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Quero ser grande 01/10
O que faz de um clube de futebol... grande?
Essa pergunta causa muita polêmica no Brasil,
uma vez que todo clube quer ser grande.
Chamar um clube como Coritiba, Goiás, Sport
Recife ou Bahia, três campeões brasileiros,
de clubes de médio porte, por exemplo, certamente
vai acirrar os ânimos de seus respectivos
dirigentes e treinadores. Ninguém quer ser
médio, muito menos pequeno. E na semana
passada o zagueiro André Dias, do São Paulo,
cutucou a onça de vara curta ao dizer que
o Flamengo não seria grande, pois não possui
estádio nem estrutura de clube grande.
O
que me leva a perguntar mais uma vez: o
que faz de um clube de futebol grande?
A
resposta mais óbvia seria títulos. Mas o
Paysandu e o Remo, ambos com dezenas de
campeonatos paraenses nas costas, seriam
então considerados grandes? As torcidas
dos dois devem vê-los assim. Mas não os
demais torcedores e críticos do restante
do país. Tradição não se encaixa como resposta
também, já que vai aparecer gente dizendo
que o América do Rio, o América Mineiro,
o Bangu e o Guarani têm tradição - este
último até título brasileiro possui. Torcida?
Então Flamengo e Corinthians deveriam ser
considerados maiores que Milan e que Real
Madrid, e, venhamos e convenhamos, não são.
Dinheiro? Hoje em dia tem muito clube pequeno
com mais dinheiro que clubes grandes - o
Red Bull Brasil, por exemplo, é um clube
rico. E você nem o conhece... deve ser considerado
grande? Não.
André Dias teria razão?
Seria a estrutura? Dificilmente.
Se
Corinthians ou Flamengo possuem pouca estrutura,
tem muito clube pequeno com bastante estrutura,
principalmente porque hoje em dia pipocam
no Brasil as chamadas incubadoras de craques.
Clubes com uma mega-estrutura. Largo centro
de treinamento, vários campos, concentração,
alojamento... mas na prática não são grandes.
Bom,
a pior coisa que você pode fazer nessa situação
é perguntar a um torcedor do São Paulo,
já que existe a possibilidade deste responder
que grande, no Brasil, apenas o São Paulo,
já que tem três Mundiais, três Libertadores,
seis Brasileiros... ninguém pode culpar
os caras por terem títulos e, por isso,
se acharem melhores que todo mundo. Seria
como o Brad Pitt, que "pega" a
Angelina Jolie, dizer que a única mulher
gostosa do mundo é a dele. P*rra, quem seria
eu para discordar?
Pensemos, então,
no equivalente europeu. Qual seria o torneio
europeu equivalente à Libertadores? Copa/Liga
dos Campeões. E quem é maior? O Arsenal
ou o Nottingham Forest? O Arsenal, certo?
Mas o Nottingham Forest possui duas Copas
dos Campeões. O Arsenal, nenhuma. Logo dá
para concluir que esse tipo de analogia
- títulos grandes = clube grande - não faz
sentido. Ou alguém aí iria considerar o
São Caetano maior que o Corinthians, caso
o Azulão tivesse conquistado a Libertadores
em 2002? Bom, muito provavelmente são-paulinos
e palmeirenses diriam que, sim, o São Caetano
é maior que o Corinthians. Mas isso seria
uma opinião mais baseada na provocação que
na razão.
No final das contas, o
título "clube grande" simplesmente
existe. Pelo menos hoje em dia, na Era Comum,
isto já foi estabelecido. No Brasil, são
12. Os quatro maiores de São Paulo, os quatro
maiores do Rio de Janeiro, os dois maiores
de Minas e os dois maiores do Rio Grande
do Sul. Como essa escolha se deu? Através
dos fatores títulos, torcidas e mercado
de décadas atrás. Antes mesmo de haver competição
nacional. Era uma época onde clube só disputava
campeonato estadual. Cada estado tinha o
seu. E, inevitavelmente, os estaduais considerados
mais importantes seriam aqueles das regiões
economicamente dominantes no país. São Paulo,
Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande
do Sul. Porque eram eles que faziam a história
acontecer. Porque eram eles quem ditavam
as regras e distribuíam as notícias pelo
restante do país. Eram economicamente superiores
aos demais e tinham condições de manter
os craques em seus clubes - o que fazia
com que os títulos acontecessem em maior
escala.
Isso definiu o fator clube
grande e é algo que a história dificilmente
pode mudar, pelo menos a curto e médio prazo.
Tanto é que recentemente o Atlético Paranaense
é um clube bem melhor sucedido que o Atlético
Mineiro. Possui um Campeonato Brasileiro
e um vice-campeonato brasileiro bem mais
recente. Possui mais títulos estaduais.
Mais estrutura. Possui estádio! Mas na prática,
se alguém perguntar, críticos e torcedores
considerariam quem maior? O mineiro.
É
inevitável. Simplesmente existe. E deixar
de existir ou mudar sua existência não é
tão simples assim.
Coma Induzido 14/09
Há algum tempo, não posso precisar bem
quanto, a revista Placar colocava a parceria
entre Fluminense e Unimed na UTI, referindo-se
à crise vivida entre clube e patrocinador,
especialmente pelos resultados ruins que
a equipe vinha tendo então recentemente.
A
relação entre Fluminense e Unimed já dura
dez anos. A companhia médica, uma das maiores,
senão a maior do Brasil, estava presente
quando o Fluminense venceu o Campeonato
Brasileiro da Série C de 1999 e também nas
belas campanhas que o clube tricolor desempenhou
na Copa João Havelange, em 2000, e Campeonato
Brasileiro da Série A em 2002, ficando no
quarto lugar. Houve ainda o Campeonato Estadual
do Rio de 2002 (sob júdice) e um momento
de crise, vivido em 2003, com ameaça de
retorno à Série B.
Depois da turbulência,
a recuperação, com um Campeonato Brasileiro
razoável em 2004 e o título estadual de
2005. Mas no próprio ano de 2005 veio o
fracasso na Copa do Brasil, após perder
a final para a zebra Paulista de Jundiaí.
E em seguida o fracasso em alcançar a Libertadores,
ao perder na última rodada para o Palmeiras,
sendo ultrapassado na tabela pelo próprio
Verdão e ficando em quinto lugar.
Em
2006, depois de ser eliminado da Copa do
Brasil na semi-final pelo Vasco, o Fluminense
viveu seu momento mais turbulento, com nova
ameaça de rebaixamento para a Série B. Foi
a época em que a parceria com a Unimed passou
a ser publicamente criticada e frequentemente
era discutido na mídia especializada histórias
de que certos jogadores tinham salário bancado
pela Unimed, enquanto os demais pelo próprio
clube, o que geraria um racha no elenco.
A
bonança veio com a conquista da Copa do
Brasil de 2007. Um Campeonato Brasileiro
impecável colocou o Flu em quarto lugar,
o que lhe garantiria uma vaga na Copa Libertadores
mesmo sem ter vencido a Copa do Brasil.
Estrelas como Thiago Neves e Thiago Silva
brilhando. O Fluminense estava preparando-se
para conquistar a Libertadores 2008. Armou
time para tal. Vieram Conca, Washington,
Dodô, Leandro Amaral... uma campanha sensacional,
deixando para trás nomes consagrados como
São Paulo e Boca Juniors. O Fluminense chegou
à final do torneio com uma das melhores
campanhas da história. Mas a dois passos
do paraíso, o sonho acabou. O Flu perdeu
a Libertadores para o rival improvável –
a LDU. Viveu em 2008 nova ameaça de rebaixamento,
após a ressaca da perda do título da Libertadores.
Escapou nas rodadas finais com Renê Simões.
A situação agora é semelhante. Ameaça de
rebaixamento, parceria com a Unimed tida
insustentável e, para muita gente, tudo
acaba aqui: o Fluminense cai e a parceria
acaba. Eu sinceramente, tenho minhas dúvidas.
Não acho impossível que o Flu se recupere
nem que a parceria prossiga.
Mas
me pergunto o que será deste complicado
ciclo da parceria Fluminense/Unimed em 2010,
se é que continua. Tempestade ou bonança?
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