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Simplesmente "O
Melhor" 16/10
O título é pra lá de óbvio...
no entanto, imprescindível. Quando penso
em alguém que poderia inaugurar essa seção
no Fanático Esporte Clube, não me vem outro
nome à cabeça que não George Best.
Antes
que alguém pense, e inevitavelmente muitos
já pensaram, "ele é 'melhor' até no
nome", o sobrenome Best não vem da
palavra inglesa "best", mas sim
do rio alemão "Beste". Mas a coincidência
não poderia ter sido mais feliz, afinal
de contas, estamos falando daquele que,
ao lado de Pelé, Maradona, Johan Cruyff
e Franz Beckenbauer é, indubitavelmente,
um dos cinco maiores jogadores de todos
os tempos - e percebam que usei o termo
"maior", referente à sua grandeza
e importância, além de legado, e não "melhor",
pois isso é bem relativo.
Pequeno
e fraco George Best foi descoberto
pelo olheiro Bob Bishop, do Manchester United
Football Club, aos 15 anos. Ele jogava pelo
pequeno Cregagh Boys' Club, da cidade de
Belfast, capital da Irlanda do Norte, e
fora rejeitado pelo Glentoran, grande clube
local, por ser muito "pequeno e fraco".
Bishop telefonou para Matt Busby impressionado
e relatou: "Descobri um novo gênio".
Joe Armstrong, chefe de delegação do Manchester
United, autorizou a contratação.
O
quinto Beatle Dono de uma cabeleira
de fazer inveja aos membros do Oasis (um
corte chamado "moptop", famoso
por ter sido utilizado pelos músicos do
quarteto The Beatles), Best estreou pelo
Manchester United aos 17 anos de idade,
no dia 14 de setembro de 1963, contra o
West Bromwich Albion, em Old Trafford. Duas
semanas depois, marcou seu primeiro gol
contra o Burnley. Terminou a temporada 1963-64
com seis gols e vice-campeão inglês - o
Liverpool ficou com o título.
Aos
18, em sua segunda temporada (1964-65),
Best ajudou o Manchester United a conquistar
o Campeonato. Era só o nascimento da lenda
que ganharia força pelas quartas-de-final
contra o Benfica, na então Copa dos Campeões.
Autor de dois gols no confronto de diabos
vermelhos, Best foi apelidado "o quinto
Beatle" pela imprensa. O quarteto lançava
Revolver e chegava ao auge da sua carreira
musical. Isso dá idéia do que é ser chamado
assim - um dos motivos do apelido, além
de sua aparência e de seu estilo de vida
extravagante, era o sobrenome do rapaz,
uma vez que Pete Best havia sido o nome
de um dos ex-componentes da famosa banda.
Mas Best, o jogador de futebol, aos 20 anos,
estava presenciando o início de sua carreira,
de seu sucesso e, ao mesmo tempo, o fim
de sua vida pacífica.
É difícil definir
o que deu a Best esse sucesso instantâneo.
Além de sua velocidade e habilidade no drible
- ver Best jogar parece assistir à bola
grudar em seu pé -, o tal "quinto Beatle"
tinha um estilo aguerrido inconfundível.
Seus ombros, levemente arqueados quando
brigava por uma bola ou aplicava uma seqüência
de dribles, mostravam a força e dedicação
que o rapaz aplicava em cada lance. Best
parecia acreditar em cada bola que disputava.
Os jovens que não o viram jogar podem ter
uma leve idéia do que era George Best olhando
para Ronaldo Fenômeno nos tempos de Barcelona
e Internazionale. Quando dominava uma bola,
Best parecia ser impossível de parar.
Uma
temporada depois, em 1968, Best marcou o
primeiro gol na prorrogação da final da
Copa dos Campeões contra o Benfica - cujo
tempo regulamentar terminou empatado em
1x1 e o tempo extra deu a vitória ao United
por 4x1. George Best já era, aos 22 anos,
a estrela de um time que tinha simplesmente
Bobby Charlton e Brian Kidd. O massacre
foi imposto sobre o Benfica do lendário
Eusébio. A temporada, naturalmente lhe valeu
a Bola de Ouro de Melhor Jogador da Europa
pela revista France Football.
Em
1971, protagonizou seu momento mais famoso
pela fraca Seleção da Irlanda do Norte:
num jogo em Belfast contra a Seleção Inglesa,
Best marcou o famoso goleiro Gordon Banks
na saída de bola. Quando o arqueiro soltou
a pelota para lançá-la para fernte, com
um toque Best o encobriu e marcou um belíssimo
gol, invalidado pelo árbitro da partida
por "conduta antidesportiva".
Mas que belo desgraçado!
A queda
do diabo Best começou a abusar de
sua vida pública. Ao mesmo tempo que abria
casas noturnas em Manchester - o jogador
teve duas, Oscar's e Slack Alice's - começava
a ter problemas com alcoolismo, jogo apostado
e mulheres. Ao mesmo tempo que vivenciava
esses problemas, Best passou a ter sua vida
infernizada pela imprensa marrom britânica.
O jogador resistiu até seus tenros 27 anos,
quando abandonou o Manchester United. Sua
última partida fora em 1º de janeiro de
1974 contra o Queens Park Rangers. Foram
466 jogos e 178 gols com a gloriosa camisa
vermelha. Foi o artilheiro do clube por
seis temporadas. O ciclo chegava ao fim.
Ao
deixar o Manchester, Best teve passagens
apagadas pelo Jewish Guild, da África do
Sul, Dunstable Town e Stockport County,
da Inglaterra, Cork Celtic, da Irlanda e
Los Angeles Aztecs, dos Estados Unidos.
Mas não havia mais concentração no esporte
para que Best brilhasse e seus problemas
pessoais pareciam ter acabado com sua carreira
definitivamente.
Um quase revival Uma
breve passagem pelo Fulham, que durou apenas
uma temporada, talvez tenha sido o grande
momento de Best, já com 30 anos, no futebol.
Sua vida pessoal estava arruinada, mas a
habilidade característica de Best permanecia
intacta. Apesar de não ter ganho títulos
pelo Fulham, Best declarou que foi realmente
feliz em Craven Cottage.
Mas Best
definitivamente não agüentava mais viver
na Terra da Rainha. Mudou-se para onde Pelé,
Cruyff, Beckenbauer e todos os craques de
seu tempo estavam migrando: os Estados Unidos
da América e seu futebol emergente. Defendeu
novamente o Los Angeles Aztecs e ainda passou
por Fort Lauderdale Strikers, San José Earthquakes
e Golden Bay. Nesse período, chegou a ser
considerado pelo treinador Billy Bingham
para disputar a Copa do Mundo pela Irlanda
do Norte, mas já não podia fazer mais diferença.
O
fim de uma Lenda O jogador encerrou
sua carreira jogando uma única partida pelo
Tobermore United da Irlanda do Norte. Era
1984 - e já faziam dez anos desde sua saída
do Manchester United. Fatalmente, Best já
era o maior jogador britânico de todos os
tempos. Deu continuidade à sua carreira
como comentarista de futebol e bem que tentou
servir ao esporte como treinador - em 2004
assumiu o time juvenil do Portsmouth. Mas
suas extravagâncias contínuas com o álcool
o levaram a um caminho sem volta. Best morreu
um ano depois por complicações renais, deixando
à vida uma lição dúbia: ao mesmo tempo que
pediu que sua morte fosse registrada para
que jovens jogadores não cometessem o mesmo
erro, manteve sua irreverência ao afirmar
"Do dinheiro que ganhei em minha vida,
gastei muito com mulheres, apostas e bebidas.
O resto eu desperdicei".
Dentre
as muitas homenagens que George Best recebeu,
a maior sem dúvida foi a nova denominação
para o Aeroporto Internacional de Belfast,
agora chamado George Best Belfast International
Airport. Sem dúvida, uma justa homenagem
ao mais nobre filho da velha Irlanda.
Best
Miscelânea -> O jogador tem um filme
sobre sua vida, chamado Best, estrelado
por John Lynch (O Jardim Secreto). A produção
é de 1999. -> George Best tem quatro
auto-biografias, todas inéditas no Brasil:
Bestie, The Good, The Bad and The Bubbly,
Blessed: The Autobiography e Scoring at
Half Time. -> Best está estampado nas
notas de 5 Libras Norte-Irlandesas. ->
"George Best" intitula e aparece
na capa do álbum de estréia da banda inglesa
The Wedding Present
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