TÁTICA - POR ALEXANDRE SAMPEDRO

4-4-2 - Além dos números
15/10

O futebol é um esporte que reúne muitas características ao redor de sua prática. Uma delas, a tática, é uma vertente de pouco conhecimento no Brasil, tanto por torcedores, técnicos, jogadores e imprensa em geral. Não raramente, pensa-se apenas na disposição dos jogadores (4-4-2, 3-5-2, etc), deixando-se de lado a parte mais importante do esquema tático: o estilo de jogo que une-se à tática.

Para além disso, existe outro fator que influencia diretamente na tática e neste estilo de jogo: a cultura futebolística do país. Na Inglaterra, o criadores do esporte, esta diferença é mais clara e simples de perceber. A maioria dos clubes e o English Team atuam no 4-4-2, o mais tradicional dos esquemas táticos.

Porém, nem sempre atuar no 4-4-2 significa que há somente uma forma de jogar. Enquanto os clubes brasileiros montam suas equipes com dois volantes de marcação na região central e dois meias à frente do meio-campo, a escola inglesa prefere um meio campo em linha, com um volante de marcação, um meia que distribua o jogo e participe defensivamente ofensivamente (conhecido como box-to-box) e dois alas, que vão constantemente à linha de fundo e recuam para bloquear a ação dos laterais adversários.

Outra diferença clara dentro deste mesmo esquema tático é o estilo de passe. A escola brasileira não privilegia uma única forma de trocar passes, reunindo toques longos e curtos, com uma temporização mais lenta. Por outro lado, os ingleses trocam passes rapidamente e procuram as jogadas laterais, lançamentos e cruzamentos. No Brasil, os meias procuram a infiltração pelo meio, enquanto na Inglaterra esta tarefa cabe ao box-to-box, ainda que não exista a mesma progressão do brasileiro.

No setor defensivo, há uma pequena diferença na mentalidade dos laterais. Os ingleses avançam pouco, uma vez que cabe aos alas as jogadas na linha de fundo. O laterais ajudam neste trabalho, mas carregam uma maior preocupação defensiva. Já no Brasil, os laterais são encarregados das jogadas de fundo, deixando um grande espaço no setor defensivo, que acaba por ser ocupado pelos dois volantes de marcação.

O inglês: nenhum clube britânico poderia exemplificar melhor este estilo. O Manchester United de Sir Alex Ferguson é ícone desta mentalidade nas últimas duas décadas. Além disso, carrega em seu elenco alguns dos melhores jogadores para as posições fundamentais terem efetividade. Paul Scholes representa perfeitamente o box-to-box, Cristiano Ronaldo (antes Beckham) e Ryan Giggs são alas que qualquer equipe sonharia ter.

O brasileiro: nos últimos anos, o Corinthians bicampeão brasileiro em 98/99 simboliza perfeitamente este estilo nacional. O meio-campo formado por Rincón, Vampeta, Ricardinho e Marcelinho é o mais perfeito exemplo para efeito de comparação. Rincón e Vampeta ocupavam a zona defensiva, enquanto Ricardinho e Marcelinho aproximavam-se da dupla de ataque e dos laterais.