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Não há mais o que esperar: faltando apenas
duas rodadas para o término do Campeonato
Brasileiro e com cinco pontos de vantagem
para o Grêmio, o São Paulo chegou ao seu
sexto título nacional e o terceiro seguido.
Para festejar oficialmente, o clube paulista
enfrentará Fluminense, em casa, e o Goiás,
fora.
Com o campeonato praticamente
encerrado, já é possível traçar a análise
final da tabela e identificar os motivos
de mais um título do São Paulo, que começa
a construir uma hegemonia que muito lembra
o Lyon. E, para entender os porquês, basta
estudar os rivais.
O Palmeiras era
considerado por muitos o grande favorito
pelos "investimentos" realizados
pela Traffic e pela crença geral de que
Luxemburgo é um técnico genial. Durante
todo o Brasileirão, todos esperavam pelo
momento em que o time do Palmeiras iniciasse
uma série de partidas vencidas inapelavelmente.
Então,
vem os fatos: o melhor investimento da Traffic
foi o zagueiro Henrique. Afinal, investidor
pensa primeiro em lucros, e sua negociação
foi um enorme investimento. De resto, o
Palmeiras tinha um time mediano e extremamente
dependente de Valdívia, que após ser tratado
como craque, conseguiu apenas um transferência
para o Oriente Médio. Após a saída de Valdívia,
caberia à Diego Souza ser o grande nome
do clube. Diego Souza foi, provavelmente,
o maior "flop" do Brasileirão.
E os nomes estranhos que surgiram no Palmeiras
não podem ser tratados como investimentos:
Lenny, Roque Júnior, Jumar, Sandro Silva,
Gladstone, Jeci, Maicosuel, Fabinho Capixaba,
Léo Lima, Jorge Preá.
A base formada
por Marcos, Élder Granja, Gustavo, Martinez,
Pierre, Kléber e Alex Mineiro teria totais
condições de ser um real postulante ao título
caso o restante de seus colegas mantivessem
o mesmo nível. O curioso é observar que,
entre estes nomes, não há nenhum mega-investimento
relizado pelo parceiro palmeirense.
O
Flamengo alternou momentos de um time com
futebol de campeão, como o massacre sobre
o Palmeiras no Maracanã, com outros de um
time de bairro, como a derrota vexaminosa
diante do Atlético-MG. Com tamanha irregularidade,
não há formas de concorrer a um título que
prolonga-se por oito meses. Ibson não é
um gênio, tanto que não conseguiu firmar-se
no Porto, mas é um centrocampisa com qualidade
técnica. Ao seu lado, apenas Fábio Luciano
e Marcelinho Paraíba podem ser citados como
nomes de primeiro escalão. Kleberson (que
ainda vive graças à 2002), Obina e Diego
Tadelli são a prova da pouca profundiade
do elenco rubronegro.
O Cruzeiro,
por sua vez, apostou em uma base jovem,
com nomes de grande talento: Ramires, Charles,
Guilherme, Fernandinho, Wagner. A questão,
como sabemos, é a falta de experiência do
elenco e do técnico Adilson Baptista.
O
Grêmio, que liderou quase todo o Brasileirão,
é uma incógnita. Tem um time horripilante,
sem absolutamente ninguém com um nível técnico
que possa ser destacado. Além disso, o técnico
é Celso Roth. É natural que uma equipe sem
valores individuais e com um técnico limitado
não conseguisse manter o ritmo até o final,
mesmo que obtendo vitórias baseadas na pura
sorte, como foi diante, mais uma vez, do
Palmeiras.
Diante da fragilidade
técnica, instabilidade e incoerências administrativas
de seus rivais, o São Paulo apenas repetiu
a mesma fórmula que havia rendido-lhe o
bicampeonato: uma equipe sem grandes alterações
em seu elenco e a manutenção do bom trabalho
desenvolvido por Muricy Ramalho. A base
formada por Rogério, Miranda, Hernanes,
Jorge Wagner, Borges, Dagoberto e etc foi
mantida sem grandes problemas. Além, Muricy
conseguiu finalmente obter um bom rendimento
de Hugo, além de lançar Jean, que colocou
Richarlyson no banco de reservas.
Não
há nenhum gênio no elenco do São Paulo,
assim como não há em seus rivais. A questão
é o trabalho de Muricy, que soube equilibrar
seu plantel e repetir o mesmo que havia
ocorrido nos últimos dois anos: superar
as crises pós-Libertadores e arrancar na
reta final com uma estabilidade incomum
aos seus rivais. Méritos de Muricy e do
São Paulo, primeiro clube brasileiro a chegar
a seis títulos nacionais. Agora, sem discussões.
Podem entregar a Taça das Bolinhas.
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