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No último domingo, o autódromo de Interlagos
foi palco da decisão da temporada 2008 da
Fórmula-1. A festa da torcida, a vitória
de Felipe Massa, o título de Hamilton conquistado
na última curva. Elementos que marcaram
na história da categoria o GP como um dos
mais memoráveis de todos os tempos pelo
seu incrível desfecho.
Por outro
lado, Interlagos pode ter sido, muito provavelmente,
palco da última corrida de Rubens Barrichello
na Fórmula-1. Rubinho estreou em 1993, quando
foi contratado pela Jordan. Em sua terceira
corrida, o GP da Europa, Rubinho demonstrou
aquele que é seu principal talento: guiar
em pista molhada. Largando em 12°, ele era
o quarto ao final da primeira volta. Chegou
a ocupar o segundo posto, mas sua Jordan
era um carro pouco confiável. Naquele ano,
conseguiu marcar seus primeiros pontos com
um quinto lugar no Japão.
Sua segunda
temporada, 1994, seria marcada por grandes
momentos e duas tragédias. Nas duas primeiras
corridas, um quarto lugar no Brasil e um
terceiro em Aida. Porém, a terceira corrida
foi um marco: San Marino. Nos treinos de
sexta-feira, sua Jordan vôou contra a grade
de proteção e capotou. No domingo, Ayrton
Senna perdeu a vida na Tamburello. Apesa
dos traumas, Rubinho mostrou sua evolução
com uma Pole Position na Bélgica, que o
tornou o mais jovem a obter o feito até
então.
Nas temporadas de 1995 e 1996,
Rubinho sofreu com a queda de rendimento
da Jordan. Optou então pela recém-formada
Stewart em 1997. Suas duas temporadas iniciais
foram de muitos problemas, mas de resultados
positivos quando o carro cooperou, fato
que foi raro: em 1997, Rubinho conseguiu
completar apenas três corridas, e uma delas
foi um segundo lugar em Monaco.
Em
1998, tudo parecia mudar na Stewart. No
Brasil, Rubinho chegou a liderar, mas o
motor falhou. Ainda obteve uma pole, na
França, e três vezes chegou ao pódio, em
San Marino, França e Europa. Com um carro
mais competitivo, Rubinho causou problemas
até mesmo à Ferrari de Michael Schumacher.
O outro piloto da Ferrari era Eddie Irvine,
que foi sempre superado por Rubinho quando
ambos estavam na Jordan. Então, Jean Todd
optou por sua contratação em 2000 para ocupar
o posto de Irvine na Ferrari.
Sua
passagem na Ferrari foi excelente. Em cinco
temporadas, foi duas vezes vice-campeão
e finalmente pôde começar a vencer corridas.
Porém, seu companheiro de Ferrari era Michael
Schumacher, e todas as atenções da equipe
estavam obviamente direcionadas ao alemão.
Nos cinco anos em que esteve na Ferrari,
Schumacher foi cinco vezes campeão. Além
disso, os episódios polêmicos na Áustria
e nos Estados Unidos, quando a equipe ordenou
que o brasileiro cedesse o primeiro lugar
a Schumacher na útlima volta, serviram para
exemplificar que, por mais que Rubinho ganhasse
corridas, ele seria sempre o coadjuvante
na Ferrari.
Então, Rubinho assinou
com a Honda. Em 2006, chegou ao pódio na
China, e somou 30 pontos. A Honda iniciou
sua decadência em 2007, quando Rubinho não
conseguiu marcar nenhum ponto pela primeira
vez na carreira. O ano de 2008 foi igualmente
ruim, mas Rubinho ao menos conseguiu os
últimos pontos e o último pódio, em Siverstone.
Em
quinze anos de Fórmula-1, Barrichello disputou
270 GP's, com nove vitórias, 62 pódios,
13 poles, 16 voltas mais rápidas, somando
530 pontos. São números expressivos, mas
relativos a um piloto mediano. E isso resume
de forma simples e clara a carreira de Rubinho:
um piloto mediado, com um início promissor,
que não conseguiu ser campeão por ter escolhido
ser segundo piloto.
Rubinho nunca
foi um piloto ruim ou um fracassado. Durante
toda sua carreira, ele teve de conviver
com as piadas e com a frustrada expectativa,
que acabou se tornando em indiferença do
público em não aceitar que ele era um simples
piloto comum com um habilidade anormal de
dirigir em pista molhada.
Então,
esta coluna chegou ao ponto que desejava:
o povo brasileiro não aceita nada que seja
mediano. Há sempre a expectativa de ser
o melhor, de ser superior aos demais. Quando
isso ocorre, há uma adoração imedita. Rubinho
passou por isso no início de sua carreira,
e hoje Felipe Massa ocupa este posto.
Por
outro lado, quando é algo muito ruim, vira
folclore. O caso de Obina, saindo um pouco
do automobilismo, é a evidência. O flamenguista
é tosco, mas sua ruindade virou folclore,
canto entoado e auto-gozação. Na Fórmula-1,
pilotos grotescos como Pedro Paulo Diniz,
Roberto Pupo Moreno, Maurício Gugelmin,
Henrique Bernoldi, Antonio Pizzonia, Luciano
Burti, Ricardo Zonta e Tarso Marques (ufa!)
são nomes esquecidos, mas com passagens
dignas de piadas e risadas. Porém, quem
sofreu foi Rubinho.
Agora, é a vez
de Felipe Massa. Até agora, mesmo sendo
vice-campeão, Massa não mostrou argumentos
técnicos que o possibilitem ser um piloto
fora de série. Assim como Rubinho, mas com
uma simpatia maior do público brasileiro.
Sorte de Massa, azar, como sempre, de Rubinho.
Surpresa! 17/10
A surpresa e a perplexidade tomaram
conta do mundo do futebol nesta última segunda-feira.
Afinal, não havia ninguém que apostasse
que Maradona tornaria-se o novo técnico
da Seleção da Argentina, após a demissão
de Alfio Basile. Maradona terá ao seu lado
Carlos Billardo, técnico campeão com a Albiceleste
na Copa do Mundo de 1986, que será seu assistente.
A
polêmica sobre a escolha é evidente. Maradona
está há alguns anos afastado no universo
futebolístico, e suas experiências como
técnico foram um enorme fracasso nos anos
90 (Deportivo Mandiyú e Racing de Avellaneda).
Logo após a demissão de Basile, Maradona
declarou seu interesse no cargo, e teria
a concorrência de Sergio Batista (Medalha
de Ouro em Pequim), Carlos Bianchi e Diego
Simeone.
Entre todas as escolhas
possíveis, Batista era o mais adequado e
sua indicação era uma certeza dos especialistas
e jornais locais. Após a conquista do torneio
de futebol em Pequim, Batista aparecia como
candidato por conhecer muito bem os jovens
jogadores do país e por ter conseguido algo
que Basile não obteve: fazer com que Riquelme
não entrassem em atrito com o restante do
grupo (e com Messi, seu desafeto), já que
sua personalidade duvidosa é famosa (fato
que o levou a sair do Villarreal e ter sua
contratação vetada pelos jogadores do Atlético
de Madrid).
A escolha da AFA soa
como populismo barato. Maradona é um nome
incontesável para o povo argentino, e imaginar
que ele seria abertamente criticado é, no
mínimo, absurdo. Carlos Billardo, imagina-se,
tomaria conta dos aspectos técnicos e táticos,
enquanto Maradona seria o responsável pelo
lado psicológico, pela motivação. Além disso,
Maradona tem moral para convocar ou não
quem ele bem entender. Por esse lado, é
uma possibilidade de avanço para a Albiceleste.
No
entanto, Maradona é uma figura polêmica
por seus envolvimentos ilícitos fora dos
gramados. Seus problemas com drogas podem
interferir no trabalho e afundar ainda mais
a Seleção Argentina em sua crise interminável.
Um eventual sucesso serviria para tornar
a imagem de Maradona ainda mais mítica para
o povo e reforçaria o imaginário popular.
Se Dieguito tem até Igreja, com uma Copa
do Mundo conquistada é difícil imaginar
qual seria a próxima adoração irracional
dos argentinos.
Agora, resta observar
qual será a reação dos jogadores à indicação
de Maradona e como isso afetará os resultados
dentro de campo. Além disso, será Maradona
capaz de conter as crises de ego das estrelas
e evitar os confrontos de Riquelme com os
demais? Independentemente de populismos
e afins, a AFA fez sua escolha com um claro
proprósito: se os jogadores não respeitarem
Maradona, vão respeitar quem?
O resultado
desta loucura só o tempo nos dirá.
Seleção
Brasileira: Rumo à Copa 17/10
A Seleção Brasileira causou revolta em
seus torcedores novamente, em seu terceiro
empate sem gols seguido em território nacional.
Para poder analisar melhor e de forma mais
rápida os muitos temas que compreendem o
assunto Seleção, a coluna de hoje adotarará
os incomuns tópicos.
1 - Três
empates sem gols em casa. E daí? Não
é nenhum motivo de crise os resultados.
Claro, eles são muito ruins, mas o Brasil
tem uma confortável posição nas Eliminatórias.
Das quatro vagas para a Copa, três tem donos:
Paraguai, Brasil e Argentina. Os demais
lutam pela quarta vaga e pela possibilidade
de ir à repescagem.
2 - Sim, o
Brasil vai para a Copa Alguém tem
alguma dúvida de que o Brasil tem vaga garatida
na Copa? Aliás, as Eliminatórias quase garantem
antecipadamente essa certeza. Quando Brasil
ou Argentina conseguirem ficar de fora de
uma Copa com esse formato, é porque o trabalho
foi realmente muito desastroso. Mesmo com
um trabalho ruim (como o atual), a vaga
é certeira.
3 - Os empates então,
acontecem porque? Qualquer equipe
que vem ao Brasil não irá expor-se, como
fizeram Chile e Venezuela nas partidas que
foram superados em casa pelos brasileiros.
Essa exposição excessiva somada a baixa
qualidade técnica dessas seleções resulta
em derrotas. Porém, o Brasil não encontra
as mesmas facilidades quando é sua vez de
atuar em casa. Os adversários unem-se diante
do ataque brasileiro.
4 - Mas
nós temos os melhores do Mundo! Desde
quando meu filho? Jogadores como Maicon,
Kléber, Josué, Gilberto Silva, Luis Fabiano,
Elano (e etc) são, no máximo e com alguma
simpatia, bons jogadores. Atualmente, apenas
Kaká, Lúcio e Juan podem ser considerados
jogadores de nível Mundial. Pato, Anderson,
Lucas, Jô são jovens talentos, mas sem experiência
internacional para assumir a responsabilidade,
jogados na fogueira justamente por essa
falta de opções de alto nível. Robinho?
Sua atuação diante da Colômbia deixou claro
que o gol diante da Venezuela foi mero acidente:
quando tentou repetir no Maracanã o gol
de longa distância, a bola saiu pela linha
lateral. Quam ainda credita a Robinho alguma
confiança, perde tempo. O fato é que Kaká
joga sozinho. Talvez por isso ele tenha
sido o único a estar visivelmente irritado
nas entrevistas depois do jogo no Maracanã.
Contra a Bolívia, sem Kaká, não dava pra
esperar muita coisa.
5 - Empatar
com a Argentina vá lá, mas Bolívia e Colômbia?
A Argentina também não anda lá muito bem,
mesmo com uma geração muito mais talentosa
que a brasileira. A Bolívia é um acidente
geográfico, e qualquer resultado que não
seja uma vitória diante dos bolivianos deveria,
certamente, causar uma revolução em massa.
Porém, a Colômbia está longe de ser uma
Seleção de nível inaceitável. SObretudo,
por ter uma dupla de zaga excelente: Yepes
e Perea são, há anos, zagueiros de clubes
importantes como PSG e Atlético de Madrid.
6
- O torcedor é tratado como idiota Isso
é algo que acontece desde o príncipio dos
tempos nesta indústria vital. Por isso que
jogadores como Robinho, Diego e outros correlatos
são tratados comos craques, mas são comuns,
medianos. Porém, dizer que o torcedor é
totalmente idiota é um exagero. Há, recentemente,
uma evolução neste quadro que pode ser visivelmente
notada pela decadente presença dos torcedores
nos últimos jogos. Os protestos contra jogadores
e técnico também são um sinal positivo,
mas neste caso pouco efetivo: imaginar que
o "puxa-saco" do chefe vai ser
demitido é pura ilusão.
7 - E
até a Copa? Até a Copa, o que pode
mudar é o amadurecimento dos jovens como
Pato, Lucas e Anderson, que podem alterar
o rumo atual da Seleção. E torcer para que
a Espanha não confirme a teoria de uma possível
hegemonia (ou você realmente acha que, exceção
a Kaká, o Brasil tem nomes como David Silva,
David Villa, Fábregas, Xavi e Torres?) ou
a Inglaterra não se torce o tradicional
time treinado por Fabio Capello: chato e
vencedor.
Loucuras
de verão 05/09
Presidente trancado no banheiro, contrato
sendo jogado por cima da porta, venda de
clube no último dia de contratações, negociações
milionárias. Assim foi o último dia do Mercado
de Verão na Europa, na última segunda-feira,
momento derradeiro dos clubes para formar
seus elencos para a atual temporada no Velho
Mundo.
Desta forma, as novelas intermináveis
de negociações e a constante boataria chegaram
a conclusões já projetadas e, outras, inesperadas.
O craque-instantâneo da Eurocopa, o russo
Arshavin, não obteve sucesso em seu desejo
de transferir-se para o Barcelona. Enquanto
isso, seu companheiro de seleção, o atacante
Pavlyuchenko, desembarcou no Tottenham para
ocupar a vaga deixada pelo búlgaro Berbatov,
novo goleador do Manchester United por 38
Milhões de euros (Os Spurs ainda receberam
o promissor atacante Frazier Campbell por
empréstimo).
A transferência de Berbatov,
aliás, chegou a tão astronômico valor graças
à participação do Manchester City. No domingo,
o ADUG, empresa dos Emirados Árabes, comprou
o clube das mãos de Thaksin Shinawatra.
O ADUG prometeu investir alto visando um
vaga na próxima Liga dos Campeões, e fez
uma proposta oficial por Berbatov. O Tottenham
aceitou a oferta do City, pressionando o
Manchester United a igualar a proposta.
No último minuto antes do término do prazo,
os clubes anunciaram a transferência, satisfazendo
o desejo do atacante de unir-se ao United.
Porém,
o Manchester City não desistiu de realizar
uma contratação de impacto e ofereceu ao
Real Madrid 40 milhões de euros, oito milhões
a mais do que o Chelsea havia oferecido.
Com a nova direção do clube inglês, que
especula-se ter um poderio financeiro maior
que o de Romam Abramovic, o brasileiro aceitou
transferir-se para um clube de menor porte,
mas com um salário que compensaria esta
queda de escalão.
Desta forma, fica
claro que o desejo de Robinho sempre foi
um salário que combine com seu ego. Afinal,
sua justificativa para deixar o Real Madrid
era a impossibilidade de firmar-se como
o melhor jogador do Mundo, feito que seria
possível apenas no Chelsea. Imaginar que
ele alcance tal status defendendo o Manchester
City é surreal.
A transferência para
o Chelsea parecia certa ao final de semana,
e os Blues chegaram até a disponibilizar
a camisa do brasileiro na loja do clube
antes do negócio concretizado. O episódio
pegou mal, dificultando ainda mais a transferência.
Com a irreal proposta do City, o Real Madrid
não hesitou em vender Robinho. Melhor para
os Merengues.
Nenhum caso, porém,
foi tão confuso quando o de Diego Milito,
que defendeu o Zaragoza na última temporada.
O argentino foi anunciado como novo atacante
do Genoa, retornando ao clube que obteve
destaque em 2005. O clube italiano confirmou
o negócio, mas uma possível sondagem do
Tottenham fez com que o Zaragoza segurasse
os documentos do atacante.
A Lega
Calcio estabeleceu 19h como prazo máximo
para o recebimento dos contratos de transferências.
De posse da documentação, o Genoa chegou
ao escritório da entidade às 18h58min, mas
não contava com a grande fila no local.
De acordo com a imprensa italiana, em uma
tentativa desesperada para registrar os
papéis a tempo, um representante do Genoa
teria jogado a documentação por cima da
porta. A Lega, em um primeiro momento, indeferiu
o pedido. Após receber uma série de telefonemas,
o órgão decidiu enfim aceitar o contrato.
E
quanto ao presidente trancado no banheiro?
Sem dúvida, este episódio será lembrado
sempre como um dos momentos mais inusitados
(para não dizer bizarro) do futebol. O português
Tiago, volante da Juventus, foi oferecido
ao Monaco e ao Everton pelo clube italiano.
Tiago não aceitou transferir-se para um
clube que não dispute a Liga dos Campeões
e resolveu trancar o presidente do clube,
Gigli Cobolli, no banheiro, como uma forma
de vingança. O capitão Alessandro Del Piero
ouviu os pedidos de socorro de Cobolli e
arrombou a porta, com o presidente tendo
ficado trancado por mais de uma hora no
banheiro.
Apesar do esforço de Cobolli
para livrar-se de seu maníaco jogador, ninguém
quis arriscar-se a contratar Tiago, considerado
o terceiro maior "flop" da última
temporada da Série A. Dessa forma, o português
segue na Juventus, e não é difícil de imaginar
o clima ameno no vestiário em relação ao
jogador (bem como as constantes anedotas).
O
mercado de verão desta temporada acabou,
mas certamente será lembrado como um dos
mais inusitados e movimentados dos últimos
tempos. Só faltou mesmo o Ronaldo Traveco
arrumar um clube. Isso, porém, já seria
exigir demais...
Quatro
anos é muito tempo... 22/08
A maior delegação que o Brasil já enviou
à uma Olimpíada: 277 atletas brasileiros
desembaraçam em Pequim. Um número expressivo,
que representa trinta representantes a mais
do que em Atenas, quando o COB enviou à
Grécia 247 atletas. Este novo recorde, quebrado
a cada edição dos Jogos, é motivo de constante
orgulho para o COB e utilizado em discursos
que defendem uma evolução esportiva no país.
Analisando
friamente, os números dão razão ao orgulho
dos cartolas olímpicos brasileiros. Porém,
este discurso evolutivo não pode ser aplicado
fielmente à sua intenção. Em Atenas, com
247 atletas, o Brasil obteve 5 medalhas
de ouro, e neste edição o país pode alcançar
no máximo 4, embora ultrapasse no total
de medalhas: foram 10 em Atenas, e em Pequim
o Brasil chegará a 14 com as finais do vôlei
de quadra (no taekwondo, Natália Falavigna
pode obter um medalha e elevar o total para
15).
Além dessa redução do número
de medalhas de ouro, há também de salientar
uma estagnação no total de medalhas: em
Atlanta, foram 15 medalhas; em Sidney, 12.
Ou seja, o recorde de medalhas obtido em
1996 novamente não será alcançado. Observando
estes números, é difícil de compreender
o porquê do entusiasmo do Comitê Olímpico
Brasileiro. Apesar de uma maior presença
de atletas, que representa certamente certo
valor em experiência internacional, o país
não evoluiu de forma geral.
O que
prova essa estagnação é a constatação de
que, invariavelmente, as modalidades que
proporcionam medalhas aos brasileiros são
as mesmas: futebol, vôlei, atletismo, natação,
judô e vela. Mesmo assim, as Medalhas de
Ouro conquistadas em esportes individuais
são fruto de um trabalho exclusivo do atleta,
sem qualquer apoio das entidades: Cielo,
que ganhou os 50 metros rasos na natação,
mora há anos nos Estados Unidos, onde estuda
e treina; Mauren Maggi, vencedora do Salto
em Distância, foi abandonada pela mídia
por seu caso de doping (acidental, diga-se
de passagem), sendo vista desde então como
vilã nacional. Agora, ambos são exaltados
como símbolos do país e do COB.
Um
fato novo pode exemplificar ainda mais a
dúvida sobre os atos do COB. Bruno Laport,
medalha de prata no Ibero-Americano de levantamento
de peso na categoria até 105 kg, obteve
vaga em Pequim. No dia 27 de julho, Bruno
recebeu sua credencial, mas, no dia seguinte,
recebeu a notificação de que outro atleta
iria em seu lugar: Wellison Silva, sexto
lugar no último Pan-Americano, e que foi
centro de um momento tenso dos Jogos: durante
a prova de arranque, o atleta sofreu um
acidente, com o peso caindo sobre seu rosto.
No resultado final, Wellison terminou em
18º lugar.
Bruno Laport, que deveria
ir aos Jogos, recebeu a notícia que não
iria à Pequim após a realização de uma avaliação
envolvendo os dois atletas, mas que jamais
havia sido combinada: o coeficiente Sinclair,
que mede a potência de acordo com o peso
corporal do atleta. Além disso, Bruno Laport
obteve sua vaga na categoria até 105kg,
enquanto Wellison disputa a categoria até
69kg. Ou seja, uma decisão obscura e sem
nenhum embasamento técnico, esportivo e
moral.
A situação de Bruno Laport,
certamente, não é única. Sem um projeto
claro e aberto, muitos talentos nacionais
são desperdiçados e, sem nenhum interesse
da mídia nacional em cobrir tais eventos
ou acompanhar os atletas, o esporte brasileiro
seguirá como coadjuvante em uma Olimpíada.
Dependeremos, cada vez mais, de um excepcional
talento que tenha condições de financiar
seu próprio desempenho. Isso se os dirigentes
não atrapalharem, claro. Seguimos como amadores,
no esporte e principalmente, na cartolagem.
Para
entender mais sobre o caso de Bruno Laport,
Clique
Aqui
Aposta
no duvidoso 16/07
Uma novela que arrastou-se nas últimas
duas temporadas finalmente chegou ao seu
fim: Ronaldinho Gaúcho será, finalmente,
jogador do Milan. A transferência do brasileiro,
que há duas temporadas convive com problemas
das mais variadas ordens, deve ser oficializada
nas próximas horas e envolverá valores modestos:
20 milhões de euros.
Neste momento,
o pensamento sobre Ronaldinho é o mesmo
que aplicou-se no momento da contratação
de seu compatriota Ronaldo: o Milan aposta
sua fichas para toda a temporada em um jogador
envolvo em problemas, em forma física longe
do ideal, há tempos sem convencer dentro
de campo e sofrendo queda meteórica em sua
imagem, muitas vezes produto utilizado pelo
clube para faturar milhões em publicidade.
Em suma, um jogador consagrado em nítida
decadência esportiva.
Os ufanistas
de plantão estarão sempre nos lembrando
da capacidade de recuperação, do talento
tupiniquim e das demais sandices zagallianas
de sempre. Ou seja, o mesmo discurso aplicado
sobre Ronaldo, que permaneceu um ano e meio
no Milan e deixou o clube pela porta do
fundo, novamente lesionado e sem nenhum
feito digno de lembrança.
Obviamente,
o caso de Ronaldinho é diferente em termos
físicos, mas igualmente tempestuso em termos
profissionais. Seus reconhecidos exageros
noturnos são apenas um dos problemas extra-campo
que deixam qualquer torcedor enfurecido
diante da apatia do jogador dentro de campo.
Ronaldinho
tem, claro, toda a possibilidade de encontrar
um bom futebol em esta nova etapa de sua
carreira se assim quiser. Carlo Ancelotti,
técnico do Milan, já declarou que sua intenção
é escalar seu meio-campo com Pirlo, Gattuso,
Seedorf, Ronaldinho e Kaká, com apenas Pato
à frente.
Como não se trata de Winning
Eleven, é necessário esperar para analisar
qual Ronaldinho vestirá a camisa do Milan:
um jogador comprometido a reerguer sua carreira
e ajudar o clube que depositou nele sua
confiança ou o boleiro varzeano dos últimos
tempos. Será uma amarga espera aos torcedores
rossoneros...
Expectativa
em alta 10/07
A temporada 2008/09 do futebol europeu
está apenas começando a engatinhar, mas
a expectativa de torcedores e especialistas
cresce com as possibilidades que começam
a desenhar-se desde já, com o início da
pré-temporada.
Tamanha ansiosidade
tem explicação. Poucas vezes, em um mesmo
período, houveram tantos grandes clubes
em um processo de mudanças positivas em
seus bastidores e elencos, bem como os reflexos
que essas aletrações provocam no mercado
de transferências.
Internazionale,
Chelsea, Barcelona e Bayern de Munique são
os grandes expoentes deste momento de alternâncias.
Quatro fortes concorrentes aos títulos domésticos
e internacionais que, além de possuírem
elencos altamente capacitados, então com
novos técnicos e aguçam a curiosidade daqueles
que acompanham o Velho Mundo: como os novos
comandantes irão lidar com tamanho desafio
de guiar o clube aos esperados (e obrigatórios)
títulos.
Entre todos, a maior incógnita
é o Barcelona. Em um fim de mandato turbulento
do presidente Joan Laporta e com as possíves
saídas de Eto'o e Ronaldinho, outrora símbolos
do clube blaugrana, o Barça levanta sérias
dúvidas sobre seu sucesso. O ex-capitão
culé, Pep Guardiola, foi o escolhido para
comandar o processo de reformulação após
trabalhar nas categorias de base do clube.
Sem nenhuma experiência em alto nível, mas
com uma gloriosa carreira e enorme identificação
com o Barcelona, Guardiola tem a obrigação
de ser o responsável por devolver o futebol
técnico e fluído à exigente torcida catalã.
Jürgen
Klinsmann comandou a Seleção da Alemanha
na última Copa do Mundo, quando resgatou
o orgulho nacional há muito perdido e conduziu
um desacreditado grupo ao terceiro lugar.
Sua metodologia altamente motivacional e
a enorme aceitação que o trabalho lhe proporcionou
na Alemanha foi um dos fatores que levaram
Klinsmann a assumir o Bayern. Porém, a passagem
no Nationaelf é a única experiência de Klinsmann
como técnico e, durante seu trabalho à frente
da Seleção, não foram poucos os momentos
que Klinsmann encontrou grande oposição
da diretoria... do Bayern!
No entanto,
os holofotes estarão direcionados a José
Mourinho e Luiz Felipe Scolari. Os dois
clubes com os elencos mais recheados de
estrelas do continente terão a mesma missão:
conquistar todos os títulos que estarão
em jogo. Chelsea e Internazionale vivem
trajetória semelhante, uma vez que cresceram
nos últimos anos e assumiram postos de potências
nacionais, mas que fracassam em solo europeu.
Felipão
e Mourinho são mais do que capazes de desmistificar
este rótulo, mas apenas um pode ser campeão
europeu. Então, como lidar com um eventual
fracasso em um momento de promessas de títulos
e alta expectativa de torcedores e diretores?
Essa chance de não ser campeão é óbvia,
e certamente aumenta ainda mais a responsabilidade
de alcançar as metas estipuladas sob o risco
de ver interrompido um promissor trabalho
em seu primeiro ano.
As manobras
no mercado de tranferências ainda não começaram
ativamente, e construir cenários altamente
detalhados será possível apenas com o fim
do período de contratações. Com cofres cheios,
não é impossível imaginar nomes de primeira
linha sendo contratados por um dos clubes
neste processo de reformulação.
Além
disso, adversários como Juventus, Roma,
Real Madrid, Manchester United, Liverpool
e Arsenal prometem esquentar ainda mais
uma acirrada luta pelos títulos desta temporada.
Sim, a espera nos mata...
Tristes
campeões 02/07
Neste último domingo, 29 de Junho, o
Brasil comemorou os 50 anos de sua primeira
conquista de uma Copa do Mundo. Em 1958,
a Seleção Brasileira enfrentou a Suécia
na decisão, então organizadora do Mundial,
e venceu com uma sonora goleada, 5x2.
A
equipe brasileira era formada por nomes
consagrados na época, como Didi, e também
por jovens talentos, como uns garotos conhecidos
como Pelé e Garrincha. O fracasso na Copa
de 1950 deixava de perseguir de forma tão
intensa o torcedor brasileiro, que enfim
pôde celebrar pela primeira vez a conquista
de uma Copa do Mundo.
Datas marcantes
como esta costumam gerar saudosismos e justas
homenagens aos responsáveis por momento
único na história do esporte nacional. Homenagens
estas que são raras em uma cultura cujas
manifestações sobre ídolos do passado praticamente
inexistem. Obviamente, vale lembrar o papel
que o idoso representa para a sociedade
de forma geral, muitas vezes tratado com
desprezo e desrespeito.
Entre homenagens
e lembranças, treze remanescentes da equipe
campeã em 1958 compareceram a um encontro
com o Presidente Lula, onde foram festejados.
Durante o evento, a entidade máxima da política
brasileira afirmou seu desejo de criar um
fundo para ajudar financeiramente jogadores
de futebol que foram campeões de uma Copa
do Mundo.
Entre estes treze presentes,
alguns apresentam-se já no momento derradeiro
de suas vidas ou sofrem com graves problemas
de saúde. Além disso, há também a questão
financeira de jogadores que atuavam em uma
época na qual não existiam salários abundantes
como atualmente.
Passaram-se cinqüenta
anos desta conquista, e somente agora imaginar
uma ajuda financeira para um grupo seleto
de jogadores soa como populismo barato.
Além disso, o justo e correto seria desenvolver
alguma forma de aposentadoria para atletas
em geral que representaram o país em competições
oficiais, como uma Olimpíada, e vivem
uma realidade distante dos milhões que circulam
no futebol.
Por um motivo simples
como este, tendo como exemplo a clara desvalorização
de ídolos que conquistaram um ouro olímpico,
o Brasil jamais conseguirá confirmar-se
como uma potência esportiva ou mudará sua
mentalidade em relação aqueles que nos encantaram
em campos internacionais. Enquanto jovens
ganham milhões e pouco se importam com o
restante, saudosos senhores definham esperando
que a solidariedade governamental deixe
de ser uma máquina de compra de votos. Azar
do futebol.
Oportunismo
em alta 17/06
A Eurocopa ainda não chegou ao término
de sua primeira fase, mas a competição ganha
importância em solo nacional a cada ano.
O alto nível de jogos envolvendo equipes
como Holanda, França, Itália, Espanha, Portugal
e Alemanha não é mais ignorado pela mídia
nacional.
A presença de brasileiros
na competição, como Felipão, Deco, Pepe,
Kuranyi, Marcos Senna, Mehmet Aurélio e
Roger Guerreiro serviram para potencilizar
ainda mais uma questão que, exacerbada ao
extremo pelos comentaristas e narradores,
entedia os espectadores interessados em
acompanhar o torneio.
O fato dos
responsáveis pelas transmissões terem um
conhecimento mínimo das seleções e seus
jogadores é irritante, mas não vamos nos
ater a este ponto. A questão é que a competição
se trata da Eurocopa. Portugal não é o Brasil
na Euro e os jogadores não são a presença
da Seleção penta-campeã na Europa.
O
brasileiro tem como uma característica comum
acreditar que é, em qualquer área, melhor
que o estrangeiro. Quando o assunto em questão
é futebol, então, o ufanista tupiniquim
acredita que não há em lugar algum talento
que sequer aproxime-se do jogador nacional.
Para estes entusiastas da malemolência,
ver jogadores brasileiros em seleções estrangeiras
é a prova dessa superioridade.
A
ótica que deve ser observada, porém, é um
pouco diferente. Estes jogadores que atuam
por outras seleções são, invariavelmente,
atletas que fizeram sucesso em centros menores
da Europa e, desconhecidos no Brasil, optaram
por defender a nação que o acolheu por uma
total incredulidade de um dia ser convocado
para a Seleção Brasileira por uma questão
óbvia: ninguém observa de forma profissional
os atletas que estão no exterior.
Deco
é o exemplo mais claro. Não resta dúvida
que Deco seria titular da Seleção Brasileira
com facilidade, assim como Pepe disputaria
uma vaga na defesa brasileira e está anos
luz à frente de Luisão. Estes, no entanto,
são exceções. Os demais são jogadores que
encontraram uma forma de disputar grandes
competições internacionais, visto que jamais
teriam chance de atuar pelo Brasil.
Existem
também os oportunistas. Jogadores que não
possuem qualquer identificação com o país
pelo qual atuam, mas o fazem por acreditar
que assim terão um destaque que seu clube
não é capaz de proporcionar. O caso de Aílton,
atacante que fez fama na Alemanha e recebeu
uma oferta financeira para defender o Qatar
(e dizia-se ser tão bom quanto Ronaldo),
é algo que comprova o "amor à camisa".
De uma forma ou outra, é necessário
encerrar definitivamente este ode nacionalista.
Basta lembrar que, se um jogador mundialmente
reconhecido como Deco só encontrou espaço
em Portugal, algo está errado. O Brasil
deu as costas para estes jogadores no início
de suas carreiras, e a CBF está interessada
apenas em convocações que lhes tragam cifras.
Então, porque agora os tratamos como autênticos
brasileiros? O Brasil nunca fez nada em
favor estes jogadores. Eles apenas seguiram
em frente.
Apostando
no fracasso 07/05
Há certos momentos na vida em que você
sabe que deposita suas esperanças em algo
improvável, cujas possibilidades de sucesso
são tão prováveis quanto um eventual retorno
de jogadores falecidos aos gramados ou então
uma equipe amadora sagrando-se campeã da
Copa do Mundo.
Porém, mesmo diante
das minúsculas chances de obter algo positivo
de qualquer espécie ou importância, ainda
assim a escolha de alto risco é feita. E,
no futebol brasileiro, o desejo dos cartolas
de brincar de roleta-russa consegue superar
o pensamento lógico, e a aposta no certo
tropeço é feita, ignorando qualquer razão.
Nesta
semana, a certeza de que os cartolas gostam
de altas emoções tornou-se realidade no
Rio de Janeiro. No Flamengo, a saída anunciada
de Joel Santana movimentou o mercado nacional
de treinadores, com muitas especulações
sobre um eventual sucessor. Entre os nomes
inicialmente citados na impresa especializada,
profissionais como Abel Braga, Geninho,
Carpegiani e Paulo Autuori.
Abel
e Autuori são, certamente, técnicos que
deixariam a torcida confiante e com um horizonte
muito mais promissor, tanto à curto como
à longo prazo. No entanto, a diretoria rubro-negra
anunciou a escolha de Caio Júnior para o
comando técnico do Flamengo.
Caio
surgiu como um técnico promissor no Paraná
Clube, mas sua carreira nos clubes seguintes,
Palmeiras e Goiás, mostrou um treinador
de poucos recursos técnicos e mentais. Com
leituras ruins do andamento das partidas
e substituições ruins como consequência,
além de um comportamento introspectivo que
só seria aceito se ele fosse um gênio tático,
Caio fracassou no comando do Palmeiras,
clube que deu-lhe recursos suficientes para
ao menos obter uma vaga na Libertadores,
e conseguiu a enorme proeza de ser derrotado
na final do Campeonato Goiano frente ao
Itumbiara, perdendo por 3x0 em pleno Serra
Dourada.
Se a iniciativa do Flamengo
de substituir um comandante com estilo paternalista
por um pseudo-intelectual levantou sérias
dúvidas, a nova contratação do Botafogo
conseguiu ir além de todas as piores perspectivas.
Nesta terça-feira, foi anunciada a contratação
de Carlos Alberto, meia que estava emprestado
ao São Paulo, mas foi repassado ao clube
carioca devido aos problemas causados no
clube
do Morumbi.
Celeumas estas que não
foram exclusividade em São Paulo. Por todos
os clubes que passou, Carlos Alberto foi
centro de polêmicas, discussões, brigas
e problemas médicos duvidosos. Em seu habitat
natural, Carlos Alberto deverá passar férias
prolongadas até sua reapresentação ao Werder
Bremen em meados de Julho, fato este que
será meramente burocrático, já que o brasileiro
não será aproveitado em solo alemão.
Situações
como estas, nas quais os torcedores tem
a completa certeza de que o clube faz um
péssimo negócio, não são exclusividade da
dupla carioca. Neste ano, outros momentos
gloriosos surgiram, como as contratações
de Roger pelo Grêmio, Gustavo Nery pelo
Fluminense, Bóvio e Alessandro pelo Corinthians,
Fábio Santos e Carlos Alberto (de novo)
pelo São Paulo...
A lista de
grandes insucessos tende a continuar sua
expansão até o final do ano, quando muitos
perceberão o prejuízo obtido e tentarão
contornar de forma a satisfazer a torcida.
Porém, o jogador ou técnico dispensado será
certamente contratado por outro clube, satisfazendo
o desejo masoquista dos dirigentes.
A
aposta no fracasso é comum e deixou de ser
novidade. O fato que espanta é a passividade
dos torcedores, que, longe de qualquer senso
crítico, não percebem que não há nenhuma
possibilidade de final feliz. Para alguns,
final feliz é ver alguém sendo demitido.
Para outros, essa demissão é a confissão
de culpa assinada pelos dirigentes em rede
nacional.
A
hora da Premier League 01/05
Chelsea e Manchester United decidirão
a grande final da Liga dos Campeões. A primeira
decisão entre clubes ingleses na principal
competição do Velho Mundo será em Moscou,
no Luzhniki, no dia 21 de maio.
Além
disso, os dois clubes estão empatados na
liderança da Premier League, somando 81
pontos, com duas rodadas a serem disputadas.
Os Red Devils levam vantagem pelo saldo
de gols: 53 dos comandados de Sir Alex Ferguson
contra 37 dos Blues, que igualaram-se ao
rival no último final de semana, justamente
por vencer o duelo entre ambos no Stamford
Bridge por 2x1.
O Manchester United
foi o grande clube da temporada européia,
apresentando o melhor futebol e contando
com Cristiano Ronaldo em momento espetacular.
Porém, a queda de rendimento é óbvia. Mesmo
quando vence, como foi frente ao Barcelona,
o United não transmite a mesma segurança
do primeiro semestre.
O Chelsea,
por sua vez, vive momento posto. Com a crise
que rondou a demissão de José Mourinho e
o opaco futebol apresentado sob o comando
de Avram Grant, os Blues passaram a crescer
e atur de forma, que se não é brilhante,
é ao menos convincente. Superar o Liverpool,
temido por sua aura de "milagreiro
europeu", traz ainda mais confiança
a um elenco que parece contornar os problemas
internos de forma mais contudente e sem
criar casos na imprensa.
A decisão
da Liga dos Campeões depende, em grande
parte, das últimas duas rodadas da Premier
Legue. O United depende apenas de suas forças,
e enfrentará o West Ham em casa e o Wigan
fora, enquanto o Chelsea jogará contra o
Newcastle fora e o Bolton em casa. Confrontos
contra equipes sem grandes aspirações e
que apontam para vitórias confortáveis de
ambos, fechando a EPL duas semanas antes
da decisõ em Moscou.
O Manchester
United é o grande favorito pela soma de
toda sua temporada, e há uma linha tênue
entre a glória e o retumbante fracasso,
caso perca os dois títulos. Para o Chelsea,
voltar a ser campeão da Premier League dará
enorme moral para a decisão, bem como trará
um enorme peso psicológico aos Red
Devils por perder um título que estava ganho.
Em
2000, Real Madrid e Valencia fizeram uma
final espanhola em um momento de superioridade
dos clubes do país, bem como Milan e Juventus
três anos mais tarde. Porém, nunca dois
clubes estiveram juntos e mantendo o principal
campeonato da Europa, hoje o Inglês, aberto
até o último momento. Será um momento mágico
para a história do futebol do país e deixará
os torcedores em pânico: da dobradinha ao
choro compulsivo de mãos vazias em apenas
duas semanas.
Intruso
Espanhol 11/04
Entre os quatro semifinalistas da Liga
do Campeões, há apenas um não-inglês: o
Barcelona. Ao lado dos catalães, Manchester
United, Liverpool e Chelsea disputarão o
troféu mais cobiçado do Velho Mundo.
O
Barcelona é certamente o grande azarão.
Além de enfrentar o poderoso Manchester
United nas semifinais, vive sua constante
crise interna e apresenta um futebol desalentador.
Rijkaard mostra-se cada vez mais como um
técnico comum, que não sabe explorar as
opções técnicas à sua disposição, nenhuma
variação tática e uma completa falta de
pulso para contornar situações de conflitos
entre suas estrelas.
A torcida blaugrana,
por sua vez, está cada vez mais impaciente
e insatisfeita, protestando contra a egstão
do presidente Joan Laporta. O confronto
contra o Schalke demonstrou a fragilidade
do Barça, que foi dominado em grande parte
do tempo mesmo em casa, mas avançou graças
à ineficiência ofensiva dos alemães.
Outro
ponto importante é o ataque do Barça: Henry,
Eto'o e Messi formam o trio ofensivo titular,
incontestável tecnicamente, mas que prejudica
o setor de criação, sobrecarregando Iniesta.
Com Ronaldinho e Deco afastados, muito provavelmente
de forma definitiva, faltam opções. Alías,
o jogo de "confirma-desmente"
que envolve a situação dos brasileiros prejudica
ainda mais o clima.
O Barcelona,
para chegar ao título, precisará de três
partidas excepcionais para vencer seus adversários
ingleses, e sobretudo, conseguir superar
fatores extra-campo que até agora estão
sem solução. Rijkaard dificilmente será
capaz de reverter este quadro. Cabe então
à Laporta, com pretensões políticias prejudicadas
pela crise blaugrana, organizar o clube
e curar um ambiente adoecido.
Ao
contrário do Milan, o Barcelona vive a certeza
de uma pequena revolução ao final da temporada.
A questão agora é o quanto essa certeza
afeta os jogadores. A perspectiva é de um
horizonte nebuloso. Porém, a conquista da
Liga dos Campeões tem poder para alterar
a atual condição catalã. Resta aos torcedores
depositar suas esperanças no improvável.
Mudar
ou.. mudar de vez! 02/04
Após a eliminação frente ao Arsenal na
Liga dos Campeões, o Milan voltou suas atenções
para a dispyta do Campeonato Italiano. O
discurso era de que, até o final da competição,
todas as partidas seriam "finais",
uma vez que a Fiorentina ocupava a quarta
colocação e garantia a última vaga para
a próxima edição da LC, com o Milan em quinto
e com chances de recuperação.
Agora,
um mês depois, é possível verificar que
a situação rossonera apenas piorou. Na primeira
partida após a eliminação, uma vitória por
3x1 sobre o lanterna Empoli enganou aqueles
que acreditavam em uma recuperação. Depois
deste triunfo, derrota para Roma, Sampdoria
por 2x1, vitória sobre o Torino por
1x0 e novo revés por 2x1, desta vez
para a Atalanta no último domingo.
Com
a série de resultados desfavoráveis, o Milan
agora vê-se próximo de sair até mesmo da
zona de classificação para a Copa Uefa.
Ultrapassado na classificação pela Udinese,
que alcançou os 50 pontos, o Milan divide
a sexta colocação com a Sampdoria, ambos
com 49. Certamente, há algo errado
nos bastidores do clube. A derrota frente
a Atalanta foi pesada diante da atitude
dos jogadores, claramente desmotivados.
Ambrosini, sempre criticado, tem sido o
único a mostrar empenho, desejo de alterar
o patamar atual de seu clube. Diante
da equipe de Bérgamo, Ambrosini marcou um
gol e sofreu um pênalti desperdiçado por
Pirlo, além de sua enorme contribuição no
combate aos adversários.
Nesta, Pirlo,
Kaká, Jankulovski, Inzaghi e Seedorf
vivem às voltas com problemas musculares.
Este fato levanta sérias dúvidas com relação
ao trabalho do departamento médico do clube,
que também falhou com o atacante Ronaldo.
Além disso, há uma questão técnica: Pato
pode vir a ser um fenômeno, mas ainda é
apenas um garoto de 18 anos. Gilardino,
outrora esperança, está há mais de um ano
sem marcar gols em San Siro e parece mais
preocupado com sua possível transferência
para a Fiorentina.
A perspectiva
de não disputar a Liga dos Campeões é um
horizonte não muito distante do Milan. Porém,
apesar da brusca queda de faturamento, a
situação pode mostrar-se favorável. Em um
efeito semelhante ao que ocorreu no Bayern
de Munique, a diretoria verá-se obrigada
a contornar o enorme vexame em sua reputação.
A conquista do título europeu na última
temporada serviu para mascarar os defeitos
de uma base de enorme nível técnico, mas
com profundos problemas físicos. Impossível
prever qual será a atitude rubro-negra no
próximo mercado de transferências, e as
especulações de uma possível revolução servirão
apenas para inflacionar os valores dos atletas
desejados e tornar a reformulação em um
pesadelo econômico.
Qual será o fluxo
de jogadores e comissão técnica é um mistério.
O que está claro, por outro lado, é a obrigatoriedade
de uma postura agressiva e racional para
sanar seus problemas internos e técnicos.
Seguir o exemplo do Barcelona, que contratou
Henry ao invés de resolver seus enormes
problemas, é enganar o torcedor e, mais
uma temporada, viver à sombra de seus rivais.
Certo
por linhas tortas 26/03
O domingo de Páscoa assistiu aos confrontos
dos quatro primeiros colocados da Premier
League, com o Manchester United vencendo
o grande clássico inglês diante do Liverpool
por expresivos 3x0, além do derby londrino
entre Chelsea e Arsenal, vencido pelos Blues
por 2x1, de virada.
Os resultados
não fogem do esperado, uma vez que o United
confirma-se como principal postulante aos
títulos que disputa, enquanto o Chelsea
mantém-se invencível em Stamford Bridge
há mais de setenta partidas pela Premier
League. Com isso, o United isolou-se na
ponta da classificação, com 73 pontos, enquanto
Chelsea e Arsenal somam 68 e 67, respectivamente,
contra 57 da dupla Everton e Liverpool.
A
este ponto, o leitor pode questionar onde
está a novidade. Simples, uma vez que a
perspectiva inicial parece confirmar-se,
passando por um longo processo que culminou
com esta sensação de que aconteceu o esperado.
Ao começo da Premier League, o Arsenal era
visto com pessimismo após a saída de Thierry
Henry, mas surpreendeu a todos com um belo
futebol apresentado e com a liderança isolada
da competição, enquanto o Manchester engrenava
e o Chelsea sofria com problemas internos
e a repentina demissão de José Mourinho.
Com seus elencos estelares, ambos eram francos
favoritos e apontados como únicos postulantes
ao título, com o Liverpool correndo por
fora.
Quando o Arsenal disparou na
liderança, as críticas foram imensas a todos
que deixaram os Gunners fora do grupo de
favoritos, mas o encaminhamento para a reta
final da Premiership acaba por mostrar que
o palpite era correto. O Machester United
parece ter realizado um trabalho físico
inteligente, poupando forças para os momentos
decisivos da temporada, crescendo como conjunto
e com um Cristiano Ronaldo próximo de confirmar-se
como melhor jogador do ano. O Chelsea, por
sua vez, superou os transtornos com a saída
de Mourinho e encontrou o caminho das vitórias
e atuações próximas do convincente, com
um elenco de grande capacidade técnica finalmente
recuperado de uma onda de lesões.
O
Arsenal, no entanto, começa a claudicar
com lesões, desgaste físico e a falta de
profundidade de seu elenco. Se a saída de
Henry proporcionou uma divisão de responsabilidades
que beneficiaram o grupo em um primeiro
momento, a ausência de um jogador de alto
calibre como o francês começa a prejudicar
os Gunners nos momentos decisivos, quando
a presença de um fora-de-série pode resolver
encontros equilibrados. Outro fator: a juventude
beneficiou os comandados de Arsène Wenger
no duleo frente ao Milan, mas o grande esforço
necessário para superar a equipe italiana
tembém tem seu preço. Além disso, as constantes
lesões de Van Persie e Rosicky, bem como
o drama vivido por Eduardo da Silva, serviram
para minar ainda mais as possibilidades
de título do Arsenal.
Com o fim da
temporada aproximando-se do fim esperado,
o Arsenal tem motivos para lamentar, mas
também tem a possibilidade de tornar-se
tão forte quanto seus rivais com a evolução
natural de seus jogadores para a próxima
época, bem como a confirmação de Fabrègas
como um jogador de nível Mundial. Por ora,
restará assistir ao domínio do United e
de Cristiano Ronaldo.
Olho
no lance e no tribunal 20/03
Na última semana de fevereiro, o Arsenal
enfrentou o Birmingham, mas seu tropeço
passou quase despercebido. O lance que reuniu
a atenção de toda imprensa e espectadores
foi a lesão de Eduardo da Silva, atacante
dos Gunners, que sofreu dura entrada do
zagueiro Martin Taylor e passará até quinze
meses afastado dos gramado com uma fratura
dupla na perna esquerda.
Houve grande
exagero por parte da mídia em geral, com
apelos de que o zagueiro deveria ser banido
do futebol, sofrer duras punições, multas
e suspensões. Resolvida a questão pela FA,
o zagueiro Martin Taylor foi suspenso por
três partidas, considerando que a ação era
sim uma falta grave, mas não haveria forma
de afirmar que seu ato foi intencional.
Martin
Taylor não tem um histórico como jogador
violento, e ninguém jamais poderá afirmar
que um carrinho frontal é aplicado com a
intenção de lesionar o adversário com esta
gravidade. Taylor pode ser considerado grosso,
imprudente, mas o julgar como assassino
é por demais sensacionalista. Neste ponto,
a FA tem razão em ponderar a ação com calma
e aplicar uma suspensão comum.
Porém,
o futebol brasileiro tem vivido um clima
de batalha campal semanalmente. No último
final de semana, houveram inúmeros casos
de violência intencional sem que houvesse
o mesmo clamor popular por punições exemplares.
A cotovelada que o atacante Kléber, do Palmeiras,
aplicou no zagueiro André Dias, do São Paulo,
foi para deixar Leonardo com inveja. Também
no clássico, Jorge Wágner agrediu Valdívia
em um lance sem bola. O mesmo vale para
o flamenguista Toró, que chutou a cabeça
do arqueiro Castillo, do Botafogo, em clássico
carioca.
O TJD-SP, responsável por
avaliar situações deste gênero no estado
de São Paulo, é uma entidade que passa longe
do confiável. Nos casos citados e em outros
similares, como o do goleiro Marcos, a ação
é intencional e não se trata de conseqüência
de um lance comum de jogo. No entanto, o
critério é inexistente, com punições que
seguem o mesmo ideal. Além disso, as suspensões
aplicadas em casos pontuais são abrandadas
com recursos, fato que ajuda a desqualificar
as ações do Tribunal.
Seja Tribunal
ou Federação, o julgamento de infrações
dentro de campo está longe de atingir o
ponto ideal. Os limites de um lance infortuito
para uma ação deliberada são muito tênues,
e muitas vezes a imagem seduz o emocional.
Para alcançar uma medida razoável, é preciso
analisar as situações e movimentos, bem
como a posse de bola.
Não cabe à
imprensa julgar intenção, mas sim relatar
os fatos com base nos acontecimentos reais.
Neste caso, o árbitro teria de ser acompanhado
de assessores jurídicos, peritos criminais.
A leviandade de quem julga, muitas vezes,
vai além da leviandade de quem comete a
infração. Enquanto isso, o futebol é, mais
uma vez, deixado de lado.
Costumes
a serem eliminados 12/03
A imprensa e o torcedor brasileiro tem
uma dificuldade em comum. Sempre que há
um confronto entre equipes de proporções
ou patamares diferentes, a derrota do favorito
é vista como fracasso. Enquanto isso, o
adversário, responsável pela queda de seu
oponente, é esquecido e tratado como desmerecedor
de tal feito. Afinal, até hoje fala-se apenas
do problema sofrido por Ronaldo na final
da Copa de 1998, enquanto a excelente seleção
francesa é tratada com desdém, campeã por
fatores extra-campo, como corrupção e acerto
com a FIFA para ser campeã em casa.
A
Liga dos Campeões desta temporada também
apresenta sintomas desta síndrome de falta
de percepção. Milan e Real Madrid, os maiores
campeões da história do torneio, foram eliminados
nas oitavas-de-final. A mídia nacional,
obviamente, não gosta de promover a derrota
de equipes que carregam astros do futebol
brasileiro, como Kaká, Pato e Robinho, figuras
que impulsionam as audiências televisivas.
Além disso, há um grande problema de análise
unilateral, ou seja, as atenções estão voltadas
para os favoritos e nada mais.
Desta
forma, como os olhares estão voltados apenas
para o teórico lado mais forte, quando uma
destas equipes é vencida há um grande conglomerado
de críticas, lamentações e incertezas. Para
quem não acompanhou as partidas decisivas
da Liga dos Campeões, a impressão geral
é a de que Milan e Real Madrid perderam
sem justificativa, tropeçando em seus próprios
erros e enfrentando adversários inexpressivos.
Afinal, quem não se deparou com as afirmações
sobre o envelhecido elenco do Milan ou a
ineficiência do ataque do Real Madrid sem
o holandês Ruud van Nistelrooy?
Para
o Real Madrid, a derrota frente a Roma por
2x1 no jogo de ida no Estádio Olimpico forçava
a equipe espanhola buscar a vitória em sua
casa, e um triunfo simples por 1x0 era suficiente,
fato que elevou o sentimento geral que o
Madrid se classificaria. Desde a goleada
sofrida diante do Manchester United na temporada
passada, a desconfiança pairava sobre a
equipe da Roma. Porém, a chave para a vitória
italiana neste duelo foi jamais abdicar
de seu estilo de jogo ofensivo. O Real Madrid
esperava enfrentar um adversário recuado,
e escalou jogadores de força em seu meio
campo, como Julio Baptista, com o pensamento
de furar o bloqueio adversário.
No
entanto, os comandados de Luciano Spalletti
procuravam o ataque com frequência, com
Taddei, Mancini e Aquilani em noite inspirada.
Desta forma, o Real Madrid viu-se subitamente
em um jogo aberto para o qual não estava
preparado, sem a devida confiança de que
poderia atacar livremente. A Roma obteve
a classificação porque não se satisfez com
a vantagem obtida inicialmente. A vitória
por 2x1 no Santiago Bernabéu representou
a quarta eliminação seguida dos Merengues
nas oitavas-de-final, um enorme fracasso
para um clube que é considerado pelo seu
presidente como uma "máquina de jogar".
A derrocada espanhola serve para mostrar
que o Madrid foi insuficiente e também que
a Roma evoluiu e soube como sustentar uma
classificação merecida.
Para o confronto
entre Milan e Arsenal, vencido pelos Gunners
por 2x0 em pleno San Siro, as explicações
são mais simples e claras. A questão física
para o sucesso londrino foi evidente, bem
como a fluidez de seu jogo. Pirlo, Kaká
e Nesta retornavam de lesão e estavam longe
de suas capacidades físicas ideias, fato
que simplificou a marcação sobre os dois
pilares do esquema de jogo italiano. Com
Pirlo bem marcado e Kaká sendo seguido de
perto, o Milan jamais conseguiu chegar ao
ataque em boas condições ou em vantagem
numérica. O Arsenal, por sua vez, buscou
sempre superar a marcação adversária em
velocidade e usando o conhecido estilo de
passes rápidos de Arsene Wenger. Com uma
defesa frágil fisicamente constantemente
sobre pressão, era apenas uma questão de
tempo para que os ingleses chegassem ao
gol.
Arsenal e Roma mereciam maior
atenção por um grande esforço coletivo,
além de um belo trabalho técnico e tático.
Apesar do desdém, as duas equipes podem
sim chegar a um título ainda inédito para
a galeria de ambos. Favoritismo? Desta vez
não.
Contrastes. 27/02
Há poucos anos atrás, o nome de Wanderley
Luxemburgo era unanimidade quando perguntava-se
quem era o melhor técnico brasileiro em
atividade. Após os enormes sucessos obtidos
com o Palmeiras, Corinthians e Cruzeiro,
sempre em sua metodologia de montar equipes
ofensivas, com um futebol bem praticado,
Luxemburgo tornou-se referência no cenário
nacional.
Porém, a atual campanha
com o Palmeiras é decepcionante, assim como
foi sua passagem pelo Santos. Na Baixada,
apenas dois títulos Paulistas conquistados
com gastos excessivos que deixaram o clube
em delicada situação na atual temporada.
No Palestra Itália, com dinheiro em caixa,
Luxemburgo contratou jogadores de bom nível
técnico e formou um grupo que causou a sensação
de que, quando estivesse entrosado, seria
um rolo compressor.
Após onze rodadas
disputadas no atual Campeonato Paulista,
a campanha está muito abaixo do esperado
e, pior, começa a passar longe do aceitável.
Sem nenhuma amostra de esquema tático disponível,
sem grande disposição dos principais jogadores
e com uma aparente apatia de seu técnico,
que prefere culpar as arbitragens pelo tropeços
de sua equipe, o Palmeiras está longe de
classificar-se entre os quatro primeiros
do campeonato e, mesmo que consiga melhores
resulados, ainda não dependerá de suas próprias
forças.
Apesar de resultados péssimos,
como empates frente aos lanternas Rio Claro
e Rio Preto, pouco se questiona na imprensa
o trabalho de Luxemburgo no Palmeiras. A
atual situação contrasta completamente com
a do ano anterior, quando Caio Júnior era
o responsável pelo comando alviverde e,
por muitos menos e com um time muito pior,
era achincalhado por imprensa e torcida.
Certamente, se Caio Júnior estivesse no
comando desta equipe com os atuais resultados,
seu cargo estaria à perigo e as críticas
surgiriam em profusão. Agora, com Luxemburgo
há uma complacência inexplicável e, quando
aborda-se os placares do Palmeiras, o discurso
é em louvor ao técnico, que logo conseguirá
impor seu trabalho e obter o melhor rendimento
de seus jogadores.
Hoje, aqueles
que ainda mantém sua opinião, a de que Luxemburgo
é o melhor técnico do Brasil, já não são
unanimidade. Técnicos com melhores resultados
nos últimos anos, como Muricy Santana e
Mano Menezes, passaram a eclipsar o nome
do atual comandante palestrino. Se levarmos
em conta o nome de Felipão, a disputa torna-se
ainda mais desigual.
Para o atual
momento de sua carreira, um conhecimento
geral faz-se inevitável: o grande desafio
para aqueles que chegam ao topo é manter-se
neste mesmo estágio. E, óbviamente, não
é o caso de Luxemburgo.
Fim
anunciado. Ou não. 19/02
No estádio San Siro, o Milan recebia
o frágil Livorno e era derrotado por 1x0.
Repleto de desfalques e com uma equipe composta
quase que inteiramente por reservas, o rubro-negro
encontrava sérias dificuldades ofensivas
e parecia próximo de uma derrota inesperada.
A inofensividade de um ataque formado pelo
péssimo Gilardino e pelo jovem Paloschi
tirou a paciência até mesmo de Carlo Ancelotti,
famoso por seu estilo pouco emotivo, que
lembra Oswaldo de Oliveira.
Então,
aos doze minutos, entram em campo Inzaghi
e Ronaldo nas vagas dos dois atacantes citados
acima. Inzaghi passa o restante do tempo
convivendo com seu inseparável amigo impedimento,
enquanto Ronaldo permanece em campo por
apenas dois minutos. Após uma cobrança de
bola parada pela direita, que originou o
gol de empate rossonero, Ronaldo cai na
pequena área e leva as mãos ao joelho esquerdo,
com um semblante de extrema dor.
A
cena, quase idêntica à ocorrida em 2000,
resultou em um rompimento do tendão patelar,
mesma lesão sofrida pelo brasileiro no joelho
direito na ocasião, quando ainda defendia
a Internazionale. Nesta quinta-feira, o
atacante será operado em Paris por Gérard
Saillant, médico especialista que foi responsável
pelas duas cirurgias que Ronaldo sofreu.
As
previsões iniciais de retorno aos gramados
neste tipo de lesão giram em torno de nove
a doze meses. Por se tratar de um jogador
aos 31 anos de idade e com sérios problemas
musculares, a previsão é ainda mais pessimista.
Porém, apenas após a cirurgia poderá prever
quanto tempo a recuperação levará. Com tantos
problemas e dúvidas, surgem muitas informações
na imprensa de que Ronaldo estaria assim
próximo de sua aposentadoria. A possibilidade
existe, mas esta é uma questão que apenas
o jogador poderia responder, e sua discussão
na imprensa serve apenas para gerar vendas
e audiência.
Mas não existe apenas
um lado nesta historia. E o Milan? Qual
será a atitude do clube para com o jogador
é uma pergunta que o clube apressou-se em
responder, deixando claro que prestará toda
a assistência para sua recuperação. Porém,
convém notar que o contrato de Ronaldo expira
no meio do ano. Imaginar que o clube arriscaria-se
a renovar o vínculo do jogador é quase uma
emboscada, pois, além de toda a imprevisibilidade
de sua situação, Ronaldo nunca foi exemplo
de fidelidade a seus clubes. Vale lembrar
que, após dois anos de recuperação na Internazionale,
Ronaldo mostrou toda sua gratidão forçando
sua saída para o Real Madrid.
Para
o atual momento do Milan, pouco muda, e
se muda, é para melhor. Afinal, o brasileiro
entrava em campo para sua quinta partida
na temporada, a 19ª em mais de um ano de
clube. Assim, o clube deixa de contar com
um atacante que passava mais tempo convivendo
com os médico do clube do que com seus companheiros.
Para a próxima temporada, sabe-se de antemão
que será obrigatória a chegada de um novo
goleador, permitindo ao clube um melhor
planejamento de mercado.
Antes que
os "Ronaldistas" acusem-me de
sacrilégio, que fique claro: de forma alguma
questiona-se o valor histórico de Ronaldo
para o futebol brasileiro. Ele foi um real
fenômeno até sua lesão em 1999, e após sua
recuperção em 2002, viveu bons momentos
no Real Madrid, ainda que esporádicos. Vendeu-se
sempre a imagem de um vencedor, pela volta
por cima para a Copa do Japão e Coréia.
A possibilidade de Ronaldo efetuar um novo
milagre para um último brilho não pode ser
descartada. O futebol é uma caixinha de
surpresas. Ou não.
Critérios
sem critérios 23/01
O técnico Dunga foi eleito, pela IFFHS,
o melhor técnico de Seleções em 2007.
A Federação de História e Estatística
leva em consideração apenas resultados
para chegar a esta conclusão, assim
como Carlo Ancelotti foi eleito o melhor
técnico de clubes no ano passado.
A
eleição baseada apenas em números é
um tanto quanto duvidosa, já que obviamente
Dunga não se trata do melhor técnico
de Seleções nem mesmo de seu continente,
quanto mais do Mundo. Inspirado por
este critério questionável, Dunga preparou
mais uma convocação para a Seleção Brasileira,
desta vez para amistoso frente è Irlanda.
Para
começar a seqüência de erros em 2008,
Dunga preparou a convocatória ignorando
que nem todos os jogadores regulares
em suas convocações estavam disponíveis.
Assim, poucos minutos antes da entrevista
coletiva, a "comissão técnica"
deparou-se com uma extensa lista de
desfalques por lesão: Ronaldinho, Alex
Silva, Juan, Fernando e Kléber. Ao tomar
conhecimento dos jogadores atualmente
no departamento médico de seus clubes,
Dungo elaborou uma lista repleta de
incoerências.
Para iniciar, o
goleiro Doni, titular na Copa América,
foi substituído pelo colorado Renan,
que tem idade Olímpica. Porém, o ex-atleticano
Diego, em grande fase no Almería, foi preterido.
O arqueiro do Internacional, no entanto,
será reserva de Julio César, da Inter de
Milão.
No setor defensivo, Maicon,
Lúcio, Luisão, Alex e Marcelo são
presenças constantes. Rafinha, do Schalke
04, e Breno, novidade do Bayern de Munique,
são os estreantes da defesa. Breno,
pelo momento vivido no São Paulo, é
uma convocação totalmente justificável.
Rafinha é, sem dúvida, o melhor lateral
brasileiro na atualidade. Porém, o Campeonato
Alemão está em pausa desde meados de
Dezembro e retornará apenas neste final
de semana. Ou seja, Rafinha estará ainda
retomando o ritmo de jogo.
No
meio campo, de todos os convocados,
apenas Kaká pode ser considerado um
titular de fato. Hernanes, Richarlyson
e Thiago Neves são estreantes. Hernanes
e Thiago Neves são alvos da Seleção
Olímpica, Richarlyson é uma escolha
altamente duvidosa que deve ser utilizado
como reserva na ala esquerda, que teve
apenas Marcelo convocado. Gilberto Silva
e Anderson são reservas em seus clubes,
enquanto Josué complementa o setor.
No
ataque, Robinho, Luís Fabiano e Júlio
Baptista são convocados com regularidade,
enquanto Rafael Sóbis retorna após uma
série de ausências. A grande surpresa
é a presença de Alexandre Pato após
apenas duas partidas no Milan.
Além
de Doni, outros homens até então da
confiança do técnico ficaram de fora,
como Elano, Vagner Love e Afonso Alves.
De fato, dos deixados de fora apenas
Elano tem chances de permanecer e é
melhor que outros hoje chamados pelo
ex-capitão da Seleção.
Como pode-se
ver, os critérios e escolhas de Dunga
são altamente confusas e questionáveis.
Porém, está totalmente compatível com
outra escolha razoavelmente contraditória:
a sua como técnico.
Centro
de Recuperação 16/01
No final de dezembro, após conquistar
seu segundo título brasileiro consecutivo
e o quinto de sua história, a diretoria
do São Paulo decidiu que era chegada
a hora de agitar o ambiente. O grupo
tricolor jamais teve grandes problemas
disciplinares, e até mesmo Diego Tardelli
foi insuficiente para causar grandes
problemas.
No entanto, a diretoria
resolveu dar maiores desafios ao técnico
Muricy Ramalho ao acertar o empréstimo
de Adriano, atacante da Internazionale,
que passou as últimas duas temporadas
envolvidos em problemas psicológicos,
festas, alcoolismo e outros mais.
Assim
que chegou, Adriano declarou que seu
desejo era, no São Paulo, voltar a sorrir.
Nos jornais, na parada para os festejos
de fim de ano, todos viram Adriano sorrindo
largamente nas festas cariocas com
mulheres e bebidas. Apesar de todos
os problemas, Adriano apresenta-se para
treinar sem confusões e passa a ser
esperança de gols pra o São Paulo na
Libertadores.
Com isso, o desejo
tricolor de animar seus bastidores acabou
por ficar morna. Assim, surgiu o interesse
pelo ex-corinthiano Carlos Alberto.
Sim, o meia carioca, famoso por ser
adepto do "chinelismo", reforçará
o São Paulo no primeiro semestre de
2008. Carlos Alberto chegou
ao Werder Bremen em agosto de 2007 como
a mais cara contratação da história
do clube, e os elementos da diretoria
alemã, ao serem abordados por especialistas
brasileiros sobre a reputação do meia,
declararam que as informações recebidas
foram as melhoes possíveis.
Não
demorou muito, e logo Carlos Alberto
estava afastado do grupo, alegando sofrer
de distúrbios do sono. Ao retornar aos
treinamentos, envolveu-se em briga com
Sanogo, artilheiro do time. Então, ao
ser encostado no Werder, a diretoria
tricolor logo vislumbrou a chance de
animar ainda mais seu ambiente.
Agora,
as noites paulistas e cariocas aguardam
ansiosamente pela dupla. A imprensa
popularista então, nem se fala...
Campeão
do Mundo 19/12
No último domingo, o Milan sagrou-se
campeão Mundial da FIFA, superando o
Boca Juniors por 4 a 2 na decisão do
torneio. Além disso, tornou-se o primeiro
clube a ser quatro vezes campeão do
Mundo e conquistou seu 18º título internacional,
ultrapassando o próprio Boca, que soma
17 troféus.
Apesar de todas as
críticas direcionadas ao elenco rubro-negro
e sua direção, a postura adotada pelo
clube em relação a competição foram
impecáveis. Desde a conquista da Liga
dos Campeões, não foram poucas as declarações
que deixavam claro o desejo de priorizar
a competição disputada em solo oriental,
contrariando o pensamento popular de
que os clubes europeus não dão o devido
valor ao torneio. Essa postura fez-se
clara com a prévia chegada do elenco
ao Japão, com o intuito de adaptar-se
ao fuso horário, que interfere em termos
fisiológicos, como alimentação, sono
e descanso muscular. Pensando também
em descanso, o Milan acertou novamente
ao utilizar o decepcionante Gilardino
na semifinal, frente ao Urawa Reds,
poupando o talismã Inzaghi para a decisão.
Em
campo, na grande final, o técnico Carlo
Ancelotti soube enxergar os espaços
vazios proporcionados pelo Boca e usou
seus dois maiores talentos ofensivos,
Kaká e Seedorf, às costas dos laterais
argentinos, ao contário do que geralmente
ocorre, com o brasileiro próximo à área
adversário e o holandês com liberdade
para atuar pelo centro.
A
variação tática foi uma novidade, já
que, invariavelmente, o Milan peca pela
falta de modificação e movimentação.
Ainda em termos táticos, o meio-campo
rossonero provou novamente ser um dos
melhores do mundo. Pirlo e Ambrosini
são igualmente discretos, apesar da
enorme diferença técnica entre ambos,
mas a segurança que ambos proporcionam
aliada à garra e liderança de Gatusso,
além da volatilidade de Seedorf e da
incontestável condição de destaque Mundial
de Kaká, tornam o setor completo.
Se
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