UNIFORME - POR THIAGO LEAL

Uma camisa que adquiriu luz própria
23/10

A adidas gosta de inventar. Quem acompanha o futebol europeu está acostumado a ver as inovações em termos de "uniforme alternativo" que a empresa alemã prepara para os clubes que fornece material. Vemos o Real Madrid de roxo, o Benfica de cor-de-rosa, o Liverpool de amarelo, o Chelsea de verde-limão, o Milan de cinza e o Bayern Munique de dourado.

O Brasil tem uma mente um pouco mais fechada a esse tipo de brincadeira. Se o torcedor do Manchester United aceita sem problema uma camisa (da Nike) azul em seu time, que é a cor do rival Manchester City, no Grêmio de Futebol Porto-Alegrense a cor vermelha não entra nem nas placas da Coca-Cola do Olímpico.


Dessa forma fica difícil de fornecedores como Nike, Puma ou Reebok inovar alguma coisa.

A adidas parece não se intimidar. Quando chegou ao Fluminense, pôs uma camisa laranja para o tricolor - uma referência às Laranjeiras, bairro onde o clube fica localizado. Mesmo assim, no clube, depois desta camisa, a empresa ousou pouco: sempre a camisa alternativa do Fluminense tem a cor grená, uma das três típicas e tradicionais.

Já no Palmeiras, a Adidas pareceu não se intimidar. Em sua primeira temporada com o clube foi em dois extremos. O primeiro, devolver à gloriosa camisa palmeirense sua cor original: o belíssimo verde-esmeralda. Ao mesmo tempo, inovou com um terceiro unfirome todo prateado. Houve quem gostou, houve quem não gostou. Porque, aqui no Brasil, esse tipo de ocasião era bem específico: o Corinthians jogou de prateado comemorando os 25 anos do título Paulista de 77. O próprio Fluminense teve a camisa cor de laranja para homenagear seus 100 anos. Essa camisa prateada do Palmeiras era só uma inovação, gratuita. Só porque seria bonito. Houve quem adorou, houve quem reprovou.

Esse ano a Adidas bancou polêmica de novo. Pôs o time alviverde para jogar de verde-limão (ou amarelo, para alguns). Um tom bem parecido com a camisa do Chelsea. À primeira vista, o uniforme, complementado pelos calções e meiões verdes-escuros, chama atenção pelo tom forte da cor da camiseta. Parece uma pilha, energética. Parece até que brilha.

A camisa está aí por estar. Não tem motivo, comemoração... nada. Luciano Kleiman, diretor de marketing da Adidas, declarou apenas que a idéia era unir tradição (de qualquer forma, a camisa é verde) e modernidade (o tom verde-limão).

Muita gente gostou. Muita gente criticou. Houve quem não tenha gostado do fato do Palmeiras usá-la no clássico contra o Corinthians, dizer que isso quebra (ainda mais) tradições. Mas foi justamente esse jogo, que o Palmeiras venceu por 1x0, que começou a atribuir uma nova propriedade à camisa: a de amuleto. Os jogadores, como Rodrigão, dizem que ela tem dado sorte, chamando atenção para que o Palmeiras ainda não perdeu usando o uniforme alternativo.

Amuleto de sorte ou não, é um belo uniforme. E uma bela jogada de marketing. Brasileiro precisa aprender a conciliar tradição e marketing e aprender que isso é bom para as finanças do clube. Definitivamente, é uma camisa que brilha, e com luz própria.