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Rei, Rei, Rei! 29/03
UAno de 1972. O time titular do Clube
Atlético Mineiro, primeiro Campeão Brasileiro
da história, entrava em campo para um jogo-treino
contra o time reserva. Bem que o destaque
poderia ter sido os consagrados Dadá Maravilha,
Humberto Ramos ou Grapete. Mas quem chamou
atenção naquele exercício recreativo foi
um garoto de 15 anos recém-completados.
Seu nome? José. José Reinaldo de Lima. Mais
ou menos um ano depois, já com 16 anos,
Reinaldo estreou como profissional em partida
contra o Valeriodoce Esporte Clube. Naquele
mesmo ano, Dadá Maravilha deixou o Galo
pela primeira vez. Se em 1972 veio a primeira
experiência com os ídolos e em 1973 a estréia
como profissional, em 1974 vieram as contusões.
Reinaldo era mesmo um craque precoce. Neste
ano, teve sua primeira grave torção de joelho
e, de quebra, teve que extrair os meniscos
depois de uma entrada sofrida em treino
do próprio clube. Dadá reapareceu pelo Galo
também em 74, mas tornou a deixar o clube.
O caminho estava aberto para que Reinaldo
fosse o novo ídolo do clube.
Essa
homenagem à Reinaldo é um presente aos fãs
do Atlético Mineiro pelos seus 100 anos
de fundação. Anos que foram gloriosos, em
boa parte, por causa deste centroavante
único que defendeu o clube por 14 anos consecutivos.
Natural
de Ponte Nova, Reinaldo conquistou seu primeiro
título com o Atlético em 1976, o Campeonato
Mineiro, de forma invicta. Em 1977 perdeu
o Mineiro para o Cruzeiro, mas conquistou
o Brasil com um Campeonato Brasileiro esplêndido.
Marcou 28 gols em 18 jogos disputados e
foi o artilheiro disparado do Campeonato,
com uma média até hoje imbatível de 1,55
gols por jogo. E isso com um joelho sempre
dolorido que nunca o permitiu ter uma carreira
das mais constantes. Foi também no Campeonato
de sua consagração que Reinaldo viveu, talvez,
sua maior frustração. Expulso durante um
jogo da primeira fase, o jogador não foi
julgado pelo TJD durante todo o torneio.
Justamente às vésperas da decisão contra
o Tricolor Paulista os cartolas resulveram
julgar o centroavante, que foi suspenso
da finalíssima.
Reinaldo foi escalado
para decisão, numa atitude ousada do técnico
Barbatana. De nada adiantou. Um militar
apareceu no vestiário informando que o Rei
da torcida atleticana não jogaria aquela
partida de forma alguma. Sem Reinaldo em
campo, o Atlético empatou em 0x0. Perdeu
o Campeonato nos pênaltis. "Se eu tivesse
jogado, o Atlético teria sido campeão",
afirmou Reinaldo de forma categórica. Tinha
razão. Seu raciocínio era: marcando gols
em todos (TODOS, literalmente) os jogos
do Campeonato, marcaria na final. Era o
suficiente para o título. O Atlético fez
49 pontos e marcou 55 gols. O São Paulo,
com 39 pontos e 40 tentos foi o Campeão.
O Galo de Reinaldo, por estar sem Reinaldo,
foi o primeiro vice-campeão invicto da história
do Campeonato Brasileiro.
A decisão
do Brasileirão de 77, que havia começado
em outubro, foi jogada já em 1978 - ano
em que Reinaldo e o Atlético deram início
a uma impressionante seqüência de títulos
consecutivos. O de 78 foi o primeiro do
hexacampeonato em cima do grande rival Cruzeiro.
Em ano de Copa, Reinaldo foi à Argentina
com a Seleção Brasileira. Titular na estréia
contra a Suécia, marcou o gol de empate
da Seleção, na partida que se encerrou em
1x1. Não voltou a marcar no torneio. Foi
titular apenas até a partida seguinte, o
0x0 contra a Espanha. Ficou no banco nas
partidas seguintes, entrando apenas na decisão
do terceiro lugar, durante o intervalo.
Não
disputou outra Copa do Mundo. Há quem acredite
que sua passagem pela Seleção, de 1975 a
1985, com 35 jogos, foi tortuosa porque,
em plena ditadura militar, o jogador tinha
opiniões políticas polêmicas que divergiam
do regime. Teria sido isso que levou os
militares a impedir a escalação - ilegal
- de Reinaldo na final de 77? Não. Naquela
ocasião o jogador, de fato, não poderia
jogar. Seria um desrespeito colocá-lo em
campo e certamente on jogo não seria iniciado.
E, verdade, Reinaldo também nunca brilhou
tanto na Seleção quanto no Atlético.
Mas
para a torcida atleticana isso pouco importava.
Quando Reinaldo marcava um gol e corria
com o punho erguido e fechado, imitando
os Panteras Negras dos Estados Unidos, o
que interessava era gritar "Rei, rei,
rei, Reinaldo nosso rei!". E assim
ficou.
Venceu o Mineiro de 1979 também.
No Brasileirão, não foi além do 10º lugar.
Mas 1980 estava por vir. No ano do tricampeonato
de Minas, Reinaldo levou o Atlético a mais
uma final, contra o Flamengo. Reinaldo marcou
o gol da vitória no jogo de ida, no Mineirão.
Atlético 1x0. Na volta, mesmo machucado,
entrou em campo. Numa final inesquecível,
o Flamengo abriu vantagem duas vezes, mas
Reinaldo estava em campo para empatar o
jogo em ambas as ocasiões. Mesmo mancando,
o Rei corria. Até que foi - injustamente
- expulso. E o Flamengo marcou o gol da
vitória. Conquistou seu primeiro título
brasileiro. O Atlético caiu de pé novamente.
Seu
ciclo no Atlético o permitiu jogar no clube
até 1985 - vencendo mais quatro Campeonatos
Mineiros. 1981, 82 e 83, fechando o hexacampeonato;
e 1985, o derradeiro. Há quem diga que Reinaldo
jogou em outros clubes depois - falam do
Palmeiras, do Rio Negro, do Häcken da Suécia
e o Telstar da Holanda, além de uma passagem
por aquele rival que os atleticanos preferem
não lembrar.
Talvez Reinaldo, que
parou aos 31 anos de idade, tivesse tido
mais tempo de carreira pela frente. Mas
as contusões não permitiram.
Fora
dos campos teve problemas com drogas, dos
quais já está recuperado. Passou também
pela política, com mandado de deputado estadual
e vereador pelo PT. Hoje é comentarista
da TV Alterosa
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