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4-4-2
- Além dos números 15/10
O futebol é um esporte que
reúne muitas características
ao redor de sua prática. Uma
delas, a tática, é uma vertente de
pouco conhecimento no Brasil,
tanto por torcedores, técnicos,
jogadores e imprensa em geral.
Não raramente, pensa-se apenas
na disposição dos jogadores
(4-4-2, 3-5-2, etc), deixando-se
de lado a parte mais importante
do esquema tático: o estilo
de jogo que une-se à tática.
Para
além disso, existe outro fator
que influencia diretamente na
tática e neste estilo de jogo:
a cultura futebolística do país.
Na Inglaterra, o criadores do
esporte, esta diferença é mais
clara e simples de perceber.
A maioria dos clubes e o English
Team atuam no 4-4-2, o mais
tradicional dos esquemas táticos.
Porém,
nem sempre atuar no 4-4-2 significa
que há somente uma forma de
jogar. Enquanto os clubes brasileiros
montam suas equipes com dois
volantes de marcação na região
central e dois meias à frente
do meio-campo, a
escola inglesa prefere um meio
campo em linha, com um volante
de marcação, um meia que distribua
o jogo e participe defensivamente
ofensivamente (conhecido como
box-to-box) e dois alas, que
vão constantemente à linha de
fundo e recuam para bloquear
a ação dos laterais adversários.
Outra diferença
clara dentro deste mesmo esquema
tático é o estilo de passe.
A escola brasileira não privilegia
uma única forma de trocar passes,
reunindo toques longos e curtos,
com uma temporização mais lenta.
Por outro lado, os ingleses
trocam passes rapidamente e
procuram as jogadas laterais,
lançamentos e cruzamentos. No
Brasil, os meias procuram a
infiltração pelo meio, enquanto
na Inglaterra esta tarefa cabe
ao box-to-box, ainda que não
exista a mesma progressão do
brasileiro.
No setor
defensivo, há uma pequena diferença
na mentalidade dos laterais.
Os ingleses avançam pouco, uma
vez que cabe aos alas as jogadas
na linha de fundo. O laterais
ajudam neste trabalho, mas carregam
uma maior preocupação defensiva.
Já no Brasil, os laterais são
encarregados das jogadas de
fundo, deixando um grande espaço
no setor defensivo, que acaba
por ser ocupado pelos dois volantes
de marcação.
O inglês:
nenhum clube britânico poderia
exemplificar melhor este estilo.
O Manchester United de
Sir Alex Ferguson é ícone desta
mentalidade nas últimas duas
décadas. Além disso, carrega
em seu elenco alguns dos melhores
jogadores para as posições fundamentais
terem efetividade. Paul Scholes
representa perfeitamente o box-to-box,
Cristiano Ronaldo (antes Beckham)
e Ryan Giggs são alas que qualquer
equipe sonharia ter.
O
brasileiro: nos últimos
anos, o Corinthians bicampeão
brasileiro em 98/99 simboliza
perfeitamente este estilo nacional.
O meio-campo formado por Rincón,
Vampeta, Ricardinho e Marcelinho
é o mais perfeito exemplo para
efeito de comparação. Rincón
e Vampeta ocupavam a zona defensiva,
enquanto Ricardinho e Marcelinho
aproximavam-se da dupla de ataque
e dos laterais.
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