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Uma lenda interrompida 12/01
Na lista de futebolistas falecidos em
2007, lendas como Allan Ball, Derek Dougan
e Nils Liedholm contrastam com uma figura
que sequer teve tempo de virar lenda: o
espanhol Antonio Puerta. Sua morte por ataque
cardíaco, praticamente em campo, não foi
a primeira nem será a última do futebol,
isso é uma infeliz certeza. Mas acabou sendo
uma das mais marcantes entre tantas da história
- talvez a mais marcante ao lado da morte
do camaronês Marc Vivian Foe na Copa das
Confederações de 2003. Natural de um país
que não costuma formar grandes futebolistas,
Puerta era uma jovem promessa que podia
nem chegar a ser um grande jogador no futuro.
Mas tornou-se lenda a partir do momento
que morreu em campo e virou um nome forte
na bandeira que pede um calendário mais
leve, que não exija tanto dos atletas profissionais.
A
cara do Sevilla e de Sevilha Antonio
José Puerta Pérez nasceu, cresceu e morreu
em Sevilha. Aos 8 anos de idade, chegou
ao "grande" clube da cidade, o
Sevilla - grande, pelo menos, se comparado
ao rival Betis. Ao lado do colega Sérgio
Ramos, Puerta se firmou como um jovem talento
do clube. Ambos tiveram de se firmar primeiro
no time B do Sevilla para então avançar
ao time principal, seguindo os passos de
estrelas como José Reyes e Jorge Luque.
Puerta atuou na equipe "menor"
de 2002 e 2004, ano em que passou para o
Sevilla "maior". E, ao chegar
no time principal, correspondeu às expectativas
que foram criadas por suas passagens no
juvenil e no time B. Em 2006, o lateral
fez seu primeiro e único jogo pela Seleção
Espanhola principal (já havia jogado pela
Sub21), contra a Suécia, pelas Eliminatórias
do Euro 2008.
Há quem diga que em
sua carreira profissional, Puerta já apresentava
indícios de problemas cardíacos. Mas nunca
foi chamado atenção para nada no jogador.
De
certa forma, o Sevilla estava lapidando
um diamante que podia não ser nenhum Franco
Baresi ou Paolo Maldini, mas era um defensor
talentoso, a ponto de chamar a atenção de
Arsenal, Manchester United e Real Madrid.
Muitos apostam que Puerta certamente seguiria
os passos de Sérgio Ramos, transferindo-se
para algum clube mais rico.
"O
gol" e "o pênalti" de Puerta Em
sua carreira profissional, é natural que
Puerta tenha marcado poucos gols, uma vez
que era um defensor. Foram apenas nove,
quatro pelo Sevilla B e cinco pelo Sevilla.
Um desses teve uma importância vital: o
gol da vitória contra o Schalke 04 na semi
final da Copa da UEFA 2005/06, que pôs o
time na final, onde seria campeão. É considerado
um dos gols mais importantes da história
do clube. Um ano depois, Puerta marcou na
decisão de pênaltis o gol que deu o bicampeonato
da Copa da UEFA ao Sevilla contra o "rival"
Espanyol. São os dois títulos mais importantes
da história do Sevilla, seguramente. E Puerta
colocou com primor seu nome na placa de
ambos.
A tragédia Aconteceu
em 25 de agosto deste último ano. Puerta
sofreu um infarto de pé na marca do pênalti
de sua área, no Estadio Ramón Sánchez Pizjuán,
em partida contra o Getafe. Eram apenas
35 minutos de jogo e Ivica Dragutinovi e
Andrés Palop correram para socorrer o amigo.
Foi uma cruel seqüência de oito infartos
que deixaram Puerta inconsciente e o mandaram
para o hospital Virgen del Rocio, em Sevilha,
onde entrou na UTI para não mais sair.
Faleceu
três dias depois, deixando "viúva"
sua namorada, grávida de sete meses.
O
número 16 Na final da Supercopa da
Europa 2007 entre Milan e Sevilla, os jogadores
de ambas as equipes traziam o nome PUERTA
grafado abaixo do número em suas camisas.
Por sinal, a camisa que Puerta vestia quando
morria foi sumariamente aposentada pelo
Sevilla, em homenagem póstuma ao jogador
- homenagem esta que serve apenas para seus
familiares e fãs, claro. E para um outro
Antonio: Airton Antonio Puerta, filho do
jogador, que nasceria no dia 22 de outubro.
O Sevilla afirma que, caso o pequeno Airton
torne-se um jogador de futebol do clube
no futuro, o número estampará a sua camisa.
Sangue de jogador o menino já tem. O futuro
aguarda pelo próximo Puerta. Quem sabe alguém
que, como o saudoso pai, venha a entrar
para a história do clube - e de forma apenas
positiva, é o que todos nós, fãs de futebol,
queremos.
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