TOPETUDO DE BOLA - POR THIAGO LEAL

No ranking passado listamos os grandes craques que jamais disputaram Copa do Mundo. Agora, uma situação menos desconfortável, mas nem por isso agradável. Afinal de contas, jogar num grande time, ser o craque da Seleção tida como sensação do Mundial, e não ganhá-lo, é igualmente decepcionante. Hoje veremos os 11 jogadores que são bem superiores a nomes como Ronaldinho, Bebeto, Fabio Cannavaro, Mario Kempes, Andrea Pirlo ou Lothar Matthäus. Mas, infelizmente, não tiveram a mesma sorte que esses, e por motivos particulares de cada Copa do Mundo, não conseguiram conquistar o torneio mais importante do futebol.

 
  TOP 11 - MAIORES QUE A COPA (26/04/08)

11 - Lev Yashin - Goleiro - União Soviética
Para muitos, o melhor goleiro de todos os tempos. Com seu uniforme completamente negro e 1,89m de altura, Yashin se tormava ainda maior debaixo da trave e era capaz de proezas surpreendentes. Tanto que foi o único goleiro, até hoje, a ganhar a Bola de Ouro de melhor jogador da temporada européia, e foi eleito pela FIFA como o goleiro da Seleção do Século. À frente de sua Seleção, ganhou títulos importantes, como o ouro olímpico de 1956 e a EuroCopa de 1960. Disputou quatro Copas do Mundo - 1958, 1962, 1966 e 1970. Mas, profissionalmente, a União Soviética não era a Seleção mais forte. O mais longe que Yashin conseguiu avançar junto com seu time foi à semi-final em 1966, eliminada pela Alemanha Ocidental. Faleceu em 1990, aos 60 anos, um ano antes de seu país também deixar de existir.

10 - Paolo Maldini - Zagueiro/lateral esquerdo - Itália
Talvez o mais injustiçado dessa lista. Jogou quatro Copas do Mundo, 1990, 1994, 1998 e 2002, chegando a uma semi-final e uma final. Quando decidiu, por si só, aposentar-se da Seleção, seu país conquista um Mundial. É uma pena. Maldini é o melhor zagueiro do mundo desde Franco Baresi. Filho do também zagueiro Cesare Maldini (que também não teve o prazer de vencer uma Copa), Paolo conquistou sete Campeonatos Italianos e cinco Ligas dos Campeões à frente do AC Milan, onde, nem parou, e já teve seu número, #3, devidamente aposentado. A camisa de Maldini só voltará a ser usada no clube rossonero caso Christian ou Daniel Maldini, seus filhos, cheguem ao elenco profissional do clube. Que tenham mais sorte que avô e pai e, futuramente, caso tornem-se profissionais, possam vencer Mundiais.

9 - Just Fontaine - Centroavante - França
Um goleador sem igual, com média de 1,4 gols pela Seleção Francesa e 2,1 gols em Copas do Mundo. Na verdade, foi só uma. A de 1958. Mas foram seis jogos e a surpreendente marca de 13 gols. O azar de Fontaine foi de, naquele Mundial, encarar na semi-final justamente a Seleção Brasileira de Pelé, Garrincha, Didi, Vavá, Zagallo, Nílton Santos, Gilmar... a França não deu para o cheiro e tomou uma considerável goleada de 5x2. Mas Fontaine deixou o dele. E não voltou a jogar Copas do Mundo, pois em 1962 teve de aposentar-se devido a uma contusão irreversível. Mas para se ter idéia da moral do cidadão, foi eleito pela Federação Francesa de Futebol o melhor jogador da França dos últimos 50 anos. Na frente de muita gente boa. Platini e Zidane são só alguns exemplos.

8 - Karl-Heinz Rummenigge - Atacante - Alemanha Ocidental
Que infelicidade! Esse grande atacante alemão, foi bem superior a nomes como Rudi Völler, Jürgen Klinsmann ou Andreas Möller, campeões em 1990. Mas Rummenigge não teve a mesma sorte. Disputou duas finais de Copa do Mundo, em 1982 e 1986, e, em ambas, teve o azar de ter de enfrentar gente ainda mais forte, como Paolo Rossi, Marco Tardelli ou Diego Maradona. Caiu por terra sua chance de ser Campeão Mundial. Seu valor pode ser provado por conquistas como a EuroCopa de 1980, duas Copas dos Campeões da UEFA com o Bayern de Munique, além de ter sido eleito, por duas vezes, o melhor jogador europeu. Faltou a cereja no bolo.

7 - Zico - Meio-campo - Brasil
Arthur Antunes Coimbra não representa apenas a si mesmo. Incluso nesta lista, Zico traz consigo nomes como Sócrates, Falcão, Toninho Cerezo e Júnior, membros da Seleção Brasileira de 1982. No meio do caminho havia um Paolo Rossi. E no meio de um Dino Zoff, não havia caminho. Este atacante e este goleiro italianos, unidos com a trave que defendiam, impediram a progressão brasileira naquela Copa do Mundo. E Zico ficou pelo caminho. Mas o Galinho de Quintino disputou mais dois Mundiais. Em 1978, na Argentina, ficou em terceiro lugar, batendo justamente, que ironia, a Itália. Em 1986, seu azar foi encontrar com dois outros gigantes. Michel Platini e Joël Bats. O Brasil caiu diante da França. Mas também não adiantaria muito passar por eles... seria impossível bater Maradona mais a frente.

6 - Roberto Baggio - Atacante - Itália
Atacante incontestável com passagem pelos três grandes clubes italianos - Juventus, Milan e Internazionale. Brilhou em duas Copas do Mundo. Em 1990, em casa, alcançou às semi-finais. Teve o mesmo problema de Rummenigge ao deparar com Maradona. E o sonho acabou ali. Já em 1994, os problemas foram dobrados. No campo, havia a determinação de todo um time unido em cerca de seus problemas, com um atacante no auge - Romário. E em seu próprio corpo, uma contusão que o impedia de jogar em 100% de sua forma. Essa mesma contusão o fez errar um pênalti, coisa que nunca tinha acontecido em seus nove anos de carreira. Ao isolar a bola na quinta cobrança italiana, Baggio deu o tetracampeonato ao Brasil e ficou com uma pesada marca negativa sobre seus ombros. Esteve presente também em 1998, e, novamente nos pênaltis, a Itália caiu diante da França. Melhor jogador europeu e do mundo em 1993, Baggio não voltou a disputar Copas do Mundo.

5 - Eusébio - Atacante - Portugal
Esqueçam Figo e Cristiano Ronaldo. O melhor jogador luso de todos os tempos foi Eusébio, craque dos anos 60 que levou o Benfica a duas Copas dos Campeões e 11 campeonatos portugueses. De praxe, conquistou Bola de Ouro, em 1965. Mas Portugal nunca foi das Seleções mais fortes - tanto que até hoje só disputou quatro Copas do Mundo. A primeira delas foi em 1966, quando Eusébio não tomou conhecimento da Seleção Brasileira, Bi-Campeã do Mundo, e com dois gols mandou os canarinhos pra casa. Nas quartas-de-final, marcou quatro gols em 32 minutos e, de virada, mandou embora a Coréia do Norte, que havia eliminado a Itália e chegou a estar vencendo Portugal por 3x0. Deixou seu gol na semi-final. Mas foi aos 37 do segundo tempo, e a Inglaterra já estava vencendo por dois gols de diferença. Portugal só voltou a disputar outra Copa do Mundo em 1986. Eusébio não jogava mais.

4 - Michel Platini - Meio-campo - França
Só um jogador conseguiu a Bola de Ouro por três anos consecutivos: Michel François Platini. Jogador completo que defendeu a Seleção Francesa como jogador por nove anos. Conseguiu vencer uma EuroCopa, em 1984. Mas, em três Copas do Mundo disputadas, nunca chegou a disputar uma final. Em 1978, caiu num grupo com Argentina, dona da casa, e Itália. A Seleção Francesa ainda não era forte o bastante. A força que faltou em 78 havia nas Copas seguintes, porém o problema foi outro: a Alemanha Ocidental, Bi-Vice-campeã do Mundo que eliminou os franceses nas semi-finais em 1982 e em 1986. Os Bleus ficaram, respectivamente, em quarto e terceiro lugares. Como treinador da Seleção, entre 1988 e 1992, falhou em classificar seu país para a Copa do Mundo da Itália. Hoje, preside a UEFA.

3 - Nils Liedholm - Meio-campo - Suécia
Justiça seja feita... a Suécia nunca foi uma das Seleções mais fortes do mundo. Mas em 1958 tinha Gunnar Gren, jogava a Copa do Mundo em casa e, especialmente, tinha Nils Liedholm. Personagem da nossa seção "Lenda", Liedholm foi ídolo no Milan, onde teria jogado dois anos sem errar um passe sequer, e venceu o Torneio Olímpico de Futebol nos Jogos de Londres em 1948. Copa do Mundo, disputou apenas aquela já citada, de 1958, em casa. Em seu caminho rumo à final, derrotou os sempres difíceis Soviéticos nas quartas e a atual campeã Alemanha Ocidental na semi. Mas, na finalíssima, conheceu o mesmo peso que a França de Fontaine: enfrentou o Brasil de Pelé, Didi, Vavá, Garrincha e Zagallo. E, aos quatro minutos, ele próprio, Liedholm, marcou o primeiro gol do jogo. A dor estava por vir: a Seleção Brasileira virou o jogo, venceu por 5x2 e tornou-se Campeã do Mundo pela primeira vez. Liedholm já tinha 35 anos, aquela foi sua primeira e única Copa do Mundo.

2 - Ferenc Puskás - Atacante - Hungria
O que dizer de um jogador que em 529 jogos disputados por clubes marcou 589 gols? E que na sua Seleção Nacional, assinalou 84 tentos em 85 partidas? Puskás era um jogador brilhante, líder de dois esquadrões igualmente brilhantes: o Real Madrid pentacampeão europeu de Alfredo Di Stéfano, Francisco Gento, Raymond Kopa, Héctor Rial e José Santamaria; e a Seleção Húngara de Nándor Hidegkuti, Zoltán Czibor e Sándor Kocsis. Ah, aquela Hungria... primeira Seleção a derrotar a Seleção Inglesa em pleno Estádio Wembley - massacrando-a por 6x3. Campeã Olímpica de 1952. Invicta por quatro anos, entre 1950 e 1954, totalizando 33 jogos. Chegou à Suíça como favorita absoluta - e Puskás era o craque deste time. Derrotou a Alemanha Ocidental por 8-3 na primeira fase, com quatro gols de Kocsis. Claro que Puskás deixou o seu. Marcou também dois contra a Coréia do Sul. Foi poupado da Batalha de Berna, jogo infernal contra a Seleção Brasileira vencida pelos Húngaros por 4x2 - com dois de Kocsis - e da semi-final contra os atuais campeões uruguaios, vencida na prorrogação também por 4x2 - com mais dois de Kocsis. Sem dúvida, Kocsis foi o craque daquela Copa, artilheiro com 11 gols. Mas Puskás era o craque da Seleção e seu capitão. E justamente por isso foi poupado de quartas e semi-final. Era certeza que a Hungria chegaria na final, e Puskás, que estava sendo caçado em campo, precisava chegar lá inteiro. Chegou. Em campo novamente, abriu a contagem para a Hungria. Czibor ampliou. Os Húngaros estavam na rota para golear a Alemanha novamente. Mas algo estranho aconteceu. A invencibilidade de quatro anos e 33 jogos se foi quando a Alemanha virou o jogo e conquistou a Copa do Mundo. E Puskás ficou sem troféu. Ele jogou mais uma Copa, em 1962, pela Espanha. Mas essa nem levo em consideração...

1 - Johan Cruyff - Meio-campo - Holanda
O óbvio primeiro lugar. Cruyff era meia-armador, mas não se encaixa em rótulos. Era também centroavante, atacante, volante, defensor, lateral... jogava em qualquer posição que não a de goleiro. Foi dessa forma que, treinado por Rinus Michels, levou o Ajax ao tri-campeonato Europeu (1971, 72 e 73). Junto com Michels, montou o Carrossel Holandês, e levou a Holanda, apelidada Laranja Mecânica, à final da Copa do Mundo de 1974. Foi o craque incontestável daquela Copa. Massacrou o Uruguai, a Argentina (marcando dois gols), a Seleção Brasileira (marcando um) e chegou à final contra a Alemanha onde, com um minuto de jogo, sofreu um pênalti. Neeskens cobrou e os holandeses tomaram à frente. Mas algo deu errado. A Alemanha virou o jogo com Breitner e Müller. E Beckenbauer estava lá atrás para segurar o Carrossel Holandês. Foi a única Copa do Mundo do camisa #14 da Holanda, que não jogou em 1978 em protesto à ditadura vigente na Argentina. Cruyff foi três vezes Bola de Ouro e está na Seleção do Século da FIFA. Nesse caso, pergunto... quem precisa de Copa do Mundo?