TOPETUDO DE BOLA - POR THIAGO LEAL

Não é porque Paolo Maldini (filho de Cesare Maldini), Ademir da Guia (filho de Domingos da Guia) ou Youri Djorkaeff (filho de Jean Djorkaeff) deram certo que todo menino que traga nas veias sangue de um grande jogador de futebol pode chutar uma bola. A história mostra que a maioria desses pimpolhos não obtêm as glórias de uma carreira bem-sucedida, mas sim sujam um belo dum sobrenome. Duvidam? Vá descendo a barra de rolagem e conferindo um por um os 11 homens que fizeram o papai passar vergonha. Parafraseando Sílvio Luiz... "papai NÃO gostou"... E, quanto ao futuro dos filhinhos de papai? Ora... que venham Daniel e Christian Maldini, Romarinho, Matheus (filho de Bebeto) e o futuro e glorioso Ronald!

 
  TOP 11 - PAPAI EU QUERO JOGAR (08/05/08)

11 - Charlie Sheringham - Centroavante - Inglaterra
Esse menino ainda é jovem, muito jovem. Apenas 20 anos. Mas já dá os traços de quem vai fracassar e jamais será como seu pai, o grande Teddy Sheringham. Charlie transitou entre equipes juvenis de clubes médios e minúsculos do futebol inglês: Millwall, Tottenham Hotspur, Ipswich Town. Chegou a se profissionalizar por um time que transita entre as duas divisões principais da Ilha, o Crystal Palace. Mas jamais atuou em uma partida pelo clube. Ao invés disso, foi emprestado ao Crystal Palace Baltimore, filial estadunidense do clube inglês. Quando voltou, o Crystal Palace matriz, que atualmente disputa O Campeonato, segunda divisão Inglesa, não sabia o que fazer com esse abacaxi e o mandou para o Cambridge City, clube da Conferência Sul, segunda divisão da Conferência de Futebol, liga que está abaixo de todas as divisões da Football Association, e por isso mesmo é chamada de "não-Liga". Sente aí o potencial do garoto! Há quem diga que, em sua passagem pelos EUA, impressionou olheiros do Los Angeles Galaxy. Só se foi APENAS pelo nome SHERINGHAM nas suas costas...

10 - Daniele Conti - Meio-campo - Itália
Não é fácil ser filho de um craque como Bruno Conti, um dos responsáveis por aquele título sensacional da Itália em 1982. Principalmente quando você é natural justamente desse país, com imprensa capciosa e torcedores loucos. Também não é fácil ser escalado para o time onde seu pai foi ídolo. Novamente, num país como a Itália isso significa, automaticamente, ter de aturar pressões piores que as que conhecemos aos "filhos de peixe" aqui no Brasil. Em três temporadas pela Roma, onde Bruno foi herói, Daniele só disputou cinco partidas e, mesmo assim, chegou a marcar um gol. Obviamente, o rapaz não tinha futebol para jogar na capital italiana, e logo foi negociado com o Cagliari onde, atualmente, é capitão. Mas quando você está há mais de 200 jogos num time pequeno e não consegue retornar a um clube médio-grande, ou mesmo a um grande, significa que você não é tão bom assim. Nem é culpa do Daniele. A culpa é do seu pai que era bom demais.

9 - Mikel Alonso - Meio-campo - Espanha
Miguel Ángel Alonso foi um jogador espanhol com alguma regularidade. Tanto que chegou a disputar a Copa do Mundo de 1982 pela Seleção Espanhola, anfitriã do torneio. Basco, teve passagens pela Real Sociedad e pelo Barcelona. Teve dois filhos. Um deles é xodó do Liverpool FC e um dos responsáveis pelo revival de um dos maiores clubes do mundo: Xabi Alonso. Miguel deve ter muito orgulho dele. Muito mais que de seu outro filho: Mikel Alonso. Como o pai e o irmão, o Alonso menos talentoso da família joga no meio-campo. Começou na Real Sociedad B e evoluiu para o Real Sociedad. Mas era tão fraco, tão mais fraco que seu pai, que não poderia ficar muito tempo em San Sebastián. Logo foi emprestado ao fraquíssimo Numancia, que não tardou a perceber que era um investimento furado. Então, rumou para fazer sucesso no mesmo país que o irmão, a Inglaterra. E enquanto o irmão joga no poderoso Liverpool e avança em Ligas dos Campeões, Mikel segue firme e forte no Bolton Wanderers, conseguindo firmar contrato no clube depois de encerrado o empréstimo. Mas que beleza...

8 - Pat Jennings Jr. - Goleiro - Irlanda do Norte
Pat Jennings foi o maior goleiro da história da Irlanda do Norte, e o jogador que mais atuou pela Seleção de seu país. Certamente, Juninho JAMAIS atuará. Bem que Pat Jennings Jr. tentou começar sua carreira no juvenil do Tottenham Hotspur. Mas só foi se profissionalizar pelo University College Dublin Association Football Club, o "famoso" UCD. Ora... se um cara não consegue se profissionalizar pelo TOTTENHAM, o que vamos esperar do cidadão? Do UCD passou para o Derry City, um dos mais famosos clubes irlandeses - o que não quer dizer nada, lógico. Atualmente, Jennings Jr. está emprestado ao Sligo Rovers, também da primeira divisão irlandesa. Boto minha mão no fogo como esse cidadão não só NUNCA vai sair daí como, logo mais, estará em divisões mais abaixas do país.

7 - Darren Ferguson - Meio-campo/técnico - Escócia
Por ser filho de Sir Alex Ferguson, a rainha da Inglaterra sempre que Elizabeth II precisa se ausentar, Darren teve suas oportunidades no Manchester United. Como todo jogador que não convence, sua trajetória foi decrescente e algumas temporadas depois estava no Wolverhampton Wanderers. Ora, pelo menos ainda é clube de primeira divisão! Difícil é ser emprestado ao Sparta Rotterdam e, quando voltar ao futebol inglês, jogar pelo Wrexham, da primeira divisão... da Conferência de Futebol, a já citada "não-Liga". Pelo menos evoluiu um pouco e hoje atua como jogador e técnico do Peterborough United, da Liga Dois - quarta divisão da Premier League. Treinador? Ih, já está seguindo os OUTROS passos do papai Alex... esperem só fazermos o Topetudo "Papai quero treinar"!

6 - Sam Shilton - Zagueiro - Inglaterra
Filho do goleirão Peter Shilton, aquele do gol de mão de Maradona, Sam deve ter escolhido posição na linha com trauma do tento levado pelo papai. Sua carreira começou no juvenil e no profissional do fraco Plymouth Argyle Football Club, que disputa O Campeonato, segunda divisão do Campeonato Inglês logo abaixo da Premier League. Jogou apenas três partidas pelo Plymouth Argyle e transferiu-se para o Coventry City, o clube mais importante que chegou a defender. Jogou pouquíssimo também - seis partidas em quatro temporadas de clube. A partir daí, passou a ter uma carreira mais constante: 54 jogos pelo Hartlepool United da Liga Um (terceira divisão) e 79 pelo Kidderminster Harriers, da primeira divisão... da Conferência de Futebol, aquela da "não-Liga" Conferência de Futebol que citei acima. Seu próximo passo foi para o Burton Albion, também da Conferência Nacional (nome da primeira divisão da Conferência de Futebol). Sua carreira seguiu evoluindo para baixo depois que passou pelo Hinckley United, da Conferência Norte, a segunda divisão da Conferência de Futebol. Atualmente joga pelo Kettering Town, da mesma divisão. E havia quem achava que seu pai é quem era digno de pena por ter levado gol de mão...

5 - Stefan Beckenbauer - Meio-campo - Alemanha
Naturalmente, como a maioria dos jogadores aqui citados, Stefan começou sua carreira seguindo os passos do papai Franz: no Bayern de Munique. Inteligentemente, não escolheu a zaga, evitando um pouco comparações. Nem por isso teve uma carreira menos patética. O passo natural, depois de jogar no juvenil do Bayern, é jogar no profissional do Bayern, certo? Stefan conseguiu. Jogou no profissional do Bayern... II, o equivalente a um time B do clube bávaro. Daí passou a transitar pelo Munique 1860, Kickers Offenbach e 1. FC Saarbrücken, passando no máximo dois anos em cada clube e intercalando sempre com temporadas pelo Bayern de Munique II. Em 1997, aos 29 anos, deve ter tomado consciência que sua carreira era um equívoco completo e abandonou a vida de atleta. Mas continuou a seguir os passos do pai e, após a carreira como jogador, tentou firmar-se na comissão técnica. O que faz hoje em dia? É treinador assistente. Do Bayern de Munique II! Bem, tudo indica que, se continuar a seguir o caminho deixado por papai Franz, Stefan Beckenbauer vai chegar a presidente do Bayern de Munique II e certamente presidirá o Comitê Organizador da primeira Copa do Mundo de Seleções B.

4 - Jordi Cruyff - Meio-campo - Holanda/Catalunha
Paga o pato por ter sido filho de um dos cinco maiores jogadores da história do esporte. Jordi não é de todo ruim. Também não é de todo bom. Impulsionado pelo pai, começou a carreira com apenas sete anos nas categorias de base do Ajax, assim como Johan. Jogou também nas categorias de base do Barcelona e, profissionalmente, começou pelo Time B do clube catalão. Jogou no time principal também, passou pelo Manchester United, Celta de Vigo, Deportivo Alavés, Espanyol e atualmente, aos 34 anos de idade, atua pelo Metalurh Donetsk da Ucrânia. Nesse meio-tempo, chegou a jogar algumas (poucas) partidas pela Seleção Catalã e pela Seleção da Holanda - como a Catalunha não é um país oficial, sua Seleção também não é, portanto não impede que um jogador que defendê-la atue por outra equipe nacional. Talvez o problema de Jordi tenha sido sempre ter se colocado à sombra de seu pai. As comparações são inevitáveis, mas quando um jogador procura trilhar sua carreira, elas acabam sumindo. Foi o caso de Maldini, de Ademir. Jordi pareceu sempre querer essa comparação. Usar o número #14 do pai, por exemplo, não ajuda. Tudo bem que Maldini use o #3 como Cesare, mas o #14 é um número mais incomum que tornou-se marca registrada de Johan. Não é um problema que Jordi queira usá-lo. Mas, no seu caso, isso torna-se só mais um adereço de quem sempre quis estar à sombra do pai. Isso culminou com a ausência de personalidade por parte do jogador e atrofiamento de sua carreira - que, por sua habilidade, já não era promissora. Jordi era um jogador normal. Mas o peso do nome (e do número) às suas costas derrubou ainda mais seu nível.

3 - Júnior e Thiago Sá - Meio-campo - Brasil
O primeiro é filho de Zico. Tentou, se esforçou para jogar futebol. Não deu certo. O segundo... é filho de Zico. Tenta, se esforça para jogar futebol. Não está dando certo. Júnior, diversas vezes referido como Júnior Coimbra, tentou começar sua carreira relativamente tarde - aos 17 anos - no Guarani, de Campinas, que disse ser seu clube do coração. Luiz Roberto Zini, presidente do clube e amigo de Zico, bancou a contratação do menino. Nem precisa dizer que não deu certo... então vamos a Thiago Sá - que evitou usar o sobrenome Coimbra justamente para distanciar um pouco pressões e comparações. Começou carreira no Coritiba e teve sua chance no Flamengo, o que é no mínimo arriscado. Depois passou a ser chamado Thiago Coimbra e foi tentar a sorte no Portimonense, da Liga Vitalis (ou Liga de Honra, a segunda divisão portuguesa). Não deu certo. Voltou e jogou o Campeonato Estadual do Rio pelo Madureira. Alguém quer arriscar até quando vai durar a carreira de Thiago, que já está com 24 anor? Com a crueldade da herança que carregam, Júnior e Thiago Sá jogaram pouquíssimo, tanto em quantidade quanto em qualidade. Pagaram mico maior que Bruno Coimbra, que foi vocalista da banda de pagode Só No Sapatinho.

2 - Edinho - Goleiro - Brasil
Dispensa apresentações, certo? Então vamos ao que interessa: Hahahahahahahahahahaha! Edson Cholbi do Nascimento escolheu justamente a profissão mais massacrada pelo papai Edson: a de goleiro. Sua estréia profissional foi no gol... de quem? De quem? Santos Futebol clube! De cara, pegou o Corinthians de Viola, inspiradíssimo em 1994, e tomou uma goleada de 4x0 - com o gozador atacante corintiano comemorando todo gol com um salto e um soquinho no ar. Passou quatro anos no Peixe, decidindo o Campeonato Brasileiro de 1995 e ganhando apenas um Rio-São Paulo, na época que era um mero torneio de pré-temporada. Irregular, Edinho alternava boas atuações com frangos históricos e estendeu sua carreira até 1998, quando defendeu a Ponte Preta. Bom... depois das piadinhas, agora é hora de falar sério. Em 6 de junho de 2005 obteve sua maior derrota: foi preso por ligações com o tráfico de drogas. Na ocasião declarou ser viciado. Edinho, que já havia tido problemas judiciais com acusação de homicídio culposo por um acidente automobilístico decorrente de um racha na década de 90, não era mais réu primário e foi preso. Chegou a cumprir pena, sendo solto algum tempo depois. Atualmente, é treinador de goleiros do Santos, onde certamente pode conseguir recuperação para qualquer problemas envolvendo drogas que tenha tido. Essa é uma das melhores propriedades do esporte.

1 - Diego Sinagra - Atacante/meio-campo - Itália
Estranhou o sobrenome? OK, a gente facilita. Este rapaz talvez seja mais conhecido como Diego Maradona Júnior. Ah... agora ficou mais fácil, né? Como nunca foi reconhecido pelo pai, o rapaz preferiu abdicar de sua herança etimológica e utilizar o sobrenome de sua mãe, Cristina Sinagra. Voltando à vaca fria, Diego foi fruto de um caso de Maradona com Cristina Sinagra em Nápoles, durante a passagem do jogador pela cidade, quando defendia o clube local. Como o filho bastardo abalou as estruturas do seu casamento, Maradona sempre declarou coisas como "Tenho apenas duas filhas, o outro foi um erro", e nunca forneceu nenhuma assistência ao filho, fora a pensão que obviamente foi obrigado a pagar. Tanto que só veio encontrá-lo em 2004, quando estava jogando golfe em Roma e, de repente, o garoto apareceu - e a princípio, Maradona fugiu, só depois retornando para encontrá-lo. Mas isso não vem ao caso... Aproveitando-se de sua herança, Diego Jr. sempre tentou jogar futebol. Ganhou oportunidades no juvenil do Nápoli, do Genoa e até mesmo em Seleções Italianas de base. Nunca deu certo. Mas insistiu. E lá vamos nós para a carreira profissional do menino, que passou pelo Cervia Vodafone, Internapoli, Quarto e atualmente compõe o elenco do Venafro, clube da Série D italiana. Recentemente, foi convidado para a Seleção Italiana de futebol de areia. Definitivamente, Diego... papai não gostou. Não gosta. E não gostará. NUNCA!