LENDA - POR THIAGO LEAL

O Excelentíssimo Senhor Presidente
15/03

Um jovem alto e forte defendia o Trevigliese, pequeno clube da cidade de Treviglio, na Lombardia, região cuja capital é a cidade de Milão. Não demorou para que Giacinto Facchetti fosse descoberto pela principal cidade da região. Helenio Herrera, treinador que levou a Internazionale à sua época áurea, percebeu o jovem talento de 18 anos que despontava no minúsculo Trevigliese. Depois de quatro anos nas categorias de base do clube de sua cidade natal, Facchetti foi levado para a Internazionale por Herrera.

Certamente, Herrara sabia que um defensor com as qualidades de Facchetti seriam úteis aos seus planos de levar a Internazionale ao topo do mundo. Mas dificilmente o treinador e seu olho científico imaginavam que Facchetti viria a se tornar o maior ídolo da história de um dos clubes mais importantes do mundo. Ao longo de sua carreira negrazul, Facchetti consolidou-se como um líder dentro e fora de campo. Quando chegou ao time em 1960, Facchetti o viveu intensamente até 4 de setembro de 2006, data de sua morte.

Abrindo uma década de ouro
Uma coisa que certamente sempre incomodou os torcedores do lado azul do San Siro era a ausência de um grande ídolo. Giuseppe Meazza, líder da Seleção Italiana Bicampeã Mundial em 1934-38, era tido como o maior jogador a vestir a camisa nerazzurra. Mas o que incomodava é que Meazza, que estreou profissionalmente pela Internazionale em 1927 e se aposentou pelo próprio clube em 1947, é que ele já havia vestido duas camisas "equivocadas" no tempo que passou longe da Inter: Juventus entre 1942-43 e aquele clube vermelho-preto de 1940 a 1942. Dessa forma, os vermelho-pretos não o respeitavam por ser ídolo da Inter. Mas havia na Inter quem torcesse o nariz para sua hombridade por já ter vestido a camisa do rival.

A década de 1960 entrava e a Internazionale não tinha essa identidade. Aquele time vermelho-preto tinha o tal zagueiro Cesare Maldini, tinha Nils Liedholm, Mario Trebbi, estava revelando o Trappatoni...

Mas foi em 1960 que a Inter dava a guinada para sua glória. Facchetti chegava ao clube para conhecer um atacante que estava sendo promovido do juvenil: Sandro Mazzola. Juntos, fundaram o que seria conhecido por "Grande Inter". Logo se juntariam a ele Jair da Costa, Gianfranco Bedin e Tarcisio Burgnich. De todos, Facchetti se destacava.

Os três jogos de sua primeira temporada (1960/1961), entre 18 e 19 anos, viraram 15 na temporada seguinte. E em 1963, aos 20 anos de idade, já estava disputando temporadas completas e ganhando seu espaço em outro lugar onde faria história: a Seleção Italiana.

Facchetti e a Grande Inter
Foi em 1963 que Facchetti mostrou definitivamente a que veio. Além de sua estréia na Selação, liderou a Internazionale à conquista do Campeonato Italiano, o que não acontecia desde 1954. Com o Campeonato Italiano, a Internazionale se classificou pela primeira vez à Copa dos Campeões da Europa. Na competição, Facchetti era responsável também por puxar os contra-ataques que impulsionavam Jair, Mazzola e Aurelio Milani ao gol. Essa foi a principal característica de Facchetti - sua capacidade de subir em velocidade ao ataque, sendo lembrado, junto com o brasileiro Nilton Santos, como um dos laterais pioneiros a fazer esse tipo de jogada. Mas o camisa 3 da Internazionale não era um Cafu que apenas corria pra frente. Sua altura e força o permitiam assumir também a guarda defensiva do time, e nas descidas de ataque adversárias, Facchetti se portava como zagueiro central ao lado de Carlo Tagnin e Aristide Guarneri.

Logo, Facchetti era o diferencial da Internazionale - afinal de contas, jogadores como Jair e Mazzola qualquer adversário tinha. Ainda mais o Real Madrid de Ferenc Puskás e Alfredo Di Stéfano, adversário da Inter na final da Copa dos Campeões de 1964, conquistada pelos nerazzurri após vencer por 3x1. Em seguida, vitória sobre o Independiente e título da Copa Intercontinental/Mundial Interclubes.

Na temporada seguinte, Facchetti e a Internazionale estavam prontos para repetir a dose. Título da Copa dos Campeões sobre o Benfica e mais uma Copa Intercontinental/Mundial Interclubes, novamente em cima do Independiente.

O Campeonato Italiano também se repetiu em 1965. Em 1966 veio o bicampeonato e o décimo título do clube, que em 1969 recebeu a condecoração da Estrela de Ouro. Em 1971 veio mais um Italiano, o último antes de Facchetti se aposentar da Internazionale, pelo menos nos campos, em 1978 - ano em que conquistou sua única Copa da Itália, seu último título com a camisa nerazzurra. Foram 476 jogos e 59 gols pelo clube.

Facchetti e a Squadra Azzurra
Não foi só com a camisa da Inter de Milão que Facchetti fez história. Quando vestiu a camisa da Seleção Italiana, de 1963 a 1977, num total de 94 jogos, Facchetti representou o que a Itália tem, historicamente, de melhor: a defesa. Disputou três Copas do Mundo, em 1966, quando a Azzurra foi vergonhosamente eliminada pela Coréia do Norte; 1970, onde protagonizou um confronto contra a Alemanha na semifinal que foi, para muitos, o melhor jogo da história das Copas e acabou como vice-campeão porque no meio do caminho havia alguns sujeitos chamados Pelé, Rivellino, Tostão e Gérson; e 1974.

Foi também o capitão da Seleção Italiana Campeã Européia em 1968, na própria Itália, vencendo a Iugoslávia na final por 2x0.

Facchetti para Presidente
Aos 62 anos de idade, Facchetti foi eleito presidente da Internazionale de Milão, assumindo o cargo em janeiro de 2004. Faleceu em setembro de 2006, sem ver, desde 1989, sua Inter vencer de novo um Campeonato Italiano no campo - o título de 2006 veio, mas na Justiça, como todos sabemos, após o escândalo de manipulação de jogos envolvendo Juventus e outras equipes.

Após sua morte, sua camisa, a de número 3, foi aposentada pelo clube.

 
  FACCHETTI - CARREIRA, TÍTULOS E ETC.

Dados Pessoais





Nome: 
Nascimento:
Local:
Falecimento:
Local:

Giacinto Facchetti
18/07/1942
Treviglio, Itália
04/09/2006
Milão, Itália

Carreira e Clubes (Jogos e Gols)

1960/78

Internazionale - 476 J, 59 G

Seleção

1963/77

Itália - 94 J, 3 G