RIVALIDADE - POR ALEXANDRE SAMPEDRO

O maior clássico da América do Sul
07/11

Determinar o país onde os torcedores são mais apaixonados demandaria uma interminável discussão. No entanto, o exacerbado fanatismo do torcedor argentino é algo que qualquer pessoa ligada ao futebol não consideraria como novidade. Da mesma forma, ninguém seria capaz de duvidar que Boca Juniros e River Plate são clubes que carregam uma das maiores e mais explosivas rivalidades do Mundo..

 
  OS CLUBES: BOCA JUNIORS X RIVER PLATE

Club Atletico Boca Juniors

Club Atletico River Plate

Cidade: Buenos Aires
Fundação: 1905
Estádio: Bombonera
Lotação: 60245
Inauguração: 1940

Cidade: Buenos Aires
Fundação: 1901
Estádio: Monumental
Lotação: 66449
Inauguração: 1938

 

   SUPERCLÁSSICO

As Fundações
O River Plate foi fundado em 1901, enquanto o Boca Juniors teve sua origem quatro anos mais tarde, em 1905. Os futuros rivais nasceram na mesma região, no bairro de La Boca, na capital Buenos Aires.

A Origem do Derby
As fundações e os primeiros anos se confundem com a origem do Derby. O fato de dois clubes serem fundados no mesmo bairro em uma mesma época já seria suficiente para criar o clima de animosidade entre River Plate e Boca Juniors. Além disso, os dois clubes usavam o mesmo uniforme, camisa com uma listra diagonal: a do River era branca com listra vermelha e a do Boca era azul com a listra dourada.

Na época do amadorismo, o Boca dominava o cenário argentino, mas o River venceu o primeiro Superclássico, por 2x1, realizado em 13 de Agosto de 1913. A rivalidade aumentava, assim como as discussões sobre as sedes e os uniformes dos clubes.

Em 1923, a saída encontrada foi organizar uma partida: quem vencesse poderia manter o uniforme, mas teria de deixar o bairro de La Boca. O River venceu e mudou-se para Palermo e depois para Núñez, região mais rica de Buenos Aires. O Boca foi obrigado a alterar seu uniforme, e optou por tornar sua listra horizontal.

A Rivalidade
A proximidade causou a rivalidade, e as diferenças sociais causadas pelo afastamento serviram para intensificar ainda mais a tensão entre os clubes. O Boca manteve-se em seu bairro de origem pobre e trabalhadora, enquanto o River tornou-se o clube da elite de Buenos Aires.

Então, originaram-se os apelidos: o River passou a ser chamado de "Milionários', que retrucou e passou a denominar os torcedores do Boca como "Bosteros", pelo cheiro pouco agradável do rio cheio de esgoto de La Boca. Mais tarde, o termo "Gallinas" seria usado pelos boquenses para referir-se aos torcedores rivais, já que o clube de Núñes tremeria nos duelos com o Boca.

O apelido pejorativo teria sido supostamente originado no dia 20 de setembro de 1931, quando Boca e River fizeram o primeiro duelo entre os dois times desde que foi criada a liga profissional argentina de clubes. Apesar de ter saído na frente do placar, o River Plate teve um pênalti questionável marcado contra a sua meta. O Boca Juniors bateu, errou e só no terceiro rebote conseguiu balançar as redes. Porém, os protestos dos jogadores do River não pararam e três jogadores foram expulsos pelo árbitro por reclamação. Então, alegando não ter condições de disputar mais o jogo, o time “prejudicado” saiu de campo e o Boca foi considerado o vencedor do jogo dias depois.

Era o estopim do ódio entre clubes e torcedores. Desde então, raras são as ocasiões onde não existem episódios de violência em um Superclássico. Em 23 de Junho de 1968, ocorreu a Tragédia do Portão 12, no Monumental de Núñez. A tragédia foi a pior de toda história do futebol argentino, com 71 torcedores do Boca mortos esmagados no Portão 12, em sua maioria adolescentes e jovens, com média de idade de 19 anos.

Até hoje, não há nenhuma versão oficial sobre o acidente. Há muitas variações: um confronto entre os próprios torcedores; a invasão de torcedores do River no setor dos rivais; a não abertura do portão no momento correto; um confronto com os policiais após provocações dos torcedores do Boca. Após três anos de investigações, ninguém foi considerado culpado da tragédia, para a revolta dos familiares das vítimas.

Em uma tentativa de apagar o vexame de sua história, os portões do Monumental passaram a ser identificados com letras ao invés de números. Ao final da temporada, os 68 clubes que formavam a AFA (Associação Argentina de Futebol) doaram 100 mil pesos às famílias das vítimas da Tragédia do Portão 12.

O triste episódio não foi suficiente para acalmar o ânimo dos torcedores. Hoje, conhecidas como "Barras Bravas", as alas radicais das torcidas entram em confronto com freqüência, mas passaram a duelar também em outros cenários, com o apoio das "Barras" para políticos locais.

Títulos e confrontos
O River Plate, com 33 títulos nacionais, leva vantagem sobre o Boca, com 23, em termos nacionais. Porém, quando se trata de títulos internacionais, o River passa vergonha perto de seu rival: 2 Libertadores e 1 Intercontinental contra 6 Libertadores, 3 Intercontinentais, 4 Recopas, 2 Copas Sulamericanas e 1 Supercopa, além de duas competições de pequena relevância. São 18 títulos para o Boca, que é, ao lado do Milan, o maior vencedor de taças internacionais.

Em relação aos confrontos, já ocorreram 320 duelos, com ligeira vantagem do Boca: 116 vitórias do Boca, 100 empates e 104 vitórias do River Plate.

Competição

Jogos

Boca

Empates

River

Camp. Argentino

182

66

55

61

Liga Amadora

12

3

4

5

Internacionais

24

10

8

6

Amistosos

102

37

33

32

Totais

320

116

100

104

Os placares mais elásticos são idênticos: River 5x1 sobre o Boca em 19 de Outubro de 1941 e Boca 5x1 sobre o River em 19 de Maio de 1959 e novamente em 7 de Março de 1982. O confronto com mais gols foi em 15 de Outubro de 1972, River 5x4.

Jogos para a História
A história do Superclássico é muito ampla, com 320 confrontos até hoje, de um simples amistoso até a partidas decisivas pela Libertadores.

Em 19 de Outubro de 1941, o River aplicou sonora goleada sobre o rival por 5x1, pavimentando seu caminho para a conquista do título argentino. Era a época de "La Máquina", equipe do River composta por nomes como Juan Carlos Muñoz, José Manuel Moreno, Adolfo Pedernera, Angel Labruna, Felix Loustau e Alfredo Di Stefano. "La Máquina"