|
Velha história, novo
episódio 23/04
A atual temporada da Série A esta próxima
de seu fim, e traz consigo uma incômoda
sensação para o Milan e seus torcedores:
o vexame de não terminar entre os quatro
primeiros e ficar de fora da próxima Liga
dos Campeões. Uma vaga na Copa da Uefa está
praticamente garantida, aliviando o fantasma
de uma temporada sem noites européias para
os rossoneri. Apesar de toda sua tradição,
esse desaire não é novidade em San Siro.
O
último tropeço A temporada de 2000/01
foi a primeira a conceder ao Campeonato
Italiano quatro vagas para a Liga dos Campeões,
sendo duas diretas e duas nas fases eliminatórias.
Até a época anterior, eram apenas três as
vagas, sendo duas diretas. Com este novo
panorama, era difícil imaginar que os tradicionais
clubes do país ficariam de fora da principal
competição do continente. Ledo engano.
A
Série A era disputada por 18 clubes (hoje
são 20), fato que elevava o nível técnico
da competição consideravelmente. Além disso,
a Itália vivenciava o ápice de sua bolha
financeira, com clubes fora do eixo principal
gastando desenfreadamente em contratações.
Roma e Juventus lutaram pelo título até
a última rodada, com vantagem para o histórico
esquadrão romanista de Fábio Capello e Batistuta.
As outras duas vagas na Liga dos Campeões
ficaram nas mãos de Lazio e Parma, clubes
emergentes que hoje são perfeitos exemplos
das conseqüências da bolha.
Com um
elenco em transição e recheado de jogadores
abaixo da média como Giunti, Guglielminpietro,
Chamot e Taribo West, o Milan dependia exclusivamente
de um atacante que havia na temporada anterior:
Andriy Shevchenko. Porém, sozinho o ucraniano
tinha poucas chances de conseguir grandes
feitos. Ao mesmo tempo que marcou 24 gols
na Série A, o setor defensivo foi decisivo
para o vexame milanista.
Ao longo
daquela temporada, sob o comando inexplicável
do turco Fatih Terim, o Milan colecionou
tropeços: 3x3 contra Atalanta, Bologna e
Lecce, derrotas frente a Vicenza, Reggina,
Perugia e uma relação interminável de empates,
contra Brescia (1x1), Inter (2x2), Juventus
(2x2), Parma (2x2), Atalanta, (1x1), Brescia
de novo (1x1), Lazio (1x1), Napoli (0x0),
Roma (1x1) e Verona (1x1). Ainda assim,
em meio a tanta mediocridade, conseguiu
uma estranha goleada de 6x0 frente a rival
Internazionale.
Com tantos empates,
treze ao total, o Milan foi apenas sexto
colocado na Série A, com 49 pontos. A campeã
Roma somou 75, contra 73 da Juventus, 69
da Lazio, 56 do Parma e 51 da Inter.
Ao
Milan, restou disputar a Copa da Uefa da
temporada seguinte, 2001/02. Em um efeito
similar ao que ocorreu no Bayern de Munique
nesta temporada, o Milan abriu os cofres
e reforçou-se em grandes estilo: Rui Costa,
Filippo Inzaghi e Andrea Pirlo foram alguns
dos nomes que juntaram ao novo técnico,
Carlo Ancelotti. Mesmo com os reforços,
o Milan caiu nas semifinais da Copa da Uefa
frente ao Borussia Dortmund, após eliminar
Bate, CSKA Sofia, Sporting, Roda e Hapoel
Tel Aviv. Apesar do fracasso, nascia o embrião
do Milan que chegou três vezes às finais
da Liga dos Campeões, com dois títulos.
Outros
vexames A campanha ruim de 2000/01
não foi o único desastre da história recente
do Milan. Em 1996/97 e 1997/98, os rossoneri
ficaram fora até mesmo da Copa da Uefa,
em posições intermediárias da tabela.
Em
1996/97, o Milan foi apenas o décimo primeiro,
com 43 pontos, apenas seis acima da zona
de rebaixamento. Sob o trágico comando de
Oscar Tabárez e depois Giorgio Morini, Arrigo
Sachi assumiu o comendo na reta final da
época para evitar um desastroso rebaixamento.
Na
temporada seguinte, 1997/98, a situação
não esteve melhor: décimo lugar, com 44
pontos. Desta vez, o comandante era Fabio
Capello, que havia retornado ao clube após
passagem pelo Real Madrid. Mesmo com Capello
e jogadores como Donadoni, Boban, Weah,
Savicevic, Desailly e Kluivert, o Milan
ficou abaixo de adversários improváveis
como Bologna e Sampdoria na classificação
final. A má temporada custou o emprego de
Capello e deu continuidade a um ciclo que
terminaria apenas com a chegada de Ancelotti,
em 2001.
|