TOPETUDO DE BOLA - POR THIAGO LEAL

O mundo assistiu à maior edição dos Jogos Olímpicos. Pequim 2008 foi grande em todos os sentidos — desde o país e sua população até as obras, número de atletas e recordes quebrados. Com certeza, esta foi a edição olímpica mais marcante desde 1988, edição realizada também na Ásia, em Seul, quando os Jogos Olímpicos viu se reunir novamente numa mesma edição os Estados Unidos e a extinta União Soviética. E o que rolou de bom em Pequim? Quem chamou atenção? Quem se destacou, quem fracassou?

O Fanático Esporte Clube faz agora um levantamento dos 11 fatos mais marcantes de Pequim. O que chamou atenção — tenha sido de forma boa ou rim — na maior edição da história dos Jogos Olímpicos?

Vamos à primeira parte do Topetudo Olímpico..

 
  TOP 11 - TOPETUDO OLÍMPICO - PARTE 1 (27/08/08)

11 - KOBE BRYANT - Basquete - Estados Unidos da América
Sim, o Redeem Team dos Estados Unidos foi marcante. Mas não vamos pensar nele agora... primeiro vamos falar sobre Kobe Bryant, esse ala-armador sensacional dos Los Angeles Lakers que briga pelo título de melhor jogador do mundo na atualidade. Mas também não vamos falar sobre o jogador de basquete Kobe Bryant agora. Por quê? Porque isso é assunto para o Redeem Team. O Kobe que está nesta posição, a última do Topetudo, é o homem, o fã, o torcedor Kobe Bryant. Foi divertido brincar de Onde Está Wally? com o ala-armador. Decisão do futebol masculino? Lá estava Bryant. Do futebol feminino? Bryant! Michael Phelps nadando pelo oitavo ouro? Kobe foi lá ver. E o show da ginasta Shawn Johnson? Sim, Kobe estava assistindo! O astro da NBA mostrou que não estava em Pequim só pelo basquete, mas também para curtir o evento Jogos Olímpicos, o que é muito legal da parte de um atleta milionário que, para muitos, só se importava em ganhar suas cifras na NBA.

10 - STEPHANIE RICE - Natação - Austrália
Eu poderia chamá-la de Michael Phelps de Maiô, mas hoje em dia os homens usam maiôs na natação. Também poderia chamá-la de Michael Phelps com Seios, mas essas mulheres nadadoras mal têm seios! Bem, então vamos chamá-la de Stephanie Rice apenas. Revelada nos Jogos da Comunidade Britânica em 2006, com duas medalhas de ouro nas provas de 200 e 400 metros medley, Rice chegou a Pequim após a "decepção" do Campeonato Mundial, onde tirou apenas dois bronzes — também nos 200 e 400 metros medley. Desta forma, Rice diminuiu a pressão que teria naturalmente sobre seus largos ombros. Sem muito alarde, a australiana superou a zimbabuana Kirsty Coventry e a estadunidense Natalie Coughlin, favoritas, e conquistou os ouros em suas provas favoritas: 200 e 400 metros medley. De quebra, Rice levou ouro também no revezamento 4x200m medley e saiu de Pequim como uma das musas do evento, graças a seu belo sorriso. Na Olimpíada da consagração de Phelps, Rice foi a revelação das piscinas.

9 - TRANSMISSÕES DE TELEVISÃO
As madrugadas ficaram preenchidas de esporte. Para muitos telespectadores, pode parecer algum ruim. Mas para as emissoras de TV, abertas ou pagas, acaba sendo grande negócio: as madrugadas, naturalmente, têm programações alternativas e/ou reprises. Desta forma, todos os eventos podem ser acompanhados sem que as emissoras precisem sacrificar seus programas costumeiros, como novelas, programas de variedades, telejornalismo e afins. O outro ponto é o fato da China ser um país de cultura exótica e, por sua política, naturalmente fechado. A Olimpíada abriu as portas do país para que possa ser explorado pelas emissoras de TV do mundo inteiro. O que vimos foi um show de transmissões alternativas, tratando de tudo: desde a culinária até a política chinesa. Uma oportunidade para conhecer um pouco mais do povo e da história de um país que contribuiu para o mundo com muito mais que frago em xadrez para delivery.

8 - PROTESTOS HUMANITÁRIOS
O revezamento da tocha olímpica viu uma série absurda de protestos de ativistas políticos pela libertação do Tibet, região autônoma incorporada à China. Não deu em nada, óbvio. Mas, caso continuassem, os protestos poderiam se confundir com os próprios jogos. Já pensou, ouve-se o tiro de largada para 100m rasos e entra na pista algum louco segurando faixa FREE TIBET? O governo chinês pôde controlar com habilidade qualquer protesto, de modo que eles praticamente sumiram durante a realização das provas. No final das contas, os protestos foram completamente esquecidos. Coisa que era comentada praticalmente integralmente durante o revezamento da tocha foi completamente abafada na realização do evento principal, desde a abertura à cerimônia de encerramento. E agora eu quero ver quem vai ser macho de ir protestar pela liberação do Tibet, sem presença de câmera de TV para se defender depois.

7 - SAMUEL KAMAU WANSIRU - Atletismo/Maratona - Quênia
Quando o queniano Paul Tergat e outros atletas de renome boicotaram os jogos pelas dificuldades de correr uma maratona sob o forte sol de Pequim agradavo pelo excesso poluição da cidade, uma polêmica estava criada. A maratona sempre foi a prova preferida do Comitê Olímpico Internacional, uma espécie de símbolo dos jogos, e por isso mesmo sempre ficou escalada para o último dia. Os obstáculos naturais de Pequim colocaram uma dose extra de atenção sobre a maratona desta edição. O calor e a poluição realmente dificultaram a prova, obrigando muita gente, inclusive aos brasileiros Frank Caldeira e Marílson dos Santos a abandonarem no meio do caminho. Mas o queniano Samuel Wansiru honrou a tradição de seu país e seguiu até o fim. Foi o medalha de ouro com direito a novo recorde.

6 - YELENA ISINBAYEVA - Atletismo/Salto com vara - Rússia
Ela chegou a Pequim com duas missões. A primeira seria manter sua hegemonia mundial no salto com vara. A segunda seria quebrar mais um recorde mundial do esporte - recorde que, claro, pertencia a ela mesma. Com seus grandes olhos azuis, Isinbayeva cumpriu tudo que se esperava dela. Manteve seu título olímpico e levou ouro no salto com vara. E saltando a 5,05m, quebrou mais uma vez o recorde mundial — seu 24º. Também mandou todas as suas adversárias se calarem e saiu dos Jogos como uma das musas do evento.

5 - NINHO DE PÁSSARO E CUBO D'ÁGUA
Um dos pontos que mais impressionou e marcou os jogos foram as belas obras construídas em prol do evento. Delas, as principais foram, sem dúvida, o Ninho de Pássaro, apelido carinhoso dado ao Estádio Nacional de Pequim, construído para as competições de atletismo, e o Centro Nacional de Desportos Aquáticos de Pequim, mais conhecido como Cubo D'Água. O primeiro possui vigas metálicas que lembram as palhas que formam os ninhos das aves, vindo daí sua alcunha. O segundo é feito de bolhas de plástico translúcidas que dão, do lado de dentro, a sensação de se estar debaixo d'água. À noite as bolhas são acesas, deixando a obra ainda mais bonita. Foram nessas duas construções que vimos em ação os dois grandes nomes dos Jogos: Usain Bolt, do atletismo, e Michael Phelps, da natação.

4 - QUADRO DE MEDALHAS
Havia um prognóstico de que a China lideraria o quadro de medalhas por uma medalha de ouro — em Atenas a China já havia ficado atrás por apenas quatro medalhas. A China cumpriu o prognóstico e o superou. Não foi apenas uma, mas 15 medalhas de ouro de vantagem sobre o grande rival, os Estados Unidos da América, muito embora, na contagem geral, os chineses tenham tido uma desvantagem de dez medalhas. A terceira colocação foi mantida pelos russos, como era de se esperar. O que muita gente não esperava era o crescimento da Grã-Bretanha, sede dos próximos jogos. A Ilha Britânica deu um salto do décimo para o quarto lugar, anunciando que virá forte para a competição em 2012. Fora isso, o quadro de medalhas não mudou muito. Os dez países líderes apenas se revezaram em posições de 2004 para 2008. Mas a briga entre China e Estados Unidos foi, sem dúvida, uma das grandes diversões desta edição.

3 - REDEEM TEAM - Basquete - Estados Unidos da América
A Seleção Estadunidense foi exatamente isso que o seu apelido sugeria: um time de redenção. Uma máquina de jogar o melhor basquetebol do mundo, como o mundo se acostumou a vê-los. Velozes, criativos, inventinos, geniais. Não é nem um esporte. É quase um balé ou uma ginástica artística com uma bola na mão. Tanto que os torcedores adversários chegavam a ficar em dúvida se torciam contra ou a favor dos Estados Unidos. Se lamentavam ou comemoravam cada enterrada de Dwayne Wade — que, por si só, já davam vontade de cair na gargalhada de felicidade por estar presenciando algo tão bonito. Jason Kidd era o capitão, mas a grande estrela do time era Kobe Bryant. E seus coadjuvantes, Carmelo Anthony e LeBron James. E os adversários? Meros sacos de pancadas. Só mesmo a Espanha, que na final conseguiu emparelhar os Estados Unidos, e mesmo assim perder por uma diferença de 11 pontos. Isso é basquete. O resto? Nem sei o que é.

2 - USAIN BOLT - Atletismo/Corrida - Jamaica
Sem dúvidas, Tyson Gay e Asafa Powell são dois dos maiores corredores de todos os tempos. E quando um corredor supera esses dois homens sem grandes dificuldades, a ponto de olhar para os lados e esnobar o fato de ninguém acompanhá-lo? Esse homem é o quê? Bom, isso não podemos responder. Mas podemos responder quem é esse homem: Usain Bolt. O corredor jamaicano saiu de Pequim com três ouros: 100 metros e 200 metros rasos, as provas mais rápidas do atletismo, e no revezamento 4x100m. E podemos afirmar com segurança: nunca se viu numa pista um corredor tão veloz. Bolt fez Carl Lewis parecer uma tartaruga com reumatismo. Impressionava não só sua velocidade, mas a facilidade com que ele a desenvolvia. De tão rápido, o jamaicano nem se preocupou em curvar a cabeça na chegada para aumentar seu recorde. E o melhor: não estava nem aí para isso. Para Bolt valia mais divertir-se e tirar onda com os adversários. Bolt trouxe a diversão de volta ao atletismo. E a trouxe com uma velocidade de 9,69 segundos por 100 metros!

1 - MICHAEL PHELPS - Natação - Estados Unidos da América
E quem mais seria? Ora... era óbvio, mas não poderia ser diferente. Phelps foi a cara desses Jogos Olímpicos. Com seis medalhas de ouro em Atenas, o nadador manteve sua meta de quebrar o recorde de sete ouros de Mark Spitz em Munique 1972. E todo o mundo estava assistindo. O mais interessante é que em momento algum se viu xonofobia, sentimento anti-estadunidense ou torcida contra Phelps. A mídia internacional inteira tinha mais interesse em assistir, com os próprios olhos, ao melhor nadador de todos os tempos escrever a história, tornando-se o maior medalhista de ouro da história: tanto no geral (14 medalhas de ouro somando Atenas e Pequim) quanto numa única edição (os oito ouros prometidos e cumpridos). E quem achava que seria balela... basta lembrar das emocionantes disputas de Phelps com a Seleção Australiana no Revezamento 4x100m medley e contra o sérvio Milorad Cavic nos 100m borboleta. Phelps tornou-se o maior nome de Pequim. E da história dos jogos.

 
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