansou. Agora dá uma de Capitão Nascimento e manda o Ronaldinho "pedir pra sair". É claro que o clube não quer mais nada com ele - porque há muito ele próprio não quer com o clube.

O Ronaldinho vai sair? Se sair, vai pra onde? AC Milan (para o Fanático e o Lexotan: HAHAHAHAHAHAHA!)? Isso me cheira há algum tempo no passado, após uma Copa do Mundo, quando um outro jogador que marcou época no Barcelona deixou o clube, rumou para o Milan e de lá para o ostracismo: Rivaldo. Com a diferença que Rivaldo era um grande jogador. E não tinha desencanado do Barça. Saiu contra sua vontade. Declarou que não queria sair, inclusive. E a partir do momento que saiu, aí sim, desencanou do futebol. Permanentemente, é o que aparenta. Hoje está no ostracismo do futebol grego. Imagina o que seria de um jogador já desencanado do futebol, como o Ronaldinho.

E se Ronaldinho for pro Milan? De que vai adiantar? Minha opinião? De nada. Daí, o sujeito vai descer. Ou vai ficar transitando entre clube grandes por mais algum tempo até decair completamente - como o Vieri, por exemplo. Não vou pagar uma de "o Ronaldinho vai dar a volta por cima" porque sei que isso não vai acontecer. Nunca foi assim, não teria porque ser agora.

E vá para a Internazionale - clube que tem mais a cara de Ronaldinho - ou qualquer um outro, não tem como requisitar novo prognóstico. Pelo que faz em campo, ainda mais no difícil futebol italiano, Ronaldinho não pode ser mais que isso aí. Só agora é que caiu a ficha?

Maior que a América?
13/05

Não adianta tentar encontrar um fator para explicar a derrota do Flamengo: um conjunto de razões originou aquela derrota humilhante diante do lanterna do campeonato mexicano com 11 pontos - enquanto o antepenúltimo soma 17. Um time sem técnico, pois havia demitido o treinador quando tomou de 4x2 do Mengão em casa no jogo de ida.

Aí surge aquele papo... "amarelou", "jogou de salto-alto", esse tipo de coisa. Nem vou por aí. Levanto outra questão. O Flamengo era assim tão bom?

Eu defendi o Flamengo há algumas semanas, numa coluna em que eu tratei de um possível Fla-Flu na Libertadores. Eu acreditava no Flamengo, embora deixasse claro que passar pelo América seria difícil. Não vou usar isso como argumento para dizer que não queimei a língua. Queimei, bonito! Mas chamei a atenção para o adversário que ainda existia.

A mídia brasileira, em geral, ignorou completamente esse fator. Claro que depois dos 4x2, eu também ignorei - e sou culpado dessa opinião, também. Mas o tratamento quanto a Palmeiras e Ponte Preta, por exemplo, foi BEM diferente. Mesmo o Verdão tendo vencido de 1x0 em Campinas, e, tendo o melhor time do Brasil (este sim, o melhor time do Brasil), muita gente diria que para o Palmeiras ser campeão ainda precisava vencer a Ponte Preta. E venceu logo de cara, por cinco.

Esse fator não se levou em conta com o Flamengo. Dava-se o Flamengo como classificado.

Não digo que isso foi a razão pela eliminação do Mengão. De forma alguma. Crítica não ganha - nem perde - jogo. Mas supervalorizou-se o Flamengo. Agora é fácil dizer isso, OK. Agora, olhando direitinho...

Quem é Souza? O Palmeiras tem Alex Mineiro, o São Paulo tem Adriano, o Fluminense tem Dodô (vamos desconsiderar o fator-lesão e a possível punição do jogador em questão). Todos sempre foram famosos por serem grandes artilheiros, incontestáveis. O Souza tinha exatamente esse padrão? Tanto que atualmente o artilheiro anda sendo vaiado pela torcida flamenguista.

Diego Tardelli? É um bom jogador, marcou gols decisivos na Taça Guanabara, na decisão do Campeonato Carioca... mas Diego Tardelli deu certo em algum lugar por onde passou? Basta perguntar aos são-paulinos se gostariam de ter esse rapaz de volta no Morumbi, onde muito se tentou e pouco se funcionou. Então Diego Tardelli é jogador para se decidir Libertadores?

Quanto a Renato Augusto? O que ele fez até aqui? Eu nem sou grande fã do Thiago Neves - ainda -, como mesmo já deixei claro em coluna aqui. Mas o Thiago Neves já se mostrou muito mais jogador que o Renato Augusto. Tentou se pintar o Renato Augusto como um novo camisa 10 para o Flamengo. Renato, o ex-capitão, às vezes chamado Renato Abreu, que vestia a 11 e hoje está exilado na Arábia, tinha muito mais cara desse jogador. Mas tudo foi investido em Renato Augusto por ser "prata da casa". Por vir com aquele papo de "Craque o Flamengo faz em casa". Forçar a barra. Pergunto: quem é Renato Augusto? Tem seu valor, mas é jogador que decide? Onde?

Leonardo Moura, coisa que sempre defendi, é o típico jogador que muito corre e pouco faz - como boa parte dos laterais brasileiros. Juan, do outro lado, é quase a mesma coisa, só que mais inexperiente.

Nem vou falar de Obina, que marca gols no Estadual porque é BEM mais fácil, mas geralmente pega uma bola de frente para a trave e manda na torcida. É jogador para se ganhar Libertadores?

E o Bruno sempre foi um goleiro que adora falhar. Sai mal do gol, o que é fatal, se posiciona mal... e muita gente pintava o cara como melhor goleiro do Brasil - quando posso citar, melhor que ele, vejamos... Marcos, Diego Cavallieri, Rogério Ceni, Felipe, Aranha, Renan, Fábio... até Clêmer e Fábio Costa conseguem ser melhor - ou pelo menos se posicionar melhor, sair melhor do gol, o que ajuda MUITO. E olha que o Fábio Costa tem um belo histórico de frangos bizarros.

Kléberson é ex-jogador desde 2002. Gavilán entrou em campo? Toró? O que é tudo isso? Jogador para se ganhar Estadual do Rio, sim, sem dúvida. Mas e numa Libertadores? Que o Flamengo passou bem para a segunda fase porque pegou um grupo absurdamente fácil.

O Flamengo tem coisas boas? Não digo que isso tudo aí acima não sejam coisas boas, mas coisas que façam diferença numa Libertadores? Ou seja, um time acima da média? Bom... Fábio Luciano é um. Acredito que Jônatas e Ibson (muito criticado, injustamente, ultimamente) também. Mas isso resolve?

Até o Maxi Biancucchi, quando foi contratado, foi muito supervalorizado - e hoje nem ao menos joga. Torno a perguntar: o Flamengo era assim tão bom?

No geral, o Flamengo é um time e um clube supervalorizado. De repente, esse time virou o "melhor Flamengo desde o Flamengo de Zico". Espera-se muito quanto o clube pode bem menos. Ridículo.

Forçaram a barra demais. Depois que a zebra acontece, ficam perguntando os por quês....

Novamente gigante esmeralda
07/05

Na verdade, Gigante Esmeralda é o apelido do Hulk. Mas encaixa-se no Palmeiras - clube que a Folha de São Paulo classificou como Campeão do Século XX e a Federação Paulista de Futebol endossou. Esse papo de Campeão do Século é relativo, bem relativo... mas ao longo de sua trajetória, o Palmeiras cresceu até se tornar um gigante, um dos maiores do Brasil, sem dúvida. Era estranho que este Verdão estivesse renegado a posições intermediárias de tabelas. Um clube que, nos anos 1990, ganhou quase tudo - com exceção de Copa Intercontinental ou Mundial Interclubes, seja como for. Mas Paulistão, Brasileirão, Rio-São Paulo, Copa do Brasil, Copa Mercosul e, especialmente, Copa Libertadores. Tudo isso foi depositado na conta do Palmeiras nos anos 90.

E foi de forma incontestável, com grandes times, grandes jogadores. Marcos, Rogério, Edmundo, Alex, Evair, Edílson, Cafu, Rivaldo, Müller, Antônio Carlos, Roberto Carlos, Arce, Veloso, Djalminha, Cléber, Galeano, Zinho... todos esses (no mínimo) bons jogadores se destacaram pelo clube nos anos 90 e ajudaram no turbilhão de títulos que o clube venceu.

De repente, de uma hora pra outra, este clube vencedor cai no conceito. Ainda conquistou uma Copa dos Campeões, em 2000 aquele torneio que dava vaga na Libertadores que até hoje não engoli. Ah, e chegou à semi-final da Libertadores. E foi só. Em 2001, ficou de fora das finais do Brasileirão nas últimas rodadas. Em 2002, caiu para a Série B. Em 2003 foi campeão da mesma - o que, para muita gente, não é título. É "acesso". Besteira.

Mas de fato, o último título, bem... relevante que o Palmeiras venceu foi em 1999, quando conquistou a Libertadores. Talvez 2000 tenha sido o último grande ano do Palmeiras antes da decadência de 2002. Mas, ao contrário de Botafogo, de Atlético Mineiro... que caíram recentemente, o rebaixamento do Palmeiras pareceu muito mais com o caso de Corinthians e Grêmio... mais um acidente de percurso de um clube que não vivia essas ameaças em anos anteriores. Seria muito menos estranho se Flamengo ou Vasco, naquela altura, caíssem.

Tanto que o Palmeiras caiu em 2002, voltou em 2003 e em 2004 já estava em quarto lugar, com vaga na Libertadores. Hoje vemos um Palmeiras temido, como nos anos 90. Novamente sob tutela de Luxemburgo, o Palmeiras tem Marcos no gol e um reserva sensacional, Diego Cavalieri. E aí, pra frente, tem Valdívia, Alex Mineiro, Gustavo, Elder Granja, Martínez, Pierre, Diego Souza, Kléber... ainda não é o elenco de 1993 ou de 1996. Mas é um elenco de alto nível, para fazer qualquer time brasileiro tremer.

Afirmar este Palmeiras como favoritíssimo ao Brasileirão 2008 não é nenhuma capacidade de análise extraordinária da minha parte. É apenas oportunismo e lógica.

Mas, acima de tudo, é bom ver este Palmeiras novamente grande. Na prática. Porque grande, um clube como o Palmeiras não deixa de ser. Mas na prática isso não vinha se realizando.

Por outro lado, esse cenário mostra o quão instável o futebol brasileiro está - instabilidade que aumenta. Há alguns anos, um Palmeiras fracassado, um Flamengo brigando para não cair, Fluminense idem, enquanto Corinthians comemorava Campeonato Brasileiro e o São Paulo brigava, brigava, mas não chegava lá.

Vivemos um futebol de fases. Poucos, na verdade, nenhum, é o clube com estabilidade desde 2000. Por hora, fiquemos feliz pela recuperação do Palmeiras. Não sabemos a fase que está por vir.

O Fla-Flu que você não vai ver
29/04

Desde 2007 que o Fluminense tem um projeto chamado Copa Libertadores - torneio que dois de seus grandes rivais, Flamengo e Vasco, já conquistaram. O Tricolor me surpreendeu quando confirmou toda a badalação em cima de seu elenco e, com uma campanha impecável, traçou a primeira fase da Libertadores com muita facilidade. Quatro vitórias, um empate e uma derrota e saldo de gol de 8. Resultado? Primeiro colocado geral.

Desde 2006 que o Flamengo tem um projeto chamado Copa Libertadores - torneio que não vence desde 1981 e que seu grande rival, o Vasco, conquistou em 1998. O Mengão me surpreendeu quando confirmou toda badalação em cima do time armado por Joel Santana e, com uma campanha impecável, traçou a primeira fase da Libertadores com perfeição. Quatro vitórias, um empate e uma derrota e saldo de gol de 5. Resultado? Segundo colocado geral.

O que isso significa? Vamos sonhar um pouco: existe a possibilidade de Flamengo e Fluminense se enfrentarem pela primeira vez na Taça Libertadores, ou numa semi-final ou, no que seria o sonho máximo, na final. Já são dez anos que um time carioca não levanta o troféu mais importante da América, e esse ano chega com força em dobro para tentar a proeza.

Para que Flamengo e Fluminense enfrentem-se na finalíssima, seria necessário que três brasileiros cheguem à semi-final. Caso apenas dois brasileiros alcancem a fase, ou seja, eles dois, enfrentam-se já na semi-final.

Mas dá para acreditar que Flamengo e Fluminense chegarão tão longe? Dá.

Os dois times estão muito bem-montados. O Fluminense, além de bem-armado, tem um bom elenco. Thiago Silva, zagueiro, é o destaque dessa equipe que só tem como desvantagem o irregular goleiro Fernando Henrique e o lateral ordinário Gabriel. Mas Thiago Neves é um bom meio-campo, embora não seja um craque decisivo ainda; e Conca é um jogador com a cara da Libertadores. Arouca é um volante regular e tem trabalhado bem no torneio. O ataque depende de Washington e Dodô, que recentemente passaram por problemas físicos. Nada de outro mundo.

Seu adversário também não assusta: o Atlético Nacional, de Medellín, Colômbia. O problema é se passar: pega Nacional ou São Paulo. Se pegar o Nacional, acredito que o Fluminense chega à semi-final. Se pegar o São Paulo, infelizmente, acredito que o Paulista triunfa no duelo de tricolores. Porque o São Paulo têm ponto forte em cima de onde o Fluminense pode fraquejar: o ataque, os cruzamentos, as jogadas pelas laterais contra o setor deficiente no clube carioca - quanto às laterais.

O Flamengo vive um pouco o lado oposto. Tem um adversário difícil logo de cara: o América, do México. Acredito que o Flamengo passe por aqui, apesar de não ser um adversário fácil - os mexicanos costumam complicar nessa fase da Libertadores, eliminando até o Boca Juniors em certa ocasião. Mas se passa, enfrenta Santos ou Cúcuta. E aí, acredito totalmente no Flamengo.

Não acredito ainda que ambos possam vencer a Libertadores. Aliás, acredito um pouco mais no Fluminense, que tem um treinador fora de série. O Tricolor deve parte disso aqui a Renato Gaúcho.

Mas o trabalho de ambos até aqui tem sido impecável. Vale salientar: o grupo da Libertadores dos dois foi bem mais fácil que o grupo de Boca, River ou Santos.

De qualquer forma, esse Fla-Flu, que ainda não existe, é motivo para se comemorar. Se vier a acontecer... difícil, mas não impossível, é a redenção completa do futebol carioca.

Tipicamente Típico
23/04

Isso é o que se pode dizer desta semi-final entre Palmeiras e São Paulo pelo Campeonato Paulista.

Típico por parte do Palmeiras em suas jogadas de bastidores, como de costume. Como em 1974, quando o Palmeiras tirou o segundo jogo da decisão do Pacaembu e o colocou no Morumbi - onde, historicamente, o Palmeiras não gosta de jogar. Mas, na cabeça do alvi-verde e do técnico Oswaldo Brandão, o gramado mais alto do Morumbi atrapalharia o jogo rápido e o toque de bola do Corinthians. Deu certo. O Verdão bateu o Timão por 1x0 e deixou o rival em mais um ano de fila. De quebra, causou a saída de Rivelino do Corinthians.

Mas esse sempre foi o estilo do Palmeiras e de sua direção. Esse posicionamento... a provocação ao rival, os desentendimentos fora de campo, os interesses contrários... Por que agora seria diferente?

Dessa forma, o Palmeiras passou o jogo, que seria no Morumbi, para seu estádio, o Palestra Itália, ou Parque Antarctica. Normal, é um direito do clube jogar em casa. Até aí tudo bem. Mas não é normal permitir que seja jogado um tal "gás comum" no vestiário do São Paulo. Não que o Palmeiras tenha feito isso de propósito - que é uma hipótese, mas não vamos trabalhar com ela, afinal, não existem provas. E eu, pessoalmente, não acredito que o Palmeiras o tenha feito. Mas falhou em fornecer segurança suficiente para que o vestiário do São Paulo oferecesse conforto aos seus jogadores, que tiveram que ficar lá, plantados no gramado durante o intervalo.

Falhou também ao permitir que a energia de seu estádio caísse durante o jogo. Foi culpa do clube? Claro. Devia providenciar para que esse tipo de evento não viesse a acontecer - ou, por acaso, isso vive se repetindo Brasil afora? Para esse tipo de situação existe a perícia e a prevenção.

Agora... o Parque Antarctica tem o direito de receber uma semi-final de Paulistão dessa forma?

Mas foi típico também por parte do Valdívia, provocar os são-paulinos, pondo o dedo na boca, pedindo silêncio aos rivais. Há quem acredite que esse tipo de catimba não é legal e que o Valdívia errou. Digo o contrário. O gol foi dele, ele comemora como quiser. Não agrediu ninguém, não falou da mãe de ninguém. A catimba, a provocação, o sarro... tudo isso faz parte do futebol e compõe a graça do esporte. É divertido quando isso acontece. Não seria legal da parte de Valdívia agredir um colega de profissão - e isso ele não fez. Provocação? Quem pode, provoca. Besta é quem perde a cabeça.

Como o Rogério Ceni. Aliás, típico também. Quantas vezes o Rogério já não teve atitudes do tipo? Partir para cima de juiz e peitá-lo? Pôr a mão na cara de jogador? Apontar o dedo e ameaçar? Fingir se machucar, jogar-se no chão e, depois, na maior cara de pau, afirmar que foi agredido - como fez com o Paulo Baier, nas oitavas-de-final da Libertadores de 2006? Tudo isso é muito Rogério Ceni... é uma pena que um grande goleiro, um ídolo de um dos clubes mais vencedores do país, alguém com uma carreira invejável tenha esse tipo de atitude mascarada.

E, pra não perder o costume, típico do São Paulo também supervalorizar um incidente. Recusar-se a entrar no vestiário após o jogo - quando até repórteres entravam e saíam sem problema, mostrando que a situação estava sob controle. Mandar DVD para a imprensa com a confusão do time sem poder entrar no vestiário. Entrar com ação na justiça. Tudo isso é a cara do São Paulo.

Em resumo, tipicamente futebol paulista. Tudo que foi citado aqui.

E é por isso que esse esporte é tão bom! Toda essa polêmica, quando não há violência e ninguém se machuca, é bonita de se ver. O esporte surgiu nas rivalidades. E elas precisam manter-se vivas.

Parabéns ao Palmeiras e ao São Paulo.

Azar... do Zico, não?
16/04

Semana passada estava prevendo que alguém soltasse a seguinte frase: "Se Zico não vencer a Liga dos Campeões, azar da Liga dos Campeões!" Talvez não tenha sido dita, mas certamente, CERTAMENTE, houve gente pensando dessa forma. Afinal de contas, o mesmo se disse a respeito de Zico e da Copa do Mundo!

Não me atrevo a questionar Zico como jogador de futebol. De forma alguma! O Galinho, que já figurou no Lendas aqui do Fanático, é, sem dúvida, um dos melhores e maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Isso é inquestionável. Mas por trás do culto a Zico existe um bairrismo e um ufanismo exagerado. Entendo a cabeça do flamenguista que disser que "se Zico não ganhou a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo". Mas isso nada mais é que uma frase inconformada e compensatória pelo fato de Zico jamais ter atingido o título máximo no futebol.

Vamos levar em consideração que, se Zico não venceu a Copa do Mundo, ele não a venceu em 1978, em 1982 e em 1986. O azar, sem dúvida, não foi da Copa do Mundo, porque nessas ocasiões, ela foi erguida por nomes como Mário Kempes, Marco Tardelli e, principalmente, Diego Armando Maradona. Aí o que vai me dizer agora? Que Kempes, Tardelli e Maradona não foram maiores, e melhores, que Zico? Aí é que surge o bairrismo... porque certamente a resposta será "Não. Eles não foram maiores que Zico". Certamente, porque Zico é brasileiro. E porque Zico foi flamenguista. Daí surge aquela necessidade, aquela paixão, aquele bairrismo que faz com que acredite-se que Zico foi melhor que Kempes, Tardelli e... putz! Maradona! Claro, tem o fato também de Kempes e Maradona serem argentinos e Tardelli italiano - rivais históricos do Brasil.

A Copa do Mundo é, em si, um torneio cruel. Ocorre apenas a cada quatro anos e, em poucos jogos, define-se o campeão entre um punhado de seleções com uma grande quatidade de bons jogadores. Talvez o melhor exemplo disso seja a final de 1974 que tinha de um lado Johan Cruyff e Franz Beckenbauer. Como dizer que não é injusto que Cruyff jamais tenha conquistado o torneio máximo no futebol mundial? Mas por outro lado... Cruyff tivesse ganho aquela Copa... não seria injusto Beckenbauer não ter uma Copa do Mundo em seu currículo?

Agora pense em quanta gente grande, quanta gente maior que Zico não venceu a Copa do Mundo. Michel Platini? Ferenc Puskas? Karl Heinz Rumenigge? Nils Liedholm? Leônidas da Silva? E isso em detrimento de quem? Antonio Cabrini, Fritz Walter, Giuseppe Meazza, Garrincha e Didi... então como dizer que tudo isso foi injusto?

Um grande jogador disputa em média três Copas do Mundo. Os que começam mais novos ou jogam até idade relativamente avançada podem jogar quatro ou mesmo cinco edições do torneio. Mas vê-se que as chances de vencê-lo são pequenas e você disputa contra jogadores do mesmo calibre que você. No final das contas, um vai perder e encerra a carreira sem essa honra. Como o caso de Baggio, em 1994. Por acaso, se Baggio não venceu a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo?

Acho que ninguém falaria isso.

Nem de Platini, nem de Cruyff, nem de Rumenigge, nem de Puskas, nem de Liedholm...

Às vezes é difícil admitir que na frente tem alguém melhor. Principalmente quando se trata de um jogador de um time com a maior torcida do Brasil - e do mundo, inclusive. Daí pinta bairrismo, pinta ufanismo, pinta a paixão de torcedor.

O que complica é quando jornalista deixa se contaminar por esse bairrismo e expressa sua opinião a torto e a direito. Seria como se eu viesse aqui dizer que se Paul Gasgoigne não venceu a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo. E, pelo menos, nas mãos desse cidadão, alguma coisa de relevante aconteceria - como, em vez de ser beijada e erguida, a Copa ser lambida por inteiro e depois arremessada para cima antes de passar para o próximo da fila.

Zico não venceu a Copa do Mundo? Azar... de Zico!

Desculpa de amarelo
09/04

Bater em bêbado é muito fácil. Vejam a situação de Ronaldinho. Mal entra em campo. Com sorte, é relacionado para o banco de reservas. Quando entra, não joga nada.

Eu poderia desperdiçar essas linhas criticando o Ronaldinho. Mas por que vou falar mal de alguém que já está levando tanta porrada da crítica? E, aliás, por que vou ser redundante? Porque já falei, e todos nós aqui do Fanático Esporte Clube, já falamos trocentas vezes que o Ronaldinho era exatamente isso. Cansamos de dissecar que e por que Ronaldinho era um jogador pouco objetivo, um jogador que só fazia firula, que só conseguia os malabarismos dele na França e na Espanha, que ele nunca foi o "melhor do mundo" como todos afirmavam por aí. Dissemos também que a Seleção Brasileira não tinha nada de favorita à Copa do Mundo e prevemos que Ronaldinho seria o nada que foi - afinal de contas, contra o Haiti ele enfileirava defensores, mas em jogo pra valer ele sempre era bem-marcado e apagava.

Tudo isso está nos nossos arquivos. Podem checar.

Esta coluna de hoje deixa de lado o Ronaldinho. Esta coluna vai para outras pessoas.

Esta coluna vai para quem acredita que o tal do jogador brasileiro é, por princípio, o melhor, em qualquer situação; e que Ronaldinho seria o melhor de todos os tempos depois do Pelé e - talvez - do Maradona.

Onde está o senso crítico de vocês?

O jogador precisa estourar sua forma física e suas jogadas ficarem manjadas e fáceis de serem previstas e marcadas para, aí sim, vocês verem que o cara não é o melhor do mundo? Foi preciso que Ronaldinho passasse a ser um jogador comum até mesmo na Espanha - onde Luís Fabiano e Júlio Baptista fazem sucesso fácil - para cair a ficha de que o cara nunca foi o gigante que todo mundo queria acreditar?

Será que nunca ficou muito óbvio aos seus olhos que a mágica que Ronaldinho fazia era diante de um jogador e um grande espaço em sua volta? Que um craque de verdade como Johann Cruyff, Michel Platini, Karl-Heinz Rumenigge ou Roberto Baggio enfileira adversários à sua frente e passa por todos eles. E aqui nem quis citar Pelé, Maradona, Di Stéfano ou Garrincha, porque seria óbvio demais. E isso é algo tão básico que dá para citar inúmeros jogadores que conseguiram e conseguem isso sem problema nos dias de hoje: Ronaldo, Romário, Carlos Tévez, Juan Román Riquelme, Michael Owen, Thiery Henry, Zlatan Ibrahimovic... e que Ronaldinho nunca foi capaz disso quando se enfrentava um páreo duro de verdade?

E o que dizer da capacidade de decisão, que o menino nunca teve? Posso dizer, Ronaldinho já decidiu jogos, sim: contra Inglaterra pela Copa do Mundo de 2002 e contra o Milan pela Liga dos Campeões 2005/06. Só. Sempre que se precisou, Ronaldinho sumiu e deixou o "trabalho sujo" nas mãos de outrem, seja Messi, Larsson, Rivaldo, Eto'o ou Kaká.

O mais interessante é que isso tudo parece vir à tona agora, quando todos os seus truques são descobertos e fáceis de se anular.

Me pergunto agora o que pensam as pessoas que se onfendiam quando o Ronaldinho era criticado. Ah, simples... devem conseguir alguma desculpa, como condicionamento físico, como humor, problemas extra-campo...

Desculpa de amarelo é mesmo comer barro.

Uma questão Geográfica, Histórica e Lingüística
01/04

Professor: Quem nasce no Rio de Janeiro é o quê?
Aluno: Carioca!
Professor: Tá errado! Seu burro!
Aluno: Mas aqui diz que quem nasce no Rio é carioca!
Professor: Isso é na CIDADE do Rio de Janeiro! Perguntei quem nasce no ESTADO do Rio de Janeiro.

A resposta é simples. "Fluminense".
Indo direto à fonte, o Dicionário Aurélio:

FLUMINENSE
-  2. De, ou pertencente ou relativo ao Estado do Rio de Janeiro.

Enquanto
CARIOCA
S. 2 g.
4. O natural ou habitante da cidade do Rio de Janeiro.

O Campeonato Carioca e seu por quê
É inequívoco. Mas existe um problema quando a TV responsável pela transmissão dos jogos do Campeonato Fluminense, ou Campeonato Estadual do Rio, o chama de "Campeonato Carioca". Parece não ter jeito. Pegou.

Mas por trás disso tudo há um problema histórico.

Quando o Campeonato começou, em 1906, o Rio de Janeiro, a cidade, ainda era a capital do Brasil. Portanto, ficava no Distrito Federal, enquanto as demais cidades formavam o Estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói. Por isso o Campeonato era, de fato, o Campeonato Carioca. No Estado do Rio de Janeiro era disputado o Campeonato Fluminense.

Em 1960 o Distrito Federal mudou-se para Brasília. O antigo Distrito Federal virou o Estado da Guanabara, a Cidade do Rio de Janeiro seguiu como capital. O Estado do Rio de Janeiro seguiu o mesmo.

Em 1975 aconteceu a fusão do Estado da Guanabara e do Estado do Rio de Janeiro - afinal de contas, já se tinha 15 anos que o Distrito Federal tinha se mudado para o cerrado com a criação de Brasília. A Cidade do Rio de Janeiro passou a ser capital do Estado do Rio de Janeiro. O Estado da Guanabara não existia mais. Um ano depois, o Campeonato foi unificado.

Talvez por uma questão de tradição, costume, ou talvez simplesmente pela cidade do Rio de Janeiro ser consideravelmente dominante em relação ao restante do estado... manteve-se, informalmente, a alcunha Campeonato Carioca de Futebol. O termo, obviamente errado, "pegou". E assim ficou. A TV, como já comentei, e o site da Rede de Comunicação responsável pela transmissão, insistem no termo errante.

Tudo bem que "Campeonato Fluminense de Futebol" soa estranho, até pelo fato de que Fluminense é um dos quatro principais times da cidade e do estado. Mas é a forma correta de se chamar a competição. Uma outra forma correta de chamar o torneio seria Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.

A Federação Estadual, por outro lado, mantém o termo na sua alcunha - Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Mas em seu sítio oficial, insiste em usar a expressão errada para a competição: Campeonato Carioca.

Mas e o Campeonato Fluminense original?
A nível de curiosidade, o Campeonato Fluminense de Futebol foi disputado de 1925 a 1978. O Serrado de Petroópolis foi o primeiro campeão da competição. De 1928 a 1940 e de 1946 a 1951 esse Campeonato foi disputado por Seleções municipais. O primeiro campeão deste formato foi a Seleção de Niterói.

Durante o Campeonato Fluminense, de clubes, não de Seleções, criou-se uma bela rivalidade entre as cidades de Campos dos Goytacazes (com os clubes Americano, Rio Branco e Goytacaz) e Niterói (do Gragoatá, Icaraí, Manufaturadora e Fonseca).

O Goytacaz e o Americano foram justamente os maiores campeões da história do torneio, ambos com cinco títulos.

Há 100 tentando cantar de Galo
25/03

Pense rápido... o que o São Paulo conquistou em sua trajetória? Três Mundiais, três Libertadores, cinco Brasileiros. O Corinthians? Quatro Brasileiros, duas Copas do Brasil e um Mundial. O Santos? Duas Libertadores, dois Mundiais, dois Brasileiros. O Flamengo? Cinco Brasileiros, duas Copas do Brasil, uma Libertadores e um Mundial. O Palmeiras? Quatro Brasileiros, uma Copa do Brasil e uma Libertadores. O Grêmio? Duas Libertadores, um Mundial, quatro Copas do Brasil e dois Brasileiros. E o Cruzeiro? Duas Libertadores, um Brasileiro e quatro Copas do Brasil.

Foi tudo muito fácil. Vamos dificultar um pouco as coisas. O que o Atlético Mineiro conquistou em sua trajetória? Um Brasileiro e...

Cri, cri, cri... Nessa hora, até o grilo canta mais alto que o galo.

Percebam que, na listagem de títulos acima, não temos estaduais, porque são títulos menores. Títulos de menor expressão. O que é um estadual comparado a um Brasileiro ou a uma Libertadores? Ou ainda a um Mundial?

Não venho aqui dizer que o Atlético não é um grande clube. Grandeza aqui no Brasil é uma coisa bem relativa, mas o Atlético tem toda uma mística em torno de sua história. E é uma história belíssima, não tenho dúvidas disso. Conhecido por sua "raça" e por uma torcida apaixonada, o Atlético Mineiro acumula anedotas deliciosas - mas que pegam mais pelo sofrimento e por derrotas de que por uma saga vencedora.

O atleticano é conhecido por ser aquele que torce contra o vento - aquele papo... se tem uma camisa do Atlético no varal, o atleticano, fiel, torce contra o vento. Poeticamente, isso é uma beleza.

O Atlético Mineiro é o time da raça. Seu mascote, galo, vem justamente daí - um galo de briga, aquele animal esganiçado, furioso, que ataca sem parar. Essa é uma analogia brilhante. Mas se desmistificarmos toda essa poesia, o que tem pela frente?

Um Brasileiro e 39 estaduais. Em termos de títulos relevantes, é isso que o Atlético tem. Apenas isso. Tudo bem que o Cruzeiro tem menos estaduais (34), mas tem duas Libertadores, e ganhou um Brasileiro muito mais recente, em 2003, que ainda serviu para chacotear os atleticanos mais novos com a frase "Eu vi, ninguém me contou".

O que mais? Lembranças gloriosas das derrotas de 1977 e 1980, respectivamente para São Paulo e Flamengo na final de Campeonato Brasileiro, queixando-se até hoje de arbitragem. Mas alguém aí vê a Alemanha chorando a final de 1966, com erros clamorosos a favor dos ingleses? Além disso, o quê?

Bom, os ídolos... Reinaldo, Éder Aleixo, Dario. Desses não há o que comentar. Reinaldo venceu oito estaduais pelo clube, Dario deu um Brasileirão (o único). Talvez seja essa a única página de fato gloriosa na história do clube. Esses heróis do passado com tanta identificação com o time.

E no presente? Vindo de uma segunda divisão recente, o Galo batalhou e ficou na Série A em 2007. O ano do Centenário, 2008, seria um ano de glórias para o Atlético?

Bem... o time contrata dois veteranos que não teriam vaga em nenhum time grande brasileiro: Souza (rebaixado com o América) e Marques, quando até o Corinthians que está na Série B contrata melhor - Acosta, Herrera, Mano Menezes... no Estadual, está em terceiro, atrás do Tupi e três pontos abaixo do Cruzeiro, líder com um jogo a menos! E o pior... o Cruzeiro vem bem na Libertadores - lugar onde o atleticano gostaria de estar.

Junte tudo isso a uma série de dívidas que o clube tem. Mas que belo centenário! Se o Atlético não vence o Estadual, o que vai ser dos 100 anos? Alguém aí acredita que o Atlético vencerá a Copa do Brasil? O Brasileiro então, nem pergunto.

O que me pergunto, é... onde encontram tanta glória num time que, no circuito nacional, está abaixo de tantos outros?

Acabou chorare
18/03

É de se compreender o choro do Botafogo na perda do título do Primeiro Turno do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Foi uma cena lamentável, ridícula e, o pior de tudo, sem ter nem pra quê - o Botafogo reclamava sem razão de lances que foram perfeitamente normais. Mas dá para entender quando o choro e a indignação parte de um time que não vem de grandes conquistas.  O Botafogo só conquistou UM título nos anos 2000, que foi o Campeonato Estadual de 2006. No mais, conquistou apenas turnos - a Taça Guanabara em 2006, a Taça Rio em 2007. O Botafogo ainda tem como vencer o Estadual esse ano, mas é um clube que luta para se reestabelecer, por isso briga, de forma inadequada até, por questões menores. Então, se queixa de arbitragem na Copa do Brasil, se queixa de arbitragem no Campeonato Brasileiro, se queixa de arbitragem no Estadual...

Mas não entendo isso vir de um clube que tem conquistado tudo ultimamente. Que de 2005 pra cá venceu Libertadores (tendo também um vice-campeonato), Mundial da FIFA e dois Brasileirões, além de estar encaminhando para mais uma bela campanha na Libertadores e, quem sabe, um possível e inédito Tricampeonato Brasileiro - assumindo de vez a posição de maior vencedor da história da competição, se levarmos em conta, e é justo que se leve, o Brasileirão de 1987 pelo Flamengo.

O problema é que o São Paulo aceita vencer jogos com erro de arbitragem. Ora essa... quem não aceitaria? Como sempre acontece com qualquer equipe, o São Paulo tem erros de arbitragem que o beneficiam, sim. É normal do futebol (apesar de Corinthians e Flamengo, estranhamente, ter muito mais que os demais). Mas quando o Tricolor perde, sempre chora e lamenta a arbitragem.

Não digo que um clube tenha que ficar feliz ou ficar calado quando perca um jogo, ou mesmo empate, onde a arbitragem o prejudicou - embora reclamação nenhuma dê jeito, o máximo que pode conseguir-se é impedir o respectivo árbitro de apitar jogos futuros do clube. Mas o grande Q da questão é que o Tricolor muitas vezes queixa-se sem motivo. É estranho que Marco Aurélio Cunha e sua boca grande atrevam-se a falar, aparentemente, antes de analisar-se as imagens.

Marco Aurélio é uma figura ímpar no futebol brasileiro. E diria que é alguém que faz bem ao mesmo. Como Superintendente de futebol do São Paulo, o médico sempre exalta as conquistas do seu clube e costuma sacanear e desdenhar os rivais. Com certeza o torcedor que não for são-paulino vai odiar ser isto, mas é exatamente por isso que Marco Aurélio é uma figura benéfica ao nosso futebol. Ele traz a provocação, instiga a rivalidade entre os clubes... e isso é uma das coisas mais legais no nosso esporte.

O problema todo, e defeito do Superintendente, é que Marco Aurélio sempre se atreve a falar da arbitragem assim que o jogo acaba. Da mesma forma que o Marcão tem a boca frouxa para provocar os rivais, o que é divertido, é legal, faz parte do esporte, ele a tem para criticar o apito sem muita razão.

O jogo de ontem, contra o Palmeiras, ilustra bem a situação. A partida empatava em 1x1 quando o Verdão teve três pênaltis legais a seu favor. Analisem os lances. Primeiro, um carrinho claro de Júnior em Valdívia (que estava de costas para o gol, inclusive). Vejam num replay aproximado que o pé de Júnior engancha no de Valdívia e derruba o chileno. O segundo lance, o Kléber recebeu na área e Juninho o agarrou até derrubá-lo. Finalizando a partida, Diego Souza entra na área e Richarlyson o derruba com um carrinho por trás - ainda saiu barato, porque carrinho por trás é expulsão.

Os três lances foram ou não pênalti? Resumindo, o São Paulo chora de quê?

Grande Anistia Internacional
11/03

Apesar de sua origem inglesa, a poderosa Associazione Calcio Milan tinha uma política quase facista de trabalho. Os italianos tinham preferência no time. O clube mais importante de Milão já tinha mais de oito anos de fundação e contava com um grande prestígio no país. Trazia três títulos italianos no currículo - 1901, 1906 e 1907, um vice-campeonato (1902) e era visto como o rival da Velha Senhora Juventus Football Club e do US Milanese, o outro clube de Milão. Mas a Itália era, da mesma forma que hoje, um país aberto a imigrantes, da mesma forma que contribui com a emigração, mandando seus filhos para os quatro cantos do mundo. A dominação de italianos no AC Milan incomodava a grande gama de estrangeiros que compunham Milão, principalmente os suíços, da terra vizinha da Itália.

E foi justamente o povo da terra do queijo que, ao lado de alguns italianos, decidiram criar um clube onde o estrangeiro era visto como um ser humano acima de tudo - e não como apenas um "estrangeiro". A idéia era que o novo clube de Milão acolhesse os forasteiros tão bem quanto acolhia os filhos genuínos da pátria. Era uma espécie de anistia internacional, mas voltada para o futebol. Giorgio Muggiani, Bossard, Lana, Bertoloni, De Olma, Enrico Hintermann, Arturo Hintermann, Carlo Hintermann, Pietro Dell'Oro, Voelkel, Maner, Wipf, Carlo Ardussi e os irmãos Hugo and Hans Rietmann deixaram o AC Milan sob a bandeira da anistia para fundar a nova agremiação.

O nome do clube não poderia ser mais sugestivo: Football Club Internazionale (obviamente, do italiano "Internacional"). Giorgio Muggiani era artista plástico e desenhou o escudo do clube, com as cores que os associados escolheram: azul por representar o céu e negro por representar a noite. A fundação aconteceu há 100 anos, em 9 de março de 1908. Nascia oito anos depois daquele que viria a se tornar o seu maior rival, o AC Milan. Giovanni Paramithiotti foi o primeiro presidente do clube. Já em 1909 a Internazionale ingressava a primeira divisão do Campeonato Italiano, da qual nunca saiu. O primeiro capitão da Internazionale foi também treinador: Virgilio Fossati.

No seu primeiro ano, a Internazionale disputou o qualificatório da Lombardia, contra US Milanese e o AC Milan. O qualificatório valia vaga nas finais. Estreou oficialmente contra seu rival, Milan, e perdeu por 3x2. Perdeu também para o Milanese por 2x0 e foi eliminado no próprio qualificatório. A Milanese bateu o Milan por 3x1 e classificou-se às finais, avançando até à partida final, quando perdeu para o Pro Vercelli e perdeu por 4x2.

A temporada seguinte começou ainda em 1909 e adentrou 1910. Nove clubes participaram do Campeonato, sendo quatro de Milão: Internazionale, Milan, Milanese e o Ausonia Milano. Era o primeiro ano que a fórmula de pontos corridos com jogos de ida e volta estava em vigor, sendo um total de dezesseis rodadas. Em sua campanha, a Internazionale goleou a Andrea Doria (time que depois daria origem ao Sampdoria) por 5x0 em casa e 6x2 fora de casa, o rival Milan por 5x1 em casa e 5x0 fora, o Milanese por 7x2 em casa e 5x2 fora, contra o Torino venceu por 7x2 em casa e 4x3 fora, bateu a Juventus por 1x0 em casa e perdeu por 2x0 fora, em casa recebeu e venceu o Genoa por 2x0, mas tomou de 4x0 fora, goleou o Milano por 6x2 fora de casa mas em casa empatou por 2x2 e, contra o Pro Vercelli, perdeu em casa por 4x1, mas venceu por 2x1 fora.

No total, foram 12 vitórias nos 16 jogos, sendo 55 gols marcados e 26 gols sofridos. O Pro Vercelli, defendendo o título, teve as mesmas 12 vitórias, com 46 gols a favor e 15 contra. Ambos empataram em 25 pontos, e o regulamento do Campeonato previa um jogo-desempate. Vendo seus rivais urbanos bem abaixo (Milan e Milanese empatados em 6º, Milano em 9º lugar), a Internazionale iria enfrentar o Pro Vercelli no dia 24 de abril de 1910 pela disputa do título. O Pro Vercelli solicitou mudança de dara, a Internazionale não aceitou e, em protesto, o Pro Vercelli mandou uma equipe juvenil. A Internazionale goleou impiedosamente por 11x3 e conquistou seu primeiro Campeonato Italiano.

Era virada a primeira página da história da Internazionale. Muita coisa iria acontecer no seu tortuoso e rastejante caminho. Seu capitão e treinador Fossati foi morto na I Guerra Mundial; mudou de nome para Ambrosiana ao fundir com o Milanese em 1928 - voltando a se chamar Football Club Internazionale após a II Guerra Mundial. Conquistou duas Copas dos Campeões (1964 e 1965), viveu um longo jejum de 17 anos sem título entre 1989 e 2006... e abrigou grandes lendas do futebol italiano, como Giuseppe Meazza, Sandro Mazzola, Giuseppe Bergomi, Giuseppe Baresi, Giacinto Facchetti, Walter Zenga, Roberto Baggio... e, claro, sendo fiel às origens estrangeiras, lendas do futebol mundial: Gabriel Batistuta, Daniel Passarella, Javier Zanetti, Jair da Costa, Iván Zamorano, Laurent Blanc, Andreas Brehme, Jürgen Klinsmann, Lothar Matthäus, Karl-Heinz Rummenigge, Dennis Bergkamp, Zlatan Ibrahimovic, Luís Figo, Ronaldo...

Uma grande lista de ídolos digno desta história de um clube que não se conformava em ser restrito a uma nacionalidade e, por princípio, nasceu internacional.

Império em Crepúsculo
04/03

Desde sua grande fase em 2004 que Adriano não é o mesmo. Isso não é nenhuma novidade. Os bons ventos sopraram ainda em 2005 e em 2006, ano em que tanto se esperou do jogador para a Copa do Mundo, as coisas já não vinham mais tão bem. Daí tira-se uma porção de problemas. Alguns, naturais. O jogador passou a lidar com uma pressão maior - por parte da imprensa italiana, brasileira, torcida da Internazionale e torcedores verde-amarelos. Seu futebol sempre foi limitado fora de um esquema que não o favorecesse - e isso desde os tempos de Flamengo.

A marcação em cima de um goleador, que era seu caso, obviamente aumentou, e sua força física passou a ser combatida na mesma moeda. Outros problemas já puxavam pelo caráter pessoal. Morte do pai, problemas com a namorada após o nascimento de seu filho, a tristeza da situação de sua família no Brasil, tentativas de reconciliação. Tudo isso acarretava numa outra sucessão de problemas, que era a sua vida noturna, problemas com álcool, comportamento agressivo...

A carreira do "Imperador", que em 2004 vinha de vento em polpa decaiu com a mesma velocidade com que ascendeu e o que era um grande goleador, valorizado, elogiado por todos, com futuro promissor passou a ser um atacante com um enjoado jejum de gols, desvalorizado, criticado em toda parte e com um futuro incerto. A vida de Adriano inverteu completamente e é óbvio que isso abate o jogador - sentimento que só agrava uma crise.

A vinda de Adriano para o Brasil consistiu numa tentativa de dar uma reviravolta nessa crise. No país, Adriano estaria perto de sua gente. Mais perto de casa, de sua família, no Rio de Janeiro - de quem Adriano sentia tanta falta e cuja situação, emocionalmente abalada após a perda do patriarca, estaria tirando a concentração e o bem-estar de Adriano. Sua vinda para o Brasil parecia ser perfeita para uma recuperação, ainda mais no São Paulo Futebol Clube, que levanta o astral de diversos craques em situação ruim, que foi o caso de Amoroso e Luizão.

Sua chegada já foi conturbada, marcada por um flagra com copo de bebida na mão na balada. Tudo bem, o jogador ainda não tinha deveres para com o São Paulo, ao qual já estava devidamente emprestado. Tanto que a diretoria do clube minimizou o acontecido e pôs voto de confiança no jogador. E, a princípio, Adriano correspondeu.

De cara, Adriano estreou com dois gols pelo Tricolor, na partida contra o Guaratinguetá. Consciente, rejeitou as manchetes de "O Imperador Voltou" e pediu calma, ciente que esse é um processo lento e que requer mais cuidado que entusiasmo. Ponto para Adriano por seguir essa linha de raciocínio. É aquela história... "Querer mudar e ter consciência"... e nesse capítulo o jogador mostrou que está consciente da situação. Fez mais um contra o Rio Claro. Contra o Corinthians, em sua segunda partida, teve um gol anulado, gerando muita polêmica. Voltou a marcar contra o São Caetano no dia 7 de fevereiro. E pronto. Mais nada.

Dentro desse "jejum" que já dura quase um mês, Adriano voltou a ter problemas de relacionamento. Recentemente, envolveu-se num pequeno desentendimento que em muito lembrou seus tempos de Internazionale. Chegou atrasado e mal-humorado a treino do São Paulo. Pouco depois abandonou o treino e, no estacionamento, ameaçou agredir um fotógrafo. Conversou com Marco Aurélio Cunha e, alegando problemas pessoais, retirou-se.

Pediu desculpas durante o fim-de-semana. Mas o jejum prossegue e a direção do clube lamenta que Adriano tenha esse tipo de atitude, mesmo com a equipe tentando ajudá-lo. "Estamos ajudando o Adriano, até mais de que ele tem nos ajudado", declarou Cunha. Foi um evento isolado, mas Adriano é reincidente em sua carreira e precisa cuidar para que esse tipo de situação não se repita.

É uma pena ver uma carreira tão promissora encontrar tantas dificuldades pela frente.

Novo amanhacer em Haringey
28/02

O galo não cantou na manhã de segunda-feira, 25 de fevereiro. As bandeiras brancas que deveriam decorar varandas, janelas e sacadas das casas do distrito e de todas as freguesias vizinhas - Islington, Hackney, Waltham Forest, Camden, Barnet e Enfield - foram recolhidas no entardecer do dia anterior. Não havia motivo para 1,4 milhões de ingleses comemorar. O Tottenham Hotspur saiu atrás no placar, e mesmo empatando logo em seguida, perdeu a Copa da Liga. O Blackburn Rovers era o grande campeão daquele domingo, 24 de fevereiro de 2002.

A competição em questão, sempre alcunhada por um patrocinador, ainda sequer se chamava Carling Cup, mas sim Worthington Cup, pelo menos pela última vez - na temporada seguinte a Carling começaria a parceria. O Tottenham a havia vencido em 1999, no primeiro ano que havia adquirido o patrocínio da Worthington. Quando conquistaram o título em 99 vencendo o Leicester City por 1x0, os Spurs quebraram um jejum de oito anos sem conquistas, desde a FA Cup de 1991. Em 2002, o jejum durava três anos. Era bem menor, mas claro que incomodava. Quem gosta de passar três temporadas sem levantar um troféu?

O Tottenham pode não ser dos maiores vencedores da história da Ilha e ter lá seu histórico de jejuns, mas tem seus feitos importantes. Foi o primeiro clube inglês a conquistar uma dobradinha que os locais tanto adoram - em 1961, vencendo o Campeonato Inglês e a FA Cup. Foi o primeiro inglês também a vencer um torneio europeu, a Copa dos Vencedores de Copa, aqui chamada ReCopa Européia, em 1963; e foi o primeiro clube a vencer a Copa da UEFA, em 1972 - até o ano anterior, havia a Taça das Cidades com Feira, precursora da Copa da UEFA.

Naquele domingo, 24 de fevereiro, os Spursm treinados por Glenn Hoddle, entraram em campo com Neil Sullivan no gol, Ben Thatcher, Chris Perry, Ledley King e Mauricio Taricco fechando a defesa, Tim Sherwood e Gustavo Poyet como volantes, os meias eram Darren Anderton e Christian Ziege e no ataque Les Ferdinand e o veterano Teddy Sheringham. Os Rovers abriram o placar com Matt Jansen ainda no primeiro tempo, mas Ziege empatou poucos minutos depois. Andy Cole acabou com o sonho dos Spurs aos 69 minutos de jogo finalizando o placar por 2x1.

A final foi disputada no Millenium Stadium, de Cardiff, País de Gales, enquanto Wembley, o Templo do Futebol, passava por reformas. Esse jejum do Tottenham duraria exatamente longos seis anos.

Em 24 de fevereiro de 2008 o Tottenham Hotspur encontrou o rival londrino Chelsea para a decisão da Copa da Liga, já chamada Carling Cup. O bom e velho Chelsea, rival de longas datas - na "lista negra" dos Spurs, o Chelsea só está atrás de Arsenal e West Ham United. A semi-final já havia sido gloriosa. Não é sempre que se goleia "o" rival Arsenal por 5x1 em White Hart Lane. Naquela ocasião, o Arsenal poupou nomes mais fortes para compromissos mais importantes, como a Liga dos Campeões, e colocou. Mas o Chelsea veio de cara com sua força total, jogando no 4-3-3 (mais para um 4-3-2-1, mas tudo bem) e estava, sim, disposto a conquistar seu quinto campeonato da Copa da Liga. Vale salientar que Avram Grand ainda não ganhou títulos dirigindo o Chelsea, e na condição de substituto de Mourinho, clube e torcida não vão ter muita paciência para que isso torne a acontecer.

Tanto que os Blues abriram o placar ainda no primeiro tempo, com Drogba cobrando falta. Foi um golpe para Juande Ramos e para o Tottenham, porque os Spurs vinham jogando melhor - tendo a primeira oportunidade de gol, após um passe errado monstruoso de Beletti que quase resultou em gol de Keane; Chimbonda também meteu uma bola na trave. E mesmo com o gol do Chelsea, o Tottenham seguiu melhor em campo, perdendo grandes oportunidades, como um lance onde Didier Zokora largou do campo de defesa até o ataque e chutou em cima de Cech. Já no segundo tempo, aos 68 minutos, Wayne Bridge meteu a mão na bola dentro da área. Berbatov cobrou e converteu o pênalti. Com o empate, os dois times se dirigiam a prorrogação. Pascal Chimbonda e Steed Malbranque, franceses que foram o que os Spurs tiveram de melhor em campo nos tempo regulamentares, deixaram o gramado antes mesmo dos 90 minutos devido a todo esforço físico que protagonizaram, dando lugar a Tom Huddlestone e ao finlandês louco Teemu Tainio.

Aos 12 minutos do primeiro tempo da prorrogação, a bola parou para que o Tottenham cobrasse uma falta, e Robbie Keane deixou o campo exausto. Younes Kaboul entrou em seu lugar. Na seqüência, Jermaine Jenas alçou na área e Jonathan Woodgate, o grande reforço dos Spurs após a chegada de Ramos, subiu para cabecear. Seu arremate bateu nas mãos de Cech e ricocheteou novamente na sua cabeça. Os Spurs viraram o placar para 2x1. Começou a marcha de espera para o apito final - e ainda tínhamos 27 minutos de bola rolando. Paul Robinson, o questionado goleiro ex-Seleção Inglesa, o "frangueiro", que virou uma espécie de segunda opção de Ramos, foi o titular da partida, fazendo muitos se perguntarem porque Radek Cerny não jogaria a partida mais importante do ano. Robinson havia ficado do lado do ex-treinador holandês Martin Jol, e há quem diga que foi a própria diretoria do Tottenham que havia deixado o goleiro de molho. Em campo, na sua condição de camisa 1, Robinson agiu como (não) se esperava e fechou o gol. Não realizou nenhuma grande defesa, mas esteve seguro durante todo o jogo, sem cometer falhas óbvias que permitissem um novo gol dos Blues. Woodgate e King estavam em noite inspirada, com um belo trabalho de marcação que fazia a diferença, anulando Joe Cole e Drogba. O Tottentam ainda se deu ao luxo de perder um gol claro, com nova arrancada de Zokora, que demorou demais a abrir para Aaron Lennon, e na hora H o fez de forma errada.

O árbitro Mark Halsey apitou o final do jogo quando a bola estava no ar, num lançamento para um arremate que Drogba quase converteu, acertando a trave. De nada adiantaria. O jogo já estava encerrado e os Spurs, depois de nove anos, voltaram a ser campeões e encerraram a seca que, em 2002, nem era tão grande, mas já dava tanto desgosto. Ledley King, capitão da equipe, era o único que esteve presente em 2002, levantou o troféu junto com Keane, o vice-capitão, como é costume na Inglaterra.

Esse é um título que tem vital importância para os Spurs, mas que cada um pode encará-lo de uma maneira diferente. Para Robbie Keane é formalizar seu nome na história do clube. Não que "Keano" não fosse desde já um nome importante no clube, mas quando um atleta tem um título pela agremiação faz toda diferença. Para Juande Ramos é a confirmação de seu talento em treinar equipes medianas e fazê-las render. O Tottenham vinha mal das pernas até a saída de Jol e a chegada de Ramos. Existe uma confiança em White Hart Lane para a conquista da Copa da UEFA, e com Ramos isso é possível. Mas para a torcida que tanto canta "You know I can't smile without you" (canção famosa na voz de Barry Manilow que virou uma espécie de hino do clube), essa foi mais uma noite inesquecível, depois de nove anos de insônia.

As ruas estavam decoradas com as bandeiras brancas e azuis-naval e os distritos ao redor de Tottenham estavam em festa. Desta vez, era possível dormir. Nesta manhã de segunda-feira, 25 de fevereiro, finalmente o galo voltou a cantar.

Super Pato
08/02

Há algumas semanas, no dia 15 de janeiro, escrevi a coluna "Patológico" questionando o que nosso querido Alexandre Pato tem de extraordinário. E, no mesmo artigo, afirmei que Pato, sim, tem alguma coisa. Eu é que não sabia o que era, mas estava claro que o #7 do Milan tinha algo de diferente. Acho que agora já consigo enxergar o que o Pato tem de extraordinário: ele próprio é extraordinário.

Agora percebo que, quando eu disse "O natural é dar um tempo ao Pato. Não posso exigir que Pato seja um Careca, um Romário ou um Ronaldo. Talvez seja apenas o Pato.", eu já via muito bem quem era esse tal Alexandre Pato. Apenas não havia abstraído a informação que tal jogador seria um diferencial do nosso esporte. Cada década teve seu craque em potencial. A década de 70 viu surgir, entre outros craques, Zico, que explodiu nos anos 80. A década de 80 viu surgir Romário, que viveu seu auge nos anos 90. A década de 90 teve o Ronaldo. Mas a década de 2000 estava vazia. Ronaldo, machucado, não pôde cumprir seu papel de superjogador. Romário, aos 42 anos, tá aí na atividade. E de 2000 para cá veio a ascensão de uma sucessão de jogadores que empolgavam, que poderiam ser nosso novo Zico, novo Romário.

Veio o Ronaldinho, que chegou a ter um auge e a grande interrogação de que seria melhor que o Maradona. Hoje vemos que Ronaldinho viveu uma fase. Veio o Alex, o Robinho, o Diego, o Wagner, o Kerlon Foquinha, o Dudu Cearense, o Dagoberto, o Adriano, o Fred, o Nilmar... nenhum deles, nenhum, conseguiu ser um jogador decisivo na hora que o bicho pega, como foram Romário e Bebeto em 1994, como foi Ronaldo e Rivaldo em 2002, ou mesmo como foi, por exemplo, Élber no Bayern de Munique (e APENAS no Bayern de Munique). Talvez apenas Kaká tenha sido uma revelação dos anos 2000 que sempre se manteve por cima. Se tornou um líder no Milan, o melhor jogador do mundo... mas Kaká faz mais o tipo de fenômeno silencioso. É um grande jogador, um jogador que encanta, mas é aquele cara que joga para o time e faz o time jogar. Que decide, quando precisa (veja o caso da estréia contra a Croácia na Copa do Mundo). Mas não está no mesmo patamar de Zico, Ronaldo ou Romário.

À sua maneira, acredito hoje que Alexandre Pato tenha tudo que é necessário para ser um ídolo da mesma categoria. Pato é matador, marcador de gols, e algo que era pra acontecer aos poucos - marcar quatro gols pelo Milan - aconteceu logo de cara, com apenas seis jogos. Isso pra mim é a grande prova do diferencial de Pato. Tudo bem que é um jogador talentoso, como muitos por aí. Talentoso por talentoso, todos aqueles citados no parágrafo anterior o são. Mas ele tem algo mais. Pato parece ser talentoso sempre. Rápido e com um chute afiado. Se posiciona bem para marcar um gol. Não tem, ainda, a mesma habilidade de Ronaldo, mas consegue se virar muito bem ao seu estilo. Uma pena que tenha se lesionado ao final de sua última partida pelo clube e que vá passar umas três semanas de molho. Queria muito ver o Pato estrear na Seleção Brasileira, certamente com um gol, como é de seu costume. E a pressão nem parece assustar, porque qualquer camisa que Pato vista, por mais pesada que seja sua importância, em Pato tem o peso leve de sua malha original.

Pato é precoce. Começou no futsal aos três anos de idade. Estreou no Internacional pouco depois de fazer 17. Transferiu-se para o Milan com a mesma idade, antes mesmo de completar os 18 anos necessários. E antes de se consolidar, já arrumou namorada famosa! Foi Campeão Mundial de clubes, foi Campeão Sul-Americano Sub20 e decepcionou no Mundial, mas é o principal nome na aposta do ouro Olímpico.

Eu acredito em Alexandre Pato. E, agora, apenas espero que a promessa possa se cumprir.

Cores que mudam
31/01

Pouco, mas mudam. Pouco, porque as bandeiras basicamente têm cores parecidas. Ainda assim, mudam com alguma freqüência, por menor que seja a tonalidade. Mudam de forma, mudam de listras, de desenhos, de língua e, principalmente, de país. As camisas têm cores forte, principalmente nas tonalidades de vermelho, amarelo e verde, cores presentes na maioria das bandeiras. Mas também temos azuis, pretas, brancas, listradas... os jogadores fazem a maior farra, dançam, sorriem, enquanto a torcida dá um show de originalidade nas arquibancadas. Assim é a Copa Africana de Nações: metamórfica e muito, mas muito divertida.

Primeiro, um pouco de geografia. A África possui um total de 53 países num território de 30.221.532km². O continente é tão grande, mas tão grande, que se divide em cinco grandes regiões: Leste (Burundi, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Quênia, Ruanda, Seychelles, Somália, Tanzânia e Uganda); Oeste (Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Camarões, Costa do Marfim, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, São Tomé & Príncipe e Togo); Central (República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Chade e Congo); Norte (Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Saara Ocidental, Sudão e Tunísia); e Sul (África do Sul, Angola, Botswana, Comores, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Maurícia, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe).

Cada região já teve seu próprio torneio de futebol. Já tivemos Copa da África do Oeste, Copa do Norte da África... mas o bicho pega mesmo é na Copa Africana, que está rolando no momento, sediada este ano em Gana com transmissão ao vivo dos canais ESPN.

O torneio existe desde 1957, ano que teve apenas três participantes Sudão, país sede, Etiópia e Egito. Eram tempos difíceis, quando a África ainda lidava com Apartheid e com colonizações. De qualquer forma, o torneio se seguiu sem ser interrompido. Entre 1957 e 1968, o torneio variou sua periodicidade entre dois, três e até mesmo um ano de intervalo. Desde a edição de 1968, na Etiópia, a Copa vem se realizando a cada dois anos. E se mantém assim nos anos atuais, mesmo com a recomendação da FIFA de que os torneios continentais devem ser realizados a cada quatro anos.

Em sua 26ª edição, a Copa Africana já teve 35 dos seus 53 países jogando pelo menos uma edição do torneio. Ninguém disputou todas e o Egito se mostra a maior força do continente, com 21 participações (líder), 5 títulos (líder) e 4 vezes país-sede (líder, junto a Gana). O Egito, aliás, é o atual campeão - venceu a edição 2006, jogando em casa pela quarta vez. Mas a Copa Africana de Nações também é democrática em termos de títulos. Dos 35 países que jogaram a Copa em sua história, 13 já foram campeões e 19 finalistas - recorde esse que pertence a Gana, com sete finais contra seis de Egito e Nigéria.

A alternância de campeões também é grande. Nunca houve um tri-campeão. Tivemos bi-campeões apenas em 1963 e 1965 (Gana) e em 2000 e 2002 (Camerões). A possibilidade de haver uma seqüência maior existiu duas vezes: em 1968 Gana chegou a final, onde perdeu o tri-campeonato. E, caso tivesse ganho, poderia ter sido tetra em 1970, chegando à final mais uma vez, mas perdendo para o Sudão. Já Camarões, campeão em 1984 e 1988, perdeu uma chance de tri por ter sido derrotado nos pênaltis pelo Egito em 1986.

O interessante da Copa Africana é que ela ocorre em janeiro, diferentemente de Eurocopa, de Copa América, de Copa da Ásia e de Copa do Mundo. Os jogadores africanos costumam ser liberados para disputá-las, mesmo a contra-gosto dos clubes, e chegam ao torneio em forma, no auge, e não acabados fisicamente como costuma acontecer no Euro e em Copas do Mundo. A edição desse ano mesmo está cheia de craque: Drogba, Eto'o, Kanouté, Essien, Emana, Martins, Kanu, Appiah, Job...

Eto'o, por sinal, acaba de se tornar recordista de gols na história do torneio, com 14 gols, mesmo número de Laurent Pokou, ebúrneo que jogou nas décadas de 1960 e 1970.

A Copa está no final da fase de grupos, com as Chaves A (Gana e Guiné) e B (Costa do Marfim e Nigéria) definidas. A África do Sul, de Parreira, joga sua sorte na quinta-feira, com grandes chances de ser eliminada.

Sem dúvidas, é um torneio com muito atleta bacana participando. Pode até não ter o mesmo técnico do Euro, mas bem melhor que uma chata Copa América, por exemplo. Pelo menos sempre vemos um país surpreendendo, uma Seleção diferente vencendo, novos jogadores surgindo...

E, principalmente, é a competição mais divertida da história do futebol. Em que outro lugar vemos pessoas lotando e colorindo estádios, torcendo, vibrando, dançando, sorrindo, mesmo com um continente pobre, à mercê da exploração européia, pobreza e epidemias, vivendo da caridade da ONU? As cores africanas sempre estão bem-definidas. Basta querer ver.

Dois Milans, três nacionalidades, um Mundo
22/01

Chegou o esperado dia do ano de pleitear aquele gordo aumento salarial anual. É aniversário do Patrão e aqui vai mais uma coluna-presente em homenagem ao maior time e clube de todos os tempos: o glorioso Associazione Calcio Milan! Engole essa, Real Madrid!

Para tal, vamos comparar os dois principais elencos do clube, que foi/é, sem dúvida, o maior vencedor de títulos da década de 90/2000.

O Milan, indubitavelmente, teve um timaço em 1994, quando goleou o Barcelona de Stoichkov, Koeman, Amor, Guardiola, Zubizarreta e Romário na final da Liga dos Campeões por 4x0. Mesmo assim, essa máquina rossonera não se compara ao Milan campeão em 1990 e ao Milan campeão em 2007, um "holandês" e outro "brasileiro", não por ter um elenco inferior a ambos, mas por ter falhado na conquista do Mundial de Clubes, sendo derrotado no Japão pelo Vélez Sarsfield de Chilavert, Zandoná e Pompei.

Arancioneneri
A palavra acima é o italiano para "laranja-negros", referência aos três holandeses que mandavam no Milan em 1990: Frank Rijkaard, Ruud Gullit e, ele, Marco van Basten. Os craques italianos do time eram os jovens Alessandro Costacurta e Paolo Maldini e um já experiente Franco Baresi, capitão da equipe. Muito experiente também era o "reserva de luxo" Daniele Massaro, e o elenco era comandado por Arrigo Sacchi. Com esse time, essa linha de ataque holandesa Rijkaard-Gullit-van Basten, o Milan tinha a missão de quebrar o cadeado do Benfica, afinado por Aldair e Ricardo Gomes, que seria a dupla do tetracampeonato brasileiro em 1994, caso o segundo não tivesse sido cortado por contusão.

A batalha campal de Viena, cidade que sediou a final da então Copa dos Campeões, foi o último capítulo de um torneio onde o Milan teve de passar por cima do Real Madrid por 2-1 na segunda rodada e do Bayern de Munique numa semi-final emocionante, vencendo por 1-0 em casa e perdendo de 2-1 na Alemanha, classificando-se pelo critério do "gol fora de casa".

Culminando com o título mundial no Japão por 3-0 sobre o Olímpia de Portugal, o Milan foi também foi campeão da Supercopa da Europa e vice-campeão do Campeonato Italiano e da Copa da Itália no mesmo 1990.

Verdegialloneri
Italiano para "verde-amarelo-negros", pelos brasileiros que se destacam no Milan de 2007. O mais correto seria "o brasileiro", Kaká. Tudo bem que tem o Dida titular no gol, mas o gigante já não era/é mais nenhuma unanimidade. Ele e Kaká foram os titulares na final que tinha no banco Serginho e Cafu. Ronaldo, parte do elenco, não jogou o torneio e apenas assistiu à final. Já mais globalizado, o Milan tinha holandês em campo, Seedorf, e o tcheco Marek Jankulovski, além de ter posto o georgino Kaladze ao fim da partida. Ainda assim, um Milan primando pelos italianos, diferentemente do rival Liverpool, com apenas três ingleses em campo, derrotado por 2-0, dois gols de Inzaghi.

Hoje em dia, com uma Liga dos Campeões bem mais longa, o Milan teve de recuperar na justiça seu direito de disputar o torneio e tirar do caminho Celtic num jogo dificílimo, Bayern de Munique e Manchester United, com show de Kaká, até chegar à final.

Vencendo também a Supercopa da Europa, o Milan não teve grandes desafios no Mundial de Clubes e se impôs sobre o Boca por 4-2 onde Kaká foi tido o destaque de um Milan que, de mais brasileiro teve apenas a adição de Emerson ao banco de reservas.

O Milan laranja acabava fazendo mais o estilo máquina que este Milan pseudo-verde-amarelo. Era mais rápido, tinha mais imporviso, mérito todo do trio holandês. O Milan de 1990 estava mais para o futebol encantador que o Milan atual, que pode se dizer primando mais pela eficiência, e ainda assim não tão eficiente quanto o Milan de 1990, ou mesmo o de 1994. Não é à toa que van Basten, Gullit e Rijkaard decepcionaram tanto na Copa de 90, fracassando junto com a Holanda. Pelo Milan dava para ter a idéia do que o futebol desses três representava, e ter esse trio em 1990 era semelhante a ter, por exemplo, um trio da qualidade de Zico, Sócrates e Careca. Mas...

Rossoneri per la verità
"Rubro negro de verdade". O curioso é poder perceber outra coisa.

Nesses 17 anos que separam o Milan dominante na Europa e no Mundo, o que acaba ficando claro é que a verdadeira força-motriz do clube é fiel à sua nacionalidade: italiana. Seja um trio holandês em 1990 ou Kaká em 2007, o Milan tem o alicerce formado por seus homens "fiéis", especialmente os meias Carlo Ancelotti e Alberigo Evani em 90 ou Andrea Pirlo, Gennaro Gattuso e Massimo Ambrosini agora em 07.

Desse ponto de vista, o Milan não se torna tão diferente de 1990 para 2007, porque o futebol característico italiano e rossonero estava presente em ambos.

Esses fatores também estavam presentes em 1994 quando o Milan tinha Dejan Savicevic e o sensacional Zvonimir Boban, mas tinha também Demetrio Albertini e Roberto Donadoni.

Isso é uma prova ao fator de quem critica o estrangeirismo na Europa. Os Sul-Americanos podem invadir, os estrangeiros abrigados pela Lei Bosman podem completar elencos de Liverpool, Real Madrid, Barcelona e Internazionale. Mas quando um clube prima por seus jogadores nacionais, como é o caso do Milan e já foi o caso do Bayern de Munique, hoje muito mais estrangeiro, nunca perde sua característica principal de jogo e se mantém na rota dos títulos. Alguém aí já se perguntou porque o Milan se mantém campeão durante os anos 90 e 2000 enquanto a Internazionale fica só nos títulos domésticos e o Real Madrid decai cada vez mais?

E Feliz Aniversário, Patrão!

Patológico
15/01

Alexandre Rodrigues da Silva sai na capa da Revista Caras ao lado de uma atriz Global, com maior pinta de ator de Novela das Oito ou de vocalista de banda de pagode. É estranho porque esse patamar de "superastro" se imagina a nomes como Kaká e Ronaldinho. Pato está desfrutando de um privilégio que nem Robinho, um jogador, digamos, mais estabelecido e com mais história, tem - não que eu acho que mereça, uma vez que não gosto do Robinho. Mas havemos de convir... Robinho tem seus feitos. Dois Campeonatos Brasileiros, uma Copa América, uma Copa das Confederações, um Campeonato Espanhol, participação em Copa do Mundo... mas e o tal Alexandre Rodrigues da Silva? Não conhece? É o Pato!

Alexandre Pato foi revelado pelo Internacional em 2006. Em toda sua carreira, disputou apenas 26 jogos pelo clube colorado, marcando 12 gols. Foi Campeão Mundial com o Gigante da Beira Rio, tendo chegado ao Japão com 17 anos e apenas um jogo como profissional. Marcou um gol contra o Al-Ahly, que acabou fazendo diferença, uma vez que o Inter venceu por 2x1. Mas não fez grande diferença na final do Mundial, e Pato foi abafado pelo grande nome daquele Campeonato, que foi o Iarley. Pato também venceu a Re-Copa Sul-Americana 2007 com o Internacional. O que não apaga a pífia campanha do time vermelho na Libertadores do mesmo ano.

Talvez o que Pato tenha feito de melhor até agora em sua carreira foi o Campeonato Sul-Americano Sub20, onde foi campeão junto com a Seleção Juvenil. E, justiça seja feita, Pato foi razoável num Mundial onde a Seleção fracassou feio, mas teve sua responsabilidade, afinal de contas, o que se espera de um craque é que ele mude um jogo, um time, um campeonato.

Então... por que o Milan pagaria 20 milhões de dólares por um jogador que nem tinha 30 jogos como profissional? Talvez seja a aposta de que Pato é um fenômeno daqueles que só acontece a cada dez anos em média. Daquele que aconteceu com Careca... aconteceu com Romário... aconteceu com Ronaldo. Não vejo em Pato a metade do talento que via em Careca, em Romário e em Ronaldo, a capacidade do improviso, de tirar a bola entre três, quatro adversários de uma vez só... mas também não deixaram Pato acontecer, como deixaram que os três citados acontecessem. Pato tem mais pressão que Ronaldo, Romário e Careca tiveram. Pato chega de cara no Milan campeão mundial e recebe a camisa 7 - a que foi de Shevchenko, de Carlo Ancelotti, de Roberto Donadoni.

E, diga-se de passagem, Pato vem lidando muito bem com essa pressão. Em sua estréia pelo Internacional no Brasileirão 2006, marcou um gol com um minuto de jogo. Em sua estréia pelo Mundial, marcou um gol. No seu primeiro jogo da Libertadores 2007, também marcou um gol. Na sua estréia pelo Milan em amistoso, marcou um gol e marcou agora na sua estréia profissional, na vitória de 5x2 sobre o Nápoli. Pressão nas asas desse Pato não parece ser problema.

O natural é dar um tempo ao Pato. Não posso exigir que Pato seja um Careca, um Romário ou um Ronaldo. Talvez seja apenas o Pato. Tenha um outro estilo. Talvez supere os três. Talvez não. É uma aposta. E, contrariando o meu olhar clínico... essa aposta parece valer muito, muito à pena. Não sei o que o Pato tem. Não vejo. Mas o problema, nesse caso, é meu. Porque sempre que entra em campo, Pato mostra que, seja o que for, ele tem.

Ainda me pergunto porque tão cedo Pato já é capa de revista, já é tão badalado. Me pergunto tentando entender por quê. Mas tenho certeza que não é à toa.