ZLATAN LEXOTAN

Adeus de um mediano
05/11

No último domingo, o autódromo de Interlagos foi palco da decisão da temporada 2008 da Fórmula-1. A festa da torcida, a vitória de Felipe Massa, o título de Hamilton conquistado na última curva. Elementos que marcaram na história da categoria o GP como um dos mais memoráveis de todos os tempos pelo seu incrível desfecho.

Por outro lado, Interlagos pode ter sido, muito provavelmente, palco da última corrida de Rubens Barrichello na Fórmula-1. Rubinho estreou em 1993, quando foi contratado pela Jordan. Em sua terceira corrida, o GP da Europa, Rubinho demonstrou aquele que é seu principal talento: guiar em pista molhada. Largando em 12°, ele era o quarto ao final da primeira volta. Chegou a ocupar o segundo posto, mas sua Jordan era um carro pouco confiável. Naquele ano, conseguiu marcar seus primeiros pontos com um quinto lugar no Japão.

Sua segunda temporada, 1994, seria marcada por grandes momentos e duas tragédias. Nas duas primeiras corridas, um quarto lugar no Brasil e um terceiro em Aida. Porém, a terceira corrida foi um marco: San Marino. Nos treinos de sexta-feira, sua Jordan vôou contra a grade de proteção e capotou. No domingo, Ayrton Senna perdeu a vida na Tamburello. Apesa dos traumas, Rubinho mostrou sua evolução com uma Pole Position na Bélgica, que o tornou o mais jovem a obter o feito até então.

Nas temporadas de 1995 e 1996, Rubinho sofreu com a queda de rendimento da Jordan. Optou então pela recém-formada Stewart em 1997. Suas duas temporadas iniciais foram de muitos problemas, mas de resultados positivos quando o carro cooperou, fato que foi raro: em 1997, Rubinho conseguiu completar apenas três corridas, e uma delas foi um segundo lugar em Monaco.

Em 1998, tudo parecia mudar na Stewart. No Brasil, Rubinho chegou a liderar, mas o motor falhou. Ainda obteve uma pole, na França, e três vezes chegou ao pódio, em San Marino, França e Europa. Com um carro mais competitivo, Rubinho causou problemas até mesmo à Ferrari de Michael Schumacher. O outro piloto da Ferrari era Eddie Irvine, que foi sempre superado por Rubinho quando ambos estavam na Jordan. Então, Jean Todd optou por sua contratação em 2000 para ocupar o posto de Irvine na Ferrari.

Sua passagem na Ferrari foi excelente. Em cinco temporadas, foi duas vezes vice-campeão e finalmente pôde começar a vencer corridas. Porém, seu companheiro de Ferrari era Michael Schumacher, e todas as atenções da equipe estavam obviamente direcionadas ao alemão. Nos cinco anos em que esteve na Ferrari, Schumacher foi cinco vezes campeão. Além disso, os episódios polêmicos na Áustria e nos Estados Unidos, quando a equipe ordenou que o brasileiro cedesse o primeiro lugar a Schumacher na útlima volta, serviram para exemplificar que, por mais que Rubinho ganhasse corridas, ele seria sempre o coadjuvante na Ferrari.

Então, Rubinho assinou com a Honda. Em 2006, chegou ao pódio na China, e somou 30 pontos. A Honda iniciou sua decadência em 2007, quando Rubinho não conseguiu marcar nenhum ponto pela primeira vez na carreira. O ano de 2008 foi igualmente ruim, mas Rubinho ao menos conseguiu os últimos pontos e o último pódio, em Siverstone.

Em quinze anos de Fórmula-1, Barrichello disputou 270 GP's, com nove vitórias, 62 pódios, 13 poles, 16 voltas mais rápidas, somando 530 pontos. São números expressivos, mas relativos a um piloto mediano. E isso resume de forma simples e clara a carreira de Rubinho: um piloto mediado, com um início promissor, que não conseguiu ser campeão por ter escolhido ser segundo piloto.

Rubinho nunca foi um piloto ruim ou um fracassado. Durante toda sua carreira, ele teve de conviver com as piadas e com a frustrada expectativa, que acabou se tornando em indiferença do público em não aceitar que ele era um simples piloto comum com um habilidade anormal de dirigir em pista molhada.

Então, esta coluna chegou ao ponto que desejava: o povo brasileiro não aceita nada que seja mediano. Há sempre a expectativa de ser o melhor, de ser superior aos demais. Quando isso ocorre, há uma adoração imedita. Rubinho passou por isso no início de sua carreira, e hoje Felipe Massa ocupa este posto.

Por outro lado, quando é algo muito ruim, vira folclore. O caso de Obina, saindo um pouco do automobilismo, é a evidência. O flamenguista é tosco, mas sua ruindade virou folclore, canto entoado e auto-gozação. Na Fórmula-1, pilotos grotescos como Pedro Paulo Diniz, Roberto Pupo Moreno, Maurício Gugelmin, Henrique Bernoldi, Antonio Pizzonia, Luciano Burti, Ricardo Zonta e Tarso Marques (ufa!) são nomes esquecidos, mas com passagens dignas de piadas e risadas. Porém, quem sofreu foi Rubinho.

Agora, é a vez de Felipe Massa. Até agora, mesmo sendo vice-campeão, Massa não mostrou argumentos técnicos que o possibilitem ser um piloto fora de série. Assim como Rubinho, mas com uma simpatia maior do público brasileiro. Sorte de Massa, azar, como sempre, de Rubinho.

Surpresa!
17/10

A surpresa e a perplexidade tomaram conta do mundo do futebol nesta última segunda-feira. Afinal, não havia ninguém que apostasse que Maradona tornaria-se o novo técnico da Seleção da Argentina, após a demissão de Alfio Basile. Maradona terá ao seu lado Carlos Billardo, técnico campeão com a Albiceleste na Copa do Mundo de 1986, que será seu assistente.

A polêmica sobre a escolha é evidente. Maradona está há alguns anos afastado no universo futebolístico, e suas experiências como técnico foram um enorme fracasso nos anos 90 (Deportivo Mandiyú e Racing de Avellaneda). Logo após a demissão de Basile, Maradona declarou seu interesse no cargo, e teria a concorrência de Sergio Batista (Medalha de Ouro em Pequim), Carlos Bianchi e Diego Simeone.

Entre todas as escolhas possíveis, Batista era o mais adequado e sua indicação era uma certeza dos especialistas e jornais locais. Após a conquista do torneio de futebol em Pequim, Batista aparecia como candidato por conhecer muito bem os jovens jogadores do país e por ter conseguido algo que Basile não obteve: fazer com que Riquelme não entrassem em atrito com o restante do grupo (e com Messi, seu desafeto), já que sua personalidade duvidosa é famosa (fato que o levou a sair do Villarreal e ter sua contratação vetada pelos jogadores do Atlético de Madrid).

A escolha da AFA soa como populismo barato. Maradona é um nome incontesável para o povo argentino, e imaginar que ele seria abertamente criticado é, no mínimo, absurdo. Carlos Billardo, imagina-se, tomaria conta dos aspectos técnicos e táticos, enquanto Maradona seria o responsável pelo lado psicológico, pela motivação. Além disso, Maradona tem moral para convocar ou não quem ele bem entender. Por esse lado, é uma possibilidade de avanço para a Albiceleste.

No entanto, Maradona é uma figura polêmica por seus envolvimentos ilícitos fora dos gramados. Seus problemas com drogas podem interferir no trabalho e afundar ainda mais a Seleção Argentina em sua crise interminável. Um eventual sucesso serviria para tornar a imagem de Maradona ainda mais mítica para o povo e reforçaria o imaginário popular. Se Dieguito tem até Igreja, com uma Copa do Mundo conquistada é difícil imaginar qual seria a próxima adoração irracional dos argentinos.

Agora, resta observar qual será a reação dos jogadores à indicação de Maradona e como isso afetará os resultados dentro de campo. Além disso, será Maradona capaz de conter as crises de ego das estrelas e evitar os confrontos de Riquelme com os demais? Independentemente de populismos e afins, a AFA fez sua escolha com um claro proprósito: se os jogadores não respeitarem Maradona, vão respeitar quem?

O resultado desta loucura só o tempo nos dirá.

Seleção Brasileira: Rumo à Copa
17/10

A Seleção Brasileira causou revolta em seus torcedores novamente, em seu terceiro empate sem gols seguido em território nacional. Para poder analisar melhor e de forma mais rápida os muitos temas que compreendem o assunto Seleção, a coluna de hoje adotarará os incomuns tópicos.

1 - Três empates sem gols em casa. E daí?
Não é nenhum motivo de crise os resultados. Claro, eles são muito ruins, mas o Brasil tem uma confortável posição nas Eliminatórias. Das quatro vagas para a Copa, três tem donos: Paraguai, Brasil e Argentina. Os demais lutam pela quarta vaga e pela possibilidade de ir à repescagem.

2 - Sim, o Brasil vai para a Copa
Alguém tem alguma dúvida de que o Brasil tem vaga garatida na Copa? Aliás, as Eliminatórias quase garantem antecipadamente essa certeza. Quando Brasil ou Argentina conseguirem ficar de fora de uma Copa com esse formato, é porque o trabalho foi realmente muito desastroso. Mesmo com um trabalho ruim (como o atual), a vaga é certeira.

3 - Os empates então, acontecem porque?
Qualquer equipe que vem ao Brasil não irá expor-se, como fizeram Chile e Venezuela nas partidas que foram superados em casa pelos brasileiros. Essa exposição excessiva somada a baixa qualidade técnica dessas seleções resulta em derrotas. Porém, o Brasil não encontra as mesmas facilidades quando é sua vez de atuar em casa. Os adversários unem-se diante do ataque brasileiro.

4 - Mas nós temos os melhores do Mundo!
Desde quando meu filho? Jogadores como Maicon, Kléber, Josué, Gilberto Silva, Luis Fabiano, Elano (e etc) são, no máximo e com alguma simpatia, bons jogadores. Atualmente, apenas Kaká, Lúcio e Juan podem ser considerados jogadores de nível Mundial. Pato, Anderson, Lucas, Jô são jovens talentos, mas sem experiência internacional para assumir a responsabilidade, jogados na fogueira justamente por essa falta de opções de alto nível. Robinho? Sua atuação diante da Colômbia deixou claro que o gol diante da Venezuela foi mero acidente: quando tentou repetir no Maracanã o gol de longa distância, a bola saiu pela linha lateral. Quam ainda credita a Robinho alguma confiança, perde tempo. O fato é que Kaká joga sozinho. Talvez por isso ele tenha sido o único a estar visivelmente irritado nas entrevistas depois do jogo no Maracanã. Contra a Bolívia, sem Kaká, não dava pra esperar muita coisa.

5 - Empatar com a Argentina vá lá, mas Bolívia e Colômbia?
A Argentina também não anda lá muito bem, mesmo com uma geração muito mais talentosa que a brasileira. A Bolívia é um acidente geográfico, e qualquer resultado que não seja uma vitória diante dos bolivianos deveria, certamente, causar uma revolução em massa. Porém, a Colômbia está longe de ser uma Seleção de nível inaceitável. SObretudo, por ter uma dupla de zaga excelente: Yepes e Perea são, há anos, zagueiros de clubes importantes como PSG e Atlético de Madrid.

6 - O torcedor é tratado como idiota
Isso é algo que acontece desde o príncipio dos tempos nesta indústria vital. Por isso que jogadores como Robinho, Diego e outros correlatos são tratados comos craques, mas são comuns, medianos. Porém, dizer que o torcedor é totalmente idiota é um exagero. Há, recentemente, uma evolução neste quadro que pode ser visivelmente notada pela decadente presença dos torcedores nos últimos jogos. Os protestos contra jogadores e técnico também são um sinal positivo, mas neste caso pouco efetivo: imaginar que o "puxa-saco" do chefe vai ser demitido é pura ilusão.

7 - E até a Copa?
Até a Copa, o que pode mudar é o amadurecimento dos jovens como Pato, Lucas e Anderson, que podem alterar o rumo atual da Seleção. E torcer para que a Espanha não confirme a teoria de uma possível hegemonia (ou você realmente acha que, exceção a Kaká, o Brasil tem nomes como David Silva, David Villa, Fábregas, Xavi e Torres?) ou a Inglaterra não se torce o tradicional time treinado por Fabio Capello: chato e vencedor.

Loucuras de verão
05/09

Presidente trancado no banheiro, contrato sendo jogado por cima da porta, venda de clube no último dia de contratações, negociações milionárias. Assim foi o último dia do Mercado de Verão na Europa, na última segunda-feira, momento derradeiro dos clubes para formar seus elencos para a atual temporada no Velho Mundo.

Desta forma, as novelas intermináveis de negociações e a constante boataria chegaram a conclusões já projetadas e, outras, inesperadas. O craque-instantâneo da Eurocopa, o russo Arshavin, não obteve sucesso em seu desejo de transferir-se para o Barcelona. Enquanto isso, seu companheiro de seleção, o atacante Pavlyuchenko, desembarcou no Tottenham para ocupar a vaga deixada pelo búlgaro Berbatov, novo goleador do Manchester United por 38 Milhões de euros (Os Spurs ainda receberam o promissor atacante Frazier Campbell por empréstimo).

A transferência de Berbatov, aliás, chegou a tão astronômico valor graças à participação do Manchester City. No domingo, o ADUG, empresa dos Emirados Árabes, comprou o clube das mãos de Thaksin Shinawatra. O ADUG prometeu investir alto visando um vaga na próxima Liga dos Campeões, e fez uma proposta oficial por Berbatov. O Tottenham aceitou a oferta do City, pressionando o Manchester United a igualar a proposta. No último minuto antes do término do prazo, os clubes anunciaram a transferência, satisfazendo o desejo do atacante de unir-se ao United.

Porém, o Manchester City não desistiu de realizar uma contratação de impacto e ofereceu ao Real Madrid 40 milhões de euros, oito milhões a mais do que o Chelsea havia oferecido. Com a nova direção do clube inglês, que especula-se ter um poderio financeiro maior que o de Romam Abramovic, o brasileiro aceitou transferir-se para um clube de menor porte, mas com um salário que compensaria esta queda de escalão.

Desta forma, fica claro que o desejo de Robinho sempre foi um salário que combine com seu ego. Afinal, sua justificativa para deixar o Real Madrid era a impossibilidade de firmar-se como o melhor jogador do Mundo, feito que seria possível apenas no Chelsea. Imaginar que ele alcance tal status defendendo o Manchester City é surreal.

A transferência para o Chelsea parecia certa ao final de semana, e os Blues chegaram até a disponibilizar a camisa do brasileiro na loja do clube antes do negócio concretizado. O episódio pegou mal, dificultando ainda mais a transferência. Com a irreal proposta do City, o Real Madrid não hesitou em vender Robinho. Melhor para os Merengues.

Nenhum caso, porém, foi tão confuso quando o de Diego Milito, que defendeu o Zaragoza na última temporada. O argentino foi anunciado como novo atacante do Genoa, retornando ao clube que obteve destaque em 2005. O clube italiano confirmou o negócio, mas uma possível sondagem do Tottenham fez com que o Zaragoza segurasse os documentos do atacante.

A Lega Calcio estabeleceu 19h como prazo máximo para o recebimento dos contratos de transferências. De posse da documentação, o Genoa chegou ao escritório da entidade às 18h58min, mas não contava com a grande fila no local. De acordo com a imprensa italiana, em uma tentativa desesperada para registrar os papéis a tempo, um representante do Genoa teria jogado a documentação por cima da porta. A Lega, em um primeiro momento, indeferiu o pedido. Após receber uma série de telefonemas, o órgão decidiu enfim aceitar o contrato.

E quanto ao presidente trancado no banheiro? Sem dúvida, este episódio será lembrado sempre como um dos momentos mais inusitados (para não dizer bizarro) do futebol. O português Tiago, volante da Juventus, foi oferecido ao Monaco e ao Everton pelo clube italiano. Tiago não aceitou transferir-se para um clube que não dispute a Liga dos Campeões e resolveu trancar o presidente do clube, Gigli Cobolli, no banheiro, como uma forma de vingança. O capitão Alessandro Del Piero ouviu os pedidos de socorro de Cobolli e arrombou a porta, com o presidente tendo ficado trancado por mais de uma hora no banheiro.

Apesar do esforço de Cobolli para livrar-se de seu maníaco jogador, ninguém quis arriscar-se a contratar Tiago, considerado o terceiro maior "flop" da última temporada da Série A. Dessa forma, o português segue na Juventus, e não é difícil de imaginar o clima ameno no vestiário em relação ao jogador (bem como as constantes anedotas).

O mercado de verão desta temporada acabou, mas certamente será lembrado como um dos mais inusitados e movimentados dos últimos tempos. Só faltou mesmo o Ronaldo Traveco arrumar um clube. Isso, porém, já seria exigir demais...

Quatro anos é muito tempo...
22/08

A maior delegação que o Brasil já enviou à uma Olimpíada: 277 atletas brasileiros desembaraçam em Pequim. Um número expressivo, que representa trinta representantes a mais do que em Atenas, quando o COB enviou à Grécia 247 atletas. Este novo recorde, quebrado a cada edição dos Jogos, é motivo de constante orgulho para o COB e utilizado em discursos que defendem uma evolução esportiva no país.

Analisando friamente, os números dão razão ao orgulho dos cartolas olímpicos brasileiros. Porém, este discurso evolutivo não pode ser aplicado fielmente à sua intenção. Em Atenas, com 247 atletas, o Brasil obteve 5 medalhas de ouro, e neste edição o país pode alcançar no máximo 4, embora ultrapasse no total de medalhas: foram 10 em Atenas, e em Pequim o Brasil chegará a 14 com as finais do vôlei de quadra (no taekwondo, Natália Falavigna pode obter um medalha e elevar o total para 15).

Além dessa redução do número de medalhas de ouro, há também de salientar uma estagnação no total de medalhas: em Atlanta, foram 15 medalhas; em Sidney, 12. Ou seja, o recorde de medalhas obtido em 1996 novamente não será alcançado. Observando estes números, é difícil de compreender o porquê do entusiasmo do Comitê Olímpico Brasileiro. Apesar de uma maior presença de atletas, que representa certamente certo valor em experiência internacional, o país não evoluiu de forma geral.

O que prova essa estagnação é a constatação de que, invariavelmente, as modalidades que proporcionam medalhas aos brasileiros são as mesmas: futebol, vôlei, atletismo, natação, judô e vela. Mesmo assim, as Medalhas de Ouro conquistadas em esportes individuais são fruto de um trabalho exclusivo do atleta, sem qualquer apoio das entidades: Cielo, que ganhou os 50 metros rasos na natação, mora há anos nos Estados Unidos, onde estuda e treina; Mauren Maggi, vencedora do Salto em Distância, foi abandonada pela mídia por seu caso de doping (acidental, diga-se de passagem), sendo vista desde então como vilã nacional. Agora, ambos são exaltados como símbolos do país e do COB.

Um fato novo pode exemplificar ainda mais a dúvida sobre os atos do COB. Bruno Laport, medalha de prata no Ibero-Americano de levantamento de peso na categoria até 105 kg, obteve vaga em Pequim. No dia 27 de julho, Bruno recebeu sua credencial, mas, no dia seguinte, recebeu a notificação de que outro atleta iria em seu lugar: Wellison Silva, sexto lugar no último Pan-Americano, e que foi centro de um momento tenso dos Jogos: durante a prova de arranque, o atleta sofreu um acidente, com o peso caindo sobre seu rosto. No resultado final, Wellison terminou em 18º lugar.

Bruno Laport, que deveria ir aos Jogos, recebeu a notícia que não iria à Pequim após a realização de uma avaliação envolvendo os dois atletas, mas que jamais havia sido combinada: o coeficiente Sinclair, que mede a potência de acordo com o peso corporal do atleta. Além disso, Bruno Laport obteve sua vaga na categoria até 105kg, enquanto Wellison disputa a categoria até 69kg. Ou seja, uma decisão obscura e sem nenhum embasamento técnico, esportivo e moral.

A situação de Bruno Laport, certamente, não é única. Sem um projeto claro e aberto, muitos talentos nacionais são desperdiçados e, sem nenhum interesse da mídia nacional em cobrir tais eventos ou acompanhar os atletas, o esporte brasileiro seguirá como coadjuvante em uma Olimpíada. Dependeremos, cada vez mais, de um excepcional talento que tenha condições de financiar seu próprio desempenho. Isso se os dirigentes não atrapalharem, claro. Seguimos como amadores, no esporte e principalmente, na cartolagem.

Para entender mais sobre o caso de Bruno Laport, Clique Aqui

Aposta no duvidoso
16/07

Uma novela que arrastou-se nas últimas duas temporadas finalmente chegou ao seu fim: Ronaldinho Gaúcho será, finalmente, jogador do Milan. A transferência do brasileiro, que há duas temporadas convive com problemas das mais variadas ordens, deve ser oficializada nas próximas horas e envolverá valores modestos: 20 milhões de euros.

Neste momento, o pensamento sobre Ronaldinho é o mesmo que aplicou-se no momento da contratação de seu compatriota Ronaldo: o Milan aposta sua fichas para toda a temporada em um jogador envolvo em problemas, em forma física longe do ideal, há tempos sem convencer dentro de campo e sofrendo queda meteórica em sua imagem, muitas vezes produto utilizado pelo clube para faturar milhões em publicidade. Em suma, um jogador consagrado em nítida decadência esportiva.

Os ufanistas de plantão estarão sempre nos lembrando da capacidade de recuperação, do talento tupiniquim e das demais sandices zagallianas de sempre. Ou seja, o mesmo discurso aplicado sobre Ronaldo, que permaneceu um ano e meio no Milan e deixou o clube pela porta do fundo, novamente lesionado e sem nenhum feito digno de lembrança.

Obviamente, o caso de Ronaldinho é diferente em termos físicos, mas igualmente tempestuso em termos profissionais. Seus reconhecidos exageros noturnos são apenas um dos problemas extra-campo que deixam qualquer torcedor enfurecido diante da apatia do jogador dentro de campo.

Ronaldinho tem, claro, toda a possibilidade de encontrar um bom futebol em esta nova etapa de sua carreira se assim quiser. Carlo Ancelotti, técnico do Milan, já declarou que sua intenção é escalar seu meio-campo com Pirlo, Gattuso, Seedorf, Ronaldinho e Kaká, com apenas Pato à frente.

Como não se trata de Winning Eleven, é necessário esperar para analisar qual Ronaldinho vestirá a camisa do Milan: um jogador comprometido a reerguer sua carreira e ajudar o clube que depositou nele sua confiança ou o boleiro varzeano dos últimos tempos. Será uma amarga espera aos torcedores rossoneros...

Expectativa em alta
10/07

A temporada 2008/09 do futebol europeu está apenas começando a engatinhar, mas a expectativa de torcedores e especialistas cresce com as possibilidades que começam a desenhar-se desde já, com o início da pré-temporada.

Tamanha ansiosidade tem explicação. Poucas vezes, em um mesmo período, houveram tantos grandes clubes em um processo de mudanças positivas em seus bastidores e elencos, bem como os reflexos que essas aletrações provocam no mercado de transferências.

Internazionale, Chelsea, Barcelona e Bayern de Munique são os grandes expoentes deste momento de alternâncias. Quatro fortes concorrentes aos títulos domésticos e internacionais que, além de possuírem elencos altamente capacitados, então com novos técnicos e aguçam a curiosidade daqueles que acompanham o Velho Mundo: como os novos comandantes irão lidar com tamanho desafio de guiar o clube aos esperados (e obrigatórios) títulos.

Entre todos, a maior incógnita é o Barcelona. Em um fim de mandato turbulento do presidente Joan Laporta e com as possíves saídas de Eto'o e Ronaldinho, outrora símbolos do clube blaugrana, o Barça levanta sérias dúvidas sobre seu sucesso. O ex-capitão culé, Pep Guardiola, foi o escolhido para comandar o processo de reformulação após trabalhar nas categorias de base do clube. Sem nenhuma experiência em alto nível, mas com uma gloriosa carreira e enorme identificação com o Barcelona, Guardiola tem a obrigação de ser o responsável por devolver o futebol técnico e fluído à exigente torcida catalã.

Jürgen Klinsmann comandou a Seleção da Alemanha na última Copa do Mundo, quando resgatou o orgulho nacional há muito perdido e conduziu um desacreditado grupo ao terceiro lugar. Sua metodologia altamente motivacional e a enorme aceitação que o trabalho lhe proporcionou na Alemanha foi um dos fatores que levaram Klinsmann a assumir o Bayern. Porém, a passagem no Nationaelf é a única experiência de Klinsmann como técnico e, durante seu trabalho à frente da Seleção, não foram poucos os momentos que Klinsmann encontrou grande oposição da diretoria... do Bayern!

No entanto, os holofotes estarão direcionados a José Mourinho e Luiz Felipe Scolari. Os dois clubes com os elencos mais recheados de estrelas do continente terão a mesma missão: conquistar todos os títulos que estarão em jogo. Chelsea e Internazionale vivem trajetória semelhante, uma vez que cresceram nos últimos anos e assumiram postos de potências nacionais, mas que fracassam em solo europeu.

Felipão e Mourinho são mais do que capazes de desmistificar este rótulo, mas apenas um pode ser campeão europeu. Então, como lidar com um eventual fracasso em um momento de promessas de títulos e alta expectativa de torcedores e diretores? Essa chance de não ser campeão é óbvia, e certamente aumenta ainda mais a responsabilidade de alcançar as metas estipuladas sob o risco de ver interrompido um promissor trabalho em seu primeiro ano.

As manobras no mercado de tranferências ainda não começaram ativamente, e construir cenários altamente detalhados será possível apenas com o fim do período de contratações. Com cofres cheios, não é impossível imaginar nomes de primeira linha sendo contratados por um dos clubes neste processo de reformulação.

Além disso, adversários como Juventus, Roma, Real Madrid, Manchester United, Liverpool e Arsenal prometem esquentar ainda mais uma acirrada luta pelos títulos desta temporada. Sim, a espera nos mata...

Tristes campeões
02/07

Neste último domingo, 29 de Junho, o Brasil comemorou os 50 anos de sua primeira conquista de uma Copa do Mundo. Em 1958, a Seleção Brasileira enfrentou a Suécia na decisão, então organizadora do Mundial, e venceu com uma sonora goleada, 5x2.

A equipe brasileira era formada por nomes consagrados na época, como Didi, e também por jovens talentos, como uns garotos conhecidos como Pelé e Garrincha. O fracasso na Copa de 1950 deixava de perseguir de forma tão intensa o torcedor brasileiro, que enfim pôde celebrar pela primeira vez a conquista de uma Copa do Mundo.

Datas marcantes como esta costumam gerar saudosismos e justas homenagens aos responsáveis por momento único na história do esporte nacional. Homenagens estas que são raras em uma cultura cujas manifestações sobre ídolos do passado praticamente inexistem. Obviamente, vale lembrar o papel que o idoso representa para a sociedade de forma geral, muitas vezes tratado com desprezo e desrespeito.

Entre homenagens e lembranças, treze remanescentes da equipe campeã em 1958 compareceram a um encontro com o Presidente Lula, onde foram festejados. Durante o evento, a entidade máxima da política brasileira afirmou seu desejo de criar um fundo para ajudar financeiramente jogadores de futebol que foram campeões de uma Copa do Mundo.

Entre estes treze presentes, alguns apresentam-se já no momento derradeiro de suas vidas ou sofrem com graves problemas de saúde. Além disso, há também a questão financeira de jogadores que atuavam em uma época na qual não existiam salários abundantes como atualmente.

Passaram-se cinqüenta anos desta conquista, e somente agora imaginar uma ajuda financeira para um grupo seleto de jogadores soa como populismo barato. Além disso, o justo e correto seria desenvolver alguma forma de aposentadoria para atletas em geral que representaram o país em competições oficiais, como uma Olimpíada, e vivem uma realidade distante dos milhões que circulam no futebol.

Por um motivo simples como este, tendo como exemplo a clara desvalorização de ídolos que conquistaram um ouro olímpico, o Brasil jamais conseguirá confirmar-se como uma potência esportiva ou mudará sua mentalidade em relação aqueles que nos encantaram em campos internacionais. Enquanto jovens ganham milhões e pouco se importam com o restante, saudosos senhores definham esperando que a solidariedade governamental deixe de ser uma máquina de compra de votos. Azar do futebol.

Oportunismo em alta
17/06

A Eurocopa ainda não chegou ao término de sua primeira fase, mas a competição ganha importância em solo nacional a cada ano. O alto nível de jogos envolvendo equipes como Holanda, França, Itália, Espanha, Portugal e Alemanha não é mais ignorado pela mídia nacional.

A presença de brasileiros na competição, como Felipão, Deco, Pepe, Kuranyi, Marcos Senna, Mehmet Aurélio e Roger Guerreiro serviram para potencilizar ainda mais uma questão que, exacerbada ao extremo pelos comentaristas e narradores, entedia os espectadores interessados em acompanhar o torneio.

O fato dos responsáveis pelas transmissões terem um conhecimento mínimo das seleções e seus jogadores é irritante, mas não vamos nos ater a este ponto. A questão é que a competição se trata da Eurocopa. Portugal não é o Brasil na Euro e os jogadores não são a presença da Seleção penta-campeã na Europa.

O brasileiro tem como uma característica comum acreditar que é, em qualquer área, melhor que o estrangeiro. Quando o assunto em questão é futebol, então, o ufanista tupiniquim acredita que não há em lugar algum talento que sequer aproxime-se do jogador nacional. Para estes entusiastas da malemolência, ver jogadores brasileiros em seleções estrangeiras é a prova dessa superioridade.

A ótica que deve ser observada, porém, é um pouco diferente. Estes jogadores que atuam por outras seleções são, invariavelmente, atletas que fizeram sucesso em centros menores da Europa e, desconhecidos no Brasil, optaram por defender a nação que o acolheu por uma total incredulidade de um dia ser convocado para a Seleção Brasileira por uma questão óbvia: ninguém observa de forma profissional os atletas que estão no exterior.

Deco é o exemplo mais claro. Não resta dúvida que Deco seria titular da Seleção Brasileira com facilidade, assim como Pepe disputaria uma vaga na defesa brasileira e está anos luz à frente de Luisão. Estes, no entanto, são exceções. Os demais são jogadores que encontraram uma forma de disputar grandes competições internacionais, visto que jamais teriam chance de atuar pelo Brasil.

Existem também os oportunistas. Jogadores que não possuem qualquer identificação com o país pelo qual atuam, mas o fazem por acreditar que assim terão um destaque que seu clube não é capaz de proporcionar. O caso de Aílton, atacante que fez fama na Alemanha e recebeu uma oferta financeira para defender o Qatar (e dizia-se ser tão bom quanto Ronaldo), é algo que comprova o "amor à camisa".

De uma forma ou outra, é necessário encerrar definitivamente este ode nacionalista. Basta lembrar que, se um jogador mundialmente reconhecido como Deco só encontrou espaço em Portugal, algo está errado. O Brasil deu as costas para estes jogadores no início de suas carreiras, e a CBF está interessada apenas em convocações que lhes tragam cifras. Então, porque agora os tratamos como autênticos brasileiros? O Brasil nunca fez nada em favor estes jogadores. Eles apenas seguiram em frente.

Apostando no fracasso
07/05

Há certos momentos na vida em que você sabe que deposita suas esperanças em algo improvável, cujas possibilidades de sucesso são tão prováveis quanto um eventual retorno de jogadores falecidos aos gramados ou então uma equipe amadora sagrando-se campeã da Copa do Mundo.

Porém, mesmo diante das minúsculas chances de obter algo positivo de qualquer espécie ou importância, ainda assim a escolha de alto risco é feita. E, no futebol brasileiro, o desejo dos cartolas de brincar de roleta-russa consegue superar o pensamento lógico, e a aposta no certo tropeço é feita, ignorando qualquer razão.

Nesta semana, a certeza de que os cartolas gostam de altas emoções tornou-se realidade no Rio de Janeiro. No Flamengo, a saída anunciada de Joel Santana movimentou o mercado nacional de treinadores, com muitas especulações sobre um eventual sucessor. Entre os nomes inicialmente citados na impresa especializada, profissionais como Abel Braga, Geninho, Carpegiani e Paulo Autuori.  

Abel e Autuori são, certamente, técnicos que deixariam a torcida confiante e com um horizonte muito mais promissor, tanto à curto como à longo prazo. No entanto, a diretoria rubro-negra anunciou a escolha de Caio Júnior para o comando técnico do Flamengo.

Caio surgiu como um técnico promissor no Paraná Clube, mas sua carreira nos clubes seguintes, Palmeiras e Goiás, mostrou um treinador de poucos recursos técnicos e mentais. Com leituras ruins do andamento das partidas e substituições ruins como consequência, além de um comportamento introspectivo que só seria aceito se ele fosse um gênio tático, Caio fracassou no comando do Palmeiras, clube que deu-lhe recursos suficientes para ao menos obter uma vaga na Libertadores, e conseguiu a enorme proeza de ser derrotado na final do Campeonato Goiano frente ao Itumbiara, perdendo por 3x0 em pleno Serra Dourada.

Se a iniciativa do Flamengo de substituir um comandante com estilo paternalista por um pseudo-intelectual levantou sérias dúvidas, a nova contratação do Botafogo conseguiu ir além de todas as piores perspectivas. Nesta terça-feira, foi anunciada a contratação de Carlos Alberto, meia que estava emprestado ao São Paulo, mas foi repassado ao clube carioca devido aos problemas causados no clube do Morumbi.

Celeumas estas que não foram exclusividade em São Paulo. Por todos os clubes que passou, Carlos Alberto foi centro de polêmicas, discussões, brigas e problemas médicos duvidosos. Em seu habitat natural, Carlos Alberto deverá passar férias prolongadas até sua reapresentação ao Werder Bremen em meados de Julho, fato este que será meramente burocrático, já que o brasileiro não será aproveitado em solo alemão.

Situações como estas, nas quais os torcedores tem a completa certeza de que o clube faz um péssimo negócio, não são exclusividade da dupla carioca. Neste ano, outros momentos gloriosos surgiram, como as contratações de Roger pelo Grêmio, Gustavo Nery pelo Fluminense, Bóvio e Alessandro pelo Corinthians, Fábio Santos e Carlos Alberto (de novo) pelo São Paulo...

A lista de grandes insucessos tende a continuar sua expansão até o final do ano, quando muitos perceberão o prejuízo obtido e tentarão contornar de forma a satisfazer a torcida. Porém, o jogador ou técnico dispensado será certamente contratado por outro clube, satisfazendo o desejo masoquista dos dirigentes.

A aposta no fracasso é comum e deixou de ser novidade. O fato que espanta é a passividade dos torcedores, que, longe de qualquer senso crítico, não percebem que não há nenhuma possibilidade de final feliz. Para alguns, final feliz é ver alguém sendo demitido. Para outros, essa demissão é a confissão de culpa assinada pelos dirigentes em rede nacional.

A hora da Premier League
01/05

Chelsea e Manchester United decidirão a grande final da Liga dos Campeões. A primeira decisão entre clubes ingleses na principal competição do Velho Mundo será em Moscou, no Luzhniki, no dia 21 de maio.

Além disso, os dois clubes estão empatados na liderança da Premier League, somando 81 pontos, com duas rodadas a serem disputadas. Os Red Devils levam vantagem pelo saldo de gols: 53 dos comandados de Sir Alex Ferguson contra 37 dos Blues, que igualaram-se ao rival no último final de semana, justamente por vencer o duelo entre ambos no Stamford Bridge por 2x1.

O Manchester United foi o grande clube da temporada européia, apresentando o melhor futebol e contando com Cristiano Ronaldo em momento espetacular. Porém, a queda de rendimento é óbvia. Mesmo quando vence, como foi frente ao Barcelona, o United não transmite a mesma segurança do primeiro semestre.

O Chelsea, por sua vez, vive momento posto. Com a crise que rondou a demissão de José Mourinho e o opaco futebol apresentado sob o comando de Avram Grant, os Blues passaram a crescer e atur de forma, que se não é brilhante, é ao menos convincente. Superar o Liverpool, temido por sua aura de "milagreiro europeu", traz ainda mais confiança a um elenco que parece contornar os problemas internos de forma mais contudente e sem criar casos na imprensa.

A decisão da Liga dos Campeões depende, em grande parte, das últimas duas rodadas da Premier Legue. O United depende apenas de suas forças, e enfrentará o West Ham em casa e o Wigan fora, enquanto o Chelsea jogará contra o Newcastle fora e o Bolton em casa. Confrontos contra equipes sem grandes aspirações e que apontam para vitórias confortáveis de ambos, fechando a EPL duas semanas antes da decisõ em Moscou.

O Manchester United é o grande favorito pela soma de toda sua temporada, e há uma linha tênue entre a glória e o retumbante fracasso, caso perca os dois títulos. Para o Chelsea, voltar a ser campeão da Premier League dará enorme moral para a decisão, bem como trará um enorme peso psicológico aos Red Devils por perder um título que estava ganho.

Em 2000, Real Madrid e Valencia fizeram uma final espanhola em um momento de superioridade dos clubes do país, bem como Milan e Juventus três anos mais tarde. Porém, nunca dois clubes estiveram juntos e mantendo o principal campeonato da Europa, hoje o Inglês, aberto até o último momento. Será um momento mágico para a história do futebol do país e deixará os torcedores em pânico: da dobradinha ao choro compulsivo de mãos vazias em apenas duas semanas.

Intruso Espanhol
11/04

Entre os quatro semifinalistas da Liga do Campeões, há apenas um não-inglês: o Barcelona. Ao lado dos catalães, Manchester United, Liverpool e Chelsea disputarão o troféu mais cobiçado do Velho Mundo.

O Barcelona é certamente o grande azarão. Além de enfrentar o poderoso Manchester United nas semifinais, vive sua constante crise interna e apresenta um futebol desalentador. Rijkaard mostra-se cada vez mais como um técnico comum, que não sabe explorar as opções técnicas à sua disposição, nenhuma variação tática e uma completa falta de pulso para contornar situações de conflitos entre suas estrelas.

A torcida blaugrana, por sua vez, está cada vez mais impaciente e insatisfeita, protestando contra a egstão do presidente Joan Laporta. O confronto contra o Schalke demonstrou a fragilidade do Barça, que foi dominado em grande parte do tempo mesmo em casa, mas avançou graças à ineficiência ofensiva dos alemães.

Outro ponto importante é o ataque do Barça: Henry, Eto'o e Messi formam o trio ofensivo titular, incontestável tecnicamente, mas que prejudica o setor de criação, sobrecarregando Iniesta. Com Ronaldinho e Deco afastados, muito provavelmente de forma definitiva, faltam opções. Alías, o jogo de "confirma-desmente" que envolve a situação dos brasileiros prejudica ainda mais o clima.

O Barcelona, para chegar ao título, precisará de três partidas excepcionais para vencer seus adversários ingleses, e sobretudo, conseguir superar fatores extra-campo que até agora estão sem solução. Rijkaard dificilmente será capaz de reverter este quadro. Cabe então à Laporta, com pretensões políticias prejudicadas pela crise blaugrana, organizar o clube e curar um ambiente adoecido.

Ao contrário do Milan, o Barcelona vive a certeza de uma pequena revolução ao final da temporada. A questão agora é o quanto essa certeza afeta os jogadores. A perspectiva é de um horizonte nebuloso. Porém, a conquista da Liga dos Campeões tem poder para alterar a atual condição catalã. Resta aos torcedores depositar suas esperanças no improvável.

Mudar ou.. mudar de vez!
02/04

Após a eliminação frente ao Arsenal na Liga dos Campeões, o Milan voltou suas atenções para a dispyta do Campeonato Italiano. O discurso era de que, até o final da competição, todas as partidas seriam "finais", uma vez que a Fiorentina ocupava a quarta colocação e garantia a última vaga para a próxima edição da LC, com o Milan em quinto e com chances de recuperação.

Agora, um mês depois, é possível verificar que a situação rossonera apenas piorou. Na primeira partida após a eliminação, uma vitória por 3x1 sobre o lanterna Empoli enganou aqueles que acreditavam em uma recuperação. Depois deste triunfo, derrota para Roma, Sampdoria por 2x1, vitória sobre o Torino por 1x0 e novo revés por 2x1, desta vez para a Atalanta no último domingo.

Com a série de resultados desfavoráveis, o Milan agora vê-se próximo de sair até mesmo da zona de classificação para a Copa Uefa. Ultrapassado na classificação pela Udinese, que alcançou os 50 pontos, o Milan divide a sexta colocação com a Sampdoria, ambos com 49.

Certamente, há algo errado nos bastidores do clube. A derrota frente a Atalanta foi pesada diante da atitude dos jogadores, claramente desmotivados. Ambrosini, sempre criticado, tem sido o único a mostrar empenho, desejo de alterar o patamar atual de seu clube. Diante da equipe de Bérgamo, Ambrosini marcou um gol e sofreu um pênalti desperdiçado por Pirlo, além de sua enorme contribuição no combate aos adversários.

Nesta, Pirlo, Kaká, Jankulovski, Inzaghi e Seedorf vivem às voltas com problemas musculares. Este fato levanta sérias dúvidas com relação ao trabalho do departamento médico do clube, que também falhou com o atacante Ronaldo. Além disso, há uma questão técnica: Pato pode vir a ser um fenômeno, mas ainda é apenas um garoto de 18 anos. Gilardino, outrora esperança, está há mais de um ano sem marcar gols em San Siro e parece mais preocupado com sua possível transferência para a Fiorentina.

A perspectiva de não disputar a Liga dos Campeões é um horizonte não muito distante do Milan. Porém, apesar da brusca queda de faturamento, a situação pode mostrar-se favorável. Em um efeito semelhante ao que ocorreu no Bayern de Munique, a diretoria verá-se obrigada a contornar o enorme vexame em sua reputação.

A conquista do título europeu na última temporada serviu para mascarar os defeitos de uma base de enorme nível técnico, mas com profundos problemas físicos. Impossível prever qual será a atitude rubro-negra no próximo mercado de transferências, e as especulações de uma possível revolução servirão apenas para inflacionar os valores dos atletas desejados e tornar a reformulação em um pesadelo econômico.

Qual será o fluxo de jogadores e comissão técnica é um mistério. O que está claro, por outro lado, é a obrigatoriedade de uma postura agressiva e racional para sanar seus problemas internos e técnicos. Seguir o exemplo do Barcelona, que contratou Henry ao invés de resolver seus enormes problemas, é enganar o torcedor e, mais uma temporada, viver à sombra de seus rivais.  

Certo por linhas tortas
26/03

O domingo de Páscoa assistiu aos confrontos dos quatro primeiros colocados da Premier League, com o Manchester United vencendo o grande clássico inglês diante do Liverpool por expresivos 3x0, além do derby londrino entre Chelsea e Arsenal, vencido pelos Blues por 2x1, de virada.

Os resultados não fogem do esperado, uma vez que o United confirma-se como principal postulante aos títulos que disputa, enquanto o Chelsea mantém-se invencível em Stamford Bridge há mais de setenta partidas pela Premier League. Com isso, o United isolou-se na ponta da classificação, com 73 pontos, enquanto Chelsea e Arsenal somam 68 e 67, respectivamente, contra 57 da dupla Everton e Liverpool.

A este ponto, o leitor pode questionar onde está a novidade. Simples, uma vez que a perspectiva inicial parece confirmar-se, passando por um longo processo que culminou com esta sensação de que aconteceu o esperado. Ao começo da Premier League, o Arsenal era visto com pessimismo após a saída de Thierry Henry, mas surpreendeu a todos com um belo futebol apresentado e com a liderança isolada da competição, enquanto o Manchester engrenava e o Chelsea sofria com problemas internos e a repentina demissão de José Mourinho. Com seus elencos estelares, ambos eram francos favoritos e apontados como únicos postulantes ao título, com o Liverpool correndo por fora.

Quando o Arsenal disparou na liderança, as críticas foram imensas a todos que deixaram os Gunners fora do grupo de favoritos, mas o encaminhamento para a reta final da Premiership acaba por mostrar que o palpite era correto. O Machester United parece ter realizado um trabalho físico inteligente, poupando forças para os momentos decisivos da temporada, crescendo como conjunto e com um Cristiano Ronaldo próximo de confirmar-se como melhor jogador do ano. O Chelsea, por sua vez, superou os transtornos com a saída de Mourinho e encontrou o caminho das vitórias e atuações próximas do convincente, com um elenco de grande capacidade técnica finalmente recuperado de uma onda de lesões.

O Arsenal, no entanto, começa a claudicar com lesões, desgaste físico e a falta de profundidade de seu elenco. Se a saída de Henry proporcionou uma divisão de responsabilidades que beneficiaram o grupo em um primeiro momento, a ausência de um jogador de alto calibre como o francês começa a prejudicar os Gunners nos momentos decisivos, quando a presença de um fora-de-série pode resolver encontros equilibrados. Outro fator: a juventude beneficiou os comandados de Arsène Wenger no duleo frente ao Milan, mas o grande esforço necessário para superar a equipe italiana tembém tem seu preço. Além disso, as constantes lesões de Van Persie e Rosicky, bem como o drama vivido por Eduardo da Silva, serviram para minar ainda mais as possibilidades de título do Arsenal.

Com o fim da temporada aproximando-se do fim esperado, o Arsenal tem motivos para lamentar, mas também tem a possibilidade de tornar-se tão forte quanto seus rivais com a evolução natural de seus jogadores para a próxima época, bem como a confirmação de Fabrègas como um jogador de nível Mundial. Por ora, restará assistir ao domínio do United e de Cristiano Ronaldo.

Olho no lance e no tribunal
20/03

Na última semana de fevereiro, o Arsenal enfrentou o Birmingham, mas seu tropeço passou quase despercebido. O lance que reuniu a atenção de toda imprensa e espectadores foi a lesão de Eduardo da Silva, atacante dos Gunners, que sofreu dura entrada do zagueiro Martin Taylor e passará até quinze meses afastado dos gramado com uma fratura dupla na perna esquerda.

Houve grande exagero por parte da mídia em geral, com apelos de que o zagueiro deveria ser banido do futebol, sofrer duras punições, multas e suspensões. Resolvida a questão pela FA, o zagueiro Martin Taylor foi suspenso por três partidas, considerando que a ação era sim uma falta grave, mas não haveria forma de afirmar que seu ato foi intencional.

Martin Taylor não tem um histórico como jogador violento, e ninguém jamais poderá afirmar que um carrinho frontal é aplicado com a intenção de lesionar o adversário com esta gravidade. Taylor pode ser considerado grosso, imprudente, mas o julgar como assassino é por demais sensacionalista. Neste ponto, a FA tem razão em ponderar a ação com calma e aplicar uma suspensão comum.

Porém, o futebol brasileiro tem vivido um clima de batalha campal semanalmente. No último final de semana, houveram inúmeros casos de violência intencional sem que houvesse o mesmo clamor popular por punições exemplares. A cotovelada que o atacante Kléber, do Palmeiras, aplicou no zagueiro André Dias, do São Paulo, foi para deixar Leonardo com inveja. Também no clássico, Jorge Wágner agrediu Valdívia em um lance sem bola. O mesmo vale para o flamenguista Toró, que chutou a cabeça do arqueiro Castillo, do Botafogo, em clássico carioca.

O TJD-SP, responsável por avaliar situações deste gênero no estado de São Paulo, é uma entidade que passa longe do confiável. Nos casos citados e em outros similares, como o do goleiro Marcos, a ação é intencional e não se trata de conseqüência de um lance comum de jogo. No entanto, o critério é inexistente, com punições que seguem o mesmo ideal. Além disso, as suspensões aplicadas em casos pontuais são abrandadas com recursos, fato que ajuda a desqualificar as ações do Tribunal.

Seja Tribunal ou Federação, o julgamento de infrações dentro de campo está longe de atingir o ponto ideal. Os limites de um lance infortuito para uma ação deliberada são muito tênues, e muitas vezes a imagem seduz o emocional. Para alcançar uma medida razoável, é preciso analisar as situações e movimentos, bem como a posse de bola.

Não cabe à imprensa julgar intenção, mas sim relatar os fatos com base nos acontecimentos reais. Neste caso, o árbitro teria de ser acompanhado de assessores jurídicos, peritos criminais. A leviandade de quem julga, muitas vezes, vai além da leviandade de quem comete a infração. Enquanto isso, o futebol é, mais uma vez, deixado de lado.

Costumes a serem eliminados
12/03

A imprensa e o torcedor brasileiro tem uma dificuldade em comum. Sempre que há um confronto entre equipes de proporções ou patamares diferentes, a derrota do favorito é vista como fracasso. Enquanto isso, o adversário, responsável pela queda de seu oponente, é esquecido e tratado como desmerecedor de tal feito. Afinal, até hoje fala-se apenas do problema sofrido por Ronaldo na final da Copa de 1998, enquanto a excelente seleção francesa é tratada com desdém, campeã por fatores extra-campo, como corrupção e acerto com a FIFA para ser campeã em casa.

A Liga dos Campeões desta temporada também apresenta sintomas desta síndrome de falta de percepção. Milan e Real Madrid, os maiores campeões da história do torneio, foram eliminados nas oitavas-de-final. A mídia nacional, obviamente, não gosta de promover a derrota de equipes que carregam astros do futebol brasileiro, como Kaká, Pato e Robinho, figuras que impulsionam as audiências televisivas. Além disso, há um grande problema de análise unilateral, ou seja, as atenções estão voltadas para os favoritos e nada mais.

Desta forma, como os olhares estão voltados apenas para o teórico lado mais forte, quando uma destas equipes é vencida há um grande conglomerado de críticas, lamentações e incertezas. Para quem não acompanhou as partidas decisivas da Liga dos Campeões, a impressão geral é a de que Milan e Real Madrid perderam sem justificativa, tropeçando em seus próprios erros e enfrentando adversários inexpressivos. Afinal, quem não se deparou com as afirmações sobre o envelhecido elenco do Milan ou a ineficiência do ataque do Real Madrid sem o holandês Ruud van Nistelrooy?

Para o Real Madrid, a derrota frente a Roma por 2x1 no jogo de ida no Estádio Olimpico forçava a equipe espanhola buscar a vitória em sua casa, e um triunfo simples por 1x0 era suficiente, fato que elevou o sentimento geral que o Madrid se classificaria. Desde a goleada sofrida diante do Manchester United na temporada passada, a desconfiança pairava sobre a equipe da Roma. Porém, a chave para a vitória italiana neste duelo foi jamais abdicar de seu estilo de jogo ofensivo. O Real Madrid esperava enfrentar um adversário recuado, e escalou jogadores de força em seu meio campo, como Julio Baptista, com o pensamento de furar o bloqueio adversário.

No entanto, os comandados de Luciano Spalletti procuravam o ataque com frequência, com Taddei, Mancini e Aquilani em noite inspirada. Desta forma, o Real Madrid viu-se subitamente em um jogo aberto para o qual não estava preparado, sem a devida confiança de que poderia atacar livremente. A Roma obteve a classificação porque não se satisfez com a vantagem obtida inicialmente. A vitória por 2x1 no Santiago Bernabéu representou a quarta eliminação seguida dos Merengues nas oitavas-de-final, um enorme fracasso para um clube que é considerado pelo seu presidente como uma "máquina de jogar". A derrocada espanhola serve para mostrar que o Madrid foi insuficiente e também que a Roma evoluiu e soube como sustentar uma classificação merecida.

Para o confronto entre Milan e Arsenal, vencido pelos Gunners por 2x0 em pleno San Siro, as explicações são mais simples e claras. A questão física para o sucesso londrino foi evidente, bem como a fluidez de seu jogo. Pirlo, Kaká e Nesta retornavam de lesão e estavam longe de suas capacidades físicas ideias, fato que simplificou a marcação sobre os dois pilares do esquema de jogo italiano. Com Pirlo bem marcado e Kaká sendo seguido de perto, o Milan jamais conseguiu chegar ao ataque em boas condições ou em vantagem numérica. O Arsenal, por sua vez, buscou sempre superar a marcação adversária em velocidade e usando o conhecido estilo de passes rápidos de Arsene Wenger. Com uma defesa frágil fisicamente constantemente sobre pressão, era apenas uma questão de tempo para que os ingleses chegassem ao gol.

Arsenal e Roma mereciam maior atenção por um grande esforço coletivo, além de um belo trabalho técnico e tático. Apesar do desdém, as duas equipes podem sim chegar a um título ainda inédito para a galeria de ambos. Favoritismo? Desta vez não.

Contrastes.
27/02

Há poucos anos atrás, o nome de Wanderley Luxemburgo era unanimidade quando perguntava-se quem era o melhor técnico brasileiro em atividade. Após os enormes sucessos obtidos com o Palmeiras, Corinthians e Cruzeiro, sempre em sua metodologia de montar equipes ofensivas, com um futebol bem praticado, Luxemburgo tornou-se referência no cenário nacional.

Porém, a atual campanha com o Palmeiras é decepcionante, assim como foi sua passagem pelo Santos. Na Baixada, apenas dois títulos Paulistas conquistados com gastos excessivos que deixaram o clube em delicada situação na atual temporada. No Palestra Itália, com dinheiro em caixa, Luxemburgo contratou jogadores de bom nível técnico e formou um grupo que causou a sensação de que, quando estivesse entrosado, seria um rolo compressor.

Após onze rodadas disputadas no atual Campeonato Paulista, a campanha está muito abaixo do esperado e, pior, começa a passar longe do aceitável. Sem nenhuma amostra de esquema tático disponível, sem grande disposição dos principais jogadores e com uma aparente apatia de seu técnico, que prefere culpar as arbitragens pelo tropeços de sua equipe, o Palmeiras está longe de classificar-se entre os quatro primeiros do campeonato e, mesmo que consiga melhores resulados, ainda não dependerá de suas próprias forças.

Apesar de resultados péssimos, como empates frente aos lanternas Rio Claro e Rio Preto, pouco se questiona na imprensa o trabalho de Luxemburgo no Palmeiras. A atual situação contrasta completamente com a do ano anterior, quando Caio Júnior era o responsável pelo comando alviverde e, por muitos menos e com um time muito pior, era achincalhado por imprensa e torcida. Certamente, se Caio Júnior estivesse no comando desta equipe com os atuais resultados, seu cargo estaria à perigo e as críticas surgiriam em profusão. Agora, com Luxemburgo há uma complacência inexplicável e, quando aborda-se os placares do Palmeiras, o discurso é em louvor ao técnico, que logo conseguirá impor seu trabalho e obter o melhor rendimento de seus jogadores.

Hoje, aqueles que ainda mantém sua opinião, a de que Luxemburgo é o melhor técnico do Brasil, já não são unanimidade. Técnicos com melhores resultados nos últimos anos, como Muricy Santana e Mano Menezes, passaram a eclipsar o nome do atual comandante palestrino. Se levarmos em conta o nome de Felipão, a disputa torna-se ainda mais desigual.

Para o atual momento de sua carreira, um conhecimento geral faz-se inevitável: o grande desafio para aqueles que chegam ao topo é manter-se neste mesmo estágio. E, óbviamente, não é o caso de Luxemburgo.

Fim anunciado. Ou não.
19/02

No estádio San Siro, o Milan recebia o frágil Livorno e era derrotado por 1x0. Repleto de desfalques e com uma equipe composta quase que inteiramente por reservas, o rubro-negro encontrava sérias dificuldades ofensivas e parecia próximo de uma derrota inesperada. A inofensividade de um ataque formado pelo péssimo Gilardino e pelo jovem Paloschi tirou a paciência até mesmo de Carlo Ancelotti, famoso por seu estilo pouco emotivo, que lembra Oswaldo de Oliveira.

Então, aos doze minutos, entram em campo Inzaghi e Ronaldo nas vagas dos dois atacantes citados acima. Inzaghi passa o restante do tempo convivendo com seu inseparável amigo impedimento, enquanto Ronaldo permanece em campo por apenas dois minutos. Após uma cobrança de bola parada pela direita, que originou o gol de empate rossonero, Ronaldo cai na pequena área e leva as mãos ao joelho esquerdo, com um semblante de extrema dor.

A cena, quase idêntica à ocorrida em 2000, resultou em um rompimento do tendão patelar, mesma lesão sofrida pelo brasileiro no joelho direito na ocasião, quando ainda defendia a Internazionale. Nesta quinta-feira, o atacante será operado em Paris por Gérard Saillant, médico especialista que foi responsável pelas duas cirurgias que Ronaldo sofreu.

As previsões iniciais de retorno aos gramados neste tipo de lesão giram em torno de nove a doze meses. Por se tratar de um jogador aos 31 anos de idade e com sérios problemas musculares, a previsão é ainda mais pessimista. Porém, apenas após a cirurgia poderá prever quanto tempo a recuperação levará. Com tantos problemas e dúvidas, surgem muitas informações na imprensa de que Ronaldo estaria assim próximo de sua aposentadoria. A possibilidade existe, mas esta é uma questão que apenas o jogador poderia responder, e sua discussão na imprensa serve apenas para gerar vendas e audiência.

Mas não existe apenas um lado nesta historia. E o Milan? Qual será a atitude do clube para com o jogador é uma pergunta que o clube apressou-se em responder, deixando claro que prestará toda a assistência para sua recuperação. Porém, convém notar que o contrato de Ronaldo expira no meio do ano. Imaginar que o clube arriscaria-se a renovar o vínculo do jogador é quase uma emboscada, pois, além de toda a imprevisibilidade de sua situação, Ronaldo nunca foi exemplo de fidelidade a seus clubes. Vale lembrar que, após dois anos de recuperação na Internazionale, Ronaldo mostrou toda sua gratidão forçando sua saída para o Real Madrid.

Para o atual momento do Milan, pouco muda, e se muda, é para melhor. Afinal, o brasileiro entrava em campo para sua quinta partida na temporada, a 19ª em mais de um ano de clube. Assim, o clube deixa de contar com um atacante que passava mais tempo convivendo com os médico do clube do que com seus companheiros. Para a próxima temporada, sabe-se de antemão que será obrigatória a chegada de um novo goleador, permitindo ao clube um melhor planejamento de mercado.

Antes que os "Ronaldistas" acusem-me de sacrilégio, que fique claro: de forma alguma questiona-se o valor histórico de Ronaldo para o futebol brasileiro. Ele foi um real fenômeno até sua lesão em 1999, e após sua recuperção em 2002, viveu bons momentos no Real Madrid, ainda que esporádicos. Vendeu-se sempre a imagem de um vencedor, pela volta por cima para a Copa do Japão e Coréia. A possibilidade de Ronaldo efetuar um novo milagre para um último brilho não pode ser descartada. O futebol é uma caixinha de surpresas. Ou não.

Critérios sem critérios
23/01

O técnico Dunga foi eleito, pela IFFHS, o melhor técnico de Seleções em 2007. A Federação de História e Estatística leva em consideração apenas resultados para chegar a esta conclusão, assim como Carlo Ancelotti foi eleito o melhor técnico de clubes no ano passado.

A eleição baseada apenas em números é um tanto quanto duvidosa, já que obviamente Dunga não se trata do melhor técnico de Seleções nem mesmo de seu continente, quanto mais do Mundo. Inspirado por este critério questionável, Dunga preparou mais uma convocação para a Seleção Brasileira, desta vez para amistoso frente è Irlanda.

Para começar a seqüência de erros em 2008, Dunga preparou a convocatória ignorando que nem todos os jogadores regulares em suas convocações estavam disponíveis. Assim, poucos minutos antes da entrevista coletiva, a "comissão técnica" deparou-se com uma extensa lista de desfalques por lesão: Ronaldinho, Alex Silva, Juan, Fernando e Kléber. Ao tomar conhecimento dos jogadores atualmente no departamento médico de seus clubes, Dungo elaborou uma lista repleta de incoerências.

Para iniciar, o goleiro Doni, titular na Copa América, foi substituído pelo colorado Renan, que tem idade Olímpica. Porém, o ex-atleticano Diego, em grande fase no Almería, foi preterido. O arqueiro do Internacional, no entanto, será reserva de Julio César, da Inter de Milão.

No setor defensivo, Maicon, Lúcio, Luisão, Alex e Marcelo são presenças constantes. Rafinha, do Schalke 04, e Breno, novidade do Bayern de Munique, são os estreantes da defesa. Breno, pelo momento vivido no São Paulo, é uma convocação totalmente justificável. Rafinha é, sem dúvida, o melhor lateral brasileiro na atualidade. Porém, o Campeonato Alemão está em pausa desde meados de Dezembro e retornará apenas neste final de semana. Ou seja, Rafinha estará ainda retomando o ritmo de jogo.

No meio campo, de todos os convocados, apenas Kaká pode ser considerado um titular de fato. Hernanes, Richarlyson e Thiago Neves são estreantes. Hernanes e Thiago Neves são alvos da Seleção Olímpica, Richarlyson é uma escolha altamente duvidosa que deve ser utilizado como reserva na ala esquerda, que teve apenas Marcelo convocado. Gilberto Silva e Anderson são reservas em seus clubes, enquanto Josué complementa o setor.

No ataque, Robinho, Luís Fabiano e Júlio Baptista são convocados com regularidade, enquanto Rafael Sóbis retorna após uma série de ausências. A grande surpresa é a presença de Alexandre Pato após apenas duas partidas no Milan.

Além de Doni, outros homens até então da confiança do técnico ficaram de fora, como Elano, Vagner Love e Afonso Alves. De fato, dos deixados de fora apenas Elano tem chances de permanecer e é melhor que outros hoje chamados pelo ex-capitão da Seleção.

Como pode-se ver, os critérios e escolhas de Dunga são altamente confusas e questionáveis. Porém, está totalmente compatível com outra escolha razoavelmente contraditória: a sua como técnico.

Centro de Recuperação
16/01

No final de dezembro, após conquistar seu segundo título brasileiro consecutivo e o quinto de sua história, a diretoria do São Paulo decidiu que era chegada a hora de agitar o ambiente. O grupo tricolor jamais teve grandes problemas disciplinares, e até mesmo Diego Tardelli foi insuficiente para causar grandes problemas.

No entanto, a diretoria resolveu dar maiores desafios ao técnico Muricy Ramalho ao acertar o empréstimo de Adriano, atacante da Internazionale, que passou as últimas duas temporadas envolvidos em problemas psicológicos, festas, alcoolismo e outros mais.

Assim que chegou, Adriano declarou que seu desejo era, no São Paulo, voltar a sorrir. Nos jornais, na parada para os festejos de fim de ano, todos viram Adriano sorrindo largamente nas festas cariocas com mulheres e bebidas. Apesar de todos os problemas, Adriano apresenta-se para treinar sem confusões e passa a ser esperança de gols pra o São Paulo na Libertadores.

Com isso, o desejo tricolor de animar seus bastidores acabou por ficar morna. Assim, surgiu o interesse pelo ex-corinthiano Carlos Alberto. Sim, o meia carioca, famoso por ser adepto do "chinelismo", reforçará o São Paulo no primeiro semestre de 2008.

Carlos Alberto chegou ao Werder Bremen em agosto de 2007 como a mais cara contratação da história do clube, e os elementos da diretoria alemã, ao serem abordados por especialistas brasileiros sobre a reputação do meia, declararam que as informações recebidas foram as melhoes possíveis.

Não demorou muito, e logo Carlos Alberto estava afastado do grupo, alegando sofrer de distúrbios do sono. Ao retornar aos treinamentos, envolveu-se em briga com Sanogo, artilheiro do time. Então, ao ser encostado no Werder, a diretoria tricolor logo vislumbrou a chance de animar ainda mais seu ambiente.

Agora, as noites paulistas e cariocas aguardam ansiosamente pela dupla. A imprensa popularista então, nem se fala...

Campeão do Mundo
19/12

No último domingo, o Milan sagrou-se campeão Mundial da FIFA, superando o Boca Juniors por 4 a 2 na decisão do torneio. Além disso, tornou-se o primeiro clube a ser quatro vezes campeão do Mundo e conquistou seu 18º título internacional, ultrapassando o próprio Boca, que soma 17 troféus.

Apesar de todas as críticas direcionadas ao elenco rubro-negro e sua direção, a postura adotada pelo clube em relação a competição foram impecáveis. Desde a conquista da Liga dos Campeões, não foram poucas as declarações que deixavam claro o desejo de priorizar a competição disputada em solo oriental, contrariando o pensamento popular de que os clubes europeus não dão o devido valor ao torneio.
Essa postura fez-se clara com a prévia chegada do elenco ao Japão, com o intuito de adaptar-se ao fuso horário, que interfere em termos fisiológicos, como alimentação, sono e descanso muscular. Pensando também em descanso, o Milan acertou novamente ao utilizar o decepcionante Gilardino na semifinal, frente ao Urawa Reds, poupando o talismã Inzaghi para a decisão.

Em campo, na grande final, o técnico Carlo Ancelotti soube enxergar os espaços vazios proporcionados pelo Boca e usou seus dois maiores talentos ofensivos, Kaká e Seedorf, às costas dos laterais argentinos, ao contário do que geralmente ocorre, com o brasileiro próximo à área adversário e o holandês com liberdade para atuar pelo centro.  

A variação tática foi uma novidade, já que, invariavelmente, o Milan peca pela falta de modificação e movimentação. Ainda em termos táticos, o meio-campo rossonero provou novamente ser um dos melhores do mundo. Pirlo e Ambrosini são igualmente discretos, apesar da enorme diferença técnica entre ambos, mas a segurança que ambos proporcionam aliada à garra e liderança de Gatusso, além da volatilidade de Seedorf e da incontestável condição de destaque Mundial de Kaká, tornam o setor completo.

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