UNIFORME - POR THIAGO LEAL

Papagaio de Pirata
02/04

Não é difícil reconhecer. Basta olhar para foto e você facilmente identifica: é o Flamengo. Não porque é o Obina na foto - afinal, o Flamengo é o único clube que daria emprego ao Obina. Fosse outro jogador, a foto seria igualmente reconhecível. O fato é que, no Brasil, vermelho e preto é sinônimo de Flamengo.

O clube tem tradição em uniforme três, embora pouca gente perceba. Geralmente o Flamengo tem, a cada ano, duas camisas rubro-negras diferentes. Uma vermelha com listras pretas e outra preta com listras vermelhas - você percebe pela lateral, que costuma ser da cor predominante. O uniforme reserva é tradicional no clube: branco.

Mas vez por outra, o Flamengo inova sua camisa alternativa. Em 1995, no seu centenário, usou um modelo parecidíssimo com esse. A diferença é que a camisa atual traz uma divisão por igual entre vermelho e preto na frente e as costas inteiramente rubras. Há 13 anos, fornecida pela Umbro, a camisa trazia um ombro vermelho e outro preto, e abaixo as cores se invertiam, formando uma espécie de "xadrez". Romário usou este uniforme com um infame 100 nas costas em referência à idade do clube. Mas ambos tinham o mesmo propósito: homenagear o remo e as origens da agremiação.

Já com a Nike, o Flamengo experimentou em 1999 um modelo totalmente vermelho e em 2000 o inverso, preto.

Ironicamente, o Flamengo jamais venceu uma partida sequer com seus uniformes alternativos. Eu que não sou besta de acreditar em superstição não vejo nada demais nisso. Mas tem gente por aí que torce o nariz para a nova camisa por causa desse tipo de coisa - fala sério.

Também ironicamente, a Nike prepara essa nova camisa para o Flamengo justamente quando as relações com o clube estão estremecidas e há quem fale em quebra de contrato - que vai até 2009.

De qualquer forma, diferente de um Corinthians roxo ou um Palmeiras verde-limão, o Flamengo vem com suas cores originais e traz no corpo a tradição e a memória do passado do clube. E mesmo assim, ainda há quem não aprove. Quando se inova, é desrespeito. Quando se respeita tradição, fica feio.

É uma pena: o Brasil não se acostuma a terceiros uniformes.