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Quando tudo está perdido,
sempre existe um caminho 11/12
Com a licença de Renato Russo e do Globo
Esporte, cito a trilha da reportagem do
dia seguinte a uma das maiores viradas da
história do futebol. A Copa Mercosul de
2000 pôs o odiado (a figura de Eurico dispensa
qualquer necessidade de explicação a essa
fama) e tumultuado Vasco da Gama diante
do time "bom, bonito e barato"
do Palmeiras. O time carioca chegara aquela
altura credenciado por uma eficiente campanha
no Brasileirão, onde ainda lutava pelo caneco
e também pela surra imposta sobre o grande
River Plate, em pleno Monumental de Núñez
nas semifinais (4-1).
O Vasco, recheado
de craques, enfrentaria o eficiente e sem
estrelas time do Palmeiras, com um ótimo
jogador (Arce) e um punhado de jogadores
medianos, porém esforçados e entrosados,
numa melhor de dois ou três jogos. No primeiro
jogo, no Rio, o Vasco dominou o adversário
e se fez valer do fator campo: 2-0, com
direito à um justo cartão vermelho ao já
citado paraguaio do Palmeiras após entrada
criminosa em Euller. Veio o segundo jogo,
no Palestra Itália. E o Palmeiras começou
a virada.
Jogando com muita determinação,
e se aproveitando da apatia do Gigante da
Colina, o Palmeiras fez 2-0 e igualou a
disputa, levando a definição para o terceiro
jogo, também no Parque Antarctica. E com
o adversário sofrendo um duro golpe, quatro
dias depois, com a demissão sumária de Oswaldo
de Oliveira do comando cruzmaltino. O tapa-buracos
Joel Santana foi chamado para finalizar
o ano turbulento do time de São Januário,
que já colecionava derrotas no Mundial,
Torneio Rio-São Paulo e Carioca.
Volto
a essas derrotas para mensurar o tamanho
da virada que o time de Romário e cia. obteve
naquela noite de 20 de dezembro. Mas como
diria o outro, comecemos do começo. O clima
de festa era enorme no estádio palmeirense.
Um dos símbolos daquela aguerrida equipe,
o então palmeirense Magrão, comemorava seus
22 anos e era alvo de destaque por parte
da imprensa com vista de comemorar seu aniversário
com o troféu.
O jogo começou tenso,
como não podia deixar de ser numa decisão.
E equilibrado. Impossível prever nos primeiros
minutos quem passaria o Natal com a Copa
Mercosul em casa. Até que a história começou
a se desenhar com um pênalti esquisito marcado
a favor do Palmeiras e convertido em gol
por Arce, aos 36 minutos. Ainda no minuto
36, o Palmeiras consegue o segundo gol,
com o aniversariante Magrão aproveitando
uma sucessão de erros da retaguarda vascaína.
Após
os dois gols, o Vasco se desorientou e se
submeteu ao domínio palmeirense, o que culminou
no gol de Tuta, aos 44 minutos, impondo
incríveis 3-0 sobre a equipe carioca, restando
então 45 minutos para o fim do jogo. Veio
o intervalo, e o que sabe até hoje que houve
nos vestiários do Vasco é que os líderes
do elenco - Romário, Euller, Juninho(s)
e Jorginho - tomaram a palavra e motivaram
de alguma forma o restante da equipe.
Com
Viola no lugar de Nasa, o Vasco foi ao ataque
e conseguiu reduzir um pouco a vantagem
palmeirense, com um pênalti marcado por
Romário, aos 14 minutos. E o segundo gol
vascaíno, novamente com Romário de pênalti,
não demorou a sair. Veio aos 23 minutos.
Vale ressaltar a espetacular a atuação de
Juninho Paulista, infernizando a vida dos
defensores palmeirenses com muito fôlego
e habilidade. Aos 32 minutos, Júnior Baiano,
do Vasco, é expulso. E era o que faltava
para o Vasco crescer de vez.
Todos
esperavam o empate e a prorrogação, tamanha
a superioridade do Vasco. Porém, quase ninguém
imaginava o que estava por vir. O empate
veio sim, como parecia. Juninho Paulista
fez aos 40 minutos, o terceiro gol. Mas,
aos 48 minutos. O improvável... Jorginho
Paulista avança pela esquerda e tenta o
drible, a bola ricocheteia em Viola e sobra
para o onipresente Juninho Paulista, que
chuta. O goleiro Sérgio defende e a bola
"procura" o gênio da grande área.
Ele, Romário, só empurra a bola para o gol
vazio, marcando o 64º gol dele na temporada.
Palmeiras 3-4 Vasco da Gama.
Estava
materializada ali a maior virada dos últimos
tempos. E para os vascaínos, como eu, o
lance mais marcante desta final não foi
nenhum drible, chute ou lançamento. Foi
um soco, aliás, foram quatro. Quatro socos
no peito. Do imortal Juninho Pernambucano,
evocando a alma vascaína, incitando e emocionando
o coração de todos nós, diante de algo que
nunca se perderá, independente de qualquer
coisa, o orgulho de ser Vasco.
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