MEMÓRIA - POR ALEXANDRE SAMPEDRO

Velha história, novo episódio
23/04

A atual temporada da Série A esta próxima de seu fim, e traz consigo uma incômoda sensação para o Milan e seus torcedores: o vexame de não terminar entre os quatro primeiros e ficar de fora da próxima Liga dos Campeões. Uma vaga na Copa da Uefa está praticamente garantida, aliviando o fantasma de uma temporada sem noites européias para os rossoneri. Apesar de toda sua tradição, esse desaire não é novidade em San Siro.

O último tropeço
A temporada de 2000/01 foi a primeira a conceder ao Campeonato Italiano quatro vagas para a Liga dos Campeões, sendo duas diretas e duas nas fases eliminatórias. Até a época anterior, eram apenas três as vagas, sendo duas diretas. Com este novo panorama, era difícil imaginar que os tradicionais clubes do país ficariam de fora da principal competição do continente. Ledo engano.

A Série A era disputada por 18 clubes (hoje são 20), fato que elevava o nível técnico da competição consideravelmente. Além disso, a Itália vivenciava o ápice de sua bolha financeira, com clubes fora do eixo principal gastando desenfreadamente em contratações. Roma e Juventus lutaram pelo título até a última rodada, com vantagem para o histórico esquadrão romanista de Fábio Capello e Batistuta. As outras duas vagas na Liga dos Campeões ficaram nas mãos de Lazio e Parma, clubes emergentes que hoje são perfeitos exemplos das conseqüências da bolha.

Com um elenco em transição e recheado de jogadores abaixo da média como Giunti, Guglielminpietro, Chamot e Taribo West, o Milan dependia exclusivamente de um atacante que havia na temporada anterior: Andriy Shevchenko. Porém, sozinho o ucraniano tinha poucas chances de conseguir grandes feitos. Ao mesmo tempo que marcou 24 gols na Série A, o setor defensivo foi decisivo para o vexame milanista.

Ao longo daquela temporada, sob o comando inexplicável do turco Fatih Terim, o Milan colecionou tropeços: 3x3 contra Atalanta, Bologna e Lecce, derrotas frente a Vicenza, Reggina, Perugia e uma relação interminável de empates, contra Brescia (1x1), Inter (2x2), Juventus (2x2), Parma (2x2), Atalanta, (1x1), Brescia de novo (1x1), Lazio (1x1), Napoli (0x0), Roma (1x1) e Verona (1x1). Ainda assim, em meio a tanta mediocridade, conseguiu uma estranha goleada de 6x0 frente a rival Internazionale.

Com tantos empates, treze ao total, o Milan foi apenas sexto colocado na Série A, com 49 pontos. A campeã Roma somou 75, contra 73 da Juventus, 69 da Lazio, 56 do Parma e 51 da Inter.

Ao Milan, restou disputar a Copa da Uefa da temporada seguinte, 2001/02. Em um efeito similar ao que ocorreu no Bayern de Munique nesta temporada, o Milan abriu os cofres e reforçou-se em grandes estilo: Rui Costa, Filippo Inzaghi e Andrea Pirlo foram alguns dos nomes que juntaram ao novo técnico, Carlo Ancelotti. Mesmo com os reforços, o Milan caiu nas semifinais da Copa da Uefa frente ao Borussia Dortmund, após eliminar Bate, CSKA Sofia, Sporting, Roda e Hapoel Tel Aviv. Apesar do fracasso, nascia o embrião do Milan que chegou três vezes às finais da Liga dos Campeões, com dois títulos.

Outros vexames
A campanha ruim de 2000/01 não foi o único desastre da história recente do Milan. Em 1996/97 e 1997/98, os rossoneri ficaram fora até mesmo da Copa da Uefa, em posições intermediárias da tabela.

Em 1996/97, o Milan foi apenas o décimo primeiro, com 43 pontos, apenas seis acima da zona de rebaixamento. Sob o trágico comando de Oscar Tabárez e depois Giorgio Morini, Arrigo Sachi assumiu o comendo na reta final da época para evitar um desastroso rebaixamento.

Na temporada seguinte, 1997/98, a situação não esteve melhor: décimo lugar, com 44 pontos. Desta vez, o comandante era Fabio Capello, que havia retornado ao clube após passagem pelo Real Madrid. Mesmo com Capello e jogadores como Donadoni, Boban, Weah, Savicevic, Desailly e Kluivert, o Milan ficou abaixo de adversários improváveis como Bologna e Sampdoria na classificação final. A má temporada custou o emprego de Capello e deu continuidade a um ciclo que terminaria apenas com a chegada de Ancelotti, em 2001.