ZLATAN LEXOTAN

Vitória de Muricy
25/11

Não há mais o que esperar: faltando apenas duas rodadas para o término do Campeonato Brasileiro e com cinco pontos de vantagem para o Grêmio, o São Paulo chegou ao seu sexto título nacional e o terceiro seguido. Para festejar oficialmente, o clube paulista enfrentará Fluminense, em casa, e o Goiás, fora.

Com o campeonato praticamente encerrado, já é possível traçar a análise final da tabela e identificar os motivos de mais um título do São Paulo, que começa a construir uma hegemonia que muito lembra o Lyon. E, para entender os porquês, basta estudar os rivais.

O Palmeiras era considerado por muitos o grande favorito pelos "investimentos" realizados pela Traffic e pela crença geral de que Luxemburgo é um técnico genial. Durante todo o Brasileirão, todos esperavam pelo momento em que o time do Palmeiras iniciasse uma série de partidas vencidas inapelavelmente.

Então, vem os fatos: o melhor investimento da Traffic foi o zagueiro Henrique. Afinal, investidor pensa primeiro em lucros, e sua negociação foi um enorme investimento. De resto, o Palmeiras tinha um time mediano e extremamente dependente de Valdívia, que após ser tratado como craque, conseguiu apenas um transferência para o Oriente Médio. Após a saída de Valdívia, caberia à Diego Souza ser o grande nome do clube. Diego Souza foi, provavelmente, o maior "flop" do Brasileirão. E os nomes estranhos que surgiram no Palmeiras não podem ser tratados como investimentos: Lenny, Roque Júnior, Jumar, Sandro Silva, Gladstone, Jeci, Maicosuel, Fabinho Capixaba, Léo Lima, Jorge Preá.

A base formada por Marcos, Élder Granja, Gustavo, Martinez, Pierre, Kléber e Alex Mineiro teria totais condições de ser um real postulante ao título caso o restante de seus colegas mantivessem o mesmo nível. O curioso é observar que, entre estes nomes, não há nenhum mega-investimento relizado pelo parceiro palmeirense.

O Flamengo alternou momentos de um time com futebol de campeão, como o massacre sobre o Palmeiras no Maracanã, com outros de um time de bairro, como a derrota vexaminosa diante do Atlético-MG. Com tamanha irregularidade, não há formas de concorrer a um título que prolonga-se por oito meses. Ibson não é um gênio, tanto que não conseguiu firmar-se no Porto, mas é um centrocampisa com qualidade técnica. Ao seu lado, apenas Fábio Luciano e Marcelinho Paraíba podem ser citados como nomes de primeiro escalão. Kleberson (que ainda vive graças à 2002), Obina e Diego Tadelli são a prova da pouca profundiade do elenco rubronegro.

O Cruzeiro, por sua vez, apostou em uma base jovem, com nomes de grande talento: Ramires, Charles, Guilherme, Fernandinho, Wagner. A questão, como sabemos, é a falta de experiência do elenco e do técnico Adilson Baptista.

O Grêmio, que liderou quase todo o Brasileirão, é uma incógnita. Tem um time horripilante, sem absolutamente ninguém com um nível técnico que possa ser destacado. Além disso, o técnico é Celso Roth. É natural que uma equipe sem valores individuais e com um técnico limitado não conseguisse manter o ritmo até o final, mesmo que obtendo vitórias baseadas na pura sorte, como foi diante, mais uma vez, do Palmeiras.

Diante da fragilidade técnica, instabilidade e incoerências administrativas de seus rivais, o São Paulo apenas repetiu a mesma fórmula que havia rendido-lhe o bicampeonato: uma equipe sem grandes alterações em seu elenco e a manutenção do bom trabalho desenvolvido por Muricy Ramalho. A base formada por Rogério, Miranda, Hernanes, Jorge Wagner, Borges, Dagoberto e etc foi mantida sem grandes problemas. Além, Muricy conseguiu finalmente obter um bom rendimento de Hugo, além de lançar Jean, que colocou Richarlyson no banco de reservas.

Não há nenhum gênio no elenco do São Paulo, assim como não há em seus rivais. A questão é o trabalho de Muricy, que soube equilibrar seu plantel e repetir o mesmo que havia ocorrido nos últimos dois anos: superar as crises pós-Libertadores e arrancar na reta final com uma estabilidade incomum aos seus rivais. Méritos de Muricy e do São Paulo, primeiro clube brasileiro a chegar a seis títulos nacionais. Agora, sem discussões. Podem entregar a Taça das Bolinhas.

 
  O COLUNISTA
Zlatan Lexotan: Esloveno residente em Malta, deseja assumir o comando do Milan e ser, ao mesmo tempo, presidente, técnico e atacante. Escreve às terças-feiras.
Para contatá-lo: lexotan@fanaticoec.com
 
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