POR ONDE ANDA? - POR ALEXANDRE SAMPEDRO

Desleal Comparação
11/04

Atacante veloz e artilheiro, chamou atenção por ser careca, destacando-se em um tradicional clube de Minas Gerais, o Cruzeiro, antes de ser negociado com o futebol europeu. Com esta introdução e características, todos diriam se tratar de Ronaldo. Não é o caso. O assunto destas linhas será aquele que foi, em seu início de carreira, incansavelmente comparado ao ex-Fenômeno: Fábio Júnior.

O Início
Fábio Júnior Pereira nasceu na pequena Manhaçu, em Minas Gerais, em 20 de Novembro de 1977. Ele começou sua carreira nas categorias de base do Democrata de Governador Valadares, em 1993. Teve uma rápida passagem pelas categorias de base do Corinthians, mas permaneceu apenas dois meses antes de ser dispensado.

Fábio permaneceu no Democrata até o final de 1996, quando foi negociado com o Cruzeiro. Ainda em 1997, então com 19 anos, Fábio estreou na equipe profissional. Para ganhar mais experiência, Fábio foi novamente encaminhado para as categorias de base em 1998, para a disputa da Copa São Paulo. Com nove gols, ele foi o artilheiro da competição e destaque do Cruzeiro, que avançou até às semifinais, sendo eliminado pelo campeão Internacional.

A glória
O bom desempenho lhe valeu a presença definitiva no elenco profissional da Raposa. A resposta foi imediata, com a artilharia do Campeonato Mineiro conquistada pelo atacante.

A seqüência de gols tornou-o famoso em Minas, mas a consagração em cenário nacional viria no Brasileirão de 1998. O Cruzeiro chegaria às finais da Copa do Brasil, da Copa Mercosul e do Campeonato Brasileiro naquele ano, mas seria derrotado nas três decisões. Fábio Júnior era o grande destaque, artilheiro da Mercosul com 8 gols e segundo maior goleador do Brasileiro com 18 gols.

O sucesso fez do atacante um dos atacantes convocados com freqüência na seleção brasileira, então dirigida por Vanderlei Luxemburgo (com a camisa amarela, ostenta uma boa marca de 15 partidas e oito gols) e despertou o interesse de outros clubes. Monaco e Palmeiras, então com os milhões da parceira Parmalat, fizeram propostas altas, mas não conseguiram tirar o jogador de Belo Horizonte.

O Cruzeiro queria 20 milhões de dólares para liberar a sua principal revelação. No fim, Fábio Júnior deixou a Toca da Raposa por cinco milhões a menos, no segundo maior negócio até então do futebol brasileiro.

A Decadência
O desembarque de Fábio Júnior na capital italiana foi cercado de expectativa. Em sua curta passagem pela Itália, chegou a ser barrado pelo técnico Fabio Capello e, infeliz, retornou por empréstimo ao Cruzeiro.

Antes da volta para casa, Fábio Júnior sofreu mais um baque. Ele chegou à Londrina, para a disputa do Pré-Olímpico como uma das estrelas da equipe dirigida por Vanderlei Luxemburgo. Ao lado dele, estavam Alex e Ronaldinho. Ao fim da competição, já estva na reserva de Lucas.

A segunda passagem do jogador pelo Cruzeiro não foi tão brilhante quanto a primeira, mas pelo menos rendeu bons momentos. Foi dele um dos gols da vitória sobre o São Paulo, que deu aos mineiros o título da Copa do Brasil de 2000. No ano seguinte, ele seria motivo de piada da exigente torcida do Palmeiras.

Em 2002, o ex-futuro sucessor de Ronaldo atuou novamente pelo Cruzeiro e outra vez como emprestado pela Roma. Mas brilho, ele só voltaria a ter em 2003, pelo rival Atlético-MG, após uma irrisória passagem pelo futebol de Portugal onde não disputou uma partida sequer.

Em seus primeiros passos no Galo, Fábio foi bem. Em alguns momentos, até parecia aquele jogador que havia sido considerado o garoto prodígio do futebol nacional com a camisa da Raposa. Tanto que marcou 14 vezes no Brasileiro de 2003.

O Ostracismo
Foi exatamente essa ligação com o lado azul celeste de Belo Horizonte que dificultou a vida de Fábio Júnior no Atlético e o enviou novamente para o exterior – o Kashima Antlers, do Japão, foi o seu destino.

Fábio Júnior ainda voltou ao Atlético, mas não ficou mais no Brasil. Rapidamente, foi repassado ao Al Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, e depois ao Bochum, da Alemanha, onde encontraria uma certa estabilidade, mas não um bom futebol. Ele chegou ao país em janeiro de 2006 e marcou um gol na campanha que devolveu o time à Bundesliga.

Na volta do Bochum à elite alemã, Fábio Júnior perdeu espaço, sobretudo graças ao crescimento do atacante grego Gekas. Na temporada passada, ele atuou somente em 16 partidas e anotou dois tentos, marca insuficiente para mantê-lo no elenco, mas que o levou ao Hapoel Tel-Aviv, onde ele tenta, já com 30 anos, reconstruir sua carreira.

 

  SOBRE O JOGADOR

Nome: Fábio Júnior Pereira
Nascimento: 20/11/1977
Posição: Atacante

Carreira
Cruzeiro - 1997 à 1998
Roma - 1999 à 2000
Cruzeiro - 2000
Palmeiras - 2001
Cruzeiro - 2002
Atlético-MG - 2003
Kashima Antlers - 2004
Atlético-MG - 2005
Al-Wahda - 2005
Bochum - 2006 à 2007
Hapoel Tel Aviv - 2007 à 2008

Seleção do Brasil - 1998 à 2000